sexta-feira, 28 de setembro de 2018

LIVROS || Como Ler Mais?


Acreditam que esta foi a questão que mais surgiu na caixinha de sugestões que disponibilizei nos instastories?  O tempo — a falta dele, mais especificamente —, o stress e correria do dia-a-dia, o cansaço ou a concentração limitada e a necessidade de desfechos imediatos com que nos temos vindo a deparar ao longo dos anos, podem comprometer a nossa vontade de ler mais. Desde que recebi esta questão, fui anotando algumas dicas que eu acho que podem ajudar a criar hábitos de leitura, ou reforçá-los. Acompanham-me?

Criar ambiente | Dá para ler em qualquer lugar? Claro, mas confesso que nada me dá mais prazer do que criar um ambiente que me dê vontade de ler. O nosso ambiente de leitura perfeito é muito pessoal e podem existir múltiplos ambientes com que se sentem confortáveis a ler. Por exemplo, eu gosto de estar num espaço repleto de luz natural, de acender uma vela aromática e de ouvir jazz instrumental. Mas também acho que um café sossegado é um ambiente perfeito. Transformar o espaço que nos rodeia num ambiente adequado à leitura pode ser o começo ideal para nos prepararmos para a leitura e termos desejo de nos embrulharmos num livro.

Levar o livro para todo o lado | Está dependente do peso do livro, inevitavelmente, mas se for um livro leve ou de bolso ou até mesmo um e-book, vale a pena transportá-lo, e não tem de ser apenas na nossa mala. Porque não no porta-luvas do carro, se utilizamos o veículo com frequência? Ter um livro connosco ajuda-nos a passar os tempos mortos e a criar um laço com a narrativa, em vez de o gastarmos em atividades irrelevantes no telemóvel.

Dedicar uma hora | Não é obrigatório que seja uma hora, podem até ser minutos! Mas estabelecer um horário de leitura — por mais pequeno, inicialmente, que seja —, da mesma forma que temos um horário para treinar ou para realizar outras atividades, pode criar a iniciativa de pegarmos num livro. Sejamos sinceros, muitas vezes ocupamos o nosso tempo livre de forma baldia — e é ótimo numas ocasiões, concordo! —, e nem nos apercebemos que podíamos ter gasto aqueles 15 minutos a vaguear pelo Instagram a ler um livro. Estabeleçam um período de leitura realista à vossa rotina e vão começar a viver o dia com vontade que chegue aquele momento para avançarem um pouco mais na história.

Respeitar cada ritmo | Meta de livros para ler num mês, num ano. Metas de páginas, metas de capítulos por dia. Metas, metas, metas (...) Eu admito: odeio. Odeio metas literárias porque não fazem sentido, para mim. E acho que prejudicam muito mais do que ajudam quando queremos criar hábitos de leitura. Compreendo a componente disciplinar que ajuda a manterem o objetivo ao longo do tempo mas, se não o cumprem, a frustração e desilusão podem comprometer todo o progresso. Aquilo em que acredito é que devemos respeitar o nosso ritmo de leitura. Leiam o número de livros, capítulos e páginas que vos apetecer. Leiam na velocidade com que se sentem bem e pausem a leitura quando assim o preferirem. Afinal de contas, é o vosso ritmo. Se o respeitarem, vão ter muito mais vontade de ler.

Me time | Sabem o que verdadeiramente gosto no ato de ler um livro? É um momento meu. Onde quer que estejamos, no momento em que abrimos um livro, estamos a permitir-nos um momento relaxante, de amor connosco próprios ao dedicar tempo para ganharmos um conhecimento novo, ou descobrir uma história nova, ou entrar num universo completamente diferente do que vivemos. Estamos entregues aos nossos pensamentos, à nossa imaginação e não nos é exigido nada mais do que a nossa concentração. É um momento de mim para mim, que me tranquiliza. É uma atividade perfeitamente desenhada para a desfrutarmos na nossa companhia. E todos devíamos oferecer-nos isto.

