quarta-feira, 20 de outubro de 2021

LIVROS || Coraline


Parece impensável que alguém que adore tanto o Halloween e que goste de Neil Gaiman, como eu, nunca tenha lido Coraline. Pior: não conhecia, de todo, a história. O filme passou-me ao lado e o livro só chegou até mim este ano. Agora que já desabafei a parte mais imperdoável deste artigo, vou falar-vos sobre esta aventura que gostei tanto de ler. 

Existe alguém (além de mim, é claro) que não conheça a Coraline? Se sim, é uma criança criativa e que sofre da desatenção dos pais. É na sua ânsia por descobrir novos estímulos para se entreter e distrair que descobre, na sua própria casa, uma porta que dá acesso para um mundo peculiar: o seu mundo, exatamente igual, mas espelhado, com pais aparentemente muito atenciosos e algumas características... um pouco arrepiantes. Todos desejam que Coraline fique nesse mundo, mas algo a detém e o regresso a casa é mais assustador do que o esperado. 

Coraline nasceu da vontade de Neil Gaiman em criar uma história para a sua filha mais velha. No entanto, ela cresceu e o autor fez um enorme esforço para terminar o livro enquanto a filha mais nova ainda poderia desfrutar deste imaginário, com uma mensagem muito especial: coragem não é o oposto de medo, e muitas das decisões corajosas que fazemos têm muito medo à mistura. 

Mesmo com a pressa em terminar o livro a tempo da infância da segunda filha, este é um livro delicioso para adultos (afinal de contas, esta moral não fica datada à medida que amadurecemos). As descrições rápidas, a narrativa fluida e o plot ritmado fazem de Coraline um livro perfeito para crianças que gostam de aventuras com um toque spooky (mas à prova de pesadelos!), e um livro fantástico para adultos, que o devoram numa tarde bem entretida. 

Resta-me ver a adaptação para filme, tão bem aclamada, embora a edição que tenha em mãos seja ilustrada e tenha ajudado a entrar um pouco no imaginário do autor.

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Bertrand

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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

ISTO É TÃO INÊS || 27 anos, 27 momentos


Recebi um aniversário surpresa. Mudei para a profissão dos meus sonhos. Saltei de um avião. Descobri o que é o amor e descobri como é ser amada. Licenciei-me e passei na Ordem com distinção. Celebrei o Halloween no UK. Fui honrada com a presença da Laika e da Belka na minha vida. Aprendi a fazer cerâmica e criei as minhas primeiras peças. Construí amizades muito especiais. Diverti-me muito na Disneyland. Fui coordenadora numa unidade de saúde em plena pandemia. Caminhei num deserto. Ouvi quase todos os meus artistas preferidos ao vivo (faltam muito poucos). Criei o Bobby Pins. Nadei num lago rosa. Tornei-me amiga dos meus pais. Trabalhei em prol da saúde. Vi o sol nascer do lado da praia e também vi o sol nunca se pôr. Brinquei na neve. Aprendi a tocar violino e tirei um curso de música clássica através de Yale. Andei de gôndola em Veneza. Comprei o carro dos meus sonhos. Assisti a bailados com a minha avó. Celebrei um aniversário em viagem. Escrevi para revista. Participei em podcasts. Ouvi as badaladas do Big Ben. 

Tornei-me na Inês que ambicionava ser.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

LIVROS | O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo


Há livros que, quando os termino, tenho vontade de correr até à livraria mais próxima e comprar mais uma dezena de exemplares e oferecer a todas as pessoas que estimo, com uma dedicatória especial para cada uma. São livros muito particulares, mas que são recomendados para toda a gente porque a interpretação e a experiência de leitura serão diferentes para cada leitor. O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo é um exemplo deste tipo de livros, em que ficamos rendidos na 1ª página. O título comprido — e um pouco desinteressante, na minha opinião — não deixam adivinhar a experiência bonita e visual que nos aguarda. 

A fábula é da autoria do ilustrador Charlie Mackesy, que fez toda a redação e ilustração deste livro enquanto passava por um processo de luto, depois da perda de um amigo. O livro conta com quatro protagonistas, expectáveis pelo título: um menino muito curioso, uma toupeira que adora bolos, uma raposa que não entrega os seus sentimentos de mão beijada e um sábio cavalo. De uma forma bonita, as quatro personagens cruzam-se e criam uma bonita amizade. 

