sexta-feira, 4 de junho de 2021

FILMES || Maio • 2021


Consegui a proeza de viver mais de duas décadas em completa ignorância de Little Women, a história de quatro irmãs no séc. XIX que inspirou e fez parte do crescimento de muitas meninas, embora tanto o livro quanto o filme só tenham chegado a mim este ano.
Na adaptação de Greta Gerwig, o filme faz a junção dos dois livros de Louisa May Alcott, Little Women e Good Wives — a continuação de Little Women —, através de analepses que vão unindo o passado e presente das irmãs March: Jo, Meg, Amy e Beth.
Sinto que estarei a remar contra a corrente nesta observação (e prometo que a review do livro sai em breve!), mas confesso que gostei mais do filme do que do livro (rara exceção) por um conjunto de fatores, entre eles, a junção das duas histórias, o jogo de cores, música e luzes que nos ajuda a identificar temporalmente onde é que a história e os diálogos estão a decorrer (e também a observar a suave perda de inocência e o amadurecimento das irmãs) mas também pelo sentido de justiça que Greta Gerwig tentou dar à autora, que foi coagida a dar um rumo diferente do planeado à anti-heroína Jo, restando-lhe apenas a opção de matar ou casar Jo para que o livro, na altura, fosse editado (permitir a venda de um livro sobre uma jovem que ficava solteira, feliz e bem sucedida, numa altura daquelas, seria impensável). Se o Timothée Chamalet tem influência para preferirmos o filme ao livro? Deixo a resposta aberta ao público.
 
Ainda hoje estou a tentar compreender como é que o Diogo conseguiu convencer-me a gastar um cartucho de sábado à tarde para ver um filme sobre um meteoro que cai na Terra e provoca uma mutação em praticamente todos os insetos, anfíbios, répteis e aracnídeos, deixando-os gigantescos e provocando o caos. Sinto que a presença de um cão no plot ajudou-me a sobreviver a esta longa metragem.
Se tivesse de descrever este filme numa só palavra seria: salada. A produção tenta agradar Gregos e Troianos, misturando um pouco de todas as fórmulas num só filme: uma história de monstros mas que tenta ser comédia, com a adição de um cão mas, ao mesmo tempo, que tenta ser um filme sobre irmos atrás do amor. Parece confuso? É. Mas a sua superficialidade e algumas piadas mais frescas ajudam-nos a esquecer o verdadeiro caos do mundo real e a mergulhar neste sem demasiados remorsos no final.
 
Raymond Briggs é um ilustrador aclamado pelo público desde que publicou o seu livro ilustrando a história de amor dos seus pais — de tal forma que o livro rapidamente se transformou numa adaptação em filme, animado novamente pelo filho.
Ethel & Ernest não é uma história de amor intensa, com reviravoltas, términos e reconciliações. Na verdade, é bastante real e monótona, mas talvez seja por isso que eu adorei tanto este filme (ao ponto de se tornar num dos meus preferidos): o filme retrata a história de amor cheia de cumplicidade, tolerância e ternura de Ethel e Ernest, tal como ela foi e tal como eu acredito que o amor deva ser.
Juntos, Ethel e Ernest cresceram, amadureceram, viveram etapas de vida juntos, desafios pessoais, o caos da guerra e a evolução exponencial da tecnologia e da sociedade sempre de mão dada e com as únicas certezas de que, para tudo na vida, se tinham um ao outro e uma chávena de chá  — e isso bastava. Para mim, o amor é isto: um companheirismo, uma admiração mútua que não precisa de estar numa montanha russa de altos e baixos para ser intensa, especial e verdadeira. É a perceção de que eles não podiam ter estado com mais ninguém, e que tudo o que eles viveram não podia ter sido doutra maneira. É uma história de amor reconfortante e que me deixou a suspirar.
 
Esta adaptação da Netflix apresenta-nos Anna Fox, uma psicóloga que sobre de agorafobia — uma perturbação de ansiedade que incapacita o indivíduo de frequentar ambientes que não lhe são familiares ou que não lhe trazem segurança, sendo a consequência mais comum o aprisionamento voluntário em casa — e que tenta combater a melancolia e a doença com um cocktail perigoso de álcool, medicamentos e observação da vida dos vizinhos. É durante esse transporte da sua vida para a vida dos outros que a protagonista testemunha um crime — mas será que ela realmente viu o que viu?
 
Este é um thriller que, embora não tenha lido o bestseller que deu origem à adaptação, parece-me pertencer à fórmula atual de thrillers com protagonistas sobre-medicadas, dependentes de álcool ou drogas e cujas suas palavras são constantemente descredibilizadas pelo seu histórico clínico e hábitos de consumo, enquanto que o suspeito nunca é aquele que a narrativa aponta com maior desconfiança. Foi através desta linha que ambos desvendámos o verdadeiro criminoso nos momentos iniciais do filme e, a partir daí, fizemos uma viagem de confirmação enquanto a história cumpria todos os clichés.

A Mulher à Janela não foi um filme que me cativou ou que ficará na minha memória. Procurou forçosamente refletir a sua inspiração nos mestres do thriller (incluindo, naturalmente, Hitchcock) mas sem criar uma fotografia ou edição coesa, resultando em planos ou transições de gravação muito amadores.

Tenho sempre pena que muitos destes thrillers peguem em pontos de partida que, por si só, já são muito interessantes e que apenas os usem a serviço da demência da personagem. Eu gostava de ler uma história sobre o processo de uma personagem a combater a agorafobia de uma forma real e normal. Talvez seja um público de minoria. Vocês sentem o mesmo?

Já assistiram a algum destes filmes? Qual foi o filme que mais gostaram de assistir, em maio?

5 comentários:

  1. Vi "Little Women" e simplesmente adorei a forma de contar a história. Por comparação tinha os filmes anteriores sobre o mesmo tema e realmente este conseguiu trazer uma frescura à história, que pensei não poder acontecer. Gostei de como não é seguida uma linha temporal, o que nos obriga a ter uma especial atenção ao filme.
    No extremo oposto, o filme "A Mulher à Janela". Para mim foi uma deceção total, uma história pouco consistente, sem momentos de tensão realmente conseguida e tudo muito previsível e sem encanto.
    Beijinhos e bom fim de semana
    Coisas de Feltro

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  2. Confesso que em Maio quase não vi filmes, mas já tinha visto o Little Women e gostei bastante, quer da realização, quer das atrizes. Tenho uma girl crush na Saoirse Ronan, que é na minha opinião a melhor atriz da sua geração e é claro que o Timothée Chalamet tem muita influência, adoro-o!
    Beijinhos,
    Six Miles Deep

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  3. Oh, já não há favoritos? :(

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  4. Já ouvi falar de alguns dos filmes, mas ultimamente com a correria diária não estou conseguindo me concentrar e assistir muita coisa mas, dicas mais que anotadas para em breve eu maratonar.
    Beijos.


    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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