quarta-feira, 21 de abril de 2021

MUNDO || Slow Lifestyle


A primeira vez que ouvi falar de iniciativas slow, há uns anos, num artigo, achei graça. A mesma graça com que se contemplam ideias pouco credíveis, tendências a roçar a inutilidade. Ser o contrário pelo prazer de ser o contrário. Mas essa leitura, esse primeiro impacto, ficou presente na minha mente muito mais tempo do que alguma vez imaginei. 

Acordam com o despertador do telemóvel, senão quando o som do e-mail ou das notificações ecoa pelo quarto. Tudo tem dois vistos, para garantir que a atenção pode ser cobrada em dobro. Uma resposta em segundos. A hora de almoço não é hora e o almoço também não é, com o pedido antecipado por app, ecrã, descrições ‘com tudo’ para não perder tempo na lista de ingredientes. Comemos de garfo e ecrã, a escrever, a ver e a fazer. Assiste-se a vídeos à velocidade 3.5X ao ponto de as próprias plataformas de streaming o considerarem. Guarda-se para depois tudo aquilo que não há depois para se ver. 

As batatas nascem dos supermercados, o prazer de uma varanda é descoberto na pandemia, a vigilância das redes substitui o interesse (tanto pela partilha entre íntimos, como pelo interesse em querer saber o que vai na vida dos nossos amigos). Já não se lê da esquerda para a direita, lê-se na diagonal. Pergunta-se aos outros o que já está escrito no lugar onde fazem a pergunta, e os meus conterrâneos citadinos, quando se cruzam comigo no campo, sentem uma admirável surpresa quando lhes digo ‘bom dia’ (quase sempre sem resposta). 

Escrevo sem moral. Mas gosto de ter um pensamento crítico sobre mim própria também. Tento distanciar-me dos comportamentos que faço para os poder observar de uma forma mais objetiva, quase científica. E o que observo é que o excesso de velocidade não está só nas estradas: está nas nossas relações, nas nossas rotinas, na forma como consumimos conteúdo. E não damos por ele. O meu instrutor de condução costumava alertar-nos para a hipnose da velocidade: quando temos o pé em descanso no pedal e estamos tão absortos no movimento que nem damos conta da velocidade em que vamos, pensando que estamos em modo cruzeiro até olharmos para o velocímetro. E podemos traduzir este conceito para tudo o resto. Mas as semelhanças não acabam aqui: infelizmente, não é só na estrada que o excesso de velocidade mata. 

As iniciativas slow têm surgido um pouco por todos os cantos do mundo e em vários setores, impulsionadas pela vertente comercial — como em quase tudo na vida: slow fashion, slow food, slow travel. Slow tudo. E visto de uma forma superficial, pode parecer pouco mas reflete uma necessidade que vamos sentir (voluntária ou clinicamente) de abrandar e, mais do que isso, saborear. Porque não se trata só de abrandar o ritmo mas também de apreciar o que está ao nosso redor. Ter uma hora de almoço e almoçar, comer, saborear. Responder a uma mensagem quando queremos responder a uma mensagem. Retirar o e-mail da nossa extensão corporal como quem tira o apêndice depois de uma crise. Esperar pelas coisas, sendo que aqui há uma variedade de universos: esperar que a comida brote da terra, esperar pelos resultados, ter paciência, eliminarmos esta arrogância de que não temos de ler a introdução nem o contexto para compreendermos o ponto fulcral de informação que queremos obter. Usar o digital com consciência (não necessariamente abstinência). Estar e estar com os outros. Ler o enunciado antes de fazer a pergunta. 

Biologicamente, isto é muito difícil de concretizar. Nós somos viciados em velocidade e em estímulos. Mas também biologicamente, isto é uma necessidade. Não sabemos fazer multi-tasking, o nosso cérebro não está trabalhado para este ritmo. Ou abrandamos nós por ele, ou ele vai cobrar de nós. Com estrangeirismo, apropriado pelo marketing ou não, a iniciativa slow é mais importante do que imaginamos porque diz uma coisa muito clara: o tempo que achamos que poupamos a fazer tudo ao mesmo tempo não existe. Porque nunca temos tempo.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

LIVROS || Contos de Grimm Para Todas as Idades


A minha infância foi pautada por histórias. De adormecer, para entreter, personificadas através da ilustração, do cinema de animação e até do teatro (enquanto espectadora e até atriz). E as histórias dos irmãos Grimm fazem parte do meu imaginário desde que me lembro — e, acredito, do vosso. 

