quinta-feira, 31 de maio de 2018
As minhas roupas são histórias. Abro o meu armário e vejo cada uma delas com uma informação diferente e escondida — umas mais simples, outras mais complexas. Cada peça de roupa conta quem eu sou. No que é que eu acredito. Descreve uma parte do que é que eu considero moda e beleza. As minhas roupas dizem quem é que me inspira. O que é que é tão Inês. A minha cultura, em todas as vertentes da palavra. A minha liberdade.
As minhas roupas contam a história de como me sinto, todos os dias. Ou como está a organização da minha vida. Como encaro os eventos e ocasiões onde tenho de estar presente. Reflectem alguns traços da minha personalidade. Umas contam histórias de surpresa, de presente, de pessoas maravilhosas que pensaram em mim ao olhar para determinada peça. Outras contam histórias das minhas etapas, das minhas vitórias, das minhas tradições. Algumas contam memórias. Cada vez que as visto, uma parte de um momento que já passou regressa até mim pelo toque da forma como a roupa veste em mim, ou por um perfume, ou pela cor. Tenho peças que trazem até histórias com palavras! E outras que guardam em segredo acontecimentos que eu não tenho outra forma de recordar sem ser pela memória.
Uma peça de roupa minha traz consigo uma história. Sobre quem sou, o que faço, no que acredito, no que me inspira e sobre os momentos que fazem de mim a Inês que sou hoje. Já me desfiz de muitas histórias — porque, tal como a roupa, também elas deixam de servir — mas sei sempre que cada aquisição que entra no meu armário traz um capítulo consigo sobre tudo o que me representa.
quarta-feira, 30 de maio de 2018
Depois do tremendo sucesso que foi o primeiro filme de Deadpool, as minhas expectativas estavam na estratosfera. Mantenho-me sempre apreensiva em relação às sequelas, mas os trailers e a música oficial da Céline Dion — dava sequer para prever uma participação destas? — prometiam que vinha aí algo igualmente sensacional e de gargalhadas garantidas. E as promessas foram cumpridas.
Desta vez, a aventura do melhor super-não-herói de sempre passa por trabalhar em equipa depois de um evento devastador. E embora este seja um filme que, ao contrário do primeiro que se aproveitou da desconstrução do conceito, vai mais ao encontro da linha típica de filmes de super-heróis — o que, honestamente, me perdeu um pouco, já que não sou fã de filmes de super heróis — existem inúmeros momentos absolutamente deliciosos e que privilegiam este sarcasmo relacionado com o mundo da Marvel e da DC.
Podem contar com várias piadas — das boas —, milhares de referências cinematográficas, participações geniais (e que tornam as referências do filme ainda melhores) e muita boa disposição, mesmo quando as cenas são mais tristes. Afinal de contas, é o Deadpool. Dava para esperar outra coisa?
Ah, e claro, fiquem sempre até ao final dos créditos.
terça-feira, 29 de maio de 2018
Apresentada no MAAT e da autoria do designer Stefan Sagmeister, The Happy Show é uma exposição inteiramente dedicada à felicidade e à reflexão da mesma através das várias interpretações e experiências de Stefan, combinadas com infografias sobre a felicidade na actualidade.
O que é a felicidade? Como a encontrar? E o que fazemos realmente para sermos felizes? Numa tipografia única e que nos acompanha ao longo de todas as salas, The Happy Show é uma exposição interactiva, refrescante, moderna, pertinente e atraente que nos faz sentir muito próximos aquilo que o designer quer comunicar. Por essa razão, eu diria que é uma exposição absolutamente acessível na medida em que todos nós fazemos dela aquilo que nós próprios interpretamos como felicidade e o que fazemos para sermos pessoas mais felizes. Todos temos, inevitavelmente, uma opinião sobre cada ponto de reflexão escrito nas paredes.
As nossas escolhas, os nossos comportamentos, as nossas relações, as nossas condições, a nossa genética, a nossa mente (...), tudo está relacionado com a forma como somos e procuramos uma vida mais feliz. Algo que me agradou particularmente foi o facto de todas as pessoas à minha volta — e incluo-me neste grupo — não explorarem as salas de olhar vazio e passo contínuo e sim pararem em frente a cada expositor e ficarem vários minutos a reflectir. Por várias vezes tive vontade de me sentar no chão e pensar a fundo sobre a mensagem que Sagmeister queria transmitir e no quanto me identificava com tantas coisas que referia.
Acima de tudo, é uma exposição jovem e transversal, de bilhete acessível e que vale totalmente a pena a visita. Vale a pena também levarem a brochura da exposição, não só porque todos os textos escritos nas paredes das salas estão traduzidos — facilitando a compreensão da temática — como também é uma forma de guardarem as mensagens e relerem sempre que necessitarem. A exposição termina a 4 de Junho e há um feriado à porta: não a deixem escapar!
segunda-feira, 28 de maio de 2018
BRAGA
A nossa última refeição em Braga foi feita na Casa de Pasto das Carvalheiras — sniff, sniff... —. E antes que possa falar sobre qualquer conceito ou ementa, preciso de dar destaque a todo o ambiente e decoração. De estilo irreverente e com apontamentos rústicos e caseiros, não ficamos indiferentes ao espaço assim que entramos; o tom quente da parede, os elementos originais, as cadeiras e pratos coloridos, divertidos e sem par — todos eles são diferentes, reparem neste detalhe quando visitarem o restaurante — o chão em xadrez e a luz delicada que entra pelas janelas directamente para as mesas faz-nos sentir em casa. A ausência de formalidades na decoração típicas de um espaço de restauração dá a sensação de que, na Casa de Pasto das Carvalheiras, tudo é possível.
domingo, 27 de maio de 2018
Estou numa fase do meu amadurecimento em que tenho considerado fundamental olhar para mim e cuidar de mim. Não me refiro apenas às questões mais simples como mimar-me com algo que vai valorizar a minha imagem ou fazer uma rotina de cuidados corporais. Refiro-me também às questões comportamentais. Uma introspecção regular que me faz reflectir sobre quem e como sou, o que me desperta emoções e desejos positivos e o que tenho de trabalhar para ser uma Inês melhor ou à imagem em que me idealizo. Não é, de todo, uma atitude vaidosa ou egoísta porque eu acredito totalmente no método 'emergência em voo': só ajudas os outros a colocar a máscara depois de a tua estar no rosto. Só consegues cuidar e ajudar os outros quando tu própria estás bem.
Nesse sentido, abraço cada vez mais projectos que tenham tudo a ver com o auto-conhecimento e a auto-valorização, que é o caso do 1+3. Um projecto que tem como objectivo criar um movimento de reflexão e comunicação sobre os mais variados temas — uns mais simples, outros mais complexos —, todos eles relacionados com o que faz sentido para nós, com o que desperta o nosso interesse (e que é válido!), com o que nos motiva, o que nos faz crescer melhor, o que nos faz sentir orgulhosas e o que nos faz sentir em progresso. Um movimento de amor próprio que faz todo o sentido, para mim, em participar.
