domingo, 13 de setembro de 2020

PASSAPORTE || Sé de Évora


A minha incerteza se já tinha estado neste monumento ou não foi decisiva para programarmos uma visita. Terminada em 1250, a Sé de Évora é considerada a maior catedral medieval de Portugal. 

Também conhecida como Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção, a sua construção é inteiramente a granito e imperam os estilos romântico e gótico. No entanto, a Sé foi sofrendo intervenções ao longo dos séculos e dos reinados, abrigando outros estilos e correntes, desde o barroco ao manuelino. 

A sua imponência é inegável e as três naves comprovam-no. Observamos cada detalhe com encanto pela mestria e magnitude. No entanto, os meus espaços preferidos estavam reservados ao exterior: refiro-me ao claustro e ao terraço. 

Como fiel amante de claustros, este cumpriu a sua função de me arrebatar. Gótico e verdejante, é o lugar de descanso do Bispo D. Pedro, fundador da capela funerária da Sé. Um espaço de luz e cor. 

O terraço é o grande protagonista desta visita, guardando a mais preciosa vista para Évora. As torres remetem-me para o mundo mágico de Hogwarts, o que dá um charme extra ao local. Deixo como última sugestão fazerem a visita ao terraço próximo do tocar dos sinos, para uma experiência mais musical! 
Os bilhetes vão dos 2,50€ aos 3,50€ e há descontos para estudantes, mediante apresentação de comprovativo.

sábado, 12 de setembro de 2020

BOM GARFO || Fábrica dos Gelados

 ÉVORA

Uma tarde de verão em Évora só pode pedir um lanche possível: um belo gelado à sombra. E depois de seguirmos o rasto de tantos gelados apetitosos, encontrámos a Fábrica dos Gelados. 

Se gostam de gelados artesanais, esta é uma sugestão que vos vai deixar de barriga feliz. A montra não é muito extensa e os sabores estão sempre a variar, mas entre as opções mais seguras — baunilha, morango e chocolate — há opções mais contemporâneas, como o Kinder, arroz doce, Oreo ou limão e gengibre. 

Eu escolhi um cone de chocolate com uma bola de Kinder e ele escolheu um cone grande com manga, cheesecake e Oreo. Todos os sabores são ricos, cremosos e estão aprovadíssimos. Tomem nota!
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Alcarcova de Baixo, 29, 7000-841
Évora
Contacto: 961 433 121

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

FRIENDS || Bis bald, Matos!


A felicidade só é bonita, só é profunda, quando a partilhamos. E isso inclui a alegria de voar, de dar asas para novos lugares, projetos e casas. Para os nossos sonhos. Admito que, por muito que seja tentador ter alojamento gratuito, eu nunca adorei a ideia de ver amigos emigrados. O meu lado egoísta — mas com a promessa de que tem um bom fundo — não suporta a ideia de não ter as pessoas que estimo por perto (mesmo estando eu tão habituada a amar à distância). 

Chegou o dia em que a minha Matos — a minha doce Matos — decidiu voar. Rumo aos seus sonhos, desejos e ambições. E por mais que esconda as lágrimas de saudade — que já sinto sem ela ter partido — não consigo esconder, isso sim, o imenso orgulho que tenho nela. De ir atrás, de tentar, de experimentar, de arriscar. De ir onde realmente lhe apetece ir. É uma alegria imensa saber que ela vai para ser feliz — e, assim, eu sou feliz por ela. 

Sei que na sua bagagem leva mais do que um estetoscópio e uma bata branca; leva a sua doçura e sensibilidade, a grande Humanidade que tem dentro de si e o seu mundo que tão simpaticamente está sempre de portas abertas para nós. A medicina é que tem sorte de a ter e nunca será o contrário.

Resta-me abraçar, saudar, olhar para o calendário e pensar que o regresso será breve. Planear um #Berlim2021, se o covid assim o quiser. E torcer. Torcer por ela, pela sua nova casa, rotina, língua e realidade. Sem nunca duvidar que ela vai conseguir e que terá sempre um Quarteto Fantástico para aparar os golpes. 

Bis bald, coração. Voa, andorinha bonita.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

ISTO É TÃO INÊS || Medo


Foram muitas as vezes que imaginei, sonhei e idealizei como seria este tão aguardado dia, que demorou anos, portas fechadas na cara, janelas fechadas na cara, silêncios e muito trabalho a chegar. Mas em todos os cenários que idealizava na minha cabeça, nenhum espelhava a reação principal que tenho sentido nos últimos dias: medo. 

