quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

VÍDEOS || Preferidos de Janeiro 2018

A vossa publicação preferida do Bobby Pins está quaaaase a regressar mas, antes disso, apresento-vos os vídeos que mais gostei de assistir, este mês. Já tem sido habitual separar os vídeos da restante publicação de Favoritos, e acho que esta divisão resultou muito bem, porém, desta vez, quis experimentar publicar antes dos Favoritos. Vamos a isso?

How Supermarkets Get You To Spend More

Uma das áreas que eu acho mais interessantes no mundo da nutrição é o marketing alimentar. Tudo o que envolve comunicação no mundo da alimentação. Gosto muito de conhecer as estratégias para as marcas comunicarem determinado produto, como fazer chegar uma mensagem, como dispor uma loja... E este é um vídeo do mesmo registo. Já conhecia grande parte da informação, mas o vídeo está tão rápido e dinâmico que achei que valia a pena partilhar convosco. Nada está disposto ao acaso, nunca!

Honest Trailers - The Room


Lembram-se de ter falado desta publicação? Para os mais distraídos, a publicação é sobre um filme que conta a história de como nasceu The Room (um filme tragicamente genial). E o que me apercebi foi que muita gente não conhecia o filme que deu origem a esta estreia, e não perceberam muito bem por que razão me referia a The Room daquela forma. Eis que encontro este Honest Trailer e conclui que não há forma melhor de vos explicar The Room sem este vídeo. Com certeza, depois disto, vão compreender as minhas referências!

8 Años de Acoso

Bullying mexe muito comigo. Há muita gente que tem uma visão leve e optimista sobre o assunto. Que 'toda a gente sofre um bocadinho', que 'o melhor é não dar atenção nem importância, o melhor é ignorar', que 'isso ajuda-nos a tornar mais fortes e impermeáveis a comentários maldosos'... Mas é um veneno.

Acho que a maior parte conhece a Alexandra Pereira pelo Lovely Pepa, mas desta vez o assunto não é, de todo, amoroso. Neste vídeo, a Alexandra conta-nos que o bullying não se ficou apenas na adolescência e que, por ser uma figura pública, recebe mensagens e ameaças jocosas, maldosas e inaceitáveis. Partilha connosco, também, que existe um fórum da Vogue Espanha onde o propósito era promover um debate de moda e de estilo de figuras públicas, mas o que reflecte são setenta mil mensagens de bullying à Alexandra (e outras figuras públicas, mas o número de mensagens é substancialmente mais pequeno. Ainda assim, assustador). 
Não sei quanto a vocês, mas a minha cabeça não é capaz de quantificar um número tão volumoso como setenta mil. Do que quer que seja; setenta mil euros, setenta mil bolos, setenta mil... mensagens maldosas. Para quem ainda está a observar esta reflexão com uma expressão impávida, imaginem que existia uma página na internet com setenta mil mensagens maldosas sobre vocês, onde comentavam o vosso físico de uma forma jocosa e depreciativa, onde expunham a vida das pessoas com quem estão (e gozavam com elas), onde qualquer sucesso da vossa parte era remetido a favores sexuais. Agora imaginem que essa página de internet está associada a um dos maiores nomes mundiais de revista, como a Vogue. Acessível a qualquer pessoa: conhecidos, colegas, os vossos amigos e familiares, as pessoas com quem trabalham. Imaginem o vosso chefe receber, todos os dias, e-mails a dizer as coisas mais escabrosas sobre vocês... É isto que a Alexandra sofreu durante oito anos. E não importa que seja uma figura pública que já tenha milhares de pessoas a acarinhar: isto emociona-me e não me deixa ficar indiferente.

As pessoas abusam, intrometem-se e intrigam. E não vêem mal porque se distanciam de uma forma tão perturbadora, que acham que não estão a falar de um ser humano como elas. Porque só querem brincar e libertar as frustrações, e a pessoa é tão bem sucedida/forte, que não se vai importar, ou ver. E só há uma palavra para descrever este tipo de comportamento: doentio. Ainda mais inadmissível é que uma revista permita dar a cara a este tipo de comportamentos. Uma revista de imagem, que fala sobre mulheres e que, se preciso, fará artigos sobre feminismo e tolerância. Setenta mil mensagens não se ignoram nem ficam escondidas do olhar de quem as compete, e achei este vídeo perturbador, mas importante. Entretanto, a Vogue já contactou a Alexandra e fechou o fórum, mas o vídeo continua a ser pertinente porque temos de reflectir sobre a forma como tratamos os outros. Como falamos com os outros. Como falamos dos outros. E parar de olhar tanto para o nosso umbigo e frustrações. Mas é também um aviso acutilante para as marcas e empresas que dão o rosto a tantas plataformas e causas. Cada vez mais as pessoas fecham menos os olhos, e cada vez mais esperam que as acções e permissões das marcas cumpram a identidade que promovem. Estamos em 2018, meus senhores.

Ricardo Araújo Arrasa a SuperNanny/"Pais têm todo o direito de pôr fotos dos filhos no Facebook"


Apresento-vos estes vídeos, em conjunto, porque são o segmento de discussão um do outro, portanto, achei que faria todo o sentido.
Não se falou noutra coisa, na semana passada, e cá por casa ninguém viu. Não é o nosso tipo de conteúdo e não era necessário sermos videntes para compreendermos que o programa não fazia o menor sentido de existência. Porém, sei que esta opinião não é partilhada por todos e, embora tenha havido muita gente a criticar o programa em redes sociais, houve também outros tantos que louvaram a ideia. Podia expor, aqui, a minha opinião, mas acho que o Ricardo fez tão bem, que não tenho nada a acrescentar. Concordo inteiramente com as suas observações e acho que vale a pena assistirem e reflectirem sobre o assunto.

Já tinham visto algum? De qual gostaram mais?

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

PASSAPORTE || Jardim Botânico d'Ajuda


Ainda existem muitas pérolas de Lisboa escondidas de mim, que a todo o custo tento descobrir, para me deslumbrar. O Jardim Botânico d'Ajuda é um desses exemplos. Foi construído em 1755, devido ao famoso Terramoto de Lisboa. Assustado, o Rei D. José mudou a sua residência real para a encosta da Ajuda, mais alta e segura, e o Jardim Botânico foi construído como complemento à residência, tornando-se no primeiro jardim botânico português.




Embora o lugar transmita uma sensação de paz e tranquilidade, a sua história foi bem atribulada, especialmente durante as Invasões Francesas, onde grande parte dos seus exemplares botânicos foi levada para Paris. No entanto, a recuperação está a olhos vistos e a maioria dos elementos vegetais originais existe, na actualidade.
O Jardim pode ser dividido em duas áreas: terraço inferior, repleto de lagos e fontes, e — subindo umas escadas neo-clássicas — terraço superior, com uma colecção botânica de cerca de 5000 exemplares, entre as quais umas árvores giríssimas que, leiga como sou, não sei precisar a espécie, mas umas contam com raízes imponentes e outras com uns bancos adoráveis que me fazem sentir que estou num conto de fadas. O Jardim conta ainda com quatro estufas, uma delas aproveitada para servir de restaurante, a Estufa Real — cuja visita está prometida.




Fizemos a visita quase na hora de fecho e, embora fosse um sábado soalheiro, o espaço estava vazio. Não sei se foi o factor sorte, a proximidade da hora de fecho ou o facto de realmente ser uma atracção turística escondida, mas ter aquele lugar só para nós tornou toda a visita mais próxima e maravilhosa. Os canteiros, caminhos, recantos, fontes e árvores fazem-nos suspirar e sonhar com princesas, e se forem com alguém que tenha conhecimentos de botânica, a experiência torna-se mais rica e interessante. No terraço superior, têm ainda uma vista absolutamente estonteante para o Tejo pachorrento e para a ponte 25 de Abril, o que torna toda a visita ainda mais deslumbrante e especial.




