segunda-feira, 15 de junho de 2015


Uma das palavras de ordem quando entramos na Faculdade é truques. Aprendemos truques para tudo, para chegar a determinados blocos, fazer coisas, alcançar objectivos e... no estudo também, mesmo quando os hábitos de estudo não são os melhores. Vou partilhar com vocês alguns dos truques que não dispenso!

1. Eu estabeleço um nível de compreensão
Cada vez que tenho uma cadeira para estudar, que normalmente está dividida em diversos temas, eu coloco junto ao título de cada tema um espaço para estabelecer um nível de compreensão, que vai de 1-10 e que escrevo cada vez que leio ou exercito essa matéria. Porque uso isto? Porque normalmente estudo tudo seguido o que significa que só volto a ler aquele tema depois de ter a matéria toda estudada e a classificação serve para eu ter noção do quão bem eu compreendi aquela matéria. Normalmente escrevo a lápis para ir reformulando a classificação à medida que vou passando pelo tema e, na altura das revisões, eu dou mais ênfase nas temáticas com classificações mais baixas. É uma forma de manter o meu cérebro em estudo sempre bem mapeado!

2. Os meus marcadores fluorescentes têm um código
Se forem como eu naquele truque do "sublinhar" o mais importante, vão ter um caderno arco-íris. Para mim tudo é importante e, especialmente em momentos de ansiedade, eu perco o discernimento do que é vital salientar. Portanto, os meus marcadores têm códigos e podem fazê-lo também. Por exemplo, tenho marcadores para as datas, para as palavras mais articuladas, para microorganismos (no caso de serem de ciências vocês sabem que isto é vital) ou para as gramas de macronutrientes que tenho de dar consoante uma doença ou para nomes importantes... E simplesmente sublinho esses pormenores! Não há limites para a vossa codificação e podem usar o número de marcadores que quiserem mas o meu conselho é keep it simple e quanto menos melhor porque senão acabam por ter o efeito arco-íris na mesma.

3. Ver vídeos no youtube da matéria
Isto pode parecer a coisa mais perigosa de sempre e foi exactamente isso que pensei quando no meu primeiro ano a minha melhor amiga disse que estudava bioquímica com ajuda de vídeos do youtube. Mas dei uma oportunidade e realmente pode ser um excelente truque. Existem duas formas de verem vídeos no Youtube:
-Vídeos de explicação: em que têm um indivíduo a explicar-vos determinada matéria e isso pode ser super útil porque é uma espécie de explicador naquelas matérias mais confusas e porque geralmente eles tentam fazer render o sucesso dos vídeos com muitos exemplos e gravuras, coisa que muitas vezes escassa nos nossos materiais de estudo ou, se for como nas minhas cadeiras, muitas são as vezes que aparecem gravuras e esquemas sem nada lá explicado. Em inglês ou brasileiro não considerem a língua um entrave ou motivo de desconfiança nem considerem também como um único meio de estudo mas sim como um suporte de estudo e compreensão. Acompanhem o desenrolar da explicação com os vossos apontamentos e, em espírito crítico, verifiquem se está de acordo com o que vos leccionaram e anotem os pontos em que tinham mais dúvidas. Já sabem que há terminações diferentes mas em coisas como bioquímica, fisiologia, biologia celular, química vocês têm carradões de vídeos muito bons e que valem a pena ver!
-Vídeos de animação: como referi, muitas vezes aparecem nos meus slides imagens ou esquemas sem nada a explicar e, muitas vezes confusos e isso acontecia-me n vezes em fisiologia, patologia, biologia, bioquímica... E eu gosto de ser uma estudante que aponta todo o processo portanto, se não está lá escrito, eu faço questão de o fazer e nem sempre a imagem é assim tão linear. Outra coisa que pode acontecer é eu ler o processo e não estar a conseguir visualizá-lo, o que dificulta a minha compreensão e o que faço é pesquisar precisamente o nome desse processo e vocês não têm ideia da quantidade de animações que existem com explicação. Tive grandes ajudas especialmente nos processos de DNA/RNA e PCr mas têm de quase tudo e é um auxílio fabuloso. Eu foco-me mais nas ciências porque é a área onde estou mas tenho a certeza de que para o pessoal das letras e social e matemática (imensos!!!!!!) vai encontrar muitas ferramentas de ajuda também, give it a shot!

