quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

FILMES || Fevereiro • 2019


Dois documentários, uma comédia romântica com uma história original, um filme desportivo e um drama. Foram estas as cinco produções que assisti em Fevereiro e que gostava de vos recomendar. Este novo formato procura colmatar a minha insatisfação com as publicações relacionadas com o conteúdo cinematográfico e tirar um pouco da carga dos Favoritos, pelo que, se gostarem e tudo correr bem, os filmes vão sair dos Favoritos e vão ter o seu tempo de antena mais alargado numa compilação de tudo o que fui assistindo, ao longo do mês. Poderão haver exceções, mas estou a gostar muito do resultado final. Mas esta casa também é vossa e, como são sempre muito honestos comigo — e é assim que eu gosto da nossa relação —, fico a aguardar o vosso feedback em relação a este novo formato. Combinado? 

O Meu Nome é Alice
Não é uma produção recente — estreou em 2014 — e já o tinha iniciado, há uns anos, mas não fui capaz de terminar de ver. Porém, desta vez considerei que era a altura certa para o assistir. Still Alice conta a história de Alice, uma professora de Harvard que, aos 50 anos, atinge o clímax da realização pessoal e profissional, porém, é diagnosticada com Alzheimer precoce — uma condição muito rara mas totalmente possível. O filme é uma apresentação crua e real — diria, até, uma cruel realidade — da decadência provocada por uma doença que é imparável, desde os primeiros sintomas à completa descaracterização. Ao longo da produção, observamos uma mulher forte, carismática, inteligente e experiente a perder todas as suas memórias e faculdades que ela considerava preciosas. Existe também um retrato muito fiel sobre a forma como as próprias pessoas ao seu redor — em especial, a sua família — lidam com uma doença que nunca afeta só a vítima. Não é um filme fácil, pelo contrário; é angustiante e mostra o quanto o Alzheimer é uma doença ingrata, sem paninhos quentes, mas conta com uma produção brilhante e com uma representação sublime de Julianne Moore — que lhe valeu o Óscar de Melhor Atriz. 

Raramente aprecio filmes desportivos — sinto que todos contam a mesma história — mas Amador tornou-se — sem grande competição, de facto — num dos meus filmes preferidos sobre basquetebol. É um original da Netflix que nos apresenta Terron Forte, um jovem de 14 anos que revela um enorme talento para o basquetebol, mesmo que limitado por uma perturbação de aprendizagem chamada discalculia: incapacidade de realizar funções de cálculo e leitura de números. Terron ganha uma oportunidade única de vingar na liga de basquetebol amador mas promete aos pais cumprir as suas funções e obrigações escolares.
Amador surpreendeu-me muito pela positiva, revelando-se um filme com um pouco mais de densidade na narrativa. Não deixa de ser um filme desportivo e muito dinâmico — típico deste género de produções —, mas também procura contar um lado sobre as bolsas desportivas americanas que raramente é exposto — mas muito romantizado — e trazer alguma da realidade que é a ascensão de um jogador, com inúmeras mensagens sobre valores e princípios. Recomendo muito, sejam fãs da modalidade ou não. Amador agrega uma mensagem importante sobre transcendermos os nossos limites e não deixarmos os nossos valores diminuírem, não importa o custo.

Assisti a este documentário da Netflix em constante dúvida se achava todo o acontecimento muito interessante — e de onde poderíamos retirar lições bem dadas — ou absolutamente cómico. Decidi abraçar as duas vertentes, já que Fyre serve como título para um documentário sobre o festival, do mesmo nome, que foi um fiasco. Em 2017, o Fyre Festival prometia ser um evento de música de luxo, localizado numa ilha paradisíaca, com um cartaz de sonho, área alimentar com cozinha de autor e alojamento sofisticado. E, graças às redes sociais e influencers, os bilhetes esgotaram num ápice, colocando, até, em risco o próprio evento Coachella. No entanto, foi cancelado imediatamente no primeiro dia por se revelar um total fracasso. Porquê?
Fyre é um documentário sublime acerca do quanto importa que a comunicação que queremos fazer no digital seja fiel à realidade e que não interessa quantos influenciadores e figuras públicas escolhemos para ajudar a trabalhar na campanha: basta uma pessoa totalmente anónima que faça um retrato real do que é oferecido para um conto de fadas digital terminar. Confesso que o evento, na altura, passou-me totalmente ao lado mas é um documentário incrível sobre todo o processo — e sim, dá vontade de rir em alguns momentos.

