quinta-feira, 31 de agosto de 2017

LIVROS || Um Ano de 5YJ - As Minhas Reflexões


Amanhã irei iniciar a minha segunda ronda anual do meu Five Year Journal, o que significa que, hoje, terminei o primeiro ciclo, 2016/2017. Para quem não está inteiramente familiarizado com este projecto, deixo o link AQUI da publicação que fiz a explicar o conceito e ensinar-vos como podiam fazê-lo através de um DIY. De uma forma resumida, um Five Year Journal é um diário onde respondem a uma pergunta por dia, todos os dias, durante cinco anos e assim podem ver a evolução/diferença/consistência das vossas respostas à mesma pergunta, ao longo de cinco anos.

Parece inacreditável que já tenha passado um ano desde que vos ensinei como podiam fazer o vosso 5YJ personalizado e que o iniciei. A sensação é paradoxal; se, por um lado, sinto que passou num sopro, por outro, aconteceu tanta coisa na minha vida e tantas mudanças... Incluindo no caderno! Inicialmente, comecei com um caderno em branco normal e, a meio do ano, encontrei este diário, que facilitou imenso o meu processo de separar os anos e escrever as perguntas. Ficou muito mais bonitinho.

Sinto-me entusiasmada por ter cumprido este projecto porque tinha medo de perder a motivação a meio, mas acredito que existiram dois elementos fundamentais para conseguir concretizá-lo; o primeiro foi a diversidade de perguntas e o seu respectivo grau de dificuldade, algo que também vos aconselhei no DIY. Respondi sobre tudo e mais alguma coisa: música, televisão, dinheiro, amor, pessoas, blogues, sonhos, ideais, frases, pensamentos, itens da actualidade. E, numas noites, as respostas eram quase monossilábicas, sem exigir muita reflexão, noutras eu sentia a caneta a pousar no diário para reflectir sobre a intensidade da questão. O segundo elemento foi ter encarado este projecto com a devida leveza. Não me martirizava se me esquecesse de escrever uma resposta num dia (especialmente quando ia viajar e não o levava comigo), regressava lá e registava, e deixava-o sempre na minha mesinha de cabeceira sem grandes pompas e circunstâncias. Literalmente fui escrevendo e, quando dei por mim, ao fim de alguns meses, já sentia que era um ritual antes de dormir: passar os cremes, beber o último gole de chá, responder à questão do dia.

Por estas páginas passaram os mais variados estados de espírito; escrevi respostas a chorar, desesperada de ansiedade, com um sorriso de orelha a orelha e uma excitação quase impossível de perder para o sono. Escrevi zangada e distraída também. Escrevi à pressa e devagar. E embora só amanhã é que vá iniciar a parte intrigante e curiosa deste projecto, que é responder de novo às perguntas e ler as minhas respostas anteriores, este ano inicial foi muito incrível e deixou uma marca de quem sou e da época em que vivo. Aqui fica o registo de uma Inês de 21/22 anos, que vivia em Portugal em 2016/2017 e que registou quais eram as suas músicas, museus e blogues preferidos, que livros estava a ler no momento, que viagens concretizou e quais estão nos sonhos, quais são o itens do agora que são preciosos, quem são as pessoas que, neste ano, fizeram sentido na sua vida e que gostaria de levar para sempre, que sonhos, medos e objectivos guarda dentro de si, como é que vê o mundo agora e como é a Inês nos detalhes mais românticos e também nos mais desinteressantes. Talvez registar a temperatura de hoje ou a que horas me fui deitar não seja de enorme relevância, mas revela um detalhe de mim, ou do momento que vivi. Estão ali pequenos pedaços de Inês e do Século em que vivo, que me molda e me direcciona de uma forma diferente do passado e, com certeza, do futuro.

Dá uma trabalheira enorme escolher e inventar perguntas, escrever os anos em filinha e lembrar de responder. Mas dá um gozo enorme, hoje, ver na minha mesinha um diário que está cheio de registos de quem sou eu no dia-a-dia, nos detalhes mais ínfimos e que assim vai continuar por mais quatro anos. Amanhã, as folhas ficam em branco de novo e respostas diferentes são tão válidas como as consistentes. Estou a registar o meu crescimento.

