terça-feira, 3 de junho de 2025

Há lugares que carregam a alma de quem os habita, que assumem os contornos dos seus gestos e rotinas e que, mesmo quando estão vazios, carregam o som de todas as vezes que esteve alguém fez do lugar a sua casa.

Este blogue foi a minha. 

Durante onze anos, abri esta porta vezes sem conta, com novidades para contar, mágoas por digerir, memórias felizes a que queria dar palavras. Cresci muito aqui, nem sempre de forma percetível, mas em tantas outras com a violência dos estilhaços dos dias que nos empurram para fora da zona de conforto e rebentam a bolha com as arestas afiadas dos escombros. 

Escrevi sentada em diferentes cadeiras, em cidades que não têm o mesmo céu, em fases da vida que mal reconheço ao reler. Ainda assim, cada palavra ficou. Ditas no tempo certo, produto do seu tempo e com a honestidade do que é partilhado só porque faz sentido. O Bobby Pins ensinou-me isso: que há beleza no impulso de contar. E que há ainda mais beleza em quem se dispõe a escutar. 

Refazendo os meus passos, não encontro pegadas só minhas. Este espaço foi sempre mais do que meu. Foram as vossas vozes, mensagens, partilhas e silêncios que o tornaram tão especial. Nunca estive sozinha a escrever. Cada artigo foi uma conversa possível, um chá servido à distância, uma companhia que resistiu a tantas gerações de conteúdo.

Hoje, escrevo com o mesmo cuidado de sempre, mas com o coração cheio de uma coisa nova: a sensação de fechar um ciclo. Não o faço com tristeza (essa ficou para outros textos), mas com absoluta ternura e gratidão. Com reverência por tudo o que foi construído aqui, palavra a palavra.

O Bobby Pins nunca foi só um blog. E nunca será. 

É a minha coleção de primeiros passos, de favoritos partilhados, de cartas abertas. É a minha janela e, tantas vezes, encontro um reflexo qualquer de mim própria na paisagem. 

Obrigada por terem entrado, tirado os sapatos e ficado. Por se sentarem comigo à mesa, mesmo que fosse só para uma chávena breve. Por fazerem parte da história que contei e que, de alguma forma, também vos pertence. 

Deixo a porta aberta e tomo a coragem para sair primeiro. Não tenham pressa e vão desligando as luzes à saída. Levo a chave mestra comigo, mas peço que a última pessoa feche a porta.

Continuaremos a escrever-nos. Prometo. 

Com carinho infinito,

quarta-feira, 7 de maio de 2025


Nos últimos Favoritos partilhei convosco a máscara de cabelo que me deixou rendida e, este mês, é a vez do meu shampoo preferido do momento. Menos simpático para a carteira, mas, mesmo indo à piscina três vezes por semana, noto o cabelo saudável, brilhante e suave – e o perfume é discreto, mas maravilhoso. 

Queria uns chinelos confortáveis e simples para o verão onde sentisse que conseguia usá-los para um dia na praia ou para combinar com um coordenado leve e fresco. Não sabia que os ia encontrar na Decathlon, mas são de um conforto sem igual. 

Se estiverem pelos lados de Viseu e quiserem um restaurante tradicional português com uma carta rica para todos os gostos, pratos saborosos e bem servidos, apontem o Zé Pataco no mapa. 


No Porto, as livrarias continuam a desconsolar-me, mas visitei a nova Bertrand de Aveiro e acho que uma parte do meu coração ainda está na zona de cafetaria a deliciar-se com todo o ambiente. 

Domingos são dias daquilo que gosto de chamar um momento spa – eu desligo a água do duche a cada passo, não se apoquentem. Duas presenças importantes para este momento de mimo são este esfoliante da Dove – a puxar para os aromas mais quentes, uma delícia – e este óleo de duche da Nívea para finalizar. 

Cada vez que sinto o cheiro deste perfumador do Continente, sou transportada para memórias de infância – talvez pelos aromas a morango e a frutos vermelhos que me lembram os iogurtes dos lanches. É uma sensação acolhedora que se torna especial de sentir quando visto a roupa e cheiro o perfume.

Eu saí da nutrição, mas a nutrição não sai de mim: foi bom regressar a esses tempos durante este episódio do Ar Livre

Experimentámos o Not Italian numa noite chuvosa onde nos apetecia um momento de pizza e tv e ficámos fãs. Pessoalmente, sou mais team côdea fina, mas não desgostei do sabor da massa fofa! 


Tenho usado este lip tint da W7 combinado com lip oils ou glosses para trazer um pouco mais de vida ao tom natural dos meus lábios que, infelizmente, são tão pálidos quanto o resto do rosto. São resistentes a beijinhos também 🥰

No último dia de março terminei o The Artist’s Way. Tinha comprado o livro em 2024, mas decidi avançar com o compromisso das 12 semanas a partir do primeiro dia de 2025 e assim consegui. Confesso que estava um pouco resistente em relação a todo o lado espiritual que suporta este livro, mas conseguimos conviver os dois sem atrito. Gostei muito que, ao contrário de outros livros de criatividade do género, este livro seja extremamente prático – todas as semanas têm ‘trabalhos de casa’ que exploram a vossa perceção de identidade, objetivos, sistema de crenças e o ambiente à vossa volta que vos influencia positiva e negativamente. Acho que, se forem de coração aberto, conseguirão tirar bons insights e proveito da experiência. 
*este é um link de afiliada - não faz a diferença na tua compra, mas dá-me um bocadinho de retorno por teres comprado através do meu link, por isso, obrigada pelo apoio 🫶

O aspirador cá de casa foi galardoado como o nosso gadget favorito. Os acessórios são, efetivamente, úteis, o design é ergonómico para a postura, limpa em profundidade, o barulho é muito suave – o meu secador tem mais decibéis do que o aspirador - e tem uma boa autonomia. No primeiro modo de limpeza, consigo limpar a casa três vezes antes de descarregar. No modo turbo, apenas uma. 