Eu, Malala
Confesso que nunca fui uma pessoa muito devota a ídolos (mesmo na adolescência, onde tive muito poucos). Não costumo idolatrar figuras públicas, sejam de que esfera for, e, por isso, quando me perguntam 'quem é o teu ídolo?' tenho muita dificuldade em dar uma resposta. Quem admiro de verdade, sem ser no meu círculo? Malala Yousafzai tem sido a minha resposta, sem grandes rodeios.
Disponível na Netflix e lançado em 2015 — dois anos depois do lançamento do seu livro homónimo — Eu, Malala é um documentário sobre a história da adolescente paquistanesa que foi atacada a tiro pelo Taliban por defender os seus direitos — e os direitos de todas as mulheres — a receberem uma educação escolar. O documentário tenta mostrar um pouco do paradoxo que é uma adolescente absolutamente normal ter em mãos tantas responsabilidades mundiais às quais dar o rosto e ser voz ativa — e o quanto Malala considera importante que a sua história seja um exemplo de não baixar os braços e continuar a lutar. Um outro ponto que achei muito interessante é a relação da influencia dos pais na construção de carácter de Malala. Ambos são muito diferentes e com convicções distintas, mas os dois refletem-se muito bem nos valores da filha. Não fazia ideia, mas existe uma grande controvérsia em redor da influência do pai no percurso de Malala e considerei que o assunto foi abordado com pertinência e respeito. Fiquei surpreendida com a cotação muito baixa em praticamente todos os sites de filmes — incluindo a Netflix — porque achei um documentário verdadeiramente agradável e que tenta humanizar Malala dentro do conceito 'ídolo feminista'. Quero muito ler o livro.

Amor.com
Tive curiosidade para assistir a esta comédia romântica brasileira pelo tema da história pouco usual mas muito atual: influencers. Amor.com conta a história de Katrina, uma influencer de moda de grande dimensão que se apaixona por Fernando, um youtuber gamer com pouca dimensão. O filme retrata a relação dos dois na abordagem íntima, privada, e a vida exposta e pública.
Considerei que Amor.com é um filme com uma temática muito pertinente mas que cai um pouco no exagero dos pontos-chave que procura chamar a atenção. Não é totalmente irrealista, mas é o tipo de filme onde decidem aglomerar nos protagonistas todos os defeitos e perigos de um trabalho que exige exposição, tornando o filme excessivamente dramático entre diálogos e acontecimentos, onde tudo o que existe de negativo sobre ser influencer, trabalhar com marcas e ter uma relação pública acontece. No entanto, a qualidade do elenco e a originalidade do guião tornam o filme numa curiosidade que não deixa de ter uma mensagem importante: sermos honestos à nossa identidade e aos nossos valores, seja entre quatro paredes ou aos olhos de milhares de pessoas. O humor leve e carismático também torna a comédia agradável de assistir. Não creio que seja um bom filme para usar como bandeira — o excesso de alarmes acaba por ter o sentido inverso na pertinência da discussão — mas é um bom ponto de partida para assistir e aguardar por outros projetos mais naturais. Alguém tinha de dar o primeiro passo (não deixei o link do trailer como nos outros porque acho que conta demasiado a história).

Já assistiram a algum?

4 comentários:

  1. Ainda não vi os outros, mas gostei de "O meu nome é Alice" :)

    ResponderEliminar
  2. Antes de mais, gosto muito da ideia destas publicações separadas! :)

    Só assisti ao Fyre e ao Eu, Malala e partilho a 100% da tua opinião quanto a ambos. Sinto-me péssima pessoa por me rir da malta do Fyre (que, na altura, também me passou completamente despercebido), mas...estavam a pedi-las! :p É o efeito "vou ao festival mas não quero saber da música" no seu melhor lol Quanto à Malala, fiquei um bocadinho dividida quanto ao papel no Pai: não sei até que ponto não martirizou a filha. Mas, ainda assim, reconheço nela uma força imensa e um exemplo de coragem!

    Quero muito ver o O Meu nome é Alice - já me tinha esquecido dele e relembraste-me. Mas com a consciência de que será pesado. A minha avó sofria da doença e por isso conheço bem esta realidade.

    Jiji

    ResponderEliminar
  3. Parece-me que este formato é uma ótima aposta :)
    Destes só vi "O Meu nome é Alice", é mesmo um filme forte, que nos angustia, que nos dá medo. Imaginar que podemos perder assim a nossa identidade, esquecermo-nos de onde são as divisões da própria casa e das nossas pessoas. É assustador.
    Beijinho

    ResponderEliminar
  4. Confesso que gosto mais de ler sobre cada filme de forma individual :)

    ResponderEliminar

Quaisquer comentários que visem a ofender e/ou afectar a minha integridade, dos meus leitores, comentadores, bloggers ou entidades que refiro nas minhas publicações não serão aceites.

Quaisquer questões colocadas serão respondidas na própria caixa de comentários!

Muito obrigada por estares aqui :)