4. Treina a escrita rápida
Quanto mais rápido conseguires escrever, mais apanhas nas aulas. Usa e abusa das abreviaturas, aprende a escrever sem ver, deixa-te de complexos por os apontamentos de aulas não serem todos bonitos, o importante é sacar o máximo de informação. Tudo é permitido!!!

5. Desenha
Perde tempo a desenhar. Por vezes achamos que é uma engonhice mas pode ser uma grande ajuda para visualizarmos o processo. Não é desenhar com corzinhas e tudo a nível de Picasso, é desenhos feios mesmo, todos tortos com milhões de setas mas que, no final da gatafunhada, olhas para aquilo e pensas "okay, já percebi".

6. Não tenhas problema em ligar a alguém a dizer que não percebes "puto" da temática
Quase todos somos reticentes a estudar em grupo e todos sabemos porquê, o que acaba por ser um bocado o entrave-chave para não ligarmos uns aos outros quando temos dúvidas, ou até enviar mensagem. Eu confesso que isso não me aconteceu muitas vezes e as pessoas ligavam e ligam-me tal como eu o faço e trocamos mensagens pela simples razão de que muitas vezes estamos tão inebriados com uma forma mecânica de pensar que não conseguimos sair dali, ganhamos uma pala ridícula nos olhos e não há volta a dar. E ligar a alguém pode fazer a diferença. Não é ligar sem perceber nada da matéria nem é ligar 300 vezes para 300 perguntas, tenham respeito pelo estudo da outra pessoa também. Mas se estão há horas a empancar numa parte do estudo não metam na cabeça que têm de compreender tudo sozinhos. Liguem ao número de pessoas necessário até apanharem bem a matéria. Por vezes a forma irreverente de outra pessoa pensar pode ser a chave para vocês conseguirem tirar essa pala e dar a volta. Um truque? Optem sempre pela pessoa mais comunicativa. Porque o que vocês querem é uma explicação simples e esclarecedora, alguém que vos exemplifique ao máximo e consiga conversar com vocês em meios como o telefone. A última coisa que vocês precisam é de um punhado de folhas de apontamentos, isso só traz mais ansiedade. Se for último recurso, aceitem, mas se puderem recusar digam que preferem que vos expliquem isso oralmente e só depois aceitam apontamentos para anotações futuras.

7. Gravem-se a falar
Pessoal com carro, mp3, e que tem aqueles textões infinitos para marrar, esta é para vocês! Por muito que a vossa voz seja horrível em gravação, borrifem para isso porque só vocês mesmo é que se vão ouvir. Gravem-se a ler a matéria e não se esqueçam que não pode ser monocordicamente, leiam com ênfase e entoação e, se quiserem adicionem explicações improvisadas no final da leitura. Nos tempos mortos como as viagens para casa, as esperas por alguém ou outras situações em que os livros não estão por perto, é só pôr no play. Em anatomia o rádio do carro era a minha voz. A nossa memória acaba por apanhar inconscientemente certas ideias e memorizá-las, especialmente pelo tom da vossa gravação, vocês acabam por decorá-la como uma melodia e vão apanhar-se a repetir as coisas tal como quando começam a ouvir uma música nova. Desinibam-se e comecem a declamar!

Espero que vos ajude! Bons estudos!

domingo, 14 de junho de 2015


Celebrar o dia da criança da melhor forma: Quando fui ter com ele enviei-lhe uma mensagem dizendo "Friendly reminder de que hoje é o meu dia" e ele respondeu que obviamente estava preparado para isso e tive direito aos meus desejos de criança, incluindo pizza, uma tarde de estudo que podia perfeitamente não existir, um serão a ver Ridiculousness e muitos miminhos! 

From Prague, with love: Não é o ursinho mais adorável? É tão bom quando se lembram de nós em viagens...

Galinha com Amêndoas para sempre: Eu raramente recuso convites para jantar em vésperas de frequência. Pode parecer contra-producente mas aquele tempinho que eu tenho com pessoas adoráveis serve justamente para relaxar, acalmar o estômago e falar sobre outras coisas. E com uma família sempre pronta a livrar-nos das ansiedades, nada melhor do que roubando o camarão de surra!

