domingo, 31 de março de 2019

FILMES || Março • 2019

Custa-me muito quando descubro uma história cheia de potencial e um guião fraquinho — e ainda pior quando me dizem que o livro não supera o filme. A ideia era genial: o mundo inteiro está a ser contaminado por algo misterioso que parece ser invisível mas que podemos escutar e sentir. Ao estarem expostas, as vítimas entram numa transe melancólica onde o único consolo possível é a morte e, portanto, suicidam-se — de forma brutal, se necessário. Bird Box é protagonizado por Sandra Bullock, que é imediatamente socorrida por um grupo de desconhecidos que se refugia no interior de uma casa e compreendem que a única forma de sobreviver é vendarem os olhos.
Tinha tudo para ser um filme de suspense incrível, mas existe uma linha muito ténue entre o mistério agradável e a omissão prejudicial de informação. Terminei o filme com a sensação de que era misterioso demais e com pontas soltas excessivas. Talvez a história tivesse resultado melhor em série. Assim, é só um argumento que tinha tudo para ser bom e que se torna num filme de suspense engraçadito.

Uma comédia romântica original da Netflix que conta a história de Abbie e Sam, ambos o primeiro amor um do outro e a única relação onde já estiveram, crescendo juntos e ultrapassando cada etapa em conjunto. Porém, agora noivos, Abbie descobre que tem um cancro terminal e, entre todas as emoções devastadoras que a invadem, a sua preocupação com a perda e inexperiência de Sam para se relacionar com outras mulheres passa a ser a sua prioridade número um, procurando a parceira perfeita para ele, depois de se ir embora.
Tem tudo para ser uma mega dramalhada, não é? Mas é tão quentinho no coração. É uma verdadeira comédia romântica mas, acima de tudo, é uma abordagem incrível sobre o cancro — se é que tal frase faz sentido. Sem paninhos quentes e com muito humor — aquele humor gostoso. Reflecte de uma forma muito real, mas com uma leveza quase paradoxal, tudo o que uma doença como o cancro (especialmente terminal) traz no quotidiano, desde as coisas mais pequenas e insignificantes às mais importantes, como a relação com os familiares e com os tratamentos. Tem também óptimas referências em relação aos grupos de apoio — e a sua importância —, já para não falar do plot principal da história. Não é um filme pesado, embora o tema o seja e, mesmo deixando-nos de coração apertadinho, é um filme onde sorrimos e compreendemos a importância da lealdade no amor.

Fragmentado
Split é um filme de suspense que nos apresenta Kevin, um homem diagnosticado com um transtorno dissociativo de identidade, ou seja, um indivíduo com múltiplas personalidades — 23, neste caso. Todas com nomes, idades, gostos e comportamentos completamente diferentes que apenas têm como elo comum partilharem o mesmo corpo. Duas dessas personalidades decidem raptar três jovens sem deixar qualquer pista do seu paradeiro. As restantes identidades procuram ajuda — não só para salvar as jovens indefesas mas para salvar o próprio Kevin.
Devo admitir que a história em si — especialmente quando se discutia o caminho sobrenatural — não me deixou rendida, mas a exploração do transtorno em si, sim. Tinha um conhecimento vago acerca dele mas não fazia ideia de uma série de particularidades que tornam o transtorno tão intrigante e confuso. O filme funciona como uma sequela discreta para o pioneiro, de 2000, Unbreakable — que não assisti — mas gostava muito de ver este transtorno mais retratado e personificado num contexto menos macabro porque é muito curioso. De destacar a prestação de James McAvoy, que personificou todas as identidades de forma brilhante e detalhada.

Dumbo
Embora deteste o universo do circo — mesmo em miúda — o Dumbo sempre recebeu todo o meu carinho e atenção. Neste relançamento, com realização de Tim Burton, a Disney procurou desenvolver um pouco mais a história deste pequeno elefante voador, acrescentando mais detalhes, reviravoltas e personagens, mas sem esquecer os detalhes e cenas célebres que ainda hoje vivem na nossa memória (sim, incluindo aquela cena tripada dos elefantes!). Numa actualidade que tanto grita por mensagens de autenticidade, o filme responde à tendência e deixa mensagens claras sobre aceitarmos as nossas diferenças e as usarmos a nosso favor, relembra a importância de lutarmos contra a crueldade animal, reforça o valor da família — a de sangue e a que escolhemos — e de acreditarmos em nós próprios. No fim, este novo filme do Dumbo privilegia a história principal que o original de 1941 já entregava tão bem (e que é o que me faz adorar um filme no mundo das artes circenses): o amor de mãe e filho. E o que somos capazes de fazer por esse amor.

