quinta-feira, 28 de maio de 2020


Assisti a este filme pela primeira vez numa aula de Biologia de Secundário mas, como já seria de esperar, foi exaustivamente transmitido nos últimos tempos. Talvez não seja o filme ideal para assistir num momento destes — se acharem que pode ser um gatilho, poupem-se — mas a verdade é que é um filme bom e que esclarece muito bem todo o processo de identificação, isolamento e combate a um vírus. Obviamente que há um lado dramático e cinematográfico a contemplar mas, no final, é um filme com um elenco de luxo e bastante exemplificativo de como uma pequena ação pode transformar o mundo inteiro. Recomendo! 

Vi este filme no ano em que estreou — sim, este mês eu só revi filmes, ups! — mas dei conta de que nunca tinha partilhado o meu veredito, na altura. Anos depois, a minha opinião permanece a mesma: que história extraordinária! Não sou a maior entusiasta de filmes de guerra mas a premissa (baseada numa história verídica) é imperdível: durante a Segunda Guerra Mundial, Desmond Doss alista-se no exército para exercer atividade médica e cuidar dos soldados feridos. Pela sua relação com a fé e com a ética, Desmond alista-se com a única e exclusiva missão de salvar a cuidar, recusando-se a portar armas e intitulando-se como objetor de consciência. Contra todas as probabilidades, Desmond Doss parte, assim, para a guerra sem uma única arma e com um objetivo claro: salvar o maior número de vidas que puder. 

Com uma interpretação soberba de Andrew Garfield, é impossível não ficar com os olhos colados ao ecrã durante todo o filme. Os cenários são violentos e caóticos, deixando-nos de coração apertado, mas os feitos deste soldado — e sabendo que são reais — crescem em nós uma profunda admiração. Rever este filme só confirmou o quanto o acho nobre e bonito. Recomendo muito!

Já tinham visto algum deles?

segunda-feira, 25 de maio de 2020


Nas notícias. Nas redes sociais. No dia-a-dia. Nas nossas conversas. Todos os dias somos expostos a más notícias, imagens gráficas e violentas, estatísticas pessimistas e histórias traumáticas que procuram de nós um estímulo de compaixão, empatia e solidariedade. As causas solidárias nunca tiveram tanta voz como agora e espera-se que todos nós abracemos cada uma das bandeiras com empenho e dedicação — seremos, sequer, humanos se deixarmos alguma delas para trás? 

À medida que observamos este estímulo constante por compaixão pelo que observamos e processamos, observa-se também uma perda de empatia, um cansaço provocado pela incapacidade de conseguirmos abraçar todas as causas, uma impotência para melhorar o mundo que se traduz num desgaste, dessensibilização e distanciamento. Apatia. Compassion fatigue, o diagnóstico é, assim, conhecido.

É demasiado fácil — e injusto — classificar a fadiga por compaixão como uma tendência millenial, facilmente desvalorizável ou encarada como um capricho próprio da geração. Afinal, isso não acontecia em gerações mais velhas, que viviam cada notícia de uma forma emotiva e com respostas adequadas à gravidade da tragédia, certo? Mas a verdade é que é uma condição antiga e  que muitos profissionais de saúde sempre sofreram, pelo contacto direto com a tragédia e o trauma. E as gerações mais velhas não tinham os mesmos acessos à informação que nós. Não é ao acaso que todos nos lembramos de onde estávamos no 11 de Setembro, mas dificilmente vamos recordar-nos do que estávamos a fazer quando outras tragédias mais recentes se abateram. Porque não temos pausa. 

O desgaste constante pela expectativa de que nos sensibilizemos com cada tragédia é palpável e não deveria ser ignorado — embora sinta que este é um tema que ainda não ganhou força suficiente para emergir. As pessoas estão apáticas e já não têm a mesma emoção ao processar um evento traumático. Sentem-se cansadas pela exigência de assumir todas as bandeiras (e culpadas quando não as assumem). Uma culpa onde sentem que se desumanizaram, perderam a capacidade de sentir empatia pelo outro, a sensibilidade. Deixam de se reconhecer.

