Parece inacreditável que já esteja nesta aventura da Blogosfera há uma década. É uma sensação especial, de lealdade para com uma paixão que nunca morreu — e que nasceu bem cedinho —, de conquistar leitores fieis em todas as minhas fases pelos meus blogs, de manter os leitores antigos e cativar novos... Há também sempre uma sensação de experiência; já vivi várias fases e facetas da Blogosfera, acompanhei modas — umas aderi, outras não eram para mim — épocas mais mortas, épocas mais dinâmicas e em ascensão... E nunca saí daqui. De forma a registar estes dez anos de Blogosfera, decidi partilhar convosco dez lições que esta plataforma me deu.
sexta-feira, 30 de março de 2018
quinta-feira, 29 de março de 2018
LIVROS || Sinal de Vida
O criptanalista português mais acarinhado pelos leitores, Tomás Noronha, embarca numa nova aventura, esta nunca antes vista e totalmente nova: uma missão espacial. A razão? Um observatório astronómico captou um sinal do espaço que não deixa margens para dúvidas: extraterrestres contactaram a Terra e dirigem-se ao nosso planeta.
Quando li a premissa deste livro, a minha maior questão era descobrir como José Rodrigues dos Santos iria contar esta história sem que se tornasse fantasiosa ou irrealista demais. Confesso também que nunca nutri a maior das empatias pela personagem Tomás Noronha, mas o tema científico e matemático que iria ser abordado nesta história intriga-me tanto que não resisti em arriscar na leitura. E ainda bem que o fiz.
Este é, acima de tudo, um livro sobre a biologia e a matemática. Sobre a vida, nomeadamente, a vida inteligente. Se me acompanham há algum tempo sabem que um dos meus livros preferidos de sempre é A Fórmula de Deus, e se já leram esse livro, vão recordar-se de que muitos capítulos abordam o propósito do Universo e, precisamente, a vida inteligente. Foi sempre uma parte desse romance que achei maravilhosa e que adorava que o jornalista tivesse aprofundado mais. O meu pedido foi satisfeito com Sinal de Vida.
Qual é o propósito da existência do Universo? Existe realmente vida para lá da Terra? E se sim, existe vida inteligente? E será a inteligência e a consciência um acaso evolutivo que Darwin carrega às costas ou será um imperativo cósmico? Estas questões e a verdadeira missão espacial são discutidas e apresentadas num romance empolgante e cheio de reviravoltas, momentos emocionantes e descrições que deslumbram a nossa imaginação. Os romances que incluem Tomás Noronha têm sempre uma linha de narrativa muito semelhante, onde o livro explora temas e factos científicos verídicos em harmonia com uma história de ficção que abraça esses temas e nos impele a mais uma aventura. Costumo dizer que o que mais me empolga nas leituras destes romances são as conversas de café que as personagens têm e que a maior parte acha aborrecidas por serem mais pesadas a nível de conteúdo e com pouca acção mas que, para mim, são o que tornam estes romances absolutamente fascinantes. Ainda assim, a história ficcional deste romance teve um gosto ainda mais especial por abordar inúmeros pormenores e curiosidades relativas às missões espaciais, um assunto que me intriga bastante.
A missão foi absolutamente surpreendente e a história foi totalmente bem conseguida, porém o final foi previsível, pelo menos para mim. Sinal de Vida é o livro que recomendo a quem já leu A Fórmula de Deus — não é imperativo que o leiam para compreenderem a temática deste novo livro, mas tem uma linha condutora e de introdução ao tema que acho muito mais suave e agradável ao raciocínio — e a todos os amantes e curiosos do espaço, da biologia e da matemática (ou de aventuras empolgantes). É uma forma incrível de obter conhecimentos muito interessantes sobre o mundo científico. A minha última recomendação é para que apreciem a leitura ao som da banda sonora de Interstellar, num volume agradável e sem ordenação particular de faixas. A banda sonora instrumental pensada para uma aventura espacial funde-se na perfeição com o livro e tornou a minha leitura muito mais envolvente e a minha imaginação muito mais cinematográfica. Por obra de um acaso de oportunidades, os climax das músicas coincidiam frequentemente com os climax do livro, o que transformou por completo a minha leitura. Permitam-se a fazer o mesmo e prometo que não se vão arrepender.
Autor: José Rodrigues dos Santos
Número de Páginas: 654
Disponível na WOOK (ao comprares através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)
Autor: José Rodrigues dos Santos
Número de Páginas: 654
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quarta-feira, 28 de março de 2018
PASSAPORTE || Biblioteca Joanina
Temos amantes da Bela e o Monstro por aqui? Então esta publicação é para vocês! Construída no século XVIII e cujo nome honra o Rei que possibilitou a sua construção, D. João V, a Biblioteca Joanina é uma paragem obrigatória em Coimbra para todos os amantes de livros e arquitectura.
A Biblioteca está dividida em três pisos completamente distintos; o primeiro, a Prisão Académica, é uma cadeia medieval (não apropriada para claustrofóbicos, adianto) que serviu como prisão dos estudantes; o Piso Intermédio, cujo acesso só era permitido a bibliotecários e onde podem observar inúmeras estantes repletas de livros e ainda uma exposição de alguns exemplares abertos; e por último, o mais aguardado, o Piso Nobre.