Partilhar interesses | É difícil ter hábitos de leitura quando ninguém ao nosso redor partilha da mesma paixão. Por vezes, a motivação para ler está escondida numa conversa onde podemos trocar opiniões, dicas e os mesmos interesses. Não há nada mais gostoso do que conversar com alguém sobre um livro que ambos lemos. E, hoje em dia, a internet pode ser a nossa aliada. Se não têm pessoas ao vosso redor com hábitos de leitura — ou com gostos literários muito opostos aos vossos — procurem contas literárias, nas mais diversas redes (Instagram, Youtube, Blogs, Tumblr...), com que se identifiquem. Encontrem grupos de leitura semelhantes aos vossos. E se conhecem alguém (pessoal ou virtualmente) que leu um livro que gostariam de ler, ou que até já leram e gostariam de partilhar pensamentos, abordem a pessoa e exponham esse interesse. Não tenham vergonha de se ligarem a pessoas com interesses que vão de encontro aos vossos. A introdução da discussão literária pode ajudar muito no incentivo a ler mais.

Ler o que nos faz felizes | O mundo da literatura é absurdamente gigantesco, com uma infinitude de géneros, e nem sempre todos vamos gostar dos mesmos. A questão é: nenhum género é melhor nem obrigatório de ler. Não importa se não têm paciência para clássicos ou livros técnicos; importa ler o que nos faz felizes, sejam eles grandes títulos da literatura ou não. Encontrem o género que vos dá prazer em ler e desfrutem, sem necessidade de insistir em livros que não combinam com vocês e que só leem porque todos leem, ou porque outros afirmam que é 'obrigatório' ou porque está numa lista de livros que 'têm' de ler. Recordem que a leitura é um momento que deve ser de prazer e satisfação. Não se permitam a nada menos que isso. Sem culpas.

Adaptar a leitura à nossa disposição | Vai ser difícil criarem um hábito de leitura se estiverem numa fase da vida ou numa disposição mais fragilizada e estiverem a fazer uma leitura pesada. Reparem, nós variamos tanto as músicas que ouvimos conforme a nossa disposição, mas insistimos em ler livros que não se adequam à nossa fase de vida. É totalmente válido escolher um livro mais adequado ao momento que estamos a viver, seja pelo cansaço, pela excitação e felicidade, pela tristeza, pela ansiedade, pela exigência mental do vosso dia-a-dia. Por exemplo, quando estou em fases em que a ansiedade está muito elevada, sei que ler banda desenhada é a minha melhor leitura, por ser leve, divertida e pouco exigente. E não me permito a fazer uma leitura que sei que será pesada. Reconhecer os nossos estados de espírito e extrapolá-los para a nossa leitura ajuda não só a criar um hábito — porque vamos ter prazer em ler o livro, foi escolhido a dedo por nós — como também a fazer as pazes com esta atividade. Um momento bom e não de obrigação.

Que me dizem das minhas dicas? Gostaram? Se tiverem mais dicas que acreditam que funcionam, partilhem aqui em baixo!

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

FILMES || Meia-Noite em Paris


Gil Pender é um argumentista eternamente apaixonado pelo passado. De férias com a noiva em Paris (a cidade dos seus sonhos), tenta procurar inspiração para o seu livro — que deseja que seja o seu maior sucesso — num passeio noturno que se revela absolutamente... mágico. Todas as noites, ao fim das doze badaladas, Gil encontra cada vez mais o seu lugar e se identifica cada vez menos com o presente.

Sabem aqueles filmes quentinhos no coração? Um bom filme de domingo que agrega alguma coisa e que não é simplesmente um filme de domingo 'vazio'? Foi o que senti quando assisti a Meia-Noite em Paris. Uma escolha às cegas que me surpreendeu totalmente e me manteve presa ao ecrã até ao último minuto. Com uma fotografia amorosa — afinal de contas, é Paris —, um toque de humor muito agradável e as mais notáveis referências ao mundo da literatura e do cinema, Meia-Noite em Paris é a escolha ideal para conhecer uma história bonita e inspiradora que nos revela que, por vezes, é no presente que temos tudo o que precisamos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

BOM GARFO || Nannarella

 LISBOA

Primeiro dia de outono com uns modestos 36ºC à sombra. Pelo menos, foi assim que fomos recebidos num domingo em Lisboa, que só podia pedir uma coisa: um ótimo gelado. Confesso, uma mão chega — e sobra — para contar o número de gelatarias Lisboetas que já visitei, portanto, o fator localização foi o principal método para chegarmos, bem depressa, ao Nannarella.

