quarta-feira, 25 de novembro de 2020

LIVROS || Uma Questão de Conveniência


Desde que a Carolina partilhou a capa maravilhosa deste livro, fiquei rendida e determinada a lê-lo. Mas nunca pensei que por detrás de uma ilustração colorida e amorosa, estivesse um livro com uma história destas

Uma Questão de Conveniência introduz-nos Keiko, uma mulher que se sente completamente desenquadrada da sociedade — e respetivas convenções — e que encontra no seu emprego (uma loja de conveniência) o conforto de que necessita para se sentir encaixada no mundo e feliz. Keiko não é casada, não tem filhos e as suas opções de vida são incompreensíveis para a maioria das pessoas que a rodeiam. 

Numa leitura muito rápida e sem grande elasticidade na narrativa, Uma Questão de Conveniência é um livro sóbrio, sem grande dinamismo mas que nos concentra por inteiro na personalidade de Keiko e na estrutura social que montámos, ao longo dos anos, e que da qual muitos dependem para se sentirem completos e realizados. Num certo sentido, esta história recordou-me O Fabuloso Destino de Amélie Poulain; as premissas não são, de todo, iguais e o filme tem um encanto que é muito difícil de extrapolar de Uma Questão de Conveniência, mas ambas são protagonistas únicas, invulgares, um pouco incompreendidas e que não querem seguir o mesmo caminho que todos os outros (e nem sequer o entendem). 

Não é o livro do ano, para mim, embora já tenha recebido alguns prémios, e o final não foi surpreendente (esperava-o, confesso), mas coloca as questões certas através de personagens fora do comum e que nos obrigam, também, a sair da nossa bolha de conforto e olhar para uns quantos chavões que tomamos como certos e inquestionáveis.

WOOK

Betrand

Este artigo contém links de afiliado.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

DE(CORAÇÃO) || Workshop de Cerâmica


Partilhei convosco aqui que uma das coisas que gostava de experimentar era cerâmica. Não tinha nenhuma experiência anterior a não ser as atividades da infância e confesso que foi um pouco difícil de encontrar um espaço que tivesse workshops para adultos aos fins de semana. O espaço Mitó Creative Site foi o primeiro, de todos os que estava a acompanhar, a abrir essa oportunidade. 

sábado, 21 de novembro de 2020

LIVROS || Um de Nós Mente


Cedi à popularidade deste thriller young adult e deixei-me levar por uma premissa intrigante e macabra: um jovem estudante morre na sala de aula e quatro colegas são considerados suspeitos. 

Numa narrativa muito Cluedo-ish, cada capítulo é narrado na perspetiva das quatro personagens e, assim, vamos acompanhando as suas reflexões, anseios e remorsos. Com diálogos e parágrafos carregados de mistério (ou assim a autora o promete). 

Embora não tenha considerado Um de Nós Mente um livro bom, reconheço que a leitura é rápida e cativante, incitando-nos a ler mais um capítulo para reunir mais informações e pistas para solucionar o caso. No entanto, achei o livro absolutamente previsível em relação aos quatro protagonistas e esse fator impediu-me de ser tão surpreendida — ou desconfiada — quanto seria suposto. Se procuram algo leve mas com mistério, deixo a proposta (já com sequela, que não me chamou particularmente a atenção).

WOOK

Bertrand

Este artigo contém links de afiliado.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

GIFT GUIDE || Pequenos Miminhos com Amor


Porque o segredo está na intenção. E quando se oferece com carinho, não importa o preço. A minha seleção de Lembrancinhas chegou mais cedo do que o habitual, a pedido vosso e das circunstâncias atípicas que têm pautado este ano. Precisamos de planear melhor o nosso Natal e acredito que esta antecipação possa ajudar a trazer alguma da normalidade à época. 

Como sempre, são miminhos até 10€ e onde procuro provar que podemos oferecer artigos cheios de personalidade sem destruir a carteira. Esta seleção conta com mais de 100 sugestões e foi a mais difícil de sempre — as coisas estão muito caras este ano, malta, não vou mentir. Encontram de tudo exceto meias sem graça, máscaras e piadas manhosas alusivas a 2020. Reuni alguns produtos de marcas nacionais também (lamentavelmente, não muitos mas dei o meu melhor para os encontrar). Como sempre, espero que gostem e que vos seja útil! E por curiosidade, e ao fim de três edições de Lembrancinhas, contem-me: já vos ajudei nalgum presente?