Mimar-me: Há imenso tempo que não punha os pés num centro comercial pelo simples capricho de andar e mexer em tudo. Os trabalhos e frequências tiram-me sempre esse tempo em que posso tentar subir o meu nível feminino e aproveito-o assim que me vejo de tempo livre para trazer miminhos como aquela t-shirt, a bolsinha de Londres e ainda outro que vão ver mais abaixo!

Polaroid Family: O meu amor pelas fotografias em papel já começa a ser tão grande que não cabe nos meus quadros. Já não há ímans ou pinos que suportem tantos bons momentos e isso não é, obviamente, um motivo para parar de as ter nas mãos, portanto, a tela desta vez é a parede e acho que até consegui fazer um bom trabalho, mesmo com aquele ar torto eu acho que isso lhe dá ainda mais piada. Estão tantas boas memórias ali...

From Azores, with love: Mais miminhos maravilhosos de uma ilha que visitei há precisamente 10 anos atrás e que adorei. Gostava de poder lá ter voltado mas desta vez apanhei uma frequência pelo meio e uma coisa é estudar a viajar outra é faltar a avaliações para viajar, coisa que é impensável para já para mim. Por isso trouxeram-me estas coisas todas fantásticas para me alegrar e matar saudades, incluindo os m&m's birthday cake que já aqui tinha falado na minha visita à ALS, umas pulseiras com basalto (a pedra vulcânica típica da ilha) e ainda um livro relacionado com a cozinha típica açoriana. Adorei!

Fim das aulas, can I get an Ámen?! Estava nervosíssima de manhã com a minha última avaliação e, enquanto tomava o pequeno-almoço, disse-me: "Quando saíres vamos comemorar a tua pseudo-liberdade e vamos beber uma bebida fresca num dos teus lugares favoritos, combinado?". O prometido foi devido e pude aproveitar um meio da tarde na melhor companhia e com uma pepsi com um gosto fantástico a limão e a sensação de dever cumprido (ou esperemos que sim!)

Biologamos? Fiquei mesmo feliz por sentir que o podia ajudar quando ele me perguntou se podia auxiliá-lo no seu trabalho de investigação. Não sou do seu curso e, apesar de em muitos assuntos e cadeiras termos as mesmas bases e conseguirmos conversar sobre essas áreas, há muitas outras coisas que me passam completamente ao lado, especialmente as mais ligadas à vida animal e menos à vida humana. Por isso, sentir que consegui fazer aquilo que eu lhe pedi com sucesso e até ajudá-lo a pensar de uma perspectiva diferente fez-me sentir que a minha ajuda foi realmente útil e que conseguimos trabalhar em equipa... E saímos de lá com umas histórias bem caricatas e umas fotos incríveis! Ah e 1% mais de consideração da minha parte por pássaros. O Diogo matar-me-ia se não escrevesse que agora gosto 1% mais de pássaros.

Manta minion: Conhecendo o meu primo e o meu namorado, eu sei que esta manda não vai durar. Estou a contar os segundos para ver quem é o primeiro a roubá-la. Mas foi a minha compra mais cobiçada de sempre pelos dois e não é para menos, I mean, é uma manta minion, o que não há para adorar?! E é tão gira e amorosa! Só havia uma, mesmo a sorrir para mim, à minha espera, e a garantir a sua exclusividade à minha pessoa. Mas sei que um dia vou acordar sem a amarelinha perto de mim. Vou ter de me zangar com os dois.

A juntar a este post quero dar-vos mais dois favoritos sobre aplicações, coisa que não costumo fazer porque as minhas apps são muito banais mas descobri este mês estas duas que me fizeram apaixonar e que acho que valem a pena partilhar. A primeira é a 8tracks que eu desconfio que não deva ser uma novidade para vocês mas é para mim por sempre ouvir falar dela mas nunca ter dado uma oportunidade. Basicamente é uma aplicação de música onde podem criar playlists ou ouvir playlists de outras pessoas mas sem a parte chata do Spotify de terem número limitado de skips ou da publicidade. É perfeita para esta fase em que estou agora em que estou a ficar cansada das músicas que tenho e ando à procura de novas mas simplesmente quero deixar as músicas correr sem me preocupar em fazer grandes pesquisas. Eu ainda não fiz playlist nenhuma por enquanto e tenho-me divertido a ver as temáticas das pessoas mas sei que não vai durar muito até eu criar uma. Se começar a fazer querem que partilhe o meu user para pesquisarem as minhas escolhas musicais?
A outra eu acho que é a dádiva que todos precisamos e se vocês já a conheciam eu oficialmente odeio-vos por não me terem dito: Tubex. E o que é o Tubex, Inês? O Tubex é o Youtube, precisamente o Youtube mas deixa-vos sair da aplicação e mexer no telemóvel sem travar a música, como acontece no Youtube. Milagre??? Sim, podem agradecer-me erguendo-me um altar com bolo de brigadeiro lá. De nada.