É no Piso Nobre que os olhos se arregalam e as bocas se abrem de espanto e deslumbre. Tal como a Bela fica deslumbrada com a biblioteca privada do Monstro, assim irão ficar ao entrar neste espaço requintado, imponente e magnífico. Com estantes a chegar perto do tecto, a Biblioteca Joanina conta com cerca de 40.000 volumes. Toda a construção foi pensada ao detalhe para a conservação de todos os livros (incluindo a preciosa ajuda dos nossos amigos morcegos). Foi local de estudo até ao século XX e eu não podia ter mais inveja de quem pôde estudar neste espaço maravilhoso.
Caminhar sob o tapete vermelho e admirar as estantes e os arcos dourados que explodem arquitectura barroca por tempo indeterminado é a sugestão que vos deixo. Uma vez que o registo fotográfico é totalmente proibido, encantem-se com as memórias que vão criar numa das bibliotecas mais encantadoras e Disney que já visitei.
terça-feira, 27 de março de 2018
BOM GARFO || Ground Burger
LISBOA
Sexta-feira à noite e um fim-de-semana promissor, o que decidimos jantar para celebrar? Um belo hambúrguer, claro! O Bom Garfo já conta com uma lista simpática de casas de hambúrguer — quase que já dá para fazer um TOP! — mas nós não resistimos em conhecer mais um! E desta vez, a escolha não foi nada difícil; queríamos provar aquele que é galardoado como o melhor hambúrguer de Lisboa: o Ground Burger.
segunda-feira, 26 de março de 2018
EVENTOS || The Script no Altice Arena
Na passada sexta-feira, encontrava-me no Altice Arena, aos pulos de alegria e aguardando um dos concertos que mais sonhava em assistir: The Script. A banda já conta com oito presenças em Portugal e em nenhuma eu consegui conciliar as datas para assistir. Desta vez, a sorte e a oportunidade estiveram do meu lado e fiz questão de não as desperdiçar!
Com o Altice Arena cortado ao meio, julgo que este foi um dos concertos mais pequenos que a banda já deu — calculo que apenas comparável com os primeiros concertos — e, pessoalmente, adorei. Garantiu uma aproximação ao palco sem esforços nem encontrões e uma dinâmica de concerto mais familiar e menos megalómana.
Deixo-vos desde já um aviso de que qualquer review que leiam sobre este concerto e que apenas inclua a prestação de The Script, será uma review absurdamente injusta. A banda trouxe consigo Ella Eyre, que abriu todos os concertos da tour e aqueceu um público ansioso por cantar e dançar. A cantora trouxe para o palco energia e uma humildade sem precedentes que apenas elevou a nossa empatia por ela — Ella sabia perfeitamente que o público aguardava pela banda e que a probabilidade de a conhecerem ou de acompanharem o seu reportório era improvável, questão que contornou com uma simpatia maravilhosa, com interacções muito inteligentes e com um vozeirão extraordinário. Eu já a conhecia, mas apenas de features e não trabalhos originais da própria. A qualidade da voz ao vivo fez-me dar a mão à palmatória e prometer explorar melhor os trabalhos da cantora — e recomendo-vos tanto que façam o mesmo!
E os mais aguardados da noite? Foram memoráveis. Uma das coisas que mais aprecio em concertos é assistir a artistas que verdadeiramente interagem com o público e se sentem felizes por ali estar. Não precisamos de sorrisos amarelos, que nos digam que este foi o melhor concerto das suas vidas, que afirmem que somos o melhor público do mundo ou que partilhem algumas palavras em português só para os fãs delirarem. Importa é que comuniquem, entretenham e dinamizem, à sua maneira! Afinal de contas, eu vim para um espectáculo!
Finalmente pude concordar com todas as opiniões felizes que, ao longo dos anos, foram partilhando comigo acerca dos concertos de The Script; não param quietos, procuram animar o seu público, são muito humildes e, no fundo, só querem cantar as canções das suas vidas com pessoas que cantam o refrão a plenos pulmões e de olhos fechados.
Com muita conversa — da parte de todos os elementos integrantes da banda —, memórias, uma energia inesgotável, passeios de barco, visitas surpresa aos balcões, selfies enquanto cantavam, entradas brutais de Mark Sheehan (o guitarrista) e uma vontade imensa de quebrarem as barreiras entre o palco e o público, The Script encantou-me e presenteou-me com as novidades mais recentes e com os clássicos de sempre, que adoro há uma década. Ficaram por cantar Science & Faith e Six Degrees of Separation, duas das minhas músicas preferidas mas que já calculava que não iriam marcar presença na setlist.
Acho que um dos temas que sinto que exteriorizo pior no meu blog é a música. Acho que não descobri ainda como passar o que verdadeiramente a música significa para mim e o quanto me move. Concertos não são excepção, e quando são dos meus artistas preferidos, ainda mais emocionantes se tornam. Terminei este espectáculo com os olhos aguados, dores nas bochechas de tanto sorrir, corada de tanto pular, com a voz acabada e uma electricidade que só sentimos quando algo verdadeiramente feliz e marcante acontece na nossa vida. E foi precisamente isto que desejava, quando adquiri o meu bilhete. Nada mais há a fazer que não agradecer um dos melhores concertos da minha vida (já dá para fazer um TOP) e recordar todos os momentos com carinho. Ouvir as suas músicas, a partir de agora, vai ter um sabor ainda mais especial. Esperei muitos anos mas valeu cada espera. Não trocava este concerto por nada.
domingo, 25 de março de 2018
BLOGOSFERA || Olá, Lyne!
Agendas e astros alinhados, a vontade como gatilho para contornar a timidez: foi assim que reservámos uma tarde juntas e que conheci a Carolayne.