quinta-feira, 28 de março de 2019

PASSAPORTE || Compras em Dublin I


Hodges Figgis | Uma livraria de três andares que vai encantar qualquer bookworm ou fã de artigos de papelaria! A fachada evoca-nos para o mundo mágico de Diagon’Al, com a sua montra a la époque, e o interior de perder de vista, Hodges Figgis promete vender todos os títulos que podemos imaginar. Uma seleção incrível de livros, artigos de papelaria de sonho, postais, jogos de tabuleiro, merchandising e promoções incríveis e exclusivas. Todos os dias, a livraria seleciona alguns livros para vender, exclusivamente no próprio dia, a metade do preço. E sim, inclui livros editados recentemente (com menos de 12 meses) e de várias categorias, o que torna a promoção incrível e imbatível. Foi assim que adquiri o Guião Crimes of Grindelwald a metade do preço! Se tiverem uma viagem programada para Dublin, vale a pena escolherem um dia para visitar a livraria e verem o que ela tem para oferecer!

quarta-feira, 27 de março de 2019

LIVROS || Guião Original Crimes of Grindelwald


Os guiões originais que se fazem acompanhar com a estreia de cada filme de Monstros Fantásticos não me têm passado despercebidos. A edição pensada ao detalhe, a opção em capa dura – que só aumenta a beleza do livro – e os pormenores que o filme tem limitações em reproduzir (como pensamentos ou emoções) fazem com que aguarde a edição do guião com tanto entusiasmo quanto a estreia do filme.

Depois de estar na minha lista de desejos durante tanto tempo, acabei por aproveitar uma promoção incrível numa livraria em Dublin – já falei sobre ela no meu Instagram e vou voltar a falar por aqui, brevemente – para o trazer comigo e debruçar-me no mundo mágico de J.K. Rowling uma vez mais. 

À semelhança do primeiro volume, o estilo da autora está bem presente e os pequenos miminhos para os fãs também. Através do guião, temos acesso a nomes de personagens que não estão identificados no filme – e com alguns apelidos bem conhecidos no universo Harry Potter – somos esclarecidos em relação a algumas dúvidas – como é que os Aurors eram capazes de se aparatar em Hogwarts se tal privilégio estava apenas reservado ao Diretor da escola? -, embora as principais e mais polémicas não fiquem particularmente bem respondidas na versão do livro, e temos acesso a algumas reflexões, memórias e sensações que elevam a qualidade das cenas – especialmente com Dumbledore. 

Repito-me quando digo que lamento não existir, de facto, um livro narrativo com toda a história que se está a desenrolar no grande ecrã e reconheço que este é um artigo totalmente segmentado para fãs mas, enquadrando-me eu nesse nicho, sinto-me sempre feliz por poder viver, por um par de horas, o meu universo preferido entre as páginas de um livro lindíssimo.

Autora: J. K. Rowling
Número de Páginas: 287
Disponível na WOOK (ao comprares através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

sábado, 23 de março de 2019

PASSAPORTE || St. Patrick's Cathedral


É impossível visitar a Irlanda e não ouvir, em algum lugar, 'St. Patrick', mas talvez a Catedral de St. Patrick seja o maior ponto de referência — a par com St. Patrick's Day! A Catedral de St. Patrick é praticamente vizinha de Christ Church, razão pela qual são tantas vezes comparadas. É também uma ótima forma de potencializarem o tempo se estiverem a considerar visitar as duas.


quinta-feira, 21 de março de 2019

BOM GARFO || Tea Rooms

 DUBLIN

Em frente ao jardim zoológico de Dublin, no interior de Phoenix Park, encontra-se um pequeno quiosque vitoriano, inaugurado no século XIX, que, ainda hoje, abre portas para receber todos os visitantes do parque e os convida a tomar um chá.

domingo, 17 de março de 2019

PASSAPORTE || Phoenix Park


Phoenix Park era a nossa paragem mais 'fora de mão', e por ser um espaço exterior, combinámos que a visitaríamos assim que tivéssemos certezas de que não íamos sofrer pelas intempéries Irlandesas, o que acabou por acontecer logo no primeiro dia. Embora refira que está 'fora de mão', a expressão é injusta, uma vez que tudo em Dublin é perto e que chegámos aos enormes portões do parque após uma pequena caminhada.

