quinta-feira, 18 de novembro de 2021

SÉRIES | Glória


Estreou, este mês, a primeira série portuguesa da Netflix, e embora esta seja uma frase já tão repetida que perdeu o seu impacto, algo de muito importante para a cultura pop aconteceu com esta produção. 

Guerra Fria, ditadura, espionagem e Ultramar serão algumas das palavras-chave que compõem a história de Glória, batizada em honra ao cenário principal de toda a narrativa, Glória do Ribatejo, onde, no final da década de 60, estava instalada a RARET — RAdio RETransmissão — através dos americanos e que transmitia a rádio Free Europe, uma rádio com ideais anti-comunistas. É para lá que João Vidal é convidado para trabalhar, sem que ninguém desconfie que, na verdade, ele é um espião da KBG. 

Com um tom soturno e sofisticado, os 10 episódios da 1ª temporada agarram-nos pelo mistério, pelas reviravoltas que nos deixam mais tensos no sofá e — porque é inegável — pelo orgulho de vermos uma produção nacional muito bem executada, desde a visão macro dos diálogos e talento do elenco, aos pormenores mais técnicos como a fotografia, sonoplastia e a própria edição. 

Tenho as minhas reservas de que será um fenómeno internacional porque acho que falta um pouco de contexto para introduzir organicamente os espectadores à história — a maioria do público internacional não conhecerá Portugal e muito menos o seu contexto político na época e o envolvimento velado na Guerra Fria — mas também não creio que esse fosse o objetivo desta produção. A verdade é que louvores não podem faltar, já que é uma série com alma e carisma (dois pormenores que costumo sentir falta em outras produções nacionais) e que traça um retrato muito interessante da pobreza social, económica e política que Portugal sofreu nas mãos da ditadura. Com muitos dedos em muitas feridas, Glória deixa um final interessante e pede-nos para que gostemos dela para continuar a contar esta história.

2 comentários:

  1. «carisma» seria precisamente a palavra que escolheria para descrever Glória e - pessoalmente - atribuo muito dessa designação ao trabalho do ator Miguel Nunes! Foi o protagonista perfeito, tendo em conta que uma premissa deste género precisaria de uma figura central que fosse, nada mais nada menos, que profundamente carismática. Glória foi uma surpresa bastante agradável!

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