Por fim, e agora sim, as minhas músicas on repeat deste mês!
Stranger In a Room - Jamie XX


Qual foi o favorito de que gostaram mais?


É triste que estejamos em pleno século XXI e o elogio entre mulheres seja visto ainda como algo irreverente e revolucionário ou, visto por más línguas, falso. Que as mulheres são artificiais umas para as outras quando dizem que outrem está bonita ou fica bem em determinada coisa ou que até apreciam a sua companhia. Que fiquem felizes pela felicidade das amigas. É triste que em pleno século XXI ainda se oiça "eu tenho mais amigos rapazes porque tenho más experiências a fazer amizades com raparigas". 

Há aqui uma particularidade muito entranhada no mundo feminino desde milénios que é a comparação. O universo da mulher é fortemente empurrado para uma reflexão do que é que nós temos e não temos em comparação às outras. Porque as morenas é que são as melhores, porque as baixinhas é que são as mais apetecíveis e porque mulher tem é curvas. Todas estas atrocidades são baseadas numa só palavra: comparação. A mulher compara-se de uma forma medonha e absurda e fica mal resolvida consigo mesma quando os resultados não são positivos. Muitas das vezes o facto de ficar mal resolvida é o que a faz ter um comportamento mesquinho infundamentado, egoísta e feio, em que tem de fazer elogios artificiais ou comentários maldosos ou até puxar à má educação aos outros para se sentir melhor. Porque aquilo que ela fez a outra pessoa sentir comparada com o que ela já é fá-la sentir-se melhor. Porque não partilhar a felicidade da amiga seria submeter-se ao facto de que ela tem uma vida muito melhor e muito superior à sua e não pode compactuar com tal comparação. Basta!

As mulheres são incrivelmente fortes e especiais e é ridículo que canalizem tamanho dom para comportamentos tão infantis e egoístas! Vamos parar de rebaixar as outras mulheres porque ninguém é melhor que ninguém. Somos tão únicas, tão irreverentes, tão chatas, tão complexadas, por que razão vamos querer ser tão cruéis também? Por que é que não podemos encorajar as mulheres que estão do nosso lado? Por que é que não podemos enxergar as nossas qualidades e reconhecer as qualidades de quem está ao nosso lado, por muito diferentes que sejam?

Aqui me confesso: eu não tenho problemas em elogiar e nunca fui desonesta nos meus elogios. Eu fico feliz pelas minhas amigas estarem felizes (mesmo quando sou eu que estou no fundo do poço), eu torço por elas! Eu sei apreciar a beleza de alguém e evidenciá-la a essa pessoa mesmo quando sou uma batata de categoria C, eu faço por passar força e coragem para outras mulheres. E não me podia ser algo mais natural, tudo isto que faço. E o que de mal estiver com a minha vida, é com a minha vida, sem culpa dos outros e eu mesma resolvo, sem crueldade alheia. Eu quero ser simpática e estabelecer empatia com raparigas e quero sentir que isso é um acto natural e importante e não algo revolucionário porque ser simpático não devia ser um acto revolucionário mas sim imperativo na sociedade. E eu estou a falar de simpatia genuína. Vamos parar de deitar as pessoas abaixo, vamos parar de ter inveja, vamos parar de nos compararmos e olharmos ao espelho com desdém de nós próprias porque, por muito que tal possa ser difícil, nós não merecemos tamanho sentido crítico em nós próprias. Dêem-se uma chance de serem lindas e deixem as mulheres à vossa volta serem lindas também. E, se o sabem, digam, sem artificialidades ou mesquinhices e poupem-se de picardias e comentários feios. Sejam belas pelos vossos valores! Sejam o melhor de vocês mesmas! E se são assim, orgulhem-se por serem incríveis!


