segunda-feira, 29 de março de 2021

FILMES || Março • 2021



Aproveitei a programação especial Studio Ghibli, da RTP2, para me estrear n’O Mundo Secreto de Arrietty, sobre a protagonista do mesmo nome que é um ser humano minúsculo a viver secretamente com a sua família por baixo de uma casa em Tóquio. Como em quase todos os filmes deste estúdio, tem uma história envolvente e que fala de uma forma muito subtil, mas especial, sobre a morte e a amizade, e a importância de seguirmos em frente de cabeça erguida. É um filme incrível. 

Esta curta de animação para adultos é um soco no estômago. Não subestimem os 10 minutos de duração. Aborda, essencialmente o luto e o processo duro, muitas vezes cruel, que envolve a perda de uma pessoa que amamos — principalmente quando nos deixa inesperadamente e de uma forma tão desconcertante. É um tema muito sensível e melancólico, mas está representado com muito tato e é inevitável sentirmos empatia pelas personagens. Tem um final forte, desenhado ao pormenor para que nunca nos esqueçamos que, além da morte, há também um tema urgente a ficar presente na nossa memória (e na agenda política). 

Vencedor do Óscar de Melhor Atriz, A Favorita conta a história da intrigante relação entre a rainha Anne e a duquesa de Marlborough que se vê abalada com a chegada de uma nova aia que parece ganhar a preferência da rainha. Além da prestação sublime das atrizes, da fotografia e do guarda-roupa de sonho, gostei imenso de conhecer esta interpretação da história porque, de facto, estas três mulheres são figuras muito interessantes na História do Reino Unido e cada uma tem um percurso e legado individual muito rico. É curioso vê-las, assim, reunidas e interligadas, quase que oferecendo um paralelismo à sua história principal. Recomendo imenso! 

Este original da Netflix, nomeado para os Oscars, reproduz o julgamento verídico de 7 arguidos suspeitos por conspiração e incitação à violência durante uma manifestação contra a guerra do Vietname. Houve vários aspetos que me fizeram gostar bastante deste filme, sendo que o principal é que 90% do filme decorre no interior de um tribunal, ou seja, num só cenário. Este tipo de dinâmica, normalmente, necessita de uma fotografia excelente e de bons diálogos, que nos distraiam do facto de que estamos a assistir a um filme com pouca mudança de ambiente. E The Trial of the Chicago 7 consegue cumpri-lo com mestria. Tem uma narrativa muito simpática de acompanhar e realmente envolve os espetadores, deixando-nos investidos na história. Tem um foco essencial no racismo e na opressão velada pelo sistema, dois aspetos retratados no filme de uma forma desconcertante e que nos deixa inconformados. Por outro lado, tem um toque de humor muito sofisticado, que traz uma frescura à história e uma nova dinâmica. No final, confesso que me surpreendi bastante com a média de idades dos soldados que foram combater para o Vietname. Uma grande ignorância da minha parte — especialmente porque gosto de me intitular como uma amante fervorosa de História — mas não tinha, de todo, perceção de que os 19-20 anos eram a média de idades destes soldados e fiquei muito sensibilizada. É um filme que paira nas nossas reflexões muito depois de ter terminado e que nos dá vontade de vocalizar tudo o que aconteceu, só para processar. Tem uma mensagem clara, política e muito atual. 

Este foi um dos meus filmes preferidos deste mês. Protagonizado por Tom Holland, Cherry conta a história de um jovem que — num total desgosto de amor — segue a carreira militar e, depois de experiências verdadeiramente traumáticas no Iraque, regressa para uma vida praticamente destruída e à mercê da droga. Não é uma premissa original e, contado desta forma, quase que nos dá a entender que será mais um filme sobre o tópico de sempre, e até confuso pela mescla de temas. No entanto, acho que é precisamente a prestação do elenco e o próprio script do filme que demonstram que às vezes não precisamos de histórias inusitadas, apenas de contá-las através de novos ângulos. Todo o filme está dividido por partes e essa estrutura, combinada com a fotografia sublime, o jogo de luzes e a quebra da terceira barreira pelo protagonista, fazem de Cherry um filme muito interessante, muito artístico, mas também muito acessível. É um soco no estômago e o final — que me surpreendeu bastante pela positiva — deixa o público confortável para retirar desta produção interpretações diferentes. Será quase inato pensar que Cherry é um filme altamente crítico da glorificação militar (e é), mas retirei também a ideia de que expõe muito o quanto estes veteranos ficam desprotegidos depois de passarem por um inferno, e no quanto um sistema prisional (embora punitivo) consegue oferecer mais apoio do que uma vítima em liberdade a pedir ajuda — uma conclusão que também não é novidade. Em conclusão, não é um filme superficial, de todo, e desperta a vontade de conversar sobre o que acabámos de assistir num ecrã.

Já assistiram a algum destes filmes? Qual foi o vosso filme preferido de março?

2 comentários:

  1. Não vi ainda nenhum mas quero ver "A Favorita". É um dos géneros que aprecio bastante.
    Boa semana
    Coisas de Feltro

    ResponderEliminar
  2. O Mundo Secreto de Arrietty, é um dos que mais gosto do Studio Ghibli 😊

    ResponderEliminar

Quaisquer comentários que visem a ofender e/ou afectar a minha integridade, dos meus leitores, comentadores, bloggers ou entidades que refiro nas minhas publicações não serão aceites.

Quaisquer questões colocadas serão respondidas na própria caixa de comentários!

Muito obrigada por estares aqui :)