Rapunzel, Cinderella, Hansel e Gretel, O Alfaiatezinho e O Capuchinho Vermelho foram algumas das 50 histórias dos Irmãos Grimm que Philip Pullman decidiu reunir e recontar através da sua assinatura. Uma visão mais crua, menos encantada e mais próxima das histórias originais — sempre com uma nota de rodapé no final de cada conto com alguns detalhes e curiosidades sobre essa história. 

Eu adoro conhecer as histórias originais dos contos que marcaram o meu crescimento e imaginação, mas confesso que saí para lá de desapontada com este livro que explodiu em todas as livrarias. Os contos são contados de uma forma preguiçosa e insípida, o que poderia dever-se ao facto de as histórias originais não terem uma dinâmica tão coerente ou incrível como as suas adaptações. No entanto, esta obra intitula-se como uma apresentação destes contos através do tom de Philip Pullman que, não tendo lido nenhuma outra obra da sua autoria, não me convenceu a querer descobrir mais. Os seus comentários parecem-me mais interessantes do que o próprio ângulo das histórias, e aquilo que prometia ser uma leitura interessante e de origem, tornou-se num livro pouco estimulante e enfadonho que se estendeu demasiado tempo na minha mesa de cabeceira pela falta de vontade em terminá-lo. A muito custo, finalizei-o para que possa recomendar-vos com propriedade a não o abrirem.

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Bertrand

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sexta-feira, 16 de abril de 2021

BODY TALK || Bio-Oil


A minha rotina de skincare tem estado mais completa desde que acrescentei dois novos elementos à equipa, ambos da marca Bio-Oil. Pela sua popularidade digital, duvido que esteja a apresentar-vos uma novidade. 

Como nunca tinha experimentado nada da marca, a primeira aquisição foi na forma de embalagens de viagem e os produtos selecionados foram o óleo corporal e o gel para pele seca. Dos dois, aquele que estava mais reticente de que iria gostar era o óleo porque nunca fez parte da minha rotina e não costumo gostar da textura nem da sensação oleosa na pele. Mas fiquei muito surpreendida! 

Com um perfume que me faz recordar o cheiro a bebé, bastam-me quatro gotas do óleo por região do corpo que quero cuidar — este é um óleo indicado para atenuar cicatrizes e estrias, razão pela qual é o produto de eleição de muitas grávidas. Faço questão de colocar as gotas diretamente na zona do corpo e não na mão porque não é um produto fácil de espalhar, na minha opinião. Tem absorção rápida, não mancha a roupa e atenua o aspeto visual das estrias. 

O gel era o produto que estava mais ansiosa porque, desde que me conheço, sofro de pele seca no corpo. Tem um perfume mais forte — mas fresco! —, e uma textura aguada mas de absorção lenta (não recomendo que o passem antes de vestirem skinny jeans!). Na embalagem, recomendam a aplicação de menos quantidade do que um creme corporal habitual, no entanto, o meu conselho é que coloquem pequenas porções ao longo de toda a região do corpo e só depois espalhar porque, a par do óleo, ele não é muito fluido — pode variar de pele para pele, volto a lembrar que a minha pele é muito seca. Desde que o uso, noto muita diferença! Nunca tive a pele tão luminosa e com um aspeto saudável. Os meus joelhos e os cotovelos, em particular, estão melhores do que nunca!

O óleo pode durar-vos uma vida mas o gel pode acabar mais depressa do que preveem. A vantagem é que esta é uma marca amiga da carteira. Estou muito satisfeita com esta dupla e irei voltar a adquiri-los (agora, num tamanho normal, embora estas embalagens de viagem deem imenso jeito em viagens e na necessaire do ginásio!).

quarta-feira, 14 de abril de 2021

SÉRIES || Crime Scene: Cecil Hotel


Não sei o que estava a fazer em 2013, mas é provável que estivesse numa rocha — ou a desesperar com biologia celular enquanto tentava fazer um exame com a mão partida — mas a verdade é que o caso macabro de Cecil Hotel passou por mim sem qualquer vestígio de memória. Foi um dos acontecimentos mais populares de 2013 que eu não recordo e, por isso, não compreendia a excitação que esta minissérie da Netflix tinha provocado no público. Foi através dela que conheci esta história. 