Gelados artesanais de sabor natural são a promessa que esta casa de gelados de tradição italiana cumpre. Com a possibilidade de selecionarem o tamanho dos vossos copos, cones ou — porque não? — caixas para levar, a escolha dos sabores é ilimitada e ao critério da vossa imaginação e gulodice. Entre nós, pedi um copo de tamanho médio com três sabores: fior di basílico (um gelado de nata com flor de manjericão), pistachio e sorvete de lima com hortelã, e um copo grande com quatro sabores: pistachio, manga, morango e coco.

Não há nada que mais me agrade do que degustar um gelado autêntico, onde os sabores não parecem artificiais (especialmente os de fruta, cujo travo era mesmo genuíno). As texturas são cremosas e consistentes. Um outro fator que me agradou bastante foi o facto de derreterem depressa e com facilidade. Concordo que possa ser um fator, a priori, desagradável e inconveniente, mas nada indica melhor a qualidade dos processos prioritariamente naturais do que um gelado que derrete facilmente e não cristaliza. É um excelente indicador de qualidade que simplesmente nos vai fazer querer comer um bocadinho mais depressa!

Experimentámos todos os sabores mas vale muito a pena destacar o de nata com manjericão. Sou adepta dos sabores de gelado menos convencionais, mas este foi absolutamente surpreendente e inesquecível. O sabor cremoso e familiar da nata combinou muito bem com a frescura e o sabor característico do manjericão, que ligou muito bem com o dia de calor. Bem sei que o conhecimento do meu sabor preferido de gelado é um segredo bem guardado, mas posso partilhar convosco que este sabor divide, agora, o primeiro lugar do pódio. Outro sabor que vale muito a pena destacar é o de coco.

Uma experiência surpreendente e que nos deixou de barrigas felizes. A vontade de regressar e repetir a dose é grande. Se me permitem uma sugestão final, aproveitem a pequena praça ao lado da gelataria e desfrutem de um banquinho à sombra para se deliciarem com os vossos gelados. E se provarem o meu sabor de gelado, não se esqueçam de partilhar comigo o vosso feedback, combinado?
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Rua Nova da Piedade, 64, 1200-263
Lisboa
Contacto: 926 878553

terça-feira, 25 de setembro de 2018

FAMÍLIA || Duas Mãos Cheias


Dez anos. Quem diria que aquele bebé tão bem disposto tornar-se-ia neste pequeno homenzinho? Quem diria que aquele gordinho que mal se sabia sentar, que me deixava afogá-lo de mimos e beijos lambuzados, que comunicava comigo no dialeto 'ba-ba' seria assim, tão bom miúdo, tão companheiraço, tão interessante e interessado, educado e cavalheiro, curioso e inteligente?

Há duas mãos cheias que a minha vida é mais feliz. Quando soube que vinha um primo a caminho, o meu pensamento primordial era que nos déssemos bem. Que existisse confiança, cumplicidade e carinho das duas partes. Que ele soubesse que poderia sempre contar comigo. Mas nunca forcei para que acontecesse, muito pelo contrário. Estava demasiado ocupada a babar-me para todos os pequeninos progressos do seu crescimento para me lembrar de forçar esse laço. Ele apertou-se de forma natural. E que bom que foi!

Ele está no auge da sua fase de criança, uma chama prestes a apagar-se, e eu sou a prima galinha em negação e a aproveitar todos os segundos em que ele ainda é um miúdo. Engraçado como passei horas a olhar para aquele bebé e a perguntar-me: como será em criança? Como será a sua voz e forma de falar? Que manias vai ter? Que coisas vai gostar de fazer? E vai-me contar tudo? Vamos ser compinchas?

E agora lá vai ele, dono de si sem ter nada a que ser dono. Livre de espírito mas com uma inocência que ainda hoje me tranquiliza. Há certas coisas que o seu filtro já deixa passar (ele já não pensa que uma nutricionista é uma médica que cura alimentos que estão doentes) mas outras ainda perduram e valem a pena viverem com ele o tempo que tiverem de durar. Às vezes, esqueço-me do quanto ele já é um rapagão e o quanto ainda tem para crescer. O meu telemóvel — atenção, o telemóvel, não eu, claro! — ainda não aceitou que exista, no Universo, um número de telefone que lhe pertença, e o seu nome na lista de contactos. Mas como é que ontem falávamos 'ba-ba' e agora estamos à distância de uma sms? E sei que terei tantas outras coisas para reter (a primeira saída à noite, a carta, os dramas teen) mas, por agora, ainda sou uma prima em negação, feliz por ele ainda me considerar fixe e atualizada, por ainda me abraçar em público e dizer que gosta muito de mim.

