sábado, 29 de fevereiro de 2020

FILMES || Fevereiro • 2020


O meu grande favorito aos Oscars, confesso, era 1917 o que, tendo em conta as minhas preferências no cinema, revelou-se uma surpresa. Não sou grande apreciadora de filmes de guerra ou batalha mas a premissa de um filme de plano único — onde parece não existir cortes — convenceu-me a ir assisti-lo ao cinema. Na verdade, penso que é precisamente a técnica de gravação que dá toda a intensidade ao filme. Uma vez que 1917 não podia ter planos dinâmicos (como é comum neste tipo de produções), retratar um filme de guerra desta forma poderia correr o risco de se revelar aborrecido ou aquém das expectativas, o que não aconteceu. A câmara focada no protagonista e em plano-sequência deixa-nos de coração nas mãos sem sabermos o que está para lá dos olhos do ator que deu vida ao valente soldado que teve de atravessar território inimigo para deixar uma mensagem ao segundo batalhão que está a postos para embarcar numa armadilha. Venceu — e bem — as categorias técnicas e acho que o Oscar de Melhor Filme está bem entregue a Parasite, mas confesso que era por este que estava a torcer. É uma obra prima, já para não falar da banda sonora, que é magistral!

Um sucesso de bilheteira de 2014 que só tive a oportunidade de ver este mês. A história conta o desaparecimento de Amy no dia de aniversário do seu casamento com Nick. Sem pistas do seu paradeiro, Nick dá por si afundado na especulação dos media e nas memórias de um casamento que não estava a caminhar a bom porto. O filme destaca-se por ter uma narrativa surpreendente e inesperada, no entanto, por ser um filme antigo e com muita popularidade, mesmo nunca tendo visto reviews ou opiniões, previ todo o plot. Ainda assim, não deixa de ser um thriller extraordinário que nos remete para reflexões sobre fidelidade, proteção da vítima e a desumanização provocada pelos media. 

O Feiticeiro de Oz sempre foi um dos livros clássicos que eu adoro e durante muito tempo fui apreciadora do filme também. Porém, há alguns anos, descobri os horrores a que Judy Garland — atriz que interpreta a famosa Dorothy — foi submetida pela indústria do cinema e nunca mais consegui assistir à produção da mesma forma. Judy acaba por ser uma bonita homenagem a esta atriz que foi altamente escravizada pela indústria que sempre amou. O filme passa-se na fase final da sua carreira (e vida) e retrata os danos que Judy reflete após anos e anos de trauma. É a melhor personificação do quanto uma indústria consome um ser humano em busca do rosto, do corpo e da interpretação perfeita. É um filme altamente carregado às costas por Renée Zellweger — e que mereceu distintamente o galardão de Melhor Atriz —, com uma caracterização extraordinária, um figurino de sonho e um tributo honesto a um dos rostos mais acarinhados pelo público e mais maltratados pelo cinema. 

Admito que, embora seja uma ávida consumidora de música, raramente acompanho a vida profissional ou pessoal dos artistas. Separo a arte do artista tão profundamente que, muitas vezes, dou por mim a ser fã da música de um artista com o qual não tenho qualquer familiaridade. É um pouco o caso da Taylor Swift; sou muito fã das suas músicas embora pouco ou nada soubesse da sua vida ou dos escândalos e polémicas que insistiam em rodeá-la. Assisti a Miss Americana sem expectativas mas saí muito convencida. É um documentário típico — excertos de gravações caseiras, momentos de espetáculo, segmentos de entrevista, clipes de infância... — que explora a reputação de Taylor Swift depois de uma temporada mais em baixo. Miss Americana retrata o percurso de Taylor, a sua transformação pessoal e profissional e a reviravolta desde a desilusão de não ter sido nomeada para os galardões de música mais importantes até à sua ascensão de novo à ribalta e, desta vez, com posicionamento político sem culpa. Não sei se será um documentário imperdível para quem não tem particular apreço pelo reportório da cantora mas aborda temas muito interessantes como a pressão dos media, a toxicidade da indústria da música, distúrbios alimentares e sobre ter voz ativa quando se é uma figura pública. Terminei o documentário com alguma admiração pela artista. Foi muito interessante.

Já assistiram a algum destes filmes? Opiniões?

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