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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

FRIENDS || Bis bald, Matos!


A felicidade só é bonita, só é profunda, quando a partilhamos. E isso inclui a alegria de voar, de dar asas para novos lugares, projetos e casas. Para os nossos sonhos. Admito que, por muito que seja tentador ter alojamento gratuito, eu nunca adorei a ideia de ver amigos emigrados. O meu lado egoísta — mas com a promessa de que tem um bom fundo — não suporta a ideia de não ter as pessoas que estimo por perto (mesmo estando eu tão habituada a amar à distância). 

Chegou o dia em que a minha Matos — a minha doce Matos — decidiu voar. Rumo aos seus sonhos, desejos e ambições. E por mais que esconda as lágrimas de saudade — que já sinto sem ela ter partido — não consigo esconder, isso sim, o imenso orgulho que tenho nela. De ir atrás, de tentar, de experimentar, de arriscar. De ir onde realmente lhe apetece ir. É uma alegria imensa saber que ela vai para ser feliz — e, assim, eu sou feliz por ela. 

Sei que na sua bagagem leva mais do que um estetoscópio e uma bata branca; leva a sua doçura e sensibilidade, a grande Humanidade que tem dentro de si e o seu mundo que tão simpaticamente está sempre de portas abertas para nós. A medicina é que tem sorte de a ter e nunca será o contrário.

Resta-me abraçar, saudar, olhar para o calendário e pensar que o regresso será breve. Planear um #Berlim2021, se o covid assim o quiser. E torcer. Torcer por ela, pela sua nova casa, rotina, língua e realidade. Sem nunca duvidar que ela vai conseguir e que terá sempre um Quarteto Fantástico para aparar os golpes. 

Bis bald, coração. Voa, andorinha bonita.

domingo, 14 de junho de 2020

FRIENDS || Pick Your Poison


Preferias isto ou aquilo? Um dos desafios mais simples e fraturantes surgiu na forma de jogo de tabuleiro para animar — e agitar! — uma mesa cheia de amigos. Pick Your Poison é um dos jogos da imensa gama de cartas da Player Ten que eu estou desejosa de meter as mãos e que se centra na preferência entre duas opções — geralmente, muito rebuscadas e impensáveis de concretizar. 

O jogo funciona por pontos e estratégia, com um júri (cujo seu objetivo é deixar a mesa dividida e nunca unânime, ganhando mais pontos) e até cartas para duplicar a pontuação. Ganha quem atingir primeiro os 30 pontos mas devo dizer, por experiência, que a certa altura o grupo perde-se na pontuação e simplesmente alinha em mais uma ronda e mais um desafio. 

Super compacto e portátil, é o jogo perfeito para levar numa jantarada ou numas férias com amigos. Não é tão kid-friendly como outros jogos que já recomendei mas não tem limite de jogadores (um ótimo plus!) e é mais entusiasmante de se jogar se o vosso grupo for adepto da argumentação e de transportar os cenários sugeridos pelas cartas para contextos reais, instigando ao debate e às discussões (saudáveis!) acesas.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

1+3 || 10 Coisas que Aprendi com a Amizade


Não duram para sempre | Ao longo dos anos, fui aprendendo a aceitar que muitas amizades não nascem ‘para sempre’ e que o contrário de amigo não é inimigo. As amizades podem acabar sem existir um fator de conflito ou inconciliação. As rotinas mudam, os interesses e gostos, as circunstâncias. E, por vezes, deixa de fazer sentido ou já não nos reconhecemos. E está tudo bem. Há amizades que existem para determinadas etapas da nossa vida e que não foram menos profundas e especiais por terem existido unicamente nessa fase. Não é necessário — ou saudável — tentar encontrar defeitos e erros na pessoa para justificarem a saída dela na vossa vida. Foram amizades bonitas e sinceras. Simplesmente seguiram rumos diferentes. Sem rancor. Sem inimizade. 

Tipos de amigos | Amigos para tudo são raros e não faz sentido que lhes cobremos isso. Porque é natural. Há amigos para sair, há amigos para passear, há amigos para experimentar coisas novas, há amigos para chorar... É evidente que um só amigo pode encaixar em várias destas características mas não exijo que eles sejam tudo. E eu também não sou. 

Não têm de estar sempre juntos | Desde muito cedo aprendi que não temos de ser inseparáveis e a conversar a toda a hora para a nossa amizade ter valor. Tenho amigos que vejo com pouca regularidade e continuam a ser meus amigos, mesmo. Não falo todos os dias com os meus amigos. Não lhes cobro combinações a toda a hora. E tenho amigos que moram bem longe de mim e que só consigo ver em circunstâncias especiais mas que não considero menos amigos por isso, de todo. 