quinta-feira, 14 de março de 2019

PASSAPORTE || Dicas e Factos Sobre a Irlanda pt I


1. Embora pareça pequena, a Irlanda está divida em duas: Irlanda do Norte e República da Irlanda. Ambas são bastante distintas; enquanto a República da Irlanda é uma região autónoma, cuja capital é Dublin, a Irlanda do Norte ainda faz parte do Reino Unido e tem como capital Belfast. É por isso que tantas vezes escutamos que a Irlanda tem duas capitais e que tantas notícias em relação ao Brexit têm afetado o país. A razão de estar dividida é longa e histórica mas centra-se, principalmente, na religião: a Irlanda foi conquistada pelos ingleses no século XIX e virou católica. O Rei Henrique VIII decidiu dividir a nação, cortando relações com a igreja católica e formando a religião protestante anglicana. Assim ficou, desde então.

terça-feira, 12 de março de 2019

LIVROS || Gmorning, Gnight!


É a primeira vez que escrevo um artigo de opinião sobre um livro que ainda não terminei, mas a razão é legítima!
Ouvi falar ocasionalmente de Gmorning, Gnight! e, embora nunca tivesse visto o conteúdo do livro, adorei o conceito. Escrito por Lin-Manuel Miranda — o mesmo que escreveu as canções para o filme Moana — o propósito do livro é simples: em cada página, há uma mensagem para lerem de manhã, ao acordar, e outra para ler antes de ir dormir. Uma mensagem de bom dia e boa noite.

Porém, quando abri o livro, não era o que estava à espera; eu julgava que, efetivamente, existiam textos, narrativas, para ler de manhã e à noite — reflexões ou pensamentos do autor que faziam sentido serem lidas no nascer e encerramento do dia. Não é o caso. Existe, isso sim, pequenas mensagens, algumas em poema, rápidas e concisas. Confesso que acho que a ideia inicial que tinha do livro era mais interessante mas, ao longo do tempo, tenho ficado verdadeiramente inspirada com as pequenas mensagens.

Todas as mensagens são acompanhadas pelas ilustrações lindíssimas e minimalistas de Jonny Sun, o que tornam Gmorning, Gnight! num livro encantador que começou por ser uma brincadeira carinhosa no Twitter e evoluiu para um livro aconchegante para começar o dia com outra disposição e terminá-lo com pensamentos bons a pairar na mente.

Por isso mesmo é que estou a opinar sobre ele sem o ter terminado. As mensagens são curtas mas tenho cumprido a rotina religiosamente. Mal o despertador toca, ligo a luz do candeeiro, alcanço o livro, leio a minha mensagem de bom dia, observo a ilustração, reflito um pouco e volto a pousar. À noite, o processo inverso. Já pronta para dormir e bem aconchegada, leio a minha mensagem bonita de boa noite, pouso o marcador e o livro na cabeceira e apago a luz. Não é uma rotina simples mas amorosa?

Ainda não existe uma versão portuguesa — mas, se existir, acho que continuo a recomendar a edição original, com os textos em inglês — mas o livro é absolutamente lindo, não só no conteúdo mas também na própria edição, em capa dura, com uma jacket lindíssima e um design gráfico maravilhoso. A dedicatória é especial e sei que é o tipo de livro que, a par do da Rupi, quando terminar, vou regressar às suas páginas para ler um dos textos aleatórios. Se me permitem a sugestão, é um livro fantástico para oferecer como presente.

Autor: Lin-Manuel Miranda
Número de Páginas: 224
Disponível na WOOK (ao comprares através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

sábado, 2 de março de 2019

VÍDEOS || Preferidos de Fevereiro 2019

Você Num Tem Umas Arestas? | Começamos com um vídeo sobre tolerância, conduzido pela incrível e sempre pragmática JoutJout. Tolerância para os defeitos pequenos dos outros, aquele estalar do vidro quando vemos os seus mini-defeitos surgir ao de cima. As tais arestas que ela refere. Eu compreendi o que ela queria dizer. Às vezes temos pessoas ótimas na nossa vida, que já fizeram — e fazem — imenso por nós, que agregam milhares de coisas boas e somos intransigentes com aqueles pequenos pormenores mais chatinhos. Fervemos em pouca água em vez de sermos mais tolerantes e ajudarmos a pessoa a crescer além dessa aresta. Porque todos nós as temos. Eu tenho milhares. As minhas pessoas também têm. E o saudável seria aprendermos a conviver uns com os outros e sermos pacientes com as nossas (e as suas) imperfeições.
Cobramos demais dos outros, eu sinto muito isso, por vezes. Eu gostei deste vídeo. Temos de ser mais humanos com as nossas pessoas. Como diz a JoutJout 'devíamos ser um pouquinho mais gentis com as arestas dos outros'.

