quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

 


Os últimos de 2021. Para aproveitar bem, porque os próximos só chegam em fevereiro. Mas os últimos Favoritos também sinalizam algo de muito especial: o Natal — e o TOP20! — está a chegar...

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

FILMES | Novembro • 2021


Ainda em cartaz, Spencer tem sido uma produção muito aclamada pela crítica, mas confesso que não consegui gostar da proposta deste filme. O filme retrata um fim de semana da família real durante as festividades, num paradoxo entre o luxo e o excesso de acomodações e o vazio e sensação de não-pertença da Princesa Diana naquele seio familiar. Interpretado por Kristen Stewart, a prestação tem sido muito bem cotada, com alguns elementos do círculo pessoal de Diana a confirmarem o retrato fiel com que a atriz encarnou a Princesa. No entanto, não consegui sentir empatia nem envolver-me na história (nunca senti que estava a ver a Diana mas sim que estava a ver a Kristen a fazer de Diana, faço-me entender?). Entendo que, com uma produção como The Crown, Spencer não quisesse ficar à sombra e decidisse fazer uma interpretação da história à sua imagem. Mas os gestos não pareceram orgânicos, as referências psicóticas com laivos de demência pareceram-me um pouco deslocadas e quase forçadas para refletir a angústia e, no final, senti-me totalmente desligada da história. Acho que é uma unpopular opinion e que Spencer pode ser o passaporte para o Oscar da Kristen Stewart (ao qual tenho de lhe reconhecer o esforço), mas para mim é um não. Sinto que teremos sempre a Emma Corrin.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

ISTO É TÃO INÊS | Estação dos 27


'Os 20 são uma viagem'. Ouvi isto vezes sem conta, principalmente quando troquei a vela do '1' para '2'. É uma década especial, e agora que me aproximo da reta final, observo em retrospetiva que estou, neste momento, numa fase de redescoberta. 

Já não fico ansiosa com algumas coisas  mas fico com outras. Deixei de achar delicioso certos doces e passei a gostar de outros sabores. Apercebi-me de que gosto  e tenho jeito!  para fazer yoga. Já não me irrito com muita coisa. Gosto de fazer cerâmica (nunca desconfiei de tal coisa). Já não respondo da mesma forma a circunstâncias que levava muito a peito. Mudei o prato preferido. Acho graça a coisas diferentes.

Não estou transmutada, nem sinto que isto seja uma luz divina do amadurecimento, mas sim o resultado do meu percurso e de manter a mente aberta. Sinto que, na frescura dos 20, somos muito definitivos: até aos 19, a vida é muito simples, mas pouco livre: temos muitas obrigações, muita gente ao nosso redor a ditar o que gostamos, o que temos de gostar, o que temos de evitar e muitas expectativas. Mimetizamos as vozes, comportamentos e reações dos outros. E no início dos 20 damos o Grito do Ipiranga e concretizamos quem somos, o que gostamos, como somos. 'Isto sou eu', com uma liberdade e autonomia que sabem a novidade e que nos fazem sentir que nos devemos lealdade. Temos de ser leais à imagem que trabalhámos sobre nós. 

É uma fase tão convicta. E talvez seja por isso que também pode ser tão desesperante. Porque temos muita objetividade nos caminhos, e quando eles não são como queremos, ficamos totalmente perdidos. Nada mais serve em nós a não ser aquele percurso que idealizámos, aquele círculo que criámos, aquelas roupas que comprámos, aqueles hobbies que desenvolvemos. E por isso, construímos o caminho que não existe. E é tão bonito...!

A segunda metade não traz descanso, mas oferece uma certa flexibilidade  ou só aconteceu comigo? Já não me sinto tão convicta com tanto do que achava de mim, dos meus gostos e aspirações  acho que a minha vivência até à data também foi uma excelente aprendizagem disso mesmo. Já não sinto que não me reconheço ou que estou a ser desleal comigo. Sou só uma nova Inês. Há coisas que já não gosto e que eram viscerais em mim, outras que eu nunca tinha visto da forma como vejo agora. Outras que recuperei depois de achar que estavam perdidas. Mas talvez o segredo seja mesmo manter a mente aberta e permitirmo-nos a ir atrás do que a maturidade tem para oferecer.

