quinta-feira, 18 de abril de 2019

PASSAPORTE || As Portas de Dublin


Uma das maiores referências turísticas de Dublin, para alegria de todos os amantes de fachadas e arquitetura, são as portas de Portobello, um bairro lindíssimo com ruas de perder de vista, cada uma com uma fachada relativamente banal, se me permitem a ousadia, e onde a protagonista é mesmo a porta.


The Dublin Doors são uma das heranças mais acarinhadas do estilo Georgiano, que fortemente marcou a arquitetura da capital nos seus tons escuros com prevalência do tijolo vermelho ou acastanhado. Associados às portas, estão ainda dois mitos urbanos caricatos que procuram justificar a tendência colorida. Um deles conta que quando Príncipe Albert faleceu, marido da Rainha Vitória, esta ficou com o coração tão despedaçado que ordenou que todas as residências se apresentassem com uma bandeira preta colocada em frente da casa, em sinal de luto. Por esta altura, a Rainha Vitória não estava no auge da sua popularidade na Irlanda, uma vez que o país tinha sofrido, sob o seu reinado, A Grande Fome, que ceifou a vida de milhões de pessoas e obrigou tantas outras a emigrar. Segundo o mito, alguém pintou a sua porta num tom colorido em sinal de protesto e o gesto assim se repetiu nas restantes moradias.



Já numa onda mais divertida, um outro mito conta que as portas coloridas serviam para que os maridos alcoolizados soubessem qual era a sua respetiva casa, uma vez que as residências de Portobello são todas geminadas e com fachadas descaracterizantes. Assim, eles só se teriam de lembrar da cor da porta para entrar na casa certa. Aparentemente, os casos de mulheres que tinham de ir resgatar os maridos às portas erradas era frequente e procuraram arranjar uma solução mais pragmática!



Num contexto mais realista e sério, acredita-se que as portas têm uma predominância nos tons de amarelo, verde, azul e vermelho por serem tons mais acessíveis de comprar, no entanto, a variedade de cores é imensa e, para alguém que sabe muito pouco distinguir nomes de cores — como eu — a tarefa pode revelar-se difícil, mas a beleza é inegável. Vale a pena guardarem o mapa no bolso por um bocado e deixarem-se perder no bairro, entre portas coloridas, cada uma mais bonita que a outra.

1 comentário:

  1. Sabes, um dos pormenores que eu gostei muito no postal que me enviaste foram as portas. Parece ser mesmo algo que caracteriza Dublin :).
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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