Não há fidelizações, não há instruções infinitas nem periodicidade fixa. Mas tenho a certeza de que irá haver uma conversa virtual absolutamente fascinante e inspiradora que nos vai puxar uns aos outros para cima e descobrir novas formas de pensar e crescer sobre o mesmo assunto. A ideia é criarmos uma corrente de mãos amigas. A Carolina estendeu-me a dela e eu agarrei-a com a segurança de que ela não ma vai soltar. Agora é a minha vez de estender a minha mão para todos vocês, meus leitores, e convidar-vos a alinharem nesta ideia poderosa e a agarrarem-na. Eu prometo que também não vos vou soltar. Se estiverem interessados em participar, basta enviarem um e-mail para bobbypinscontact@gmail.com e passam a receber todas as informações sobre o desafio. Vamos ajudar-nos uns aos outros a amadurecer e a valorizar-nos, juntos! Não é ao acaso que a modalidade que mais vingou na minha vida foi um desporto de equipa.
sexta-feira, 25 de maio de 2018
Ontem marquei presença no Ministerium Club para representar o Bobby Pins como Finalista da Categoria Open World no concurso Open World Awards da Momondo. Apresentado pelo Fernando Alvim — que foi conduzindo a noite com boa disposição —, não faltavam referências aos merecidos blogs Finalistas nem fontes de entretenimento para todos os convidados (várias polaroids com a imagem dos blogs espalhadas pelas paredes e mesas, uma zona com photobooth, bar aberto...).
Para casa não trouxemos nenhum prémio, mas trouxe muitas outras coisas que foram muito importantes para mim, a começar por este ter sido o meu primeiro evento no qual eu participei na qualidade de Blogger. É claro que toda esta aventura gerou muita animação, especialmente em torno das minhas pessoas, mas na verdade, eu estava a sentir tudo a um nível muito menos excitado e muito mais profundo. Não estou a trabalhar no Bobby Pins desde abril; estou a trabalhar no Bobby Pins desde 2014 e ver o meu tão amado projecto exteriorizado para o offline — seja através das amizades na blogosfera, seja através de um evento, seja através de um card com o meu nome e 'Bobby Pins' escrito em baixo (que, para vós, talvez não seja nada demais, mas para mim significa tanto que não sei se serei capaz de contextualizar...!) — dá-me uma sensação de orgulho e concretização.
Foram 670 candidaturas, mais de 370 participantes em Portugal e mais de 22 mil votos únicos. E o Bobby Pins conseguiu ser o único blog generalista a ser um dos mais votados pelo público e a conseguir consagrar-se Finalista. É impossível não me sentir emocionada e chocada quando vi estes números no painel e concluí que estava ali, a desfrutar de tudo. Não sou hipócrita; é claro que gostaria de ter ganho — o prémio era de sonho, como não desejar?? —, mas também estou a ser absolutamente sincera quando digo que me sinto ainda mais preenchida por ter compreendido que eu estava ali porque imensas pessoas acreditavam que eu merecia estar ali e fizeram questão de votar em mim. E não foram pessoas quaisquer, foram vocês, leitores e minhas pessoas. Vocês que me lêem quase todos os dias, acompanharam a minha evolução e fizeram questão de me mostrar que eu merecia desfrutar deste evento, ganhando ou não. E isso foi um gesto com muito significado para mim, especialmente por me apresentar assim, como um blog generalista rodeado de criadores de conteúdo cujo nicho era exclusivamente viagens. Na verdade, senti que não estava apenas a representar o Bobby Pins mas sim também todos os outros blogs pequeninos, como o meu, que produzem conteúdo diversificado e que também conseguem escrever sobre viagens com muita qualidade (e na frequência de viagens possível) e que merece tanto estar ali como todos os outros participantes. Esta sensação de orgulho e de realização transborda-me e faz-me sentir muito feliz e motivada para continuar a trabalhar e a produzir conteúdo, com ou sem eventos, com ou sem prémios. Acreditem que estava praticamente aos pulos quando saí dali com tantas referências ao meu blog e aquele momento na mão, proporcionado por leitores. Quem olhasse para mim, julgava que tinha ganho. Respondam-me: perante as minhas circunstâncias e olhando para os números supracitados, como não sentir?
No final, julgo que se existe alguma mensagem global a retirar é a de que não tenham medo de dizer 'porque não?' e levar o vosso blog a novos desafios. Ganhem ou não, sejam finalistas ou não, nunca deixem de acreditar num projecto para o qual investiram tempo (a coisa mais valiosa que podem investir, em qualquer esfera da vossa vida) e pelo qual sentem orgulho. Mesmo que seja por votos. Mesmo que a percentagem de participantes principal possa ser de um tipo de blog que não é o vosso. Seja num concurso ou em qualquer outra ocasião — pequenina e casual ou de considerável dimensão —. Não duvidem da vossa qualidade, não hesitem só porque é pequenino. É vosso. Tem as vossas ideias, a vossa criatividade, o vosso empenho, o vosso carinho e o vosso tempo, e merece que acreditem nele e que arrisquem em exteriorizá-lo para lá dos ecrãs. Não tenham medo de participar e de dizer que têm o blog do qual se orgulham de escrever. Representem-no mais, desafiem-se mais. Os nossos projectos merecem que sejamos os seus fãs número 1.
Obrigada por me permitirem viver estes momentos que se convertem em histórias para vocês. Esta foi uma das mais inesquecíveis do Bobby Pins e sempre que olhar para todas as fotos e cards, vou lembrar-me da responsabilidade que tudo isto representa. If I go there's just no telling how far I'll go.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
Sempre adorei assistir a vídeos de DIY e o meu programa preferido em miúda era o Art Attack. Mas conseguir, efectivamente, recriar as coisas que faziam, isso já é outra história. Por norma, sou um desastre e as coisas nunca acabam por correr como seria suposto. É por isso que quando experimento um DIY e corre bem, gosto de o partilhar convosco: porque se eu consigo, podem ter absoluta certeza de que vocês também!
O meu objectivo era fazer um suporte para cd's. A forma como estavam organizados não me estava a agradar, mas não queria um suporte comum. Foi por isso que experimentei este DIY. Mas podem adaptá-lo para livros ou vinis.
Passo 1 | Tudo o que vão precisar é de vinis, claro! Consoante o tamanho do que querem suportar, podem alternar entre um vinil de tamanho normal ou dos mais pequenos. Como queria suportar cd's, optei pelo vinil mais pequeno. Lojas de usados são o melhor local para procurarem um vinil que não vos custe estragar, e foi lá que encontrei o meu, a um euro. E não se preocupem! Não era, definitivamente, um clássico! Uma das coisas que podem apostar durante a vossa busca pelo vinil perfeito é a etiqueta. As cores, o padrão ou design podem fazer a diferença para combinar mais com a decoração do vosso espaço.
