terça-feira, 25 de janeiro de 2022

FILMES | Janeiro • 2022


Durante a habitual observação do cosmos, dois astrónomos descobrem que um meteorito se dirige à Terra e que irá provocar a destruição do planeta numa contagem decrescente de 6 meses. Os dois cientistas têm em mãos a terrível tarefa de convencer o resto do planeta de que o perigo é real e de que é necessário agir. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

SÉRIES | Hogwarts Tournament of Houses


Acham que sabem tudo sobre os livros e filmes de Harry Potter? Os pormenores, trívias e detalhes que passam mais despercebidos? Ganham todos os jogos de quiz da saga? Então este é um programa da HBO para assistirem até ao último episódio. 

Apresentado pela atriz Helen Mirren, Hogwarts Tournament of Houses selecionou participantes de todo o mundo – e das quatro celebres casas da saga – para competirem entre equipas e descobrirem qual é a casa que mais sabe sobre Harry Potter

Com várias rondas e tipologias de jogos, algumas das dinâmicas de participação ainda são um pouco staged – as ‘voltas’ que eles davam para responder a perguntas mais fáceis eram desnecessárias no meu entender, estão a recuperar um lado datado da televisão –, mas cada episódio entreteve-me e também me desafiou a testar os meus conhecimentos e memória. 

É um programa com as suas limitações, mas acredito que começou como um projeto piloto que tem margem para crescer e se tornar mais envolvente e especial, tanto para os participantes quanto para os espectadores. A variedade de concorrentes foi incrível (como não adorar o velhinho dos Hufflepuff?) e resultou em serões descontraídos e divertidos no sofá, onde a participação foi também aguerrida cá em casa. Quem não gostaria de saltar para lá e participar? Para assistirem, se forem fãs.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

LIVROS | Um Livro Para Cada Mês


Janeiro: Gretchen Rubin decidiu criar um projeto onde cada mês tinha um desafio específico que deveria cumprir para se tornar mais feliz. Todos os meses, o desafio mudava, mas o hábito que criou dever-se-ia manter à medida que o ano decorria. Decidiu chamar este desafio de The Happiness Project, que resultou num livro fantástico. Sendo janeiro um mês de resoluções, porque não colocar a resolução de sermos mais felizes na to-do list?
 
Fevereiro: O mês do amor pede uma proposta a preceito, e Love Letters From Great Men é a escolha perfeita. Sabiam que o livro nasceu por causa de Sexo e a Cidade? Uma compilação de cartas de amor escritas por várias figuras ilustres da história, arte e cultura. E desenganem-se se acham que são só cartas apaixonadas. 

Março: Um mês florido merece uma história onde as cerejeiras fazem parte da narrativa. Sweet Bean Taste é uma história muito simples sobre rendição e aceitação. Sobre perdoarmos os nossos erros, elevarmo-nos e colocarmos o preconceito de lado. Toca num tema muito endémico – que não revelo para manter o efeito surpresa – mas, no final, é uma história curta, mas inesquecível, sobre a amizade. 

Abril: Big Magic é o livro perfeito para receber um mês onde tudo parece desabrochar – e as ideias também! Fala sobre criatividade, sobre o poder da inspiração e sobre trabalhar as nossas ideias de uma forma mais realista e menos romantizada (especialmente quando associada à tristeza). 

Maio: Os primeiros laivos do verão combinam na perfeição com a experiência de Kamin por Florença, narrada na primeira pessoa em Bella Figura. A autora larga o emprego estável e a vida cinzenta de Londres para procurar um sentido de vida nas ruas italianas, entre gelados, muita massa, alguns episódios amorosos e amigos divertidos. Uma leitura leve e envolvente, cheia de receitas que podem experimentar também! 

Junho: As descrições da Alexandra Lucas Coelho sobre o Brasil e sobre as músicas de Caetano Veloso e Maria Bethânia são tão detalhadas e vivas que nos transportam para a brisa da Bahia e para as sonoridades dos dois artistas. Cinco Voltas na Bahia e Um Beijo Para Caetano Veloso é um livro que sabe a verão e que combina com toalhas estendidas na areia. 

