quarta-feira, 31 de outubro de 2018

FILMES || Seis Sugestões para o Halloween

Se há coisa que é muito típica na minha família, é celebrarmos o Halloween. Bom, da forma como podemos, já que não vivemos num país pertencente à cultura do Dia das Bruxas, mas gostamos e eu sei que muitos leitores também gostam desta ocasião e de todas as decorações, livros e filmes que se vêem por aí.
Eu associo o Halloween não tanto ao clima de festa  até porque, em Portugal, as festas de Halloween são mais tenebrosas que o próprio Dia das Bruxas  mas a algo muito familiar porque fazemos sempre tudo juntos; esculpimos abóboras na bancada comprida da cozinha e competimos para ver quem fez a cara mais assustadora, comemos doces típicos e vemos filmes de Halloween em conjunto, com pipocas incluídas. Acaba por ser um ambiente muito hygge e outonal. E para quem desejar recrear um momento destes  é maravilhoso  decidi trazer seis sugestões de filmes com a temática do Halloween. Não são de terror ou nada que se pareça, aliás, são filmes que até as crianças podem assistir, apenas envolvem o Halloween e tornam o serão mais temático. A maior parte deles eu assisti em criança, portanto, muitos deles têm um toque nostálgico para mim e fazem parte da minha identidade.


The Nightmare Before Christmas
Nós deixamos sempre este filme para o fim porque é uma espécie de transição do espírito de Halloween para o de Natal. Neste filme do Tim Burton, o esqueleto Jack está farto de ser o Rei das Abóboras e de celebrar o Halloween todos os anos, nas mesmas rotinas e condições. Anseia por algo novo e, inesperadamente, dá de caras com a Terra do Natal, que o apaixona, intriga e provoca-lhe o desejo de se transportar para esse mundo caloroso.
É um musical cheio de criaturas assustadoras mas que nos cativam e que mistura dois mundos, à partida, apenas próximos pelas datas: Halloween e Natal. Acho a construção da história maravilhosa e aguardo todos os anos ansiosamente para poder cantar "This is Halloween, this is Halloween (...)"


Hocus Pocus
O filme mais Halloweenesco de sempre e o meu preferido desta lista. Na verdade, em Portugal, este filme passou completamente despercebido, mas nos Estados Unidos é o filme de Halloween
Três jovens vão visitar uma casa abandonada, ignorando a lenda que a torna assombrada. Max, um dos elementos do grupo, acaba por acidentalmente libertar as três irmãs bruxas que moravam, em tempos, nessa casa e que decidem, agora, vingar-se e recuperar o tempo perdido, criando poções onde são necessárias crianças para que recuperem a sua jovialidade, beleza e se tornem imortais. Os jovens vêem-se desesperados para roubar o livro de magia que torna a poção possível, com uma ajuda muito especial.
Um pormenor muito engraçado é uma das atrizes que faz parte do elenco. Sarah Jessica Parker diz-vos alguma coisa? É extraordinário como passou de bruxa tontinha a Vogue addicted na cidade que nunca dorme, incrível quando os atores têm esta capacidade de se transformarem por completo. 
É uma produção Disney e aquele que faço questão de ver em primeiro lugar!


The Haunted Mansion
A família Evers decide tirar umas férias para desfrutarem de um tempo de qualidade depois de o trabalho roubar quase todo o tempo disponível do pai para estar com os filhos. Durante a viagem, decidem fazer uma paragem para ver uma mansão e descobrem da forma mais assustadora que a casa, afinal, é assombrada e sofre de uma terrível maldição.
O quanto eu adorava quando isto passava no Disney Channel, todos os Halloweens. É um dos meus preferidos também, a par do Hocus Pocus, cheio de mistérios e com os ingredientes Halloweenescos todos para se tornar num serão assombrado.
Quando fui à Disneyland já conhecia este filme, portanto, foi extraordinário ir à Casa Assombrada do parque, que é inspirada neste filme, e que me permitiu viver todas as experiências aterradoras mostradas no filme. Se também já foram à Disneyland e à Casa Assombrada de lá, aproveitem para ver o filme, as vossas recordações vão reavivar! 


A Casa do Mickey Mouse: Vilões
Este é, definitivamente, o filme para toda a família — petizagem mais do que incluída. A malta da minha idade é capaz de recordar um programa de animação do Disney Channel chamado A Casa do Mickey Mouse, um espetáculo promovido pelo Mickey e companhia onde os convidados eram sempre as personagens mais icónicas dos filmes clássicos da Disney. Consistia na transmissão de sketchs antigos e, para esta ocasião de Halloween lançaram, na altura, um filme sobre o programa, onde a temática era o Dia das Bruxas e a transmissão era de sketchs dos mais variados anos, todos relacionados com o Halloween. Porém, durante o espetáculo, os vilões, liderados por Jafar, têm um plano maquiavélico preparado para a meia-noite...
É o filme que satisfaz todas as idades. Os mais pequenos pela dose de animação, os graúdos por reverem algumas das suas personagens preferidas. Algo que adoro neste filme é que tem o verdadeiro sentido infantil e puro do Halloween, com os fantasmas, as abóboras, os planos das bruxas... Guarda o conceito orgânico que sempre me fascinou em criança.


Halloweentown
O maior clássico do Disney Channel, certo? Um filme que marcou a minha infância e que, atualmente, traz sempre consigo o sabor da nostalgia e do reconforto. Marnie tem 13 anos quando descobre pela avó que é uma bruxa. A mãe sempre guardou segredo e tentou afastar os filhos das festividades relacionadas com o Halloween, julgando protegê-los. Mas se Marnie não explorar os seus poderes, pode perdê-los para sempre. Enquanto isso, algo de negro assombra a cidade...
Abóboras, bruxas, criaturas sobrenaturais e uma história transversal. Que mais podemos pedir?