É tão bom ter este miúdo por perto. Olho para trás — para as memórias, para as fotos, para todas as pequenas coisas dele que eu guardo — e recordo tudo com muito carinho, confiante de que, mesmo sabendo que o meu voucher de 'Prima é uma familiar bué fixe e cool' está a acabar, ele pode sempre contar comigo.

Começa a fase das certezas. Ele sabe tudo, mesmo quando não sabe coisinha nenhuma, ainda. Uma coisa pode saber: a sua prima muito galinha gosta muito dele. De coração cheio, todinho. Mesmo quando parecia um rato careca. E vou estar sempre a contar essas mãos sapudas. Todas elas cheias de memórias bonitas, momentos memoráveis e pequenos pormenores que fazem a vida valer a pena.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

ISTO É TÃO INÊS || Sou Grata


Sou grata por ter nascido. Por ter nascido nesta época. Por ter saúde. Por ter uma família extraordinária. Por ter um tecto, uma casa cheia de condições, água quente, uma cama. Sou grata por ter coisas para colocar no meu quarto. E sou grata por ter um quarto. Sou grata por termos sempre comida na mesa. Por viver num país pacífico. Por ser uma mulher de livre arbítrio. Sou grata por poder ter estudado no que quis, onde quis, quando quis. Sou grata por ter amor. Por ter amigos. Por ter pessoas que me querem bem. Sou grata por poder ser livre para me permitir a ser feliz, a estar triste, a sentir tudo o que precisar de sentir. Por ter a Belka e ter tido a Laika. Por todas as viagens que fiz, todos os lugares que visitei e pessoas que conheci. Por todos os concertos que já vi. Por todos os livros que já li. Por todas as conversas em que já participei. Por todos os momentos tristes que terminaram e todos os momentos felizes que se iniciaram. Por todas as coisas que tenho e que pude ter. Pelo Bobby Pins. Pela música. Pelas pessoas extraordinárias que fizeram as maiores genialidades, que me permitiram nascer num determinado ponto do tempo em que já existem milhares de coisas inventadas que nos permitem avançar e não pensar em criá-las, porque já existem. Sou grata pelos aniversários. Por viver a 15 minutos do mar. Por todos os museus e monumentos onde já entrei e explorei. Sou grata por as minhas pessoas existirem na mesma época que eu e por nos termos conhecido e amado. Sou grata por agora podermos dividir esta existência todos juntos. Sou grata pelo privilégio que é viver a minha vida.

Feliz Dia Mundial da Gratidão.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

LIVROS || Os Meus Problemas


Ainda não me havia estreado nos livros de Miguel Esteves Cardoso e aproveitei a Feira do Livro da Ericeira para colmatar a falha. De entre tantos títulos disponíveis e sem grandes conhecimentos das suas obras, julgo que acabei por trazer um dos seus volumes mais antigos — quiçá o mais antigo: Os Meus Problemas.

Os Meus Problemas é uma compilação de crónicas, publicado nos anos 80 e que explora — com o humor, ironia e estilo inconfundível do MEC — os assuntos mais diversificados, sempre com uma particular atenção para o nosso país. Amor, amizade, política, sociedade, solidão, parentalidade, tradições e cultura são alguns dos temas de destaque. Concordando e discordando do raciocínio de certas crónicas, a leitura fez-se vagarosa e aprazível.

Um detalhe que gostei n'Os Meus Problemas, foi a nota inicial do autor, que recorda o livro e o seu conteúdo com um certo olhar cirúrgico e reconhece que já não se identifica com as generalizações de certas passagens. Senti imediata empatia pelo prefácio — e creio que qualquer pessoa que escreva e, em especial, opine, vai também senti-la —, porém, aquilo que mais se destacou em todas as crónicas, foi a sua intemporalidade. Os temas abordados em cada crónica são, ainda hoje, muito actuais. Alguns com a devida adaptação para a actualidade, outros com as devidas excepções. Mas não é uma leitura ao passado. Pelo contrário. O passado relembra-nos de que já se discutem estes assuntos há algum tempo.