Comprei as gelatinas com sabor a goma do Mercadona um pouco cética, mas efetivamente sabem a goma (e não a gelatina-a-fingir-que-é-goma) e têm os sabores dos meus 3 tipos de gomas favoritos. Que surpresa boa!


Acho que não comia folar torrado com manteiga há mais 15 anos – talvez a última vez ainda feito pela minha avó. Foi um sabor especial de regressar. 

É possível que seja um capricho, mas melhorou a qualidade da minha rotina de banho: ter um candeeiro. É à prova de água, recarrego de duas em duas semanas e tem a luz perfeita suave e amarelada que dá o ambiente acolhedor que quero quando vou tomar banho ao acordar. 

Gostava de me sentir mais confortável e por dentro da dermatologia e cuidado de pele, e acho que o projeto da Marta, abitat.pt, vai ajudar-me muito nesse processo. Têm um quiz inicial acerca da vossa pele e, no final, recomendações sobre os produtos mais adequados às vossas necessidades, tipologias de pele e budget

Uma vela em formato de panqueca e com cheiro a caramelo e baunilha? Na bancada da nossa cozinha, acesa após cada limpeza, evidentemente. 


A Sofia disse que eu ia ser feliz a comer sushi no Subenshi e não mentiu. As massas também são muito saborosas! 

Este perfume de casa é exatamente o aroma com que queremos finalizar um quarto arrumado: uma mistura suave de cheirinho a chá, relva cortada e limão que reservamos apenas para esta área da casa e que, cada vez que passo por lá, sinto o aroma e penso ‘é altura de descansar’. Perfeito para o verão.

Nunca tínhamos precisado de colocar à prova, mas o apagão fê-lo por nós: este termo da IKEA mantém a temperatura da água fervida durante 3 dias. Sim, nós fizemos o teste.

Já acompanhava, mas acho que este ano dei afinidade total com este podcast: Gostosas Também Choram vai ser, de certeza, o meu podcast de 2025. Adoro caminhar a ouvir a Lela. 

Que maio traga uma cesta carregada de coisas boas 🧺🌷

segunda-feira, 21 de abril de 2025

(fonte)

Desconfio que só começamos a prestar a atenção à primavera em adultos. É um território invisível na infância, um Alentejo nas férias de verão que só se valoriza com o amadurecimento. É possível que nos diga mais quando crescemos graças à sua repetição: por mais desprovido de vida que seja o inverno, teremos a sombra das folhas no verão.

Apercebo-me mais das transições de estação agora, principalmente do seu princípio. Há sempre uma pequena resistência da estação que se despede, uma vontade de ficar mais uns dias, de preparar um adeus triunfal antes de o pano descer para um próximo ato.

Em breve, vou deixar de conseguir ver o jardim da vizinhança; estará coberto por árvores jovens, folhadas num tom verde lápis de cor, daqueles que escolhíamos para desenhar as árvores como se fossem nuvens. 

Já consigo sair de casa sem casaco ou com sapatos abertos, com coordenados mais leves que parecem contagiar os dias, cada vez mais longos, mais possíveis. Desfazemo-nos em elogios aos dias de verão, mas os amanheceres de abril e maio (tão longos, tão cedo) são o ponto de partida do nosso contentamento. Sentir que o meu dia não fecha com o som do portátil a ser arrumado no armário, que pode haver mais: pode haver um gelado na cidade, uma bebida fresca na esplanada, uma caminhada no parque ou um encontro com uma amiga à luz do sol. A primavera é o espreguiçar dos dias e todos nós adoramos a sensação de um bom alongamento. 

Simpatizo com a primavera mesmo que ela não seja particularmente gentil para mim (ou assim a recordo nos últimos anos). Custa observar a vida a brotar enquanto se faz luto, de ver tudo florir quando ainda não conseguimos chegar à superfície e florescer. De ver tanta luz pela janela e, mesmo assim, não limpar o céu nublado no peito. 

Penso nisso enquanto faço o meu chá fresco caseiro e vejo as minhas plantas a crescer, as frutas e vegetais do meu vizinho a darem cor à sua varanda (certamente aos seus pratos também, se não se distrair e tiver tempo de olhar para fora). Flores que abrem, crias que nascem. Não há nada de delicado nisto, embora, em toda a sua imagem, entendamos que sim. As amoras que brotam apesar das chuvas, as folhas de manjericão que resistem nos novos vasos onde os realojámos, os relvados dos parques que não cedem apesar das tempestades, os jardins que continuam coloridos apesar dos dias de inverno. A primavera é um testemunho natural do quanto podemos sobreviver ao inverno e renascer se nos atrevermos a proteger o que nos torna delicados, sensíveis. Florescemos sempre, uma e outra vez mais, ao nosso tempo. 

Chega então a hora de reorganizar o guarda-roupa, resgatar os tecidos coloridos, as receitas cítricas, os scones para os desconsolados dias chuvosos, os chás gelados, as sabrinas. É tempo de voltar a nadar, ler ao jardim, sentar na parte de fora dos cafés e restaurantes. De arejar melhor a casa (onde vivemos e onde pensamos), alargar os horários dos planos na agenda, trocar as mantas pesadas pelas mais leves (reservando as primeiras para as noites mais frias), de guardar as pantufas e os pijamas quentinhos e trazer os chinelos e pijamas mais arejados. De agarrar no caderno cheio de flores que comprei em Nova Iorque, perguntando-me onde é que eu estaria quando o escrevesse pela primeira vez – no Porto, na minha casa, num dia de primavera. De fazer máquinas de roupa e estendê-las com mais sucesso. Colorir os nossos livros com cores mais abertas e alegres. Escolher leituras que nos transportam para histórias de renovação ou viagens até ao lado campestre de Itália ou de Inglaterra. De sonhar com as primeiras férias grandes e planeá-las. De barrar mais compotas e queijo creme do que manteiga e beber mais chai latte frio do que quente. 