Coco
Terminamos com a sugestão mais recente desta lista — mas não menos amada por isso. Coco é um filme de animação Disney que decorre no México, precisamente no Dia de Los Muertos — a celebração de Halloween da cultura mexicana. Miguel é apaixonado por música, mas não pode explorar o seu talento por viver num seio familiar que despreza e proíbe essa arte por perto. O seu sonho é chegar ao nível de Ernesto de La Cruz, um famoso músico que morreu tragicamente. Ao ver que decorre um concurso de talentos na cidade durante a celebração do Dia dos Mortos, Miguel decide abdicar da celebração tipicamente familiar para seguir o seu sonho. E é quando tenta roubar a famosa guitarra de Ernesto de La Cruz que toda a aventura começa...
O verdadeiro filme familiar, cheio de mensagens valiosas e emocionantes — não me responsabilizo pelas lágrimas! Repleto de referências à cultura mexicana e à famosa celebração — para desenjoar um pouco das referências tipicamente americanas/britânicas do Halloween —, é um filme quentinho no coração onde podemos contar com uma aventura de outro mundo (literalmente!), esqueletos fofinhos, música animada e uma qualidade de imagem estrondosa. Podem saber mais detalhes do filme nesta publicação. Se andaram a adiar ver este filme, aproveitem a ocasião!

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

SÉRIES || The Haunting of Hill House


The Haunting of Hill House é a série de terror que nos fala sobre a família Crain, composta por Hugh, Olívia e os seus cinco filhos, que se mudam temporariamente para a mansão Hill com o objetivo de a recuperar e deixar apta para venda. No entanto, estranhos acontecimentos assombram as crianças e só conseguem uma escapatória na derradeira noite, que nunca mais esquecem e que deixa marcas que os perseguem até à maioridade.

É precipitado referir The Haunting of Hill House como (apenas) uma série de terror. Mas não se iludam: é o conteúdo perfeito para quem gosta de terror. Há sustos para todos os gostos (e são bons!), cenas arrepiantes e uma história de confusão e incerteza que nos leva ao limite até ao meio da primeira e, até à data, única temporada, momento em que o pano começa levemente a despontar e tudo nos começa a parecer mais claro (e ainda mais assustador). Parece impossível que saber tudo o que se passou assuste mais do que não saber o que está por detrás da cortina (ou, neste caso, porta)? Sim, mas série demonstra-o na perfeição.

No entanto, a história é rica, o que se revela raro nos conteúdos de terror, hoje em dia. Os jumpscares não são o ponto de destaque — tampouco abusam deles — mas as personagens e as suas histórias sim, desenvolvendo-as e permitindo-nos criar empatia com todas elas. É também digno de referir a qualidade dos cenários, as cores, a fotografia aberta — que nos revela inúmeros detalhes arrepiantes, pelo que vos recomendo olhos abertos em qualquer ocasião! — a naturalidade real dos diálogos e das ações dos atores — eles gaguejam, repetem-se, tropeçam. Não estão desenhados para serem personagens e sim humanos— e as técnicas de gravação (algumas com o perfil 'one take' o que nos deixa boquiabertos e com o dobro da tensão).

É a série perfeita para esta época de Halloween e que eu não queria deixar passar a ocasião sem a assistir. Tendo em conta a atual realidade acerca dos filmes e séries de terror, é uma lufada de ar fresco encontrar uma produção com uma história que nos intrigue, agarre e devore, com elementos que nos apavoram e nos deixam na penumbra até ao momento certo para serem revelados. The Haunting of Hill House demonstra-nos que os verdadeiros fantasmas estão dentro das nossas relações, pensamentos e vícios.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

FILMES || O Primeiro Homem na Lua


Estreiam filmes espaciais e a Inês aparece no cinema munida de pipocas e de um coração que não consegue controlar a inquietação de todos os incidentes no espaço típicos destas obras cinematográficas. O Primeiro Homem na Lua foi a nova aposta de Damien Chazelle, depois do famoso Whiplash e do aclamado La La Land, e conta-nos a história da maior e mais perigosa aventura espacial da Humanidade, desde os seus projetos primordiais, através da perspetiva do homem que ficará, para sempre, na História: Neil Armstrong.

Interpretado por Ryan Gosling, O Primeiro Homem na Lua é um relato cru e, por vezes, angustiante de todos os sacrifícios — alguns demasiado altos — que vários indivíduos (uns de maior conhecimento público que outros) tiveram de cumprir para vencer na corrida soviética, incluído Armstrong. A obra relembra-nos que os maiores feitos da Humanidade nunca são suportados por um só homem, e que atrás dos holofotes e das expectativas políticas e da nação, existem uma série de pessoas e fatores tão ou mais importantes para aqueles que escrevem uma nova linha nas nossas vitórias e conquistas.

O Primeiro Homem na Lua deixa o coração apertado e a boca aberta em vários momentos do filme — como foi capaz de suportar todos aqueles g??? A banda sonora não me convenceu por aí além (sinto que a música não teve força. O contraste da intensidade ação/música, por vezes, é inteligente, mas, aqui, sinto que amorteceu demasiado) e desconfio que esta história incrível (com uma premissa que me prende muito mais do que La La Land, por exemplo), vai ficar à sombra do sucesso do musical. Não obstante, vale muito a pena, especialmente, no ecrã de cinema.

Poster

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

ISTO É TÃO INÊS || 7 Coisas que (Só) Eu Gosto


Depois de ter partilhado convosco as sete coisas que me fazem ficar excluída do sociedade e de ter recebido o vosso divertidíssimo feedback, achei que também fazia sentido partilhar o contrário. Afinal de contas, também há coisas que dizemos apreciar e que todos olham para nós com cara de caso. E, uma vez mais, isso também pode ser incrível por representar as nossas características únicas. Certamente que não sou a única no Universo a gostar destas coisas e tenho a certeza de que vou encontrar, desse lado, alguém que aprecie algumas destas coisas — se encontrei para o contrário, tudo é possível! — mas, regra geral, sempre que partilho que gosto destas particularidades, não encontro, de imediato, um parceiro para as partilhar.

Portanto, partilho convosco sete coisas que eu adoro e mais ninguém gosta. Vamos lá ver, agora: são mais parecidos comigo ou com toda a gente?

