Acreditam que esta foi a questão que mais surgiu na caixinha de sugestões que disponibilizei nos instastories? O tempo — a falta dele, mais especificamente —, o stress e correria do dia-a-dia, o cansaço ou a concentração limitada e a necessidade de desfechos imediatos com que nos temos vindo a deparar ao longo dos anos, podem comprometer a nossa vontade de ler mais. Desde que recebi esta questão, fui anotando algumas dicas que eu acho que podem ajudar a criar hábitos de leitura, ou reforçá-los. Acompanham-me?
Criar ambiente | Dá para ler em qualquer lugar? Claro, mas confesso que nada me dá mais prazer do que criar um ambiente que me dê vontade de ler. O nosso ambiente de leitura perfeito é muito pessoal e podem existir múltiplos ambientes com que se sentem confortáveis a ler. Por exemplo, eu gosto de estar num espaço repleto de luz natural, de acender uma vela aromática e de ouvir jazz instrumental. Mas também acho que um café sossegado é um ambiente perfeito. Transformar o espaço que nos rodeia num ambiente adequado à leitura pode ser o começo ideal para nos prepararmos para a leitura e termos desejo de nos embrulharmos num livro.
Levar o livro para todo o lado | Está dependente do peso do livro, inevitavelmente, mas se for um livro leve ou de bolso ou até mesmo um e-book, vale a pena transportá-lo, e não tem de ser apenas na nossa mala. Porque não no porta-luvas do carro, se utilizamos o veículo com frequência? Ter um livro connosco ajuda-nos a passar os tempos mortos e a criar um laço com a narrativa, em vez de o gastarmos em atividades irrelevantes no telemóvel.
Dedicar uma hora | Não é obrigatório que seja uma hora, podem até ser minutos! Mas estabelecer um horário de leitura — por mais pequeno, inicialmente, que seja —, da mesma forma que temos um horário para treinar ou para realizar outras atividades, pode criar a iniciativa de pegarmos num livro. Sejamos sinceros, muitas vezes ocupamos o nosso tempo livre de forma baldia — e é ótimo numas ocasiões, concordo! —, e nem nos apercebemos que podíamos ter gasto aqueles 15 minutos a vaguear pelo Instagram a ler um livro. Estabeleçam um período de leitura realista à vossa rotina e vão começar a viver o dia com vontade que chegue aquele momento para avançarem um pouco mais na história.
Respeitar cada ritmo | Meta de livros para ler num mês, num ano. Metas de páginas, metas de capítulos por dia. Metas, metas, metas (...) Eu admito: odeio. Odeio metas literárias porque não fazem sentido, para mim. E acho que prejudicam muito mais do que ajudam quando queremos criar hábitos de leitura. Compreendo a componente disciplinar que ajuda a manterem o objetivo ao longo do tempo mas, se não o cumprem, a frustração e desilusão podem comprometer todo o progresso. Aquilo em que acredito é que devemos respeitar o nosso ritmo de leitura. Leiam o número de livros, capítulos e páginas que vos apetecer. Leiam na velocidade com que se sentem bem e pausem a leitura quando assim o preferirem. Afinal de contas, é o vosso ritmo. Se o respeitarem, vão ter muito mais vontade de ler.
Me time | Sabem o que verdadeiramente gosto no ato de ler um livro? É um momento meu. Onde quer que estejamos, no momento em que abrimos um livro, estamos a permitir-nos um momento relaxante, de amor connosco próprios ao dedicar tempo para ganharmos um conhecimento novo, ou descobrir uma história nova, ou entrar num universo completamente diferente do que vivemos. Estamos entregues aos nossos pensamentos, à nossa imaginação e não nos é exigido nada mais do que a nossa concentração. É um momento de mim para mim, que me tranquiliza. É uma atividade perfeitamente desenhada para a desfrutarmos na nossa companhia. E todos devíamos oferecer-nos isto.
Partilhar interesses | É difícil ter hábitos de leitura quando ninguém ao nosso redor partilha da mesma paixão. Por vezes, a motivação para ler está escondida numa conversa onde podemos trocar opiniões, dicas e os mesmos interesses. Não há nada mais gostoso do que conversar com alguém sobre um livro que ambos lemos. E, hoje em dia, a internet pode ser a nossa aliada. Se não têm pessoas ao vosso redor com hábitos de leitura — ou com gostos literários muito opostos aos vossos — procurem contas literárias, nas mais diversas redes (Instagram, Youtube, Blogs, Tumblr...), com que se identifiquem. Encontrem grupos de leitura semelhantes aos vossos. E se conhecem alguém (pessoal ou virtualmente) que leu um livro que gostariam de ler, ou que até já leram e gostariam de partilhar pensamentos, abordem a pessoa e exponham esse interesse. Não tenham vergonha de se ligarem a pessoas com interesses que vão de encontro aos vossos. A introdução da discussão literária pode ajudar muito no incentivo a ler mais.
Ler o que nos faz felizes | O mundo da literatura é absurdamente gigantesco, com uma infinitude de géneros, e nem sempre todos vamos gostar dos mesmos. A questão é: nenhum género é melhor nem obrigatório de ler. Não importa se não têm paciência para clássicos ou livros técnicos; importa ler o que nos faz felizes, sejam eles grandes títulos da literatura ou não. Encontrem o género que vos dá prazer em ler e desfrutem, sem necessidade de insistir em livros que não combinam com vocês e que só leem porque todos leem, ou porque outros afirmam que é 'obrigatório' ou porque está numa lista de livros que 'têm' de ler. Recordem que a leitura é um momento que deve ser de prazer e satisfação. Não se permitam a nada menos que isso. Sem culpas.
Adaptar a leitura à nossa disposição | Vai ser difícil criarem um hábito de leitura se estiverem numa fase da vida ou numa disposição mais fragilizada e estiverem a fazer uma leitura pesada. Reparem, nós variamos tanto as músicas que ouvimos conforme a nossa disposição, mas insistimos em ler livros que não se adequam à nossa fase de vida. É totalmente válido escolher um livro mais adequado ao momento que estamos a viver, seja pelo cansaço, pela excitação e felicidade, pela tristeza, pela ansiedade, pela exigência mental do vosso dia-a-dia. Por exemplo, quando estou em fases em que a ansiedade está muito elevada, sei que ler banda desenhada é a minha melhor leitura, por ser leve, divertida e pouco exigente. E não me permito a fazer uma leitura que sei que será pesada. Reconhecer os nossos estados de espírito e extrapolá-los para a nossa leitura ajuda não só a criar um hábito — porque vamos ter prazer em ler o livro, foi escolhido a dedo por nós — como também a fazer as pazes com esta atividade. Um momento bom e não de obrigação.
Que me dizem das minhas dicas? Gostaram? Se tiverem mais dicas que acreditam que funcionam, partilhem aqui em baixo!






