domingo, 14 de outubro de 2018

LIVROS || O Livro do Lykke


Depois do tremendo sucesso que foi Hygge — sobre o qual já escrevi e adoro! —, observou-se um autêntico fenómeno de conceitos escandinavos que (quase) prometiam concentrar o segredo para um mundo mais feliz, ou minimalista, ou pacífico. Confesso, não me encantou. Quando vi que o mesmo autor do livro que adorei, Meik Wiking, lançava um novo livro no mesmo registo, a minha primeira abordagem foi desinteressar-me. Senti que apenas estava a aproveitar a viagem do primeiro sucesso e a surfar na onda de livros conceptuais. Não me cativou.

O que mudou? Sem dúvida, a minha viagem à Noruega. Ainda hoje me surpreende o quanto conhecer esta cultura e este país me marcou. Regressei com uma sensação de saudade vazia que me tem sido muito difícil preencher. Nunca me tinha identificado tanto com uma cultura e me sentido tão integrada. Muita gente julga que há certas coisas que faço só porque fui à Noruega. Pelo contrário!! Foi na Noruega que compreendi que muito do que eu faço, tantos outros fazem. E foi maravilhoso.
As recordações fotográficas e algumas referências ajudam-me a trazer um pouco da Escandinávia até mim mas sabe-me sempre a pouco. Foi quando dei por mim a pegar, de novo, no livro do Hygge que percebi que talvez dar uma oportunidade ao novo volume poderia ser uma ótima experiência. E foi assim que meti mãos ao Lykke, designação dinamarquesa para "felicidade".

A leitura do livro do Lykke tem uma condução narrativa muito semelhante ao livro do Hygge. Enquanto o primeiro volume aborda um conceito muito mais específico e típico do Norte da Europa, este segundo livro explora uma ideia muito mais globalizada, a felicidade. Onde a encontramos? Como a definimos? O que a influência? Utilizando sempre pontos de partida dinamarqueses, Meik Wiking reflete sobre o que nos faz (mais) felizes e avança pelo mundo, mostrando que ser feliz é um reflexo global e que diversas culturas a conseguem encontrar, pelos mais variados e personalizados métodos. Sempre com muita base estatística, é uma viagem sobre o que podemos mudar (cultural, física e mentalmente) para sermos pessoas mais realizadas.

Lykke não foi um livro consensual; se houve quem achasse que este livro não superava o Hygge, houve uma igual resposta de pessoas que acharam que sim, que era melhor. Para mim, não supera o Hygge por considerar que o Lykke é muito mais cultural, comunitário e muito menos prático. Embora encontrem um sem número de sugestões práticas para sermos pessoas mais felizes — cada uma enquadrada nos pontos-chave do livro —, muitas delas não achei tão práticas e executáveis quanto no Hygge. Na minha opinião, tendo em conta o país e cultura onde vivo, considerei algumas um pouco irrealistas até. Desfrutei muito mais do Lykke enquanto uma viagem pela cultura dinamarquesa e sobre como se cooperam e operam nos diversos capítulos para chegarem a uma sociedade tão equilibrada e feliz e não tanto como um livro que posso extrapolar para a minha realidade. Por estas razões e neste sentido, o livro do Hygge é muito mais realista e exequível. Ainda assim, foi uma leitura incrível que me fez refletir muito sobre a forma como encaro a minha vida, a minha rotina e a minha felicidade. Dou a mão à palmatória pela indiferença com que o tratei inicialmente e fico radiante por esta leitura ter agregado tantas mudanças de pensamento boas em mim própria.

Autor: Meik Wiking
Número de Páginas: 288
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4 comentários:

  1. Gostei de ler a tua opinião! Já estou para comprar o livro do hygge há algum tempo, o outro ainda não conhecia...

    Estou familiarizada com o conceito, e, fascina-me de igual forma! :)

    Beijinho*

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  2. Confesso que não tenho grande curiosidade. Acho que vai ser um daqueles livros que lerei apenas se alguém me emprestar, pois não me vejo a comprá-lo. O do Hygge foi bom, mas agora há tanta coisa que me soa sempre a "mais do mesmo".

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  3. Li o "Hygge" e o "Lagom" e uns meses depois fui à Dinamarca e à Suécia. (Uma coisa não tem a ver com a outra, aconteceu!) E, sabes, senti exatamente aquilo que os livros descrevem o que foi extraordinário. O estilo de vida é complatamente diferente e gosto muito da forma como os assuntos ligados ao hygge e ao lagom são abordados e podem, sim ser verdadeiros e ter resultados positivos em nós, no entanto podem ser complicadas de replicar em Portugal.

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  4. Comprei-o no Domingo, no Campo Pequeno. Comecei a ler e, confesso, acho que estou cada vez mais motivada a relê-los a ambos no futuro!
    Nunca foi bem o género de livros que costumo ler, mas estou numa altura da minha vida em que, quer impasses, quer mudanças estão a acontecer e por vezes caio numa tal correria cinzenta e monótona da rotina que me esqueço de sorrir e de viver realmente. E estas palavras têm sido uma ajuda para saber aproveitar os poucos e pequenos minutos que tenho para mim durante o dia.
    Às vezes, não é fácil, mas é possível.
    Beijinho grande*

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