No final, julgo ter sido uma introdução simpática ao Miguel Esteves Cardoso e recomendo a leitura para qualquer pessoa que aprecie uma boa crónica. Com um toque leve e recheado de ironia, é um bom livro para reflectir e rir um pouco pelo meio. Fãs do MEC, qual o próximo livro que devo ler? Ou qual o melhor?

Autor: Miguel Esteves Cardoso
Número de Páginas: 220
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins).

domingo, 16 de setembro de 2018

ISTO É TÃO INÊS || 7 Coisas que Todos Gostam e Eu Não


Calha a todos, certo? O que parece ser uma verdade global do interesse não faz parte dos teus gostos, das tuas vontades, das tuas preferências. Mas é tão bom também...! Compreendo que, num primeiro olhar, não pareça advir nada de enriquecedor, afinal de contas, não é um cenário muito apetecível. Mas que bom é termos opiniões diferentes, gostos contrastantes e interesses diversos. Mesmo quando somos a minoria. É esse conflito — no óptimo sentido da palavra  que torna as conversas mais interessantes, mais ricas, com visões mais variadas! E é, também, o que nos ensina a ser mais tolerantes.

Partilho convosco sete coisas que toda a gente adora e eu nem um bocadinho. Vamos fazer as contas: vocês são mais parecidos comigo ou com toda a gente?

Game of Thrones | Estou familiarizada com a história, tentei ver vários episódios e... abomino. Não consigo sentir empatia por nenhuma personagem, parte da história, pormenor... A verdade é que é uma série muito violenta e gráfica, e este tipo de cenas perturba-me um pouco. Claro que ninguém adora, é certo, mas eu não consigo esquecer. Sinto repulsa, fico enjoada. Acho que são assuntos tão sérios, tão crueis e macabros que eu não consigo distanciar os assuntos só porque são ficção. Sabem quando assistem a um filme de terror e depois as imagens ficam na vossa cabeça e perseguem-vos, não vos deixam dormir e estão sempre lá? Isso acontece-me nestes casos de violência.
O mundo vira uma selva cada vez que uma nova temporada se inicia, e tem tanto de cansativo como cómico. No final, sei que nunca vou apanhar nada porque Game of Thrones é a série menos Inês do universo.

Café | A minha relação com o café é muito caricata porque o café não me repugna nem o odeio; adoro o cheiro a café, gosto de comidas com sabor a café — gelados, bolos, bolachas, chocolates... mas não consigo gostar de beber café.
Nunca bebi café durante a faculdade e nunca senti necessidade, ao longo da minha vida. O gosto não me agrada, com ou sem açúcar. Acho que simplesmente não funcionamos. Por aqui, o chá preto é o meu grande amor (que, à vontade, consegue ter mais cafeína  neste caso, teína  do que o café).

Family Guy & companhia | Prometem não me odiar? É que não consigo achar a mínima graça a séries como Family Guy, American Dad, Cleveland Show...
Não julgo, de todo, quem as assiste. Simplesmente são séries tão parvinhas que só assisto se não estiver mais nada a dar (mesmo, mesmo, mesmo mais nada) e coloco apenas fazer barulho de fundo. Não presto a menor atenção. Deste universo, a série que melhor tolero é mesmo Simpsons, que ainda conseguem arrancar-me uma ou outra risada ocasional. Agora, se estivermos a falar de Rick & Morty, o caso muda totalmente de figura!! R&M rocks!!!

Sushi | Experimentei sushi pela primeira vez com a pessoa mais experiente e da minha confiança para me iniciar nesta iguaria: o meu pai. Quando dizem que experimentar sushi exige a) um óptimo restaurante e b) começar e terminar com as peças certas, não é frescura. É a mais pura das verdades. Não podem experimentar sushi num buffet duvidoso e escolhendo a peça com as cores mais giras — podem, mas é provável que corra mal. Já fui a alguns dos melhores restaurantes de sushi de Lisboa e fiz essa experiência de sabores com o meu pai. Foi trágico. Sushi tem a fórmula certa para não ser feito para mim; não sou grande apreciadora de comidas frias, não consigo comer algo cru e desligar de todas as aulas de toxicologia alimentar que tive na faculdade, a combinação de sabores é demasiado intensa e o gosto doce do arroz pegajoso não me conquista. Cocktail perfeito para eu fazer uma careta e jurar para nunca mais. A carteira agradece. Desculpa, pai.

