Maus


Publicado pela primeira vez em 1980, Maus surpreendeu as críticas pela positiva ao mostrar uma abordagem original e inesperada daquele que foi o massacre provocado pelo holocausto durante a II Guerra Mundial. 

Através da novela gráfica, o cartoonista Art Spiegelman conta a história verídica do seu pai, Vladek Spiegelman, e dos horrores que viveu enquanto judeu perseguido pelos Nazis e sobrevivente num campo de concentração. 

O que transforma esta história numa abordagem surpreendente é o facto de o autor ilustrar as personagens através da fábula, onde os ratos são os judeus e os gatos são os nazis alemães. Embora tenha quase uma nuance caricatural, nada neste livro puxa ao riso, muito pelo contrário: os cenários de sofrimento, perseguição e tortura são retratados de forma crua e real, sem paninhos quentes. 

Paralelamente aos relatos de sobrevivência de Vladek, temos também acesso a uma parte do que é viver no pós-guerra e de que forma as crueldades que foram vividas e/ou testemunhadas moldaram não só a forma de viver das vítimas, como também a educação que passaram às gerações mais novas. Ao longo da história, vamos observando que a relação do cartoonista com o pai é frágil e, muitas vezes, instável, em parte fruto de tudo o que foi vivido durante a II Guerra Mundial e que influenciou a dinâmica dos dois - incluindo a própria perceção de Art Spiegelman face a este momento terrível da História. 

Maus é um livro inesquecível, duro de processar mas fácil de ler num sopro e de desejar que a vida, a sociedade e a Humanidade como um todo sejam mais nobres que isto. É difícil de desenhar a desumanidade, mas Art Siegelman fê-lo como ninguém.

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Bertrand

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