terça-feira, 25 de setembro de 2018

FAMÍLIA || Duas Mãos Cheias


Dez anos. Quem diria que aquele bebé tão bem disposto tornar-se-ia neste pequeno homenzinho? Quem diria que aquele gordinho que mal se sabia sentar, que me deixava afogá-lo de mimos e beijos lambuzados, que comunicava comigo no dialeto 'ba-ba' seria assim, tão bom miúdo, tão companheiraço, tão interessante e interessado, educado e cavalheiro, curioso e inteligente?

Há duas mãos cheias que a minha vida é mais feliz. Quando soube que vinha um primo a caminho, o meu pensamento primordial era que nos déssemos bem. Que existisse confiança, cumplicidade e carinho das duas partes. Que ele soubesse que poderia sempre contar comigo. Mas nunca forcei para que acontecesse, muito pelo contrário. Estava demasiado ocupada a babar-me para todos os pequeninos progressos do seu crescimento para me lembrar de forçar esse laço. Ele apertou-se de forma natural. E que bom que foi!

Ele está no auge da sua fase de criança, uma chama prestes a apagar-se, e eu sou a prima galinha em negação e a aproveitar todos os segundos em que ele ainda é um miúdo. Engraçado como passei horas a olhar para aquele bebé e a perguntar-me: como será em criança? Como será a sua voz e forma de falar? Que manias vai ter? Que coisas vai gostar de fazer? E vai-me contar tudo? Vamos ser compinchas?

E agora lá vai ele, dono de si sem ter nada a que ser dono. Livre de espírito mas com uma inocência que ainda hoje me tranquiliza. Há certas coisas que o seu filtro já deixa passar (ele já não pensa que uma nutricionista é uma médica que cura alimentos que estão doentes) mas outras ainda perduram e valem a pena viverem com ele o tempo que tiverem de durar. Às vezes, esqueço-me do quanto ele já é um rapagão e o quanto ainda tem para crescer. O meu telemóvel — atenção, o telemóvel, não eu, claro! — ainda não aceitou que exista, no Universo, um número de telefone que lhe pertença, e o seu nome na lista de contactos. Mas como é que ontem falávamos 'ba-ba' e agora estamos à distância de uma sms? E sei que terei tantas outras coisas para reter (a primeira saída à noite, a carta, os dramas teen) mas, por agora, ainda sou uma prima em negação, feliz por ele ainda me considerar fixe e atualizada, por ainda me abraçar em público e dizer que gosta muito de mim.

É tão bom ter este miúdo por perto. Olho para trás — para as memórias, para as fotos, para todas as pequenas coisas dele que eu guardo — e recordo tudo com muito carinho, confiante de que, mesmo sabendo que o meu voucher de 'Prima é uma familiar bué fixe e cool' está a acabar, ele pode sempre contar comigo.

Começa a fase das certezas. Ele sabe tudo, mesmo quando não sabe coisinha nenhuma, ainda. Uma coisa pode saber: a sua prima muito galinha gosta muito dele. De coração cheio, todinho. Mesmo quando parecia um rato careca. E vou estar sempre a contar essas mãos sapudas. Todas elas cheias de memórias bonitas, momentos memoráveis e pequenos pormenores que fazem a vida valer a pena.

2 comentários:

  1. Muitos parabéns ao pequenino e à prima babada! O texto está muito amoroso, deixou-me genuinamente feliz! Tens aí um verdadeiro amigo para a vida!

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  2. Oh, muitos parabéns ao grande pequenino! É uma alegria termos alguém assim na nossa vida. Hoje, o meu irmão bebé faz 16 anos! E é a minha maior felicidade ❤

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