sexta-feira, 30 de junho de 2017

LIVROS || A Magia das Pequenas Coisas


Cada vez que a minha romancista preferida, Sarah Addison Allen, lança um novo livro, o meu coração fica mais contente. Já li todos os seus livros lançados e arrisco-me a dizer, se a memória não me falha, que este feito só aconteceu com esta autora.

O seu sexto e mais recente livro, A Magia das Pequenas Coisas, é ligeiramente mais especial para os fãs da autora por ser uma sequela daquela que foi a sua obra de estreia, bestseller e distinguido com uma série de prémios, O Jardim Encantado. Reconheço que não é o meu preferido da autora, mas sei também que é o livro mais acarinhado da colecção por parte dos leitores e que é, portanto, uma prova de coragem querer prolongar uma história já amada por muitos. As expectativas são sempre muito altas.

Para quem nunca leu O Jardim Encantado e estava com curiosidade em relação à Magia das Pequenas Coisas, saibam que podem perfeitamente ler o último sem conhecer a história do primeiro. Isto porque a autora vai colocando o leitor a par de toda a história original através de resumidos, concisos e pertinentes reparos ao longo de toda a narrativa, fazendo com que nunca se sintam perdidos. No entanto, o segundo livro ganha uma outra dimensão se já tiverem lido o primeiro, nem que seja para terem já estabelecida a empatia pelos personagens.

A história passa-se dez anos depois d'O Jardim Encantado, com as mesmas três protagonistas, agora mais velhas; Claire, que deixou o seu negócio de sucesso e que abraçou outro que a coloca frente a frente com as suas inseguranças sobre quem é e sobre as suas capacidades; Sydney, que entra numa luta para que os outros não cometam os mesmos erros que ela já cometeu, no passado; e Bay, agora adolescente e que descobre que o seu dom de saber aonde tudo pertence é um pouco agridoce quando se trata de pessoas, especialmente porque consegue ver a quem o coração dos outros pertence antes mesmo dos próprios o descobrirem. Incluindo o dono do seu coração.
A estas três mulheres mágicas junta-se um velho senhor que vai colocar em causa a identidade única desta família tão estranha e que consigo traz cheiro a fumo e a gloss de cereja. A macieira mais carismática de todo o universo dos romances continua a brilhar em todo o seu esplendor, mas num panorama mais secundário.

Uma das particularidades que mais gostei, no livro, foi a exploração do passado da família Waverley - à qual pertencem as três protagonistas - e a história de Bay, tão delicada e cheia de amor. Como já referi, O Jardim Encantado não é a minha obra preferida e, portanto, li a sequela sem grandes exigências ou expectativas. Não achei a sequela melhor do que a original - aliás, tinha potencial para ser muito melhor, mas acho que a autora não explorou ao máximo a trama. Muitas das histórias que a autora considerou apenas veículos para considerações profundas, eu achei que poderiam ter dado mais corpo e acção à narrativa. Não lhe faltou profundidade - nunca falta, em Sarah Addison Allen, e é isso que eu aprecio - mas podia ter ido mais a fundo nas aventuras que despoletou. No entanto, é um romance igualmente mágico e que aquece o nosso coração. Adoro a sua característica sensorial; os romances da autora são sempre muito sensoriais, com muito destaque para os cheiros, para o paladar, para as sensações de frio e quente, doce e salgado, para as cores, para sons inusitados ou requintados. E eu gosto muito dessa particularidade. Envolve-nos na história e faz-nos esquecer o mundo à nossa volta. Este romance passa-se no Halloween e, embora tenha lido o livro num Verão de calor abrasador, senti-me como se estivesse envolta em mantas, chá e com o céu cinzento lá fora. E se um autor consegue dar esta sensação, já ganhou.

Foi reconfortante voltar a ler um romance mágico dela e recomendo a todos os que adoraram O Jardim Encantado. Não estragou a história. Não se vão desiludir e vão poder abraçar as personagens que vos conquistaram desde o primeiro capítulo. Para quem nunca leu Sarah Addison Allen, só não recomendo este livro para estreia porque acho muito mais encantador que se apaixonem pela primeira história, da árvore cujas maçãs mostravam, a quem desse uma dentada, a visão do acontecimento mais importante das suas vidas. Vale muito a pena.

Autora: Sarah Addison Allen
Número de Páginas: 274
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

quarta-feira, 28 de junho de 2017

MUNDO || Plural


Uma das maiores vantagens de vivermos num mundo livre - ou, pelo menos, num país livre - é a possibilidade de abraçarmos a nossa pluralidade. Poucas coisas são menos sensatas do que reduzirmos os outros - ou nós próprios - em categorias e rótulos baseados num único interesse. Porque é uma ideia irreal. Não somos um só interesse, um só gosto, um só estilo.