Tempo não é determinante | O tempo de uma amizade é bonito e curioso. É bonito acompanhar tantas das minhas amizades ao longo dos anos e perceber que, embora tenhamos crescido, amadurecido, iniciado e terminado várias etapas da nossa vida, evoluído certos gostos e interesses, não deixámos de nos acompanhar nem de estarmos de braço dado a traçar novos caminhos. Mas o tempo não é determinante numa amizade. São as pessoas e os momentos que dividem juntas que definem a importância e o significado de uma amizade. Não é menos profunda ou especial por ter menos tempo de existência. E não é fundamental permanecer amigo de alguém só porque o conhecemos desde pequenos. Não é o tempo que define um amigo. Amigo é quem te respeita, te valoriza, te acrescenta. Essa pessoa faz-te feliz? Torce (de verdade) pelo teu bem? É honesta? Aceita as vossas diferenças? Agrega algum valor na tua vida? Esforça-se por fazer parte da tua vida? Não tem preconceito pelo teu tom de pele, orientação sexual ou emprego? Então essa pessoa é tua amiga. Sem qualquer fator de tempo associado. 

Honestidade | Ser sincera para dizer o que não gosto. O que me magoa. O que não acho certo. Para pedir ajuda, nas coisas simples ou mais difíceis. Para ouvir quando sou eu que erro. Para pedir desculpa quando sou eu que piso a bola. Para dizer que gosto. Para dizer que adoro. Para mostrar o meu apoio e disponibilidade. Para por as cartas na mesa. Para mim, honestidade é tudo numa relação e a amizade não podia ser exceção. Eu valorizo, mais do que tudo, ter alguém do meu lado que é tão sincero comigo quanto eu sou com ela. Nas circunstâncias boas e más. 

Empatia | Falei acima de honestidade mas tão importante quanto o que queremos dizer, é a forma como o dizemos. É fundamental que a relação esteja assente numa base de confiança e honestidade mas sem nunca esquecer a empatia. A forma como dizemos as coisas demonstra respeito e carinho pelo outro. Antes de dizermos o que quer que seja — e por mais sincero e bem intencionado que seja — devemos calçar os sapatos de quem vai ouvir e considerar o nosso amigo, sempre. 

Existe amizade entre homem e mulher | É insuportável ouvir que relações de amizade entre homens e mulheres (héteros) não existe. Porque acreditam que há sempre um interesse amoroso e sexual que alimenta a relação. Não podia discordar mais. Tenho amigos do género oposto com quem posso contar para qualquer coisa e por quem eu tenho o maior carinho, admiração e consideração. Mas também por quem não tenho qualquer tipo de interesse amoroso — nem eles por mim. Vivemos os nossos namoros e trocamos impressões com a mesma naturalidade com que trocamos com amigos do mesmo género e eu adoro poder ter amigos de géneros diferentes. Não são mais nem menos especiais do que as minhas amizades com mulheres (e tenho um ódio de estimação por quem diz que ‘amigos rapazes são melhores’. Não compreendo esse ‘valor acrescentado de género’. Eu estimo seres humanos, não géneros) mas são especiais e sem espaço para hipóteses de romance ou ciúmes parvos (da nossa parte ou de quem está numa relação amorosa connosco). 

Existe amizade online | E aprendi esta com a Blogosfera (que especial!). Tenho de admitir que amizade online era algo que me deixava muito cética. Observava a ideia e julgava-a muito fictícia, abstrata, superficial e com prazo de validade curto. Até porque quem é da minha geração cresceu com uma estimulação de desconfiança perante outras pessoas na internet, portanto, não era uma ideia que me parecesse natural ou segura. Mas a Blogosfera (ou melhor, algumas pessoas que fazem parte dela) provou-me o contrário. Foi uma lição demorada, gradual e super natural. Identificava-me profundamente com algumas das pessoas que fazem parte deste universo e nasceu um carinho especial entre nós que só podia passar para o offline. Hoje, tenho amigas (offline!) que nasceram aqui, nestas páginas e que têm tanto valor e significado quanto uma amizade que surge em circunstâncias mais comuns. Quando estamos juntas — mesmo que não seja todos os dias e mesmo que não vivamos ao virar da esquina umas das outras, mas isso vai ao encontro ao ponto número 3 — não falamos sobre os posts que vamos escrever, estratégias de parceria ou fotografias de instagram. Falamos sobre nós. As nossas famílias, amigos, empregos. As nossas inseguranças e vitórias. Trivialidades da vida. Situações que nunca são expostas nos ecrãs. E, se nos apetecer, falamos sobre blogs. Como qualquer outra conversa entre amigos. É tão real e concreta como qualquer outra amizade e devo-lhes essa lição. 

Cultura | Eu já aprendi tanto com os meus amigos. Sobre cinema, música, desporto, literatura. Sobre arquitetura, medicina, nutrição, biologia, turismo, arte, saúde (...). Já aprimorei tantos gostos e interesses graças às suas contribuições. Aprendo coisas novas, descubro géneros, artistas, títulos, filmes e séries que, doutra forma, não conheceria, ganho uma nova visão do mundo através da visão deles. Por vezes, são sugestões personalizadas — conhecem-me e apostam com confiança de que vou gostar disto , outras vezes são mesmo as diferenças que nos aproximam. Talvez nunca fosse dar uma oportunidade a determinada série se a minha amiga não a tivesse visto e adorado tanto que eu preciso de saber o que há nela para ser tão acarinhada.