Não vos sei explicar porquê, mas o Jardim Botânico deu-me imensos ares do Porto, que visitei há precisamente um ano. Talvez por ter passeado por uns quantos jardins que tinham algumas semelhanças ao Jardim Botânico d'Ajuda. O espaço não é gigantesco, mas a visita sabe muito bem ao coração. Fica a promessa de regressar na Primavera onde, certamente, os exemplares vegetais serão mais coloridos e a vista tornar-se-à (ainda) mais alegre e florida.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

FILMES || InnSæi


Num mundo a abarrotar de informação, distracções e stress, onde o hemisfério esquerdo do cérebro é avaliado como uma zona mais relevante e sensata, onde a racionalidade acima de qualquer outra sensação (como a intuição) é vista como um sinal de inteligência e sabedoria, torna-se cada vez mais difícil sermos capazes de nos relacionarmos com os outros, com o mundo e com a nossa própria identidade. Somos a geração mais desligada dos sinais do nosso corpo, com casos de ansiedade preocupantes, níveis absurdos de stress, inúmeros registos de esgotamentos. Como remar contra esta corrente negra?

Foi para dar resposta a esta questão, que Hrund Gunnsteinsdottir deixou o cargo garantido que tinha, nas Nações Unidas, e trouxe de volta uma expressão islandesa anciã, InnSæi. A expressão tem vários significados possíveis, entre eles, 'ver de dentro para fora', 'sentir e imaginar o nosso mundo de uma forma ilimitada e sem barreiras', 'termos a capacidade de nos conhecermos e nos colocarmos no lugar do outro'. E o documentário, da sua autoria, explora, precisamente, o significado de InnSæi.

Será a intuição menos válida do que a lógica e os comportamentos racionais? Como funciona e como podemos melhorá-la? De que forma é que nos podemos ligar mais a nós próprios, às pessoas que nos rodeiam e à Natureza? Como desacelerar e impedir que tranquemos sensações importantes para a nossa saúde mental e equilíbrio? Com a ajuda de vários especialistas, das mais variadas profissões — neurologistas, cientistas, professores, artistas, líderes espirituais —, InnSæi torna-se num documentário completo, profissional, e que nos acrescenta. É uma excelente reflexão sobre a forma pobre e pouco inteligente como usamos as nossas capacidades e sensações. Numa altura em que andamos a 'pescar', de todos os lados, expressões locais para definir conceitos mais abstractos, InnSæi, sem dúvida, é dos que deve entrar na lista e um documentário que devem assistir.

domingo, 28 de janeiro de 2018

EVENTOS || Noites no Observatório


No último sábado de cada mês, no Planetário Calouste Gulbenkian, decorre, à noite, o projeto Noites no Observatório.
Noites no Observatório é um projeto do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, que tem como objectivo a divulgação de astronomia ao público de uma forma estimulante, criativa e interessante. O programa é sempre aberto com uma pequena palestra dada por um investigador do Instituto de Astrofísica — e cujo o tema e o nome do orador são apenas divulgados no respectivo mês, no momento de abertura das inscrições —, seguido de um espectáculo de música e efeitos na cúpula do Planetário, e termina com observações astronómicas em telescópios, no exterior. Caso não possam estar presentes, as palestras são transmitidas em directo — e o link para acederem à transmissão é sempre divulgado na página do Facebook do Instituto de Astrofísica — onde podem interagir e deixar perguntas ao orador.

Foi uma experiência diferente de tudo o que já tinha assistido. A palestra e os slides de apresentação são projectados na própria cúpula do Planetário e o orador vai andando ao redor do espaço disponível, o que torna a palestra dinâmica e muito confortável — as cadeiras do Planetário são fabulosas! —. O público tem níveis de conhecimento muito variados, o que significa que as palestras tentam chegar ao maior número de pessoas possível — desde crianças, leigos, a académicos —, pelo que não se inibam de participar no evento por medo de não compreenderem os temas abordados.
O espectáculo na cúpula foi absolutamente emocionante e incrível de ver. Já não visitava o Planetário há muitos anos e foi, sem dúvida, um regresso muito bonito. 
As observações no telescópio podem ser confusas pelas filas, mas andam depressa. O melhor conselho? Se têm pressa, assim que o espectáculo da cúpula terminar, corram para a saída. Cada telescópio foca um detalhe diferente do céu, que vocês podem observar.

O melhor? O evento é totalmente gratuito. Apenas requer uma inscrição. Aconselho-vos a ficarem atentos à abertura das inscrições porque esgota rápido — podem clicar AQUI para acederem aos eventos e para se inscreverem —. Se andam à procura de um programa para sábado à noite diferente, giro e gratuito, ou se são doidos pelo espaço, como eu sou, esta sugestão vale ouro!

sábado, 27 de janeiro de 2018

PASSAPORTE || O Bloco Laranja

Açores 2003. Foi o destino da minha primeira viagem de avião. Levei este bloco de notas laranja comigo, para fazer os meus primeiros registos de viagem. Era a primeira vez que não ia escrever sobre contos e histórias inventados por mim e sim sobre factos e momentos que tinha vivido num acontecimento importante, como uma viagem.

Esses momentos de registo estavam sempre reservados para o final do dia, antes de jantar. Os dias eram sempre longos e cansativos, entre viagens de carro e caminhadas valentes para vermos todos os tesouros naturais, pelo que regressávamos sempre à pousada, já no final do dia, para um duche revigorante (e muito necessário) e para descansar um pouco antes de partirmos para jantar. Tentava sempre tomar banho o mais rápido possível para que pudesse ter muito tempo para escrever. Enroscava-me na cama e escrevia sobre tudo: os melhores momentos da viagem, os sítios mais interessantes para visitar, factos sobre os Açores... Parece-vos familiar?

Era como um diário de viagem. Embora não fosse para mais ninguém, sentia esta necessidade de partilhar e de registar os pormenores, factos e detalhes que, já em tenra idade, sabia que se iriam perder na memória. E por isso, embora cansada — a minha expressão diz tudo porque esta é uma cara de sacrifício, sono e fadiga — esforçava-me sempre por escrever, nem que fosse uma página. Guardo com muito carinho este registo que o meu pai fez, de uma forma tão natural: aqui está o nascimento do PASSAPORTE.