É uma experiência muito interessante. Faz-nos perceber que achar que sabemos tudo sobre nós aos 20 é um pouco cómico. É necessário, e faz parte, mas é cómico. Achar que já vivemos tudo o que tínhamos para viver, amámos tudo o que havia para amar, fizemos tudo o que tínhamos para fazer. 

Não acho que seja necessário sermos condescendentes com o nosso eu mais novo (era o que sentíamos, era o que sabíamos), mas sem dúvida que a reta final dos 20 tem-me feito sair da gruta e ver um bocadinho a luz do Sol, conhecer novas partes de mim que ainda não existiam ou nunca tinha investido tanto. Sem cobranças, sem aflições. E mais resoluta de que, provavelmente, esta não será a minha última versão.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

SÉRIES | Glória


Estreou, este mês, a primeira série portuguesa da Netflix, e embora esta seja uma frase já tão repetida que perdeu o seu impacto, algo de muito importante para a cultura pop aconteceu com esta produção. 

Guerra Fria, ditadura, espionagem e Ultramar serão algumas das palavras-chave que compõem a história de Glória, batizada em honra ao cenário principal de toda a narrativa, Glória do Ribatejo, onde, no final da década de 60, estava instalada a RARET — RAdio RETransmissão — através dos americanos e que transmitia a rádio Free Europe, uma rádio com ideais anti-comunistas. É para lá que João Vidal é convidado para trabalhar, sem que ninguém desconfie que, na verdade, ele é um espião da KBG. 

Com um tom soturno e sofisticado, os 10 episódios da 1ª temporada agarram-nos pelo mistério, pelas reviravoltas que nos deixam mais tensos no sofá e — porque é inegável — pelo orgulho de vermos uma produção nacional muito bem executada, desde a visão macro dos diálogos e talento do elenco, aos pormenores mais técnicos como a fotografia, sonoplastia e a própria edição. 

Tenho as minhas reservas de que será um fenómeno internacional porque acho que falta um pouco de contexto para introduzir organicamente os espectadores à história — a maioria do público internacional não conhecerá Portugal e muito menos o seu contexto político na época e o envolvimento velado na Guerra Fria — mas também não creio que esse fosse o objetivo desta produção. A verdade é que louvores não podem faltar, já que é uma série com alma e carisma (dois pormenores que costumo sentir falta em outras produções nacionais) e que traça um retrato muito interessante da pobreza social, económica e política que Portugal sofreu nas mãos da ditadura. Com muitos dedos em muitas feridas, Glória deixa um final interessante e pede-nos para que gostemos dela para continuar a contar esta história.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

LIVROS | Nerdy, Shy and Socially Inappropriate


Cynthia tinha 42 anos quando foi diagnosticada com Síndrome de Asperger, do espectro do autismo. O diagnóstico não chegou sozinho: junto com ele veio uma certa sensação de alívio, por todos os comportamentos atípicos e a inaptidão social terem uma justificação, e alguma incerteza acerca dos próximos passos (afinal de contas, era uma adulta de 40 anos a descobrir um diagnóstico que a marcou durante toda a vida sem o saber).

Nerdy, Shy and Socially Inappropriate é escrito na 1ª pessoa e é um testemunho de uma mulher autista que aprendeu não só a aceitar o seu diagnóstico, como a viver com autismo. Reconheço a minha iliteracia face ao autismo e que, durante muito tempo, tinha como referência muitos estereótipos de uma condição que se manifesta de formas muito diferentes e que muda cabalmente de pessoa para pessoa  lá está, é um espectro. Mas este tipo de livros são muito importantes para que possamos compreender melhor certas condições clínicas, para que possamos ter comportamentos e decisões mais tolerantes e inclusivos. 

Numa escrita leve e muito agradável, Cynthia relata o seu percurso, desde as primeiras perceções na infância de que não era 'como os outros', à aceitação do diagnóstico e à dinâmica quotidiana, profissional, social e familiar para contornar as suas fragilidades perante uma condição complexa. A autora abre o jogo e, sem floreados, fala do bom e do mau, das suas vitórias, da forma como faz um casamento com um marido neurotípico resultar e a relação com a filha (também neurotípica) ser saudável. Complementa muitos dos seus capítulos com segmentos de lista, que ajudam não só a resumir alguns dos temas que vai abordando nos seus relatos, como a tornar algumas das dicas ou características da Síndrome de Asperger mais objetivas para os leitores que não são autistas e nem sempre conseguem compreender certos comportamentos ou abordagens. 