É muito difícil reconhecer que mudámos. Que já não queremos certas coisas que queríamos, que já não temos os mesmos sonhos, que já não nos entusiasmamos a fazer aquilo que achávamos que faríamos toda a vida como se fosse um conto de fadas. E admiti-lo em voz alta exige um grande auto-conhecimento e coragem que não escondo na modéstia. É difícil admitir, é difícil responder às perguntas que se seguem, é difícil lidar com a culpa. Mas é muito mais difícil negar que o nosso caminho é outro. 

E quando ele finalmente se apresentou diante de mim, senti um enorme medo de me desiludir. De me sentir atraiçoada por mim própria. De me deparar com a realidade que é voltar à estaca zero e reencontrar-me de novo. De ter de voltar a viver o processo de verbalizar. Confesso que isso é o que mais me tem impedido de passar os dias aos pulos e em lágrimas de felicidade. Sinto-me cautelosa e observadora, pronta para enfrentar uma realidade que pode ser muito amarga. 

É a minha ansiedade a falar mas é também o desconhecido. É a impaciência de saber o que está por detrás da cortina mas a certeza de que, seja o que for, nunca me irá faltar dedicação e coragem. Eu já fui extraordinariamente competente a fazer milhares de coisas que não me faziam sentir felicidade ou paixão. Está na hora de tentar ser extraordinariamente competente em algo que pode fazer-me feliz. Devo-me isso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

DE(CORAÇÃO) || Gente da Minha Terra


Sempre que me deparo com uma loja amorosa, tenho o hábito de pensar “se vivesse cá, era aqui que faria as minhas compras de Natal”. Aquela sensação de que encontrámos um espaço que não nos iria deixar ficar mal, que está cheio de bom gosto, graça e primor. 

Foi precisamente o que pensei quando entrei na Gente da Minha Terra, uma loja de conceito que reúne as mais variadas — e queridinhas! — marcas portuguesas. Da cerâmica à ilustração, há um pouco de tudo e deixamo-nos encantar pelas loiças, postais, andorinhas ou esculturas. Muitas das marcas selecionadas só têm presença online, o que também é uma forma de aproximar o cliente ao produto — tocar e ver. 

A minha vontade foi de levar a loja inteira, mas comigo trouxe apenas dois miminhos especiais — a minha pequena andorinha e uns postais amorosos —, até porque conto com a possibilidade de encomendar online para satisfazer os caprichos vindouros. Se têm programada uma visita para Évora e querem levar o souvenir perfeito, recomendo a Gente da Minha Terra vezes sem conta.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

PASSAPORTE || Templo Romano de Évora


Uma vez que esta não foi a minha primeira visita a Évora, evitámos a maioria dos pontos turísticos e aproveitámos mais a dinâmica das ruas e da cidade. No entanto, há um bem à vista de todos e que não dá para ignorar: o Templo Romano de Évora

Construído no início do séc. I, d.C e considerado Património Mundial pela UNESCO em 1986, é falsamente conhecido como Templo de Diana — o termo correto será Templo Romano de Évora — e a história deste erro nasce de uma lenda. Acreditava-se — muitos séculos depois da sua construção — que este templo tivesse sido construído em homenagem a Diana, deusa da caça. Mas a verdade é que foi erigido em honra ao Imperador Augusto, também considerado um deus. Este é um segredo ainda bem guardado e que permite que a nomenclatura em honra a Diana permaneça ao longo dos anos. 

Já sofreu muitas modificações e destruições — inclusive, já serviu de casa-forte e de matadouro — mas o seu estilo coríntio, a planta e muitas das colunas permanecem originais, num fiel retrato daquela que é uma extraordinária herança da ocupação romana em Portugal. Está localizado no centro histórico da cidade, em frente ao jardim de Diana, onde podem aproveitar as esplanadas e observar a vista privilegiada que o miradouro tem para oferecer. Uma visita rápida mas que não podem perder!

sábado, 5 de setembro de 2020

 

Admito que tenho sempre um carinho especial em escrever os Favoritos de agosto, independentemente de como esse mês decorre. É que agosto assinala o aniversário desta rubrica que tem tantos anos como o próprio Bobby Pins. 6 anos de uma das vossas rubricas prediletas e que já se transformou tanto...! Dá para acreditar que o meu primeiro Favoritos da Inês de sempre era assim

Agosto foi um mês de saltos. Uns bem físicos, outros metafóricos. Um deles agridoce. Mas todos intensos e especiais.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

LIVROS || Magapaper


O paraíso dos amantes de livros e artigos de papelaria chama-se Magapaper e é um projeto 100% português. Acompanho este sonho da Helena desde o 1º dia e fiquei de imediato rendida aos cadernos e agendas cheios de bom gosto, às t-shirts originais e artigos coloridos. 