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

DE(CORAÇÃO) || Posterlounge


Já repararam que um dos elementos mais imutáveis duma casa são molduras e quadros? É curioso o quão facilmente mudamos uns móveis, damos um refresh à divisão, trocamos elementos mas mantemos as molduras e quadros no sitio. 

Numa altura em que ficar em casa tem sido fundamental, cresce em mim a necessidade de dar uma nova cara às minhas paredes. Afinal de contas, elas têm ouvidos. O que diriam sobre mim? Sobre a minha personalidade, desejos, interesses? Penso muito nisso quando olho para as paredes dos outros. Se está, ou não, espelhada a identidade da pessoa. 

E não estive nesta transformação sozinha. A Posterlounge ajudou-me a dar uma cara nova ao meu espaço. Podem encomendar online e aquilo que mais acho diferenciador na marca é que comercializa as fotografias, ilustrações e reproduções de obras de arte em alta qualidade para qualquer material. Eu escolhi posters mas a verdade é que qualquer imagem pode ser reproduzida em tela, madeira, PVC, alumínio... e com moldura já incluída, se quiserem, para poderem decorar o vosso espaço logo que chegue! 

O catálogo é muito extenso e variado, o que acaba por abraçar quase todas as correntes decorativas; se têm uma ideia para uma linha visual que gostassem de seguir, há com certeza uma sugestão perfeita na loja!
Ilustração Quebra-Nozes | Ilustração de Natal

Já a pensar no Natal, escolhi duas ilustrações temáticas que vos convido a ficarem atentos para verem como vão ficar no artigo de decoração de dezembro (ou nos pequenos previews que vou partilhando no Instagram @innmartinsm). Para antecipar já os desejos, trouxe comigo uma ilustração e um cartaz. Já tinha visto algumas variantes da ilustração destes olhos mas esta em particular conquistou-me porque tem uma linha Miró que eu identifico e adoro — conseguem encontrar também? 


Num encontro com tonalidades mais neutras, o cartaz com o Patinho Feio vai casar bem com os tons frescos e claros do meu espaço. Quero-o alternar com o meu mapa de Londres porque acho que ele vai combinar muito bem com as minhas andorinhas. 

A qualidade da impressão é sublime, precisa e fiel aos tons do catálogo. E a relação qualidade-preço é a cereja no topo do bolo! O Natal está aí à porta! 

O plano será ir trocando de molduras e imagens consoante as vontades. Porque preciso de ir dando um novo ar às minhas paredes, trazer algum dinamismo à minha decoração. Às vezes, trocar a moldura é tudo quanto basta para o espaço ganhar outra vida — uma que casa melhor connosco. 

Este artigo foi escrito em parceria com a Posterlounge.

sábado, 14 de novembro de 2020

WEB || Ouviste Isto? #6


Tinham saudades? Para esta sexta edição, trago-vos sono (outra vez! Já perceberam que adoro o tema?), literatura e vida profissional. Três conversas especiais e que me enriqueceram de alguma forma — e que, agora, espero que sejam úteis para vocês. Vamos a isto?

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

SÉRIES || The Queen's Gambit


A Netflix já nos influenciou em milhares de sentidos mas este é um prémio difícil que a empresa acabou de arrecadar: fazer a malta gostar de xadrez — eu que o diga, já que toda a gente na escola achava isso um jogo de 'losers e velhos' e, portanto, nunca queriam jogar.

The Queen’s Gambit é uma história fictícia — também me dói a mim escrever isto — sobre uma jovem, Elizabeth Harmon, que desenvolve desde cedo um extraordinário talento para jogar xadrez. Por outro lado, também desde cedo desenvolve dependência química.

A mini-série de 7 episódios acompanha, assim, Beth (como prefere ser apelidada) pela sua jornada nas competições de xadrez enquanto se debate na sua relação com o álcool e drogas. Uma premissa simples e em que toda a magia se revela nos ângulos fantásticos de toda a cinematografia da série, na prestação sublime da atriz Anya Taylor-Joy, nos figurinos de sonho e cheios de referências e na banda sonora com timing magistral. Parece impossível que uma mini-série simples possa render milhares de espectadores a acompanhar uma jogadora de xadrez mas o primeiro episódio apresenta, de imediato, as razões pelas quais conquistou o mundo. 

