Já não terminava um ano com esta energia desde 2014, embora seja completamente perceptível que somos, agora, Inêses diferentes. Porém, é com o mesmo peso nos ombros e no coração que termino este ano. 2017 exigiu de mim capacidades que eu senti que ainda não estavam maduras o suficiente para serem usadas como deviam ser. Não estava preparada.
Em 2017 perdi a Laika, não cumpriram a sua palavra no mundo profissional, fiquei dolorosamente doente e ainda passei por mais alguns acontecimentos que arrasaram comigo. Superei cada um deles, de joelhos esfolados e lágrimas no rosto, é certo, mas levantei-me, arregacei as mangas e disse 'Vamos lá'. A verdade é que a minha percepção de todos os momentos maus (e bons), é de uma posição privilegiada, e nunca me esqueço disso. Não deixei que nenhuma destas cartas negras me vencesse, mas não consigo negar o cansaço e a saturação. Não consigo negar que estou de rastos, que preciso muito de me recuperar.
Mas recordemos aquilo que vale a pena, aquilo que faz sentido lembrar vezes e vezes sem conta, em 2017. Iniciei o ano em Lisboa, numa varanda sossegada, mas pouco tempo depois estava, finalmente, a conhecer o Porto. Aliás, fui ao Porto duas vezes e deslumbrei-me com esta cidade tão empática! Numa dessas viagens, fui eu a conduzir e superei um desafio muito grande, dentro de mim. Mas não me fiquei por aqui; 2017 marcou o meu regresso muuuuito curtinho a Aveiro — e que bem que me fez — e ainda a estreia de um novo continente, África, com a minha viagem para o Senegal que me enriqueceu muito — e nem imaginam o quanto me ajudou a colocar os problemas em perspectiva —. Ainda no quesito viagens, viajei em executiva pela primeira vez (duas vezes, aliás) e vi o primeiro rasgo de amanhecer no cockpit.
Celebrei o aniversário do Bobby Pins de uma forma muito especial, 'conversando' com vocês pelo Snapchat e foi uma das ideias mais acarinhadas por vocês, que me fizeram sentir muito bem com tudo o que faço e partilho convosco. Aliás, foi um ano muito especial no que toca à blogosfera, já que troquei muitas palavras especiais e conheci malta incrível deste mundo, olhos nos olhos. Andei pelas ruas de Torres a celebrar o melhor Carnaval de Portugal, voltei a festejar uma noite nos Santos Populares — finalmente!!! —, desfrutei do meu aniversário com os amigos que, nos momentos de queda e de vitória, estão sempre lá para me lembrarem que sou capaz e me arrancarem gargalhadas como só eles sabem fazer e fui a um casamento muito querido, o primeiro desde oito anos sem ir a mais nenhum.
2017 foi um ano de experiências muito especiais. Fiz baptismo de mergulho — um dos momentos mais pacíficos deste ano —, fui ao Cine-Concerto do Harry Potter e a Pedra Filosofal com a melhor companhia do mundo, participei num torneio de basquetebol até de madrugada — e ainda hoje desato a rir com as memórias —, voltei a fazer canoagem, vi uma porrada dos meus artistas preferidos ao vivo (The xx, Phoenix, alt-J, The Weeknd, Foo Fighters, London Grammar, Anavitória e Ludovico Einaudi), sendo que o meu TOP5 de concertos preferidos foi (do quinto para o primeiro): The xx, London Grammar, Anavitória, Ludovico Einaudi e Foo Fighters. Consegui fazer uma maratona de Harry Potter com as amigas mais maravilhosas do mundo, fui à exposição do Van Gogh e finalmente senti conexão com o pintor, regressei ao Buddha Eden depois de quase dez anos desde a primeira visita, fui ao Aqueduto das Águas Livres e deslumbrei-me com a vista, participei, pela primeira vez, num Escape Room com o grupo de amigas mais incrível deste mundo, fui ao bailado 'Giselle' que, neste momento, é o meu preferido, patinei no gelo, fui a muitos restaurantes novos e iniciei a minha reeducação alimentar.
O melhor de 2017: o olá da Belka. De todos os acontecimentos deste ano, este foi o mais inesperado. Mas é o que me faz pensar que voltava a viver todo este ano outra vez. Porque se ele tivesse sido perfeito, talvez ela nunca tivesse chegado aos meus braços. Ela ajudou (e ajuda) o meu coração a recuperar de todos estes momentos tão intensos.
Termino 2017 com uma sensação estranha e 'desconsolada' mas sei que tentei sempre agarrar todas as oportunidades que pude para ser feliz e que todos os momentos maus me ajudaram a compreender que sou capaz de passar pelos acontecimentos mais improváveis e complicados com esperança de que tudo vai melhorar. E que fui capaz de o transmitir às minhas pessoas, também, nos seus momentos mais aflitos. E saber que ganhei esta estaleca inesperada dá-me não só mais confiança para saber lidar com os novos fins do mundo que estão por vir, mas também mais orgulho por saber que, quando as boas notícias chegarem, eu tenho a certeza de que as mereço na sua totalidade, porque desfiz-me por elas. Eu mereço ser feliz.
Que 2018 seja gentil com todos vós e que seja um ano de acontecimentos maravilhosos na vossa vida. Um abraço gigante para todos vocês.
