Com o fim do meu bloco de notas anterior, decidi apostar na minha primeira compra na Magapaper e o difícil foi escolher entre tantos padrões bonitos. Há cadernos para todas as ocasiões, postais geniais para assinalar datas especiais e agendas que nos fazem sonhar com um novo (e melhor!) ano. A vantagem é que podemos personalizar quase todos os artigos à distância de um pedido em e-mail

Estive até ao final indecisa entre dois padrões mas acabei por escolher o Diário Girls para me fazer companhia nos registos do dia-a-dia. Embora esteja escrito na capa ‘Diário’, as folhas no interior são pautadas e simples, versáteis para vários tipos de registo (e a capa pode ser personalizável, alterando o ‘Diário’ para o vosso nome, por exemplo). O diário é de boa qualidade e o papel é robusto e resistente. 

É, sem dúvida, um projeto nacional que acompanho com muito encanto e orgulho na Helena. Fiquei de olho nas agendas para 2021. A única parte mais agridoce de toda esta experiência online foi a transportadora — não foi, de todo, o melhor serviço, embora a Magapaper tenha pouca margem para resolver isso. Se preferirem comprar em loja física e ter um touch and feel dos produtos, muitos dos artigos estão disponíveis na Lovely Concept Store.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

EVENTOS || Salto Tandem 4200 Metros


O meu presente (adiantado) de aniversário, de mim para mim, foi um salto tandem de 4200 metros. Pelo simbolismo do desafio e da vontade de voar, achei que não podia vir de mais ninguém senão de mim própria. E no dia 30 de agosto, às 10 da manhã, estava no aeródromo de Évora pronta para cruzar este desejo da minha lista

O serviço foi fácil de escolher e unânime nas recomendações: Skydive Portugal. A marcação do salto é feita através de um formulário online e podem escolher entre três distâncias: 3000m (a mais apetecida por quem tem mais receios mas desaconselhada porque sabe a pouco - o salto dura cerca de 15 segundos), 4200m (a opção mais popular e a que eu selecionei) e a de 5000m (recomendada para quem vai repetir a experiência). 

Em época de pandemia, os preceitos de segurança e higiene são vários e não me senti insegura em nenhum momento: a temperatura é medida à entrada, só entra no hangar quem vai saltar e os seus acompanhantes, todo o equipamento está embalado e só quem vai saltar é que mexe na roupa e acessórios. Os paraquedistas que nos acompanham no salto utilizam máscara, assim como nós até ao momento do salto, em que podemos retirar. No momento de aterragem, é-vos pedido que voltem a colocar a máscara. 

É difícil descrever uma sensação que nunca antes senti, mas da mesma forma que o procedimento do salto está dividido em três etapas, há três sensações diferentes que imperam durante toda a experiência; um salto em queda livre que nos consciencializa para a fragilidade do nosso corpo numa esmagadora pressão provocada por 200km/h, onde o corpo não acompanha a mente e não temos outra opção senão estar inteiramente conscientes e presentes de todas as sensações do nosso corpo (incluindo a nossa urgência para respirar, como se estivéssemos debaixo de água — a melhor forma que consigo descrever). A abertura do paraquedas foi, para mim, um momento de alívio e total deslumbramento. É o momento mais bonito e tranquilo de toda a experiência, onde podem observar a vista privilegiada e a curvatura do nosso planeta. Foi um momento onde me senti pequenina (no melhor dos sentidos): voltar a percecionar a minha verdadeira dimensão deixou-me de sorriso rasgado (e com algum sossego na ansiedade que co-habita comigo). Houve ainda tempo para piruetas e para o controlo do paraquedas com as minhas mãos. A aterragem é o momento em que nos apercebemos do quanto esta experiência é curta. O paraquedista vai dando instruções para que todo o procedimento seja feito em total segurança. 

Fui para este salto sem nenhum receio mas tinha algumas reservas em relação à descompressão nos ouvidos (que não senti nunca durante o salto, embora sofra imenso em todos os voos) e da utilização de lentes de contacto (que podem usar. Os óculos são bem apertados no vosso rosto para que a pressão da queda não os reposicione e para o ar não secar a vossa vista). 