Não és Deus | Eu admiro, amo e apoio os meus amigos de forma incondicional e profundamente sincera. Torço por eles e não espero que eles sejam outra coisa que não desmedidamente felizes. O meu desejo para eles é que encontrem sempre o sucesso pessoal e profissional. E eles sabem isso. Mas não sou Deus. Ou o Destino. Mesmo que ache que aquele caminho talvez não seja o ideal, que aquela pessoa não seja a certa para ela ou que determinada decisão não seja adequada, eu não posso interferir. Não faz sentido. Eu admiro os meus amigos por vários fatores e um deles é a inerente capacidade que eles têm de tomarem as suas decisões e de terem o livre-arbítrio para optarem por aquilo que mais faz sentido para eles. Mesmo que não concorde ou que julgue que há um caminho melhor. E posso sugeri-lo, se eles assim o considerarem mas, em última instância, eu confio nas decisões deles e eles confiam nas minhas. Por vezes vão bater com a cabeça, vão-se magoar, vão-se arrepender. Como eu bato, magoo e arrependo. Mas faz parte e não posso passar-lhes um atestado de incompetência para viver ou decidir porque nenhum de nós o tem. Somos competentes para tomarmos as nossas próprias decisões porque ninguém nos conhece melhor do que nós. E de uma decisão que nenhum amigo recomenda, podem surgir oportunidades e desfechos extraordinários que ninguém apostaria que sim. Não sou ninguém para decidir o que o meu amigo pode fazer ou escolher. Sou, isso sim, amiga para apoiar em qualquer circunstância e dar o meu aplauso se tudo correr bem ou dois ombros para chorar, na eventualidade de correr mal. Eles sabem o que fazer e eu sei como os apoiar. E vice-versa.

Aprendizagens bonitas e importantes, que me fizeram evoluir enquanto ser humano, mulher e amiga. Espero que eles possam ter aprendido um pouco comigo também. Agradeço-lhes todas estas lições e torço para que possa aprender muitas mais do lado deles. Se possível, entre gargalhadas e fatias de pizza.

sábado, 5 de janeiro de 2019

FRIENDS || Trivial Pursuit Harry Potter



Um dos jogos de tabuleiro mais icónicos de sempre, Trivial Pursuit, uniu-se à saga Harry Potter para criar uma edição especial e exclusiva do jogo que promete desafiar até o maior Potterhead.
Nesta edição de bolso, não é necessário tabuleiro e as regras para chegar ao vencedor são diferentes — a edição foi pensada para ser mais prática e portátil — porém, se já tiverem o tabuleiro original, é perfeitamente adaptável para a versão original e mais demorada do jogo. Eu gosto de ter as duas possibilidades ao dispor.

Ao todo, são 600 perguntas baseadas nos filmes do universo de Harry Potter e divididas nas seis categorias coloridas: Artes Negras, Hogwarts, Feitiços e Poções Mágicas, Objetos Mágicos, Pessoas Mágicas e Animais e Criaturas Mágicas. O jogador ganha queijinho quando responde acertada e consecutivamente a seis perguntas da mesma categoria. Quando erra, passa a vez ao jogador seguinte.

Com graus de dificuldade diferentes, é o jogo perfeito para os amantes da saga e para levar para todo o lado — num jantar, numa viagem de carro, num voo de longo curso, numas férias... Quem diria que o Trivial Pursuit poderia ser tão portátil? Divertido e numa versão mais rápida do que a tradicional, o Trivial Pursuit versão Harry Potter é o protagonista perfeito para um serão entre amigos fãs da saga e para voltarmos a assistir aos filmes e recordar pormenores que nos poderão garantir uma resposta vitoriosa! O meu jogo queridinho!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

FRIENDS || Sushi Go!


Confirmo que continuo a não gostar de sushi mas que, para este, abro uma exceção especial. Afinal de contas, não temos de o comer, apenas de... o jogar!
Sushi Go! é o jogo de cartas que considero perfeito para ter à mão na prateleira de casa, isto porque, ao contrário de grande parte dos jogos, consegue ser tão divertido para duas pessoas como para cinco — o número máximo. 

Com ilustrações amorosas e um sistema de pontos, o objetivo é criar a melhor combinação de sushi possível e, assim, conquistar a maior pontuação. Cada peça de sushi tem um valor diferente que pode duplicar ou triplicar conforme a sua combinação com mais peças de sushi semelhantes. Cada jogador recebe uma mão de 10 cartas e escolhe a peça que quer que pertença à sua combinação. Depois... trocam de mão! E assim sucessivamente até já não restar nenhuma carta da mão. Com jogadas rápidas e uma duração de jogo de três rondas, nada está garantido e cada nova mão pode vir com uma surpresa venenosa!

Compreender o jogo é sempre mais fácil quando temos as cartas na mão e passamos para a ação, mas a premissa é relativamente simples e a mestria e diversão passa um pouco por desempenhar estratégias, razão pela qual pode não ser o jogo mais adequado para os mais pequeninos participarem, mas que certamente anima uma mesa de amigos. Pequenino, super portátil e divertido, é um sucesso para amantes de jogos de tabuleiro e, se me permitem a sugestão e a chegada da época, pode ser um presente de Natal bem giro.

quarta-feira, 21 de março de 2018

FRIENDS || Dobble


Adoro jogos de todos os tipos, sendo que os meus preferidos serão sempre de cartas e tabuleiro, que nos fazem esquecer os telemóveis e passar um bom serão entre gargalhadas e instintos mais competitivos. E este verão que passou, descobri mais um jogo que entra para a minha lista dos favoritos de sempre: Dobble.

