sábado, 8 de maio de 2021

LIVROS || Vantagens e Desvantagens do Kindle


O Kindle — e todo o universo de e-readers — entrou na minha vida há dois anos para nunca mais sair. Para mim foi uma enorme surpresa, especialmente porque me considerava uma ávida defensora da leitura de livros físicos. E penso que não estou sozinha nisto e que, a par de outras dúvidas — algumas das quais já tentei responder aqui —, está a atrasar a vossa tomada de decisão em para comprar ou não um Kindle. Como tenho dois anos de uso recorrente, decidi partilhar convosco as vantagens e desvantagens que identifico na minha experiência com o aparelho — e e-readers, no geral.

✔ Poupança: Tendencialmente, os e-books são significativamente mais baratos do que os livros físicos, e as promoções, campanhas e livros gratuitos são muito frequentes. Não só a própria Amazon, como outros sites têm e-books gratuitos que disponibilizam ao leitor. Tendo em conta que os livros são cada vez mais considerados bens de luxo, o e-book torna a leitura mais acessível — principalmente para quem é um ávido leitor e não tem condições para comprar vários livros físicos por mês.

É caro: Embora os e-books sejam tendencialmente baratos, um e-reader é caro. Neste ponto, é importante colocar os pratos na balança e considerar que pode ser um investimento com retorno — na medida em que vocês consideram que vai agregar vantagens nas vossas leituras e fazer-vos poupar dinheiro na aquisição de livros — ou que o esforço financeiro não compensa. Existem várias marcas e o Kindle continua a ser aquele que tem os preços mais acessíveis, sendo que a Amazon faz várias promoções ao longo do ano, principalmente nos modelos mais primordiais (que funcionam na perfeição para uma primeira experiência com e-readers).

Portátil: Desde que tenho o Kindle, o tamanho do livro não determina a altura em que o vou ler. Posso ter um livro com mais de 500 páginas na minha mala sem pesar, posso levar uma biblioteca imensa de livros para as férias — não ter o que ler deixou de existir — e o tamanho leve e compacto do Kindle adapta-se à maioria das carteiras.

Tamanho de ecrã: Esta não é uma desvantagem com que me identifique, para ser honesta, mas há quem nomeie os tamanhos de ecrã dos primeiros e-readers como uma desvantagem. Já existem modelos de ecrãs bem largos em comparação com o meu modelo — que está mais próximo de uma edição de bolso. Esta é uma desvantagem que refuto várias vezes porque os e-readers de ecrã largo são também mais desconfortáveis para suporte, não são tão portáteis e o ajuste das dimensões das letras em qualquer e-reader anula o desconforto de ecrãs pequenos. Portanto, não me identifico com esta desvantagem, mas por uma questão de transparência, partilho-a convosco.

Lemos mais: Parece inacreditável, mas um e-reader aumenta, de facto, o número de livros lidos ao final do ano — quer sejam leitores ávidos ou não. O facto de ser portátil, prático, mais barato e confortável parece contribuir bastante para este efeito.

Não tem muitos livros em PT: Uma desvantagem que o Kobo colmata em relação ao Kindle. Se não têm muito conforto para ler em inglês, o Kindle pode não ser o investimento ideal — recomendaria antes o Kobo. Muitos dos livros traduzidos são, também, traduzidos para o português do Brasil. É importante confirmarem esse detalhe no momento de aquisição de um e-book traduzido.

Aquisição consciente de livros físicos: É uma vantagem que identifico da minha experiência pessoal mas que pode funcionar para vocês também. Muitos perguntam-me como faço para ter a biblioteca de livros que sempre quis ou como faço se gostar muito do livro. E o Kindle ajudou-me muito a ter este filtro de aquisição: por norma, só compro a edição física se 1) já conhecer e adorar o/a autor/a; 2) se tiver uma edição maravilhosa (não, não é fútil, o trabalho dos designers tem de começar a ser mais valorizado); 3) se tiver lido no Kindle e tiver amado o livro. Por norma, o primeiro contacto é sempre pelo Kindle. Vou juntando os títulos de livros que amei e quero ter na minha estante para reler ou emprestar e aproveito as promoções. É uma forma mais sustentável de comprar livros, na medida em que sei que a aquisição que estou a fazer tem valor agregado (é um livro que gosto, logo, não me vou arrepender) e que acabo por poupar.