Uma pergunta muito típica que me fazem quando digo que estou neste projecto, é qual foi a questão que mais me marcou. Tenho uma, particular e infelizmente inesquecível; no dia em que a Laika morreu, a minha questão era "Quantos animais de estimação tens?". Há coincidências de fazer o coração abalar.

Na altura, muita gente estava motivadíssima para iniciar o seu 5YJ. Agora que já passou um ano, quem são os resistentes? Ainda têm o vosso diário? Continuam a registar? Estão a gostar? Que reflexões retiram das vossas respostas?

10 comentários:

  1. Estamos sintonizadas: graças a ti, também começo amanhã o meu novo ciclo. Tal como tu, também encarei esta atividade com uma certa leveza, mas tenho de admitir que sabe mesmo bem chegar ao fim do dia e poder refletir um bocadinho, sobre coisas mais ou menos pessoais!
    As minhas reflexões vão de encontro às tuas. Porém, tenho algo a acrescentar: já fui espreitar a pergunta de amanhã (que é qualquer coisa como "que decisão desejarias não ter de tomar?") e apercebi-me de que a minha resposta se mantém. Confesso que até tive um arrepio por perceber que há coisas que, num ano, ainda não consegui resolver na minha vida.
    Beijinho*
    http://nouw.com/juu

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    1. Se te fizer sentir melhor, a minha questão de amanhã é precisamente a mesma que a tua e a minha resposta também se mantém. Às vezes precisamos de mais tempo para nos transcendermos e não há mal algum nisso ;)

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    2. Sem dúvida que me fez sentir melhor, pelo simples facto de me levar a perceber que não há mal nenhum em ir mais devagar... O timing não é uma coisa padronizada, mas às vezes custa-me perceber isso - tanto quanto me custa "desacelerar".
      Obrigada por aliviares um bocadinho este fardo pequenino!

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  2. Para ser sincera, comecei na mesma altura do que tu, mas cingi-me apenas ao mês de Setembro. Amanhã, lá vou eu fazer mais uma pequena introdução - é mais por estes textos que consigo estabelecer comparações de mim mesma -, e ao longo do mês volto a responder às questões que respondi no ano passado. Preferi assim pois sei que sou bastante distraída e me farto com facilidade, e sempre será bastante curioso estudar-me a partir de um simples mês, reconhecendo depois as vivências e experiências após os doze meses! ♥

    Beijinhos,
    LYNE

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  3. Fiquei curiosa :) Não conhecia o conceito, mas já tenho o teu post a ensinar ali em cima nos separadores, para ler já a seguir.
    Obrigada pela partilha! Sinto sempre que aprendo coisas diferentes, no teu blog :)

    Beijinhos
    Maria

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  4. Eu sou uma resistente e tornou-se indispensável! Adoro-o e hoje já reli aquilo que escrevi no ano passado, tem sido tão giro! Eu por vezes punha coisas ao lado como momentos marcantes tipo sei lá, neste dia estava na Áustria ou neste dia tirei um 20 a História de modo a ser mais do que questões mas um diário e sentir que naquele mesmo dia eu fiz aquilo. É um cunho pessoal que adicionei e não o faço muito constantemente só em ocasiões especiais. Obrigada pela ideia Inês!

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  5. Gostei da ideia logo quando a partilhaste no início mas entretanto passou um ano e ainda não fiz o meu :(

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  6. O caderno é tão lindo! E a ideia parece verdadeiramente incrível em termos de auto-reflexão e evolução. 😊
    Beijinhos.

    http://nepheshing.blogspot.pt ✨

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  7. lembro-me bem de quando introduziste este tema na blogo :) em outubro o meu começa do zero também :b

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  8. Fiquei super curiosa com este projeto, pois de certa forma marca algo que aconteceu num dia tão comum que provavelmente, sem esse registo, seria esquecido...
    Vou ler o outro post que deixaste aqui e vou ponderar seriamente em fazer um para mim!

    Beijinhos,
    http://www.anaslogic.com/

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