Podia ser uma fotografia melhor; o meu cabelo está todo molhado e a cara transparece tudo menos felicidade. Até a mão está caída. Mas é o registo mais fiel e feliz de sempre! Um registo de mim exausta, na minha primeira viagem — e quem já viajou, seja em que idade, sabe perfeitamente o quão violento e brutal é uma primeira viagem —, a pensar (porque a posição da mão engana, mas é este o trejeito que faço quando estou a pensar no que escrever) e a ser feliz. Ainda tenho este bloco comigo; a escrita e as descrições são rudimentares, o meu foco destinava-se a detalhes que, hoje, não teriam qualquer relevância para mim, mas é isso que torna tudo incrível. Era a viagem à minha imagem, como o faço agora. Às vezes as nossas ideias (como separadores de um blog) não nascem no momento em que os inauguramos. Às vezes nascem de outras formas. O PASSAPORTE — que vocês tanto acarinham e aguardam cada vez que anuncio mais uma aventura — começou aos nove anos, numa pousada nos Açores, enquanto relaxava. E agradeço à pequena Inês todos os dias por isso.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

PRONTO A VESTIR || Mom Jeans


De todas as centenas de rostos mundiais, malta da Blogosfera, amigos e colegas que já vi a usarem e abusarem da tendência das mom jeans, a minha maior inspiração para procurar umas foi... precisamente a minha mãe. É uma daquelas imagens de marca que eu encontro quando passeio os meus olhos pelas suas fotografias dos anos 80. A minha mãe tinha um estilo muito descontraído, desportivo até, mas conseguia destacar o melhor de si e nunca perder a identidade nem os seus traços femininos. E as mom jeans eram, de facto, as calças da minha mãe.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

SÉRIES || Cosmos


Com o objectivo de ser uma sucessora à série original de 1980, Cosmos — estreada em 2014 e apresentada pelo físico Neil deGrasse Tyson — é uma série documental sobre o mundo da ciência e da física. Cheguei a assistir, no ano de estreia, a alguns episódios aleatórios, mas só este ano tive a possibilidade de acompanhar todos os episódios da série de uma forma cadenciada.

Com apenas uma temporada e treze episódios — mas já prevista outra a caminho —, Cosmos apresenta-nos toda a História da Ciência, desde os fenómenos extraordinários que criaram aquilo que chamamos de Universo até às brilhantes mentes que não só descobriram esses fenómenos, como também os definiram, o que nos permite ter, hoje, o conhecimento que temos sobre a física, química e biologia, e ainda apresentar inúmeras questões pertinentes que estão por responder.

Com uma dinâmica extraordinária e animações incríveis, a série torna todos os assuntos abordados muitos acessíveis e estimulantes. Não dou pelo tempo passar e sinto sempre que é tempo que me acrescenta em conhecimento. Para amantes do Espaço e curiosos que querem compreender melhor alguns conceitos básicos e complexos da Ciência, esta série foi feita para vocês.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

BOM GARFO || San Pietro

 TORRES VEDRAS

Vou começar a confiar no poder dos meus pensamentos! Numa tranquila sexta-feira à noite, enquanto pensávamos em lugares para jantar, desabafei o quanto era absurdo não existir um restaurante de gastronomia italiana, em Torres Vedras. Dez minutos depois, demos de caras, na praça de São Pedro, com um lugar acolhedor, luminoso e novo! Um restaurante de comida italiana acabado de estrear, o San Pietro. E desde então tenho desabafado o quanto é absurdo eu não ter dez milhões de euros na minha conta.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

DAILY || Segundas Lentas


Adoro recomeços e manhãs lentas. Pertenço à adorável minoria que aprecia segundas-feiras. E o começo desta semana ficou registado por recomeços... e manhãs lentas. Que sorte a minha!

As manhãs são lentas, mas começam cedo porque a excitação do dia, as vontades de fazer, criar e organizar falam mais alto. Têm a luz clara dos dias nublados, o pêlo macio da Belka que faço questão de afagar logo depois de acordar, o toque quente do banho que ajuda a despertar. No intervalo entre ganhar genica e ligar a torneira, há um breve vale de minutos que gosto de gastar no meu livro do momento. 

O pequeno-almoço é a minha refeição preferida e rejubilo quando sei que posso comer com ainda mais calma do que o habitual, sentada à mesa, com as coisas que adoro à minha disposição. Por aqui não há pouco apetite logo de manhã, e os pequenos-almoços ingleses, 'de novela' ou de hotel são muito bem vindos. Quando dá, não falham. Se estou acompanhada, conecto-me com o meu par de pequeno-almoço e celebramos o início do dia juntos. Se estou só, conecto-me com o mundo, com as notícias, com as redes e com as séries ou documentários que ficaram em modo 'pausa'. Sim, sou daquelas pessoas que pausa os episódios, filmes e documentários e vai vendo  ao longo do tempo. Não há pressa.

Gosto deste tempo para mim. Para organizar muito bem a semana que tenho pela frente, para estabelecer os meus objectivos e prioridades.
Mesa desocupada, agenda ao centro, página certa. Caneta nos dedos, A Day of Sun de Alexander Search a tocar baixinho ao fundo e os óculos a meio da cana do nariz — como sempre. Toca a organizar! Há tarefas para checkar, e-mails para responder, publicações para preparar, lanches para combinar, pessoas para ligar, informações para anotar. O meu momento com a minha agenda nunca é um frete. É nela que está toda a extensão dos meus pensamentos e tarefas, e adoro quando ganhamos harmonia, na minha caligrafia, com o toque do papel. Levo o tempo que quiser.

Há tempo ainda para despachar a minha lição de Alemão, que gosto de fazer logo no início do dia, para a preguiça e o cansaço não atacarem se a deixar para o final. 

Sou uma pessoa de manhãs; lentas e que comecem bem cedo. Reservo a ronha do sono para um abraço ao final do dia ou à hora de almoço, para o calor dos banhos, para o cafuné que esfumaça os stresses do dia. As minhas manhãs têm energia e vontades. São a minha hora preferida do dia.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

APP || CarnavalTorresVedras


O Carnaval de Torres Vedras, além do melhor, é cada vez mais um carnaval do país. Já não são só os Torrienses que contam os dias, preparam as máscaras e aguardam ao rubro por este evento; milhares de pessoas de fora vêm experimentar — e confirmar — a folia e a identidade única deste carnaval. As ruas já se enchem com pronúncias do Norte e do Sul, além da já comum e familiar pronúncia do Oeste.

E depois da música oficial — Samba da Matrafona, já ouviram? —, eis que é lançada uma app exclusiva do Carnaval de Torres. Esta é uma app que, embora possa servir para qualquer Torriense, é, certamente, mais útil para quem não é da cidade. Torres Vedras, durante o carnaval, pode tornar-se numa cidade muito movimentada, confusa e labiríntica para quem não conhece os cantos à casa. E a app surge, precisamente, com esse propósito: dar uma ajudinha.


Com um design giríssimo, o CarnavalTorresVedras é um verdadeiro Guia do Carnaval; nela, podem encontrar um mapa (com todos os pontos de interesse, incluindo a localização do corso, das bilheteiras e dos palcos/praças), o programa do Carnaval, e um verdadeiro dicionário do Carnaval de Torres Vedras — com a definição e história de inúmeras expressões típicas, para que fiquem por dentro de tudo o que é dito —. Têm, ainda, acesso a informação sobre como chegar a Torres Vedras, e (a parte mais útil, creio eu) o Manual de Sobrevivência, que reúne várias categorias desde onde dormir, onde comer, onde passear e outros pontos que eu considero muito relevantes, como uma lista de supermercados, farmácias e hospitais da cidade. Cada categoria tem uma lista generosa de lugares e podem sempre contar com a respectiva morada. Numa vertente mais animada, podem aceder à Selfie do Folião, repleta de stickers, para partilharem a vossa experiência com o mundo da forma mais divertida possível.


Sempre disse que existem duas formas de celebrar este Carnaval: com ou sem um Torriense no grupo. Continuo a acreditar, mas reconheço que esta aplicação dá um jeitão para quem tem, há anos, o Carnaval de Torres na wishlist e não se atreve a vir por medo do desconhecido ou de outras informações não tão folionas. A aplicação veio ajudar a garantir que a vossa experiência seja, acima de tudo, muito divertida e sem preocupações. É gratuita e está disponível para android e iOS.

domingo, 21 de janeiro de 2018

PASSAPORTE || Parques de Sintra


Adoro a Serra e os parques de Sintra. Os cheiros, os sons, a imensidão, o nevoeiro que, por vezes, surge e torna todo o ambiente mais assombrado. Claro, as histórias, lendas e boatos ajudam — e admito que me arrepio com algumas delas — mas, em geral, a área natural de Sintra é o local perfeito para (literalmente) me perder e deixar encantar. Não sou louca por campismo, mas adoro uma boa caminhada.