Sim, existe ressaca de e-readers: Vou confessar-vos que achava isto frescura, mas, ao fim de dois anos, dei por mim com uma 'ressaca' de ler em e-reader. Em mim, manifestou-se como a incapacidade de enxergar visualmente quanto é que me falta para terminar o livro. Não digo isto num ângulo competitivo mas o facto de o e-reader ter sempre o mesmo tamanho (e percentagens que nem sempre ajudam a aferir o avanço na leitura) dá-nos facilmente a ilusão de que estamos a ler o mesmo livro há muito tempo. Às vezes, bate mesmo a saudade do papel (e é para isso que eu compro livros físicos de autores que gosto e conheço, como expliquei no ponto acima) mas são 'ressacas' breves e pouco persistentes.

Sublinhar e guardar quotes: É o paraíso de quem tem dó de sublinhar livros. No e-reader podemos sublinhar, acrescentar notas e consultar num só lugar todas as citações que sublinhámos. É maravilhoso! Dá também para guardar páginas — tal e qual um marcador — e tirar prints!

Não está otimizado para consulta: Um e-reader não será um investimento que facilitará muito os vossos estudos ou profissões que envolvam uma biblioteca extensa de consulta. São ótimos para armazenar essa dita biblioteca e transportá-la para qualquer lugar, mas a consulta de páginas aleatórias e a visualização de vários livros ao mesmo tempo é muito ineficaz. Não acho prático para um estudante que quer saltar entre páginas de manuais diferentes, ou um advogado que tem de saltar entre códigos e artigos — embora seja fenomenal para atualizarem os códigos sem terem três volumes absurdos iguais onde só mudou uma palavra. O Kindle não está trabalhado para consulta, ainda.

Espero que este artigo seja útil!

5 comentários:

  1. Adiciono outra vantagem que para mim é das melhores:

    LER DEITADA DE LADO. PA-RA-Í-SO!

    Ou para quem partilha o quarto com alguém, que já adormeceu mas nós queremos ler um livro, o kindle com backlight tem sido um sonho para mim. Ou mesmo quando tenho insónias e não quero acender luzes, posso ler na mesma!!

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    1. Bem visto! A maior maravilha e eu não a partilhei! É para isto que servem os comentários :D

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  2. Tenho ouvido falar maravilhas mas para mim ainda não chegou a altura.
    Prefiro livro físico, até quando não sei, mas por agora sinto-me melhor assim.
    Beijinhos
    Coisas de Feltro

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  3. Tenho andado com muita vontade de comprar um e-reader, mas estou mais inclinada para um kobo. Talvez porque comecei a usar app deles. Antes era reticente em ler e-books, mas entretanto já me habitei e tomei-lhe o gosto. Só falta mesmo um e-reader, para ler melhor ;)

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  4. Como dona de Kindle há quatro anos, concordo com quase tudo, excepto: tamanho de ecrã (tal como dizes é bem prático ter um ecrã mais pequeno) e ressaca de e-reader (nunca senti). Quanto à questão da consulta é algo que me é um bocado indiferente, mas compreendo o que queres dizer, e em relação aos livros em português, começa a haver cada vez mais, felizmente. No entanto, como gosto de ler em inglês não me faz grande diferença.

    Algo curioso é em relação ao preço: é um investimento caro (seja Kindle ou Kobo), mas depende muito do tipo de leitor que se é. Se uma pessoa tenciona ler pouco nele não compensa, mas quando começas a contar, em poucos meses, a quantidade de livros que lês lá acaba por compensar. Ao todo, já li 166 livros no meu Kindle, pelo que acho que o investimento acabou por ser "barato".


    A Sofia World

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