Passo 2 | Vertam água a ferver dentro de um recipiente. É importante que o recipiente tenha uma superfície lisa e que seja largo o suficiente para pelo menos metade do vosso vinil caber no interior.
Passo 3 | Mergulhem a metade do vinil que querem dobrar na água a ferver e observem a magia a acontecer! O vinil amolece quase de imediato e podem, então, atribuir-lhe o formato que desejarem! Neste caso, queremos que sirva como suporte e que faça um ângulo de 90º, portanto, assim que o material ficar mole, precisamos de o começar a dobrar. Aproveitem a superfície lisa do recipiente para se guiarem e manterem a base direitinha.
Passo 4 | Depois de moldado, retiramos o vinil da água, secamos, e deixamos arrefecer. Recomendo que utilizem algum objecto liso e pesado para colocarem em cima da base, para que o vinil arrefeça na forma que lhe moldámos (um dicionário ou enciclopédia servem, por exemplo). O vinil enrijece em pouquíssimos minutos, pelo que podem usá-lo logo de seguida como o vosso novo suporte. Fácil e rápido!
Não é original? Não dá um toque diferente e único à decoração? Eu acho que sim. Sem dúvida um DIY que todos os amantes de música têm de experimentar! Se o fizerem, mostrem-me como ficou, combinado?
segunda-feira, 21 de maio de 2018
BRAGA
Quando pedi dicas dos melhores lugares para visitar por Braga, no meu Instagram — @innmartinsm —, quase 100% das respostas que obtive incluíam a Taberna Belga. Já tínhamos decidido que queríamos experimentar a francesinha bracarense — que é diferente da típica do Porto — e compreendemos que este era o lugar popular que não podíamos deixar passar.
domingo, 20 de maio de 2018
As Inêses sabem sempre ser criativas, não é? (um comentário nada tendencioso!). Descobri o Instagram da Inês através de outra conta que a mesma gere — e que sobre a qual eu já falei aqui —, o @lisboa.come. E desde então sou fã assumida.
Podem contar com registos lindíssimos de cidade — sendo que a grande protagonista costuma ser Lisboa, mas a Inês vai registando também os melhores detalhes dos lugares por onde passa — e com fotografias de mesas cheias. Eu adoro uma boa mesa cheia — de amigos, de família, de conversas! — mas quando a mesa também pode ficar cheia de pratos diferentes e bebidas, sinto-me feliz e é essa sensação que a Inês consegue garantir-me em toda a foto de mesa cheia que partilha. Sempre com um enorme cuidado com os elementos, composição e disposição.
Poderia justificar que adoro a sua conta pelas fotos extraordinárias que tira, mas acho que o que traz um outro encanto e autenticidade à Inês é o facto de o @ibrandling ter muita identidade. É uma conta absolutamente completa; as descrições das fotografias são fabulosas e normalmente têm sempre um toque de humor. Costumam não estar relacionadas com a fotografia e são momentos da sua vida caricatos que ela partilha sem filtros e nem vontade de transformar a situação em algo que não foi. O resultado? Boa disposição, claro. Ver uma fotografia incrível e ainda esboçar um sorriso enquanto abanamos a cabeça: há alguém que resista?
As Instastories são também um ponto digno de atenção porque valem muito a pena assistir. Quer porque é por lá que partilha os seus Antes/Depois de edição, quer porque faz sondagens absolutamente geniais — e que, por ter um número tão avantajado de seguidores, garante uma percentagem de respostas considerável — quer porque partilha dicas, contas de Instagram preferidas do momento... A Inês faz recurso aos Instastories não como registo do dia-a-dia (embora faça bom uso dele quando algo vale a pena ser partilhado no momento), mas sim como um elemento secundário da sua conta onde partilha as suas ferramentas, inspirações e tenta criar alguma interacção com os seus seguidores. Acabamos por saber que, se a Inês publicou algo nos stories, é porque vale a pena assistir. Por fim, Aveiro é a sua casa e deixou Lisboa entrar como uma das cidades da sua vida. Como não ter empatia por ela?
Não creio que esteja a partilhar uma pérola escondida mas os bons trabalhos e o bom uso de uma rede merecem ser aplaudidos e referidos vezes e vezes sem conta, mesmo que já todos a conheçam. É a minha conta preferida, do momento.
sábado, 19 de maio de 2018
Este sábado, a Gazela vai a celebrar a sua consagração como Finalista na Bênção das Fitas, e é uma etapa que traz um misto de emoções para mim, enquanto Madrinha. Sinto que o tempo passa a voar, sinto que ainda ontem estava a corrigir-lhe as letras das canções, sinto um imenso orgulho e honra por poder dividir isto de uma forma próxima. Com as chuteiras — neste caso, o traje — já arrumadas, a vida académica mais do que finalizada e sem intenções de prolongar etapas que só fazem sentido serem desfrutadas no tempo em que têm de durar (mesmo que tragam milhões de saudades), a minha participação nas ocasiões académicas está mais do que rara, e como não acho piada nenhuma andar de capa aos ombros e vestida à civil — ou visto-me a rigor como se merece ou mais vale não levar nada —, todo este universo que eu sempre estimei vê-se (e muito bem) reduzido a estes momentos finais e dignos de celebração entre os meus miúdos. E a primeira é a (minha) Gazela, que fez questão de me perguntar se estaria presente. Fiz todos os esforços para agora poder ir de sorriso rasgado celebrar o momento dela.
Custou-me durante muito tempo encarar isto, mas o meu percurso enquanto Madrinha não foi imaculado nem perfeito. Existiram muitos factores para que isso acontecesse (muitos deles nem dependiam de mim), mas durante alguns anos da minha vida académica debati-me e perguntei-me muitas vezes se estaria a ser uma boa Madrinha. Sempre encarei todos os que chegaram à minha capa de carta verde na mão com a maior das surpresas e aceitei todos com a maior das honras — porque parecia surreal que me quisessem escolher —. A Ana e o Rui puxaram-me para cima e mostraram-me com toda a firmeza que sim, que eu fui e sou uma boa Madrinha. A melhor que sei ser. Porque entreguei todos os valores e carinho da mesma forma a todos os meus miúdos. E a partir daí, cada um é responsável para operá-los e adaptá-los aos seus próprios princípios e vontades. Defendendi o defensável e fui sempre a primeira a chamar a atenção ao que não me parecia correcto.
