segunda-feira, 15 de novembro de 2021

LIVROS | Nerdy, Shy and Socially Inappropriate


Cynthia tinha 42 anos quando foi diagnosticada com Síndrome de Asperger, do espectro do autismo. O diagnóstico não chegou sozinho: junto com ele veio uma certa sensação de alívio, por todos os comportamentos atípicos e a inaptidão social terem uma justificação, e alguma incerteza acerca dos próximos passos (afinal de contas, era uma adulta de 40 anos a descobrir um diagnóstico que a marcou durante toda a vida sem o saber).

Nerdy, Shy and Socially Inappropriate é escrito na 1ª pessoa e é um testemunho de uma mulher autista que aprendeu não só a aceitar o seu diagnóstico, como a viver com autismo. Reconheço a minha iliteracia face ao autismo e que, durante muito tempo, tinha como referência muitos estereótipos de uma condição que se manifesta de formas muito diferentes e que muda cabalmente de pessoa para pessoa  lá está, é um espectro. Mas este tipo de livros são muito importantes para que possamos compreender melhor certas condições clínicas, para que possamos ter comportamentos e decisões mais tolerantes e inclusivos. 

Numa escrita leve e muito agradável, Cynthia relata o seu percurso, desde as primeiras perceções na infância de que não era 'como os outros', à aceitação do diagnóstico e à dinâmica quotidiana, profissional, social e familiar para contornar as suas fragilidades perante uma condição complexa. A autora abre o jogo e, sem floreados, fala do bom e do mau, das suas vitórias, da forma como faz um casamento com um marido neurotípico resultar e a relação com a filha (também neurotípica) ser saudável. Complementa muitos dos seus capítulos com segmentos de lista, que ajudam não só a resumir alguns dos temas que vai abordando nos seus relatos, como a tornar algumas das dicas ou características da Síndrome de Asperger mais objetivas para os leitores que não são autistas e nem sempre conseguem compreender certos comportamentos ou abordagens. 

Foi uma das minhas leituras preferidas de 2021 e sinto que agregou imenso à minha forma de ver o mundo e os outros. Cresceu em mim uma profunda admiração pela Cynthia, que faz os seus sonhos, projetos e objetivos de vida acontecerem sem ignorar o seu diagnóstico, mas também sem viver à sombra dele.

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Bertrand

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3 comentários:

  1. Tudo é relativo e quem vive com uma doença desse género tem que encarar o quotidiano sob uma perspetiva diferente. Imagino o quão duro será terminar de ler um livro assim.
    Coisas de Feltro

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  2. Olá, Inês! Gostei imenso da tua review! Apenas um pequeno pormenor: autismo não é uma doença. Não se encaixa na definição de doença que segunda a OMS é "a ausência de saúde – que é o estado de completo bem-estar físico, mental e social". A Perturbação do Espetro do Autismo é uma condição clínica presente desde a infância e de caráter permanente logo não é algo com causa definida nem "tratável" como uma doença (i.e. cancro ou diabetes). Uma conversa gira e super interessante sobre o tema é esta: https://www.instagram.com/tv/CNdW8nonpri/?utm_source=ig_web_copy_link
    Já meti o livro na minha lista de "a ler", um beijinho grande! :)

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    Respostas
    1. Olá! Foi falha minha não ter ido atrás do tema - especialmente para escrever sobre um livro cujo assunto central é mesmo esse -, por isso, só te tenho a agradecer pelo esclarecimento. Sem dúvida que reflete a tal iliteracia que identifiquei em mim sobre o autismo. Já retifiquei o artigo para não induzir mais ninguém em erro :)

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