Julho: Quem nunca sofreu por um romance de verão? Mas Call Me By Your Name é muito mais que isso, é um livro sobre paixão visceral, tão própria da adolescência, sobre sentimentos contraditórios, questões existenciais e apenas uma certeza: queremos fundir-nos no outro. As reflexões combinadas com as descrições idílicas do Norte de Itália são a combinação perfeita para leituras em julho. Bem sei que o filme é um tremendo sucesso (merecidamente), mas deem uma oportunidade ao livro porque traz ângulos difíceis de captar no cinema.

Agosto: O mês das férias, que pede uma leitura leve e descontraída, que divida bem o protagonismo com os mergulhos na piscina e as tardes de praia. Um Dia é o romance ideal, onde acompanhamos um casal platónico sempre no mesmo dia durante 20 anos. É um romance com substância, onde mergulhamos por inteiro nas personagens, mas que não compromete dias perfeitos de verão. 

Setembro: Se este mês fosse um livro, seria O Guarda da Praia. Um livro pequeno, com uma narrativa muito simples sobre dois amigos que se conhecem no verão, partilham um quotidiano descontraído e que se despedem do verão – e de um do outro – com um mergulho ao pôr-do-Sol. Um dos meus livros preferidos. 

Outubro: O mês das bruxas merece uma leitura de thriller, e A Paciente Silenciosa é a companhia ideal para tardes cinzentas. Conta a história de um terapeuta que tem em mãos uma paciente muito peculiar: depois de assistir à morte do marido, deixa de conseguir falar, ao ponto de não ter a capacidade de contar o que aconteceu naquela noite. O plot twist é muito original! 

Novembro: Dias de chuva e mantas quentinhas gritam pel’A Sombra do Vento, um livro misterioso e envolvente que fala sobre o poder mágico dos livros e que tem um tom sombrio que liga bem com a spookiness que outubro nos deixou! 

Dezembro: Para entrar no espírito natalício, My True Love Gave to Me reúne 12 contos de Natal escritos por autores diferentes e aclamados pelo público. Entre histórias de amor, amizade, assombração e até solidão, este livro é o match ideal para leituras à beira da lareira e com um cacau quente na mão.

sábado, 15 de janeiro de 2022

MUNDO | Feito à Mão


Quando andava no infantário, tive a sorte de ter uma educadora que nos fazia explorar muito as manualidades. Da costura à cerâmica, passando pela criação de papel reciclado, sujar as mãos, mexer na massa e criar a partir do nada era um registo habitual no calendário, a tal ponto que ainda associo este tipo de artesanatos à infância – e não acho que seja a única. Acredito que vocês poderão ter tido uma experiência semelhante em crianças. 

E agora, a costura, a cerâmica, a pintura e desenho, joalharia (…) têm surgido em força, uma tendência crescente e que tem competido com os ginásios no tempo livre dos adultos. É uma tendência passageira? Cada vez mais acho que não. 

Tal como a grande maioria da população, também eu sofro com a rotina acelerada – especialmente quando misturada com transtorno de ansiedade, um cocktail perigoso -, e sinto que o meu cérebro está sempre no limite. Querer ser tudo, querer fazer tudo. Este comportamento, associado a um mundo cada vez mais imediato e digital, onde tudo é resolvido num ecrã e com dois toques, tem resultado num cansaço e num despropósito de vida que tem assombrado as pessoas na forma de depressão, burn out ou exaustão social. 

O artesanato parece contrariar tudo aquilo que a rotina nos oferece; as coisas são feitas e criadas ao seu ritmo, exigem alguma curva de aprendizagem, mas, acima de tudo, precisam da nossa total concentração. 