Este é um desafio que daria pano para mangas, já que sou uma pessoa tão musical e onde a música faz, realmente, parte da minha vida, mas decidi escolher uma parte bastante exclusiva da minha vida para ser nostálgica: viagens. Como sabem (já escrevi no Bobby sobre isso, pelo menos) as descolagens marcam-me sempre, especialmente porque vou acompanhada por música e, de uma forma quase mágica, a música que ouvir, seja ela qual for, da qualidade que tiver, fica para sempre na minha memória como a-música-que-ouvi-quando-descolei-de-X-para-Y. E, claro, fico sempre nostálgica. Por isso decidi, dentro das músicas que tenho, três descolagens com músicas agora inesquecíveis! Acompanham-me?


Heartbreak Dream - Betty Who (Lx-Barcelona a estudar Patologia e Toxicologia) [2014]

Bright Lights - 30 Seconds to Mars (Veneza-Lx a estudar Microbiologia) [2013]

sábado, 13 de junho de 2015

Não sou uma pessoa muito feminina numa quantidade gigantesca de detalhes e normalmente a minha mala está sempre cheia de comida. Se me virem na rua, a não ser que tenha a, segundo o meu namorado,  minha imagem de marca que é uma mochila castanha às costas, as minhas preferências de mala são sempre grandes, não porque guarde o mundo inteiro lá dentro mas porque preciso para levar para a Faculdade com a lancheira do almoço lá dentro e ainda as pastas de casos clínicos, dá jeito para não ter trezentas coisas na mão.

Mas agora que fiz uma limpeza e tirei de lá as coisas típicas que uso no Inverno (luvas, um termo para levar chá) e ficou tudo muito mais arranjadinho, pensei porque não? 


Levo comigo a minha agenda para todo o lado porque é mesmo o meu disco externo que se lembra de compromissos inadiáveis e de datas que nem ao Diabo lembraria se não as apontasse e tenho também um bloquinho vermelho mais especial onde faço anotações de coisas que me inspiram. Tenho ainda duas bolsinhas, a de Londres e uma transparente do Mickey onde levo os batons do cieiro todos, os brufens alheios, soro (o pessoal das lentes e dos dramas todos oculares percebe bem este essencial), escova de dentes portátil, lenços de papel... Tenho sempre esta tralha toda comigo! As carteiras, o telemóvel e as chaves de tudo basicamente, com aquele chinelo que já tem imensos anos para me fazer lembrar o Verão. No fim ainda um pacote de bolachas Maria com a dose certa de pão e equivalentes. Este pacote nem é tanto para fazer de lanche porque eu como bem mais que esta dose mas eu faço questão de ter sempre algo comestível na mala eternamente (de preferência doce e rápido de comer) para uma possível emergência, um ataque de fome provocado por muitas horas sem comer ou se alguém precisar e se sentir mal. Enfim, ossos de nutricionista! Uma coisa que não está aqui mas que vai sempre comigo também é uma garrafa de água, é infalível e geralmente fica na lancheira e pastilhas, mas como só as costumo ter em alturas de stress, já não estão aqui.

E vocês, que levam nas malunfas?


Acho tanta piada a esta disparidade de estilos de vida em diferentes pontos do mundo... Uso o Snapchat para conseguir estar próxima dos meus amigos, ver o seu dia-a-dia e isso significa que tenho uma amiga na Suíça, Irlanda e ainda Brasil, mas vou falar em especial das duas primeiras. Enquanto os típicos snaps dos meus amigos portugueses são as cervejas e as gravações de vídeos à noite com a música, eu raramente recebo snaps delas na noite (também recebo, mas são raríssimos) e recebo imensas vezes snaps a tomarem o pequeno-almoço com os amigos em cafés super giros, brunchs, passeios. 

Eu acho que a cultura portuguesa é muito borguista e isso é algo com que nunca me identifiquei muito. Eu preferia mil vezes acordar à nove da manhã e ligar a uma amiga para irmos experimentar um novo brunch ao café do que ficar até às 4h da manhã num arraial. Mas eu sei que se ligasse a quase qualquer amigo meu às 9h da manhã ele ia mandar-me bugiar porque teve uma noitada "agressiva" e tinha de dormir. E, nesse sentido, eu não sou portuguesinha de todo.

sexta-feira, 12 de junho de 2015


Fiz o cadeirão do semestre ontem. Fiquei tão nervosa a abrir o email que até tive de me sentar nas escadas, tal era a falta de confiança. Depois, com as mãos todas a tremer gritei-lhe "EU FIZ, EU CONSEGUI FAZER!" e ele só espreitou da cozinha com um prato cheio de nuggets estendido para mim e fingindo cara de desdém respondeu "Óbvio que fizeste, qual é a novidade de que és fantástica?" e piscou-me o olho.

