quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

MUNDO || Vamos Falar Sobre Nichos?

Cada vez mais o mundo do marketing e comunicação têm assumido a importância do conceito de nichos. Seja numa campanha, num perfil de redes sociais, nos blogues ou noutras plataformas, o futuro parece ditar que vinga melhor quem cria para um grupo altamente específico de pessoas com interesses muito particulares e sem fugir muito ao círculo de temas que esse nicho engloba. 

É algo que profissionalmente compreendo e trabalho com, mas pessoalmente não me entusiasma nem desperta em mim grande concordância. Fico de coração partido quando um criador que admiro e acompanho diz que irá focar-se no seu nicho. Estrategicamente, sei que está a ser lógico e inteligente mas pessoalmente desanima-me, assim como a ideia de fazer do meu blog um conteúdo de nicho — embora, hoje em dia, muitas pessoas já considerem isto como nicho. 

Aquilo que mais adoro no ser humano é a nossa pluralidade. Gosto tanto que já falei sobre isto, em 2017, aqui. Já pararam para pensar na vastidão de coisas que gostam, temas que acompanham e assuntos que vos entusiasmam? Alguns até parecem diametralmente diferentes! Mas faz parte do nosso design! Gostar de moda e, ao mesmo tempo, política; ser fã de música e sustentabilidade; literatura e tecnologia. Tudo é possível! 

Durante muito tempo, as plataformas digitais eram um reflexo disso, dessa pluralidade: tirávamos fotografias ao nosso lanche e ao último livro que lemos. Falávamos sobre beleza e, de seguida, sobre desporto. Vídeos sobre comportamento e reviews de aparelhos eletrónicos. E estava tudo bem se o público se dividisse porque é um reflexo natural; uns acompanhavam mais certo tipo de temáticas, outros preferiam os restantes conteúdos e ainda outros acompanhavam os dois porque ambos os temas lhes interessavam. E ninguém abandonava o espaço porque compreendiam que uma pessoa é variada e, por isso, o seu leque de interesses para comunicar também. 

E do ponto de vista de um consumidor? Também não me consigo encaixar nos nichos. Emocionalmente, porque gosto de ter vários estímulos nos espaços que frequento (até os digitais); eu quero acompanhar várias coisas diferentes, algumas totalmente opostas porque me ajuda a abrir a mente e a ter uma informação mais globalizada. Estrategicamente, porque não quero estar numa bolha, não quero que o algoritmo fique programado para me mostrar um tipo de conteúdo, um tipo de opinião, um tipo de corrente, um tipo de produtos. Não me reflete enquanto consumidora — muito menos ainda enquanto pessoa. 

Compreendo que os nichos funcionam e que, para muitos criadores, é a única forma de se reestruturarem rumo ao sustento. Mas não consigo ceder. Não me importo com a dispersão do público e não me importo se isso dita uma lentidão no meu crescimento. Adoro conhecer pessoas com múltiplos interesses porque são um reflexo do que sou. A minha razão para ter começado tudo o que partilho digitalmente era uma: criar um espaço para falar do que gosto. E eu gosto de muita coisa. Se alguma vez concentrar as minhas plataformas numa só direção, deixarei de estar apaixonada por isto. Quero continuar a celebrar a pluralidade porque o mundo já tem rótulos a mais.

4 comentários:

  1. Esta pluralidade de que falas é das coisas que mais gosto nos blogues, especialmente o teu, Inês!

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  2. Concordo a 100% contigo. A nível profissional compreendo e defendo os nichos. É algo muito importante quando trabalhas com marketing. Mas em relação a blogues - ao que produzo para o meu e o conteúdos dos que consumo - gosto da diversidade. Às vezes, sinto-me um pouco "old school" por isso, mas é essa pluralidade de que faz que torna os blogs (e restantes redes) mais pessoais, dinâmicos e interessantes

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  3. Como te compreendo e partilho da tua opinião!
    Sei que analisando friamente, o caminho se faz melhor em nichos, mas não consigo ceder e abrir mão de todos os outros interesses que ficariam de fora... Como dizes, o caminho pode ser mais lento, mas ainda acredito que seja possível crescer com esta pluralidade de interesses xD

    Não Digas Nada a Ninguém

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  4. Já tentei, mas nunca consegui. Já tentei entender que nicho é o meu, mas não me cabe no espírito tentar resumir-me a uma só coisa. Tal como tu, criei o blog, podcast, instagram por me ter reconhecido dona de muitos gostos e opiniões, sendo assim até hoje. Gosto que as minhas plataformas reflitam o que eu sou, e eu sou plural!
    Recordo-me de quando li esse teu artigo da pluralidade e amado, por me ter identificado tanto... Mais importante do que definir nichos, é trabalharmos com amor e dedicação. Poderá levar mais tempo, mas encaixará sempre com a nossa essência e mostrará, na perfeição, as nossas fases de amadurecimento e crescimento. E isso é tão bonito de se acompanhar!

    Obrigada por esta reflexão'zita. Estava mesmo a precisar de ler que só faço bem em continuar a ser eu! 💛

    Beijocas,
    LYNE, IMPERIUM BLOG // CONGRESSO BOTÂNICO - PODCAST

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