Não é ao acaso que todas as atividades feitas à mão têm sido associadas ao mindfulness prático. Quem está nestas atividades, está presente por inteiro – não tem outra opção, se quiser que o seu trabalho corra bem ou se quiser manter-se em segurança. É também por isso que têm sido associados à componente terapêutica que, a título pessoal, compreendo e sinto perfeitamente. Estar numa aula de cerâmica, para mim, é uma terapia prática, em que não me importa tanto o resultado final da peça, mas sim o que aprendi no processo e o quanto de mim consegui colocar lá. Amassar o barro deixa-me num estado de presença e plenitude, mas sei que não sou a única a ‘perder-me’ numa atividade: já ouvi testemunhos semelhantes de quem faz tricô, pinta telas ou cria colares de missangas.

É o regresso em força do ‘feito à mão’, um claro sinal de que cada vez mais procuramos atividades que nos resgatem algumas das sensações da infância, onde o sentido de brincar, aprender e estar presente no momento eram dados garantidos. E se os pudéssemos recuperar? E se pudéssemos arranjar tempo para os resgatar? 

Cada vez mais precisamos de sujar as mãos (que lavam a alma no processo).

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

FAMÍLIA | O Meu Avô


Um retrato do meu avô seria muito simples, especialmente da forma como todos o conhecem: um homem que trabalhou desde que se conheceu como gente, que construiu a sua vida a pulso e que não conheceu outro propósito na sua vida que não o trabalho. Honesto, generoso, com pouco sentido de humor – mas que sabe rir -, que nunca entrou num supermercado na vida, ama o sofá mais do que ama andar, que acerta o relógio da sala ao mesmo tempo que a transmissão do seu programa preferido começa: o telejornal. 

Reservado e introspetivo, nem sempre observador. Uma severidade no olhar, mas uma gentileza no coração. Simples, como disse. 

A beleza de sermos netos, é que levamos os nossos avós para lugares que eles nunca iriam, para serem pessoas que nunca foram. São pais com mel, que podem dar aos novos membros tudo aquilo que a disciplina, a educação e a época deles nem sempre permitiu aos filhos. 

O meu avô trabalhou a vida toda, mas deixava-me mexer na caixa registadora e sentava-se no jardim quando eu era pequena e colecionava pedras. Nunca entrou num supermercado na vida, exceto quando quis oferecer-me uma boneca e fez questão de lá entrar comigo e escolhê-la ao meu lado. De pouco riso, mas que o esboça sempre quando lhe digo algo absolutamente ridículo, só para puxar por ele. Que ama o sofá, mas levava-me de mão dada a passear pela cidade e que foi até ao Porto para me ver fazer um exame da Ordem. Que acerta o relógio, mas perde a noção do tempo quando está em família. Que tem o telejornal como programa preferido, mas que via sorrateiramente os Morangos com Açúcar comigo (um segredo que fica entre nós). 

Aprendi com ele algumas das coisas mais basilares dos meus princípios: a amizade não se agradece, retribui-se; no trabalho, só importa que ele seja honesto e muito bem-feito; dizer 'não' é importante, mas há muita gente que nunca teve um 'sim' na vida e podemos ser nós a dá-lo; é preferível ser ingénuo e de bom coração do que calculista.

Este é um lado do meu avô que só conheço porque sou neta. Poucos o conhecerão assim, mas também não são netos. Crescer e conhecer melhor o meu avô fez-me perceber o quanto mudamos e nos transformamos quando pessoas que amamos visceralmente chegam à nossa vida. Fazemos o que diríamos nunca fazer porque deixa de fazer sentido não o ser e fazer por eles. Porque queremos fazer parte das suas vidas, queremos devorar cada momento. Aliás, ele ainda devora cada momento: quando sei que quer voltar para casa e para a sua sesta, mas fica mais um pouco, só para estar mais um bocadinho connosco. Quando diz à minha frente que não quer sal porque sabe que eu sou melga com ele nas doses. Quando ainda olha para mim e não consegue deixar de me ver como uma miúda (e nunca deixará). 

Os avós são a prova de que o amor nos transforma, mas que há certas partes de nós que só quem realmente amamos vai conhecer. Normalmente, partes mais vulneráveis, mas também as mais verdadeiras. E que privilégio conhecer o Sr. Ivo por inteiro, como poucos o irão conhecer. É o meu avô.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

LIVROS | 12 Livros para 2022


Unsavory Truth | "Marion Nestle expõe como a indústria de alimentos corrompe a pesquisa científica para obter lucro."