Aos poucos, também nós vamo-nos expondo um pouco mais à luz, um pouco mais à vida. Aos poucos, vamos largando a mão ao inverno e às tempestades que nos fez passar para estarmos de raízes fortes, delicados e delicadas, apesar.
(fonte)
Reading...
O meu pai cometeu o gravíssimo erro de me dizer que estava numa livraria no Brasil e perguntar se queria algum livro de edição brasileira. Eis que regressou com uma coleção de livros deliciosa onde estou a guardar a maioria para as férias de verão, mas permiti-me à exceção que tem estado na mesa de cabeceira: Primeiro eu tive que morrer. Daqueles que se lê com o lápis ao lado.

Eating...
Acho que já não fazia scones desde que era sempre eu a selecionada para os fazer e trazer para a escola nos English Day. Fiz a olho e de memória – com tudo para correr mal –, mas não falharam. Quentinhos com manteiga e compota de frutos de vermelhos , só assim fazem sentido para mim.

Playing...
O álbum da Kacey Musgraves, Deeper Well, tem estado em loop cá em casa. É o encontro perfeito entre o folk e o country.

Obsessing...
Não é um hábito de agora – embora a internet esteja ao rubro com isto –, mas colorir tem feito muito parte da rotina. Um hobby que consigo encaixar nos dias de chuva que tivemos e que adoro fazer enquanto vejo um programa de culinária (uma combinação que não consigo explicar, mas que recomendo de coração aberto e olhos fechados). Não tenho nenhuma obsessão com marcas de canetas, em ter todas as cores do arco-íris à disposição ou em fazer desenhos estéticos. Este é o meu momento analógico onde posso desafogar a cabeça, reduzir o tempo de ecrã e sentir o alívio de saber que, na próxima hora, a minha única função é pintar dentro da linha.

Recommending...
A app Tidy para gerir limpezas. Não sou fã de perder um dia inteiro em limpezas frenéticas e eu e o James temos horas e dias da semana diferentes para nos disponibilizarmos às tarefas de casa, por isso, esta app ajudou muito a gerir o tempo investido em limpezas diluído ao longo da semana e na distribuição das tarefas de acordo com as nossas agendas. Selecionamos na aplicação os dias em que estamos disponíveis para fazermos limpezas, tipo de casa e divisões e quanto tempo por dia estamos dispostos a dispensar. A partir daí, a aplicação faz um plano diário do que deve ser limpo nesse dia – sendo que as tarefas podem ser atribuídas (o que dá jeito para que eu não vá limpar algo que o James já limpou, por exemplo). No final da semana, a casa fica toda limpa na mesma, só não dispensámos um dia para o fazer. Para nós, resulta muito bem e sentimos menos cansaço no final da semana.

Treating...
Só descobri depois de começar a nadar cá no Porto que o sítio onde vou tem incluído um circuito de águas do género de spa incluído – antes de me lançarem energias de inveja, eu vou só reforçar que antes disso eu nadava na maior espelunca com água porque era a única disponível na minha cidade. Eu aguentei todos estes anos para merecer esta glória, okay? – e, por isso, no último treino da semana reservo sempre um momento para passar por lá; ajuda-me a encerrar a semana, a diluir as inquietações e a regressar a casa  mais realinhada, com a sensação de que, mesmo que tudo na semana tenha derrapado, tive estes minutos para cuidar de mim.
(fonte)

sábado, 5 de abril de 2025


A Inês de 15 anos só escrevia com estas canetas e jurou-lhes fidelidade eterna (não cumpriu). Mas a Inês mais velha lembrou-se delas, comprou e recordou-se do porquê de as adorar. 

Um dia de chuva, uma boa chávena quente e isto. Não precisamos de mais nada. 

segunda-feira, 10 de março de 2025

(fonte)

À meia-noite da virada do ano, prometi-me que ia sair de casa. Não faço muitas promessas – nem com os outros, nem comigo – porque não prometo o que não posso cumprir. Nunca. E, por isso, sabia que, naquela manhã de dia um, teria de abrir a porta de vez e sair de casa. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025


Foi um dos presentes de natal do James a pensar nos momentos em que preciso de trabalhar concentrada e numa bolha sem ruído e passo a recomendação: estes auscultadores são perfeitos a cancelar o ruído sem me deixarem desatenta ao meu redor e têm uma qualidade de som fantástica.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025


Estar presente no aniversário da amiga custa uma manhã de autocarro ou uma deslocação de 10 minutos até ao restaurante. Para abraçar a mãe, viajamos 3 horas de carro. Custa um voo de 8 horas para dar um biscoito ao cão gordinho que nos viu crescer.

O preço da sopa da avó está nas centenas de euros para uns e a 5 minutos a pé para outros. Aos 9 anos, custa uma viagem de corredor até à cozinha. Para outros, já não tem preço. O restaurante favorito está a uma paragem de metro, mas a melhor pastelaria está na outra ponta do globo. O Natal custa peso a mais na bagagem de porão.

No lugar onde nos sentimos em casa, o sol põe-se num ponto diferente da nossa casa. Para voltar a acordar com neve, custa poupar durante um verão escaldante para regressarmos a esse lugar. Dizer que se tem saudades não custa nada. Uma chamada ou uma mensagem. Não custa, mas também não salda. O diploma da faculdade está num lugar diferente de onde o diplomado encontrou trabalho para aquilo a que se formou. Ver o jogo da equipa de sempre em direto custa acordar de madrugada.

O peluche de infância dorme num quarto a milhares de quilómetros. Ver um sobrinho crescido custa o tempo que o levou a crescer sem lá estarmos. E o álbum de fotografias de 2003 está disponível para folhear se arrancarmos já de manhã para o recordarmos à noite. 

Marcar o dentista dentista no local é caro, por isso, gastamos centenas de euros num bilhete de avião para o fazer mais barato - e compensa. Cortamos o cabelo quando encurtamos a distância entre nós e a cabeleireira. Dizer bom dia quando a nossa pessoa acorda custa-nos acordar de madrugada, onde ainda não há dia. Chegar a tempo depende do trânsito ou de o comboio não atrasar as chegadas. O atraso, logicamente, não será o mesmo. Beijar quem amamos custa atravessar a casa ou 7000km, mais coisa, menos coisa.