Chuva e trovoada | Eu sei, eu sei que muita gente adora e que não é assim tão único. Não sou 'diferentona'. Mas a verdade é que muita gente detesta também, especialmente a trovoada. A sensação de insegurança, o barulho deixa muita gente desconfortável quando, em mim, provoca o efeito contrário. Acho relaxante e se estiver deitada na cama, embala-me por completo. Mesmo em dias de trovoada mais intensos, em que o céu parece rugir, sinto-me confortável, hygge.

Almofadas fininhas/não ter almofada | A ideia de dormir com uma pilha gigantesca de almofadas nunca foi para mim. Não consigo conceber, sequer, dormir quase sentada. Eu amo dormir de barriga para baixo e sou muito apreciadora de almofadas fininhas e moles, que não erguem o meu pescoço. Na realidade, a maior parte das vezes, durmo sem qualquer almofada, com a cabeça pousada diretamente no colchão. Basta ter uma almofada mais alta e sinto o meu pescoço dorido. Fica garantido que será uma noite terrível. Há muita gente que goza comigo e diz que sou a 'Princesa Ervilha', mas que fazer? Adoro sentir que estou realmente deitada!

Ver filmes 'aos bocadinhos' | Raramente vejo um filme todo seguido, como uma pessoa normal. Abro exceção no cinema, evidentemente, nos filmes da Disney e Harry Potter e em casos muito raros em que me vi totalmente entregue ao filme, mas são mesmo poucos os filmes que eu não vi 'aos bochechos'. Regra geral, a ideia de passar algumas horas seguidas sem fazer nada, a olhar para uma obra que pode não me agradar, desencoraja-me. Outras vezes, estou tão cansada que já nem presto atenção ao filme, mesmo estando a gostar. Porque eu pauso filmes que gosto ou estou a gostar também! E volto a ver quando me apetecer. No dia seguinte, se tiver iniciado o filme já muito tarde no dia anterior. Ou noutra hora do dia. Às vezes, demoro alguns dias só para ver um filme. E não me perco, não sinto que me faltem detalhes. Pelo contrário, quando estou a ver o filme, sei que estou totalmente empenhada na atividade. Bem sei que estão com cara de caso. E os cinéfilos já queimaram o meu blog. Sei que é, provavelmente, o traço mais difícil de compreender, mas faço imenso.

Fazer coisas sozinha | Se há algo que valorizo, é o meu tempo e espaço pessoal. Eu realmente necessito dele e isso faz com que também consiga apreciar — sem vergonha, sem medo do que os outros vão pensar — fazer muitas coisas sozinha. Ir ao café sozinha não me intimida. Prefiro almoçar sozinha do que inventar uma companhia de conveniência só para não parecer mal (embora eu aprecie muito, como sabem, partilhar mesa. Mas com pessoas que goste e façam sentido!). Já fui a concertos sozinha. Gosto mais de ir às compras sozinha do que acompanhada. Aprecio muito passear por uma cidade que estou a visitar sozinha, com a minha música, para fazer um reconhecimento mais pessoal. E prefiro ir ao cinema sozinha que acompanhada. Não significa que não goste de todas as vezes que vou ao cinema acompanhada — aliás, a maior parte das vezes vou acompanhada e adoro — mas ir sozinha ao cinema faz imenso sentido, na minha opinião, porque não é uma experiência que, no momento, realmente dividam com alguém. Conversam antes, conversam no fim. No filme, não. E nesse sentido, acho que há experiências mais enriquecedoras para se fazer em conjunto. Adoro estar sozinha com as minhas pipocas e saborear o filme. Se me virem sozinha, pena é a última coisa que precisam de sentir porque estou (mesmo!) bem. E acho que é o facto de apreciar fazer tantas coisas na minha companhia que torna possível eu ser uma companhia melhor para os outros. Não tenho paciência para deixar de fazer ou viver só porque os outros não fazem, não vão, não querem ou não podem.

Acordar cedo | Quanto mais cresço, mais adoro acordar cedo. Ouvir o despertador e desligá-lo à primeira não me custa. Fazer ronha cada vez sabe melhor enquanto faço algo que me dá prazer, em vez de ficar enfiada na cama. E a sensação de que, quanto mais cedo acordar, melhor aproveito o dia dá-me uma satisfação indescritível. Acordar tardíssimo não funciona comigo. Não só reparo que fico com um humor pior como também fico mais preguiçosa e sinto o dia a escapar-me das mãos. Claro que há dias e semanas em que realmente gostava, e gosto, de ficar mais um pouco na cama a desfrutar — especialmente no Inverno. Mas, regra geral, sou muito matinal.

Mudanças automáticas | Não compreendo o que há para não gostar nas mudanças automáticas. 'É estranho.', certo, mas o que é estranho? Não ter de dançar o punho num manípulo? Só usar um pé? Há anos que tento perceber o lado de quem não gosta de mudanças automáticas (juro que tento mesmo), mas não tem grande lógica, para mim. Dizer que é confuso ou estranho parece-me mais apropriado para um carro em que tenhamos imensas funções para desempenhar, e não um que as facilita.
Claro que sei porquê. Aprendemos a conduzir num carro com mudanças e, em princípio, é num carro com mudanças normais que vamos contactar com mais frequência. Mas nada me dá mais prazer de conduzir do que um carro de mudanças automáticas. Sinto-me mais segura, mais atenta a outros pormenores da estrada e é tão mais confortável! Foram feitos para mim, totalmente. Dei-me bem com o meu carro desde a primeira vez que o conduzi, e não me fez qualquer confusão. 'Conduzir com mudanças automáticas não é conduzir', é um outro argumento que não compreendo. Considero-o apenas retrógrado (suponho que os cocheiros diriam o mesmo dos primeiros carros?). Carro com mudanças automáticas mudou a minha vida e não me imagino a conduzir (feliz) de outra forma.