Estou tão aliviada.

terça-feira, 9 de junho de 2015


Cada vez mais a blogosfera quer passar uma mensagem a quem lê o seu blog. Ou seja, querem ter um blog útil, interactivo, pessoal mas não intimo. Querem que as pessoas recorram-no para saber coisas e, possivelmente, simpatizar e identificar-se com quem escreve do outro lado. E a minha opinião de leitora? Cada vez mais há uma aproximação e preferência por bloggers não anónimos. Eu lamento amigos, e não vos estou a atacar. Mas é uma ligação quase involuntária e humana, associarmos o rosto e uma possível conexão à sua vida pessoal (não íntima) e temos uma abertura mais simples para criarmos empatia por quem nos escreve. Ou talvez seja só eu, mas também já fui anónima e sinto isso agora.

As pessoas querem ler menos diários sobre chatices com a família e arrufos com o namorado e querem mais experiências positivas e pequenos momentos simpáticos. Menos intimidade, mais pessoal, repito-o vezes sem conta porque acho que nem toda a gente compreende a diferença. Eu posso falar aqui sobre a minha família, amigos, amor de uma forma genuína, pessoal, minha. Mas não aprofundo questões que têm de ficar entre nós, entre os nossos olhos, as nossas memórias, conversas, desaforos, momentos e declarações. Isso é nosso e não é útil para quem nos lê. Só alimenta más interpretações, conflitos e exposições em coisas que não queremos. Ou bisbilhotices, como a maior parte tem medo.

Eu tinha medo de sair do anonimato porque achava que iam gozar por escrever um blog e fiz um filme. Mas depois percebi que não passava mesmo de um filme porque ninguém me chateia, ninguém me liga 300 mil vezes cada vez que publico algo e até têm orgulho no que faço. É um hobby meu, escrever, fim. Não é um drama e ninguém conhece-me mais ou sabe mais da minha vida por ter gostado de ir ali ao cinema ou por o meu namorado dançar comigo ao som de Singing in the Rain ou por gostar de cheesecake. São detalhes de mim que as minhas pessoas já sabem e que são através deles que vocês conseguem ligar-se comigo, não num sentido de pormenorizar e mapear a minha vida mas no sentido de nos ligarmos, de estabelecermos experiências conjuntas, histórias e momentos partilhados, de nos identificarmos. De nos ligarmos. E por isso sou bastante feliz por poder assumir qualquer sucesso do Bobby e de poder partilhá-lo sem pudor.

É claro que qualquer blogger anónimo consegue fazer isto. As experiências estão lá, eu posso identificar-me à mesma e quem está confortável desta maneira é do lado que durmo melhor e, sim, eu vou continuar a espreitar esses blogs e a melgá-los com comentários, não podia ser mais simples. Mas, da minha experiência, esta ligação foi muito mais fácil quando "sai do armário". Foi mais natural, mais real. Não sei se perceberão o que quero dizer. Também sinto que isso fez com que conseguisse pôr um travão quando quisesse falar de cabeça quente e que me fez pensar "Okay, estás aborrecida com X mas vamos pensar em coisas boas para partilhar, não vamos descarregar na Internet, vamos dar a volta" e isso faz com que quase sempre o meu blog seja ar fresco para mim e reflicta coisas positivas mesmo em dias mais nublados. Mesmo no fundo do poço, em Novembro e Dezembro, eu tentei focar os meus posts em força e optimismo, eu tentei tirar coisas boas. E é o melhor exercício que podia fazer, ajudou-me imenso.

Não dispersando mais, eu acho que a blogosfera tem cada vez mais identidade, seja ela como for. Não se ofendam, eu não me dirijo a ninguém e tomem este post como uma experiência pessoal e uma reflexão da minha estadia por aqui, que já vai longa. Muito sucesso para todos vocês, é o que desejarei sempre, com a maior honestidade!

domingo, 7 de junho de 2015

Sinto que a nossa cultura musical vê a música brasileira num canudo onde só o funk e as baladas sertanejas existem, o que não podia ser um tiro no pé maior. Sim, eu conheço os dois lados da música brasileira, o que ainda agora referi em especial por causa do Carnaval mas longe estou de me referir a esse estilo quando digo que gosto, e que vale a pena apreciar a música brasileira.

