quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023


As Nadadoras 
Acompanhei a história da atleta olímpica Sarah Mardini quando venceu a medalha de ouro em natação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, representando aquilo que era a estreia da Equipa Olímpica, mas foi através do filme da Netflix que aprofundei um pouco mais todo o percurso das duas irmãs sírias que tiveram de fugir do seu país para procurar um futuro e ir atrás do sonho da irmã Sarah: tornar-se numa atleta olímpica. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023


Existem livros, lugares e experiências tão especiais para mim que, se pudesse, ia de porta em porta melgar-vos a todos para que os pudessem ler, visitar e experimentar também, sem me cansar. Todas as Coisas Maravilhosas é uma dessas experiências. 

Estivemos desencontrados nas primeiras sessões, mas assim que abriram novas datas soube que era a 2ª oportunidade que precisava. 

Esta é uma peça diferente de tudo o que já pude assistir: adaptada a partir do original de Duncan Macmillan, Ivo Canelas assegura um monólogo (mas desenganem-se se pensam que é monótono ou unilateral) emocionante e muito interativo, com uma premissa única: um menino decide escrever uma lista de todas as coisas maravilhosas que fazem a vida valer a pena para oferecer à mãe, que sofre de depressão e tem ideações suicidas. 

É um tema pesado e muito sensível, sim. Mas às lágrimas e à emoção do que estamos todos a testemunhar, juntam-se desafios, muita interação do público e uma energia e alegria de viver palpável. Não quero entrar em detalhe porque espero que tenham o mesmo efeito surpresa que eu tive, mas posso dizer-vos que foi completamente original, criativo e inesquecível. 

Todas as Coisas Maravilhosas quebra todos os protocolos que possam imaginar no teatro, com o próprio ator a receber-nos e a quebrar várias vezes a barreira de palco e plateia de uma forma enternecedora, desafiante e divertida. Não sei quantas vezes ri e emocionei-me, mas é nisto que se encerra viver, certo? 

O espetáculo vai estar no Estúdio Time Out, em Lisboa, até março. Estou confiante de que o resto do país tenha também uma visita, mas recomendo-vos que aproveitem e que se permitam a ter esta experiência – é mesmo especial.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023


Na antevéspera de ano novo, 6 pessoas estão de visita a um apartamento que está à venda quando um assalto falhado resulta numa situação em que todos ficam reféns dentro do prédio. Cabe a dois polícias altamente inexperientes resolver a situação e garantir que todos escapam ilesos – exceto o assaltante. 

Gente Ansiosa foi a minha primeira interação com Fredrik Backman e deste o primeiro capítulo que percebi que a sua escrita era única, especial, mas que também necessitava da disposição certa. As suas histórias são sempre elásticas – transitando entre passado, presente e outras memórias – e todas as personagens secundárias têm o seu tempo de antena. Acho que é este último ponto que me faz gostar mais deste autor: relembra-nos que todos nós temos a nossa própria história, somos protagonistas. Não somos só figurantes nas narrativas dos outros. 

É desafiante imaginar que um livro cómico sobre assaltos e reféns aborde temas tão profundos como o suicídio, a depressão, sentimentos de culpa e dinâmicas de casal – entre cobranças, expectativas, sonhos conjuntos e sacrifícios. Mas Gente Ansiosa consegue-o com uma mestria excecional e uma harmonia fantástica entre escrever com humor e sensibilidade poética. 

Diria que a minha estreia foi bem-sucedida. Já li, entretanto, outros livros do autor e fascina-me como ele pega em temas mundanos e acrescenta-lhes um toque de absurdo e uma dose de empatia.

WOOK

Bertrand

Este artigo contém links de afiliada.

sábado, 21 de janeiro de 2023


Covent Garden é um dos spots mais turísticos e populares de Londres, mas admito que é um dos meus favoritos. Combina de uma forma natural e entusiasmante séculos de história com a cultura popular atual, principalmente de rua. É garantido que há sempre o que fazer em Covent Garden. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023


É difícil pensar no panorama cultural e museológico de Londres e não lembrar o British Museum. Não é uma referência ao acaso, com um espólio absolutamente valioso e uma coleção que viaja pela Grécia Antiga, Egipto, inúmeras correntes artísticas de pintura, entre outros artefactos fascinantes. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023


Sou fascinada pela capacidade de síntese e de simplificação de conceitos. Às vezes, sinto-me tão assoberbada pela dimensão do tanto que consumimos e vivemos que, se tivesse de o explicar a alguém muito mais novo do que eu, acho que apenas iria contagiar a minha própria inconclusão. E talvez seja também por isso que adoro descobrir livros que exploram e elucidam temas complexos com sucesso. 

Gosto, Logo, Existo é um livro que concretiza de uma forma brilhante e completamente adaptada para os mais novos o estranho (e fascinante) mundo da Internet. Desenganem-se se julgam que é uma explicação simplista e vaga do mundo digital; por entre estes capítulos, há uma viagem surpreendentemente bem estudada sobre a nossa relação com as redes sociais, fake news (e o problema da desinformação no meio jornalístico), o que são algoritmos e porque é que toda a gente reclama deles, como funcionam patentes e em que é que se traduz a liberdade de expressão. 