Tenho de confessar que, embora já não seja estreante a cruzar caminho com as pessoas incríveis que a Blogosfera me deu — olá Melvin, olá Catarina! — ainda não é algo que escrevo na agenda sem sentir o coração acelerado. Dentro de mim, há sempre uma pequena insegurança de que fiquem, de alguma forma, desiludidos comigo, ou que não encontrem a Inês que lêem, em cada publicação. É uma insegurança um pouco tonta porque tenho a confiança de que escrevo o que sou, mas que não deixa de me deixar ligeiramente ansiosa. Encontrar com pessoas da Blogosfera é sempre um momento ligeiramente caricato porque conhecemos a outra pessoa mas, ao mesmo tempo, de uma forma muito louca, não conhecemos. Enquanto que outras plataformas permitem-nos identificar outros traços e características muito típicos de um encontro pessoal — como tiques, formas de falar, expressões, entoações —, quem fica na plataforma da escrita, vê-se um pouco mais limitado em mostrar estes traços de personalidade que, durante um café, são fundamentais para sentirmos verdadeira empatia pelo outro.
Todas estas inseguranças evaporam-se quando acabo por conhecer e abraçar pessoas incríveis, como a Lyne. Só me importa escutar e observar, conversar sobre tudo, e rapidamente me esqueço que, na realidade, temos um trabalho e conhecemo-nos online. E é sempre tão bom conhecermos, de facto, as pessoas que admiramos e acompanhamos num nível mais próximo...!
A Lyne é alta, tem uma voz cristalina — tão diferente e mais bonita do que a que imaginava! —, é expressiva, lindíssima, tem um sorriso caloroso e contagiante, é artística em todas as suas palavras e comportamentos e isso são pequenos detalhes que eu tive o privilégio de saborear cara a cara, entre chai lattes e uma Lisboa de má cara — que não combinava com as nossas! —.
Não sei se era a Inês que ela esperava — tento destruir esta insegurança fazendo aquilo que sei melhor: ser verdadeiramente Inês e esperar que tudo corra bem —, se falei demais, se falei de menos, se esperava algo diferente ou se foi tal e qual como idealizou, se teve empatia comigo, olho no olho. Mas eu não esperava outra Lyne e fui agraciada com a miúda que sempre soube que ela seria. Fui presenteada com uma tarde bonita, de conversas preciosas e encantadoras que me deixaram feliz por estar aqui, a escrever quase todos os dias e a conhecer pessoas incríveis como ela. É estrondoso quando a pessoa que já admirávamos online, se torna ainda mais admirável offline. Que venham mais chai lattes, Lyne!
quarta-feira, 21 de março de 2018
FRIENDS || Dobble
Adoro jogos de todos os tipos, sendo que os meus preferidos serão sempre de cartas e tabuleiro, que nos fazem esquecer os telemóveis e passar um bom serão entre gargalhadas e instintos mais competitivos. E este verão que passou, descobri mais um jogo que entra para a minha lista dos favoritos de sempre: Dobble.
A premissa do jogo é a mais rápida e simples de sempre: estão a ver as três cartas da fotografia? Escolham duas aleatoriamente; qual é a figura comum nas duas? Aí está o jogo.
Todas as cartas estão recheadas de elementos (com tamanhos diferentes) e todas as cartas têm uma figura em comum entre um par. Não importa qual o par que escolham, todas irão ter uma gravura igual. O objectivo? Encontrar a figura igual primeiro que os vossos oponentes. Parece fácil, certo? Mas só parece.
Uma das coisas mais incríveis do Dobble é que existem cinco formas diferentes de o jogarem com os vossos amigos, sendo que o objectivo é sempre o mesmo, encontrar a gravura comum. O que varia são as dinâmicas de jogo. Uma outra coisa incrível do Dobble é que é um jogo de cartas que pode contar até oito participantes, o que costuma ser raro conseguir abranger tantas pessoas, e perfeito para serões em que nenhum elemento do grupo tem de ficar de fora. Por último, é também incrível por abranger praticamente todas as idades, não só porque o próprio jogo não tem qualquer tipo de dificuldade na compreensão das gravuras, como também as regras são fáceis de assimilar por qualquer pessoa. Todos podem participar!
Citando uma descrição deste jogo que achei muito fiel: "Monopólio é o inferno, Uno é satanás e Dobble é o filho dos dois". Preparem-se para amizades perdidas, para alianças contra alguém do grupo (geralmente, o que faz mais danos de jogo ou o que tem o olho mais rápido), para gritaria e para falarem todos ao mesmo tempo e para as gargalhadas de se esquecerem do nome das figuras ("ai, como se diz iglo? Espera! IGLO! IGLO!"). Com a excitação de quererem ganhar e serem os primeiros a descobrir a figura comum, vão descobrir que o que está diante do vosso nariz fica bem escondido. Levem a latinha do jogo para uma jantarada e vão ser os mais acarinhados do serão.
terça-feira, 20 de março de 2018
BOM GARFO || O Talho
Já queríamos experimentar um espaço do Chef Kiko há algum tempo e a ocasião foi a desculpa perfeita. De entre todos os espaços disponíveis, a escolha final foi para O Talho.