Se antes podíamos procurar e filtrar a informação, hoje, isso é praticamente impossível. O próprio cérebro tem espectros de sensibilidade ao longo do dia, pelo que é muito provável que tenhamos péssimos timings para encarar más notícias numa fase do dia em que já estamos em burn out e a apatia assume o comando. Não processamos as coisas com as mesmas emoções durante 24 horas. Mas esse fator nunca é contemplado porque há uma sensação de encurralamento. Ligamos a televisão, manchetes terríveis. As capas dos jornais destacam o horror. As campanhas de solidariedade são gráficas para puxarem por nós a revolta e a vontade de mudar. Cientificamente, os resultados estão à vista: há imagens, fotografias, palavras e destaques que já não provocam em nós a mesma emoção que provocavam há uns anos. Tal como nós, as imagens estão desgastadas. 

É o fim da empatia? Não. Há coisas que podemos fazer e que são essenciais: 1) focar no que podemos controlar e 2) cuidarmos de nós antes de cuidarmos dos outros. 

Imponham uma pausa das notícias. Não somos más pessoas por impormos uma pausa da tragédia. Precisamos de tempo para processar o que se está a passar e só nós sabemos a quantidade de informação que somos capazes de suportar. Concentrem-se no que são capazes de controlar. É virtualmente impossível abraçar todas as causas do mundo e pode ser esmagadora a impotência de nem sempre conseguirmos fazer a diferença no mundo. Então foquemo-nos no que podemos fazer, no que está ao nosso alcance, por mais pequeno que seja. E não nos sintamos culpados por aquilo que fica para trás, por aquilo que não somos capazes de controlar. 

Cuidemos de nós antes de cuidarmos dos outros. Há uma razão para a maior parte das práticas de segurança exigirem que nos protejamos primeiro antes de protegermos os outros: não somos capazes de fazer nada se não estivermos operacionais. Permitam-se a restabelecer-se, a trabalhar o sentimento de culpa e dessensibilização antes de regressarem ao caos. Coloquem-se em primeiro lugar antes de afundarem, de novo, nas notícias melancólicas. Não ajudamos ninguém se nos sentimos dormentes. E precisamos de nos restabelecer para voltarmos a sentir empatia, esperança e motivação.

domingo, 24 de maio de 2020


As manhãs de domingo ao sol têm sido passadas na companhia de podcasts, e as descobertas dos últimos tempos foram muitas! Para esta terceira edição do Ouviste Isto? trago três temas muito, muito interessantes: luto, comida orgânica e cronobiologia. Foram a minha companhia perfeita e espero que sejam a vossa também. Aproveito e peço-vos que me digam o que têm achado desta rubrica. Já encontraram, aqui, algum episódio interessante? Tem correspondido às vossas expectativas? Não me escondam nada!

sábado, 23 de maio de 2020


Acordar à cinco da manhã  Reciclar  Não fechar os talheres antes da última pessoa à mesa ter acabado de comer (para que ela não se sinta pressionada a terminar o prato)  Fazer uma lista de presentes e miminhos que as minhas pessoas poderiam gostar  Escrever num Gratitude Journal  Beber um Earl Grey de manhã  Ouvir o familiar e deixá-lo desabafar um pouco sem estar constantemente a interromper com as perguntas clínicas (por vezes, é a primeira vez que está a verbalizar tudo o que sente e precisa de o fazer)  Ter empatia pelo outro • Preparar pequenos miminhos para as pessoas que estimo  Falar e visitar os meus avós com regularidade  Estar presente quando estou presente  Apanhar sol  Perguntar se os meus amigos estão bem e marcar cafés, quando possível  Fechar a janela do avião quando o comissário está a servir-nos ou a comunicar connosco  Aderir a projetos de solidariedade  Comunicar abertamente e sem pudor de que forma é que as minhas pessoas fazem a diferença na minha vida, sem medo de ser lamechas  Retribuir o gesto sempre que possível e sem me demorar muito (não por medo de cobrança mas porque a pessoa merece o mesmo empenho e atenção)  Não desmarcar à última da hora nem deixar ninguém pendurado (a minha agenda não é mais importante que a dos outros) • Cumprir o que me comprometo, por mais insignificante que seja o compromisso  Fazer tudo o mais possível a pé e optar pelas escadas  Responder com gentileza a quem está a ser rude ou mal educado comigo (não há maior desarme do que ser aquilo que o outro não está à espera que sejam. A pessoa já reconhece os ambientes de indiferença, desprezo ou agressividade mas raramente contacta com a simpatia)  Estar sozinha quando preciso de estar sozinha  Ler na hora de almoço  Um bom pequeno-almoço, mesmo durante a semana.

quinta-feira, 21 de maio de 2020


A história da família Obama sempre despertou a minha curiosidade. A forma natural com que conseguiram trazer carisma e alguns elementos de frescura a um trabalho tão formal, ingrato e solitário deixavam-me intrigada. E graças ao feedback tão positivo que fui lendo desde o seu lançamento, fiquei mais convencida de que Becoming seria uma boa leitura. 