A premissa do jogo é a mais rápida e simples de sempre: estão a ver as três cartas da fotografia? Escolham duas aleatoriamente; qual é a figura comum nas duas? Aí está o jogo.
Todas as cartas estão recheadas de elementos (com tamanhos diferentes) e todas as cartas têm uma figura em comum entre um par. Não importa qual o par que escolham, todas irão ter uma gravura igual. O objectivo? Encontrar a figura igual primeiro que os vossos oponentes. Parece fácil, certo? Mas só parece.

Uma das coisas mais incríveis do Dobble é que existem cinco formas diferentes de o jogarem com os vossos amigos, sendo que o objectivo é sempre o mesmo, encontrar a gravura comum. O que varia são as dinâmicas de jogo. Uma outra coisa incrível do Dobble é que é um jogo de cartas que pode contar até oito participantes, o que costuma ser raro conseguir abranger tantas pessoas, e perfeito para serões em que nenhum elemento do grupo tem de ficar de fora. Por último, é também incrível por abranger praticamente todas as idades, não só porque o próprio jogo não tem qualquer tipo de dificuldade na compreensão das gravuras, como também as regras são fáceis de assimilar por qualquer pessoa. Todos podem participar!

Citando uma descrição deste jogo que achei muito fiel: "Monopólio é o inferno, Uno é satanás e Dobble é o filho dos dois". Preparem-se para amizades perdidas, para alianças contra alguém do grupo (geralmente, o que faz mais danos de jogo ou o que tem o olho mais rápido), para gritaria e para falarem todos ao mesmo tempo e para as gargalhadas de se esquecerem do nome das figuras ("ai, como se diz iglo? Espera! IGLO! IGLO!"). Com a excitação de quererem ganhar e serem os primeiros a descobrir a figura comum, vão descobrir que o que está diante do vosso nariz fica bem escondido. Levem a latinha do jogo para uma jantarada e vão ser os mais acarinhados do serão.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

FRIENDS || Tomamos por garantido?

Quando penso numa relação amorosa, vêm-me à cabeça uma dezena de palavras de ordem. E as que não têm as palavras 'não dar por garantido' para aí remetem, pelo menos. Valorizar a pessoa que está do nosso lado, dedicarmos-lhe o esforço, a atenção e o carinho que lhe dedicamos desde o primeiro dia e nunca, jamais, assumir que ela estará ali para sempre só porque a conquistámos. Mostrarmos que a valorizamos todos os dias.

E com os nossos amigos? Seguimos o mesmo padrão? Temos a mesma abordagem? À medida que os anos passam e vamos crescendo, sinto que cada vez mais nos afastamos desse 'sim' ou, pelo menos, é assim que a corrente segue e, sinceramente, não compreendo porque temos uma abordagem tão confiante em relação aos nossos amigos. Porque não os regamos com o mesmo empenho e atenção.

Já fui muito escaldada com amizades e demorei uns valentes anos a interiorizar que tinha mesmo amizades verdadeiras e que devia cuidá-las. E desde então, olho para os meus amigos com muita atenção e carinho. Sinto que, enquanto numa relação amorosa, temos o cuidado de valorizar e saber que o outro pode não ser para sempre se não o regarmos, para os nossos amigos observamo-los como um contrato de boa fé vitalício. A certa altura, criámos uma amizade e está feito! É para sempre. Teremos eternamente química, confiança, vontade de estar um com o outro e não há necessidade de cuidados especiais ou demonstrações simbólicas porque 'já sabe'. E se correr mal? E se a química termina? O contrato termina. Afinal, não era para sempre.

Não temos de olhar para os nossos amigos como olhamos para os nossos amores — nem faria sentido, já que o amor, a paixão, devia ser de um só canal — mas questiono-me muito acerca do esforço que depositamos nas nossas pessoas (e no quão discrepantes, por vezes, conseguimos ser). Como temos em mente o quanto é preciso valorizar quem temos ao nosso lado, e o quanto damos por garantido que os nossos amigos vão estar sempre lá apenas porque os chamamos de amigos e assim os consideramos. Não é assim que funciona porque somos humanos, carecemos de afecto, atenção, dedicação e esforço. Na amizade não podia ser diferente.

Não precisamos de cobrar nem casar com os nossos amigos. A vida, por vezes, leva-nos para caminhos diferentes, os cafés nem sempre são rotinas, as ocupações metem-se, muitas vezes, ao barulho. Mas se conseguimos contornar isso pelo amor, por que não o fazemos, também, pela amizade? Há quanto tempo não dizem aos vossos melhores amigos o quanto gostam deles? Assim mesmo, sem descrições no Instagram, sem ser num aniversário ou numa ocasião em que a doçura assim se espere. 'Eu quero que saibas que eu gosto mesmo muito de ti'. Quantas vezes, este ano que passou? 'Obrigada pela tua amizade, obrigada pelo teu apoio'. Quantas vezes, sem ser num aniversário ou dia especial?