Jantarmos todos juntos pode custar um grito de aviso para a mesa, uma chamada coletiva de facetime ou uma coordenação de grupo para, em horários diferentes, todos estarem a fazer a mesma coisa. Ler em na língua mãe custa umas férias em casa. E as férias custam um regresso que nem sempre sabe a férias. Viver no lugar onde se fala a mesma língua com que pensamos custa mudar de vida. 

A saudade não tem tradução ou quantificação possíveis, comparáveis. Mas não perguntem a ninguém com bilhete de ida se tem a mesma dimensão e significado para todos.

O preço do bilhete de volta varia consoante a época, numa janela de navegação anónima, onde todos ditam o seu valor.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025


As três torres | Ouvirão muitas vezes Ghent a ser apelidada de ‘Cidade das Três Torres’. Essas 3 torres referem-se à Sint-Baafskathedraal, Belfry e à Igreja de São Nicolau. E há um local absolutamente perfeito para as verem às três alinhadas – continuem a ler que já vão descobrir qual é. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025


Fazem resoluções de ano novo? Ao longo dos anos, a minha relação com elas foi tudo menos linear. Já houve anos em que ignorei completamente a ideia, e outros em que me perguntava qual o propósito, se a maioria desiste antes do final de janeiro. Hoje, vejo-as mais como um guia: uma forma de direcionar o ano que se inicia. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024


Sinto que novembro esforça-se por mudar a nossa relação; faz algumas surpresas boas, leva-me a sair, esforça-se por criar memórias comigo. Mas a pontaria é certeira: em novembro, recebo sempre notícias desanimadoras, respostas agridoces, eventos inesperados que estragam o possível tratado de paz. Por vezes, injustamente, mas quando coloco tudo na balança, o peso dos dias desanimadores e a taxa de esforço demasiado elevada para o que já consigo suportar supera os dias bons.

Não me dou bem com novembro e começo dia 1 a desejar que corra depressa, que não se alongue, que nada de importante ou determinante seja marcado nestes 30 dias que se alongam demais, pesam demais, são demais. 

Talvez seja contraproducente começar o mês já com os dentes cerrados e em posição defensiva. Que a superstição pode estar a falar mais alto do que os factos. Eu respondo que os pontos se marcam no ataque, mas que o jogo ganha-se na defesa. É preciso saber escolher os meses para marcar pontos e os meses onde é necessário recolher e defender, sem zona. 1 para 1. 

E novembro puxou por mim. Fez faltas antidesportivas. Esteve mais do que 3 segundos no garrafão e o árbitro fingiu que não viu. Bloqueou as minhas melhores jogadas e deixou-me arrasada. Não nego que, quando novembro estava de costas, posso ter desejado coisas pouco simpáticas. Mas sei que os palavrões que lhe dirigi tiveram mais justiça do que as provocações que me fez. Não peço desculpa.

É difícil quando ouvir o som de fim de jogo traz mais alívio do que celebração. De que acabou, em dezembro o jogo é outro, outra equipa, outro árbitro. De que não tenho de jogar mais neste, o que traz alívio, mas que sei que não saio de cabeça erguida e sim a implorar por água e por um banco para me sentar, um banho quente e uns minutos para refletir onde falhou. O que é que escapou, o ângulo morto que não previ. Que não muda o resultado, mas que pode trazer algum contexto no agora e algum alento com o tempo, com mais distância. 

Este mês, dezembro, o jogo é outro. Mas, em novembro, saí do campo de meias e com as sapatilhas na mão. Em 2025, o apito voltará a soar e o resultado, talvez, seja diferente. Tenho jogadas novas para experimentar.

(a versão luz de novembro escorri-a aqui)

Vamos aos destaques? 

sábado, 23 de novembro de 2024

(fonte)
Uma turista cruzou-se comigo e com uma amiga no supermercado e disse que, embora não percebesse o que estávamos a dizer, tínhamos um riso bonito. A veterinária da Belka ofereceu-nos charms para colocarmos na coleira dela. Atravessei a estação de metro a correr porque só tinha 1 minuto para chegar ao autocarro e o motorista, ao observar-me a correr ao longe, não só abriu a porta para sinalizar que esperava por mim, como, quando entrei, disse ‘a senhora tem uma condição física impressionante, veja quão rápido chegou aqui!’. Bati o meu recorde pessoal a nadar. 