Se também viveram numa rocha em 2013 e fizeram exames de biocel com a mão em gesso, dou-vos um pequeno enquadramento: o Cecil Hotel é um edifício em Los Angeles que, ao longo dos anos, não acumulou a melhor reputação. A gota d'água chegou depois do desaparecimento misterioso de Elisa Lam, que esteve nas bocas do mundo por uma série de razões um pouco insólitas e macabras. O criador de As Gravações de Ted Bundy decidiu resgatar esta história e contá-la através de quatro episódios muito dinâmicos e extremamente bem editados. 

Como não conhecia a história, assisti a este documentário com os olhos frescos. Uma grande percentagem do público admitiu ficar desiludido com a forma como a série encerra — por 'deixar tudo em aberto', mas eu não partilho desta opinião. Não acho que o documentário termine em aberto (muito pelo contrário) e aborda um tema que eu acho de máxima importância (mais até do que todo o mistério): a saúde mental, em particular, bipolaridade. 

Atualmente, acho que há muito poucas pessoas no mundo que dirão que a saúde mental não é importante mas, numa abordagem enquanto sociedade, estamos sistematizados para não cumprirmos o que dizemos. Ainda temos comportamentos preconceituosos, ainda dizemos muita coisa sem sensibilidade, ainda temos muito pouca perceção de como funcionam outras doenças mentais que não sejam a depressão e a ansiedade (sendo que até estas conhecemos muito mal). A série faz uma abordagem ao assunto muito crucial — embora enquadrada no contexto da história — e, só por isto, eu já acho que vale muito a pena ver. Se são Sherlock Holmes de TV/podcast, vão gostar!

segunda-feira, 12 de abril de 2021

LIVROS || Design Is a Job


Peguei neste livro como uma recomendação de um outro que já tinha lido. Não sou designer nem trabalho com design mas não minto quando partilho convosco que sou uma pessoa curiosa por natureza e que gosto de estar por dentro de áreas onde não trabalho diretamente. No entanto, tendo em conta que trabalho com muitos designers, acho que este conhecimento acrescenta não só valor para o que sei sobre esta área mas também uma compreensão mais completa sobre os desafios e necessidades dos meus colegas. E isso é muito importante para um bom trabalho em equipa. 

Design Is a Job está inegavelmente focado para designers, mas com uma acessibilidade de leitura incrível. Dividido por partes, explora todos os desafios e preconceitos desta área, orientando o profissional para saber dar resposta aos pedidos do quotidiano e saber gerir de forma equilibrada as expectativas do cliente VS a sua própria experiência, e ainda a dinâmica com colegas (da sua área ou não). 

Não sei classificar com precisão se este será um livro indispensável para designers, mas chamou a minha atenção para uma série de pormenores, e a verdade é que, pertencendo a uma área criativa, muitos dos conselhos e preconceitos que Mike Monteiro, o autor, expõe não são assim tão distantes da minha área e consigo levá-los comigo também, enquanto aprendizagem. Foi uma leitura técnica rápida mas muito agradável — a narrativa tem carisma!

domingo, 11 de abril de 2021

SÉRIES || Gilmore Girls: A Year In the Life


Já tinha partilhado convosco que Gilmore Girls foi uma pérola do passado descoberta apenas recentemente e, após vários serões descontraídos, terminei as sete temporadas para descobrir que, em 2016, praticamente todo o elenco — um feito notável, convenhamos — regressou a Stars Hollow para um spin off especial de 4 novos episódios.
 
Gilmore Girls: A Year In the Life, divide cada episódio por estação do ano e apresenta-nos todas as personagens que adoramos (ou nem tanto...) numa fase mais madura das suas vidas. Comecei a assistir a este spin off com alguma confiança, principalmente porque as reviews, em geral, são muito positivas, e de facto há pontos excelentes a reconhecer: a lealdade do elenco para com as suas personagens, os novos desafios que as protagonistas atravessam, o final surpreendente e o ambiente em geral que nos faz sentir que, mesmo passado tantos anos, Gilmore Girls continua a oferecer 40 minutos de uma história leve e reconfortante.
 