Já fui uma miúda que tinha dificuldade em expressar afecto. Sentia-me vulnerável, lamechas. Depois compreendi que a ideia era absolutamente parva e sem lógica. O que há de negativo em dividirmos o quanto gostamos e apreciamos a presença dos outros? O que há de mau em partilharmos a nossa vulnerabilidade com quem — assumimos — queremos ter para sempre? Desde que compreendi isto que tenho tentado ser uma amiga que cuida, que não dá por garantido. Ainda há amigas que estranham, mas não me importo. Sinto-me mais livre e em paz por saber que faço questão de demonstrar a todas as pessoas da minha vida o quanto elas significam para mim, sem vergonha — não há que ter vergonha —. E fico para lá de feliz quando mo retribuem (especialmente se for espontâneo). Ninguém na nossa vida tem um contrato vitalício para connosco. E é bom que o valorizemos e não tomemos por garantido. Os nossos amigos não existem para nos servir.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

FRIENDS || Um Brinde a Isso

Cada vez mais sei que sou uma pessoa que arranja pretextos para me reunir com as minhas pessoas. Todos vamos seguindo os nossos caminhos, fazendo as nossas escolhas e o que antes era uma rotina diária e que permitiu que construíssemos um laço, hoje em dia, já não existe. Cada um tem a sua rotina em separado e já não nos vemos todas as manhãs/finais de dia. Por isso mesmo é que, cada vez mais, tudo para mim é pretexto para reunir; o exame que correu bem e que devíamos lanchar para celebrar, a visita de fuga ao lugar x onde uma amiga nossa está e que é perfeito para um almoço, o final da semana cujas possibilidades de encontro são infinitas, o concerto que todos queremos ver e os aniversários. Quanto mais cresço e envelheço, mais me apercebo da importância de usarmos os aniversários para reunirmos as nossas pessoas numa só mesa, a brindarmos à vida.

Admito que, durante muitos anos, descurei esta parte da festa. Acredito que a principal razão tenha sido o facto de os meus amigos estarem todos reunidos num só espaço/cidade, portanto, eu já os encontrava a todos, sem falta, no meu aniversário, o que fazia com que a minha vontade de organizar jantares fosse menos acesa — eu nunca gostei de organizar jantares nem aniversários, confesso. Mas apenas da parte dos preparativos, já do jantar/festa em si eu adoro —. Agora, faz todo o sentido para mim.

Foi assim que passámos a noite de sábado; entre fatias de pizza, hambúrgueres e bebidas frescas, houve espaço para os abraços carregados de saudade, para contarmos as novidades, para sorrisos genuínos. Eu costumo dizer que sabemos que uma refeição em grupo corre bem quando estamos constantemente a mudar de lugares para chegarmos mais perto de pessoas diferentes e vivermos conversas distintas. E é assim que eu gosto de ver um jantar de aniversário, com pessoas que têm um bom coração, personalidades distintas, histórias de vida completamente diferentes mas que encontram sempre elos comuns para se ligarem, interagirem e conviverem. As horas passam, as conversas cruzam-se — tal como os lugares — e os momentos ficam mais doces do que todas as sobremesas do restaurante juntas. No final, há sempre oportunidade para apanhar a amiga que trabalha fora de horas e apenas divertir-nos e libertarmos o cansaço do dia dançando como se ninguém nos estivesse a ver.

O melhor é matar as saudades. É saber as novidades. Num mundo cada vez mais imediato, é fácil — e óptimo! — estarmos à distância de uma mensagem, de um Whatsapp. Podemos ser mais próximos respondendo a Stories de coisas que estão a acontecer, no momento. Podemos ver os rostos uns dos outros em fotografias bonitas ou caretas privadas. Podemos ligar-nos uns aos outros e perder noção do tempo a conversar enquanto fazemos múltiplas tarefas. Mas não há nada que me dê mais prazer do que abraçar os meus amigos e de saber as novidades ali, no momento, enquanto acompanho as suas expressões espontâneas, o brilho no olhar e podemos interagir ali, juntos. O pretexto para encurtar as distâncias que deixam os nossos corações mais apertados são as melhores razões para boas notícias acontecerem e velas se acenderem — ano após ano —. Há poucos prazeres na vida melhores do que brindarmos com quem adoramos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

FRIENDS || A Karol está certa!

Podia simplesmente partilhar convosco este vídeo da Karol no separador de vídeos ou mesmo nos favoritos do mês, mas não podia deixar de, também eu, fazer esta reflexão sobre a amizade. Como já tinha partilhado convosco no meu aniversário, este último ano que passou foi muito importante para eu rever e restaurar todas as minhas definições e laços de amizade e tem sido uma das coisas mais incríveis da minha vida.

Eu invisto o meu tempo nas minhas amizades e adoro os meus amigos, de coração. Já fui muito escaldada à conta de ser muito amiga dos outros - e por isso concordo muito com a Karol quando ela fala de certos detalhes mais negativos - mas a partir do momento em que encontrei estas pessoas incríveis com quem estreitar os meus laços, tenho sido muito mais feliz.