Sempre caracterizei-me como uma Madrinha Omnipresente que acompanha tudo no paralelo; não precisava de estar nas aulas com eles para lhes dar tudo o que precisassem para se orientarem. Não precisava de beber imperiais com eles na esplanada para saberem que o que não me falta é boa disposição. Não precisava de fazer declarações incessantes de carinho para saberem que eu estava à distância de qualquer telefonema. E não precisavam de qualquer tipo de provas para saberem que eu sabia. Eu simplesmente sempre soube quando algum estava bem, estava encaminhado, estava a passar dificuldades, quando algum estava triste ou desmotivado. Não precisava de estar com eles todos os dias para o saber. E a maior parte das vezes que me recorriam para pedir ajuda, não só já sabia como estava preparada. E essa capacidade ninguém me tira. Acho que posso afirmar que fui e sou uma Madrinha bem disposta e sempre com muita vontade de os fazer sentirem-se bem debaixo da minha capa — mesmo quando ela não está fisicamente presente —. Mas também fui e sou uma Madrinha polícia, a primeira a corrigir, a chamar a atenção, a dizer como se faz.
Tenho muito orgulho na minha Gazela. Somos um pouco diferentes mas reconheci-lhe muitas coisas que convergem comigo: a noção de compromisso, de querer aprender, de saber desenrascar-se e desenvencilhar-se. É muito mais tímida do que eu, é muito mais doce do que eu, é muito mais generosa do que eu. E é tão bom reconhecer-lhe isso em todas as ocasiões...!
Dá uma sensação de orgulho profunda quando reconhecemos os nossos valores e passadas nos nossos Afilhados. E reconhecer que a Ana foi uma miúda exemplar faz-me sentir radiante. Está crescida, já tem o seu miúdo também para acompanhar — e massacrar!!! — e o momento, agora, é todo dela.
Nunca deixamos de ser Madrinhas. Deixamos de ser trajadas, deixamos uma série de tradições para trás, despedimo-nos de muitas rotinas e celebrações. Mas nunca deixamos de ser Madrinhas. A minha capa estará sempre a aconchegar-te os ombros.
sexta-feira, 18 de maio de 2018
A segunda temporada de Genius já estreou no National Geographic, e depois de ter partilhado convosco no que é que consistia a série e por que é que gostava tanto dela, na primeira temporada, julguei que não se justificava voltar a fazer uma publicação sobre a mesma.
Depois de uma primeira temporada maravilhosa com Albert Einstein, a segunda temporada brindou-nos com um génio e uma área totalmente diferentes: Pablo Picasso. E arrisco-me a dizer que a única semelhança entre uma temporada e outra é a série a que pertencem e o canal em que é transmitido.
Assim que assisti aos primeiros episódios compreendi que cada temporada e cada génio iam ter direito ao seu estilo próprio e a uma forma de contar a história diferentes. E não só faz todo o sentido como é aí que reside o brilhantismo da ideia. O próprio arranjo da música de abertura de Hans Zimmer é diferente consoante o protagonista. A dinâmica da narrativa também é diferente e a linha temporal não obedece às mesmas regras (pelo menos, não entre Einstein e Picasso). Cada um foi apresentado respeitando o seu estilo e individualidade, e isso faz com que nem pareça que estamos a assistir à mesma série. Cada temporada é única e uma não está correlacionada com a outra — podem começar a série por Picasso e só depois assistir a Einstein e não perdem nada, porque as histórias nem se cruzam —. Esta particularidade terá sempre duas faces da moeda; há quem possa gostar mais de uma temporada do que de outra. No entanto, existem pormenores muito coesos que nos fazem compreender que os dois tinham de pertencer à mesma série.
A segunda temporada ainda não terminou mas tenho devorado cada episódio com um brilho no olhar. Estou a gostar tanto da temporada de Picasso como gostei da de Einstein. Algumas das principais críticas foi a mistura de linhas temporais que tornava os primeiros episódios confusos e a introdução de personagens sem compreendermos o seu papel na influência do pintor espanhol. Eu achei que era precisamente isso que trazia uma frescura e inovação à série, apropriada se estamos a falar de um outro génio. No final, tudo faz sentido — como era de esperar —. Interpretado por Antonio Banderas, o que realmente achei genius foi a forma brilhante como conseguiram ligar os acontecimentos da vida de Picasso com as suas pinturas — que, com o coração a transbordar de gratidão, posso dizer que tive o privilégio de já ter visto quaaase todas — e torná-las ainda mais especiais. É muito enriquecedor e libertador observarmos uma pintura e conseguirmos visualizar a pessoa, a história da pintura e todo o processo do pintor para lá chegar. Sem dúvida que vou observar os quadros dele, a partir de agora, de uma forma ainda mais próxima.
Com os amantes da ciência já satisfeitos, chegou a altura de agradar os amantes da arte. Eu confesso que estou mais do que satisfeita! E vocês? Que têm achado desta segunda temporada? Já assistiram à série? Aproveitem uma sexta-feira mais relaxante para fazerem a maratona!
quinta-feira, 17 de maio de 2018
O meu primeiro emprego foi como lojista, na Decathlon. Não estava a conseguir cumprir os objectivos que me tinha proposto para a minha pós-licenciatura e, embora isso me deixasse frustrada, desanimada e praticamente traumatizada, ficar parada não era opção — e não me iria reconhecer se a escolhesse —. Portanto, fiz o que me parecia ser mais lógico: imprimi uma série de currículos e fui bater a todas as portas, sem experiência nenhuma. Estava com medo? Não. Estava aterrorizada. Mas tinha de fazer o que fosse preciso.
Embora, hoje em dia, sejam privilegiadas as candidaturas e plataformas online, sei que foi o facto de me ter chegado à frente ao balcão, da forma mais tradicional de sempre e ter dito 'posso deixar aqui o meu CV?', que me conquistou uma entrevista. Quando olho para a apresentação do CV que entreguei, na altura, dá-me um aperto no peito de vergonha e agradeço ter conseguido mostrar quem sou e do que sou capaz pessoalmente. Mas é assim que se aprende. Não há outra forma mais eficaz.
Fui a três entrevistas e consegui o meu lugar. O meu primeiro emprego. Fiz tudo; arrumei stock, fiz horário de abertura de loja, fiz horário de fecho de loja, estive presente na chegada dos novos artigos, mudei a disposição dos produtos, fiz caixa, aprendi conceitos e tarefas que nunca na minha vida iria aprender de outra forma, lidei com clientes incríveis e também fui muito destratada por clientes que tinham tido um mau dia e decidiam descarregar em nós porque nos viam como se fôssemos inferiores ou mesmo burros por trabalharmos ali. Claro, também meti muita pata na poça durante a minha passagem por lá. Faz tudo parte da aprendizagem.