Trigonometria | Quis trazer uma memória querida de escola, nesta lista. Sempre ouvi dizer que, em trigonometria, ou és barra ou odeias e falhas redondamente. Não há meio termo para esta área da matemática, tipicamente reservada aos triângulos, aos ângulos, aos quadrantes, às equações trigonométricas, às funções. Eu amava e era realmente boa a trigonometria. A única área da matemática onde realmente vingava. Escusado será dizer que a maior parte odiou. Enquanto eu me deliciava com um novo desafio, os restantes reviravam os olhos. Enquanto eu torcia para que o teste tivesse muita trigonometria, os meus colegas gritavam 'Que horror!'. Mas eu adorava, mesmo. E tenho a certeza de que passei no meu exame nacional graças ao capitulo inteiro de trigonometria (imagino a cara do meu corretor ao ver um exame miserável e, de repente, no capítulo de trigonometria, ter tudo certo. Deve ter confirmado a letra trinta vezes). Sempre achei curioso esta particularidade porque nada na matemática entrava de forma fluída em mim. Tinha sempre de treinar muito e de ouvir muitas explicações para chegar à superfície do conhecimento. Mas se adicionassem um elemento novo para dificultar, eu patinava. Mas em trigonometria, mergulhei profundamente e não havia nada que eu não compreendesse. E isso fez-me sentir tão orgulhosa e feliz, na altura. Hoje, há poucas coisas que recordo — julgo eu, que nunca mais lhe mexi — mas guardo com muito carinho e satisfação esta matéria que ninguém gostou e que eu fazia de olhos fechados.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

LIVROS || The Sun and Her Flowers


Sou fã da poesia de Rupi Kaur desde que ganhou visibilidade pelo Twitter com o seu primeiro livro, Milk and Honey, e embora tenha caído numa popularização exacerbada — da qual, muito possivelmente, também fiz a minha parte e contribuí para —, nunca deixei de ter curiosidade com a sua poesia delicada e vontade de ter o seu trabalho na minha biblioteca. Talvez tenha sido por isso que tinha mais vontade de ter o The Sun and Her Flowers na mão do que o primeiro livro; foi, à semelhança do primeiro, muito popular, mas não teve o mesmo número de partilhas.

Recebi-o num delicado e amoroso presente da Cherry e nesse mesmo serão deleitei-me a ler. The Sun and Her Flowers é um livro de poesia contemporânea que está dividido em cinco partes: wilting, falling, rooting, rising e blooming — murchar, cair, enraizar, erguer e florescer. À semelhança das flores — elemento inúmeras vezes referenciado pela poeta —, Rupi Kaur leva-nos numa viagem crua e real desde o sofrimento pela perda, pela ausência, pelo coração partido até ao destino final, o amor próprio, a auto-valorização, sempre acompanhado pelos seus esboços minimalistas e que figuram, na perfeição, os seus poemas.

Separação, violação, emigração, gratidão, refugiados, ambiente, feminismo e amor próprio são alguns dos temas mais frequentes em The Sun and Her Flowers. Confesso convosco que nunca fui a maior aficionada pela poesia dita comum, mas que a contemporânea e livre sempre me prendeu. As mensagens são diretas mas com um traço sofisticado e delicado. De leitura rápida e fluída, é impossível não nos sentirmos encaixados, pelo menos, num poema.

Terminei-o nessa mesma noite, desconsolada por não ter sido capaz de me controlar e gerir a leitura. Gostava de o ter prolongado por mais tempo, mas não parava de o folhear. No entanto, sei que é um livro ao qual vou voltar. Não para o ler todo, mas para revisitar certas passagens. Umas vezes, para mim. Outras vezes, para partilhar com os outros. Obrigada, Cherry!

Autora: Rupi Kaur
Número de Páginas: 254
Disponível na WOOK (ao comprares através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins).

terça-feira, 23 de outubro de 2018

FILMES || Assim Nasce Uma Estrela


O filme estreou e imediatamente foi muito bem recebido, tanto pela crítica quanto pelo público, mas a curiosidade só despertou quando descobri a banda sonora e porque a minha melhor amiga é fã número um de Lady Gaga. O título andou durante tempo suficiente nos meus ouvidos para a curiosidade surgir. Admito, entrámos no cinema sem grandes exigências ou expectativas.

Ally tem um talento indiscutível para cantar e compor, porém, nenhuma editora lhe dá uma oportunidade por não se enquadrar no padrão de 'pop star'. Quando conhece Jackson Maine — uma estrela da música country, por quem se apaixona — e se vê, a pedido dele, num palco, em frente a um público gigantesco e a cantar a sua música, a sua vida muda para sempre. E enquanto Ally ascende para um novo patamar apenas reservado à fama, ao estrelato e ao sucesso, Jackson vai caindo no esquecimento do público pelo abuso de álcool e drogas.

Como fazer o terceiro remake de um filme sobre um tema já muito popular e reinventá-lo completamente, poderia ser um outro título para 'Assim Nasce Uma Estrela'. Com a história totalmente já sedimentada e com temas já comuns no mundo cinematográfico, a fórmula é tão bem conseguida que entrega uma história refrescante, crua e real. Discussões sobre fama, sucesso, amor, talento e voz — seja para cantar, seja para entregar aos outros uma mensagem — não são novidade, mas assistimos com o encanto de quem vê algo novo.

Foi muitas vezes descrito como um filme sobre música e uma história de amor. Creio que, mais visceral que isso, é uma história sobre lealdade. Lealdade para com quem amamos — nos bons e maus momentos —, para com o nosso trabalho, para com a nossa família, para com o nosso talento, para com a nossa identidade, para com os nossos valores e para com a mensagem que queremos, desde o início, fazer chegar. Com um final que começa a ser previsível a meio do filme, não chega para evitar as lágrimas das cenas finais. O destaque vai para o trabalho incrível de realização de Bradley Cooper — e a sua surpreendente voz —, para uma Lady Gaga num registo totalmente novo e incrível, para a insistência da cantora em fazer todas as gravações das músicas ao vivo e para a banda sonora, sublime e pura. Um filme que não vou esquecer.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

EVENTOS || Festa do Cinema


Adoro ir ao cinema. Chega a ser quase irónico porque a sétima arte não é a que mais cativa a minha atenção, mas quando se trata de cinema, deliro. Gosto de cumprir todo o ritual: comprar menu grande de pipocas, ver os anúncios todos, os trailers do que está por estrear (...), mas a minha carteira não aprecia muito os preços e, embora existam sempre promoções ou cartões para aligeirar, sou cada vez mais criteriosa no que quero assistir.