Nesta autobiografia, Michelle Obama faz aquilo que melhor esperaríamos dela: partilha a sua história como se estivéssemos numa sincera conversa entre amigas, desde a sua infância até ao momento em que se consagrou — e abraçou o papel de mangas arregaçadas — Primeira Dama. É fácil compreender de que forma muitas das suas experiências moldaram o seu percurso pessoal e profissional e a transformaram na mulher de garra por que é conhecida. As aprendizagens, as incertezas na carreira, o conceito de família, a dedicação em todas as suas relações e a convivência com o machismo e racismo são alguns dos inúmeros temas que a própria relata de coração aberto. 

Para efeitos de sinceridade, confesso que Becoming foi uma leitura flutuante, pautada por muitos capítulos difíceis de avançar por serem mais longos do que o necessário, por incluírem muitos detalhes (ou não fosse ela uma pessoa de detalhes) que não tinham finalidade na narrativa ou até mesmo por algumas observações com as quais não concordava inteiramente e que comprometeram um ritmo ou entusiasmo maior na leitura (especialmente na fase inicial, onde senti o ritmo mesmo muito lento). Mas não posso negar que quando o capítulo era bom, devorava-o desalmadamente, e foram vários. Os meus preferidos, admito, tinham como co-protagonista Barack Obama. 

Becoming foi uma viagem que me fez ter uma visão mais familiar e real de Michelle Obama e do universo que é viver na Casa Branca. É extraordinário que esta mulher tenha revolucionado o papel (indefinido) que é ser Primeira Dama. Linguagem informal, no equilíbrio certo entre sinceridade total e uma ligeira filtragem para evitar tumultos na opinião pública (e quem esperava algo diferente, certamente não apreendeu nada dos acontecimentos relatados no livro). Fez-me sorrir e suspirar muitas vezes, fez-me refletir outras tantas mais. No fundo, e sem papas na língua, é a história de uma mulher que nunca se deixou ficar na sombra do (seu) presidente.

WOOK

Bertrand
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segunda-feira, 18 de maio de 2020


Se há uns tempos escrevi uma carta para mim mesma no passado, hoje, apresento-vos a proposta contrária: escrever para o futuro. O FutureMe não é um projeto novo para mim mas só este ano decidi alinhar na proposta de escrever uma carta para mim mesma que vai ser aberta no futuro. 

O site é simples e totalmente intuitivo: basta colocarem o endereço de e-mail para onde desejam receber a carta no futuro, a data para quando querem que esta carta seja aberta — e pode ser qualquer data, qualquer ano — e executar a parte mais desafiante: escrever para o nosso futuro eu. 

Sempre quis escrever uma carta para a Inês dos 30 e achei que os 25 eram a idade perfeita para o fazer. Selecionei o meu aniversário de 2025 para ser enviada e escrevi de tudo um pouco; alguns detalhes da atualidade, sonhos, projetos e expectativas para os 30 anos, dúvidas, curiosidades. Não poupei a Inês dos 30 mas sei que ela irá receber este e-mail com alguma surpresa e diversão por se recordar vagamente de algumas frases. 

FutureMe é totalmente gratuito e fiável, uma vez que outras pessoas do meu círculo já o fizeram e receberam a carta, como prometido. Embora escrever para o futuro não dê respostas, foi um momento de mim para mim que fez todo o sentido e que trouxe sensações reconfortantes. Inês trintona, a tua carta vai a caminho!

domingo, 17 de maio de 2020


São tempos estranhos estes que estamos a viver e o meu mundo não podia estar mais confuso e repleto de sensações contraditórias; a minha ansiedade descontrolou-se depois de um excelente trabalho que tinha feito em 2019 e ainda estou a tentar processar como é que vou domar este monstro de novo. Sinto-me mais desmotivada e menos disciplinada, no geral. Perdi a oportunidade da minha vida por causa desta pandemia. Estou num cargo de enorme responsabilidade e saio de casa, todos os dias, para cuidar de pessoas — e no dia-a-dia parece não ser grande coisa mas está a ser desgastante nestas circunstâncias. Não ter liberdade ou margem para grandes perspetivas é frustrante e angustiante mas sei que sou privilegiada por ter muitas coisas boas. 