captaram-me no momento em que bati o tal recorde (fonte)
Uma das andorinhas da minha jarra partiu-se. Chorei de cansaço a ler e-mails. Não me apeteceu escrever. Não me apeteceu ler. Apeteceu-me observar e escutar. Já decorei partes da casa para o Natal. Comecei a planear os stockings para as meias de Natal da família. Fui pintar cerâmica com a minha mãe e fiz umas ovelhas queridas numa taça. Passeei pelo Porto. Preenchi papelada importante, daquelas em que tremo a escrever porque tenho medo de me enganar até no próprio nome. Trabalhei ao som de obras e, durante uma semana, deitei-me todas as noites com a cama num sítio diferente do quarto. Tomei banho pós-natação com o meu gel de banho de chai e o meu champô de chocolate e senti-me uma bebida do Starbucks humana. Encontrei estacionamento grátis quando mais precisava. Comi várias sopas feitas pela avó. Trabalhei a cantar músicas de Natal. 
é assim que me imagino a trabalhar, não estraguem a imagem. (fonte)
Fiz uma wishlist de presentes e uma giftlist para quem quero presentear. Enviei cartas que atravessam o atlântico. Fiz facetime para contar boas notícias, fiz facetime para chorar as más notícias, fiz facetime para matar saudades, fiz facetime para nos ver a rir, fiz facetime para ver as novidades do Wallmart. Demorei quase um mês a ler um livro e foi delicioso conviver com a mesma história e personagens durante mais tempo do que o normal, não me obrigar a desenvolver uma nova relação com uma história a cada semana por ler rápido. Dei conselhos. Recebi conselhos. Contei uma piada que fez a minha terapeuta rir. Aquele rir em conjunto alto, que reverberou na sala e que acho que se ouviu na sala de espera. Caminhei de manhã, com sol, mas antes de a cidade genuinamente acordar. Senti que o meu TikTok só me mostrava vídeos queridos e pensei ‘construí este algoritmo ao ínfimo detalhe’. Ouvi áudios de update de amigas e senti a falta delas. E matei as saudades de outras amigas também, à mesa.
Tive alta, um ano depois! Contei à minha avó que ia chover durante a tarde e ela respondeu ‘não vai nada porque tenho um passeio marcado com a minha amiga’. Não choveu. Fiz brainstorm com o J de nomes que daríamos a um corgi. ‘Bundinha’ é o meu contributo. ‘Bunds-bunds-bunds’ de alcunha. Visitei a minha livraria preferida. Acendi a lareira pela primeira vez neste outono. Escrevi muito à mão. Fiz quiche pela primeira vez. Vi scout elves à venda no supermercado e desbloqueou-me uma memória – é uma tradição anglo-saxónica onde os pais escondem um elfo que foi enviado do Polo Norte e que ‘vigia’ as crianças antes do Natal para garantir que se portam bem e merecem presentes. Vi três velhinhas na Gulbenkian a conversar e pensei que é isto que quero para a minha velhice. Quando o sol se escondeu atrás dos edifícios, foram embora. 
(fonte)
Reparei que já não acho os meus pais tão diferentes em feições em comparação com os meus avós, como eu achava quando era pequena. É uma observação agridoce. Vi uma chuva de folhas de outono a cair da árvore depois de passar o vento e quis filmar porque achei lindo. Um casal ficou atrás de mim e não quis passar-me à frente, pedi desculpa e disseram ‘Não, é lindo mesmo’. Um amigo enviou-me uma mensagem com a fotografia de um truque que lhe ensinei há 10 anos a dizer ‘ainda me lembro dos primeiros ensinamentos’. Fiquei emocionada por se lembrar. Reparei que as minhas estrelas ligam automaticamente às 18h em ponto e, por isso, sei sempre quando é hora de fechar o dia e desacelerar. Quando elas ligam, eu desligo.
um resumo deste artigo.
Reading...
Heidi! Esta é a altura do ano em que gosto de me entregar às leituras mais aconchegantes e gentis, pedaços de narrativa que não exijam muito de mim e que proporcionem um momento acolhedor à leitura. Tenho sempre alguns clássicos ou cozy readings na minha lista para agarrar e o clássico da Heidi era um deles, que estou a adorar rever, ou não fosse uma das minhas séries de animação favoritas na infância - tinha a coleção completa de cassetes.

Uma pequena graça: comprei este livro numa Waterstones em Hereford que já estava fechada. Mas tinha visto lá esta edição lindíssima e o livreiro disse que não fazia mal e que podia entrar e vender-me o livro. Achei gentil.

Eating...
Francesinha, para matar saudades do Porto. Experimentámos a do Brasão e fiquei muito fã. Têm duas opções de francesinha, uma mais clássica e outra com a assinatura do restaurante – pedimos uma de cada para a mesa – e ficámos fãs. Se não gostam do molho excessivamente picante, é perfeita. 

Playing...
Tenho transitado entre estas duas playlists: se estiver no mood total Natalício e quiser cantar as músicas de sempre no carro, enquanto cozinho ou estou ao computador, inclino-me para esta. Se estiver a precisar do acolhimento das melodias típicas do Natal mas sem correr o risco de me enjoar já, recolho-me nesta

Obsessing...
Depois de admirar e sonhar com as janelas de Natal de tantas fotografias, decidi criar a minha. Coloquei uma garland na moldura de cima da minha janela, pendurei duas estrelas et voilà, tudo com ganchos amigos da parede e sem furos. Não me canso de olhar para a minha janela e suspirar de encanto. Acho que fica bonita em qualquer clima, mas adoro particularmente aquela hora azul antes da noite, que contrasta tão bem com o tom quente da luz.

Recommending...
Este artigo cujo ponto de partida é o absurdo dos croissants da Temu que são embalsamados para se transformarem em luzes de presença e que serve de trampolim para uma reflexão sobre como a comida tem servido não só para nutrir, mas para alimentar cada vez mais a ostentação.

Treating...
Nunca tinha ido a um atelier para pintar cerâmica e fi-lo pela primeira vez, recentemente, no Puracerâmica, em Lisboa. Podem escolher a peça que desejam pintar – já está feita e têm imensas opções ao dispor – e antes de começarem dão-vos todas as dicas de como pintar. Despertou a minha criatividade e foi uma manhã absolutamente tranquila e onde não pensei em mais nada a não ser: tenho de manter a minha fila de ovelhas direitinha.
a tal janela (🫶🏻)

segunda-feira, 4 de novembro de 2024


Foi a primeira vez que outubro me pareceu um mês longo e, confesso, não desgostei da sensação – embora eu compreenda que não seja consensual. Outubro costuma escapar-me sempre das mãos e desconfio que o preencho sempre com coisas a mais, tal é o meu entusiasmo pela sua estação inerente, pelas celebrações e tradições festivas. Fica difícil chegar a todos os pontos da bucketlist, mas, este ano, não me posso queixar. Outubro ficou comigo no banco de jardim a ver as folhas mudar e sinto que esse foi o meu maior presente de aniversário. 

Num ano com tantas coisas a mudar, com tanta incerteza e que está a andar a uma velocidade incomparável, foi bom respirar durante um mês sem me sentir sufocada. Vamos aos destaques?

terça-feira, 29 de outubro de 2024


Filigranes 
É a típica livraria labiríntica com pequenas salas intercaladas onde se podem encontrar todos os géneros para todos os gostos. A oferta é mais alargada para livros em francês, mas existe uma boa seleção de literatura traduzida para inglês. No meio – e se não vos passar despercebido entre o caos de livros e estantes – encontram um pequeno balcão de café. 