Porém, de uma forma global, não fiquei arrebatada. Há personagens que tinham uma evolução na série inicial e que agora regridem sem nenhuma lógica; há momentos da série completamente desnecessários e onde a desculpa do ‘eram outros tempos’ já não cola (que ideia foi aquela de colocar os miúdos como serviçais? Minutos preciosos de episódio para mostrar a Lorelai e a Rory como pedantes?!). A sensação final foi de que tentaram condensar o maior número de volte-faces e desafios em quatro episódios longos demais com superficialidade. Sinto que era uma minissérie com potencial para ter uma execução melhor.
 
Sem dar grandes spoilers, consolidei a minha ideia de que o Jess é a personagem mais bem conseguida da série (com a melhor evolução e a única pessoa altamente normal naquela cidade), reafirmei o quanto acho a Rory insuportável, achei algumas dinâmicas muito forçadas e, no final, sinto que são quatro episódios com uma salada de informação gira para quem acompanhou e gosta da série, mas que não faz grande sentido quando analisamos os episódios com alguma atenção — especialmente se assistirem logo após terem visto a série original, como foi o meu caso.
 
Quem já assistiu, qual foi a vossa opinião? Se tiver spoilers, peço-vos que alertem logo no início do comentário, por favor!

sexta-feira, 9 de abril de 2021

LIVROS || Accidentally Wes Anderson


Apaixonei-me por este perfil de Instagram à primeira vista e, desde então, tornou-se na minha referência para encontrar fotografias artísticas, coloridas e cinematográficas de todos os recantos do mundo. A curadoria deste feed é simples: Wally Koval, autor do perfil, partilha todas as fotografias que poderiam ter saído de um filme de Wes Anderson.
 
Quando descobri que este perfil se iria converter num livro, soube que o tinha de ter na minha estante. Sou muito seletiva com os coffee table books que quero e este fazia todo o sentido, não só pela oportunidade de ver todas as fotografias com mais detalhe e qualidade, mas também porque cada fotografia vem acompanhada de uma descrição resumida sobre a história desse mesmo lugar.
 
Accidentally Wes Anderson está dividido por continentes, e a vontade de viajar enquanto folheamos as páginas é imensa. As descrições são sempre muito bem dispostas e o livro consagra-se numa prova de que, em qualquer lugar, há um recanto encantador. Fiz questão de ir lendo o livro inteiro e retirei desta leitura uma imensidão de lugares que espaços que quero conhecer.
 
É a sugestão perfeita para oferecer a amantes de viagens, cinema ou fotografia!

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Bertrand

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terça-feira, 6 de abril de 2021

DE(CORAÇÃO) || Desenio


A minha jornada decorativa continua, e um dos meus últimos desafios foi uma prateleira que tinha acabado de montar e pensei — até partilhei convosco no Instagram — o quanto a achava sem vida. Continuamos neste regime de fazer da nossa casa uma extensão da nossa personalidade, e tendo em conta que cada vez mais passamos mais tempo nas nossas divisões, quero que cada recanto tenha identidade.
 
Não creio que esteja a partilhar um tesouro desconhecido: a Desenio já é querida por todos os que olham para os seus espaços com a mesma filosofia que eu. E com tantos quadros, posters, temas e correntes decorativas, o difícil foi escolher que tipo de linha é que queria seguir para a minha prateleira — e para isso conto com a vossa ajuda!

sábado, 3 de abril de 2021

WEB || Tour pelo meu Notion


Sinto que o mundo se divide entre pessoas que ainda não conhecem o Notion e pessoas que já não vivem sem ele. Uma plataforma que vos permite esquematizar e partilhar informação à vossa medida, uma vez que tudo é personalizável. Não o utilizo profissionalmente, nem como agenda — mas sei que é recorrentemente utilizado para este efeito — mas faço bom uso dele no que diz respeito ao blog e ao armazenamento de todas as informações com que me vou cruzando num só lugar. Achei giro partilhar convosco uma tour pela forma como organizo o meu Notion. Alinham?
 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

 

O mês assumido da primavera! Os dias ficam mais longos, mais quentes, mais soalheiros e a vontade de chamar pelo verão é muita! Março foi infinito mas, quando me recordo do mesmo mês no ano passado, foi muito mais doce.