Partilhei convosco que o meu primeiro emprego foi uma óptima experiência e confirmo. Sei que isto pode surpreender quem já foi lojista — pelo menos os meus amigos ficaram surpreendidos — mas a verdade é que me dava muito bem com o meu chefe, a minha responsável e gerente era impecável e toda a equipa que trabalhava na loja era simpática, prestável, paciente e compreensiva comigo, sem ambientes desagradáveis. Não sentia que alguém me queria tramar ou implicava comigo, qualquer imprevisto ou algo que precisasse de aprender era bem recebido e terminei toda a experiência com muito orgulho em mim e das pessoas com quem trabalhei, extraordinárias. É raro, eu sei, mas sou muito grata por isso.
Existe — e não se aborda muito, mas é inegável — uma certa vergonha em aceitar ou dizer que se fez determinados trabalhos que, no silêncio escondido de muita gente, se consideram 'pouco dignos'. Dignos para o seu grau académico, intelecto ou aspirações. Ser caixa num supermercado, vender perfumes num shopping ou limpar ruas ainda parece ser algo digno de vergonha ou de derrota, de falhados. Se estamos lá é porque não conseguimos nada melhor. Porém, confesso que nunca tive esta visão.
Fui trabalhar porque não queria ficar sentada em casa. Não queria chorar por ser um tesouro em bruto que ninguém notava, ou por não aproveitarem o meu potencial. Se era o meu emprego de sonho? Não. Mas os empregos de sonho não se conseguem escondidos do mundo, no nosso quarto. E se o caminho mais fácil e mais natural parecia inacessível, dei a volta e deixei que as minhas capacidades e relevância comunicassem por si. Fui lojista, mas podia ter servido às mesas ou feito caixa num Supermercado. Trabalhei. Conheci pessoas e cheguei a outros caminhos que não sei se teria conhecido ou chegado se não tivesse começado desta forma.
Sei que tem um gosto de conto de fadas e que pode não ser uma verdade global. E eu compreendo. Mas foi algo que resultou comigo e que resulta com tantas pessoas ao meu redor. Como não acreditar que é este o caminho que faz sentido? Como não acreditar que só temos trabalho quando já estamos a trabalhar (seja no que for) e a dar a cara, a ir aos lugares, a falar com as pessoas?
Mesmo que nada disto tivesse resultado neste caminho onde estou agora (e mesmo que tudo daqui em diante corra mal) contactei com os valores profissionais — que são os mesmos a limpar chão e a enviar e-mails importantes —, experimentei novos desafios que me permitiram conhecer melhor e descobrir capacidades que não sabia que tinha, e ganhei estaleca. Muitas das coisas que aprendi valem-me para a vida e não apenas para uma área em particular. E não é isso que devíamos almejar? Crescimento pessoal? Desenvolvimento de capacidades (profissionais e inter-pessoais)? E se conseguimos isto nestes empregos, o que têm de indigno, de vergonha, de falhanço ou desaprovação? É preferível ficar estagnado?
Um trabalho que respeite a nossa dignidade e apresente um salário conforme às funções já é digno por si só. E o meu avô sempre disse 'antes um trabalho na mão que nenhum'. Bom, se vos garante estes dois pontos, eu concordo. Há que fazer o que tiver de ser feito para crescermos, para construirmos os nossos objectivos e a nossa autonomia. E darmos a cara. Não há que ter vergonha de abraçarmos camisolas inesperadas, não há pouca dignidade em termos de seguir um outro caminho enquanto procuramos a ponte que nos leva à rota que queremos. Há maturidade, isso sim. Estamos a encarar a realidade arregaçando as mangas e não aceitamos um 'não' do mundo como resposta. E podem ter a certeza de que a Inês de hoje trabalha com o mesmo afinco e vontade de aprender que a Inês que se apresentou para o seu primeiro dia numa loja. E trabalharei sempre assim. Sem vergonha. Porque a dignidade não está no trabalho que escolhi e sim nos meus valores como pessoa e trabalhadora. E esforço-me muito para que sejam inquestionáveis.
quarta-feira, 16 de maio de 2018
Em 2015, apresentei-vos o jogo de cartas mais mordaz e divertido de sempre para jogarem entre amigos, o Cards Against Humanity. Continua a ser o meu jogo de cartas preferido, mas hoje quero apresentar-vos uma aplicação giríssima — e que se pode revelar muito útil —: Evil Apples.
Numa rápida pesquisa pelas vossas app stores, vão descobrir que o que não faltam são aplicações que tentam recriar o jogo, mas a melhor — e a que vos recomendo — é efectivamente a Evil Apples. A começar, porque a aplicação disponibiliza os dois baralhos — preto e branco — enquanto que na maior parte das restantes aplicações, têm de comprar uma das cores. Outras vantagens? Não há limite de jogos, podem adquirir novos baralhos com respostas mais variadas ou temáticas com os pontos que acumularem nas vitórias — isto é, de forma gratuita — e podem jogar com amigos.
Uma das coisas que nos fez adorar esta aplicação foi o facto de estar sempre à mão. Foram incontáveis as vezes que, num épico jantar, alguém se esqueceu de trazer o jogo. Embora a opção de jogo com amigos esteja limitada a três jogadores, a solução recai sempre no modo de jogo com estranhos. Seleccionamos, ao mesmo tempo, esse modo de jogo nos nossos telemóveis e, por localização, acabamos todos a jogar juntos. O número de jogadores continua a ser limitado, mas não tanto como no modo de jogo com amigos.
A opção física do baralho continua a ser a nossa escolha vencedora, mas em momentos de esquecimento — ou quando dá simplesmente vontade de jogar — a aplicação cumpre na perfeição o seu objectivo com a garantia de que todas as cartas de ambos os baralhos são criativas, divertidas e variadas. Evil Apples é uma aplicação gratuita e está disponível tanto para iOS como para Android.
terça-feira, 15 de maio de 2018
BRAGA
Depois da minha estreia na Spirito do Porto, a visita à casa de Braga — a primeira, a original — foi muito mais uma questão de gula do que propriamente uma questão de prova. Se eu der a desculpa de que queria mesmo confirmar que os cupcakes eram saborosos, é valido? Então vamos todos dizer que sim.
segunda-feira, 14 de maio de 2018
Conhecida, com um grande toque de humor, por ser o 'penico do céu', mas que nos brindou durante todos os dias com um Sol que há muito desejava e um calor de Primavera-Verão que só o nosso país consegue oferecer. Só tinha estado em Braga uma vez, em miúda, e de passagem. Parámos o carro para almoçar no primeiro lugar que encontrámos — e por ser uma recordação tão antiga e irrelevante, nem sequer me recordo do nome do restaurante — e seguimos caminho na nossa viagem. Este foi o derradeiro aperto de mão que já sentia que eu e a cidade merecíamos há muitos anos.
Sou suspeita por adorar cidades nortenhas, e Braga não podia ser a excepção; a arquitectura escura e colorida que só as cidades a norte conseguem caracterizar tão bem e a simpatia em todos os lugares, ocasiões e contextos que cada vez mais se perde e cada vez mais se torna urgente.