Tropismes 
Se estiverem de passagem pelas Galeries Royales Saint-Hubert, é um ponto a não perder. A seleção de livros em inglês é mínima, mas a Tropismes é uma das livrarias mais bonitas que já visitei. O espaço ornamentado e o espelho, que dá uma falsa ilusão de profundidade, tornam este pequeno espaço num palácio de livros do qual é difícil sair. 

Waterstones 
Não tem os preços a que o Reino Unido nos habituou, mas os descontos estão lá e a oferta é alargada, principalmente se vão à procura de novidades ou dos títulos populares do momento. Achei giro ir a uma Waterstones fora do UK. 

Passa Porta 
É talvez uma das livrarias mais discretas desta lista e, se não estiverem a dirigir-se intencionalmente para lá, facilmente passa despercebida, mas foi uma das que mais gostei de visitar. A par da Waterstones, é uma livraria com uma extensa oferta de livros em inglês, marcadores amorosos e edições especiais. Vale a pena procurar. 

Librebook 
Se vivesse em Bruxelas, provavelmente mantinha esta livraria debaixo d’olho, uma vez que é mais conhecida pelos eventos literários que vai organizando ao longo do ano, mas a visita pontual também é merecida. O espaço é pequeno e simples, mas ideal para encontrar literatura internacional, com foco em traduções para diferentes idiomas, incluindo, mas não só, o inglês. 

Cook & Book 
Não se deixem enganar pela simplicidade do nome: esta é a experiência para os amantes de livros. Numa primeira impressão, julgava que era uma livraria mais especializada em culinária… e é, mas não (só) nos livros de cozinha. É que este espaço combina uma livraria com restaurante. 

Certo, mas a originalidade não começa aí e sim nas diversas salas ao dispor na livraria, cuidadosamente decoradas e desenhadas de uma forma criativa e extraordinária, onde dá realmente vontade de pegar num livro e ficar a ler ali para sempre. Um dica extra? Não pesquisem por fotos nenhumas. Deixem-se surpreender.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024


Uma das minhas mensagens preferidas de aniversário chegou através da minha prima. Sinto que nos alinhamos nas mesmas formas de observar, e a sua visão sobre os 30 fez-me todo o sentido. Espero que ela não se importe de a partilhar convosco: 

domingo, 13 de outubro de 2024


‘Deixa a tua versão mais nova orgulhosa’ é a linha que conduz tudo o que a minha geração faz. Saímos de um comportamento excêntrico, onde queríamos agradar e orgulhar (ou invejar?) as pessoas de fora, ao nosso redor, para nos virarmos para nós próprios e respondermos às nossas próprias ambições e projeções sobre quem queremos ser. Cumprir os sonhos das nossas versões mais novas, atingir os objetivos que projetámos há 10 anos num quarto onde já não dormimos, entrar em contacto com a nossa criança interior que tinha planos deliciosos para o presente, mas foi obrigada a projetar o futuro quando lhe perguntaram o que queria ser quando fosse grande, sem perceção da unidade de grandeza.

A dimensão da resposta ao orgulho é tal que damos por nós como pais com síndrome de separação que, cada vez que se encontram com a sua criança interior, dão-lhe tudo o que ela não precisa, enchem-na de coisas e respostas que nunca pediu ao invés da atenção e da integração que deseja. A ausência sente-se dos dois lados, não só na nossa falta de presença na espuma dos dias, mas também na sensação de que ela não faz falta para nós. 

A verdade é que, quanto mais envelheço – e digo-o no auge ancião dos meus quase 30 anos -, mais me apercebo de que ir ao encontro da criança interior é um sinal primário de ausência. Ela não foi a lado nenhum, nenhuma versão de nós abandonou-nos ou perdeu-se de nós. Nós é que fomos embora. Partilhamos uma guarda onde só as reencontramos quando são convenientes, às vezes trendy e todas as vezes seletiva; sim, é doce reencontrarmo-nos com a nossa criança interior, mas quantos reencontros já tivemos com a nossa insuportável versão adolescente? Quantas vezes ligámos a dizer que afinal não a podíamos vir buscar, que estamos presos no trabalho do embaraço que nos causou? 

Qual das versões mais novas devo deixar orgulhosa? É que tenho várias. 30 anos – e acumula à medida que vou (bem) vivendo -, já arrecada algumas versões de mim, com sonhos, expectativas, aprendizagens e memórias. Todas com graus de satisfação diferentes, suponho. Não saber se conseguiria deixar todas as versões orgulhosas de mim e saber que houve sonhos que não cumpri em tempo útil (nem sei se vou cumprir) é uma enorme pressão. Orgulharmo-nos a nós próprios devia aliviar a pressão de tentarmos orgulhar várias pessoas, mas continuamos a ter várias versões ao longo da vida.

Quando escutava a pergunta ‘o que é que a tua versão mais nova diria se te conhecesse, hoje?’ não sabia dizer o que é que nela não me fazia sentido.

Fazer uma análise do que éramos e do que somos, do que queríamos e do que fizemos, do que sonhámos e conquistámos requer distância. Uma ponte quase argonáutica, porque quem éramos no ponto de partida já não é o mesmo que quem somos no ponto de chegada. Fazermos a nossa versão mais nova orgulhosa parte do princípio de que não está connosco no ponto de chegada e que a ponte nos aproximou, tirou o abismo entre nós. Só há abismos quando há rotura. 

Mas eu não tenho esta distância de mim própria, nem sei ter. As minhas versões não são um bando de miúdas a gerir o meu divórcio com a juventude. Se eu entrasse numa sala com as minhas versões mais novas, todas teriam reações diferentes, mas uma só seria universal: eu não seria surpreendente. Estou com elas todos os dias. 