As lições que a Karol partilha neste vídeo têm a minha concordância a 100%. Não mudava uma palavra. E hoje eu permito-me a encontrar-me com os meus amigos sem regras e planos. Ligo para uma amiga e vamos almoçar. Mando uma mensagem a outra e vamos combinar uma tarde para actualizar a conversa que ficou no último lanche. Ligo ao meu amigo para tomarmos um café. Mando uma mensagem inesperada com um evento fantástico e vamos sem amarras. É óptimo. Permito-me a não ter de estar constantemente a falar com o pessoal ao telemóvel, permito-me a já ter outras coisas combinadas, permito-me a não deixar que ninguém me sufoque e permito-me a ficar chateada se acho que algum comportamento vai contra todos os valores que privilegio numa amizade. Permito-me a confiar que todos eles querem o meu bem e que jamais fariam algo gratuito para me magoar. Eu permito-me e é o facto de ter esses princípios bem assentes na minha cabeça que me deixa sentir-me predisposta a abrir os meus braços para a amizade.

Deixo-vos, então, as lições da Karol. Levem estas lições convosco.

sábado, 19 de novembro de 2016

FRIENDS || "Eu confio nas tuas escolhas"


Há uns anos senti a necessidade de cortar as pessoas tóxicas da minha vida. E sobre esse assunto em específico eu ponderei muito, escrevi muito e decidi muito. Mas também consegui aquilo que há muito lutava por ter: amigos positivos. Eu consegui.

Hoje eu posso dizer com o maior orgulho (e um certo calor no coração) de que tenho os amigos mais positivos do mundo. Não, não somos como no filme do Trolls, em que andamos de pulseiras brilhantes que piscam na Hora dos Mimos. Temos problemas. Temos dramalhadas. Às vezes fazemos filmes na nossa cabeça e outras vezes são mesmo assuntos sérios e delicados. Não somos uma ilha de felicidade. Mas sabemos olhar com perspectiva e, acima de tudo, sabemos apoiar-nos. 

Agora mais do que nunca, eu sei o quão importante é termos alguém, que nos conhece de ginjeira, a dar-nos uma face positiva da vida quando chove do nosso lado. Porque é isso que precisamos num amigo. Os amigos são para muitas coisas; são para as gargalhadas mais sinceras, para as combinações mais inesperadas e inesquecíveis, são para fazer o tempo passar sem darmos conta mas também são para dar o conselho duro, por saberem como nós somos. Os nossos amigos torcem por nós e estão na nossa equipa. E, claro, vão sempre querer o melhor para nós. Vão sempre querer que não nos magoemos, que tomemos a decisão certa, que consigamos sair de qualquer experiência com um sorriso nos lábios. Mas os amigos não decidem por nós. Não nos condenam. Não nos cobram e, acima de todas as coisas, não nos voltam as costas. Nunca.

É raríssimo encontrarmos amigos que sejam uma fotocópia de nós em todos os detalhes e ainda bem que assim é. É esta pluralidade de interesses, gostos e filosofias que me fascina em gostar tanto de alguém. Mas isso também vem com o preço de nem sempre seguirmos caminhos iguais ou tomarmos decisões iguais. E é importante que tenhamos amigos sinceros que nos digam "Eu seguiria o caminho A, em vez do caminho B" mas, ainda mais importante, é termos amigos que, quando seguirmos o caminho B, nos apoiem e nunca neguem um abraço se o caminho resultar num beco sem saída ou numa estrada esburacada. 

Eu sinto-me uma privilegiada por saber que tenho amigos que, em todas as decisões da minha vida, respondam "Se a decisão te fizer feliz, eu estou do teu lado". E sinto-me ainda mais privilegiada por, nas decisões que correram mal, nunca ter visto uma porta fechada ou um abraço negado. A disponibilidade nas alegrias e tristezas é fundamental. E no fundo, só queremos ver as nossas pessoas com um sorriso no rosto. Eu lutei muito para ter este núcleo de amigos tão especial. Mas toda a batalha valeu a pena. Porque nunca estou só. Nunca me sinto a remar contra a maré. Eles estão sempre lá, nas bancadas, enquanto o que estiver a fazer me fizer feliz. E quando não fizer, eles saem comigo e ajudam-me a encontrar um novo caminho. E eu faço o mesmo por eles.

domingo, 23 de outubro de 2016

FRIENDS || 22 Obrigadas!


Os que me conhecem certamente sabem que eu não sei ser uma anfitriã de festa e mesa. Que eu não consigo lidar com uma mesa gigante cheia de pessoas que aguardam por mim para estabelecer elos de ligação, que não consigo lidar com a confusão e a barulheira de ter muita gente a falar ao mesmo tempo e de eu não conseguir comer porque tenho de saltar de lugar em lugar para ter a certeza de que os meus convidados sentem-se bem recebidos. E quem me conhece sabe também que eu detesto quando faço um convite e respondem "quem vai?". Porque, para mim, só faz sentido aceitarmos um convite pelo amigo que convida, independentemente das presenças adicionais.

Por tudo isto e por todas as exigências do momento, eu não queria fazer nenhuma festa - à semelhança do ano passado -. Mas, claro, os meus amigos jamais deixariam esta data passar sem um encontro feliz e prometeram que seria pequeno e significativo. Prometeram que eu não ficaria exausta no final da noite de saltar de lugar para lugar. E que estariam lá porque eu estava. E, como bons amigos que são, cumpriram a promessa.