A Festa do Cinema deixa um sorriso no rosto a todos os amantes de idas ao cinema, como eu sou. A partir de hoje e até quarta-feira, todos os bilhetes de sessões de cinema 2D em todas as salas de cinema do país vão custar apenas 2,50€. Uma iniciativa que procura aproximar, de novo, todos os públicos às salas de cinema desde 2015 e que tem sido um sucesso, ano após ano. Julgo que aproveitei todas as edições, exceto a do ano passado. Pela primeira vez, está a ocorrer mais tarde, em Outubro.

É o plano perfeito para iniciar a semana e colorir a rotina, e, obviamente, irei aproveitar. Tenho-me guardado para assistir a alguns filmes que, agora, vou poder ver a um preço mais acessível. Por aqui, andamos de olho n'O Primeiro Homem na Lua e Assim Nasce Uma Estrela!

domingo, 21 de outubro de 2018

1+3 || Sinto-me em Casa


Nos abraços da minha mãe. Com a 'sopa amarela' e a lasanha da minha avó. Com o carinho das pessoas que mais me querem bem — e que eu quero tanto o bem delas. No meu quarto, com as minhas coisas, a minha identidade. Sinto-me em casa quando abraço a Belka e penso na Laika. Quando chego a Aveiro, a Torres, a Lisboa ou a Sintra. Sinto-me em casa no Bobby Pins e em frente ao mar — seja ele qual for. Senti-me em casa em Oslo, Sevilha e Londres. 

Sinto-me em casa quando escuto 'amo-te'. Ou quando oiço violino. Quando toco ré e sol ao mesmo tempo nas cordas. Quando caminho por Santa Cruz e com o seu cheiro a maresia ou quando passeio pela Quinta da Regaleira e me recordo da minha história de amor. Quando adormeço a ouvir a chuva. No aeroporto. De cabeça encostada a ouvir os batimentos cardíacos de quem amo. 

Estou em casa quando piso um campo de basquetebol. Sinto-me... reunida. Provavelmente é aquilo que a pessoa com a fé mais pura sente quando entra numa igreja. Eu sinto-me ali, entre quatro linhas, reencontrada. E sinto-me em casa quando bebo Earl Grey ou quando oiço Coldplay, Novo Amor, London Grammar, Anavitória, Ludovico Einaudi. Sinto-me em casa a ler cartas escritas à mão e nas reuniões de família. Sinto-me em casa entre amigos, que são o meu chão, o meu tecto, as janelas por onde posso observar o mundo da forma que eles veem.

Sinto-me em casa quando leio um livro que diz o que sinto. Quando um amigo me ouve e entende o que quero dizer, não importa o quão disparatado seja. Sinto-me em casa quando escrevo e comunico. Quando vou ao nosso restaurante. Quando rio com gosto. Quando me dizem 'Isto é tão Inês'. 

Sou a minha casa. A minha pele, o meu cheiro, as minhas cores, as minhas sardas. As minhas (in)satisfações com o meu corpo. Os meus sonhos, os meus trejeitos, as minhas expressões. O tom da minha voz e as minhas sensações. São casa. Eu sou o meu próprio lar antes de abrigar ou procurar casa em qualquer outro lugar, pessoa, ou particularidade.

sábado, 20 de outubro de 2018

DAILY || Oh, Outono...!


O fog matinal. O céu nublado, que ilumina tudo com uma nova nitidez. A brisa fresca que não arrefece e o Sol luminoso que não queima. Preparar um chá. A casa cheirar a receitas reconfortantes, uma mistura adocicada das receitas de abóbora, de canela, de pastelaria. Esculpir abóboras para fazer jack o' lanterns e ver a Belka a ladrar para os seus novos companheiros luminosos à porta. O som crocante quando pisamos as folhas e as cores alaranjadas e castanhas que dominam a paisagem e dão a mais bonita tonalidade ao mundo. Valorizar o conforto de estar em casa, de estar com quem amamos e dividir filmes de Halloween e livros reconfortantes. Adormecer ao som da chuva. Comer petiscos e doces temáticos de Halloween. O conforto do interior dos cafés. Oh, Outono...!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

LIVROS || O Pequeno Livro dos Cães Mais Famosos


O presente de aniversário da Carolina para mim não podia ser mais Inês. Já me tinha deliciado com um livro que compilava as histórias de todos os cães que estiveram envolvidos em missões espaciais soviéticas e, desta vez, veio parar às minhas mãos um livro mais globalizado, envolvendo histórias incríveis sobre os mais variados patudos e aquilo que foram capazes de fazer pelos seus donos.

Com histórias resumidas e fotografias dos cães e/ou dos seus donos que ajudam a visualizar muito melhor os nossos heróis, O Pequeno Livro dos Cães Mais Famosos é ideal para todos aqueles que veem nos seus companheiros de quatro patas uma amizade inestimável. Relatos comoventes de bravura, lealdade e inspiração dos donos, lugares e épocas mais variados, desde pessoas desconhecidas a verdadeiros rostos mundiais como Obama, Picasso, Hitler, Roosevelt (...). Também alguns dos cães mais populares figuram neste livro, como o famoso e fiel Hachiko, o leal Salty ou a nossa cadela corajosa e sacrificada Laika — infelizmente, a Belka (e a Strelka) não tiveram direito a uma página de destaque, apenas uma referência breve no parágrafo final da Laika.