Família & Amigos Reagem às Vossas Suposições | Talvez seja um vídeo um pouco irrelevante se não conhecem a Mariana, mas considerei este um dos meus vídeos preferidos de Fevereiro não só pela ideia original — no meio de uma série de vídeos batidos sobre a mesma tag — mas também pelo diálogo entre namorado, familiares e amigos sobre si própria, nomeadamente, traços de personalidade. Achei que, mais do que um vídeo original, é uma abordagem importante. Precisamos de falar mais com as nossas pessoas, expressar mais abertamente o que achamos de quem gostamos. Como as pessoas que importam pensam em vocês. Qual é a imagem que as pessoas de quem gostam retiram de vocês. E refiro-me da forma menos superficial possível. Consideração real, profunda. Acho que já o disse vezes demais mas nós somos, toda a vida, bombardeados com a importância da comunicação numa relação amorosa mas esquecemos do quanto é igualmente fundamental no seio familiar e entre amigos. Continuamos a achar isso patético quando, na verdade, patético é acharmos isso.

Stop Hating Photos of Yourself | A Sorelle é uma das minhas youtubers preferidas para falar sobre retratos fotográficos — é divertida e dinâmica — e neste vídeo, ela tenta ajudar-nos, através de algumas dicas e lembretes, a gostarmos mais dos nossos retratos, das fotografias que nos tiram. Confesso que tenho passado por uma fase muito má (que já vem do ano passado). A jornada do amor próprio e da nossa imagem não é uma corrida com meta e passamos por altos e baixos. E o meu tem estado fundo. Tenho sido muito cruel e crítica comigo própria, portanto, qualquer conteúdo que me relembre do quanto isso não faz sentido é uma ajuda extra nesta luta por voltar a sentir-me bem com a minha própria beleza.

Um Sábado Aconchegante | Eu adoro a Mel. Já a acompanho desde o seu tempo no blog e tenho amado os registos hygge-vlog (não existem, estou mesmo a inventar) onde ela grava vídeos que não têm necessariamente de ser mega dinâmicos e com super programas. Às vezes ela grava o seu processo de escrita nos seus journals, ou das maratonas de leitura... Este, por exemplo, foi um sábado normalíssimo, no seu quarto, entre chás, bolachinhas e leituras. Tão comum quanto isto, mas tão agradável por isso mesmo. É uma rotina familiar, que qualquer um de nós pode fazer e que traz conforto. Combinado com a música bonita e com a edição visual lindíssima, é um vídeo para se sentirem melhor. Gostava muito que mais youtubers tivessem este tipo de registo hygge-vlog. Se tivesse um canal de Youtube, era por aqui que apostava.

10 Alimentos com Açúcar Escondido e que Não Sabias! | No meio de tanto ruído em torno da nutrição, gosto da voz da Alice. Discordo dela em muito pouca coisa e acho que o seu propósito em comunicar nutrição é aquilo que sempre valorizei nesta área: educar. Ensinar as pessoas não só a comer melhor mas a saberem o que estão a comer e para que possam ser livres de tomar as suas decisões alimentares com conhecimento e consciência. Acho que é um lado nobre da área. Este vídeo procura contribuir para isso e ensinar que as marcas e os chavões ('bio', 'vegan', 'light', 'zero' — que já escrevi sobre isso, em tempos, por aqui, aliás!) não querem dizer nada se não olharem para o rótulo. A Alice partilha dez alimentos muito comuns do quotidiano que, geralmente, têm açúcar na sua composição e ainda refere as várias nomenclaturas possíveis para referir açúcar (que ela já tinha reforçado num outro vídeo inteiramente dedicado a rótulos e que partilhei convosco nos Favoritos de Agosto, em 2018). Não foi um vídeo propriamente relevante para mim, por razões óbvias, mas achei muito pertinente partilhar convosco porque é um bom vídeo sobre educação alimentar e tenho todo o gosto em partilhá-lo convosco e com a segurança de que vai agregar bom conhecimento para vós. Se só puderem assistir a um vídeo, gostava muito que fosse este.


Qual foi o vosso preferido?

sexta-feira, 1 de março de 2019


Fevereiro foi um mês agridoce. Sinto que saboreei cada bocadinho e que, em geral, foi um mês muito generoso mas que voou das minhas mãos e trouxe as primeiras incertezas. Não consegui fazer tudo o que idealizei, mas o que fiz teve todo o meu empenho e dedicação. É por isso que o encerro com a sensação de que soube a pouco e que não fui tudo, mas fui bastante.