Uma das melhores particularidades destas extensões de Natureza é o facto de serem gratuitas o que, tendo em conta que nos estamos a referir a Sintra, é um alívio para a carteira. Adoro calçar as minhas sapatilhas de trilha, meter a mochila atrás das costas e ter o telemóvel pronto para captar uma imagem deslumbrante. Entre lagoas, barragens, cascatas e arvoredos, é nestes parques que encontro a paz que, muitas vezes, me falta.

Adoro o som crocante dos meus pés a calcarem os caminhos, dos pássaros que se comunicam, sempre melodiosos, dos cheiros térreos e naturais. Adoro quando o Sol consegue encontrar uma brecha no meio dos arvoredos e deixa os seus raios iluminarem os caminhos de uma forma muito gentil. As lagoas são sempre calmas e serenas, onde o reflexo se mistura com a realidade. Grutas pequeninas, escadas à escala de duendes e pequenos tesouros escondidos no meio da Natureza, que ninguém sabe muito bem precisar a localização e que se tornam numa recompensa para os corajosos e aventureiros que decidem explorar mais além.

Há todo um ambiente de mistério e tons escuros que nos faz esquecer que estamos no nosso país. Portugal privilegia-nos com tantos espaços naturais, mas nenhum tem a identidade de Sintra, com o seu ar sombrio e encantado, cheio de miradouros escondidos.

Regresso à civilização sempre de bochechas rosadas, joelhos sujos de terra por escorregar, as solas das sapatilhas numa lástima, mas sempre renovada. Passear pelos parques de Sintra — passear a sério, a pé, a sujar, a subir por onde não há escadas, a descer de pernas dobradas e mãos esticadas, embrenhar na imensidão — é uma experiência única e libertadora. É um outro mundo à nossa disposição. E à nossa espera.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

FOTOGRAFIA || Álbum de Viagens


Numa viagem, existem vários pormenores memoráveis; as cores, os cheiros, as paisagens, os sabores, as heranças culturais e influências de outros países, a dinâmica, as pessoas (daquele lugar e as que fazem a viagem contigo), as histórias, as aventuras, as expressões... E a fotografia. Para mim, fotografar um destino é como um jogo, um desafio: tento sempre capturar aquele lugar da forma mais fiel como o estou a observar e sentir. Quero que possam olhar para as minhas fotografias e que sejam capazes de compreender a essência daquele lugar, os pormenores que eu reparei, a identidade real. Mas também gosto de registar as comidas, pormenores que só o grupo de viagem compreenderá, os rostos de quem dividiu essa aventura comigo. As minhas fotografias de viagem são o meu tesouro mais precioso.



Por isso mesmo, quando tive oportunidade de testar os álbuns da Saal Digital, sabia perfeitamente que queria fazer um álbum com todas as viagens que já tinha feito na minha vida. A palavra-chave da Saal Digital, com certeza, será 'personalização'; existem vários tipos de formatos de álbum, em diferentes materiais, com diversos acabamentos e a formatação e disposição das fotografias pode ficar ao vosso critério e criatividade.



Ter este álbum nas minhas mãos é uma sensação muito especial. Tudo foi pensado com muito pormenor e carinho, e todas estas fotografias não são apenas bonitas, artísticas ou retratos: são histórias. Conseguir reunir, num só lugar, dezenas de fotos de viagens tão especiais — e poder senti-las com o meu toque — é uma sensação impagável. Confesso, tinha muito receio em relação à qualidade das fotografias mais antigas (as nossas câmaras de 2005 não eram extraordinárias, por exemplo), mas tudo está perfeitinho, pronto para me deliciar a folhear.




Eu sou o tipo de pessoa que gosta de ver as fotos de viagem dos outros — embora este tipo de pessoas seja uma raridade, a maioria acha sempre que é desinteressante —. Mas eu gosto. Adoro, aliás. E adoro ver as minhas próprias fotos e dedicar um tempo a recordar tudo. Este álbum tem uma parte muito importante da minha existência e guarda as minhas melhores histórias. É tão bom poder observá-las como se fosse um livro de encantar, antes de dormir. Não coloquei (nem achei necessário colocar) todas as páginas do álbum nesta publicação, mas ficam aqui alguns detalhes.




quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

ISTO É TÃO INÊS || Foco

No ano passado, debrucei-me muito sobre tentar ser uma pessoa presente e vivê-lo dessa forma. Não é nada fácil ter foco, especialmente quando começo a aliar a ausência de foco com a ansiedade. Mas preciso, não só porque é um trabalho muito importante para a minha maturidade como também me permite ser uma pessoa muito mais presente e completa em todos os acontecimentos, o que não só é mais saudável para mim como para os outros.

Há muito que já faço este exercício e quero manter o comportamento, em 2018 e nos anos que virão. As bolinhas cheias de números das notificações já não me incomodam, o meu coração não fica apertado quando não respondo, no mesmo segundo, a um e-mail ou a uma mensagem porque sei que vou responder. Não me preocupo em abrir mensagens e que apareça o 'Visto' porque não estou a ignorar nada e porque ninguém fica sem uma resposta minha, se o assunto é relevante. Guardo o telemóvel na mala durante uma conversa na esplanada, um workshop ou palestra na certeza de que o mundo não acaba por não ter atendido a chamada, no momento. 

Ausência de foco não tem de ser extrapolada para ausência de organização, e cada vez mais confio em mim e na minha capacidade para memorizar compromissos — ou registá-los —. Se não respondi, no preciso momento, a um e-mail ou a uma qualquer mensagem, sei que naquele momento não estou com a disposição ou foco suficientes para me debruçar sobre o assunto (seja ele leve ou mais complexo). Prefiro demorar a responder, na certeza de que estou a tornar-me disponível a 100% à conversa do que fingir uma atenção que não lhes pertence por estar a distribuir o foco em dezenas de assuntos que mereciam mais da minha parte. O que quer que exista para eu saber e resolver, continua a existir algum tempo depois, mesmo que a minha cabeça queira insistir no contrário.

Seja que tarefa ou acontecimento que esteja a viver — limpezas, cozinhar, ler, conversar, trabalhar, aprender — faço questão de estar lá. De corpo e mente. Nunca me suportei por, algumas vezes, estar presente apenas em corpo e deixar a mente voar para assuntos dos quais, naquele momento, não posso, não preciso ou não tenho urgência em tratar. E desde que me tenho esforçado para ser uma pessoa mais focada, sou uma pessoa mais tranquila e feliz, também. Porque sinto que fico ansiosa nas ocasiões em que a ansiedade e a preocupação são válidas e não deixo que, em outras ocasiões, me perturbem, desconcentrem ou me impeçam de viver o agora.

Vivemos num mundo que se comporta como se tudo fosse acabar amanhã e em que somos incapazes de estabelecer certas prioridades ou de interpretar os casos de formas menos extremas como "de vida ou de morte". Muito por culpa da nossa fisiologia. Mas podemos contrariar da forma que mais está ao nosso alcance e confiarmos mais na nossa capacidade para sermos responsáveis, presentes e sensatos. Estou farta de sofrer em dobro.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

FILMES || Um Desastre de Artista


The Room é, muito provavelmente, um dos filmes mais constrangedores, estranhos e fenomenais da Era do cinema. Um filme tão mau e tão estranho que se tornou genial. E o segredo para esta tragédia bem sucedida só tem um nome: Tommy Wiseau, que escreveu, dirigiu, representou e financiou todo o filme. Ninguém sabe, mesmo nos dias de hoje, de onde ele é, que idade tem nem como teve meios para financiar toda a produção, mas The Room é uma pérola tal que merecia um filme para contar a história de Tommy e de como toda a ideia surgiu. E assim foi.