Ar Condicionado | Se ainda não me odiavam, agora, certamente, vão ao saberem que sou a chata que pede para desligar o ar condicionado. Ninguém gosta dessa pessoa, certo? Mas sou eu. Tenho uma razão legítima: fico doente. O ar rarefeito seca todas as minhas vias nasais e orais e o excesso de temperatura (fria ou quente) típico a que estas máquinas se encontram  porque o entusiasmo de contrariar a temperatura ambiente é sempre enorme  são a mistura perfeita para ficar completamente engripada. Já pedi para baixarem a força do ar condicionado em praticamente todos os lugares que possam imaginar (carro, local de trabalho, avião, hotel, restaurante...). Por uma questão de saúde (e porque me custa respirar quando algum deles está ligado) serei sempre a chata que vos impede de estarem à agradável temperatura de 37 graus negativos, a saborear o ar rarefeito do Nepal. Florzinha de estufa é o insulto apropriado, neste caso.

Binge Watching | Passar o dia todo a ver séries ou assistir a uma temporada seguida deixa-me desconfortável e cansada. Sou uma miúda activa e que gosta de sentir que fez o dia render. Mesmo doente, tenho de estar a fazer alguma coisa e gosto de explorar tudo o que os meus dias têm para oferecer. Ficar o dia todo a olhar para a televisão ou ficar até às tantas para ver mais um episódio enjoa-me. No máximo, consigo ver três episódios seguidos e depois já estou cansada e com necessidade de fazer outra coisa. Mas eu gosto disso. Acho que consigo apreciar melhor a série  porque todos os momentos em que a estou a assistir são momentos em que sei que estou verdadeiramente focada e que não vou perder nada por falta de concentração ao fim de muitas horas a olhar para a mesma coisa. Por conta disto, sou sempre a última a acabar de assistir a tudo, mas não me importo nada.

Chá de Frutos Vermelhos | É o chá queridinho de todos e já o experimentei de todas as marcas e fórmulas: detesto-o. Sabe-me a um xarope ácido, daqueles que cura a tosse e qualquer outra maleita que o meu corpo sonhasse em ter. A cor? Giríssima! Mas o sabor é intragável e ainda hoje eu tento perceber o que é que os outros conseguem ver no chá de frutos vermelhos que eu não consigo. O único chá desta onda que me conquistou por completo, foi o chá de mirtilos do FRANKIE. Ainda hoje pergunto-me que infusão é que compram para fazerem o seu chá. Se souberem e partilharem comigo, farão de mim uma pessoa mais feliz.

E vocês? O que é que vocês detestam e toda a gente adora? Partilhem comigo!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

FILMES || The Nun


Num misterioso convento localizado na Roménia, uma freira comete suicídio e desperta a atenção do Vaticano, que imediatamente se prontifica a enviar duas pessoas da sua confiança para avaliar a situação insólita: um padre com histórico de exorcismos e uma noviça intrigada pelo convite. E tinha tudo para ser não só o filme de terror mais aguardado do ano, como o melhor. Não foi.

Como já referi uma vez, sou muito assustadiça e não é preciso muito para um filme de terror cumprir o seu papel basilar — vejamos, ainda hoje há cenas dos filmes de Harry Potter que me assustam. No entanto, não me assustei uma única vez e este é o melhor sinal de que o filme foi um fracasso. O investimento na longa-metragem quase nem pareceu justificar-se; os efeitos especiais não eram extraordinários, os rostos tenebrosos tinham um ar muito artificial — a freira era mais assustadora como vulto negro andante ou sem rosto do que com aquele arranjo facial ao alcance de qualquer participante do Carnaval de Torres Vedras — e toda a história pareceu, essa sim (e quem já tiver visto o filme vai compreender a referência que estou prestes a fazer), cuspir em The Conjuring, que efectivamente teve qualidade na arte de (bem) assustar. Terminamos de assistir ao filme com a sensação de que ficou aquém, que faltou muito e que não era preciso nada de extraordinário para fazer algo muito bom, já que muitos dos ingredientes estavam lá.
O passado do Padre Burke é totalmente irrelevante para a história, o humor de Frenchie é inconveniente para a tensão e desconforto que se espera num filme de horror e o final não cumpre aquele desejo que todos sentimos na hora de assistir a filmes do género.