Em Braga, senti-me em casa e totalmente orientada. Atribuo grande parte da culpa à forte e adorável comunidade bracarense da Blogosfera; são anos e anos a ver as fotografias, detalhes e recomendações da mesma cidade. A minha memória e todas estas referências tão locais ajudaram-me a sentir uma familiaridade especial que não consigo sentir por toda e qualquer cidade. A única coisa que me faria entristecer por viver em Braga seria a ausência de uma praia a 15 minutos de distância, como é habitual em todas as cidades da minha vida.
Em Braga, tudo é perto e sentimos a verdadeira energia de uma cidade; não necessariamente urbana — e tanta gente confunde os conceitos —. Eu gosto de cidades que abracem a sua condição e se apresentem com dinamismo, energia, eventos e pessoas. É considerada a cidade mais jovem de Portugal e o mérito verifica-se em cada rua, em cada grupo de amigos que partilha cafés na esplanada, em cada par de amigas que descem a rua, distraídas nas suas conversas, aliadas ao resto do mundo. As ruas estão sempre cheias, não importa o dia da semana, e todos os lugares respiram a vida e o quotidiano agitado (positivamente) dos bracarenses. E eu adoro esse ambiente. De rua. De passear na rua, de fazer tudo nas avenidas, de não me esconder em espaços fechados nem em casa depois das seis da tarde.
Fiz em Braga uma das coisas que mais amo fazer em viagem: passear sozinha pela cidade adormecida. No meu último dia, umas horas antes de ir tomar pequeno-almoço com elas, saí à rua num Domingo matinal, sozinha. Já conhecia a cidade na palma da mão e sabia os lugares para onde ir, as ruas onde virar e o que me esperava em cada esquina, como se a cidade fosse minha. De música nos ouvidos e telemóvel pronto para captar todos os detalhes bonitos — que agora partilho convosco —, este foi um dos passeios que mais gostei de fazer e o derradeiro para fortalecer os meus laços com a cidade: só eu e ela.
Uma manhã de Domingo onde a cidade ainda dormia e recuperava da agitação de sábado. Nessa manhã, pude observar Braga numa faceta totalmente nova e que ainda não tinha observado: adormecida, sem vivalma. Parecia que as ruas estendiam-se aos meus pés e as paisagens construíam-se para mim. Para ver tudo sem obstrução, sem me desviar. Com todo o tempo de antena para mim.
Andei pelas ruas, avenidas e praças desertas, uma raridade até então. Ouvi os sinos, que tocavam só para mim, como se sempre soubessem que é um dos traços perdidos da cidade que mais gosto de ouvir. E todas as poucas pessoas com que me cruzei partilharam 'Bom dia' comigo, porque a sensação aldeã do norte nunca morre — e é isso que a torna tão maravilhosa e apaixonante.
Tive tempo para ver a cidade ganhar ritmo, pessoas e agitação. Passeei de mãos nos bolsos, sempre consciente de onde me encontrava. Esta curta viagem por Braga ficará para sempre no meu coração, não só por este passeio privilegiado ou pelos detalhes que lhe dão uma personalidade e charme encantadores, mas por todas as aventuras que dividi (bem) acompanhada, por toda a paz de espírito que trouxe de volta ao meu corpo e por todos os momentos inesquecíveis e finalmentes que pude viver. Sabemos que a viagem foi intensa e especial quando entramos no transporte de regresso com um nó no estômago e a vontade de dizer, de forma infantil, 'só mais cinco minutos'. Por ti, Braga, eu ficava mais dez.
domingo, 13 de maio de 2018
Durante a ocupação nazi, centenas de milhares de pertences de valor incalculável — material e sentimental — foram roubados de inúmeras famílias. A grande maioria, nunca chegou a reavê-las, mas muitos outros lutaram para ter de volta aquilo que lhes era seu por direito. Foi o caso de Maria Altmann, judia sobrevivente da Segunda Guerra Mundial que pediu auxílio a um advogado inexperiente — mas que tinha ligações profundas com a cultura e família de Maria — para reaver um dos seus bens mais preciosos e sentimentais (e quando assistirem ao filme compreenderão porquê): Woman in Gold, de Gustav Klimt, diz-vos alguma coisa? (por curiosidade, partilhei convosco que recebi uma caneca com esta pintura no Natal, aqui).
Esta é uma história verídica que vai transitando entre os Estados Unidos e a Áustria, e entre a década de 90 e 40, através das recordações de Maria e de tudo o que teve de enfrentar — e viver —. O que não faltam são obras cinematográficas relativas aos inúmeros horrores associados à Segunda Guerra Mundial e à ocupação nazi, porém, este tema é, pelas mais óbvias razões e interesses, pouco explorado. É que muito do espólio de alguns museus de renome é garantido graças a estes furtos que nunca tiveram a justiça merecida para os verdadeiros donos.
Foi um dos filmes relacionados à II Guerra Mundial mais leves que já assisti e traz um sabor agridoce à cultura Austríaca — tanto na recepção aos nazis, na época, quanto à luta para ficarem com os quadros de Klimt, em 1998 — mas que conta também com registos fabulosos de uma das cidades europeias mais bonitas e que reflecte muito bem a beleza de Viena (facto não garantido por mim que, infelizmente, nunca a visitei, mas pela minha mãe, que assistiu ao filme e já caminhou por aquelas ruas). Adoro histórias verídicas e sou fascinada por histórias escondidas por detrás dos mais inesperados artefactos. Se querem um filme agradável, nada pesado, são interessados por arte e por Áustria, vale totalmente a pena.
sábado, 12 de maio de 2018
Perto do Arco da Porta Nova e de entrada gratuita, podem encontrar o Museu da Imagem, totalmente dedicado à fotografia. Aberto todos os dias da semana, o seu interior medieval (parte do museu encontra-se numa torre da antiga muralha medieval) quase que contrasta com a modernidade do conceito fotográfico. É no Museu da Imagem que muitas das edições do Festival Encontros da Imagem acontecem — o mais antigo festival de fotografia de Portugal.