O restaurante tem dois espaços principais divididos por um cortinado opaco; a zona de espera que, realmente, é um talho — podem, inclusive, fazer a compra da vossa carne e de outros ingredientes de cozinha neste espaço, já que o talho efectivamente funciona para o efeito — com serviço de bar. O espaço vai de encontro ao conceito mas, pessoalmente, embora reconheça que é pouco convencional e irreverente, não achei tão divertido ou essencial. No fundo, achei tétrico demais bebermos um copo no meio da carne. A interpretação do conceito irá, com certeza, ao encontro do gosto pessoal de cada um.
segunda-feira, 19 de março de 2018
FAMÍLIA || O mês dos dois
Há vários momentos em que compreendo que os meus pais foram feitos um para o outro e mais ninguém. Alguns são momentos mais especiais, outros têm mais pitada de humor. Seja pelo percurso, pelos feitios, pelo destino de juntar duas almas com uma história de vida completamente distinta no mesmo lugar (uma colisão de cometas completamente diferentes e com rotas totalmente distintas que, pela magia das probabilidades, chocou e que, desde então, mudou para sempre os seus caminhos) ou pelas coincidências mais caricatas, como a questão das datas.
Nunca observei nenhum mês do 'dia do pai' e do 'dia da mãe' como, efectivamente, o mês do pai ou o mês da mãe. Isto porque estes dois cometas reclamadores de mimos que eu tenho o maior gosto de chamar de mãe e pai decidiram nascer no mês em que seria o dia do outro. A minha mãe nasce no mês do dia pai. O meu pai nasce no mês do dia da mãe. Na brincadeira, eu digo que nenhum pode ver o outro com atenção e presentes sem querer um dia para si também, logo de seguida.
Março e Maio são meses caóticos para mim a nível de ideias porque tenho de encontrar algo especial para os dois, ou pensar em algo especial para os dois. Isto para quem se intitula como 'naba a dar presentes' é quase próximo do inferno. Se arranjar presente para um já é difícil, para o outro é impossível, e portanto olho para a chegada desses meses com o aperto no coração de quem não sabe o que mais poderá dar a duas pessoas que têm tudo. No material e no emocional. E que são muito diferentes na hora de interpretar todo o conceito de 'presentes'.
À conta deste facto, já tive muitos momentos caricatos. Na creche, questionava por que só estava a fazer presente para o pai/mãe, já que o outro também tinha de ter, de qualquer forma. Já fiz amigos meus procurarem desesperadamente um presente para a mãe quando, na verdade, estávamos no mês do dia do pai e eu só procurava presente para a mãe porque ela fazia anos. Já estive desesperada à procura de sugestões para um presente de aniversário para a mãe e só via ideias e descontos para o dia do pai. Já publiquei fotografias com o meu pai no seu dia de anos e enviaram-me mensagens a dizer 'Inês, desculpa, mas Maio é o dia na mãe, não do pai'. Pois por aqui, é dos dois.
De certa forma, e passando à frente todo o melodrama de encontrar presentes, eu sempre gostei de observar que é o mês dos dois. Que os dois, nos mesmos meses, recebem o reconhecimento que merecem todos os dias (sempre com a piada de que um não pode ver nada do que o outro tem e que já quer igual). E que posso celebrar um dia especial da sua existência na mesma altura.
Adoro observar as melhores coincidências da (minha) vida. Também eu acumulo muitas e observo todas com um sorriso e uma certa indagação. Mas esta é sempre digna de comentários cheios de humor, passe o tempo que passar. Será sempre o mês dos dois.
sábado, 17 de março de 2018
LIVROS || O Diário de Anne Frank — Diário Gráfico
O Diário de Anne Frank marcou inúmeros leitores e já se apresentou de diferentes formas até chegar à versão definitiva — a que eu li —, provocando experiências de leitura muito distintas, conforme a versão escolhida por cada um (antes da versão definitiva, umas versões reuniam apenas entradas relacionadas à guerra e outras reuniam apenas entradas pessoais. A versão definitiva veio terminar com essas versões e apresentar o diário completo com todas as entradas). Quando julgava que não era possível reinventá-lo mais, eis que apresentam uma versão incrível: O diário gráfico d'O Diário de Anne Frank.
O resultado ficou estrondoso e muito digno; a ideia corria o risco de se tornar infantil e de não passar com segurança todo o lado introspectivo de Anne Frank (que é, na minha opinião, o que torna o diário tão soberbo: a introspecção tão crua sobre si própria e sobre o mundo), mas verificou-se precisamente o contrário. Há um equilíbrio muito inteligente entre páginas cuja entrada é unicamente figurada com banda desenhada e outras entradas (as mais emocionalmente pesadas) em que colocaram o texto fiel e limitaram-se a emoldurá-lo com bonitas ilustrações de Anne. Esta harmonia torna o diário gráfico mais interessante, fiel e dinâmico.
Já consumi praticamente tudo o que existe de conteúdo Anne Frank (o livro, os filmes...), mas nunca pensei que um diário gráfico fosse mesmo o que me faltava. É muito interessante ver as representações dos pensamentos de Anne Frank expostos com desenhos e traços tão bonitos.
Sou suspeita no caso deste livro, mas recomendo o diário gráfico para quem nunca iniciou a leitura d'O Diário de Anne Frank, para crianças perto da adolescência e para leitores fãs da miúda escondida no anexo, como eu sou. Uma experiência de leitura especial.
Autores: Anne Frank, Ari Folman e David Polonsky
Número de Páginas: 160
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sexta-feira, 16 de março de 2018
ISTO É TÃO INÊS || Cozinhar
Da mesma forma que a ansiedade se manifesta de maneiras totalmente distintas de pessoa para pessoa — embora existam alguns sinais e comportamentos chave que permitem não só identificar a doença, como também nos identificarmos com outras vítimas desta patologia —, os métodos de combate são, também eles, distintos e personalizados. E todos válidos.