Nem tudo é mau, e é isso que me deixa ainda mais desiludida. Porque, como referi, o filme tinha todos os ingredientes para ser o filme; a cena de abertura é fantástica e prometia algo que não cumpriu, mas que deixou toda a sala de cinema a vibrar de horror, a banda sonora é sublime e aterradora — assustou e arrepiou-me muito mais do que as cenas de terror em si —, as cenas mais sombrias da freira em que privilegiam a sua silhueta e os corredores escuros são arrepiantes, e eu e a minha companhia saímos do cinema com duas ideias para um final verdadeiramente vencedor, que colocariam o final original num canto humilhante e que elevariam a qualidade do filme. Ficamo-nos pela hipótese do que poderia ter sido e sugiro-vos com muita pena que não o assistam no cinema — ou assistam se se querem introduzir no mundo dos filmes de terror, sinceramente, se não me assustei, é por este que podem começar — e aguardem por uma outra ocasião. Acaba por ser o filme sobre uma freira manhosa que rapidamente todos nós iremos esquecer.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

INSTAGRAM || @ggeirinhas

Descobri o Gonçalo Geirinhas através do irmão — que, muito provavelmente, já conhecem, o Guilherme Geirinhas — e desde então é uma das minhas contas preferidas de viagem. O Gonçalo vive para viajar e a sua conta, @ggeirinhas, reflecte isso na perfeição.

Com roteiros de viagem sempre invejáveis — ora meses fora a atravessar fronteiras dos lugares mais remotos e menos turísticos, ora nos destinos mais populares —, a sua conta de Instagram tem sempre um toque artístico que destaca uma beleza não tão óbvia por onde passa, com atenção aos detalhes, às pessoas, aos animais, à arquitectura, às formas e aos ângulos. O Gonçalo sabe apresentar um lugar que todos conhecem de uma forma inovadora e refrescante e sabe encantar-nos com os lugares menos populares e óbvios. Cada vez que actualiza o seu perfil, já sei que vou andar a pesquisar voos e escalas para lá chegar um dia, também.

O @ggeirinhas é um perfil que se consegue destacar das demais contas de viagem que acompanho; o seu rosto não é protagonista, não existem descrições de viagem previsíveis e o seu foco vai para o único, o peculiar, a essência de cada lugar por onde passa. Cada fotografia sua, por mais simples que seja, conta a história de cada destino que visita. E as suas histórias são sempre as mais intrigantes. Destaco ainda as suas Instastories, fiéis ao seu estilo e que provam que, mesmo com uma ferramenta simples, podemos mostrar os melhores detalhes do momento de uma forma bonita e cinematográfica.

domingo, 2 de setembro de 2018

VÍDEOS || Preferidos de Agosto de 2018

"Anxiety Diary — How I Recenter Myself" | Se só puderem assistir a um vídeo desta lista, eu gostava muito que fosse este. Porque a ansiedade não é romântica e a Estée mostra-o de uma forma que eu sinto que jamais seria capaz de expor. Neste vídeo, a Estée teve uma crise de ansiedade e decidiu gravar como é que ultrapassava essa crise ao longo do dia, quais eram as formas que ela encontrava para melhorar. Mas antes disso, grava-se no momento da crise e, também eu sofrendo com este monstro, foi uma mistura de sensações entre vulnerabilidade e bravura. Cada pessoa tem gatilhos de ansiedade diferentes — eu posso ter ataques de pânico e ansiedade que outras pessoas, com a mesma doença, não teriam — e cada corpo reage de forma diferente, mas todos nós compreendemos totalmente o sofrimento que aquela pessoa está a passar, naquele momento. E eu senti o sofrimento dela, a sensação de vergonha, de falha. Mas senti também a coragem que teve ao expor-se assim com o propósito de mostrar que podemos melhorar também e que, se o vídeo servir para ajudar alguém, essa exposição valeu a pena. 
Eu adorei o vídeo por ser absolutamente autêntico. A Estée fala sobre a sua ansiedade em várias esferas — desde o momento da crise a determinados reflexos que ela tem quando está ansiosa — e isso é importante porque esta doença tem de ficar esclarecida, e como há tantas facetas da mesma condição, quantas mais conhecermos, melhor. Mais preparados estamos para reconhecer os sinais e mais preparados estamos para ajudar quem passe por isso.
Eu recomendo que assistam tanto as pessoas que sofrem de ansiedade como as que não sofrem. As que não sofrem, para realmente conhecerem como isto (e que glorioso ou romântico não tem nada). É um espectáculo angustiante que não tem nada de 'tendência'. E para as que sofrem, porque mostra que os dias maus chegam ao fim e às vezes conseguem melhorar ao longo das horas. As dicas e mecanismos da Estée podem não resultar convosco, mas acho que podemos todos concordar que é reconfortante ver como ela se vai restabelecendo ao longo do dia e melhorando aos poucos. Isso dá esperança e conforto. Não estamos sozinhos nisto, malta. Não estamos mesmo. E acho que foi isso que a Youtuber quis passar. De uma forma muito real, orgânica e corajosa.

