segunda-feira, 1 de novembro de 2021

FILMES | Outubro • 2021


Sinto que é importante começar esta review com a nota de que nunca li Dune e que fui ver esta adaptação de 2021 completamente às cegas. Já a minha companhia era um verdadeiro fã que não só leu o livro como estava com receio de como esta adaptação iria resultar. Dune é conhecido pelo seu universo rico em detalhes, personagens, regras e enredos, o que sempre se tornou difícil para a indústria cinematográfica de reproduzir de forma a conquistar quem não conhece a história e de dar um miminho aos fãs da série de livros. Já existem várias adaptações de Dune, a maioria, segundo a crítica, sem grande sucesso em cumprir estes dois touchpoints

Dune, na versão de 2021 e com Timothée Chamalet no papel principal, parece ter finalmente conseguido. Não foi uma produção ambiciosa: o filme apenas apresenta uma parte da história (com a promessa de que talvez venha mais). Mas a introdução é orgânica e toda a história é, aparentemente, fiel ao livro. Este é um filme que tem como objetivo deixar que o espectador seja meramente uma testemunha e que não integre a história. Não sei se, numa Era em que tudo tem de ser atrativo em 15 segundos, isso pode resultar, mas eu adorei que fossem fiéis a esse princípio e que tenham feito uma produção que procurasse agradar os fãs e convencer os leigos a ir atrás desta história. A fotografia é magistral, a banda sonora não me convenceu a 100% (não havia mais orçamento para o Hans Zimmer fazer mais do que uma produção?) e o nosso Timon estava 10/10. Vejam no grande ecrã, vale muito a pena!

Estava com grandes expectativas com O Caminho da Vitória, um drama que conta a história de Jack Cunningham, uma ex-promessa do basquetebol que caiu na ruína após a perda do seu filho, a rutura do casamento e a entrega ao álcool como escape. O convite para se tornar treinador de uma equipa caótica parece ser o caminho para dar a volta e recuperar alguma esperança. Este foi um filme muito acarinhado pelo público mas confesso que, embora tenha uma pós-produção fantástica, não o adorei. Achei uma história anémica.

 
Ainda no cartaz, O Último Duelo recupera a história verídica de D. Marguerite, esposa do cavaleiro Jean de Carrouges e que, em plena época medieval, arrisca a sua vida para acusar o escudeiro Jacques Le Gris de a ter violado. Esta era uma acusação perigosa para a mulher: a única forma de provar que a acusação de Marguerite era verdadeira era através do julgamento de Deus, materializado num duelo até à morte entre o suspeito (Le Gris) e o marido de D. Marguerite (Carrouges), onde quem sobrevivesse provaria a verdade. Caso Carrouges morresse, a denúncia de Marguerite não só seria considerada falsa, como a própria seria acusada de bruxaria e condenada à morte. 

Esta é uma história contada sob três pontos de vista, e o interessante desta produção é que, ao vermos a mesma cena desenrolar três vezes, também nos apercebemos de pequenas subtilezas e mudanças na forma como as personagens interagem (e a forma como as nossas idiossincrasias e vaidades filtram aquilo que acontece na realidade). Sinto que conseguiu transmitir uma ideia muito difícil de concretizar quando se fala em assédio e violação: a ideia de que o agressor pensa não ter feito nada de errado. Observar a forma como interpreta os sinais e comportamentos é um reflexo de algo que não ficou no passado. É um filme desconcertante (para o qual alerto que pode ter gatilhos) mas que faz um retrato muito interessante sobre o plano secundário da mulher num mundo regido por homens (mesmo quando são elas que fazem o mundo andar).

Já assistiram a algum destes filmes? Qual foi o vosso filme preferido de outubro?

1 comentário:

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