A minha versão adolescente faz as ligações criativas mais espetaculares e é ela que ainda canta os refrões das minhas bandas favoritas. Ela gere até que ponto ainda consigo ser adulta e ser cool à frente de outros adolescentes, é ela que se atualiza. A minha versão de 25 anos tem a paciência que outras não têm para pensar comigo e processar os grandes momentos que vou tentando encaixar na minha vida, a superação de traumas – e mal posso esperar por esta minha versão atual estar do lado de versões minhas mais velhas e mais capazes de lidar com isto. A minha versão de 18 anos dá-me a energia para fazer mais 200m de crawl quando estou com um dia de trabalho em cima. E a versão de 10 assina todos os meus textos porque foi com ela que tudo começou – mesmo que já não seja num caderninho laranja. 

E a minha versão de 5 anos? É ela que vê os filmes da Disney, é ela que dá o nó às pulseiras de missangas cor de rosa e que mergulha batatas fritas no sunday. É ela que ainda rodopia quando coloco um vestido e que enruga os olhos quando ri. Acho que também é ela que mais está com a Belka e mais esteve com a Laika.

As minhas versões mais novas tinham sonhos e ideais, projeções do que poderia vir a ser como 'crescida'. Algumas um pouco mais megalómanas do que outras; talvez seja um desgosto para a Inês de 5 anos saber que a minha profissão não é bailarina-princesa (desculpa, dei o meu melhor, mas o príncipe William está a ficar careca) ou que não fiz oitenta interrails na Europa como a Inês de 15 anos sonhou. Nem que não tenha a minha própria casa, como a Inês de 20 idealizou. Mas nada disso as apanha de surpresa porque não há uma ponte entre nós. Nunca houve abismo. Fizemos esta viagem juntas.

Fiz o meu ponto de partida quando nasci e tenho feito este caminho, sem insegurança por baixo, com todas elas. Não só com a sua companhia, mas também com a sua intervenção, sem partilhas de guardas, sem as perder pelo caminho. Cada uma com o seu momento para ser e estar e eu com os limites para definir quando é a vez de cada uma surgir ou deixar a Inês do presente ser e resolver. E, acima de tudo, a testemunharem tudo o que sou e tudo o que faço. 

Vou fazer 30 anos em breve e não sei o que pensar sobre isso, se for honesta. Mas sei que tinha dificuldade em processar a mensagem ‘deixa a tua versão mais nova orgulhosa’ porque, desconfio, não era esse o meu objetivo. Deixá-la orgulhosa implicaria contar-lhe o que fiz. Prefiro que participe comigo. 

Se puder ajustar a frase, sei que o que as minhas versões mais novas pediam não era que as deixasse orgulhosas. Era que não as deixasse para trás.

terça-feira, 8 de outubro de 2024


Grand-Place | É uma das praças mais icónicas da Europa e o postal da cidade, com uma arquitetura gótica, barroca e neoclássica que remonta ao século XI. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2024


Setembro tomou o seu tempo para chegar e se despedir, dando espaço para que pudesse viver os últimos cartuchos do verão e saborear deliciosamente a chegada gradual do outono. É o que me agrada em setembro: ainda tem areia da praia e os primeiros casacos, uma agenda de planos estivais e momentos de acolhimento em casa, a finalização das leituras pop e a entrada nos livros mais densos.

Para mim, simbolizou reencontros com amigos, um casamento, aniversários especiais e muito, muito planeamento, com algumas saídas da zona de conforto. Ainda bem que foi num dos meses onde, curiosamente, me sinto mais confortável. 

domingo, 29 de setembro de 2024

the sound of music (1965)
1. Música com muitas cordas
2. Porta-chaves coloridos e carismáticos
3. Livros com uma prosa poética e que tomam o seu tempo para transmitir uma ideia
4. Sair do mar e já sentir o calor
5. Escrever com caneta preta de ponta grossa
6. Copos largos e pesados
7. Os folhetos do LIDL
8. Qualquer coisa em azul klein
9. Registar as tarefas à mão e os compromissos no calendário digital
10. Camarões numa esplanada
11. Plantas com folhas grandes e flores cor de rosa
12. Óculos de massa claros
13. Filmes com muito diálogo e pouca ação
14. Letras sem serifa
15. Fotografias de photoautomat
16. Dias quentes de primavera
17. Qualquer coisa do Snoopy
18. Nadar na piscina de manhã
19. Edições da New Yorker
20. A intro de Dreams dos The Cranberries
21. Salames de chocolate com mais bolacha do que chocolate
22. Não precisar de casaco à noite
23. Lugares arrumados.
24. Pinturas de ballet

como me sinto a atualizar as notas do meu telemóvel (source)
Reading...
Os vídeo essays não são um gosto recente, mas adoro que estejam en vogue e que espoletem projetos como a newsletter The Deep Dive, que envia semanalmente recomendações de vídeo essays para assistirmos. Os tópicos são tão variados quanto o menu da internet pode oferecer - há edições que me passam ao lado por completo e outras em que acrescento mais uns quantos vídeos à lista infindável de to watch.

Eating...
Os camarões do Pomme Eatery. Já os tinha recomendado no ano passado, quando os partilhei com a Daniela, e renovei os votos neste regresso. Tenrinhos, muito bem temperados e uma delícia para dividir ou para aproveitar todos, sem sobrar para ninguém!

Playing...
Uma playlist que me transporta sempre para os salões dos golden years. Acho que é esta a magia da música: cria uma nostalgia de algo que nunca se viveu - e de uma época que talvez nem gostasse assim tanto de viver, na verdade. Destes 'anos dourados', guardo a música, o cinema, o design gráfico e alguns pormenores do guarda-roupa que adapto para a vida de agora (mais dourada e à minha medida), e é precisamente nessa harmonia que combino esta coleção de canções e épocas: clássicos do jazz e big band que escuto enquanto danço na cozinha, finalizo tarefas ou quando quero começar a manhã com o tom certo.