We Were The Lucky Ones | "Uma história verídica sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial, narrada pelas diferentes vozes de uma só família, que desafiou o Holocausto numa luta de sobrevivência para preservar o verdadeiro sentido do amor e da vida."

A Máquina de Fazer Espanhóis  | "É um dos mais importantes romances contemporâneos. Surpreendente retrato da vida dos velhos, este livro fala intimamente dos fantasmas da portugalidade e da candura que, afinal, existe mesmo nos momentos mais tristes."

Um Mar Sem Estrelas | "Entre túneis sinuosos repletos de livros, salões de baile e margens escuras como vinho, Zachary cai num mundo inebriante, permeado de romance e mistério. Mas trava-se uma batalha pelo destino daquele lugar e, embora haja quem sacrifique tudo para protegê-lo, outros estão determinados a destruí-lo."

Nudge - Um Pequeno Empurrão | "A obra de referência do Prémio Nobel Richard H. Thaler explica-nos o processo de decisão e como podemos aperfeiçoá-lo. Com recurso a décadas de experiências no campo da economia comportamental, os autores mostram-nos como usar a "arquitetura da escolha"."

Writers & Lovers | "Engraçada e comovente, Writers & Lovers é a história mordaz e inteligente sobre Casey, a jovem escritora que perdeu o seu rumo na vida, até que dois homens entram no seu mundo e lhe oferecem dois futuros muito diferentes."

When No One Is Watching | "Este thriller tem lugar na gentrificação de um bairro de Brooklyn, que parece mudar cada vez que a protagonista, Sydney Green, pestaneja. Placas de 'VENDA' surgem durante a noite e os vizinhos que sempre conheceu estão a desaparecer. Para onde vão as pessoas quando a gentrificação as expulsa?"

101 Stories of Great Ballets | "Da autoria de um dos especialistas mais respeitados do ballet, este volume inclui recontagens cena a cena dos ballets clássicos e contemporâneos mais emblemáticos, executados pelas companhias de dança líderes no mundo. Perfeito para deliciar os fãs de longa data, bem como aqueles que estão descobrindo a beleza e o drama do ballet."

The Invention of Celebrity | "Frequentemente percebido como uma característica da cultura moderna, o fenómeno da celebridade tem raízes muito mais antigas. Neste novo livro, o historiador cultural Antoine Lilti mostra que os mecanismos das celebridades foram desenvolvidos na Europa durante o Iluminismo, bem antes dos filmes, do jornalismo de páginas amarelas e da televisão."

Maybe You Should Talk With Someone | "Um livro hilariante, refletivo e surpreendente que nos leva aos bastidores do mundo de uma psicóloga, onde os seus pacientes estão à procura de respostas (ela também)."

The Book of Questions | "Este livro apresenta mais de 300 questões que convidam os leitores a explorar o mais fascinante dos assuntos: eles mesmos. É um livro que pode ser usado como uma avenida de crescimento pessoal, uma ferramenta para aprofundar relacionamentos, uma forma de conhecer alguém rapidamente ou simplesmente uma forma interessante de passar o tempo."

O Roxinol | "O Rouxinol narra a história de duas irmãs separadas pelos anos e pela experiência, pelos ideais, pela paixão e pelas circunstâncias, cada uma seguindo o seu próprio caminho arriscado em busca da sobrevivência, do amor e da liberdade numa França ocupada pelos alemães e arrasada pela guerra."

Quais são os livros que estão na vossa  TBR em 2022?

domingo, 2 de janeiro de 2022

ISTO É TÃO INÊS | 7 Metas para 2022


Manter a minha rotina saudável: Há algum tempo que tenho conseguido criar e manter uma rotina ativa e saudável, à medida das minhas necessidades e quotidiano. Treino quatro vezes por semana (e faço yoga!), limito fast-foods para 1 vez por mês, não consumo refrigerantes regularmente e tento que a minha alimentação seja, 90% do dia, sana. Este é um objetivo de vida que quero manter porque é o que me traz mais alento e ordem. 

