segunda-feira, 8 de agosto de 2022

PASSAPORTE | East Side Gallery


O Muro de Berlim foi a nossa primeira paragem de viagem e um bom contexto histórico de tudo o que a cidade nos reservaria. É o maior símbolo da Guerra Fria, separando os dois territórios da Alemanha: República Democrática Alemã (setor soviético) e República Federal Alemã (setor aliado dos EUA, França e Reino Unido). 


O Muro de Berlim foi construído a uma velocidade alucinante, com todas as luzes da cidade apagadas de repente, numa madrugada, para ser 'erguido' – na altura, apenas arame farpado – e, mais tarde, convertido num muro de verdade (é, também, por isso que lhe chamam de 'Muro Relâmpago'). Famílias, amigos e casas foram totalmente divididos, sem promessa de quando – e como – iriam voltar a ver-se. 


A estrutura militar e a censura que este muro simbolizou foi inacreditável. Números incontáveis de pessoas tentaram atravessar a fronteira (o muro), a maioria sem sucesso e com resultado letal. Nenhum dos lados conseguia obter informação do que se passava do outro e a comunicação era totalmente interdita. O Muro de Berlim, na verdade, era constituído por dois muros paralelos, e a área intermédia foi sugestivamente apelidada de ‘kill zone’. Mas tenho de admitir que aquilo que mais me impressiona no Muro de Berlim foi a quantidade de tempo que durou antes de ser quebrado: 28 anos (neste momento, a minha vida inteira). 


A queda do Muro de Berlim foi um grito de liberdade, e do que restou dele rapidamente foi convertido numa instalação; aquilo que observamos quando vamos à East Side Gallery – onde podemos caminhar por toda a extensão do muro que ainda se mantém – são instalações de vários artistas internacionais que foram convidados a pintar no antigo muro a sua interpretação de liberdade. Com várias correntes e estilos diferentes, todos os desenhos que encontram são várias visões de se ser livre, incluindo o famoso ‘Beijo Fraternal Socialista’. 

Ainda que cheio de turistas – recomendo-vos que visitem bem cedo, de manhã – e com uma nova roupagem, toda aquela zona tem um peso que se sente ao caminhar. A divisão ainda hoje se reflete nos edifícios e na história do país, e é quase surreal observar aquele colosso de pedra e pensar que, durante quase três décadas, o outro lado estava vedado (um para o outro). 


Vivemos tempos sensíveis e muito polarizados. Há poucos muros reais (mas existem), mas observam-se cada vez mais barreiras figurativas e digitais. Caminhar por lá não foi apenas um contexto histórico interessante e um bom simbolismo de como a liberdade quebra barreiras: foi um lembrete do quanto uma sociedade, uma cidade e uma nação têm a perder quando se dividem.

2 comentários:

  1. Sempre refleti sobre o Muro de Berlim do ponto de vista histórico e político: uma grande estrutura divisora, sobretudo, de comunismo e capitalismo e desenvolvimento. Todavia, não posso deixar de partilhar contigo que durante a leitura deste artigo uma nova reflexão sobre o Muro assolou a minha mente: muros que erguemos no dia-a-dia. Quantos de nós não erguem (in)voluntariamente muros psicológicos e físicos entre nós?
    Um beijinho.

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  2. Um local que gostava de visitar pela história que carrega como aqui referiste.

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