Máquinas fotográficas das mais variadas gerações e uma constante diversidade de exposições fotográficas é o que de melhor podem contar num museu pensado para os amantes dos registos que ficam para sempre. À data da nossa visita, decorria a exposição Northern Corrida, de Tatiana Plotnikova, que criou registos a preto e branco do quotidiano duro e hostil dos habitantes budistas e caçadores do Extremo Norte e na Sibéria. As fotografias tinham um duro impacto e traziam as tempestades de neve registadas pelo obturador para o ambiente quente de Primavera do Museu. Por culpa da minha próxima viagem, achei o tema sensacional e as fotografias despertaram todo o meu interesse e atenção. Neve, caçadores, renas, lobos, casas isoladas, xamãs e cães são alguns dos objectos de foco da fotógrafa e que, se estão pela cidade, não devem perder.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Quem me acompanha há algum tempo — ou convive comigo regularmente — sabe que privilegio um estilo intemporal e com pequenos toques arrojados, por vezes. Mas adoro acompanhar tendências! Estou longe de me sentir confortável neste universo da moda — porque existem conceitos e ideias que simplesmente não compreendo por ser mera utilizadora — mas gosto de observar qual o estilo que vai ganhando mais destaque ou a tendência que tem ganho fãs ao longo dos tempos. Além disso, acho que uma das minhas melhores qualidades é saber reconhecer em mim quais as tendências que resultam comigo e quais as que não foram feitas para a minha fisionomia ou gostos. Sou apologista de que devemos usar aquilo que gostamos sem medo de sermos felizes e acho importante encontrarmos a nossa identidade no que vestimos. Mas nem tudo grita o nosso nome, e é isso que quero partilhar convosco, sem represálias (respeito e compreendo qualquer pessoa que aprecie estas tendências, está bem?) Afinal de contas, isto apenas não é tão Inês.
Sapatos em bico | Quando penso em coisas inestéticas, é das primeiras peças que me vêm à cabeça. Acho que sapatos em bico não favorecem ninguém; alongam o pé, não deixam o pé nem o perfil bonito... Ainda não encontrei um modelo na minha vida inteira em que desse a mão à palmatória e confirmasse que, de facto, ali o acabamento em bico fica óptimo. Em mim? Atroz! Não me sinto bonita, não me sinto elegante, sinto-me totalmente ridícula. É sempre um drama comprar sapatos porque esta é uma tendência que não morre e que, à custa dela, já perdi muitos bons modelos. Será que podemos fazer mais sapatos arredondados ou em acabamento bailarina? Vá lá...
Sobreposição | A t-shirt ou camisola por baixo do top, macacão ou vestido é um gigantesco 'não' para mim. Há um facto que não duvido: o conforto. Sou a primeira a acreditar em todos os que me disserem que a tendência da sobreposição dá um conforto extra (especialmente para quem não se sente à vontade com decotes ou a exposição dos ombros). Só não consigo encontrar beleza, originalidade ou elegância nesta escolha e acabo sempre por me recordar dos meus treinos de basquetebol em que metade da equipa vestia um colete por cima da t-shirt para ser mais fácil identificar quem eram as adversárias. Acho que não há nada mais maravilhoso do que uma mulher segura e confiante no seu decote e sempre achei os ombros uma parte do corpo muito bonita e que vale a pena mostrar e valorizar. Por tudo isto, concluí que eu e a sobreposição não casamos.
Culottes | Tal como a tendência da sobreposição, não duvido que culottes sejam o tipo de calças mais confortável do mundo. Mas fico horrível. Não acho que se deva à minha altura — porque, embora mediana, gosto de me ver com saias midi ou vestidos mais compridos e não sinto que isso dê uma ilusão tão grande de que sou mais baixa (e não me importo se der) — mas sim ao facto de sentir que estou a vestir umas calças com três tamanhos abaixo. Como se tivesse a experimentar umas calças de corte palazzo indicadas para 12 anos. Sou muito exigente em relação às calças e aposto sempre em modelos que valorizem a minha silhueta e façam uma perna bonita, e não consigo encontrar isso numas culottes. Gosto do sentido de continuidade num par de calças e as culottes não me podem oferecer isso. Quando quero conforto e um corte que deixe um pouco dos meus gémeos e tornozelos à vista, opto uma saia.
Bobs | Quando tinha 12 ou 13 anos, achei que ficaria o máximo cortando o cabelo pelo queixo. Foi uma das decisões mais desastrosas que fiz ao meu cabelo — apenas superada quando achei que ficaria o máximo com um corte mais masculino (óptimo para o basquetebol, péssimo para a minha auto-estima) —. Muito se fala no formato do rosto para os cortes de cabelo mas a verdade é que não é o único ponto fundamental. Outros dois detalhes a reter (e estou a citar a minha cabeleireira, embora concorde) são o pescoço e o vosso tipo de cabelo. O pescoço, muito mais do que o formato do rosto, determina como o cabelo vai emoldurar a vossa cara, sabiam? O que eu aparentemente não percebia é que um cabelo liso como o meu (em que acordo como se tivesse feito um alisamento a chapa) não funciona num corte que precisa de algum volume para resultar. Foi de tal forma desastroso que tenho muitas poucas fotos dessa altura (e as que tenho, recuso-me a partilhar). Não sou propriamente fã, em geral, de Bobs muito curtos (o meu limite é a meio do pescoço) mas em cabelos lisos acho mesmo que não funciona. E em relação ao corte masculino, permitam-me partilhar esta história convosco: chorei tanto de arrependimento que o cabeleireiro nem se sentiu capaz de me cobrar pelo corte.
Bomber Jacket | Este é um facto caricato porque durante muitos anos fui bastante desportiva. Roupa que privilegiasse esse estilo era o meu good to go! E o Bomber Jacket não deixa de ser um tipo de casaco mais casual, desportivo e irreverente. Claro que já existem milhões de estilos diferentes e a tendência reinventou-se, mas nunca gostei de nenhum. O corte não me apaixona, o formato que dá ao corpo não me seduz, os estilos que aparecem nos manequins não me conquistam. No meio de tantas possibilidades de casacos e cortes, confesso que sempre olhei para Bomber Jackets com desinteresse.
Eyeliner | É quase de lágrimas nos olhos que afirmo que faço parte da microscópica percentagem de mulheres que não fica bem de eyeliner (sim, ela existe!). Demorei muito tempo a aperceber-me disto e inicialmente achava que a culpa era da técnica, ou da grossura errada, ou porque faltava colocar máscara. E ao fim de umas quantas tentativas, compreendi que é mesmo o eyeliner que não me fica bem. Já cheguei a partilhar este dilema com maquilhadoras e a grande parte é unânime: o formato do meu olho, descaído e meio 'triste' faz com que o eyeliner não consiga fazer um prolongamento bonito do olhar nem das pestanas, e as rugas de expressão que faço a sorrir também não ajudam. Não faço os típicos pés de galinha mas sim umas rugas que quase parecem aqueles olhos de Faraó e isso faz com que o eyeliner desapareça quando sorrio (a linha fica tapada pela ruga). Claro que a maquilhagem é um mundo de opções e tudo é contornável e possível com paciência e técnica, o problema é que me faltam as duas, portanto, acabo por desistir de ter um olhar de gatinha quando preciso que alguém me maquilhe. Nunca me sinto bonita nem valorizada — e era suposto isso acontecer, certo? Acho que não fui feita para ter um olhar de gata...