Obsessing...
Não vos consigo explicar o acolhimento, nostalgia, conforto que sinto cada vez que ligo estas televisões - uso imenso como som de background para trabalhar, mas admito que mais do que uma vez fiquei genuinamente siderada a acompanhar um programa ou anúncio.

Recommending...
Um dos meus podcasts preferidos regressou para uma 2ª temporada e tem sido o bálsamo das minhas segundas-feiras: todas as semanas, no Encontro com a Beleza, o maestro Martim Sousa Tavares escolhe um tema relacionado com música clássica e descontrói a obra ou o/a seu/sua compositor/a para aproximar o público deste género tão elitizado e, por vezes, incompreendido. Os episódios são curtinhos (com muita pena minha), mas é garantido que terminamo-los sempre mais ricos e que o Martim tem uma curadoria surpreendente e refrescante.

Treating...
Experimentei pela primeira vez fazer limitação de screen time depois de ler esta edição da newsletter Litulla. Adaptei os tempos e limites para a minha rotina e, verdade seja dita, o resultado no final da semana nunca é realista porque tenho um outro telemóvel de trabalho a que faço uso para a gestão de redes dos meus clientes, mas a nível pessoal está a ter resultados surpreendentemente positivos. Não entrei para esta experimentação com muita fé, mas tenho cumprido com as limitações a que me propus - nunca faço skip à 'barreira'! - e a verdade é que traz bons resultados. Obrigada pelo empurrão indireto, Marta!
Giselle (um dos meus bailados preferidos), Act II, Alicia Marcova

quarta-feira, 18 de setembro de 2024


Língua | A Bélgica tem três línguas oficiais: francês, flamengo e alemão. Têm por onde escolher! 

Batatas fritas | ex-libris do país. Diz-se que foi aqui que as batatas fritas como as conhecemos foram inventadas, mas devo confessar que não foi uma experiência particularmente excecional. Achei-as francamente banais e a maioria dos locais icónicos servia meras batata fritas congeladas. Recomendo que giram as expectativas.

Escapadinha | Se têm poucos dias de férias para dispensar, as 3 cidades mais populares (Bruxelas – Gante – Bruges) são facilmente visitáveis num fim de semana prolongado. Irão ver tudo noutra velocidade, mas é perfeitamente fazível.  

Cerveja | Se são apreciadores da bebida, o difícil será escolher: existem mais de 600 variedades de cerveja e mais de 400 cervejeiras para experimentar (preferencialmente, não todas na mesma viagem…).

Aeroporto | Para chegarem a Bruxelas, têm dois aeroportos possíveis: Zaventem e Charleroi. O Charleroi é substancialmente mais longe da cidade, pelo que vão ter de considerar o tempo de transporte até à cidade em si. Já Zaventem tem ligação direta com o metro e facilita as deslocações, mas não o achei seguro à noite. Se vão viajar e são um grupo de mulheres ou estão a solo, passem o mais rapidamente possível pelo TSA e tenham cuidado. 

Evitar os fins de semana | Se têm no vosso roteiro o plano de visitar Gante ou Bruges, evitem apontar a visita dessas cidades para o fim de semana. São cidades pequenas e facilmente lotadas nesses dias, o que pode prejudicar um pouco a experiência e beleza do lugar. 

McDonalds, onde estás? | Sabiam que a Bélgica é o lugar no mundo (desenvolvido) com menos McDonalds per capita? Em contrapartida, é o país com mais castelos por m2 no mundo (parece-me justo). 

Capital da União Europeia | Como sabemos, Bruxelas é considerada a capital não-oficial da União Europeia, uma vez que abriga a sede da Comissão Europeia, do Conselho da EU e uma parte do Parlamento Europeu. 

Waffles | É impossível pensar na Bélgica sem sonhar com as famosas waffles! Existem dois tipos tradicionais de waffles na Bélgica: a de Bruxelas (tipicamente retangular e com uma textura mais leve e neutra) e a de Liège (geralmente arredondada, mais densa e doce porque leva uma cobertura melada – na minha opinião, nem sequer necessita de topping). 

Comboios | É o meio de transporte ideal para circularem pelas várias cidades. Os preços são relativamente acessíveis, os horários são variados e confiáveis e chegam rápida e comodamente a cada destino. 

O Big Bang do Big Bang | Sabiam que o Big Bang foi uma teoria que nasceu na Bélgica? Georges Lemaitre – o padre e físico que avançou com esta teoria – estudou e trabalhou praticamente toda a sua vida na Bélgica. É recorrente associar-se esta teoria ao Hubble, mas Lemaitre já tinha publicado esta teoria dois anos antes. 

Os caldos | Se quiserem ir um pouco além das batatas fritas e waffles, os estufados de carne e caldos de peixe são também bastante típicos e fáceis de encontrar. Duas propostas bem densas, mas que combinam com o clima frio e chuvoso da região. 

Dragões e picardias | Gante e Bruges têm uma picardia regional; caso visitem Gante, irão reparar que existem vários dragões dourados, mas este é um símbolo roubado a Bruges. A verdade é que o dragão também não era originário desta última cidade, já que se acredita que também foi roubado à Constantinopla. Se isto não resume bem a antiga Europa! 

As janelas | Se observarem as casinhas típicas, irão observar que as janelas têm algo muito peculiar - e único no país. As do rés-do chão são sempre maiores, seguidas de umas médias no primeiro piso e, no topo, as mais pequenas. Este rácio acontecia porque o rés-do-chão raramente era utilizado para viver/morar (nem o era aconselhável por causa das cheias). Normalmente, era o lugar de encontro para festas e jantares, pelo que as janelas maiores serviam o propósito de matar a curiosidade de quem estivesse de fora a observar.

Os telhados em degrau | As fachadas com telhados em degrau são bem típicas na Bélgica (e noutros países da Europa, como a Holanda, pex). Na verdade, não tinham grande utilidade. Era mais barato fazer um telhado a direito, por isso, recorrer à técnica em degrau demonstrava poder económico. Quantos mais degraus, maior a riqueza.

Prontos para embarcar até à Bélgica?

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