segunda-feira, 27 de agosto de 2018

DAILY || Via Láctea


No nosso mundo, existem verdadeiros tesouros reservados aos lugares mais inesperados. Aquele que sempre me intrigou mais foi o céu. Como o meu céu é o mesmo que o vosso, mas mostra coisas diferentes a cada um de nós.

«Fecha os olhos e conta até dez devagarinho», para adaptar a minha visão à escuridão e assim ver tudo lá em cima com mais definição. No terraço da casa, sem se ouvir uma única alma. A lua escondida, dando uma visibilidade ainda mais privilegiada ao céu nocturno. De olhos fechados, apenas conseguia escutá-lo a ajustar o telescópio.

Nunca tinha visto a nossa galáxia desenhada no céu. Está reservada a noites com mesmo muita pouca poluição de luz e a lugares onde o céu nocturno é de facto escuro — ou regiões perto do Equador. Já tinha lido, imaginado e visto projecções. Mas nunca tinha visto aquele jacto esbranquiçado suave que os anciãos julgavam ser um esguicho do leite materno de Hera, mulher de Zeus — Via Láctea já faz mais sentido agora, certo?

Se existe algo que me emociona, com certeza, é o espaço e universo. De uma forma muito pouco alienada, eu garanto. Mas é quando olho para estes céus maravilhosos, que nenhuma cidade ou periferia pode oferecer, que me apercebo, de verdade, do quanto somos frágeis, minúsculos e insignificantes. Nada é mais arrebatador do que ver a nossa galáxia no céu, colossal, imponente, deslumbrante e lembrarmos que, efectivamente, nós somos um ser insignificante. Um ser insignificante que guarda dentro de si um Universo.

A Ursa Maior mais gigante que já observei também estava lá. Num brilho azulado como nunca antes tinha observado, serena. A Via Láctea desenha-se no céu como um grande rasto de avião, porém discreto. Só quem a conhece identifica-a no céu e não a confunde ou ignora. A observação da galáxia está reservada aqueles que realmente querem dar-lhe atenção.

Vimos juntos Júpiter ao telescópio e discutimos sobre o espaço. Tão reconfortante quanto ver um céu destes, é poder conversá-lo com alguém. E deixa-me tão feliz. Julgo que este meu fascínio pelas estrelas é, talvez, aquele que menos pessoas ao meu redor compreendem ou sentem na mesma intensidade. Este medo, esta sensação de pequenez, esta consciência do verdadeiro tamanho do Cosmos. As viagens mudam a nossa perspectiva de ver o mundo, as pessoas, as culturas, a forma de vida. O Cosmos muda a escala.

8 comentários:

  1. Que texto tão bonito! Na verdade, não sei muito sobre o cosmos e sou péssima a identificar costelações e coisas do género, mas gosto simplesmente de ficar a olhar o céu escuro com os milhões de pontinhos brilhantes e a lua lá no alto a iluminar. Acho que é uma visão maravilhosa e sinto-me muito abençoada por viver no campo, onde há noite a luz é pouca e o céu se vê bastante bem.

    Beijinhos,
    inesmartinsxx.blogspot.pt

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  2. Gostei de ler. É algo ótimo para se fazer, observar o céu :) beijinhos

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  3. Eu também tenho um fascínio fora do normal pelas estrelas. O céu. Normalmente ninguém fica tão entusiasmado quanto eu quando vejo algo ou contemplo o céu demoradamente... :)

    Há uns anos comecei a interessar-me por astrologia. Tenho aprendido muito sobre o tema, e cada vez acho mais interessante.

    Beijinho!!

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    1. Astrologia ou Astronomia? Pergunto mesmo com curiosidade porque já muitas vezes disseram-me que se interessavam por um e depois, durante a conversa, percebia que queriam dizer o outro. Eu sou super interessada por Astronomia e Cosmologia mas não acredito, de todo, em Astrologia :)

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    2. Referia-me mesmo a astrologia. Embora também me interesse por astronomia. É engraçado que a frase que vou dizer a seguir também a disse precisamente hoje, pessoalmente, em conversa com uma pessoa querida... - Eu também não acredito de todo em astrologia numa perspectiva de 'prever' o futuro. Mas acho-a fascinante quando estudada em profundidade numa via do auto conhecimento.

      E fascina-me ainda mais associar tudo isso ao céu nocturno. :)

      Ah, também devo dizer que toda a minha pesquisa e busca pessoal nesta área foram feitas com autores na língua inglesa. Em português acho a informação um pouco medíocre e tendenciosa. Não permite um aprofundar verdadeiro. No entanto, um autor português que gosto muito é Nuno Michaels, tem uma mestria imensa na escrita.

      Beijinho!

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  4. Que experiência arrebatadora que deve ter sido! Eu adorava um dia também poder ver a Via Láctea no seu.
    É por isso mesmo que eu gosto de olhar para o céu, por essa mesma sensação de pequenez. Julgamo-nos tão poderosos, mas somos pequenos fragmentos num grande e belo Universo. Há quem ache isso triste, mas eu acho isso encantador.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  5. Não és a única a ter esse fascínio pelo cosmos. Embora tenhas muito mais conhecimento, também me sinto amedrontada - mas no bom sentido - pelo facto de sermos o que somos, nesta galáxia. Concordo com muitos quando dizem que é egoísta da nossa parte julgarmo-nos os únicos seres capazes de um raciocínio lógico, no meio de tanto Espaço... A cada dia, vou-me esforçando por compreender, mesmo que intuitivamente, mas o certo é que, na eventualidade, esta sede ganhe outras proporções e me leve longe!
    Como sempre, ofereceste-nos uma narrativa brilhante, cativante e cheio de aspetos humanos que te caracterizam tão bem! Nunca desiludes, Inês! <3

    LYNE, IMPERIUM BLOG

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