quarta-feira, 4 de março de 2020

AMOR || O que Aprendi Numa Relação à Distância


Não precisa de ser internacional | Um ponto que eu nunca pensei ter de explicar tantas vezes, quando mo abordam. Em termos práticos, eu e o Diogo vivemos no mesmo país e, pegando no mapa, bem pertinho. Mas a dinâmica real é outra. Não é necessário que o vosso parceiro viva na Austrália para classificar a relação como ‘à distância’. Se têm rotinas em pontos diferentes e residem em áreas diferentes, vivem à distância. Não duvido que será ainda mais difícil quando a circunstância é internacional, mas o sofrimento de viver longe de quem amamos é o mesmo. 

Tudo é ampliado | Todos os sentimentos e comportamentos normais de qualquer casal ficam ampliados numa relação à distância. Sinto que é necessário muito mais confiança, empenho e dedicação. Sentimos mais saudades, mais frustração e desassossego. Tudo é maximizado, o que se pode tornar esmagador. Aprender a lidar com esta avalanche de sensações de forma harmoniosa é essencial.

Aproveitar a nossa individualidade | As rotinas em sítios diferentes significam que acabamos por ter, de uma forma muito mais marcada que outros casais, uma vida sem a outra pessoa. Não vemos o nosso parceiro todos os dias e isso faz com que, muitas vezes, nos sintamos incompletos. Namorar à distância é aceitar que vamos ter rotinas que não incluem a outra pessoa. É importante não sentir ciúmes por o nosso parceiro fazer as suas coisas sem nós. E é saudável aproveitarmos que temos tanto tempo para, de facto, investirmos em nós e nas outras pessoas que amamos. A nossa família e amigos continuam a merecer a nossa atenção. 

Confiança | Nenhuma relação funciona sem confiança e, numa relação à distância, este ponto é ainda mais fundamental. É muito fácil imaginar cenários absurdos e assustadores mas a racionalidade tem de imperar. Se confiam na pessoa que têm do vosso lado, não há razões para nos martirizarmos com ideias que apenas alimentam as nossas inseguranças. Meter as cartas na mesa é fundamental, assim como acreditar que o nosso parceiro tem valores e princípios também.

Gerir duas rotinas | Viver num vai e volta nem sempre é agradável para quem gosta de poucas mudanças. Namorar com o Diogo à distância é saber que tenho duas cidades, duas casas, dois grupos sociais, duas famílias e duas rotinas. E ele também. Foi importante para nós incluirmo-nos na rotina do outro sem que nos sintamos turistas na sua vida. Estar na casa dele como se fosse minha e vice-versa. Sentir a cidade dele como se fosse minha e não estranhar as nossas rotinas juntos nas diferentes cidades. Esta sensação de familiaridade ajuda-nos a não nos sentirmos tão deslocados ou com 'vida dupla'.

Comunicação | É chave. Mas entre tantas correntes e dogmas, vale a pena lembrar que a comunicação deve servir à vossa dinâmica e não no que é considerado ‘normal’ noutros casais. Há casais que acham importante comunicarem-se o dia todo, outros preferem comunicar numa hora específica do dia. E nenhuma é errada ou menos substancial. É importante descobrir o que funciona convosco para que consigam comunicar-se regularmente e de forma saudável para vocês. 

Voz | Entre mensagens — mais imediatas e versáteis —, descobri rapidamente que nada se compara a ouvirmos a voz da outra pessoa. A distância encurta-se, assim como dá uma sensação de alento e reconforto. Recomendo muito as chamadas e até audios.

Data de reencontro | Um dos fatores que mais me tranquiliza é saber quando o voltarei a ver. É difícil partir sem ter ideia de qual será a data do nosso reencontro e, mesmo com rotinas e horários muito difíceis, tentamos compatibilizar ao máximo para que um de nós possa partir já com o regresso marcado na agenda. Ajuda-me a viver cada dia com mais calma e entusiasmo. Namorar à distância é namorar os amanhãs. 