Uma produção fabulosa da Netflix que nos deixa a suspirar pelo guarda-roupa e cabeleireira de Beth e nos faz querer limpar o pó ao tabuleiro de xadrez que anda perdido em casa. Não vão resistir em saber se ela vai conseguir.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

LIVROS || How to Learn Almost Anything in 48 Hours


O título arrojado convenceu-me a mergulhar nesta leitura rápida, da autoria de Tansel Ali, o campeão da memória australiano. Temos tendência para observar a nossa capacidade de memorização como um talento (ou a ausência dele) definitivo e imutável, onde alguns são verdadeiros mestres na arte de lembrar tudo o que assimilaram de forma rápida e eficaz e outros esquecem-se dos óculos no frigorífico (estou a apontar para mim). 

Mas a verdade é que a nossa capacidade de memória é trabalhável e muitas vezes só depende da técnica certa. Somos ensinados a trabalhar a memória através da repetição, sem darmos conta de que nem todas as informações são fáceis de decorar desta forma e que existem outras alternativas que poderão poupar tempo e frustração. De uma maneira muito prática e exemplificativa, Tansel Ali enumera as suas preferidas. 

Seja para estudar para os exames, nunca mais esquecer um nome ou onde deixámos as chaves do carro, aprender combinações numéricas num ápice ou dominar uma nova língua em tempo recorde, há um método de memorização ideal e How To Learn Almost Anything In 48 Hours diz-nos qual e a média de tempo que leva a que o processo fique completo com sucesso. Em jeito bónus, seguimos ainda o relato de como o autor foi capaz de memorizar as páginas amarelas australianas — e de as enumerar para um anúncio publicitário. 

Sendo um livro com muita componente prática, senti que é um exemplar a que vou recorrer regularmente no futuro e não me senti defraudada. Achei curioso que alguns dos métodos eu já fizesse, mesmo sem os conhecer formalmente (eu fazia muitos apontamentos de humor para memorizar conceitos de fisiologia e anatomia). Recomendo!

WOOK

Bertrand

Este artigo contém links de afiliados.

sábado, 7 de novembro de 2020

DAILY || Rotina de Teletrabalho


2020 foi o ano em que muitos experimentaram, pela primeira vez, a rotina de um trabalho remoto. E enquanto que a adaptação é natural e confortável para uns (encaixo-me neste grupo), para outros foi uma transição difícil e com influência na motivação e produtividade. Já existem inúmeros conteúdos com dicas para trabalhar a partir de casa mas decidi partilhar como é a minha rotina e o que funciona para mim — e que talvez possam levar convosco, se fizer sentido. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

LIVROS || Ele Está de Volta


E se Hitler voltasse e observasse o mundo tal como ele é agora? Conseguiria moldar-se aos desafios e evoluções do momento? Adaptaria o seu discurso? Continuaria a ter popularidade entre fanáticos? Parece uma pergunta absolutamente macabra — e é — mas é esta a história de Ele Está de Volta. 

Numa narrativa completamente bizarra e cheia de parágrafos com visões arrepiantes, Ele Está de Volta coloca-nos no interior da mente de Hitler ao acordar no mundo tal como ele é hoje e esforçando-se para emergir, de novo, nas forças políticas. 

Embora não seja um livro extraordinário e tenha, ao longo dos capítulos, acontecimentos um pouco irrealistas (além da já tão improvável premissa), sinto que Ele Está de Volta vai um pouco mais além do caso insólito do regresso de Hitler e explora, isso sim, a conformidade com que toleramos o intolerável, como facilmente mascaramos os discursos de ódio, corrupção e censura para nos protegermos de observar as coisas (as intenções, as ideologias, as pessoas) tal como elas são, sem floreados (neste caso, humorísticos).  

É uma chamada de atenção brilhante para o facto de existirem muitas (e mais do que zero já é a mais) pessoas ao nosso redor que acreditariam. Que votariam. Que realmente achariam que aquela pessoa é de confiança porque ‘diz as verdades’, sem grande interesse em aprofundar quem está a dizê-lo e que verdade é essa. E é também um dos possíveis desfechos do que ficar de braços cruzados, fingir que não se vê e não se ouve, não denúnciar ou reportar, pode resultar. 

Foi uma leitura absolutamente desconfortável, onde ler aquilo que uma mente retorcida é capaz de acreditar mexeu comigo. Mas também levantou algumas questões sobre a minha função e importância enquanto cidadã ou simplesmente consumidora de conteúdos. O que é que eu deixo que transmitam? O que é eu aceito que transmitam? Até onde podemos acobertar o ódio?

WOOK

Bertrand

Este artigo contém links de afiliados.