quinta-feira, 21 de maio de 2020

LIVROS || Becoming


A história da família Obama sempre despertou a minha curiosidade. A forma natural com que conseguiram trazer carisma e alguns elementos de frescura a um trabalho tão formal, ingrato e solitário deixavam-me intrigada. E graças ao feedback tão positivo que fui lendo desde o seu lançamento, fiquei mais convencida de que Becoming seria uma boa leitura. 

Nesta autobiografia, Michelle Obama faz aquilo que melhor esperaríamos dela: partilha a sua história como se estivéssemos numa sincera conversa entre amigas, desde a sua infância até ao momento em que se consagrou — e abraçou o papel de mangas arregaçadas — Primeira Dama. É fácil compreender de que forma muitas das suas experiências moldaram o seu percurso pessoal e profissional e a transformaram na mulher de garra por que é conhecida. As aprendizagens, as incertezas na carreira, o conceito de família, a dedicação em todas as suas relações e a convivência com o machismo e racismo são alguns dos inúmeros temas que a própria relata de coração aberto. 

Para efeitos de sinceridade, confesso que Becoming foi uma leitura flutuante, pautada por muitos capítulos difíceis de avançar por serem mais longos do que o necessário, por incluírem muitos detalhes (ou não fosse ela uma pessoa de detalhes) que não tinham finalidade na narrativa ou até mesmo por algumas observações com as quais não concordava inteiramente e que comprometeram um ritmo ou entusiasmo maior na leitura (especialmente na fase inicial, onde senti o ritmo mesmo muito lento). Mas não posso negar que quando o capítulo era bom, devorava-o desalmadamente, e foram vários. Os meus preferidos, admito, tinham como co-protagonista Barack Obama. 

Becoming foi uma viagem que me fez ter uma visão mais familiar e real de Michelle Obama e do universo que é viver na Casa Branca. É extraordinário que esta mulher tenha revolucionado o papel (indefinido) que é ser Primeira Dama. Linguagem informal, no equilíbrio certo entre sinceridade total e uma ligeira filtragem para evitar tumultos na opinião pública (e quem esperava algo diferente, certamente não apreendeu nada dos acontecimentos relatados no livro). Fez-me sorrir e suspirar muitas vezes, fez-me refletir outras tantas mais. No fundo, e sem papas na língua, é a história de uma mulher que nunca se deixou ficar na sombra do (seu) presidente.

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Bertrand
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3 comentários:

  1. Adorei ver o documentário, o livro ainda não lhe peguei :/

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  2. Por acaso, também gostava de ler.

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  3. É capaz de muitos, tal como tu, acharem certos capítulos mais maçados por estarem repletos de detalhes. Eu cá não notei, por acaso fiquei especialmente encantada com esses capítulos, aí é que me sentia mesmo no mundo da Michelle Obama :).
    Blog: Life of Cherry

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