Este é um livro que qualquer leitor da minha idade não vai ler para descobrir mais; de uma forma ou de outra (testemunhando na pele a experiência agridoce da evolução digital), já todos sabemos e sentimos o que está encerrado nestas páginas. Mas é uma forma soberba de tornar este mundo tão vasto um pouco mais compreensível para quem começa a dar os primeiros passos (ou taps) no mundo digital. É irresistível pensar que sabem tudo com intuição e que o conhecimento deles é balizado entre o que fazem com amigos e o que é limitado pela escola e pelos pais; o livro dá uma proposta além: convidar os miúdos para a conversa e oferecer transparência de como funcionam as coisas, sem carga abusiva de informação. 

Se a mim, cujo conteúdo já sabia – e que trabalho com este universo a um nível diário – foi um bálsamo para compartimentalizar ideias e emoções que sinto ao interagir no digital, imagino que para alguém com a fração da minha idade possa ser, igualmente, elucidativo e reparador.

WOOK

Bertrand

Este artigo contém links de afiliada.

sábado, 14 de janeiro de 2023


É icónica e junta-se ao Big Ben para fazer um recorte carismático ao horizonte de Londres: a London Eye, como já sabem, não foi a maior roda gigante da capital, mas é, atualmente, a mais memorável e turisticamente desejada. 

Ir à London Eye é, na minha opinião, uma experiência que vale a pena fazer, mas não repetir. Oferece uma das vistas mais populares da cidade, absolutamente dignas de postal. Foi idealizada no contexto de um concurso e pretendia-se que fosse um símbolo da chegada do novo milénio, razão pela qual foi inaugurada a 31 de dezembro de 1999. 

Se tiverem tempo para contar – e, acreditem, com o infinito tempo de espera, poderiam fazê-lo – irão reparar que esta roda gigante tem 32 cabines, e não é por acaso: pretendem representar a Greater London, com a cidade de Londres e as respetivas 31 freguesias. No entanto, nunca vão encontrar a cabine nº13 – não existe por considerarem um número que dá azar. Saltam diretamente do 12 para o 14 e finalizam com 33. Se tiverem um toque de sorte, poderão ficar na Coronation Capsule, a cabine real que foi assim batizada aquando do 60º aniversário da coroação da Rainha Elizabeth II. 

Embora muitos considerem a London Eye uma atração turística dispensável – e até excessivamente popular – este marco tem algumas curiosidades muito interessantes; Por exemplo: dá para acreditar que tem mais visitas anuais do que o Taj Mahal? 

De noite, também reserva um detalhe especial: vale a pena descobrirem quais foram as cores escolhidas para a iluminar, já que as luzes vão mudando ao longo do ano, consoante os vários momentos e acontecimentos que a cidade vai testemunhando. À data da nossa visita, a London Eye estava vestida de roxo e rosa por ocasião do Jubileu da Rainha. Uma oportunidade verdadeiramente única, viríamos a descobrir poucos meses mais tarde. 

Para algumas dicas finais, recomendo-vos a aquisição do bilhete online e, se têm interesse em ir ao Madame Tussauds, que comprem o bilhete combinado, uma vez que sai ligeiramente mais em conta. Sugiro-vos que façam o agendamento da vossa visita o mais cedo possível e que, se não comprarem opções de fast pass (não recomendo), cheguem antes da hora recomendada pelo bilhete. 

A viagem dura cerca de 30 minutos e, se forem acompanhados, recomendo-vos a seguinte estratégia: uma pessoa que assegure um lugar o mais centro à esquerda para terem a melhor vista sobre o Big Ben e outra que assegure o lugar sentado nos sofás – vão alternando sem perder a experiência e o conforto.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023


No ano passado, tive, fixamente, um desejo na minha mente de concretizar. Para materializar melhor esta reflexão, vamos imaginar que eu desejava muito uma bola dourada e que a procurei por todo o lado. 

Foram incontáveis os dias em que me senti incompleta sem ela, em que a idealizei como o que mais desejava. Chorei por ela, tive ataques de pânico por ela, questionei um sem-número de coisas com ela. Não a podia ter. ‘Não posso ter a minha bola dourada’, dizia. 

Até que, no último dia do ano, a bola dourada apareceu. Bom, não era mesmo uma bola dourada cintilante; era, na verdade, bem defeituosa. Enferrujada, já não tinha o mesmo brilho. Mas era uma bola. E era dourada. E bastava-me estender a mão para a agarrar. O meu tão almejado desejo. E dei por mim completamente petrificada. 