Num paralelismo compreensível com O Principezinho, este é um livro que se poderia ler num sopro, mas que damos por nós a saborear as páginas devagar, apreciando os diálogos simples, as analogias poéticas, a sensibilidade de temas como a amizade, saudade, amor e confiança. Deliciamo-nos com as ilustrações e cada momento da história desperta em nós memórias, reflexões ou sensações diferentes, consoante a nossa fase de vida. 

É um livro perfeito para ser lido à noite com os mais pequenos, numa cama aconchegante, ou para ser lido pelos adultos, com um cobertor fofinho. É um livro que, quando oferecido, vai junto com o coração. É um daqueles livros que vai parar à estante e de lá não sai, não temos coração para o doar. Um livro muito especial.

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Bertrand

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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

ISTO É TÃO INÊS | A Wishlist dos 27


Talvez seja por culpa do assustador 27 Club, mas sempre encarei esse ano como algo ‘make it or break it’. Na verdade, não me rejo muito por estas idiossincrasias, mas, se as houver, espero que seja de make it

Setembro não foi muito simpático para a carteira — vários aparelhos essenciais a avariar ao mesmo tempo, incluindo um carro! —, e portanto adiei muitos planos de outubro, incluindo o meu presente para mim própria. Assim sendo, ficam aqui os desejos e os caprichos do momento, os miminhos que me iriam deixar extasiada se viessem escondidos num embrulho amoroso, neste dia que eu continuo a encarar como especial. 

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

LIVROS | Os Livros que Devoraram o Meu Pai


A 1ª vez que ouvi falar sobre este livro foi através da Bia, já há alguns anos, mas o título é tão inesperado que fiquei com ele cravado na mente. Com a crescente popularidade de Afonso Cruz decidi, finalmente, mergulhar neste livro. 

Esta história bem pequena — que conseguem ler, perfeitamente, numa tarde — conta a história de Elias Bonfim, um menino que procura respostas após o desaparecimento do seu pai, que se perdeu na leitura. Numa mistura entre o real, o metafórico e as referências literárias de peso, entramos numa viagem pela literatura e por aquilo que os livros acrescentam à nossa vida. 

Consigo perceber porque razão Os Livros Que Devoraram o Meu Pai faz parte do Plano Nacional de Leitura: é um livro que, dependendo da idade com que o lemos, apreendemos mensagens diferentes. Para os mais novos, há uma camada superficial, onde a narrativa é simples e as metáforas praticamente reais. Existe uma linha condutora que lhes permite retirar uma moral clara desta história. Para os graúdos, existem pequenas subtilezas que nos fazem perceber que a história não é tão preto no branco, que funciona nas entrelinhas, com uma mensagem menos lapidada e mais dura. Em ambos os casos, é uma leitura absolutamente fantástica. 

Este foi o meu primeiro contacto com o trabalho de Afonso Cruz e percebi, de imediato, o fascínio. A única dúvida que me resta é saber qual deverá ser o próximo livro da sua autoria a ler.

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Bertrand

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sábado, 2 de outubro de 2021

 


Às vezes, fico incrédula com o facto de os Favoritos da Inês existirem há 7 anos. Com muitas abordagens e identidades pelo caminho, é certo, mas esta é uma rubrica que nasceu praticamente com o Bobby Pins e que é muito querida por vocês (e por mim). Dá para acreditar que este foi o primeiro Favoritos da Inês de sempre?!

E cá estamos. Mais um mês, mais um balanço e mais recomendações especiais para vocês. É só lerem mais!