Culpem os meus pais que têm um reportório de cd's e música infinitos cá em casa e que sempre iam alternando cd's nas viagens de carro (a não ser as cassetes da Barbie, em pequena eu detestava música infantil) e por isso conheci gigantes como Caetano Veloso muito além do Leãozinho, Adriana Calcanhoto bem antes do "avião sem asa", Maria Betânia e tantos outros. A música brasileira tem qualidade e algo que só a eles lhe pertence: calor. As músicas, seja em que ritmo forem, têm um quente na alma que nos aquece também e nos faz embalar em bons pensamentos e num sotaque que puxa os 40 graus Celsius. As letras são envolventes e muito bem trabalhadas e eu penso realmente que perdem um tesouro quando remetem a música brasileira para os Piradinhas e Ai Se Eu Te Pego. Lamentavelmente a perda é vossa.

Deixo-vos aqui algumas das minhas músicas favoritas. Espero mudar um pouco o prisma! Continuo a ficar fascinada com a qualidade das letras das músicas.








sábado, 6 de junho de 2015


Em Edimburgo havia um centro de exposições completamente dedicado a ilusões do cérebro. Foi lá que vivi uma das experiências mais cómicas e mind fuck de sempre. Havia de tudo lá, desde figuras que te criavam ilusões para outras figuras, experiências científicas, quadros que, quando te punhas frente a frente ficavam a 3D (havia um de uma tarântula gigante e não vamos falar do berro que dei). Havia também um labirinto de espelhos, entre muitas outras coisas, mas a diversão alvo da experiência que vos disse ali em cima que vivi foi um túnel.

Estava num canto e era um túnel com uma ponte normalíssima de ferro, rendilhada no chão para vermos o que estava por debaixo dela. Estava envolta por um cilindro que tinha projectado uma espécie de estrelas, como se estivesses a ver o universo e as estrelas circulavam à volta do cilindro no sentido dos ponteiros do relógio. Se nos colocássemos à entrada ficávamos maravilhados porque parecia um túnel do tempo, algo que nos convidava a atravessar e a querer viver todo um mundo galáctico no interior. Era sedutor e fascinante. E isso fez com que não lesse a placa que explicava o objectivo do túnel, portanto, quando eles me disseram para ser a primeira a entrar não via, de todo, a malícia escondida naquele acto tão cavalheiro.

Assim que entrei dentro do túnel, aquilo começou a andar para o lado direito. A ponte estava a inclinar-se e tudo começava a rodar e eu, em pânico, agarrei-me imediatamente ao corrimão à espera que a ponte parasse. Mas não parava e quanto mais eu esperava, mais se inclinava e mais tonta me sentia. Num acto de reflexo, fechei imediatamente os olhos e encostei-me no canto da ponte para não embater contra o corrimão. E só aí tive concentração suficiente para perceber que todo o meu grupo ria. E para me aperceber também que, de olhos fechados, a ponte não se mexia. Lá abri os olhos e vi-os quase a chorar a rir e a ponte a andar outra vez. Voltei para trás (que nem foi muito, só dei um passo antes de aquilo tudo rodar) e finalmente percebi: as estrelas.

As estrelas rotativas no sentido dos ponteiros dão a ilusão ao teu cérebro de que tudo à tua volta roda e perdes o equilíbrio. Completamente, começas a andar para a direita e nem por sombras consegues equilibrar-te de forma a prevaleceres para a esquerda. Vês a ponte girar e sentes a necessidade inata de te agarrar, até porque as tuas próprias pernas estão a falhar. Quando vi de fora todos eles a entrar, fiquei parva a ver a figura, tudo direito e eles a andarem para o lado como se tivessem despejado 3 garrafas de vodka. É mesmo de chorar a rir e nem todos conseguiram atravessar a ponte. Mas eu quis, e de olhos abertos, portanto, arranjei balanço e estômago e atravessei aquilo em marcha o mais rápido que pude, e quanto mais andava, mais aquilo inclinava para o lado ao ponto de tropeçar nos meus próprios pés. Mas consegui chegar à outra ponta!

Foi das experiências de ilusão mais loucas que tive e mal posso esperar por um dia voltar a ver aquele túnel, era sensacional.

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