Durante todo aquele tempo, o meu foco era absoluto: ter a bola dourada. Mas só quando ela de facto se materializou à minha frente é que ramificaram outras questões: como quero esta bola dourada? Quando quero esta bola dourada? Onde quero esta bola dourada? O que aceito sacrificar agora mesmo por esta bola dourada? E se, ao início, achei que estas questões levavam-me para um espaço de idealização que atrasava a realidade (‘pára de pensar e agarra aquela bola dourada ferrugenta antes que ela vá!’), percebi que aquelas perguntas eram muito mais reais do que o meu desejo. Elas revelavam algo mais importante do que ‘Não posso ter a bola dourada’. Elas revelavam que ‘Eu posso ter a bola dourada, mas não quero’. 

O posso e quero são primos muito próximos na mesa das decisões. Ambos são convidados de honra, embora não enchamos o prato de um e do outro da mesma forma. Às vezes, falamos muito mais com o quero do que com o posso. Mas terminamos a refeição a achar que os nossos dois dedos de conversa com o posso foram mais determinantes. 

A verdade é que esta não é uma mesa para três (eu/tu, quero e posso). Há outros convidados e esses, também sendo de honra, ficam com os restos: o não e o gosto. É muito difícil admitir que podemos deixar de querer algo que gostamos. É igualmente duro apenas podermos o que não gostamos de querer. 

Mas podemos, sempre. 

É que confundimos muitas vezes o poder do querer. ‘Não posso porque não tenho tempo’, ‘Não posso porque não tenho condições’, ‘Não posso porque não estou numa fase boa para deixar/fazer’. O não e o posso andam juntos, mas por nunca os considerarmos individuais, só imaginamos o posso com o não atrás. 

E embora o posso tenha todo um contexto socioeconómico fundamental no regime e atualidade que vivemos, dizermos que não podemos não fragiliza o que está errado no contexto externo: só nos fragiliza a nós. 

Em liberdade, quase sempre podemos. E, às vezes, por muito que custe admitir, gostamos. Mas não queremos. 

Não queremos. 

Não querer não é o mesmo que não desejar. É pensar a fundo em como é que desejamos aquela bola dourada até que ela deixe de ser a bola dourada dos outros e passe a ser a nossa bola dourada. Só assim aceitamos querer o que já podemos. 

Eu posso ter aquela bola dourada. E eu gosto daquela bola dourada. Mas não a quero. Não a quero assim. 

Corro o risco de não me aparecer mais nenhuma. Corro o risco de a próxima bola não ser dourada. Ou nem ser bola. Ou nem ser nada. O cerne das escolhas é mesmo esse: assim que todos nos levantamos da mesa, nunca mais podemos repetir aquela refeição. Os convidados mantêm-se, mas a toalha, o serviço e o cardápio são completamente diferentes e inimitáveis. Quando somos realistas com o que podemos, gostamos e (não) queremos, somos também mais sinceros com o que desejamos. 

Desejo muito uma bola dourada. Mas talvez não seja dourada. Talvez não seja uma bola. Talvez não seja nada. 

Ainda não sei como a quero. Mas sei que, quando a quiser, também a posso. Enquanto for livre, posso.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023


Iniciei esta leitura durante os dias quentes de junho e os mergulhos frescos na piscina, e embora este ambiente veranil despreocupado não combine, de todo, com a profundidade sombria de On Earth We’re Briefly Gorgeous, foi benéfico para me ajudar a digerir cada passagem. 

Tudo o que sabia sobre este livro antes de mergulhar na sua história era de que se tratava de uma narrativa muito poética e de que era uma carta de um filho para uma mãe que não sabia ler. Mas o que me estava reservado nesta leitura era muito mais. É uma história profunda sobre a relação entre mãe e filho, a descoberta e exploração da orientação sexual – e das relações controversas -, toxicodependência, emigração, stress pós-traumático (…) um conjunto de temas pesados e carregados de dor emoldurados em passagens absolutamente sensíveis, repletas de poesia e impossíveis de não sublinhar. 

Não posso dizer que a minha experiência de leitura com On Earth We’re Briefly Gorgeous tenha sido linear; se houve momentos em que me senti completamente conectada, tive também passagens em que percebi que a minha mente não estava lá, que me sentia desligada. Acho que, agora com alguma distância e a devida análise, o que mais gostei foram dos momentos de reflexão acerca do que o narrador sentia ou pensava e não tanto os relatos de ação – que eram inevitáveis para dar um sentido de continuidade e propósito à história. 

É uma prosa poética perfeita para quando precisamos de momentos em que o narrador pára e pensa em detalhe de que forma é que aquilo que está a contar encaixa na sua visão de mundo e vida. Como todos nós fazemos, volta e meia.


WOOK

Bertrand

Este artigo contém links de afiliada.

sábado, 7 de janeiro de 2023


Kensington reserva-nos duas das zonas mais icónicas de Londres: Portobello e Notting Hill. Ambas são familiares e fazem parte do culto popular, literário e cinematográfico de uma centena de referências, e se antes eram dois lugares muito conhecidos pela gentrificação, hoje reservam alguns dos bairros mais caros da cidade. 

Desde 2014

Instagram


P.S: HÁ SEMPRE BOAS NOTÍCIAS AO VIRAR DA ESQUINA
_______________________
Bobby Pins. Theme by STS.