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

FILMES | Setembro • 2021


O outono é sempre a minha época preferida para me atualizar nos filmes de terror. No caso d’A Visita, não existem órgãos virados do avesso, banhos sangrentos nem imagens excessivamente gráficas, mas a história não deixa de nos perturbar. Dois irmãos partem numa viagem para conhecer os seus avós — cujo o contacto haviam perdido e nunca os tinham visto. A história adensa-se quando os dois descobrem que os avós são um pouco...peculiares. Curiosamente, não terminei este filme com a pele arrepiada nem com medo do escuro, mas com uma pena profunda. Quem já assistiu vai perceber o que quero dizer! Um aspeto que achei muito original, é o facto de todo o filme ser observado do ponto de vista da câmara de filmar da protagonista. É ousado, mas interessante.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

CERÂMICA | Dúvidas e Respostas


Terminaram, para já, as minhas aulas de cerâmica — embora eu já esteja a sonhar com as próximas! — e este foi um processo que quis partilhar convosco (de forma mais comedida aqui no blog, mais expansiva no Instagram, onde partilhei convosco os registos de cada etapa e o resultado final — bom ou mau, sem me preocupar com a perfeição). Não estava à espera de tantas perguntas e dúvidas, mas achei interessante explorarmos todas neste artigo. Esta é uma partilha de tudo o que aprendi/recomendo, se querem colocar as mãos na massa (ou, neste caso, no barro)! 

sábado, 25 de setembro de 2021

LIVROS | O Tempo Entre Costuras


Cruzei-me com esta livro de uma forma inesperada. No ano passado, o catálogo da Netflix sugeriu-me uma série espanhola que estava prestes a sair da rede de streaming chamada O Tempo Entre Costuras. Fiquei imediatamente rendida aos episódios, porém, o facto de existir uma contagem decrescente para a série sair do catálogo não foi suficiente para eu perder o hábito de ver tudo muito devagar. Moral da história: a série saiu do catálogo precisamente no momento em que estava a descobrir o enredo principal desta história! 

Uma pessoa normal teria ido atrás da série e continuado a ver. Mas depois existo eu, que só praticamente um ano depois comprei o livro para continuar a história. 

Sila é uma mulher de origens humildes, delicada e muito talentosa para a costura. Vive em tempos instáveis e numa Madrid que depressa vai sofrer grandes transformações. Uma série de acontecimentos e decisões — que não vou revelar para manter o efeito surpresa — levam-na a Tetuán, onde conhece personagens improváveis e é levada para uma verdadeira aventura onde quem vence são os espertos e oportunistas. 

O livro está dividido em quatro partes, mas eu diria que toda a narrativa estaria, facilmente, segmentada em três acontecimentos principais que influenciam a protagonista e, por conseguinte, toda a história. Embora seja um volume de páginas considerável, a leitura faz-se a bom ritmo e sem espaço para grandes divagações — embora eu sinta que esta é uma perceção influenciada pelo facto de uma parte da história eu já conhecer graças à série. Em outras opiniões que tive a oportunidade de ler, muitos leitores queixaram-se do ritmo da primeira parte, sem saberem ao certo para onde estavam a ser encaminhados. 

O Tempo Entre Costuras tinha tudo para correr mal, na verdade: a narrativa tem três locais principais, fala sobre duas culturas distintas, decorre em três regimes políticos diferentes e ainda envolve temas como alta costura e espionagem, sem contar com o enredo natural entre as personagens. É tanta informação, contexto, detalhe e referências que é muito fácil um livro acabar confuso, com pontas soltas ou frágil em alguns temas — raso. E é por isto que tiro o meu chapéu à autora, María Dueñas, por conseguir pegar em todos estes temas e fazer um verdadeiro remate sem pontas soltas e com muita substância. É um livro que denuncia o empenho da autora em saber do que escreve — e isto é mais raro e louvável do que se pensa. 

Envolvente, feminino e muito interessante, O Tempo Entre Costuras promete uma história cheia de reviravoltas, uma protagonista evolutiva e descrições que nos transportam para uma Madrid empobrecida, uma Tetuán cheia de cores e uma Lisboa desconfiada. Não tenho curiosidade para ler os livros que se seguem desta história — eu gostei do final e, honestamente, fico desiludida por quererem dourar a pílula — mas fiquei feliz por ter terminado esta história entre páginas e não entre episódios.

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Bertrand

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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

DAILY || 7 Sugestões Aconchegantes para o Outono


Ah, o outono...! Confesso que me despeço sempre do verão com uma pequena saudade prematura, mas assim que o outono chega, entrego-me de braços abertos. A minha estação preferida, a mais aconchegante e spooky! Não tem sido fácil deste lado atualizar o blog — o meu computador está em fase terminal e estamos em processos de troca —, mas tinha de celebrar a chegada do outono! Partilho 7 sugestões aconchegantes para experimentarem!