Vale a pena? | É uma pergunta ainda mais difícil do que aparenta ser e é importante colocar as cartas na mesa antes de iniciarem esta aventura. Confesso-vos que esta foi a nossa maior batalha, uma vez que, quando começámos a namorar — e não namorávamos à distância, na altura — éramos terminantemente contra namoros à distância. Acreditávamos piamente que não funcionavam e demos por nós a morder a língua e a precisarmos de sentar e discutir o que estava em jogo. De experiência própria, é isto que concluo: dói mais viver uma vida sem essa pessoa do que viver um grande amor à distância. E esse é o exercício que vocês precisam de fazer também: vale a pena? Se vale, vão com tudo e libertem-se dos preconceitos.

Dias maus | Uma das coisas que mais custa é vivermos um dia triste ou menos bom e não termos o consolo imediato de quem amamos. Custa muito não termos o colo e o miminho. Aprendi a encontrar consolo noutras fontes de amor. Valorizo muito mais a minha própria capacidade para me superar, valorizo muito mais o carinho da minha família e o reconforto dos meus amigos. Sinto que, inevitavelmente, isso dá-nos muita desenvoltura individual, embora tudo fique melhor com um consolo do nosso amor (mesmo quando atrasado!).

Perspetiva de fim | Não precisa de ser um dado objetivo e com data decrescente já marcada mas acho importante que vivam esta etapa com uma finalidade. Nem sempre é na rapidez com que desejávamos, mas se a ideia é, mais tarde, iniciarem uma vida conjunta, sem transportes, malas e distâncias, então estão a ir no caminho certo. Mesmo com passos pequeninos.

A quem vive numa relação à distância, envio-vos o meu abracinho de força. Sei o que sentem, todos os dias.

7 comentários:

  1. Quando é amor, não importa a distância de 1 ou de 10 ou + km's :)
    Muitas felicidades!

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  2. Este post veio mesmo a calhar de algo que me apercebi há alguns dias. Eu e o meu namorado costumamos dizer, a brincar que, por vezes, nos sentimos numa relação à distância. Nos primeiros 3 meses de namoro, não sentimos isso: estávamos a estagiar no mesmo local e, por conseguinte, víamo-nos todos os dias. Mal esse estágio acabou, começamos a sentir o peso que era nós os dois morarmos em cidades diferentes. Raramente nos poderemos ver todos os dias (só quando ele tem aulas na UM, mas agora com os estágios, em que cada um calha em locais diferentes, não dá), nunca saberemos o que é tomar aqueles cafés juntos ao final do dia...
    Parece-me ridículo, claro, considerar que duas cidades que estão a 45 minutos da outra possa ser considerado uma relação à distância xD mas, se juntarmos as nossas obrigações académicas/profissionais, torna-se mesmo nisso. E, tal como tu, estou sempre a namorar o amanhã xD. Neste caso, este fim de semana, que é quando o vou ver.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  3. Em três anos, entre Erasmus (dos dois) e sermos de cidades diferentes, eu e o meu namorado passámos quase metade da relação à distância. E tudo o que dizes é tão verdade! Agora vivemos perto um do outro mas sinto que essa fase nos fortaleceu muito.

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  4. Neste momento, vivemos os dois na mesma cidade e consegui rever-me em tudo. Nunca digo que é "à distância" porque não é, de todo, por isso acho que tem mais a ver com rotinas do que propriamente com o número de quilómetros que separam o casal...

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  5. Muitos podem não considerar o meu caso à distancia mas eu considero-o e a verdade é que nos habituamos e torna-se algo normal. Chegamos até a aprender a viver com as saudades. Mas é uma festa quando cosneguimos estar mais do que uma vez por semana juntos e sei que se precisar de um abraço apertado consigo ir ter com ele por muito que demore, pelo menos isso! Aprovo tudinho o que escreveste, digo-lhe muitas vezes "eu acredito que nós conseguimos tudo!" e temos, de facto conseguido! Relações à distância são provas de fogo constantes e faz-nos crescer imenso! :)

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  6. Revi-me em tudo o que escreveste. É uma situação tão difícil, mas eu acredito mesmo que vai valer a pena e que não será assim para sempre. Como tu tão bem disseste, "dói mais viver uma vida sem essa pessoa do que viver um grande amor à distância". Obrigada por este texto, estava mesmo a precisar disto <3

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  7. É Amor, é o que eu digo. E que belo. À distância ou bem pertinho!

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