segunda-feira, 19 de julho de 2021

PASSAPORTE || Centro de Artes e Criatividade


Inaugurou, este ano, provavelmente o projeto mais esperado pelos Torrienses: o Centro de Artes e Criatividade. Embora o centro seja uma ode global à cultura e expressão artística, o seu foco principal está ligado ao evento mais popular e particular de Torres Vedras: o carnaval.

Sempre foi difícil para mim, Torriense, explicar a quem está de fora o que é o Carnaval de Torres Vedras. Não é que seja difícil de definir ou de relatar todas as atividades e tradições, mas é muito difícil de passar essa atmosfera singular sem que estejamos, de facto, em plena celebração do evento nas ruas.


Até à inauguração do CAC, não existiam muitas referências do Carnaval na cidade, o que significava que os turistas teriam de visitar Torres Vedras na época do Carnaval para conhecerem melhor o evento. A exposição permanente do CAC tenta colmatar esta falha, começando por uma introdução mais globalizada, explicando o conceito e tradições do Carnaval pelo mundo — e as características que os distinguem uns dos outros — e estreitando depois para a história do Carnaval de Torres Vedras, desde a monarquia até aos dias de hoje, passando pela história de alguns rituais como a Matrafona, por exemplo. A exposição termina com uma referência em fair play com outros carnavais do país, incluindo as indumentárias típicas e um contexto cultural.


Toda a visita é feita através de um áudio-guia que, combinado com a música animada de fundo e um acervo divertido e inusitado, entre fotografias e adereços, vai orientando o visitante. É possível que esteja a ser demasiado exigente, mas sinto que ainda não está perfeito: ainda não encontro a atmosfera que tento explicar aos outros — e que faz com que até quem não gosta de Carnaval ou de disfarces reserve sempre um dia para ir à noite de Torres Vedras — e senti falta de ver mais elementos que contem o ritual de escolher as máscaras, da preparação das escolas, dos materiais, dos lugares que marcam o percurso carnavalesco. Ainda está muito polido, estéril e sem grande carisma (será que quem fez esta instalação alguma vez foi ao Carnaval? Não parece). Tenho dúvidas de que esta visita ao museu resultaria num desejo irresistível de regressar para experimentar o Carnaval. Mas o caminho faz-se caminhando e acredito que este projeto poderá ser aprimorado e transmitir mais genuinidade e encanto. Há, sem dúvida, formas de o fazer.



A visita é gratuita nos primeiros domingos de cada mês e para estudantes até aos 6 anos e desempregrados. Visitem o site para consultarem outras circunstâncias onde podem obter 50% de desconto na visita.

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