E as pessoas são uma dessas coisas boas. Mesmo com o mundo em caos e com o meu mundo a ameaçar desabar em muitas vertentes, sei que estou rodeada das pessoas certas, que me apoiam, que entendem o que sinto e penso, que alinham nas minhas conversas, que entendem quando há tópicos mal resolvidos. Tenho amor em várias formas, tenho carinho, conversas diárias (umas mais memoráveis que outras mas que me relembram que sou lembrada) e saudades boas. 

Não têm sido tempos fáceis — para ninguém, certo? E muito tenho guardado cá dentro — pela minha forma de ser e pelo Código que conduzo com grande rigor. Mas é muito importante, para mim, saber que tenho uma rede tão querida de pessoas especiais que, pelo que são, pelo que representam e pelo que dão, tornam o (meu) mundo menos hostil e assustador. Mesmo de distância imposta e com ecrãs obrigatoriamente a substituir o poder do toque, estou amparada, abraçada e amada. E sinto-me mais aliviada para poder viver este caos com calma sabendo que, de alguma forma, hei de achar um porto seguro e hei de recuperar tudo o que perdi.

sexta-feira, 15 de maio de 2020


Cresci a ver Michael Jordan na televisão — de uma forma e época completamente diferentes da minha mãe, é certo — e, para mim, tornou-se desde cedo uma inspiração e um símbolo de empenho e dedicação. Não é só no mundo do basquetebol que ele é uma referência mas, por ter convivido com esse universo, a sua marca ficou ainda mais presente no meu quotidiano. Claro que fiquei radiante quando a Netflix anunciou um documentário sobre o próprio. 

The Last Dance é uma série documental de 10 episódios que explora a carreira de Michael Jordan e a diferença que fez no mundo, no desporto e num clube que se encontrava à beira do abismo. A série conta com gravações exclusivas da sua época no Chicago Bulls entre os anos 80 e 90 e talvez isso seja o ponto alto da série, uma vez que estes clipes estão extraordinariamente bem encaixados com as entrevistas atuais ao jogador e a outros intervenientes de máxima importância na carreira de Jordan e no sucesso dos Bulls, como Pippen, Rodman e o treinador Phil Jackson.

É fácil demais dizer que esta é puramente uma série sobre basquetebol (e, em muitos aspetos, é). Mas é também uma série sobre sermos obcecados por aquilo que temos paixão em fazer, sobre escolher batalhas — e assumir as consequências das que descartamos — e sobre o quanto nenhuma equipa, nenhum colectivo (em qualquer vertente e não só apenas na desportiva) brilha só com um homem talentoso. As curiosidades, escândalos e desabafos que envolveram um jogador que, mesmo com a carreira encerrada, ainda inspira milhões de pessoas é absolutamente fascinante para uma miúda como eu, que sempre cresceu a admirá-lo. A série prima também por ser uma verdadeira obra de arte de fotografia e edição que merece uma oportunidade da vossa parte.

Ainda não a terminei mas tenho a tradição de assistir com a minha mãe. A culpa é inteiramente dela que, quando eu era pequenina, dava-me o iogurte do lanche enquanto assistia aos recaps dos jogos, que me passou todas as t-shirts dela, que, inclusive, me ofereceu uns Air Jordan, que me passou os posters todos destas individualidades que, embora não sejam do meu tempo, para mim e para o universo em que cresci, é como se fossem. Eu cresci com Jordan, Pippen, Rodman, Bird e Magic Johnson e vê-los neste registo tão sincero, profissional e bem executado é um privilégio.

segunda-feira, 11 de maio de 2020


...E escapar um pouco à realidade. Nunca fez tanto sentido a necessidade de viajar através da literatura como agora. Os livros transportam-nos para lugares e histórias que nos abstraem do mundo e do caos à volta. E essas horas podem revelar-se os únicos momentos de paz do dia. Escolhi cinco livros que vos vão transportar para sítios maravilhosos e desligar um pouco da atualidade. 