Conhecer um lugar que ainda não conheço: Dentro ou além-fronteiras, preciso de voltar a sentir-me turista. A pandemia tirou-me um dos maiores prazeres da minha vida, viajar, e sinto que é algo que tem de voltar (seja de que jeito for). Quero estar num lugar onde nunca estive (e espero que seja bonito!). 

Andar de balão: No ano passado, este ia ser o meu presente de aniversário de mim própria, mas uma semana antes de ter marcado tudo, o meu mundo entrou em apocalipse e novas prioridades se elevaram. Este ano, gostava finalmente de poder concretizar este pequeno sonho! 

Ter férias com o Diogo: Nos últimos dois anos, o caos não jogou a nosso favor. Com a chegada da pandemia para destruir o descanso dos profissionais de saúde, um MBA à vista e a minha mudança de carreira, os nossos tempos de descanso ficaram completamente descoordenados – no caso dele, inexistentes até. Gostava mesmo que este ano conseguíssemos ter um momento de férias juntos, nem que fosse curtinho. Estamos a precisar do descanso conjunto! 

Fazer algo pela primeira vez: Não tenho nada em vista, mas só queria que fosse uma estreia positiva em alguma coisa. Não necessita de ser grandiosa, mas que realmente fosse uma primeira vez para mim e me fizesse descobrir algo novo sobre mim. 

Ver pessoas de estimo uma vez por mês: Nos últimos anos, tenho estabelecido como meta ser mais social, um objetivo que foi um pouco arruinado com a pandemia, mas que eu sei que me faz muita falta. A minha personalidade não recarrega energias junto de pessoas – infelizmente, sou o oposto -, mas quando estou com pessoas que estimo e admiro, esse tempo faz-me muito bem. Seja num café, numa videochamada (para os que estão mais distantes e se sentem confortáveis com este meio), num lanchinho, um jantar de amigos, num passeio ou uma ida rápida ao cinema, eu preciso de estar com as minhas pessoas, pelo menos, uma vez por mês. Nunca temos tempo, mas vou fazer tempo para algo tão essencial quanto isto na minha agenda. 

50 Ways to Celebrate the Everyday: Este Natal, recebi uma 'caixa de fósforos' especial: um desafio com 50 fósforos em que cada um tem um desafio para celebrar a felicidade (das pequenas às grandes coisas). Quero tirar um fósforo aleatoriamente, todas as semanas, e tentar cumpri-lo. Vou tentar partilhar também no Instagram, para que vocês também possam cumprir este desafio!

Quais são os vossos objetivos de 2022? Podem partilhar algum comigo?

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

2021 | Retrospetiva


Velocidade cruzeiro. Talvez esta seja a definição certa para 2021. Ainda não terminou e já sei que será um dos anos que ficará fora da minha gaveta de memórias. Não porque foi mau, mas também não foi marcante ou especial. Foi simples, e às vezes é o que precisamos. 

À 12ª badalada, saltei da cadeira e dei um abraço de aniversário ao Diogo (a tradição). Na agenda e nos mil cadernos, tinha em mim uma motivação imensa para fazer este ano acontecer e, de certa forma, o que estava ao meu alcance foi concretizado, incluindo os meus objetivos de 2021: sinto que estou mais eficiente na gestão do meu tempo (não ótima, mas esforçada e a seu tempo vou otimizar), que fui mais social (dentro dos limites impostos pela pandemia), evoluí muito no meu trabalho e conquistei novas vitórias e desafios, mantive uma rotina saudável e regressei ao ginásio (algo que queria mesmo muito!) e até voltei às tão desejadas aulas de cerâmica. Check, check, check, certo? 

