segunda-feira, 9 de maio de 2022

LIVROS | O Mundo à Beira de um Ataque de Nervos


Já o admiti em várias reviews de livros do Matt Haig que este é um autor que me está a custar muito reconhecer que não faz obras que eu adore. Tirando a bonita exceção d’A Biblioteca da Meia Noite, todos os seus livros de ficção, na minha opinião, ficavam-se por premissas muito boas com concretizações fraquinhas. 

Decidi, então, entrar no mundo da não-ficção e ler o seu ensaio sobre a saúde mental. O Mundo à Beira de um Ataque de Nervos é um livro rápido de ler – li-o numa tarde tranquila, no meu café preferido, com um delicioso cinnamon roll – onde o autor reflete sobre o impacto do mundo na nossa saúde mental e, por consequência, o impacto da saúde mental nas nossas relações. 

A narrativa simples e despretensiosa quase que nos faz sentir que Matt Haig nos convidou para entrar em sua casa e termos uma conversa, e essa simpatia e disponibilidade é algo que consigo identificar em todos os seus livros e que é de louvar. 

Cada capítulo concentra-se num tema em particular, desde as notícias, as redes sociais, a nossa relação com o sono e com o trabalho, entre outros. E embora até tenha sublinhado algumas observações muito pertinentes, a verdade é que este é um livro, sem sobra de dúvida, reconfortante, mas não surpreendente. Sinto que também não era esse o objetivo do autor e, por isso, não o cobro. 

Talvez gostasse de encontrar uma perspetiva mais fresca e de ler o livro sem sentir que já tinha visto, ouvido ou lido uma frase semelhante noutros lugares, mas entendi que o propósito de O Mundo à Beira de um Ataque de Nervos era, de facto, um rasgo de pensamentos de Matt Haig sobre a forma como caminhamos para uma rotina acelerada, que nos distanciamos de tal forma entre seres humanos que somos capazes de fazer e dizer atrás de um ecrã aquilo que nunca diríamos olhos nos olhos e que nos temos desfocado totalmente do que é essencial. 

Não é um livro extraordinário, mas se gostavam de fazer uma leitura sobre saúde mental que seja leve, reconfortante e que vos eleve no final, então este pode ser uma boa companhia.

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Bertrand

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1 comentário:

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