FAVORITOS | JANEIRO, 2024


Acho que, pela primeira vez, não senti a infinitude de janeiro. O mês arrancou com coisas para organizar, conversar, refletir e retomar, sem deixar espaço para grandes perceções temporais. É caso para dizer: estive aos papéis, em janeiro, mas com coisas bonitas para destacar.


Um creme de mãos para o inverno e que cheira a protetor solar? Favorito instantâneo! Podia dizer que gosto que a fórmula seja leve, seque rápido e que sinto a pele hidratada, mas, se tiver de ser mesmo sincera, é o perfume que me conquista: é um cheiro de verão, que me transporta para dias mais simples, soalheiros e bonitos. Sendo esta a época que mais me deixa melancólica, adoro que um simples creme seja uma contrariedade especial.
Descobri e deliciei-me com dois espaços novos em Lisboa que sinto entusiasmo em recomendar – e ambos não podiam ser mais distintos. 


O primeiro não é nenhum segredo para quem vive na (e da) cidade, mas foi a minha estreia: o Mercado Oriental, no Martim Moniz, por cima do famoso supermercado oriental. Vão encontrar bancas com pratos de vários cantinhos da Ásia e podem pedir de vários lugares diferentes para saborear e partilhar. 

Tem um sistema parecido com o Mercado da Ribeira – embora numa dimensão consideravelmente mais pequena: pedem, recebem um pager e aguardam. Eu experimentei os baos e o pad thai: já quero regressar! 


Para sabores mais tradicionais: fomos ao Pabe para uma celebração e não houve um único prato que não tenha adorado, das entradas à sobremesa. Deixo três pratos que foram um verdadeiro destaque: o arroz de garoupa com camarão, o caril de gambas e os crepes suzette (que têm um autêntico espetáculo de preparação incluído). 


Por fim, e porque nem só de refeições fora se fazem os dias – principalmente aqueles em que o jantar tem de ser feito e não há força de vontade na despensa: não foi a primeira vez este mês que experimentei estas almôndegas, mas já as comprei tantas vezes que estou segura de que é um favorito. São de proteína vegetal e, para os mais céticos, vou já alertar: têm um sabor diferente à carne, sim. Mas eu acho bastante semelhante (mais saborosas até, na minha opinião). Coloco-as na air fryer e estão prontas em minutos. Pode ser uma boa alternativa à carne para experimentarem.



Chamou-me a atenção quando ma recomendaram, mas o facto de estar disponível na RTP Play convenceu-me totalmente; não estava a acompanhar nenhuma série e decidi mergulhar nesta, que nos transporta até à companhia de bailado da Ópera de Garnier. 

A história tem duas linhas principais: numa, acompanhamos a história de Zoé, uma bailarina principal lesionada que vê o seu contrato ameaçado pela companhia e decide mostrar que a sua carreira ainda não acabou e que, apesar dos excessos consequentes do desgosto de se lesionar, ainda pode voltar aos seus tempos áureos; noutra linha, acompanhamos Flora, uma bailarina negra que é contratada como supranumerária e que tem o desafio duplo de se afirmar enquanto profissional que merece uma presença garantida nos bailados enquanto lida com os desafios do preconceito e do aproveitamento da companhia em relação à cor da sua pele. 

Não tenho a certeza se é uma série que prenda se não forem fãs de ballet, mas para quem gosta do mundo do bailado e dos bastidores (exagerados ou não) da vida agridoce de um bailarino, acho que vai gostar de acompanhar.


Começo as semanas sabendo que, à segunda, tenho um episódio do Pedro Teixeira da Mota para assistir enquanto trabalho - ou aos domingos à noite, na companhia do verdadeiro fã, o João. Por isso, quando o Pedro lançou as datas do novo solo, decidi que era o programa de primos perfeito e lá estávamos, no Campo Pequeno, preparados para passar uma boa hora. Tinha algum receio que o texto fosse excessivamente nativo do podcast dele - que acompanho, como supracitei, mas não sou totalmente assídua -, mas foi um receio em vão; o espetáculo sobrevive na perfeição pelo texto, o público foi animado e cumpriu o seu propósito: ri-me, descontraí e tive um serão de sexta-feira bem-disposto. Julgo que a maioria das datas já está esgotada, mas se encontrarem uma oportunidade, é um bom programa para aproveitar!
foto: @fablelisbon

Este mês descobri a livraria/café Fable e fiquei fascinada assim que entrei. Fui por ocasião do encontro do clube do livro da Litulla e, para ser sincera, ainda não posso recomendar o menu do café em si – não tive uma escolha certeira e pedi um prato muito salgado, foi um desafio terminar -, mas a livraria é absolutamente fantástica, com uma seleção de livros em inglês maravilhosa (e cada edição mais bonita do que a outra). O toque final perfeito? Tem uma citação de um dos meus livros preferidos na casa de banho, Tiny Beautiful Things. Já está na minha rota de livrarias Lisboetas que quero visitar sempre que possível.


