sábado, 16 de abril de 2022

MUNDO | Relevante ou interessante?


Há uns dias, caminhava enquanto escutava um episódio deste podcast que, entre vários insights, partilhou um comentário que, para mim, fez muito sentido e deixou-me a refletir sobre o tema: “É importante manter as coisas relevantes, mas também interessantes.” 

Embora o assunto da relevância seja um tema recorrente nas minhas reflexões e conversas – nos blogs, no marketing, nos nossos projetos de vida, aliás -, nunca tinha visto as coisas deste prima, mas fez o clique imediato em mim. 

Do ponto de vista profissional, a relevância é um dos fatores mais fundamentais. Não são raras as vezes em que a relevância é deteriorada ao serviço da quantidade e, à luz da forma como nós consumimos conteúdo ultimamente, parece-me uma estratégia insensata. 

Porém, de um ponto de vista pessoal, talvez falar só de relevância não chegue. Talvez este tema mexa mais comigo porque tenho este blog – e redes sociais que orbitam em torno dele – onde crio e planeio conteúdo. E quando o prisma é este (os nossos projetos criativos e pessoais, tenham eles retorno financeiro ou não), pensar na relevância parece-me já muito mais genérico. Porque o que está relevante no momento pode não fazer sentido para o que eu crio. Pode ser relevante, mas não interessante (ou estimulante) para mim. 

Talvez isto seja uma verdade de La Palice, mas quando penso a fundo neste tema, concluo que talvez não seja assim tão óbvio porque observo tantos atrás da relevância sem interesse. É uma corrida tão incessante para estar onde os holofotes e o barulho estão, que transformam tudo o que fazem sem que se sintam estimulados para o fazer. Perdem o seu senso de identidade porque deixam de fazer o que lhes interessa para fazerem o que 'está a dar' no momento. 

Quem diria que continuamos a ser adolescentes em busca de um sentimento de pertença até nas nossas próprias criações? E que triste, ou inquietante, que não tenhamos ultrapassado essa fase? 

Manter as coisas relevantes, mas também interessantes faz sentido para mim até no processo de inspiração e no meu senso de continuidade. Para que alimentemos as nossas criações, é inegável que deve existir uma certa capacidade de adaptação, oleada com disciplina e inspiração. E sim, muitas vezes isso torna-se possível através do estudo do que é que tem estado relevante e porquê. Será que conseguimos extrapolar alguns dos elementos do que tem sido relevante para os nossos projetos? Este é um processo com muita lógica, na minha opinião. 

Porém, no final do dia, especialmente quando o projeto ou a criação dos conteúdos é inteiramente dependente de nós, é o nosso interesse que nos faz continuar a andar melhor e mais depressa. 

A relevância sempre será fundamental em qualquer estratégia de continuidade. Mas ir atrás das coisas de forma a que permaneçam interessantes para nós é o que dá alma ao que fazemos e paixão ao que criamos. E embora ambos sejam conceitos muito etéreos, os resultados são palpáveis, assim como as abordagem que criamos.

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