segunda-feira, 12 de setembro de 2022

LIVROS | Talvez Devesses Falar com Alguém


Não me é característico, mas começo a review deste livro pelo seu defeito: saber que a capa e o título vão fazer com que muitos – ainda toldados pelo preconceito – não leiam Talvez Devesses Falar com Alguém. E é mesmo uma pena, porque não sabem o que estão a perder.

Talvez Devesses Falar com Alguém é da autoria de Lori Gottlieb, uma psicóloga que nos transporta para os bastidores da psicologia da forma mais ampla e extraordinária: mostrando-nos como é a terapia no lugar do terapeuta e no lugar do paciente. 

Ao longo destas páginas, verificamos que todo o livro é contado sob duas perspetivas (ambas verídicas): a Lori terapeuta, que acompanha a evolução de 4 pacientes – um produtor com problemas de ego, uma jovem com doença terminal, uma idosa que se sente pouco realizada e tem ideações suicidas no seu dia de aniversário e uma mulher que se sente na sombra das suas relações falhadas e do vício; e a Lori paciente que, após um evento que a deixa sem chão, procura um psicólogo e permite-nos, assim, perceber a sua própria evolução terapêutica.

Talvez Devesses Falar com Alguém é um livro com informação rica, histórias envolventes e verdadeiramente frescas, tocando num tema que, em muitos contornos, ainda é tabu. Mas o destaque vai para a conclusão final: todos nós beneficiamos com a terapia e tornamo-nos melhores com ajuda. 

Em cada capítulo, vamos criando empatia por todos os pacientes de Lori e com a própria Lori, que pega na nossa mão e nos mostra como não há idade ou circunstâncias que nos impeçam de tornar pessoas mais gentis para os outros e para nós. Mostra também (através da sua abordagem clínica e da abordagem do seu terapeuta) que os profissionais não são todos iguais e que não têm uma abordagem padrão para os mesmos problemas – e que isso não significa que um é melhor que o outro, mas sim que um irá combinar mais com uma tipologia de paciente do que o outro. 

Embora a capa tenha todos os clichés, não há nada de artificial no interior deste livro e destas histórias que me reconfortaram, emocionaram e surpreenderam. 

Comecei este livro ao acaso, num voo de regresso e com o coração apertado. Não acredito no destino, exceto quando o livro certo vem parar à minha mão e com as mensagens perfeitas no melhor timing. A mensagem final? Invistam na vossa saúde mental da mesma forma que vão ao dentista ou a uma consulta de rotina no médico. E leiam este livro.

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Bertrand

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