Comer, Orar, Amar | É já um clássico que não podia dispensar destas recomendações, especialmente quando podemos viajar para Itália, Índia e Indonésia sem sair do lugar. Liz — como é carinhosamente apelidada pelos amigos — enfrenta um divórcio complicado e coloca em perspetiva tudo o que achava que sabia sobre si própria. Deixa em stand by uma carreira de sonho, uma casa incrível e o conforto da sua cidade para partir numa aventura de auto-descoberta. 

Call Me By Your Name | Se precisam de viajar para um verão em Itália, estão com o passaporte certo nas mãos. Além de nos deixarmos encantar pelas maravilhosas descrições de uma aldeia italiana em pleno verão, vivemos, também, apaixonadamente a história de amor de Elio e Oliver. E se uma aldeia perdida em Itália não chega para vos convencer, deixo-vos um pequeno spoiler: há escala em Roma. 

Sinal de Vida | Literatura nacional e... espacial! O protagonista preferido do José Rodrigues dos Santos — Tomás Noronha — embarca numa nova aventura: uma missão espacial. A razão? Um observatório astronómico captou um sinal do espaço que não deixa margem para dúvidas: extraterrestres contactaram a Terra e dirigem-se para o nosso planeta. Se o espaço — e as missões espaciais — vos intrigam, este é o livro perfeito. Com muita discussão matemática à mistura, sim, mas uma descrição fascinante da vida — e sacrifícios — de um astronauta. Mais longe que isto é impossível! 

Regresso à Pequena Ilha | Bill Bryson cruza o Reino Unido de Sul a Norte e divide a sua jornada connosco. O autor partilha várias observações sobre os lugares que vai visitando e não nos poupa a reflexões incríveis — e muito, muito divertidas! — sobre a cultura, atualidade e comportamentos sociais do país. Ao longo da viagem, vai contextualizando, na História e na literatura, algumas das figuras e locais mais emblemáticos do Reino Unido. É um livro interessante e cheio de sarcasmo para darem algumas gargalhadas bem dispostas. 

O Guarda da Praia | Um livro com sabor a verão e mais uma leitura nacional. É infanto-juvenil mas eu recomendo a leitura para qualquer idade. A história é simples, sem grandes floreados ou acontecimentos inusitados mas transporta-nos para as casas de férias de verão, os mergulhos no mar, a beleza da amizade e da confiança. Vão terminar a leitura com o cabelo molhado, a pele salgada e o coração quentinho.

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Estão tentados a ler algum?

domingo, 10 de maio de 2020

Há um fenómeno muito caricato nos meus artigos sobre música. Têm visualizações esmagadoramente baixas mas, normalmente, quando alguém me diz que seguiu uma recomendação minha, a música está presente. É pouco eficiente mas é eficaz (é sinal de que vocês têm bom gosto, algo que nunca duvidei!!!). Então, contra todos os princípios do bom senso, insisto em trazer estas publicações porque era o que faria com amigos: oiçam isto

Descobri Bear’s Den sem querer, há uns anos, quando escutei os primeiros acordes de Above the Clouds of Pompeii. Fui imediatamente conquistada porque tem a fórmula perfeita para eu ficar rendida: um toque muito folk, um reportório coeso e voz gentil. São uma banda inglesa cujas músicas já acompanham as minhas playlists há algum tempo — de forma egoísta, mantive o segredo comigo, mas gosto demasiado de vocês para não os partilhar. 

A melodia alegre, folclórica e onde o protagonista é o banjo fazem-me pensar nas longas viagens de carro rumo aos destinos naturais que sempre adoro visitar. As caminhadas pela Serra de mão dada, os mergulhos nos riachos gelados. Tem um toque de verão e de outono ao mesmo tempo que é difícil de concretizar mas fácil de sentir. É a típica banda que eu oiço quando me quero sentir bem. Quando sei que qualquer emoção que resulte das melodias será boa, reconfortante, feliz. É isso. Eu sinto uma felicidade simples e genuína. Em tempos como os que vivemos, espero que sintam o mesmo. Considerem-no o meu postal de ‘best wishes’ para vocês. 