Os meus aliados são vários mas, consoante as minhas fases, uns têm mais eficácia que outros. Infelizmente estou a passar por uma fase mais dura e estava a entrar em grande desespero por nenhum deles funcionar, o que não ajuda visto que sentir que não tenho controlo sobre a minha ansiedade é a fórmula perfeita para me sentir ainda pior. Quando achava que estava melhor, vi-me no tapete, acabada, e sem ninguém nem nada para me ajudar.
Descobrir a culinária surgiu de uma forma muito natural. Não se deixem enganar: eu continuo a ODIAR cozinhar. Continuo a dizer que se fosse milionária, o meu maior sonho era ter alguém que cozinhasse para mim e me tirasse deste inferno (eu podia fazer as limpezas, só queria alguém que dominasse a cozinha por mim). E continuo a ser totalmente obtusa nesta divisão da casa. Mas foi precisamente por reunir todas estas coisas que eu percebi por que razão não ficava ansiosa nem desastrada: por não ser, decididamente, a minha área de conforto.
Tenho um sem fim de receitas falhadas na cozinha e tenho mesmo! Não é cantada. Já destruí um microondas a tentar fazer um bolo na caneca — aquela receita que normalmente se recomenda às crianças para que elas participem na cozinha de forma segura, sabem? —, já transformei bolos em cimento, já coloquei 500 gramas de manteiga sem questionar a receita, já tentei cozinhar batatas sem me ocorrer que, talvez, seja melhor cozê-las primeiro. E por aí vai. Este pequeno leque serve só para aligeirar a vossa leitura.
Há muitos anos que assumi e reconheci que não herdei o lado culinário que toda a gente da minha família tem — incluindo o meu primo de 9 anos —. O gene ficou recessivo por aqui e tudo bem. Mas é precisamente por este número de tentativas falhadas ser tão gigante que cozinhar provocou um efeito em mim extraordinário: a minha mente desliga e fica unicamente focada naquilo que tenho de fazer.
Não me posso distrair, tenho de ler com muita atenção a receita e identificar se tudo faz sentido, tenho de estar concentrada porque não me quero queimar, cortar ou partir coisas, é necessário que eu siga os passos da receita à risca e com muita atenção para nada falhar, e os timings da culinária são demasiado importantes para permitir que a minha cabeça viaje para lugares negros e assustadores. Há um bolo para garantir que não queimo! Se adoram cozinha, sabem o quanto um minuto de distracção pode ser fatal para a nossa receita.
Ainda não olho para a culinária como um prazer ou algo que me dê vontade de. Nem sequer peço às pessoas que provem as receitas que, ultimamente, tenho feito. O que me faz entrar para a cozinha e arregaçar as mangas é a certeza de que, durante aquele tempo, o meu corpo vai ter paz. É como um banho de imersão. Se me sinto mais desesperada e angustiada, disparo para a cozinha e procuro uma receita. O resultado final, honestamente, é-me indiferente (embora, até à data, tenha ficado muito surpreendida com o que coloco no meu prato) porque o importante está no processo. Sei que não correrá mal porque o propósito é concentrar-me na receita e parar de pensar. Aliado ao facto de estar a reeducar-me a nível alimentar, dar a mão a estes dois monstros do desconforto tem sido fundamental para me tornar numa Inês diferente.
Acho que nunca vão imaginar o quanto esta descoberta e introdução da cozinha na minha vida foi surreal para mim e para as minhas pessoas. Mas foi mesmo. Foi uma faceta que jamais esperava. Foi a descoberta de um lado meu que há muito não investia (no facto de ser esquisitinha e não cozinhar). Nunca pensei em fazer esta relação porque, por ser algo tão desconfortável, imediatamente supus que só poderia prejudicar a minha ansiedade, quando faz precisamente o contrário. Salva-me dela. Viver com ansiedade ensinou-me que em diferentes fases tenho de recorrer a diferentes métodos. E quando achava que no pico máximo do desespero estava tudo perdido, descobri que o meu DNA tinha o lado culinário do resto da família. Simplesmente tinha um propósito diferente do deles.
quinta-feira, 15 de março de 2018
MÚSICA || All The Luck In The World
All The Luck In The World é uma banda irlandesa que ainda está debaixo da pedra, esperando ser descoberta. As fichas de já poderem ter escutado o seu trabalho num registo comercial ficam apostadas na música 'Never' — que é gira, embora não seja, de todo, a melhor do repertório e que foi usada há algum tempo num anúncio que não sei precisar —.
Cada vez mais tenho adorado explorar e descobrir artistas deste universo indie, alternative folk. NOVO AMOR ainda ganha a taça como o meu preferido mas já vos dei a conhecer tantos outros (e já percebi por que razão não consigo gostar de Kodaline: aquele tom de voz não é para mim). E All The Luck In The World veio juntar-se à saga dos bons, dos que adoro, dos que gostava que Portugal conhecesse e delirasse para que eles pudessem fazer uma visita.
Com uma voz melodiosa, num tom nada enjoativo, e com forte aposta nas cordas e nos acústicos bem trabalhados, All The Luck In The World faz-me pensar em viagens de carro, noites de verão de céu limpo e com milhares de estrelas diante dos olhos. Faz-me pensar em fotografias reveladas, descolagens, amigos juntos a ver o pôr-do-Sol. Faz-me pensar nas coisas simples que a vida tem para oferecer, que já são belas na sua singularidade mas que combinadas com músicas assim, carregam dentro de si o peso de quem escuta canções e se arrepia por se fundirem tão bem com as memórias da sua vida.