"A Comida que Me Fez Perder 5kg" | Não partilho este vídeo por nenhum produto em particular que a Catarina tenha mencionado. Ou pela sua rotina. Sequer pela parceria com o Jumbo. Partilho convosco este vídeo pela... nutricionista. Muitas vezes, questionam-me qual deveria ser a abordagem de uma boa nutricionista e eu fiquei verdadeiramente satisfeita com o que vi. Honestamente, a sua linguagem e reacção à rotina e escolhas alimentares da Catarina foi aquilo a que mais prestei atenção. Sem partir para fundamentalismos ou modas sem embasamento, não houve nada do que a nutricionista disse que eu não diria. Abordou o assunto com sensatez e conhecimento. Reparem que os produtos que a profissional não conhecia, a primeira coisa que ela fazia era... observar o rótulo (que a informa precisamente de que tipo de produto é o que tem nas mãos). Reparem na reflexão dela e vão conseguir identificar uma boa profissional de nutrição.

"Vagas de Emprego Mais Engraçadas" | O mundo profissional é uma selva e este vídeo demonstra-o bem. Com um toque humorístico fantástico, soltei muitas gargalhadas em relação aos anúncios e em relação aos comentários do Felipe. O problema é que terminei o vídeo a lembrar-me que já fui a entrevistas de emprego onde me questionaram coisas tão ridículas quanto as que vi no vídeo. Algumas pessoas assistiram comigo e disseram 'Só no Brasil mesmo...' e não se deixem enganar. Não é só no Brasil (a sério!). Deu para rir, depois de dar para chorar.

"A Shark Expert Reviews Shark Movies" | Tenho fascínio por tubarões desde miúda, tanto quanto tenho medo deles. Não sei que relação estranha é esta, mas adoro a shark week e não resisto em assistir a filmes com tubarões. Evidentemente que tenho algum senso crítico para entender que há um claro exagero e uma necessidade de criar um predador sanguinário que, na realidade, não é bem assim. Neste vídeo, uma especialista em tubarões analisa de forma rápida e concisa alguns dos filmes de tubarões mais populares, enquanto corrige os erros principais e dá uma pontuação final. Gostei da dinâmica humorística dela e da forma brilhante como soube defender os animais que há tantos anos estuda e protege. Continuo a ter medo deles mas... Eu sei que eles não querem nada comigo.

"Pessoas que Devem Ficar Longe da Cozinha" | Se estão a ler isto e ainda não sabiam que eu sou um desastre a cozinhar, não são leitores de gema. Mas é por ser um desastre culinário que eu acho tanta piada em ver vídeos sobre outras pessoas desastrosas na cozinha. Neste vídeo, são seleccionados alguns dos mais soberbos e idiotas comentários feitos em receitas online, e eu ri demais. Não muito, porque um dia posso acabar a fazer uma imbecilidade destas. Afinal de contas, fui eu que explodi um microondas a fazer um bolo da caneca (true story). O nu riu dos rotos.


Qual gostaram mais?

sábado, 1 de setembro de 2018



Agosto! Vagaroso, fresquinho, luminoso e salgado, como nós queremos. O mês mais lento do ano, sempre, e que passou por mim de forma leve e tranquila num coração que tem andado desassossegado. Embora não tenha uma lista interminável de artigos que usei e amei, este mês tenho muitos momentos bonitos que valem a pena ficar registados, o que me deixa verdadeiramente feliz. Significa que a minha ansiedade não me pára, a minha incerteza não me demove. E isso é tão refrescante e delicioso como uma bebida fresca ao Sol.