A sensação é de liberdade total e de coragem. É impossível não terminarmos uma experiência tão intensa quanto um salto de paraquedas sem nos sentirmos (um pouco) invencíveis. As minhas recomendações finais são para que escolham bem o dia do vosso salto (o sonho seria ter feito no meu aniversário mas preferi condições climatéricas mais seguras e perfeitas, como em agosto, e tive imensa sorte, um dia sem nuvens e com os ventos a soprar — literalmente! — a nosso favor) e para que façam apenas a aquisição de serviços extra (fotografia ou vídeo) depois do salto. A captação de vídeo e imagem é sempre feita (independentemente de terem pago ou não o serviço) e podem ver o resultado final (e decidir, então, a aquisição dos conteúdos). No entanto, as fotografias tiradas pelos acompanhantes são permitidas (e admito que achei mais graça a essas). 

Aos 25, decidi voar e foi uma das minhas melhores decisões de 2020. Resta-me agradecer ao Filipe, o paraquedista que me acompanhou nesta aventura e que tirou todas as minhas dúvidas, conseguiu que fôssemos os primeiros a saltar (os primeiros é sempre mais giro e ele queria que um presente de aniversário como este fosse em grande!!!) e tornou toda esta experiência mais confortável e divertida. Não é, de todo, parecido com montanhas russas, mas se gostam delas já é um primeiro passo para gostarem desta experiência! Se quiserem ver um bocadinho mais, há um vídeo de 15 segundos no meu Instagram.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

FILMES || Tenet


O único filme assistido em agosto foi no grande ecrã, com direito a pipocas e à confusão mental a que Nolan já nos habituou. Nesta mais recente produção, o realizador volta a querer brincar com o tempo. 

Envolvendo espionagem internacional, o Protagonista precisa de manipular o tempo a favor da Humanidade tal como a conhecemos. Mas, se já acompanham o repertório do Nolan, sabem que esta descrição é absolutamente superficial — mas que nada mais faz sentido dizer sem estragar a experiência a quem vai assistir. 

Tem sido uma produção que divide os críticos; enquanto uns acham (mais) uma produção brilhante e desafiante, outros sentiram-se desiludidos e defraudados. Confesso que, embora esteja longe de ser o meu filme preferido do realizador, não saí desiludida do cinema. Muitas das críticas apontam para um nó na narrativa tão denso que o público é incapaz de acompanhar e não concordo — previ muitos detalhes do plot a meio do filme e o Diogo topou o segredo da cena final de imediato (mas admito que ainda estamos anestesiados com Dark, que faz qualquer produção sobre o tempo parecer child's play). Não é um filme impossível. 

Em Tenet, a física e o tempo são os fios da marioneta sensacional que nos prende do início ao fim, entre cenas cheias de ação e mistérios que desejamos desvendar — ou teorizar. Fiquei, isso sim, desiludida com a banda sonora mas encantada com a fotografia de Oslo, palco de inúmeras cenas do filme e que me recordou os lugares por onde passeei — e gostava de voltar a passear. Está extraordinário e quem disser o contrário é injusto ou aborrecido em festas.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

LIVROS || Anexos



Uma leitura à beira da piscina pedia uma história leve e divertida. Anexos acabou por ser a minha escolha, uma história que se passa em 1999 e que nos apresenta Lincoln, um jovem expert em cibersegurança contratado por um jornal para assegurar o cumprimento das regras de boa conduta online e bloquear todos os e-mails que não satisfaçam os padrões de qualidade. É assim que Lincoln descobre e rende-se às editoras Beth e Jenniffer que, sem suspeitarem que os seus e-mails são sinalizados pelo sistema de segurança (e, por isso, lidos por Lincoln), partilham as suas aventuras e desabafos. 

Confesso que não me consegui desligar inteiramente desta premissa desconfortável e desonesta, mas a leitura acaba por cumprir aquilo a que, enquanto young adult, se compromete: entreter e oferecer uma história irreverente. De leitura fácil e muito rápida, não deixa de abordar algumas questões interessantes (embora de forma muito leve) como família, fertilidade, lidar com fases de vida diferentes (ou numa cadência que não a esperada) e (o mais interessante, na minha opinião) a questão sobre a forma como nos apaixonamos; o que tem mais valor? Apaixonarmo-nos pelas características físicas de alguém sem sabermos como a pessoa se comporta, pensa ou posiciona ou apaixonarmo-nos por alguém pela sua forma de pensar e ser mas sem sabermos se as suas características físicas nos atraem? 

Não é um livro marcante ou arrebatador e tem muitos elementos irrealistas e questionáveis. Não me identifiquei com nenhum personagem mas confesso que foi a leitura de verão perfeita: leve mas que nos deixa investidos na história e que nos transporta para outras vidas e mundos.

WOOK

Bertrand

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