quarta-feira, 7 de julho de 2021

FILMES || Junho • 2021


Já disponível para todos os assinantes do Disney+, este foi um filme que, admito, não estava na minha watchlist, mas um serão em família determinou a escolha. O filme de animação apresenta-nos a nação de Kumandra, outrora próspera e protegida por centenas de dragões, agora dividida em vários reinos após um incidente que provocou a extinção das criaturas.
Raya e o Último Dragão surpreendeu-me pela positiva com uma história repleta de subtilezas e uma mensagem muito atual. As piadas divertidas, a animação gráfica de sonho, a banda sonora uplifting e a mensagem final (que tanto adultos como crianças vão conseguir agregar, sob perspetivas diferentes) resultou num filme que me deixou com uma sensação de esperança. É, acima de tudo, uma história sobre confiança.
 
Acho que não estou sozinha quando afirmo que estou farta de produções live-action. Sinto que ficam sempre aquém do pedido e, com tantos caminhos novos para experimentar, parecem-se sempre propostas preguiço$a$. Portanto, se não fosse a Marta a partilhar o quanto estava surpreendida pela positiva com Cruella, eu teria deixado escapar este filme incrível — sim, leram bem!
Com as fórmulas de live-action antigas no caixote do lixo que merecem, Cruella é a abordagem que realmente esperávamos, contando todo o passado da vilã-génio da moda. Há sempre um certo fascínio em tentarmos compreender como é que uma personagem se torna má, e entre um enredo bem executado, um elenco de sonho, referências incríveis à Era punk de Londres e uma banda sonora inesperada (mas que encaixa na perfeição), Emma Stone vai dando vida a Cruella e nós vamos sentido a culpa a crescer dentro de nós por sentirmos alguma empatia por alguém que, nos filmes da nossa infância, queria tornar dálmatas em casacos.
Sem deixar nenhum detalhe ou referência para trás, esta foi uma produção arriscadíssima que merece todas as palmas. Cá estou eu, no papel de Marta, a tentar convencer-vos a dar uma oportunidade à vilã mais bem vestida de Londres.
 
Demorei algum tempo a decidir assistir a este filme por saber que tinha de estar num bom espaço mental para dar play. Durante uma etapa da minha vida, esperar por isso não era opção, já que era o meu trabalho. The Father conta a história de Anthony — protagonizado pelo brilhante Anthony Hopkins — no seu declínio cognitivo. Entre a suspeita de Alzheimer ou uma síndrome demencial, este não será um filme de reviravoltas ou diálogos intensos. É, na verdade, um filme monótono e muito circular, que não funcionará para toda a gente, mas não poderia ser contado de outra forma. Aliás, foi a abordagem mais fiel e interessante que já vi sobre alguém que sofre de demência — e dos familiares que acompanham esta jornada dolorosa.
Acompanhado pelo brilhante Ludovico Einaudi, dei por mim a verter lágrimas e a sentir cada dinâmica do filme de uma forma muito profunda. O final é tão simples, mas encerra em si uma carga poética tão grande que nos desconstrói.
 
Sim, parece que junho foi o mês da Disney! Luca leva-nos até às paisagens costeiras de Itália com uma história sobre... monstros do mar! Luca até parece um menino típico fora de água, mas basta uma gota entrar em contacto com a sua pele e vem à superfície a sua verdadeira identidade: é uma criatura marinha. Junto com o seu amigo — e também criatura marinha — Alberto, Luca descobre o fascinante mundo dos humanos e sente-se dividido entre os dois mundos, sem querer negar a sua identidade.
Luca tem um grafismo extraordinário, cores de verão e um sotaque italiano que nos convida a assistir este filme leve entre gelados e pausas nas idas à praia. É também um filme que, na minha interpretação, encerra uma história bastante camuflada sobre minorias na vida real que não se sentem seguras por saíram à rua tal como são — se já assistiram ao filme, digam-me se concluíram o mesmo. É um filme divertido, reconfortante e que eu tinha muita curiosidade em ver depois de ter assistido a um documentário onde os criadores e animadores falavam do seu processo criativo para contar esta história (disponível, também, no Disney+). Silenzio, Bruno!
 
Disponível na HBO, Under the Tuscan Sun não é uma novidade mas, para mim, foi uma estreia. Depois de uma reviravolta inesperada na vida de Frances, a protagonista decide largar a sua rotina sombria para se refugiar na quente e provinciana Toscana, onde começa a restaurar um palacete e a dar os primeiros passos rumo a uma vida mais feliz. Entre gelados, massa, amigos, mais massa, algumas recaídas na melancolia e histórias de amor à moda italiana, Frances abraça a cultura tão típica do país para encontrar um novo propósito. Sinto que a Elizabeth Gilbert, a Frances e a Kamin podiam ser melhores amigas, ou fundar a Irmandade Carbonara. O filme perfeito para um domingo de verão.

Já assistiram a algum destes filmes? Qual foi o vosso filme preferido de junho?

2 comentários:

  1. Luca e Cruella estão na lista para ver :)

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  2. Olá Inês!
    Espero que estejas a ter uma ótima semana 🌺
    Como sempre é um prazer ler as tuas palavras. Até agora "O Pai" foi o melhor filme que vi este ano e honestamente um dos melhores filmes que vi na vida.
    É um filme extremamente emocional. A atuação destes atores, principalmente a do brilhante Anthony Hopkins, deixaram-me sufocada e tive que me assoar bastantes vezes. Para acompanhar as minhas lágrimas que pareciam não ter fim, este filme tem um banda sonora lindíssima, ninguém fica indiferente às obras de arte de Ludovico Einaudi ✨
    Agora falta-me dar uma oportunidade a Cruella e Under the tuscan sea

    Um beijinho grande e boas sessões 🌸

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