Desde que a Carolina partilhou a capa maravilhosa deste livro, fiquei rendida e determinada a lê-lo. Mas nunca pensei que por detrás de uma ilustração colorida e amorosa, estivesse um livro com uma história destas.
Uma Questão de Conveniência introduz-nos Keiko, uma mulher que se sente completamente desenquadrada da sociedade — e respetivas convenções — e que encontra no seu emprego (uma loja de conveniência) o conforto de que necessita para se sentir encaixada no mundo e feliz. Keiko não é casada, não tem filhos e as suas opções de vida são incompreensíveis para a maioria das pessoas que a rodeiam.
Numa leitura muito rápida e sem grande elasticidade na narrativa, Uma Questão de Conveniência é um livro sóbrio, sem grande dinamismo mas que nos concentra por inteiro na personalidade de Keiko e na estrutura social que montámos, ao longo dos anos, e que da qual muitos dependem para se sentirem completos e realizados. Num certo sentido, esta história recordou-me O Fabuloso Destino de Amélie Poulain; as premissas não são, de todo, iguais e o filme tem um encanto que é muito difícil de extrapolar de Uma Questão de Conveniência, mas ambas são protagonistas únicas, invulgares, um pouco incompreendidas e que não querem seguir o mesmo caminho que todos os outros (e nem sequer o entendem).
Não é o livro do ano, para mim, embora já tenha recebido alguns prémios, e o final não foi surpreendente (esperava-o, confesso), mas coloca as questões certas através de personagens fora do comum e que nos obrigam, também, a sair da nossa bolha de conforto e olhar para uns quantos chavões que tomamos como certos e inquestionáveis.
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Não conhecia, mas fiquei bastante interessada. Vai já para a wishlist de leitura! Obrigada pela partilha *-*
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