Pequeno e de leitura rápida e fluída, O Pequeno Livro dos Cães Mais Famosos revela-se a leitura perfeita para um serão descontraído (a título de curiosidade, a maioria das páginas foram lidas ao lado da Belka), recheado de factos incríveis e histórias extraordinárias que efetivamente provam que não importa a nossa origem, o nosso estatuto, os nossos sonhos ou a nossa índole: os nossos companheiros vão sempre amar-nos e olhar para nós com o maior orgulho e nobreza. Obrigada, Carolina!

Autora: Cláudia Cabaço
Número de Páginas: 158
Disponível na WOOK (ao comprares através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

WEB || Pocket


Sou adepta de aplicações e/ou extensões que facilitem as minhas viagens pela Internet e a Pocket é uma delas. Uma extensão que nos permite guardar, num só local, todas as páginas que queiramos.

Com uma vista intuitiva, fácil e com a possibilidade de criar diferentes pastas para várias temáticas, a extensão Pocket é perfeita para guardar páginas que queremos ler mais tarde, publicações que queremos aceder com mais facilidade e rapidez ou até vários artigos sobre a mesma temática que queremos compilar — perfeito para casos como a faculdade, os projetos de investigação, os artigos que queremos armazenar para as bibliografias ou os materiais de pesquisa que não queremos que fiquem dispersos. A Pocket também reúne uma série de artigos no separador 'Recomendado' com base nas páginas que vão guardando. Desde que utilizo a extensão, o meu separador de favoritos e marcadores ficou significativamente mais desimpedido e organizado. Uma ferramenta útil e prática que já não imagino fora da minha rotina na web e que também está disponível numa versão app para smartphones.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

AMOR || Paw


Meti pela primeira vez a minha pulseira Pandora no pulso sem grandes expetativas de a encher com contas. Não que não goste do conceito, pelo contrário; acho que as nossas jóias mais especiais contam sempre histórias que dizem muito sobre nós. E que forma mais criativa do que fazê-lo através de contas minimalistas, diversificadas e bonitas? É fantástico. Mas sempre gostei da minha pulseira por si só, em toda a sua simplicidade. Se lhe viessem parar contas não ficaria nada aborrecida, mas não eram um objetivo.

Exceto uma, que eu queria fazer questão, de uma forma ou de outra, de a ter no meu pulso; uma com o melhor simbolismo possível e que conta uma das melhores histórias da minha existência: a presença da Laika e da Belka. Desejava ter uma conta que as representasse de alguma forma porque elas são tão mais especiais do que qualquer jóia no mundo...! São valiosas na minha vida e já agregaram muitas coisas boas. Queria-as sempre comigo.

Assim surgiu esta patinha, num gesto carinhoso e cheio de amor. Delicada, sofisticada e com um formato adorável. 'Um lado para a Laika, o outro para a Belka', disse-me, e eu não podia concordar mais. Embora seja um presente tão recente, não consigo deixar de olhar para a minha pulseira, agora com um novo elemento, com muita ternura, recordando-as. E não posso deixar de ficar muito grata por todo o significado. Por ter sido ele a oferecer-ma. A única pessoa do sexo masculino — tirando o meu pai — de quem a Laika gostava. A primeira pessoa a socorrer-me da dor que senti quando descobri que a Laika tinha ido embora sem avisar. A pessoa que me ajudou no primeiro passeio da Belka na rua. E que não lhe poupa os mimos quando estão juntos. Quem me consola sempre quando vejo um Serra da Estrela e desvio o olhar para controlar as lágrimas de saudade. Ele, melhor do que ninguém, sabe o quanto estas duas patudas terríveis e endiabradas significam para mim. E irei guardar sempre esta conta com o maior amor que me é possível. Porque representa os dois corações mais maravilhosos que a Terra fez nascer. E esta é a melhor história que podia contar.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

ISTO É TÃO INÊS || 24


Princesa. Bailarina. Atriz. Escritora. Não fui nenhuma dessas, mas era o que respondia à questão 'o que queres ser quando fores grande?' E finalmente sei o que responder, com segurança, com confiança, com desejo de o ser.
Quero ser interessada. Pela cultura, pela arte, pelo mundo, pelas pessoas que estão ao meu redor. Quero ser informada. Quero ser respeitada. Quero ser mulher. E (por vezes) quero ser menina. Quero ser (bem) lembrada. Quero estar presente e ser presenteada (e não estou a falar de presentes). Quero ser quem se esforça mais, a que faz o quilómetro extra, a que se dedica mais, a que dá pózinhos de alegria em tudo o que faz, a que dá um toque ainda mais final. Quero ser generosa. Quero lembrar que o mundo não gira à minha volta, que a vida não funciona no nosso umbigo. Os meus problemas, as minhas coisas, as minhas rotinas, os meus afazeres. Não importam nada se não tivermos com quem os partilhar. Quero ser quem é consciente dos outros, da felicidade dos outros. Quero impor-me. Quero ser realizada. Quero ser desafiada. Quero ser fiel ao que acredito. Quero mudar o mundo da forma mais despretensiosa e realista possível. Quero que da minha boca só saia verdade e bondade (de preferência, as duas de mão entrelaçada porque, infelizmente, nem sempre uma é sinónimo da outra). Quero ser viajada. Quero ser tolerante, mesmo quando não compreendo. Mesmo quando não faria aquilo a que tenho de ser tolerante. Quero ser dedicada. Quero ser atenciosa. Quero saber lutar contra o que não está certo, mesmo que todos os outros sigam esse caminho porque 'tem de ser'. Quero ser inspirada. Quero aprender. Quero saber. Quero ser intensa (mesmo que quebre a cara muitas vezes). Quero ser quem está lá. Quero ser a chorona num mundo que finge não ter lágrimas. Quero ser quem dá as gargalhadas mais altas numa sala silenciosa. Quero crescer. Quero experimentar. No fundo, o que quero ser quando for grande é... grande. Por dentro. Por inteiro.

domingo, 14 de outubro de 2018

LIVROS || O Livro do Lykke


Depois do tremendo sucesso que foi Hygge — sobre o qual já escrevi e adoro! —, observou-se um autêntico fenómeno de conceitos escandinavos que (quase) prometiam concentrar o segredo para um mundo mais feliz, ou minimalista, ou pacífico. Confesso, não me encantou. Quando vi que o mesmo autor do livro que adorei, Meik Wiking, lançava um novo livro no mesmo registo, a minha primeira abordagem foi desinteressar-me. Senti que apenas estava a aproveitar a viagem do primeiro sucesso e a surfar na onda de livros conceptuais. Não me cativou.