Existem vários factores para que Um Desastre de Artista seja tão brilhante, a começar pela caracterização quase perfeita. James Franco está absolutamente irreconhecível e só soube que era ele quando mo segredaram ao ouvido, enquanto assistíamos. A transformação está muito fiel e extraordinária (e tenho de confessar: durante todo o tempo em que o Dave Franco estava caracterizado com barba, achei-o super parecido com o Ricardo!). O pormenor de os dois irmãos trabalharem juntos leva a química além da tela e dá o à vontade que fica em falta em The Room.

Embora possa nomear dezenas de razões para o filme ser uma obra prima, a verdade é que aquilo que torna o filme tão bom é o facto de ser verídico. Todos os momentos de humor non-sense dignos de uma comédia à séria ficam com a qualidade elevada por sabermos que realmente tal momento completamente imbecil aconteceu. O humor está na realidade e no retratar dos factos.

Recomendo completamente que assistam a The Room antes de partirem para Um Desastre de Artista porque, evidentemente, a experiência será ainda mais maravilhosa. Este ano estou completamente a leste no que toca a candidatos ao Óscar mas o James Franco merece-o pelo papelão. Já não chorava a rir a assistir a um filme há muito tempo.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

MÚSICA || Thank you, O'Riordan.

Já o partilhei aqui convosco que a minha infância não foi marcada por Britney Spears, Backstreet Boys ou Spice Girls. Em vez disso, cantava a Yellow dos Coldplay de olhos fechados e cresci a ouvir The Cranberries. Aliás, embora Coldplay seja a minha banda, aquela que acompanho desde sempre, The Cranberries marcou a minha pré-adolescência e quase a totalidade da mesma.

Com dentes de leite e franjinha, pedia para tocarem a Zombie no carro e cantava-a a plenos pulmões. Ainda hoje, The Cranberries é a minha banda preferida para ouvir no carro  também já partilhei isso convosco, numa outra publicação . Quase todas as músicas guardam uma memória incrível de uma fase muito especial de auto-descoberta, crescimento e afirmação. E é tão bonito sermos transportados para momentos da nossa vida com uma simples música.

Foi a primeira vez que senti um vazio ao saber que um artista musical tinha partido porque foi a primeira artista a partir que carregava às costas as músicas que eu ouvi apaixonada, com desgosto de amor, com amigas num mp3 durante o intervalo da escola ou a música que resultou numa private joke que conta uma história de amor muito especial. The Cranberries, especificamente, Dolores O'Riordan carregava isso consigo, mesmo sem o saber.

Tenho muita pena de nunca ter chegado a assisti-los ao vivo, e a perda de Dolores O'Riordan deixa-me com uma sensação vazia no peito e de sabor amargo. É simplesmente estranho (e triste) que a vocalista de tantas músicas simbólicas na minha vida tenha partido e que nunca mais as venha a ouvir dos seus lábios. As músicas ficam, as gravações, as letras, os sucessos (e, claro, as memórias) mas tudo ganha um peso fantasmagórico que torna as recordações boas e amargas, ao mesmo tempo.

Ser fã de artistas e de música é mesmo assim. Acredito que, todos os que são como eu, compreendem-no. Quando vivemos música e criamos playlists como quem cria álbuns de fotografia, em que cada faixa é uma expressão de um retrato que capturámos ou uma memória escondida, é difícil saber que não há mais. The Cranberries será sempre a banda da minha adolescência e a herança de Dolores ficará sempre carinhosamente guardada nos meus cd's e playlists. Obrigada.

BOM GARFO || Café Império

 LISBOA

Para celebrar a penúltima noite de 2017, decidimos escolher um lugar com história. Inaugurado em 1955, o Café Império é, para muitos, um dos lugares mais icónicos da capital para degustar um bife. Com uma decoração dedicada à época de inauguração e com inúmeras referências a grandes personalidades do mundo da música e do cinema, o Café Império apresenta serviço de café, bar e restaurante, sendo que conta também com um espaço dedicado às crianças, para que se possam entreter.

domingo, 14 de janeiro de 2018

LIVROS || Sapiens — História Breve da Humanidade


Depois do encanto que senti ao ler um livro que resumia tudo o que havia para saber sobre a esfera científica, decidi mergulhar nas páginas de outro que, embora não seja do mesmo autor, colmata as temáticas em falta do primeiro: Sapiens — História Breve da Humanidade.

Este é o manual de paleontologia, antropologia e sociologia que qualquer curioso como eu vai querer ler. Comparo-o com a Breve História de Quase Tudo pela semelhança de conceito: Sapiens engloba todas as informações relevantes e interessantes sobre a Humanidade — ou tudo o que deveríamos saber — e apresenta-as de uma forma cadenciada e fluída. Porém, considero a leitura menos 'leve', apenas porque a apresentação dos temas tem menos cunho pessoal e humorístico que a Breve História de Quase Tudo o que, neste tipo de livros, pode revelar-se uma lufada de ar fresco. Ainda assim, a narrativa é acessível e muito fácil de ler.

Compreender a Humanidade e como evoluiu de pequenas comunidades primitivas à superpopulação tecnológica dos dias de hoje é a premissa do livro. Conceitos como a agricultura, ideologias políticas e religiosas, dinheiro, as relações entre Seres Humanos e a ciência são não só desconstruídos até compreendermos a sua origem e existência até ao significado mais elementar, como também são utilizados para percebermos de que forma estes conceitos moldaram e permitiram à Humanidade ser aquilo que reconhecemos, nos dias de hoje, e o quão incertos e efémeros são estes conceitos. Como é que um mundo tão diferente e discrepante, entre si, consegue funcionar, em conjunto, à base de construções imaginárias e que envolvem uma confiança global como o dinheiro, as marcas, os Direitos Humanos? Como é que a biologia pode ter uma relação directa com a História? E será a História bem contada e justa?

Estas e outras questões são abordadas no livro de uma forma incrível e interessante. A leitura deste livro foi absolutamente estimulante e enriquecedora. Só lamento não o ter lido mais nova, durante a época em que ainda tinha Filosofia, por exemplo. É um óptimo livro para amantes de História, Biologia Humana e Sociologia ou para quem simplesmente quer saber com mais rigor qual é a História da Humanidade e como tudo ao nosso redor, na verdade, funciona. Da mesma forma que recomendo vezes e vezes (e vezes!) sem conta a Breve História de Quase Tudo, chegou a hora de recomendar vezes sem conta Sapiens. É impagável a sensação de clareza e conhecimento que este livro nos proporciona. Abrimos 2018 com chave de ouro, no campo da leitura. Já é o preferido do ano e estamos em Janeiro.

Autor: Yuval Noah Harari
Número de Páginas: 486
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

sábado, 13 de janeiro de 2018

FORMAÇÃO || A Humanização da Publicidade

No passado dia 9 de Janeiro, decidi estar presente num workshop sobre a Humanização da Publicidade, um assunto que me intrigava bastante. Num mundo cada vez mais actualizado, explodindo informações por todo o lado, e sempre a apostar na novidade, como inovar e cativar o consumidor do agora? 

