segunda-feira, 27 de setembro de 2021

CERÂMICA | Dúvidas e Respostas


Terminaram, para já, as minhas aulas de cerâmica — embora eu já esteja a sonhar com as próximas! — e este foi um processo que quis partilhar convosco (de forma mais comedida aqui no blog, mais expansiva no Instagram, onde partilhei convosco os registos de cada etapa e o resultado final — bom ou mau, sem me preocupar com a perfeição). Não estava à espera de tantas perguntas e dúvidas, mas achei interessante explorarmos todas neste artigo. Esta é uma partilha de tudo o que aprendi/recomendo, se querem colocar as mãos na massa (ou, neste caso, no barro)! 


ONDE FAZER?
Na impossibilidade de conhecer todos os ateliers do país para vos recomendar, deixo-vos como recomendação para a região de Lisboa o hALL Atelier. As professoras são ceramistas, trabalham através do reforço positivo, ensinam-vos todas as técnicas e não existe limite de peças que podem criar. O que vocês imaginam, elas ajudam-vos a concretizar, além de que o barro é de qualidade (já volto a este ponto mais abaixo). 

A minha dica principal na hora de procurarem ateliers para fazerem cerâmica é prestarem atenção ao que está incluído no preço das aulas. Deixo, desde já, uma nota: aulas de cerâmica são caras. Muitos ateliers anunciam aulas baratas em que o material fica à vossa responsabilidade, onde o vidrado ou a cozedura não estão incluídos ou onde têm um limite de peças que podem criar (e o barato acaba por sair muito caro). Informem-se sempre se o atelier fornece o material, qual o limite de peças e se o custo das aulas inclui a cozedura e o vidrado. 

PODEMOS FAZER CERÂMICA EM CASA?
É muito difícil fazer cerâmica em casa porque o barro coze a altas temperaturas (quando digo altas, estou a falar na ordem dos 3000ºC!). É muito improvável que vocês tenham um forno com tal potência (os fornos que cozem o barro chamam-se muflas), e o barro não seca ao ar livre. Além disso, para que a vossa peça tenha alguma resistência, utilidade e um acabamento mais bonito, tem de ser vidrada (depois de cozida, fazem um ‘banho’ de glaze, voltam a colocá-la na mufla e ela ganha aquele acabamento brilhante ou matizado, conforme a vossa preferência). Só estes dois processos dificultam muito a execução de cerâmica em casa. Alguns ceramistas fazem as peças em casa e alugam aos ateliers o vidrado e a mufla. Diria que, se não têm interesse em profissionalizar a atividade, esta não é uma opção que compense financeiramente. 

O BARRO
Muitas vezes, ouvimos falar de loiça com diferentes nomenclaturas (grés, faiança...). Tudo isto é barro, o que diferencia é a temperatura a que é submetido para cozer. Outro aspeto interessante do barro é que o processo de cozedura faz com que mude de cor. Com a exceção do terracota (o barro castanho tradicional, que fica muito parecido depois de cozer), há barro que transforma completamente de cor. Por exemplo, eu trabalhei com barro cinzento que, depois de cozido, fica bege/amarelado. Isto é importante de saber para anteciparem se querem pintar a peça ou não. 

A PASTA DE MODULAR
No verão, fiz algumas peças em casa com pasta de modular e surgiram muitas dúvidas. A pasta de modular é o típico ‘barro’ com que brincávamos em miúdos e que seca ao ar livre. É importante perceber que esta pasta não é mesmo barro, caso contrário teria de ser cozida. Também é uma pasta com textura e exigências muito diferentes do barro, e por isso não acho que a experiência de mexer e trabalhar com os dois seja igual. A pasta de modular, pela sua capacidade de secar ao ar livre, é bastante desidratada. Isso faz com que seja necessário hidratar bastante a pasta para a trabalharmos (hidratar de uma maneira que o barro jamais necessitaria!). Aviso: se não hidratarem muito bem a pasta, ela vai criar rachas e fissuras ao longo do processo. Vão molhando a pasta com as mãos ou pincéis.

A pasta de modular também não tem propósito utilitário (não é segura para comer, beber ou levar ao microondas). Qualquer peça com pasta de modular tem de ter apenas o propósito decorativo. Para ela ficar com um acabamento mais bonito e próximo da cerâmica, podem envernizá-la no final (podem comprar o verniz em qualquer loja de arts & crafts). Também já existem pastas de modular de diferentes cores e aspetos, mas se quiserem pintar, o ideal será usarem acrílico.

O barro é mais agradável de manipular e muito mais fácil de trabalhar — ironicamente! Eu recomendo sempre que experimentem o barro porque é provável que tenham melhores resultados com barro do que com pasta de modular (embora a pasta de modular seja, obviamente, muito mais barata e possa ser feita em casa). 

A QUALIDADE DO BARRO
Este é um detalhe difícil de aferir antes de escolherem o atelier, mas a qualidade do barro também justifica o preço das aulas. Peças com barro de baixa qualidade vão criar ‘veias’ quando entrarem em contacto com água. Não se deve consumir nesse tipo de peças (às vezes, temos muitas delas em casa) porque essas fissuras pequenas acumulam bactérias que não conseguimos limpar na lavagem. Um barro de boa qualidade não faz ‘veias’.


barro com baixa qualidade (façam zoom para verem as 'veias') || barro com boa qualidade

OS TEKS
Para manipular e modular o barro como queremos, recorremos a instrumentos chamados teks. São espátulas de diferentes tamanhos que nos ajudam a trabalhar o barro. São muito baratos — mas bons ateliers disponibilizam-nos para vocês — mas um simples cartão de multibanco velho faz o mesmo propósito, caso não tenham nada em casa. 

TENHO DE TER EXPERIÊNCIA PARA TER AULAS?
Claro que não! A graça é aprender algo novo e ver uma peça nascer das nossas mãos. Com mais ou menos jeito, é um oportunidade para trabalharem numa atividade analógica e explorarem a vossa imaginação e criatividade.

Respondi a todas as dúvidas? Se tiverem mais algumas, deixem nos comentários! Tudo o que souber, respondo diretamente no vosso comentário, para enriquecer este artigo! Se já tiveram aulas de cerâmica, deixem também o nome dos vossos ateliers e uma breve review se recomendam ou não, para aumentar a partilha de experiências!

3 comentários:

  1. Quero tanto experimentar e foi deslumbrante acompanhar a realização das tuas peças! Esta publicação fez me descobrir coisas que desconhecia e agradeço-te que tenhas trazido este assunto, nunca ninguém falou dele e acho que pode ajudar outros principiantes!

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  2. Penso que não tenho jeito nenhum para moldar com as mãos, mas deve ser bem interessante fazer uma peça completa.
    Beijinhos
    Coisas de Feltro

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  3. Acho que deve ser uma experiência única :)

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