Partilho convosco a minha música preferida da banda e recomendo-vos a explorarem. Há muitas delas na minha playlist de Fevereiro.
quarta-feira, 14 de março de 2018
SÉRIES || La Casa de Papel
Chovia torrencialmente lá fora e a vontade de fazer qualquer outro programa que não enroscarmos no sofá com mantas e chá era nula. Sem grandes expectativas e mais vontade de estarmos no interior de casa quentinhos do que qualquer outra coisa, demos uma oportunidade à série mais badalada do momento: La Casa de Papel. Foi assim que a comecei a ver.
A premissa é muito simples: um grupo de criminosos das mais misteriosas e diversificadas origens, que não tem nada a perder decide assaltar a Casa da Moeda num esquema rebuscado e absolutamente fascinante. Provavelmente a vossa reacção a ler esta premissa foi a minha quando a li em tantos outros lugares: pura indiferença e desinteresse. No entanto, se a minha opinião e aprovação realmente tiver algum tipo de influência nas oportunidades que dão a diferentes conteúdos, recomendo-vos muito que, tal como eu, escolham sem expectativas La Casa de Papel e se deixem surpreender.
Uma série espanhola sem momentos mortos, com um início que me encantou pela positiva — não estava, de todo, à espera que o primeiro episódio começasse de imediato com o assalto — e que nos deixa com o coração alvoraçado de acção, como se estivéssemos dentro do assalto. Consegue ser uma série de crime e acção cheia de qualidade e momentos sublimes que não se vulgariza como 'mais uma'. A hype está justificada.
terça-feira, 13 de março de 2018
(DE)CORAÇÃO || Scratch Map
Há muito tempo que queria um mapa mundo diferente; o clássico mapa mundo com os países pintados com cores berrantes desapaixonava-me. Queria um mapa cujo design se enquadrasse na minha decoração. Namorei vários, mas o scratch map foi o amor à primeira vista que nunca perdeu a chama.
Durante anos, namorei estes mapas giríssimos e ainda nem acredito que finalmente tenho um em minha posse. O mapa é da Luckies of London, mas podem adquiri-lo na Note!. O conceito é simples: todo o mapa vem com uma lindíssima cobertura dourada e o objectivo é raspar com uma moeda — tal e qual uma raspadinha — os lugares que já visitámos. O dourado dá lugar a um tom colorido degradê que se estende ao longo do mapa. No verso, encontram ainda um outro mapa, todo a preto e branco, onde podem fazer registos das vossas trajectórias, adicionar informações personalizadas e especiais e ainda ler algumas mini-dicas de viagem.
A versão do meu mapa é a travel edition, mais pequeno que os mapas comuns, mas não me incomoda de todo. Porém, por ser um mapa mais pequeno, requer mais precisão a raspar. Eu usei a tampa de uma caneca e o resultado foi óptimo, porém, já me recomendaram que, futuramente, use uma borracha pequena (obrigada, Andreia!) para prevenir que o papel não se rasgue ou estrague. No entanto, achei que o mapa tinha um material incrível e não tive nenhum incidente. Por ser pequenino, optei por raspar por país e não por cidades.
Para ser sincera, o mapa tem mais de desconsolo que excitação. Foi com algum pesar no coração que me apercebi que raspei todos os cantos do meu mapa em menos de minutos e que, visto num panorama geral, os meus pontos coloridos são residuais na imensidão dourada que me falta descobrir. O meu bichinho de viagens fica inquieto cada vez que olho para aquele mapa e vejo a quantidade de dourado que há por raspar. Sinto uma urgência de conhecer mais.
As viagens são a melhor coisa que vão levar das vossas vidas. E fazer qualquer registo das minhas deixa-me mais feliz e com mais vontade de planear a próxima aventura. Tenho muito dourado por apagar.
segunda-feira, 12 de março de 2018
ISTO É TÃO INÊS || 6 Coisas que Não Gostava e Agora Gosto
Não tenho dúvidas de que uma das coisas que acho mais fascinantes no crescimento e amadurecimento é a transformação; do nosso corpo, das nossas ideias e opiniões, dos nossos gostos e interesses, das pessoas com que nos relacionamos e dos nossos objectivos. Já o referi aqui, em tempos, que permitirmos a definição em nós próprios é o caminho perfeito para a nossa estagnação. Porque não há nada mais insensato do que não nos permitirmos a evoluir, mudar de ideias, interesses e opiniões. Em mudar, no geral. É isso que nos torna intrigantes e inteligentes. A capacidade de olhar de novo para algo e pensar: não temos de ter esta relação para sempre.
Foi neste sentido que decidi partilhar convosco seis coisas que não gostava, de todo, e que agora adoro. Dos mais variados campos. E não considero que isso me torne 'troca-tintas'. Acho que não há nada mais perigoso do que a inclusão da consistência nos campos errados. Devemos ser consistentes nos nossos valores e princípios porque são eles que nos tornam seres humanos melhores e mais íntegros. Mas não se permitirem a gostar de usar batom só porque isso vos torna inconsistentes com o passado? Give yourself a break!
Querem saber o que não gostava e agora gosto? Aqui está!
domingo, 11 de março de 2018
PASSAPORTE || Demorámos um ano a planear tudo mas...
...temos mais uma viagem marcada e a mala rosa vai regressar ao aeroporto! Qual é o vosso palpite em relação ao destino? Dica: é na Europa!