O que mudou? Sem dúvida, a minha viagem à Noruega. Ainda hoje me surpreende o quanto conhecer esta cultura e este país me marcou. Regressei com uma sensação de saudade vazia que me tem sido muito difícil preencher. Nunca me tinha identificado tanto com uma cultura e me sentido tão integrada. Muita gente julga que há certas coisas que faço só porque fui à Noruega. Pelo contrário!! Foi na Noruega que compreendi que muito do que eu faço, tantos outros fazem. E foi maravilhoso.
As recordações fotográficas e algumas referências ajudam-me a trazer um pouco da Escandinávia até mim mas sabe-me sempre a pouco. Foi quando dei por mim a pegar, de novo, no livro do Hygge que percebi que talvez dar uma oportunidade ao novo volume poderia ser uma ótima experiência. E foi assim que meti mãos ao Lykke, designação dinamarquesa para "felicidade".

A leitura do livro do Lykke tem uma condução narrativa muito semelhante ao livro do Hygge. Enquanto o primeiro volume aborda um conceito muito mais específico e típico do Norte da Europa, este segundo livro explora uma ideia muito mais globalizada, a felicidade. Onde a encontramos? Como a definimos? O que a influência? Utilizando sempre pontos de partida dinamarqueses, Meik Wiking reflete sobre o que nos faz (mais) felizes e avança pelo mundo, mostrando que ser feliz é um reflexo global e que diversas culturas a conseguem encontrar, pelos mais variados e personalizados métodos. Sempre com muita base estatística, é uma viagem sobre o que podemos mudar (cultural, física e mentalmente) para sermos pessoas mais realizadas.

Lykke não foi um livro consensual; se houve quem achasse que este livro não superava o Hygge, houve uma igual resposta de pessoas que acharam que sim, que era melhor. Para mim, não supera o Hygge por considerar que o Lykke é muito mais cultural, comunitário e muito menos prático. Embora encontrem um sem número de sugestões práticas para sermos pessoas mais felizes — cada uma enquadrada nos pontos-chave do livro —, muitas delas não achei tão práticas e executáveis quanto no Hygge. Na minha opinião, tendo em conta o país e cultura onde vivo, considerei algumas um pouco irrealistas até. Desfrutei muito mais do Lykke enquanto uma viagem pela cultura dinamarquesa e sobre como se cooperam e operam nos diversos capítulos para chegarem a uma sociedade tão equilibrada e feliz e não tanto como um livro que posso extrapolar para a minha realidade. Por estas razões e neste sentido, o livro do Hygge é muito mais realista e exequível. Ainda assim, foi uma leitura incrível que me fez refletir muito sobre a forma como encaro a minha vida, a minha rotina e a minha felicidade. Dou a mão à palmatória pela indiferença com que o tratei inicialmente e fico radiante por esta leitura ter agregado tantas mudanças de pensamento boas em mim própria.

Autor: Meik Wiking
Número de Páginas: 288
Disponível na WOOK (ao comprares através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

BODY TALK || Modulador de Cabelo SilverCrest


O campo dos penteados é um pouco evitado por mim devido às características do meu cabelo, mas ondas sempre foi um efeito que gostava de ver. Nunca o conseguia fazer porque o meu cabelo não aguenta nada. Tinha sempre de fazer caracóis muito armados (que nunca resultavam no efeito que me prometiam), recheados de laca e, mesmo assim, morriam ao fim de três horas.

Fui em busca deste modulador da SilverCrest pelas ótimas reviews e promessas, e hoje junto-me ao grupo de pessoas satisfeitas. O design insólito e invulgar das esferas ao invés do cano comum ajuda a criar o efeito de ondas naturais e aguentam no meu cabelo sem precisar de colocar nada! Nada de texturizante, nada de lacas. Com o meu cabelo ao natural, posso estar horas e horas contente com o efeito que realmente gosto e me favorece. Tendo em conta que o meu cabelo fininho se desmancha com qualquer coisa — até um simples ganchinho — este pormenor é a maior vitória.

Embora tenha a desvantagem de não ser possível regular a temperatura — que se mantém sempre nos 185ºC máx. —, o modulador tem uma proteção contra o sobreaquecimento, luz indicadora e desligar automático após 30 minutos. Mas o que realmente acredito que lhe confira o destaque em relação aos restantes moduladores é a técnica. Este modulador está desenhado para que a modulagem do cabelo seja feita em nós próprios, e deve ser realizada com o modulador na vertical (sem estar virado ao contrário), a ponta da madeixa presa na pequena pinça criada para o efeito e o modulador rodado até o cabelo estar todo enrolado no cano com os braços abaixo da cabeça, não acima — e está tudo indicado ao pormenor no livro de instruções. É o modulador que enrola o cabelo e não as nossas mãos. Esta técnica permite que o cabelo enrole ao redor das esferas e entre elas, que liberte as pontas de uma fonte de calor tão grande, e que acabe por ser mais segura, uma vez que a posição dos nossos braços é natural, por baixo da cabeça, garantindo um controlo maior do modulador, evitando queimaduras. Desaconselho completamente que utilizem a técnica comum de auto-modelação de cabelo — o resultado não fica natural, além de que cansa muito mais os braços e nunca foi, de todo, prático.