Grandes corridas pela rua para abraçar quem já não via há tanto tempo, os atropelamentos para contarmos todas as novidades que estavam na nossa lista mental, a actualização de todos os sucessos e tropeções, os sorrisos constantes, os desconhecidos que viraram conhecidos e a coisa que mais me dá prazer: uma convidada ou convidado meu conseguirem estar a contar uma história e toda a mesa reagir e ouvir. Não há coisa que me faça sentir mais feliz do que me sentir em harmonia com pessoas que estimo com todo o meu coração. Os presentes pensados com muito carinho foram só um bonus. A felicidade por eles estarem ali comigo valeu muito mais.

Os meus amigos são muito especiais. Não digo isto porque está ali no dicionário dos melhores amigos. Digo porque cada um deles é extremamente único. Uns mais sensatos, outros mais intensos, uns mais ouvintes, outros mais certeiros na palavra. Todos com uma personalidade muito própria e uma identidade inimitável. E eu sou muito grata por ter cada um deles na minha vida e por, muitos deles, serem amigos entre si com todo o seu coração. E ontem, eu apaguei as velas do meu bolo com um enorme sorriso por me sentir acarinhada por todos eles. São todos diferentes, todos próprios, mas uma coisa todos eles deixam bem claro comigo: eu nunca estarei só. Eles estão sempre comigo.

22 obrigadas por me terem feito tão feliz na vossa companhia. E não me refiro apenas a este jantar memorável. 

domingo, 28 de fevereiro de 2016


A parte "chata" da vida é que não há pessoas insubstituíveis. A parte feliz da vida é que podemos ser gratos por termos pessoas do nosso lado que não nos façam precisar de as substituir.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

FRIENDS || Pessoas positivas


Há algum tempo que me esforço por ter do meu lado apenas amigos positivos, que estejam bem resolvidos com a vida e que me ajudem a retirar da minha própria vida as coisas mais positivas e felizes. Porque também sou assim, porque gosto de ficar feliz pela felicidade dos meus amigos (mesmo quando estou em baixo) e porque gosto que eles saibam que ao me recorrerem podem sempre esperar palavras com boas energias, opiniões imparciais e conselhos sem duplas intenções ou toques tóxicos e conflituosos.

Eu não tenho uma imensa rede de amigos, é bem pequena aliás porque sou bastante selectiva neste aspecto, mas faço questão de escolher pessoas com quem eu sei que neles estão guardados os mais preciosos valores. Pessoas que eu sei que vão dar-me conselhos valiosos e fazer-me ver os arco-íris que eu não encontro no céu. Pessoas com compaixão, tolerância, sem paciência para picardias ou intrigas. Pessoas que são humanas por inteiro e não cobradoras de dividendos que não existem, que nos deitam abaixo ou abusadoras de confiança. Pessoas que fazem de mim a melhor humana que posso ser. Rodear-me de malta que sabe encaminhar-me para a perspectiva da felicidade faz-me querer fazer ainda mais pelo mundo e pelos meus amigos. Foi a minha melhor decisão, especialmente lidando com a ansiedade. Já é uma luta difícil e desgastante e eu conto com amigos que a compreendam e me ajudem e não que piorem este bicho negro. E foi uma medida incrivelmente benéfica para mim mesma e que me fez ter ainda mais orgulho nas pessoas que escolhi para ter na minha vida (todos os dias ou quando podemos fazer pausas nas nossas rotinas e encontrar-nos).

sexta-feira, 14 de agosto de 2015


Sabes que estás a ficar velha quando as conversas de café começam a ser sobre arranjar casa, sobre aquele casal de sempre decidir-se a sair da casa dos pais onde co-habitam juntos para arranjarem uma só para eles e sobre emprego estável. Sabes que estás a ficar velha quando o assunto "casa para mim" já não é tão absurdo e idílico. É engraçado a subtileza com que os assuntos vão mudando para coisas mais sérias, mais assustadoras mas, também, mais emocionantes e incríveis.

sexta-feira, 24 de julho de 2015


Acho que só me vou sentir verdadeiramente velha quando for ao casamento de uma amiga (ou amigo) minha.

domingo, 19 de abril de 2015

FRIENDS || Cards Against Humanity


Há uns dias, os meus amigos mostraram-me o jogo mais malévolo e criativo de sempre, onde ri até chorar. Já ouviram falar de Cards Against Humanity?

A dinâmica do jogo é bastante simples; existe um baralho de cartas pretas, com questões variadas, e um baralho de cartas brancas, com respostas completamente aleatórias e engraçadas (algumas maldosas). A cartas brancas são distribuídas aos jogadores. À vez, um dos jogadores tira uma carta preta do centro da mesa, lê a questão e os restantes elementos do grupo têm de escolher, dentro das cartas que lhes calharam, a que acham mais engraçada e 'apropriada' para responder à questão. O jogador que ler a pergunta tem de dar o veredicto da carta vencedora e o jogador que ganhar lê a próxima questão.

Preparem-se para rir à gargalhada com as escolhas mais absurdas e aleatórias de cartas brancas e para iniciarem discussões acesas de qual é a melhor resposta para a carta preta! Já passei mal de tanto rir com algumas combinações! Podem fazer o download gratuito AQUI da versão inglesa das cartas já com perguntas e respostas. Levem o jogo para um jantar de amigos e vão ser os convidados mais adorados da mesa!

sábado, 28 de fevereiro de 2015


Não basta eu e a Ervilha sermos loiras, brancas-lulas e de olhos verdes, termos tops e blusas iguais, dedos partidos e tortos iguais, este semestre eu tenho a cadeira Nutrição e Desporto e ela Nutrição e Actividade Física (com cursos e universidades diferentes).