Cada vez mais somos consumidores conscientes, participativos — as redes sociais potenciam-no — e procuramos ligar-nos a marcas que nos inspirem, que se relacionem connosco de uma forma emocional e que tenham consciência social e ambiental. A inovação sem garantia de funcionalidade já não chega e cada vez mais queremos ser observados como Humanos e não como Números ou Consumidores. Este é o mais recente paradoxo do marketing, que caminha numa nova direcção, despindo-se dos valores e conceitos pelos quais se regia, em outros tempos.

Este foi o ponto de partida de Ana Coelho, fundadora da agência publicitária Human Insight, para o desenvolvimento desta formação, onde deu respostas a estas questões e ajudou-nos a compreender de que forma é que as empresas podem comunicar-se de uma maneira mais eficaz, mais real e mais humana.
Todo o workshop foi bastante interactivo e acessível a todos os tipos de público (desde os experts do mundo da publicidade, a curiosos como eu — afinal de contas, não tenho qualquer tipo de formação em marketing). O workshop teve lugar no LabCenter de Torres Vedras, promovido pela INOV-E, mas a formação tem caminhado por todo o país e, pela experiência enriquecedora e pelo tema fascinante, não posso deixar de vos recomendar e aconselhar que procurem estar presentes, se o tema for de encontro aos vossos interesses.


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

SÉRIES || Dark


Dark é a mais recente aposta de sucesso da Netflix. Uma série alemã que, imprudentemente, foi comparada a Stranger Things e que eu começo por advertir que não são, de todo, semelhantes. Nem perto disso.
É dificílimo partilhar convosco a história da série porque qualquer detalhe que partilhe convosco será um spoiler. Dark é uma série que nos deixa na penumbra e às cegas até ao momento certo. E, de repente, o que era mistério, relações e acontecimentos confusos, informações inesperadas e inexplicáveis, torna-se num gigantesco momento de Eureka! onde tudo faz um sentido brutal e nos apercebemos de que as respostas estavam todas à frente do nosso nariz. Tudo passa a ser óbvio.

Não é o tipo de narrativa que vai sacando cartas especiais do bolso com uma informação que desencanta toda a charada. De facto, todas as informações que precisam para compreender a história, à primeira, estão no ecrã, à vista. Por isso mesmo, torna-se muito importante assistir a esta série com a concentração certa — a mínima distracção pode custar-vos a compreensão da história — e atenção a todos os detalhes (incluindo a abertura, e respectiva música, da série). Os episódios são longos e a acção é lenta, mas nada é-vos apresentado de forma superficial e com o único propósito de entreter, prometo.

Com uma fotografia absolutamente maravilhosa, toda a série carrega um clima de mistério e é relativamente pesada — tanto na história em si como no facto de ter alguns detalhes de suspense que podem assustar os corações mais sensíveis (odeio a música instrumental por isto mesmo, adianto) —. Mas a temática é absolutamente intrigante.

Se estão à procura de uma série que realmente vos agarre e vos incite a querer saber o que (raio) se passa, esta é a série certa. O tipo de série que vocês vão querer ter alguém que já a tenha assistido para comentar e desabafar tudo o que acabaram de ver. Irreverente.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

WEB || Netflix

Querem uma curiosidade que, sempre que conto, faz toda a gente ficar de boca aberta e disparar mil perguntas? Nunca tive TV Cabo. A forma mais sincera de responder ao vosso 'porquê?' é... nunca calhou. Normalmente é uma das coisas que as pessoas fazem logo questão de tratar quando mudam de casa, mas nós deixámos isso passar durante tanto tempo que agora os serviços disponíveis para nós são obsoletos demais.

Na verdade, o nosso interesse por cabo seria apenas para termos acesso e uma oferta maior de séries, filmes e documentários, e foi por essa mesma razão que sugeri a Netflix para a nossa casa. Iria preencher os nossos requisitos sem passarmos pelos defeitos que quem tem cabo acaba por se queixar. Como não temos qualquer interesse em talk shows, concursos, ou em canais desportivos, alinhámos muito facilmente. E é uma viagem sem retorno.

Nunca pensei que fosse adorar tanto Netflix como adoro. Cada um tem acesso a um perfil ao qual recebe sugestões exclusivas aos seus gostos e onde pode ir para retomar uma série precisamente no episódio onde estava — para mim, uma das melhores funcionalidades, uma vez que detesto ter de memorizar em que episódio me encontrava — sem que os gostos dos restantes familiares interfiram no seu painel ou nas suas sugestões.

Um outro pormenor que adoro é o facto de os episódios transitarem sem que tenha de fazer qualquer comando. Para muitos, pode ser um presente envenenado — porque facilmente perdem a noção do tempo e deixam-se ficar a ver a mesma série por horas — mas, como já vos disse, sou incapaz de fazer binge-watching, portanto, é simplesmente um detalhe que me deixa muito satisfeita. Não ter de clicar em oitocentos botões para ver um episódio de cada vez é um pequeno prazer de primeiro mundo.
Também tenho a aplicação no telemóvel porque permite que eu transfira episódios e possa assisti-los em modo offline, perfeito para viagens!

Sem dúvida alguma que o factor mais interessante é o preço. Mesmo o pacote mais caro (dito Premium) não chega aos catorze euros, o que torna a experiência relativamente acessível. Para nós, que só queríamos mesmo ter oferta de séries, documentários e filmes, a escolha foi muito simples.

E eu, que não era uma a maior aficionada por filmes ou séries, dou por mim com a watchlist a crescer com conteúdo que realmente me desperta interesse e vejo que os meus serões são mais agradáveis por poder escolher o que quero assistir. O sistema cumpre o que promete e tem sido uma experiência muito feliz!

Também têm Netflix? Recomendam-me algum original?


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

FILMES || Ao Encontro de Mr. Banks


Ao Encontro de Mr. Banks revela a história de como Mary Poppins saltou de um livro para o filme que todos conhecemos. P. L. Travers — autora do livro que faz nascer Mary Poppins — recebe um acordo para ceder os direitos a Walt Disney, que quer cumprir uma promessa que fez às suas filhas há 20 anos. Porém, Travers não quer que a sua estimada Mary Poppins seja ridicularizada pela efémera e sensacionalista Era do cinema e a missão de tornar o filme naquilo que ainda hoje podemos assistir torna-se muito mais difícil do que alguma vez poderíamos imaginar.

Eu adoro a Mary Poppins e há muito tempo que quero ler o livro, mas fico contente por ter assistido a este filme antes, que conta como a mágica e positiva Mary Poppins é inspirada numa história inesperada, mas muito especial. Sinto que passei a adorá-la ainda mais e que agora irei conseguir ter uma experiência de leitura muito mais rica.

Um filme que retrata lados muito pesados de uma forma leve, como a Disney já nos habituou. Perfeito para um Domingo à tarde, com transições inteligentes, personagens carismáticos e um elenco empenhado. A magia começa sempre de algum lado.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

BOM GARFO || Fábrica da Nata

 LISBOA

Se há doce português que não resisto é a um bom pastel de nata! E há muito que queria comprovar algumas teorias de que existem umas quantas casas de pastéis — com uma localização mais acessível, para mim, e menos caóticas — melhores que a aclamada Pastéis de Belém, entre elas, a Fábrica da Nata. 

Com sala de chá em Lisboa (na Praça dos Restauradores e na Rua Augusta — a que visitei —) e no Porto (na Rua Santa Catarina), no dia escolhido para me estrear na pastelaria, não tive tempo para fazer uma paragem como queria, pelo que me fiquei pela zona de balcão para pedir um belo pastel de nata pouco queimado, para levar (Por Favor!). 