Mas também foi um ano de pequenas contrariedades. De timings errados, de notícias infelizes, de sustos, de planos que tiveram de ser cancelados. Em agosto, estive em isolamento no meu quarto durante 10 dias (negativa por um verdadeiro milagre devo dizer-vos) e senti-me completamente prisioneira, com as quatro paredes do meu quarto a fecharem-se a cada dia. Na saúde mental, também não estive no meu melhor: na primavera, senti-me completamente apagada e sem saber o que se estava a passar. O diagnóstico? Burnout por tudo o que tinha passado nos últimos tempos e que me obrigou a parar. 

O estado de emergência do início do ano também não ajudou a manter o espírito motivador. E aí, os livros salvaram-me: foram 66 livros lidos este ano, um feito absurdo que eu sei que só aconteceu pelo meu desespero de escape. 

Então, o que resta de bom? Pequenos pedaços de vitória. A saúde dos meus (e a minha), os reencontros e cafés que foram os pontos altos dos meus meses, o diploma da Universidade de Yale, a viagem em família, o snorkeling nas Berlengas, as mãos no barro no atelier em pleno verão, os ‘yes!’ depois de ler e-mails incríveis, os passeios com a Belka, os almoços em família que, aos poucos, voltaram à sua doce normalidade, o regresso a Aveiro.

Foi um ano de muita familiaridade, muita rotina, muita casa. Em certa parte, sei que precisava disso. Precisava de ter um ponto intermédio entre a loucura que vivi desde 2017 e a estabilidade que consegui na reta final de 2020. Precisava deste ponto morto. Mas agora estou pronta para fazer coisas novas acontecerem em 2022. Estou com outra energia, outra motivação e com mais coragem. Já engrenei a mudança e estou pronta para ir.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

2021 | Palavras-Chave


Amor: Sei que está tudo certo quando a palavra ‘amor’ é chave na retrospetiva. E recebi tanto, com tantas manifestações diferentes...! O amor da minha família, o amor dele, o amor dos meus amigos, o carinho com que tanta gente se manifestou neste cantinho. Só por isso sei que não me falta nada. 

Aprender: Cada vez mais adoro aprender sem pretensões, e o resultado disso foi um curso concluído sobre investigação da felicidade, que eu achei fascinante, e um curso concluído de Música Clássica da Universidade de Yale que me relembrou o quanto eu já tinha saudades de estudar música. 

Aveiro: Voltar a casa. Regressar a Aveiro é sempre reconfortante. E embora este regresso tenha tido um toque amargo – a minha casa de infância, onde recordo a minha avó, deixou de existir – continuo a emocionar-me em cada despedida e a desejar voltar a sentir a nostalgia que me envolve sempre que lá estou. 

Berlengas: Fui, pela primeira vez, às Berlengas e a experiência foi espetacular. Com direito a snorkeling, aventuras no barco e recordações bonitas desta visita. 

Burnout: Nunca tinha ouvido falar em burnout pós-caos, mas acho que reflete a forma como lido com qualquer crise: cabeça fria e objetividade no momento, e só depois da tempestade é que absorvo todas as emoções. E depois do caos que vivi em pura endurance nos últimos anos, o meu cérebro decidiu enviar a fatura. O resultado? Uma amiga que teve de vestir a bata branca comigo e fazer cara de má para eu parar. Só parar. Não acho que esteja ‘curada’, mas sei que recuperarei. Estou muito melhor.

Cerâmica: Um acaso tão bom…! Sempre que falo sobre cerâmica com alguém, sinto que os meus olhos brilham, mas é mesmo uma atividade que me traz conforto e que me tem dado lições preciosas sobre controlo (e a falta dele) e paciência. Espero que no próximo ano consiga continuar a manter esta arte perto de mim. 

Coragem: Não sei se é o termo certo, mas foi assim que me senti. Corajosa por pedir ajuda e cuidar da minha saúde mental, por conduzir em Lisboa, por dizer ‘sim!’ a convites de podcasts, por abraçar mais desafios profissionais… Nem sempre foi fácil, mas no final senti que valeu a pena! 