BOM GARFO || Átrio
TORRES VEDRAS
Admito que ver a Arcádia fechada e com o espaço desconstruído deixou-me um pouco desconsolada. Foi lá que comprei muitos dos meus CD's e era sempre agradável passar por lá e ouvir das colunas exteriores a música que ia passando — especialmente no Natal e no Carnaval, em que as músicas eram mais temáticas —. Mas os tempos mudam, e se os espaços têm de respirar novos projectos, então que sejam novos projectos bons! É o caso do Átrio.
sábado, 10 de março de 2018
PASSAPORTE || Universidade de Coimbra
Acho que nunca cheguei a partilhar convosco, mas Coimbra sempre foi uma cidade que me esteve atravessada. Uma generosa fatia dos meus familiares tirou a licenciatura em Coimbra e, ao longo dos anos, várias foram as histórias e aventuras que fui ouvindo na cidade mais académica de Portugal, pelo que o meu maior desejo era estudar lá e fazer parte da percentagem de histórias incríveis. Tive um sabor muito amargo e carregado de desilusão quando, durante o secundário, comecei a pesquisar que Universidades tinham o meu curso e descobri que Coimbra não estava na lista (nem a outra cidade que estava nos meus planos). O meu coração partiu-se e acabei por estudar na cidade que menos gostava, na altura — odiava Lisboa —.
Não tenho nenhuma história por Coimbra — e acho que quase toda a gente tem uma história em Coimbra —, o que me fez passear pela Universidade com uma sensação muito pouco vivida, mas acabei por criar a minha própria história naquele momento, naquela viagem. Criei a minha história por Coimbra assim que a pisei.
Todo o meu passeio foi acompanhado pelas memórias que me tinham contado e das próprias memórias da minha companhia, o que tornou toda a visita muito familiar e carinhosa. É inegável que Coimbra respira espírito académico e que a cidade continua com uma identidade cativante graças a todos os estudantes que lhe dão vida e às histórias para contar, ao longo de todos os largos, praças e pólos.
Tenho de confessar que o meu olhar de fora (imparcial e sem o afecto resultado da rotina e das vivências naquele lugar) ficou um pouco desapontado com alguns pormenores, como o local onde a Monumental Serenata ocorre — agora já não me espanto quando me dizem que só foram à Serenata da primeira vez — e as condições de alguns departamentos e faculdades. Nem tudo pode ser perfeito mas, de facto, nem isso tira o encanto académico de Coimbra.
No final das contas, não me arrependo, de todo, de ter estudado na capital porque me permitiu fazer as pazes com ela (e adorá-la da forma como adoro, hoje). Tive todas as experiências académicas que desejava porque sim, é possível ter uma experiência e ambiente académico em Lisboa (ainda que as pessoas de fora e as relutantes de dentro gostem de azedar que não, é possível, só têm de saber celebrá-la nos locais certos) e não sinto que tenha perdido nada, mesmo quando sinto que deixei escapar uma outra vida paralela onde, também eu, teria feito parte da aventura académica de Coimbra. Fica para uma outra realidade.
sexta-feira, 9 de março de 2018
LIVROS || O Sonho de Uma Outra Vida
O Sonho de Uma Outra Vida foi o livro que escolhi para participar na campanha da WOOK contra o cancro e é um relato da vida de um bairro de lata ilegal de Bombaim, rodeado por hotéis de luxo: Annawadi. Katherine Boo, jornalista americana, passou quase quatro anos no bairro de lata para fazer nascer este livro onde se conta a história (verídica) de como uma família muçulmana cheia de esperança se vê abalada com uma acusação criminal falsa e com o surgimento da recessão global.
Sinceramente, a linha condutora da história em si não é o mais fascinante neste livro; o que é realmente incrível é a descrição ao detalhe de uma rotina de quem nada mais tem do que um barracão num bairro de lata. O Sonho de Uma Outra Vida apresenta-se com o número equilibrado de diálogos e com uma linha quase documental, recheada de factos de tudo o que aconteceu enquanto Katherine fez documentação pelo bairro. É como se fosse um documentário na forma de livro.
É um livro absolutamente desconcertante. Trabalho infantil, corrupção — nas mais variadas esferas — pobreza extrema, toxicodependência, matrimónio de menores, desigualdade de género, discriminação de raças, castas e crenças, conflitos religiosos, violência doméstica, ausência de serviços públicos de qualidade e saneamento básico são apenas alguns dos imensos temas abordados n'O Sonho de Uma Outra Vida, e embora todos eles sejam temas chocantes e violentos, a leitura é quase um contraste; leve, acessível e despretensiosa, onde terminamos e iniciamos um capítulo quase com a mesma facilidade com que respiramos, embora os assuntos abordados sejam tão difíceis de encarar.
Este livro deu-me a conhecer um dos muitos lados da Índia: o que não é um conto de fadas nem que acaba num concurso de televisão. É uma história que me deixou de coração apertado e uma vontade gigantesca de saber mais sobre todas estas pessoas que, de tão normais, de tão pouco hollywoodescas, se tornam heroínas.
Há muito tempo que venho a dizer que ainda não estou com cabedal para visitar a Índia — embora já tenha visitado países que são um murro no estômago e que nos alteram tudo o que sabemos da realidade — e embora ainda tenha muitas partes do famoso 'chip europeu' ligadas, é um país e uma cultura que quero conhecer, mesmo que saiba que jamais irei contactar com a realidade deste livro (tão escondida dos turistas). Não há perspectiva de uma viagem para este país para breve (nem para longe) mas sei que, no dia em que entrar num avião para lá, já estarei um pouco mais vacinada. Este livro desconstruiu tudo o que sabia sobre realidades diferentes da minha e é por isso que é tão memorável e importante que outros o leiam. Como venho a dizer há anos, está na altura de ganharmos um bocadinho de coragem e atrevermos a sair da bolha. O Sonho de Uma Outra Vida valeu a Katherine o prémio Pulitzer.