No caso de haverem dúvidas, eu sou a gémea feia.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

FRIENDS || "O Prédio"


Um dos meus amigos mais próximos tem mesmo em frente à minha antiga escola secundária um prédio. Não estou a exagerar, é mesmo um prédio. Ninguém mora nele e ele, com os irmãos, acabaram por "povoar" todos os andares, especialmente o rés-do-chão. A primeira vez que lá entrei achei que estava num filme de terror. Cozinhas inutilizadas, móveis com lençóis brancos por cima e uma ou outra divisão com umas luzes duvidosas e palhaços de brinquedo nas prateleiras fizeram-me arrepiar até ao 3º andar mas o andar do rés-do-chão, que é o mais habitado e mobilado, tem uma decoração completamente alternativa. Uma das divisões tem a ombreira da porta repleta de autocolantes de marcas desportivas, está incrível. Na sala há uma televisão gigantesca, do tamanho quase de uma parede, onde eu ia adorar um dia (ou melhor, noite) ver um filme de terror. Todo o espaço é tipicamente masculino e faz lembrar as repúblicas universitárias. 

A melhor parte é que é mesmo um espaço deles e geralmente é para onde nós vamos quando acabamos uma saída ou queremos conviver todos juntos. Não se estraga casa nenhuma, não há vizinhos de cima ou de baixo a ter em atenção, existe uma colecção perdida de jogos de tabuleiro e ainda há quem costuma dormir lá quando necessário, num dos andares disponíveis - especialmente no Carnaval, eu digo que aquilo se torna numa pousada -. Eu sempre achei caricato dizer que vou para "o Prédio" e nunca ninguém imaginar que vou mesmo para um prédio, não para um apartamento. 

domingo, 19 de outubro de 2014

FRIENDS || Comer bolo de aniversário sozinha não teria piada


Não podia ter pedido uma festa de aniversário mais fantástica. Rever os amigos de sempre e que o dia-a-dia não deixa, os abraços sentidos cheios de saudades, os beijinhos.
Recebi os presentes mais originais e adoráveis, que mostram que tenho amigos que me conhecem na palma da mão e que dedicam (e gostam de dedicar) o seu tempo para me fazerem os agrados mais originais com os cartões de aniversário mais amorosos de sempre e que me fizeram chorar que nem uma Maria Madalena.

Por fim, um jantar delicioso na melhor companhia, com conversa entre mesa, gargalhadas, fotografias e muita amizade. E se puder repetir esta dose em todos os aniversários, eu fico grata!

Deixo apenas aqui a citação da Ervilha para o meu bolo de aniversário (o mesmo todos os anos, e já vão perceber porque não mudo): "Este bolo é um bolo de chocolate. E podia ser um bolo de chocolate como qualquer outro, mas não é. Esta gaita tem cobertura kinder por fora e é tão fofo e molhado por dentro, tão delicioso, tão bom que uma pessoa tem de se esquecer deste sabor todos os anos para não cair na tentação de comer um bolo destes por dia. Este bolo é uma delicia do mal. Este bolo quer ver-me morta de colesterol. E eu não me importo nada" - Ela comeu 3 fatias grandes (não foi a única). Se mudasse de bolo, era altamente espancada. É mesmo delicioso!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

FRIENDS || Rede


Uma das coisas que mais me deixa feliz na vida é saber que, além de ter este poder de escolher os meus amigos a dedo certeiro, também tive o poder de, em alguma forma, conseguir construir esta rede que ligas todas as minhas amizades mais improváveis. Com amigos de infância, do basquetebol, Faculdade e Secundário e ainda namorado, sinto-me uma privilegiada por saber que consegui dar um nó em cada um deles. Já não são apenas os meus amigos ou os amigos da Inês. São amigos dos meus amigos e não podia ficar mais satisfeita.

Num mundo em que tenho vida dividida com Lisboa, a minha terra natal e mais uma dezena de compromissos, é o maior conforto do mundo saber que posso convidar todos para um café, para um fim de semana ou para umas férias sem qualquer desconforto, medo de alguém se sentir excluído ou necessidade de apresentações. Saber que posso matar saudades de cada um deles e aproveitar o que se cada um há melhor, tudo ao mesmo tempo, dá uma enorme alegria na minha existência.

O melhor do mundo é a amizade. É a família que escolhemos, que nos ajuda a organizar as ideias, soltar gargalhadas, dá ombros para chorar e ideias para reflectir. É o nosso conforto, a nossa casa, na alma de outra pessoa. Saber que pude, de alguma forma, contribuir para que os meus amigos se conhecessem a todos e se tornassem inseparáveis como são agora (ainda que alguns com uns bons km de distância uns dos outros) é o meu maior alento.

Não só pude escolher a minha família como também pude escolher a dimensão da mesma. Sou grata por cada um deles, por cuidarem de mim e por me fazerem sentir a pessoa mais alegre do planeta. Afinal... É essa a missão da amizade.