Criatividade: Na minha profissão, no journal, no guarda-roupa, na cerâmica, nas artes manuais, nos registos quotidianos e até no desporto! Acho que este foi o ano em que mais explorei a minha criatividade, que esteve tanto tempo adormecida num estilo de vida muito objetivo, científico e rigoroso. E que bom deixar esta criatividade fluir… 

Férias: Férias, férias, férias…! Entre 2019 e 2021, só tive 15 dias de descanso não consecutivos. Estava exausta. Ter, pela primeira vez, direito a férias, direito a descansar, a poder gozar disto como já não vivia desde que estudava foi uma experiência perfeita. Devorei cada momento. 

Frustração: Entre sustos de hospital, o carro avariado por uma cobra, um isolamento profilático durante as férias (correu tudo bem, foi só por precaução), um susto com a Belka que me fez chorar baba e ranho em pleno veterinário, uma viagem de balão cancelada, uma escapadinha cancelada, um computador morto e outros assuntos realmente sérios que não quero detalhar, sinto que a quantidade de contrariedades acumuladas ao longo do tempo resultaram em alguma frustração.

Inquietação: Mas, ao contrário da letra, eu sei porquê. Em 2021, cresceu dentro de mim uma pressa e uma agitação para ser, estar e ter. Embora nem sempre tenha sido positivo este aperto no peito e este medo do tempo, é inegável que marcou o meu ano. 

Redescoberta: Há um ano disse que estava a conhecer a minha nova versão, mas que ainda não estava terminada. Hoje, sei que este processo nunca termina e que estamos em constante mutação, mas estou mais segura de quem sou neste momento. Desde os interesses aos quais permaneço leal, aos meus novos gostos. Às circunstâncias em que já não faço frete e às coisas em que ainda acho que vale a pena investir de alma inteira. Sinto que estou a descobrir uma nova amizade comigo própria.

Reencontros: A pandemia está longe de terminar, mas em determinadas fases senti-me mais confortável para voltar a rever pessoas que tanto estimo. Algumas, de forma totalmente inesperada (mas tão bom!), outras com todo um planeamento de invejar! Em todos eles, percebi o quanto sentia saudade de ver amigos, de ver pessoas que me querem bem (e eu o dobro para elas). Não deu para rever todos, mas a seu tempo voltarei a abraçar e a olhar olhos nos olhos cada uma das minhas pessoas. 

Rotina: Em parte, provocado pela pandemia, este ano foi muito marcado pela rotina. Nem sempre foi mau; entre tanta incerteza e instabilidade do mundo, a rotina trouxe conforto. Mas eu gosto do equilíbrio, e senti falta das quebras, dos momentos mais especiais. Sinto tantas saudades de viajar… 

Seis: Seis anos de amor, amizade, lealdade e aprendizagem. Crescer em conjunto é uma experiência única, e eu saboreio cada momento. Ainda dou por mim com brilho no olhar quando falo de nós (aquele parvinho de quem está apaixonado, sabem?) e não poderia ser de outra forma. Este ano, as celebrações foram comedidas (obrigada, limitações de circulação!) mas somos a prova de que nos bastamos para que tudo seja mais especial. 

Tavira: O momento mais verão deste verão que – pelo menos no Oeste – não se sentiu. Os dias de Sol, o calor, ombros descobertos, dias de praia, jantares ao ar livre, momentos em família. Disse sim a esta viagem à última hora, mas foi a melhor decisão deste verão!

Uneventful: Sem grandes eventos. 2021 foi assim, e embora isso pareça uma observação negativa, eu acho que foi precisamente o que precisava. Sem picos de euforia nem visitas ao poço, 2021 foi um ano apaziguador e que decorreu a velocidade cruzeiro, com alguns momentos reconfortantes e especiais pelo meio.

Qual foi a vossa palavra-chave de 2021?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

2021 | TOP20 Aleatório


O meu preferido. É tão livre, tão diversificado, que é o que mais me entusiasma fazer e que me deixa sempre curiosa para saber o que recomendarei para o ano. Há de tudo: skincare, escritório, eventos, séries, moda (…). Aqui ficam as minhas principais recomendações de 2021, por ordem alfabética!