Foi uma das minhas leituras preferidas de 2021 e sinto que agregou imenso à minha forma de ver o mundo e os outros. Cresceu em mim uma profunda admiração pela Cynthia, que faz os seus sonhos, projetos e objetivos de vida acontecerem sem ignorar o seu diagnóstico, mas também sem viver à sombra dele.

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Bertrand

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sábado, 6 de novembro de 2021

DAILY | 3 Revistas para Folhear


Já sabem que adoro revistas. Expliquei-o ao pormenor aqui, e embora aposte em algumas opções para tornar este consumo mais sustentável, há uma coleção de revistas que ainda faço questão de adquirir e de lhes reservar um momento para folhear — se possível, com uma chávena de chá incluída. São revistas que, pela sua curadoria editorial e pelo conteúdo enriquecedor, valem os meus cêntimos. Hoje, apresento-vos a minha trindade. 

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

LIVROS | Os Sete Maridos de Evelyn Hugo


Começar um livro muito aclamado é sempre uma decisão arriscada, mas às vezes a popularidade é, de facto, merecida. Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é um bom exemplo que, embora tenha um título carregado de energia masculina, é um livro cheio de poder feminino. 

Taylor Jenkins Reid — a autora — criou um imaginário perfeito de Hollywood nos anos 50 (tão rico em detalhes que parece que todos os lugares, personagens e filmes são reais!), apresentando-nos a protagonista Evelyn Hugo, uma estrela do cinema que, por onde passou, deixou lendas, boatos e um repertório de filmes nas bocas do mundo. Porém, aquilo que sempre despertou mais curiosidade ao público foram mesmo os seus sete casamentos. Ao aproximar-se dos seus 80 anos, decide finalmente abrir o jogo e contar toda a sua história, sem filtros nem segredos. Mas escolhe uma pessoa improvável para o fazer. 

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é uma história sobre amor e poder (sem que os dois estejam, necessariamente, interligados). Um livro que se lê num sopro e que não nos deixa ficar indiferentes. A cada capítulo, despertamos novas emoções e opiniões em relação a Evelyn e a todas as personagens que orbitam a sua história. A construção do enredo é muito forte e sentimos o amadurecimento das personagens e da própria narrativa. 

Não estou a referir o elemento-chave d'Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, nem quero, porque acho que retira o efeito surpresa do livro. Fui completamente surpreendida e acho que é assim que devem iniciar este livro: um pouco no escuro e com a certeza de que Evelyn Hugo tem um carisma diferente. Tem sido difícil sentir-me agarrada a um livro de ficção (as minhas últimas escolhas têm sido um pouco fraquinhas), mas este arrebatou-me por completo e acho que é uma leitura surpreendente, glamorosa e de tirar o fôlego. Para devorar até à última página.

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Betrand

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terça-feira, 2 de novembro de 2021

 

Abóboras, primeiras chuvas, dias nublados e Halloween... eu já tinha tanto para gostar acerca de outubro, mas o universo presenteou-me também com a escolha deste mês para data de nascimento. É, por isso, o mês mais especial e aguardo na minha vida. Às vezes mais emblemático e animado, outras vezes mais simples e subtil (como foi o caso deste ano). Outubro tem sempre destaques bonitos para partilhar.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

FILMES | Outubro • 2021


Sinto que é importante começar esta review com a nota de que nunca li Dune e que fui ver esta adaptação de 2021 completamente às cegas. Já a minha companhia era um verdadeiro fã que não só leu o livro como estava com receio de como esta adaptação iria resultar. Dune é conhecido pelo seu universo rico em detalhes, personagens, regras e enredos, o que sempre se tornou difícil para a indústria cinematográfica de reproduzir de forma a conquistar quem não conhece a história e de dar um miminho aos fãs da série de livros. Já existem várias adaptações de Dune, a maioria, segundo a crítica, sem grande sucesso em cumprir estes dois touchpoints

domingo, 31 de outubro de 2021

PASSAPORTE | 4 Lugares Para Celebrar o Halloween


O Halloween é, provavelmente, a única época em que sempre desejo estar noutro lugar que não Portugal. É uma festividade com que me identifico e que me diverte. Já tive, inclusive, a sorte de celebrar o Halloween em Edimburgo, com festividades, decorações e uma energia sem paralelo, para a qual desejo sempre regressar. Para celebrar a data no Bobby Pins, decidi partilhar convosco 4 lugares onde gostava de celebrar o Halloween, um dia!