O espaço cria um ambiente fiel ao nome, com pastéis à vista por todo o lado — até no tecto, deslizando nas suas formas —, cozinha aberta onde podemos observar os pastéis a serem confeccionados, e um tom azul que se expressa discretamente por todo o lado e que me faz sentir em Lisboa. 

O pastel? Extraordinário. O folhado é estaladiço e o creme quentinho é doce, com uma textura suave e absolutamente guloso! Comprovo que é melhor que os pastéis de Belém — os de Belém têm um travo mais forte de ovo e estes de nata, como eu prefiro —. 

O pastel quentinho fez as minhas delícias enquanto caminhava pela gelada cidade mas está mais do que prometido um regresso demorado para desfrutar da casa de chá com um Earl Grey, um belo prato de pastéis com canela e ainda explorar a vista para a Rua Augusta que as varandas proporcionam. Delicioso!

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Rua Augusta, nº275A, 1100-052
Lisboa
Contacto: 912 551 171

domingo, 7 de janeiro de 2018

MUNDO || Seta

Penso que uma das maiores sensações de impotência é quando sentimos que não estamos a cumprir os objectivos, metas ou sonhos que nos propusemos e, especialmente, no tempo a que nos propusemos. Este é um dos problemas de anotarmos resoluções, fazermos exercícios retrospectivos — como é o caso do 5 Year Journal, por exemplo —. Não há sensação maior de falha quando lemos (especialmente na nossa caligrafia) os sonhos que tínhamos preparados para nós para esta altura e não estão cumpridos, nem de perto.

É uma sensação muito solitária, também. Quer não os tenhamos atingido por culpa nossa ou porque a oportunidade não apareceu, é uma sensação que trabalhamos muito sozinhos e que fica a remoer na nossa cabeça durante muito tempo. Começamos a sentir-nos numa bolha estagnada e vemos — ou pensamos que vemos — o mundo a avançar e nós atrás do plano. Como se algo estivesse errado connosco e todas as pessoas conseguissem agarrar as oportunidades menos nós, todos conseguissem encontrar os seus sonhos e objectivos menos nós, todos conseguissem alinhar os astros no meio da vida imperfeita — que todos têm — menos nós. Como quando estamos a atingir O Muro da maratona e parece que mais ninguém o sente sem seres tu. Estás a dar tudo de ti, tentas manter o foco na meta, ignoras os sinais de fadiga do teu corpo e depois sentes um peso no peito por veres todos os atletas a ultrapassarem-te, a correrem mais depressa e sem demonstrarem tanto cansaço, muito mais velozes. Até a que se está a estrear na maratona está a correr mais depressa do que tu. Ninguém mais sente O Muro.

Há duas coisas muito importantes que têm de saber sobre este Muro; a primeira é que se alguém vos disser que também já passou por ele e nunca sentiu nada destas coisas: a) está a mentir descaradamente; b) não faz ideia do que é um Muro. Estes sentimentos são naturais. Não são os melhores do mundo, mas não naturais. A desmotivação, o cansaço emocional, a sensação de falha e 'ficar para trás'. A pontada de tristeza quando uns conseguem aquilo que há tanto sonhamos e nem um feixe de luz irradia para o nosso lado... Tudo isto é natural. O mais importante é sabermos o que fazer com estas sensações ruins, com estes sentimentos negativos. Pensarmos estas coisas em momentos em que estamos no fundo do poço não nos define. O que nos define é o que decidimos fazer com esses pensamentos. Em como podemos transformá-los em algo mais positivo, saudável e amável para nós próprios e para quem nos rodeia.

A segunda é que existe uma grande diferença entre não acontecer nada porque estamos sentados à espera e não acontecer nada embora estejamos a tentar. E se estão na segunda categoria, não desistam. Não desmotivem. Sejam sinceros convosco e coloquem as cartas na mesa, o plano todo em aberto. Reavaliem os métodos, as fórmulas, os caminhos. Mas não desistam nem se sintam falhados. A vida é uma sucessão de convites que acontecem graças a uma preciosa combinação de factores. E há quem consiga receber esses convites de uma forma mais rápida que outros. Não torna nenhum mais competente que o outro. Tornam-se apenas pessoas a aceitarem convites. E se estão a tentar, os convites vão aparecer. Mesmo que apareçam primeiro no correio de outros. Eles também merecem. Eles também estão na maratona. Vocês não estão sós.

A minha incrível amiga Bia costuma partilhar sempre comigo a analogia da seta. Quando pegamos no arco e puxamos a flecha para trás, na verdade, estamos a dar-lhe gatilho para ser projectada para a frente. Se não a puxássemos, se a deixássemos ficar precisamente no sítio onde estava, dificilmente ela teria a força e resistência para avançar. E na vida também é assim. Por vezes damos alguns passos para trás, que nos matam por dentro e destroem a nossa confiança, motivação e sensação de conquista, mas são esses retrocessos que nos permitem ter mais força para avançar. Porque quando chegarmos ao topo do telhado, sabemos qual foi o preço e o quanto nos custou lá chegar.

Criamos estas ideias erradas de metas relacionadas com o tempo que podem ser óptimos propulsores de conquistas mas também excelentes venenos mortíferos. É importante lidarmos com estas metas com o devido realismo e cuidado. O facto de um determinado objectivo não ter acontecido no período de tempo que esperaram não significa que não venha a chegar e também não significa que não fizeram nada para o conseguir. Não há nada de errado ou insólito nisso. Só precisamos de ser pacientes e resistentes a essas contradições. E continuar a ir à luta, continuar a investir nesses objectivos — e noutros —. Nunca deixem de investir em vocês.


sábado, 6 de janeiro de 2018

ISTO É TÃO INÊS || Recuperar-me

Não sou a típica pessoa que faz resoluções de Ano Novo, mas este ano decidi que, independentemente dos meus caminhos, escolhas ou acontecimentos, tinha de cuidar de mim.
Em 2018, quero muito trabalhar este objectivo tão pessoal, por dentro e por fora e desde as coisas mais simples às mais complexas. Quero hidratar-me mais, cuidar da minha pele, valorizar mais o que está por fora, mas também quero fazer muito trabalho por dentro; quero ter mais confiança nas minhas capacidades, não ter tanto medo de arriscar em caminhos completamente diferentes e não duvidar que estou à altura para os desafios e oportunidades que me aparecem à frente.

Quero investir em mim e no facto de ser uma pessoa tão interessada para aprender mais sobre assuntos que, a priori, nada têm a ver com a minha formação ou com os meus percursos. Cada vez tenho menos medo de dizer, na apresentação, que não tenho qualquer tipo de formação mas que, para compensar, tenho muito interesse e quero aprender mais. 

Quero colocar-me em primeiro lugar. Dizer 'não' se não me apetece ir, se não tenho interesse, se não tenho possibilidade. Quero acrescentar mais à minha vida e dizer 'sim' a mais experiências. Acho que, neste campo, tenho sido relativamente bem sucedida mas ainda há tanto por fazer...!

Quero ser uma amiga ainda mais presente. Uma das minhas melhores qualidades enquanto amiga — os meus amigos que o confirmem — é que estou sempre a lembrar-me de coisas que possamos fazer e a arranjar pretextos para nos encontrarmos. Tal como a minha família, que qualquer coisa é razão para pôr a mesa e nos encontrarmos todos, eu sinto que faço muito isso com os meus amigos e quero regar esse lado tão aglutinador porque é muito bom encontrarmos uma série de pessoas que nos fazem tão bem ao coração pelos motivos mais aleatórios. Quero contrariar a rotina e a vida corrida (que todos temos) e alinhar as agendas e relógios para fazermos o tempo parar.

