terça-feira, 21 de maio de 2019

DAILY || 5 a.m


Uma das minhas maiores transformações pessoais foi passar a ser uma morning person. Talvez seja por isso que não tenha sido tão surpreendente ter adoptado uma nova rotina, logo no início deste ano: acordar às cinco da manhã.

Se mo tivessem dito há uns anos, não acreditava e diria que era loucura. Mas a verdade é que se tornou num dos meus melhores hábitos, sem exagero. Sendo sincera, pensava que ia conseguir fazê-lo durante uma semana e depois fracassava. Mas tem sido completamente benéfico na minha vida, e com zero sacrifício. Evidentemente, só funciona de uma forma saudável e possível a longo prazo porque me deito cedo. É impossível alguém acordar às cinco da manhã com vontade de viver se se deitar às onze e meia da noite.

Em rigor, o meu maior desafio foi mesmo este: abandonar os serões, o sofá depois do jantar e tratar imediatamente de me preparar para deitar. Mas tenho conseguido fazê-lo e a minha regra de ouro ajuda-me a relaxar. A minha ansiedade também melhorou muito. Como sinto que aproveitei bem o meu dia, não vou para a cama tão angustiada e o cansaço natural ajuda-me a dormir melhor.

Desde que entrei numa rotina profissional, a minha ansiedade piorou substancialmente com a ausência de tempo livre. Ficava esfomeada de fins de semana e folgas que me deixavam ainda mais infeliz pelo pouco tempo que dispunha para tudo o que queria fazer. Chegar a casa depois do trabalho, já cansada, desgastava-me e entristecia-me mais. Uma bola de neve de melancolia. Deitava-me tarde porque não queria reconhecer que o dia ia terminar, outro ia recomeçar e que a minha 'liberdade' começava só depois das 19h. Eu sei; toda a lenga-lenga de fazer um trabalho que gostemos. Sejamos sinceros: nem sempre é uma realidade e muitas vezes temos de aguentar a barra para chegarmos ao trabalho que queremos.

Acordar às cinco da manhã traduz-se em imenso tempo para mim. Não despertar imediatamente com a agitação de ter de me despachar para sair de casa tem sido fundamental na minha felicidade e saúde mental. Posso decidir como quero começar o dia. Sei que não é um hábito realista para muita gente que já acorda praticamente a essa hora para apanhar transportes ou conduzir — been there, done that. Mas se é possível para mim, por que não desfrutar? Aproveito este tempo de madrugada para adiantar e-mails ou rascunhos do blog, para brincar com a Belka, para treinar Alemão (e, agora, Italiano), para fazer exercício, comer um pequeno-almoço de qualidade sentada e a assistir a um vídeo ou uma série/filme, para ler... No fundo, qualquer coisa que me traga felicidade e energia, sem tarefas ou obrigações. E acho curioso que muita gente me pergunte 'tu acordas cedo para ler/ver uma série?' à qual eu coloco uma contra-questão 'e tu deitas-te mais tarde para ver mais um episódio?'. Vai dar ao mesmo. Eu simplesmente escolhi estar acordada no meu intervalo de produtividade e concentração.

Outra coisa que aprecio é ter exatamente a mesma sensação de sossego que tinha quando me deixava ficar até de madrugada; aquela quietude que qualquer night owl aprecia, a sensação de que o mundo inteiro está a dormir e que não há nada que nos vá perturbar ou incomodar, de repente. Sinto precisamente isso quando acordo a esta hora. Sou só eu, o meu chá quente, os meus planos felizes, sem ninguém a interromper ou chamadas/mensagens inconvenientes... É libertador. De verdade.

Não há nada mais incrível do que estar a beber o meu earl grey e a ver o Sol nascer sabendo que já fiz coisas que me deixam feliz e realizada. É a mudança mais inesperada da minha vida e que tenho um medo gigante de perder ou, de súbito, deixar de ser possível. Mas, enquanto é, tenho sido das 'loucas' que acorda às cinco da manhã e nunca me senti tão produtiva, saudável (física e mentalmente), bem disposta e feliz com uma rotina. Quem diria?

5 comentários:

  1. Identifiquei-me apesar das circunstâncias serem diferentes. A minha rotina diária actualmente também conta com muitos momentos desses, de estar sozinha, com os meus interesses e inspirações, a ver vídeos no Youtube, ler e a criar para os meus projectos pessoais e é tão bom :) Eu só consegui fazê-lo depois de me despedir e de ter reduzido muito as minhas horas de trabalho na minha actividade própria. Neste momento, tenho menos rendimentos, mas esta paz e tranquilidade não tem preço ;)
    Beatriz de ilhoa.pt

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  2. Isso é extraordinário ! Eu confesso que é um desejo que tenho desde há muito tempo e que parece estúpido (para quem não nos compreende) mas é somente conseguir acordar cedo com naturalidade, ou seja, não acordar cedo só porque o despertador tocou e tenho de ir trabalhar ou porque tenho algum compromisso. Seria óptimo conseguir acordar cedo e bem, descansada (8h30-9h) também nas folgas para que possa aproveitar melhor o tempo livre para fazer coisas que me fazem feliz e tratar das tarefas que todos temos, claro.

    Espero um dia conseguir :)

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  3. Eu acordo a essa hora no período de aulas e faço por acordar, também bastante cedo, durante as férias. Não preciso de acrescentar mais nada ao teu discurso: as sensações que colhemos deste tipo de rotina são quase que impossíveis de substituir. É bom, faz bem e após muito treino e disciplina, chegamos lá! Não há como negar: acordar entre as 5h/6h é ma das melhores coisas que nos podemos auto oferecer!

    LYNE, IMPERIUM BLOG

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  4. Preciso dessa coragem :)
    Gosto de ser produtiva todos os dias mas, reservar algum tempo das 24h que temos para mim. Para manter a leitura em dia, para ouvir um álbum, para ver mais um episódio e relaxar.
    Se ao longo do nosso dia procurarmos não procrastinar e implementarmos pequenos prazeres que tiramos de certas atividades/hobbies que gostamos, o dia vai ser muito melhor.
    Beijinhos,
    https://sobomeuolhar7.blogspot.com/

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  5. Não consigo acordar as 5h, é demasiado para mim. Contudo, tenho algumas manhãs livres e quando acordo mais cedo nesses dias, em vez de ficar na cama a té tarde, sinto que, de facto, o dia rendeu! Não é fácil encontrar um momento que seja benéfico para nós e que nos ajude no dia que vai ser caótico. Nem toda a gente consegue, mas é fundamental, isso também tenho aprendido. Um beijinho, Inês.

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