Acessível (o modulador custou 15 euros, creio) e funcional, está à venda no LIDL, embora o supermercado tenha rotatividade de produtos, portanto, se procuram um modulador bom, com uma técnica vencedora e confortável e que deixe o vosso cabelo com ondas 'beach waves' ou 'Victoria's Secret', fiquem atentos ao folheto semanal e corram (porque esgota sempre!).

domingo, 7 de outubro de 2018

LIVROS || 21 Lições para o Século XXI


Depois de ter iniciado este ano com a leitura incrível de Sapiens, voltei a render-me ao autor e ao seu mais recente lançamento, 21 Lições para o Século XXI. Se Sapiens faz uma viagem ao passado, descobrindo os gatilhos que permitiram à Humanidade ser o que é hoje, e se Homo Deus faz uma reflexão do que pode estar reservado para nós num futuro distante, 21 Lições para o Século XXI aborda o momento presente, com acontecimentos, questões e suposições muito atuais, e indaga o que nos espera num futuro muito mais próximo, razão pela qual não achei imprudente preferir fazer a leitura por ordem temporal e não por ordem de lançamento. Homo Deus aguarda-me, isso é certo.

Com o avanço exacerbado da (bio)tecnologia, o (re)nascimento de algumas tensões políticas, culturais e religiosas, e olhando para os nossos comportamentos e anseios nas última década, que pontos-chave sobre a ética e a privacidade nos faltam, ainda, discutir e aprimorar? Quando é que vamos ter uma atenção política de qualidade em relação às alterações climáticas, e como fazê-lo? Onde podemos encontrar respostas para as novas realidades que se avizinham? Na religião? Num movimento político? Num país ou cultura? No todo ou na individualidade? Qual é o nosso papel, agora e amanhã? Como encontrar a nossa identidade num mundo que caminha cada vez mais para uma realidade impessoal?

Yuval Noah Harari faz um resumo fantástico dos principais pontos-chave da nossa atualidade e apresenta-nos várias visões de um futuro que podemos perfeitamente estar presentes para viver. Alguns dos quais nem sonhava, o que me permitiu alargar os meus horizontes. Coloca-nos, também, em contacto com vários lados da moeda em inúmeras questões éticas às quais ainda não podemos dar resposta nem razão. Com um conjunto de informações precioso e muito bem fundamentado, confesso: a leitura deste livro não foi suave e, em alguns momentos, senti-me confusa, baralhada e com medo.

Correndo o risco de não ser um livro intemporal é, certamente, um livro urgente para os dias de hoje — e estes dois tipos de livros são necessários na literatura — e para adquirirmos uma noção mais global, informada e real do que é que vale a pena investir, investigar, defender, preocupar e questionar. É um livro do agora que, embora me tenha feito sentir perdida no futuro, nunca me fez sentir tão presente no que está a acontecer.

Autor: Yuval Noah Harari
Número de Páginas: 363
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

terça-feira, 2 de outubro de 2018

ISTO É TÃO INÊS || A Wishlist


Sendo eu uma entusiasta de aniversários — dos outros e do meu —, é natural que receba Outubro, o meu mês, de sorriso aberto e alegria no nível máximo, não fosse esta data a desculpa perfeita para me celebrar um pouco e celebrar com as minhas pessoas, de estar com elas numa ocasião que me é especial. A verdade é que os desejos são muitos mas pouco materiais; acreditem que a minha verdadeira wishlist incluiria um elixir mágico que curasse a ansiedade de vez ou um dispositivo que permitisse teletransportar-me. Ah, e Coldplay em Portugal. Mas existem sempre pequenos miminhos que passamos a vida a namorar e que calhavam muito bem escondidos num embrulho bonito pensado com carinho para nós só neste dia especial, não concordam?

A minha necessidade, aquilo que realmente precisava, era de um portátil bom, mas tão cedo — e tendo em conta o modelo para o qual estou a mirar — não vou conseguir adquirir este item. Mas ficaria igualmente radiante com a única conta da Pandora que gostaria de ter na minha pulseira ou com este cachecol lindíssimo num tom bege que combina na perfeição com a minha paleta de cores de Inverno.

O segundo cd das Anavitória ia dar algum descanso ao primeiro que toca no meu carro sem parar desde que o tenho nas mãos e esta mala preta da Mango seria uma substituição perfeita da minha outra mala preta que, infelizmente, não resistiu aos ferimentos de um fulminante ataque Belkiano. Foi a mais parecida com a minha antiga que encontrei e tem-me feito falta.

Para terminar com chave d'ouro, a minha coleção da Disney está loooonge de estar completa, embora já dê gosto olhar para o meu conjunto de DVDs — e, sinceramente, tenho gostado deste ritmo vagaroso e tranquilo! A minha maior batalha tem sido encontrar o meu filme da Disney preferido, o Hércules. Espero que a Real Comissão de Aniversários me presenteie com um súbito stock na Fnac, mas tenho tantos títulos que ainda me faltam e que gostava tanto de ter...

E porque os últimos são mesmo os primeiros, claro, livros. Numa altura em que o meu armário saliva por novos títulos, estes são alguns dos que mais tenho namorado e desejado ler. O Guião Original de Monstros Fantásticos e os Crimes de Grindelwald, The Sun and Her Flowers e Origem seriam todos carinhosamente recebidos. 

1. Conta PANDORA - 35€ // 2. The Crimes of Grindelwald WOOK - 20,53€ // 3. Mala MANGO - 29,99€ // 4. Cachecol STRADIVARIUS - 12,99€ // 5. O Tempo É Agora FNAC // 6. Origem WOOK - 22,90€ // 7. The Sun and Her Flowers WOOK - 15,70€ // 8. Hércules FNAC

E o maior de todos os desejos, a disponibilidade das minhas pessoas para enchermos uma mesa de conversas, festejos, gargalhadas, brindes e bocas sujas de Bolo de Chocolate Delicioso. Pode ser?

segunda-feira, 1 de outubro de 2018



Setembro foi quentinho no coração — e fora dele também, onde esteve o tempo de outono? Embora não tenha sido o mês mais outonal, gosto sempre de Setembro por ser o mês onde se inicia a minha época preferida.
Olhando para trás e fazendo o balanço, Setembro foi um mês longo mas não no sentido depreciativo; eu gostei que fosse um mês comprido porque pude saboreá-lo com calma. Adoro quando esta época se faz passar lenta. É quase como um presente para mim: vá, aproveita, lambuza-te de outono.