Uma vez mais, quero deixar claro que não tenho nada contra quem use estas tendências e que se sinta bonita com elas. Não levem a peito! Usem o que vos faz feliz, é a conclusão que quero que retirem desta publicação e que compreendam que não há problema nenhum se algumas coisas que 'funcionam para toda a gente' não funcionarem convosco. Somos únicos e isso funciona para o lado bom — conseguimos dar personalidade a uma peça de roupa que muita gente usa — e para o lado mau — nem sempre o que resulta em todos vai resultar connosco —. Partilhem comigo quais são as tendências que não funcionam convosco!
Sobreposição | A t-shirt ou camisola por baixo do top, macacão ou vestido é um gigantesco 'não' para mim. Há um facto que não duvido: o conforto. Sou a primeira a acreditar em todos os que me disserem que a tendência da sobreposição dá um conforto extra (especialmente para quem não se sente à vontade com decotes ou a exposição dos ombros). Só não consigo encontrar beleza, originalidade ou elegância nesta escolha e acabo sempre por me recordar dos meus treinos de basquetebol em que metade da equipa vestia um colete por cima da t-shirt para ser mais fácil identificar quem eram as adversárias. Acho que não há nada mais maravilhoso do que uma mulher segura e confiante no seu decote e sempre achei os ombros uma parte do corpo muito bonita e que vale a pena mostrar e valorizar. Por tudo isto, concluí que eu e a sobreposição não casamos.
Culottes | Tal como a tendência da sobreposição, não duvido que culottes sejam o tipo de calças mais confortável do mundo. Mas fico horrível. Não acho que se deva à minha altura — porque, embora mediana, gosto de me ver com saias midi ou vestidos mais compridos e não sinto que isso dê uma ilusão tão grande de que sou mais baixa (e não me importo se der) — mas sim ao facto de sentir que estou a vestir umas calças com três tamanhos abaixo. Como se tivesse a experimentar umas calças de corte palazzo indicadas para 12 anos. Sou muito exigente em relação às calças e aposto sempre em modelos que valorizem a minha silhueta e façam uma perna bonita, e não consigo encontrar isso numas culottes. Gosto do sentido de continuidade num par de calças e as culottes não me podem oferecer isso. Quando quero conforto e um corte que deixe um pouco dos meus gémeos e tornozelos à vista, opto uma saia.
Bobs | Quando tinha 12 ou 13 anos, achei que ficaria o máximo cortando o cabelo pelo queixo. Foi uma das decisões mais desastrosas que fiz ao meu cabelo — apenas superada quando achei que ficaria o máximo com um corte mais masculino (óptimo para o basquetebol, péssimo para a minha auto-estima) —. Muito se fala no formato do rosto para os cortes de cabelo mas a verdade é que não é o único ponto fundamental. Outros dois detalhes a reter (e estou a citar a minha cabeleireira, embora concorde) são o pescoço e o vosso tipo de cabelo. O pescoço, muito mais do que o formato do rosto, determina como o cabelo vai emoldurar a vossa cara, sabiam? O que eu aparentemente não percebia é que um cabelo liso como o meu (em que acordo como se tivesse feito um alisamento a chapa) não funciona num corte que precisa de algum volume para resultar. Foi de tal forma desastroso que tenho muitas poucas fotos dessa altura (e as que tenho, recuso-me a partilhar). Não sou propriamente fã, em geral, de Bobs muito curtos (o meu limite é a meio do pescoço) mas em cabelos lisos acho mesmo que não funciona. E em relação ao corte masculino, permitam-me partilhar esta história convosco: chorei tanto de arrependimento que o cabeleireiro nem se sentiu capaz de me cobrar pelo corte.
Bomber Jacket | Este é um facto caricato porque durante muitos anos fui bastante desportiva. Roupa que privilegiasse esse estilo era o meu good to go! E o Bomber Jacket não deixa de ser um tipo de casaco mais casual, desportivo e irreverente. Claro que já existem milhões de estilos diferentes e a tendência reinventou-se, mas nunca gostei de nenhum. O corte não me apaixona, o formato que dá ao corpo não me seduz, os estilos que aparecem nos manequins não me conquistam. No meio de tantas possibilidades de casacos e cortes, confesso que sempre olhei para Bomber Jackets com desinteresse.
Eyeliner | É quase de lágrimas nos olhos que afirmo que faço parte da microscópica percentagem de mulheres que não fica bem de eyeliner (sim, ela existe!). Demorei muito tempo a aperceber-me disto e inicialmente achava que a culpa era da técnica, ou da grossura errada, ou porque faltava colocar máscara. E ao fim de umas quantas tentativas, compreendi que é mesmo o eyeliner que não me fica bem. Já cheguei a partilhar este dilema com maquilhadoras e a grande parte é unânime: o formato do meu olho, descaído e meio 'triste' faz com que o eyeliner não consiga fazer um prolongamento bonito do olhar nem das pestanas, e as rugas de expressão que faço a sorrir também não ajudam. Não faço os típicos pés de galinha mas sim umas rugas que quase parecem aqueles olhos de Faraó e isso faz com que o eyeliner desapareça quando sorrio (a linha fica tapada pela ruga). Claro que a maquilhagem é um mundo de opções e tudo é contornável e possível com paciência e técnica, o problema é que me faltam as duas, portanto, acabo por desistir de ter um olhar de gatinha quando preciso que alguém me maquilhe. Nunca me sinto bonita nem valorizada — e era suposto isso acontecer, certo? Acho que não fui feita para ter um olhar de gata...
Uma vez mais, quero deixar claro que não tenho nada contra quem use estas tendências e que se sinta bonita com elas. Não levem a peito! Usem o que vos faz feliz, é a conclusão que quero que retirem desta publicação e que compreendam que não há problema nenhum se algumas coisas que 'funcionam para toda a gente' não funcionarem convosco. Somos únicos e isso funciona para o lado bom — conseguimos dar personalidade a uma peça de roupa que muita gente usa — e para o lado mau — nem sempre o que resulta em todos vai resultar connosco —. Partilhem comigo quais são as tendências que não funcionam convosco!
quinta-feira, 10 de maio de 2018
A nossa última paragem por Braga foi no Museu dos Biscaínhos. Erguido no século XVII, ao entrarmos no palácio fazemos uma deliciosa viagem no tempo; embora as nossas roupas e dispositivos tecnológicos nos relembrem da realidade, tudo o resto nos faz sentir que estamos a viver um verdadeiro quotidiano aristocrático de outras Eras.
Com fontes, roseiras que dão vida e cor ao espaço verdejante e recantos românticos que guardam em segredo todos os beijinhos que partilharem, vale totalmente a pena perder todo o tempo do mundo a contemplar este tesouro natural e desfrutar da zona sossegada que nos faz esquecer a cidade e mergulhar no som dos pássaros e dos ramos ao sabor do vendo. Sentimo-nos parte da História (de preferência, uma de amor).
Podem visitar o Museu dos Biscaínhos de forma gratuita todos os Domingos de manhã. Não há desculpas para pertencerem à realeza por um dia.
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