2017 deixou-me muito derrotada mas 2018 deu-me uma sensação de ar fresco e arregaçar as mangas revelou-se mais fácil. Este ano preciso de recuperar a paz interior que tinha, anteriormente, em mim e de fazer evaporar este peso no peito. Preciso que seja um ano muito gentil. E vou fazer por isso.


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

BODY TALK || Kiko Asian Touch 01


Descobri o batom vermelho da minha vida e é da Kiko, da linha Asian Touch em parceria com Isa Arfen. Toda a linha de maquilhagem da colecção — desde a embalagem ao produto — tem um design maravilhoso que remete à cultura asiática e eu adquiri tanto o batom matte líquido na cor 01, como o lápis de contorno, do mesmo tom.

O tom é um vermelho cereja bem fechado, como eu adoro e é aquilo que todas nós esperamos de um batom vermelho: tem uma durabilidade extraordinária, não passa para fora da linha dos lábios, não encrosta e tem uma excelente resistência à comida e bebida — usei-o num casamento e na Passagem de Ano e apenas senti que se desvaneceu muito ligeiramente na zona centro do lábio inferior, mas de uma forma muito discreta —. Não transfere quase nada (podem dar beijinhos sem medo que a outra pessoa fique completamente manchada de vermelho, mas não é totalmente no transfer) e é um matte muito confortável, que não resseca os lábios nem esfarela.

O lápis tem uma pigmentação incrível — e o formato a imitar um pauzinho está a matar — e o batom é de aplicação fácil e demora cerca de um minuto a secar, perfeito para miúdas leigas a pintar os lábios, como eu sou, e que fazem tudo em câmara lenta e precisam sempre de retocar ou corrigir.

Acho que qualquer mulher fica maravilhosa com o batom vermelho certo, especialmente um batom que também seja amigo delas e dê o menor trabalho possível. Não podia recomendar mais este e ainda hoje me surpreendo com o quanto é maravilhoso. Aproveitem 2018 para ganharem uma confiança extra e saírem à rua com um batom vermelho sem medo de serem felizes e femininas.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

LIVROS || A Cabana


Lembro-me, como se fosse ontem, de quando comprei este livro, em 2009, numa feira do livro que decorria dentro da minha escola. Comprei-o totalmente às cegas, sem ler contra-capas ou opiniões, simplesmente intrigada pelo título misterioso. Depois, quando cheguei a casa, observei o livro com mais atenção e senti uma pontada de desilusão. Não era o tema que correspondia às minhas expectativas e acabei por o adiar, até ficar nos confins da biblioteca.

No ano passado, eis que dei com o cartaz da adaptação do livro, nos cinemas. Nunca esqueci o título e recordei-me imediatamente do livro e do facto de nunca o ter lido. Assim que cheguei a casa, procurei-o e debrucei-me nele. Acho que a única coisa que posso dizer é: ainda bem que a Inês de 2009 arrumou o livro num canto. A Inês de 15 anos não iria compreender, na sua totalidade, a filosofia profunda desta história. 

A Cabana conta-nos a história  aparentemente verídica ou, pelo menos, o indivíduo assim o garante  de Mackenzie, vitima de uma depressão profunda causada pelo assassinato da sua filha mais nova, Missy. Inesperadamente, recebe um convite muito invulgar e inacreditável: Deus convida-o para se encontrarem na cabana onde Missy foi brutalmente assassinada para que possam ter uma conversa.

Este tipo de narrativas correm sempre o risco de tornarem-se fantasiosas, confusas e desinteressantes para alguém que não se identifica nem pratica nenhum tipo de religião, como é o meu caso. Mas eu gostei muito desta leitura. A história em si é inesperada e, na minha opinião, transcende a nossa imaginação, não desiludindo. As reflexões contidas nos diálogos superam a discussão da religião enquanto instituição, e discutem-na enquanto filosofia. Não é necessário seguirmos uma religião em particular para compreendermos profundamente algumas das ideias debatidas. É uma introspecção muito interessante.

Por outro lado, levanta questões acerca de certas incongruências da própria religião. É fácil identificarmo-nos com as dúvidas e incertezas de Mackenzie, aliás, eu própria também já levantei as questões que ele aponta em inúmeras discussões sobre o tema. Mas, como venho a dizer há algum tempo, eu gosto de ouvir, ler e ver argumentos contrastantes aos meus. Ideias opostas às minhas. Só assim conseguimos levar o nosso conhecimento mais além e eu apreciei ver respostas às minhas perguntas que, em outras ocasiões, não recebiam nada mais do que silêncios. Nem sempre consegui aceitar completamente todas as respostas  e não há problema porque, pelo menos, agora conheço essas respostas, e isso é igualmente importante para formarmos opiniões justas e alimentarmos conflitos argumentativos estimulantes  mas admito que muitas das respostas pareceram-me razoáveis e aumentaram a minha tolerância para determinados assuntos. Compreendi tudo, mas nem sempre concordei. Porém achei verdadeiramente interessante.

Não sei se esta será uma história, de facto, verídica, mas é inegável que se trata de uma reflexão extraordinária, estimulante para o nosso pensamento e muito interessante. Oferece-nos novas formas de observarmos questões como o bem e o mal, sermos boas ou más pessoas, sermos ou não justos. E isto é só uma pequena ponta do véu. É muito mais do que um livro sobre Deus e sobre os princípios de uma religião. É um livro sobre sermos humanos e a forma como nos comportamos uns com os outros e connosco próprios. Com um twist mágico. Recomendo muito, especialmente se tiverem uma linha de pensamento igual à minha  no sentido de procurarem abranger mais opiniões e perspectivas diferentes da vossa. Estou muito curiosa para ver como fizeram a adaptação de um livro assim.

Autor: WM. Paul Young
Número de Páginas: 246
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

FILMES || Loving Vincent


Após a morte de Vincent van Gogh, Armand Roulin decide entregar uma carta ao irmão do pintor. Porém, a missão realça a peculiaridade do suicídio do artista e Roulin decide apurar os factos do que realmente aconteceu.
Esta animação biográfica consagra-se como o primeiro filme na História do cinema a ser totalmente pintado, contando com 65.000 quadros de óleo sobre tela e 115 pintores que fizeram nascer o filme respeitando a técnica de Van Gogh e tornando o filme mais próximo à alma artística do pintor.

Nem por um segundo consegui desligar-me da maravilha que estava a assistir e que estava a acontecer em frente aos meus olhos; um filme totalmente pintado e com uma fluidez de movimentos, detalhes e pormenores extraordinária, como se o próprio Van Gogh o tivesse desenhado. A minha admiração recai totalmente para estes pintores que fizeram um trabalho deslumbrante e que, só por isto, merece ser assistido.

A narrativa, que conta com algum mistério, prende-nos e criei uma empatia ainda maior com o pintor. Aproxima-nos da sua vida e dos seus obstáculos, tornando-o mais real e menos 'nome de museu'. Apesar de, hoje em dia, as suas obras valerem uma fortuna, em vida, Van Gogh só conseguiu vender um quadro dos oitocentos que pintou e estava longe de ser estimado por todos. E isso faz-nos muito reflectir sobre a crueldade da sociedade, sobre apostarmos nas nossas paixões, sobre o amor, sobre o sacrifício.
O final, para mim, foi surpreendente. Podem contar com um filme de enorme beleza e qualidade. Nunca vi nada igual e sinto-me como se fosse uma privilegiada por ter tido oportunidade de o assistir. Uma obra prima.