Magdalene, Think of England, Agape e Fuel On the Fire são todas ótimas sugestões mas preferi deixar como representação, precisamente, a mesma música que me introduziu ao mundo deles.


Digam-me se gostaram ou se já os conheciam!

sábado, 9 de maio de 2020


Formulários de comentário difíceis | Não há nada mais dissuasor do que ir à caixa de comentários e ver um formulário com inúmeros campos de preenchimento no qual só nos falta indicar qual o nosso tipo sanguíneo. Não é inteiramente culpa do blogger — afinal, cada plataforma tem o seu formulário — mas, às vezes, é possível escolher que campos queremos que estejam presentes para preencher. Vale a pena confirmar se tudo o que exigimos de quem nos comenta faz sentido. Se perco mais tempo a identificar-me do que a escrever o próprio comentário, fujo a sete pés. 

Designs sem cadência | Há uma constante necessidade de inovar o design dos nossos blogs e diferenciá-los dos demais mas, por vezes, essa necessidade de diferenciação resulta em designs confusos e ruidosos. Páginas com carroceis de imagens seguidos de coluna de publicação mais coluna lateral, com pop up e ainda menu de páginas é confuso demais para mim. Mas designs demasiado simplistas — muitos ao estilo Tumblr, só com imagens a surgir — também não me convencem. Afinal, eu visito blogs para ler e não quero ter de carregar sucessivamente em fotografias para saber que conteúdo me aguarda. Por vezes, manter um design mais tradicional é o segredo — ou, pelo menos, eu acredito que é. 

Publicações sempre curtas | Não acho que a qualidade de uma publicação se meça aos palmos mas também não me deslumbro com blogues que apenas partilham conteúdo de uma linha. Gosto de conceitos aprofundados, exemplos, experiências... Gosto de ler! Prefiro seguir essa pessoa noutras plataformas (Instagram ou Twitter, por exemplo). 

Letra difícil de ler | Um clássico e, uma vez mais, um reflexo desta tentativa desenfreada de nos diferenciarmos. Acontece muito nos títulos — onde as letras mais floreadas brilham ao serviço do design — e resultam num mistério total para o leitor que não consegue entender, sequer, o título de um artigo. É um dos elementos-chave de qualquer plataforma de escrita e deitamos tudo a perder. 

Ler mais escondido | Não sou contra o ‘Ler Mais’ ou ‘Continue Reading’ mas fico possessa quando não encontro a opção à primeira — especialmente nas versões mobile. Quando tenho de andar com o scroll para a frente e para trás para encontrar o botão, desisto. E este problema é mais comum do que imaginam.

E vocês? O que não gostam num blog?

sábado, 2 de maio de 2020


A Espia é uma produção nacional que tem enchido os espetadores de orgulho e curiosidade — e eu estou incluída nesse grupo. Transmitida na RTP1 e com um elenco de luxo, esta ficção histórica mostra o papel de Portugal na Segunda Guerra Mundial.

Numa época delicada onde o país se declarou neutro nos conflitos bélicos, Portugal estava marcado pela ditadura, corrupção e espionagem — tanto para os Aliados como para os Nazis. Várias redes construíam expectativas para o futuro do país e alguns dos acontecimentos e planos mais inusitados são retratados nesta série — que ainda não terminou.

A fotografia, a banda sonora, os figurinos e cenários e o protagonismo das mulheres numa série que retrata uma época onde o género era considerado inferior e secundário são alguns dos elementos que nos conquistam ao primeiro olhar. A história é misteriosa, interessante e repleta de camadas que precisamos de continuar a assistir para desvendar. 

A Espia está extraordinariamente bem conseguida e traz uma perspetiva refrescante e diferente sobre uma época onde tudo parece já ter sido dito e contado. Novos episódios estreiam às quartas-feiras, embora eu reserve sempre o final do dia de sexta-feira para descomprimir do trabalho e assistir com calma.

sexta-feira, 1 de maio de 2020


Se tivesse de definir abril numa palavra, seria ‘aceitação’. Foi um mês onde processei a aceitação das circunstâncias que estamos a viver — e alterações que isso implica. Foi um mês longo, desgastante mas com saldo positivo para uma série de pormenores que quero dividir convosco — como sempre!

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