terça-feira, 17 de setembro de 2019

AMOR || Solitude Partilhada


Uma das particularidades que mais gosto em nós é o facto de nunca termos deixado de cultivar a nossa individualidade mesmo depois de decidirmos caminhar juntos. Não me interpretem mal; eu adoro fazer coisas em conjunto com ele porque é divertido, porque faz sentido, porque é gostoso e quentinho no coração. Mas valorizo muito os nossos gostos e tempos individuais e acredito que podemos dividi-los juntos à mesma. 

Acho magnífico que possamos estar juntos e a fazer atividades separadas. Que ele possa estar a assistir a um filme enquanto eu leio um livro; ou a jogar enquanto eu oiço música; ele a assistir a vídeos, eu a escrever no blog. Juntos mas sem estarmos a partilhar atividades. No fundo, estamos a partilhar as nossas individualidades. 

Não me incomoda que ele queira jogar ou assistir a um filme que não me desperta atenção ou que ele não queira ver a série que estou a acompanhar no momento. Acho, na verdade, libertador e bonito que tenhamos tanto à vontade um com o outro para que possamos desfrutar das nossas vontades do momento sem que tenhamos de nos cobrar ou de nos justificar. Não nos amamos menos por isso e curtimos muito mais o nosso tempo juntos. Não fazemos fretes. Não nos fartamos do que o outro está a fazer porque também estamos entretidos nos nossos próprios hobbies e quando queremos partilhar algo espontâneo  ‘lê só esta passagem’, ‘vê só esta cena do filme’, ‘já viste esta personagem?’ , o momento é genuíno e o interesse é real. 

Naturalmente gostamos de partilhar atividades em conjunto. É um momento reconfortante e que representa união e carinho. Mas também gosto de apenas dividir o tempo com ele, não a atividade. De estar ao seu lado no sofá e sentir a mão dele pegar na minha enquanto estou a ler. Ou de o ouvir a perguntar ‘essa música é gira, como se chama?’ enquanto está entretido. Porque não deixamos de ter uma individualidade e não é errado apetecer-nos fazer coisas sozinhos. Esta solitude partilhada é refrescante, para mim. Saber que podemos ser nós próprios e que podemos escolher o nosso entretenimento sem fretes ou sentimentos de culpa por não estarmos a fazer tudo em conjunto, a meu ver, é o mais puro simbolismo de conforto, confiança e companheirismo. Não imagino outra definição de parceiro: ser individual com ele.

5 comentários:

  1. Concordo a 100%! Não prescindindo das atividades que fazemos juntos, também gosto muito de passar tempo com o meu namorado, cada um a fazer a sua cena mas na companhia um do outro :)

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  2. Bonito texto. Tocou-me como poucos... Parabéns.

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  3. Tenho uma relação há mais de 10 anos e acho que isto é o segredo para que o amor dure. É preciso continuar a ser a pessoa enquanto indivíduo independente, é preciso apreciar os nossos momentos a sós, é preciso continuar a concretizar objetivos pessoais para possamos também alcançar objetivos a dois.

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  4. não temos que fazer tudo juntos aliás, como referiste, é tão bom coabitarmos o mesmo espaço e termos a liberdade para fazermos coisas diferentes, é aconchegante o silêncio confortável e a sensação de presença. é impagável!

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  5. Esta publicação fez-me lembrar a vossa história em Braga, ri-me tanto agora, com a tua recordação a contar-ma! Obrigada, por este pequeno momento! ♥

    Acho que solitude partilhada é o que qualquer pessoa procura, quando realmente compreende o seu significado, não é verdade? Nunca tendo estado numa relação, tive aí uma fase em que, na minha concepção, o perfeito seria encontrar alguém com quem fazer tudo e mais um par de botas, contudo, conforme me fui desenvolvendo e vincando a minha individualidade, fui-me apercebendo de que aquilo que eu mais quererei, junto de alguém, será ter esta liberdade em continuar a ser eu, em perpetuar o meu crescimento pessoal, enquanto ele também o faz!

    Nada como, tal como apontaste, cada um ir em direção à sua melhor versão, mas de mãos dadas, enquanto comentam certos aspetos que, do vosso ponto de vista, vos chamou à atenção! Relacionar-me com alguém, agora, fará muito mais sentido, visto que eu me respeito por isso e estarei mais do que disposta a respeitá-lo, também, por querer ter o seu tempo, mesmo com o silêncio como pano de fundo. Saber partilhar desse silêncio, sem cobranças, sem desconforto, - porque, na verdade, não é com qualquer um com quem conseguimos partilhar o silêncio! -, diz imenso de duas pessoas que se querem e isso é muito bonito!

    Obrigada por esta publicação, Inn, de coração! ♥

    LYNE, IMPERIUM BLOG

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