Não me lembro do último lançamento de alguma coisa que me tenha entusiasmado desta forma, mas quando a Marta anunciou que ia lançar um cartão em parceria com algumas livrarias espalhadas pelo globo para nos oferecerem descontos exclusivos, eu decidi que aquele seria o presente de Natal perfeito. Livrarias, viagens e descontos: a fórmula já estava perfeita, mas o design do cartão em rosa choque (que cura a minha criança interior, que sempre quis pertencer ao Clube da Revista Barbie dos anos 90) é o toque final para a adoração total. E já o estreei!


Como partilhei convosco, não tenho nenhum objetivo de leitura, mas gosto de ter alguma forma de conseguir acompanhar as leituras que faço ao longo do ano. Descobri a app TBR Bookshelf – tanto quanto sei, exclusiva para iOS, por agora – que cria a minha própria prateleira com a lombada de todos os livros que estou a ler ao longo do ano e tem sido divertido ver a prateleira crescer. Para além disso, tem um sistema de review e rating que, mesmo na versão gratuita, me parece mais completa e interessante que o Goodreads, pelo que tenho sido mais detalhada nas reviews por lá.


A minha paixão por poltronas e cantinhos de leitura nasceu quase ao mesmo tempo que o gosto pela leitura. E, desde então, alimentei o sonho - através de wishlists e pastas no Pinterest - de ter a minha poltrona de conforto com os meus livros, um lugar seguro onde pudesse desligar do mundo e envolver-me nas minhas histórias. A certa altura, tinha a poltrona na lista como quem tem algo anestesiado lá, sem grandes esperanças.

Por isso mesmo, desembrulhá-la e arrumá-la no meu cantinho improvisado de leitura foi absolutamente especial. Não sou só eu que me sento lá - e que me maravilho com o descanso para as pernas, que bem preciso; é a pequena Inês que, noutra fase, talvez não chegasse com os pés ao apoio. É a Inês adolescente que teria adorado ler as suas sagas preferidas neste cantinho. E sou eu também, que tanto esperei por ela e que agoro olho com cobiça, todos os dias, desejosa pela hora do dia em que me vou poder sentar nela.

Janeiro começou com um salto com o pé direito entre máscaras faciais, jogos, videochamadas e gomas. Para os supersticiosos, não vos sei confirmar se esta é a receita para um ano em grande, mas parece-me tão legitima quanto qualquer outra, principalmente quando estamos no mood de algo mais simples. 

O arranque do ano não trouxe apenas resoluções e desejos, mas também semanas de muito trabalho, de iniciação em alguns objetivos pessoais e, acima de tudo, de atravessar o desconforto para crescer. Para me conhecer melhor e saber o que quero, ao certo, tirar desta fase. Teve, sem dúvida, frutos positivos, mas também teve o custo de ser muito cansativo. 

Janeiro pareceu-me ter tido pouco espaço para as coisas que me fazem sentir eu, mas, ainda assim, teve momentos especiais: entre aniversários, noivados e boas sessões de trabalho, voltei a nadar – e a falta que me fazia era maior do que imaginava, não há sensação melhor do que entrar na piscina e sentir que o mundo fica à margem -, participei numa discussão de um livro para um clube do livro presencial (a primeira vez que o fiz!), passeei pelas livrarias de Lisboa, fiz vários a dates à distância, assisti ao solo do Pedro Teixeira da Mota, marquei férias e viagens, recebi cartas e presentes de Natal, fiz uma readathon, aproveitei os dias de antecipada primavera para caminhar e li muito na minha poltrona, sorrindo sempre que me sentava. 

Sem grandes peripécias ou momentos extraordinários, Janeiro foi marcado pelo encontro das coisas bonitas na rotina – e no valor que se pode encontrar nas fugas dela.

fevereiro, sê maravilhoso.

1 comentário

  1. Que conforto que é ler as tuas palavras... Não te sei explicar, mas transmites uma vibe tão cozy que é delicioso ler as tuas palavras.
    Espero que fevereiro te traga tudo o que desejas! Beijinhos

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