Autora: Katherine Boo
Número de Páginas: 287
Disponível na WOOK (ao comprares através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)
Autora: Katherine Boo
Número de Páginas: 287
Disponível na WOOK (ao comprares através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)
quinta-feira, 8 de março de 2018
PASSAPORTE || Quinta das Lágrimas
A romântica incurável em mim sempre quis passear pela Quinta das Lágrimas. Palco do romance entre D. Pedro e D. Inês, o lugar ficou icónico pelas fontes, pelo palácio e por toda a história de amor (e tragédia) que elevou e romantizou o espaço.
A Quinta das Lágrimas pode ser dividida em três espaços: Mato, que representa a área mais selvagem da Quinta, onde podem passear pelos trilhos e ter um gosto de 'Serra de Sintra'. É a área ideal para se deixarem perder e seguirem todos os caminhos possíveis — os que vão dar a algum lado e os que dão a lugar nenhum —. Nele, são consumidos pelas árvores aladas, pelas copas que diminuem a luminosidade do espaço e tornam o ambiente mais místico e secreto.
A segunda área são os jardins, um espaço mais moderno, com um gigantesco relvado, pequenos lagos e com as famosas fontes: a Fonte das Lágrimas, assim baptizada por Camões e que, arquitectonicamente, não é nada de deslumbrante, mas o que torna a fonte tão especial são as lendas das lágrimas e do sangue; diz-se que a água que corre é resultado das lágrimas vertidas por D. Inês ao ser assassinada e que o sangue ficou preso às rochas e que, quase sete séculos depois, ainda não saiu, tornando as pedras avermelhadas. A outra famosa fonte — essa sim, mais deslumbrante — é a Fonte dos Amores, assim nomeada por ter testemunhado o amor de Pedro e Inês.
A terceira e última área é o palácio, convertido num hotel e num restaurante com estrela Michelin. Não visitámos o interior do palácio mas os espaços exteriores eram de sonho. Um lugar a escolher se quisermos viver momentos de verdadeiras princesas.
O meu espaço preferido, além do Mato, foi a zona das fontes, onde podem ter acesso a uma porta e janela neogótica fantásticas, árvores imponentes e um autentico cortinado de bambu maravilhoso. No entanto, esta área das fontes (e a mais pitoresca) é de uma dimensão mínima, o que me surpreendeu e deixou de coração partido. Sempre tinha imaginado a Quinta das Lágrimas com espaços interiores mais naturais e selvagens. Porém, ficamos cercados por campos de golfe, marquises de festa e espaços muito modernos. Talvez ter conhecimentos tão próximos dos lugares mais especiais e românticos de Sintra não ajude a ter uma visão completamente apaixonada pelo espaço.
Merece a visita, ainda assim. Os espaços românticos são mesmo românticos e tudo tem uma imagem mística e especial. É um lugar cheio de lendas, histórias (umas mais bonitas que outras) e magia que não podem perder.
quarta-feira, 7 de março de 2018
BOM GARFO || Mercantina
LISBOA
Sábado com (óptimos) amigos por uma Lisboa cheia de Sol primaveril — embora estejamos em pleno inverno —. O que poderia melhorar? Um belo almoço! A escolha estava difícil e acabámos por nos decidir num esquema digno de turistas perdidos; passámos pela porta, parámos, e decidimos entrar. Foi assim, em modo tropeção, que escolhemos (e bem!) o Mercantina. Como diria a música — e aqui, rapidamente, a adapto — melhor do que o que procuras é o restaurante em que tropeças!
terça-feira, 6 de março de 2018
PASSAPORTE || Coimbra
A última paragem da nossa viagem foi por Coimbra. Tirando o Portugal dos Pequenitos — que visitei duas vezes — e um restaurante à beira rio onde tinha almoçado rapidamente, há quase dez anos, nunca tinha passeado por Coimbra, explorado as ruas ou ido a qualquer outro ponto turístico. Desta vez o tempo também era limitado, mas senti-me mais livre do que nunca para explorar a cidade tal como já merecíamos.
Com a excepção de dois pontos turísticos que partilho convosco mais tarde, o objectivo foi claro: passear sem destino, objectivos ou horas concretas. E que bom que assim foi...! Permitimo-nos perder pela cidade e encontrar recantos, tesouros e lugares cheios de história (a que vem nos manuais e a que vem dos lábios das minhas pessoas).
Um atípico dia de inverno cheio de Sol, quente, luminoso, a câmara transitando entre o nosso pescoço e as nossas mãos, a beleza da cidade acompanhada pelo som da tuna que tocava para os transeuntes. Foi a receita para uma visita perfeita. Houve tempo para parar e admirar as ruas, fotografar os detalhes, ouvir as histórias, saber os factos, andar com calma, subir tudo a pé para depois descer, entrar pelas ruelas — as que me foram permitidas, já que a minha companhia desaconselhou um crescente número de tantas outras — e absorver a identidade da cidade assim, de forma leve, fotográfica e despretensiosa.
Falta-me conhecer muito sobre Coimbra e quero regressar para mais e mais e mais! Mas este primeiro aperto de mão à séria, embora pequenino, embora tenha sabido a pouco, foi uma delícia. Ficam aqui os registos mais bonitos.
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