Eu gosto de basquetebol, artes marciais e ballet. Nuns dias prefiro pôr batom, noutros uma sweatshirt. Deslumbro-me a ver clássicos da Disney e a ler livros sobre ciência. A química e física intrigam-me tanto como a literatura, as línguas e a arte. Vou a museus de manhã, mas também posso ir a festas que acabam de madrugada. Tenho o mesmo interesse por saber mais sobre a vida de Kandinsky como a de Kevin Garnett. Gosto de gestos românticos e tenho os pés assentes no chão, ao mesmo tempo. Conheço as composições de Mozart e sei de cor letras de rap cheias de palavreado digno de arrepiar. Vibro na mesma medida com uma viagem tropical e com uma urbana. Alinho tão bem numa caminhada por arvoredos e bosques como numa ida às compras ou ao cinema. Posso falar sobre Harry Potter e também sobre política. Adoro ouvir o que os outros entendem por espiritualidade, mesmo que saiba que sou muito racional. Gosto de me vestir bem, de acompanhar tendências e de estar num café a ver um bom jogo de futebol, compreendendo todas as regras e jogadas de campo. Consigo torcer pelo Benfica sem desmerecer todos os restantes clubes por isso. Quis tanto aprender a tocar violino como a fazer mergulho. Sofro de ansiedade e não tenho medo de descer rápidos de canoa. Consigo fazer piadas, dizer coisas parvas e de dizer outras tantas coisas, mais sérias e, talvez, bem mais válidas. Não gosto de beber, mas sou divertida. E aprecio música brasileira e Foo Fighters com a mesma dedicação.

Não somos singulares e não faz sentido que o sejamos. Somos plurais e temos interesses que não têm, necessariamente, de encaixarem todos no mesmo padrão. Às vezes não contrastamos só com os outros; também contrastamos com nós próprios. Somos femininas e odiamos Barbies. Não somos fãs de política mas interessamo-nos por filosofia. Adoramos maquilhagem e matemática. Interessamo-nos por música house e instrumental. Somos de humanidades e de ciências no mesmo grau. Temos sensibilidade e racionalidade na mesma medida. E é estimulante! Desconstrói, todos os dias, as noções que criámos sobre o mundo e sobre nós para criar outras, novas e mais ricas, mais desenvolvidas e mais abrangentes. Torna-nos inteligentes, interessantes e pouco monótonos. Ninguém é feito de um só gosto e não faz sentido rotular ou julgar o outro por um só estímulo. Porque somos feitos de mais; de curiosidades, de questões, de inclinações que nos fazem abraçar uma série de conceitos opostos que, de um jeito muito peculiar, desenham os nossos traços e características. Não somos nada por gostarmos de uma coisa; mas somos muito por gostarmos de várias. A pluralidade ainda não é um facto facilmente reconhecido e aceitado por todos, mas é uma das coisas mais incríveis que a nossa consciência nos permite ter: a capacidade de nos apaixonarmos por um milhão de assuntos que o mundo à nossa volta tem para oferecer.

SÉRIES || Genius


Exibida através da National Geographic Channel, Genius é uma série focada em indivíduos que, como o nome já indica, revelaram-se autênticas genialidades nas suas áreas de actividade. Cada temporada dedica-se a uma individualidade e a segunda já está garantida, com a apresentação de Pablo Picasso. Mas foi a primeira temporada - e única, até à data - que me conquistou por completo, dedicada inteiramente a Albert Einstein.

São dez episódios que exibem a vida do físico mais carismático e famoso do mundo desde os primórdios da sua escolaridade, mostrando de uma forma muito fiel e imparcial todo o seu percurso académico, pessoal, profissional, as suas relações e todos os seus raciocínios para chegar a algumas das deduções mais brilhantes sobre o espaço, que nada mais, nada menos é do que física. Genius apresenta-nos uma época em que as questões políticas e religiosas interferiam em tudo no mundo, onde os pilares da física e da ciência eram inquestionáveis e mostra-nos como uma série de cientistas, de certa forma, se impulsionaram uns aos outros através das suas descobertas e experiências.

Uma das particularidades que eu gosto neste tipo de séries biográficas, é que sejam cruas a demonstrar os seus protagonistas. Eu não aprecio filmes/séries/documentários que coloquem estas figuras históricas em pedestais da perfeição, incapazes de errar, de ter defeitos ou imperfeições. Gosto de conhecer a pessoa da forma mais fiel ou, melhor dizendo, humana possível.

A maior parte da história que compõe a série, incluindo o seu percurso de investigação, publicação de artigos e raciocínio não me é novo porque já conhecia todos esses detalhes através d'A Breve História de Quase Tudo - não sei se já ouviram falar (para que não existam dúvidas, estou a ser sarcástica) - que incluí, num dos seus capítulos, algum tempo de antena para Einstein e para as suas descobertas. Também através deste livro, senti-me mais confortável para compreender todos os raciocínios expostos na série - como já referi, eu sou mais inclinada para a química do que para a física -, embora eu deva acrescentar que as analogias feitas na série são maravilhosas e qualquer pessoa vai acompanhar de uma forma rápida e eficaz, o que torna todo o sentido de lógica e descoberta muito mais estimulante, para quem assiste. Não é só Einstein que fica com a sensação de Eureka!; nós também.

Raramente termino séries, raramente gosto de séries mas não só terminei esta como aguardo com expectativa a próxima temporada e concluo que esta é a minha série favorita de sempre! É tão interessante para pessoas que tenham curiosidade sobre tudo, como eu tenho. É uma série muito completa, estimulante, real, muito humana e surpreendente. Se são como eu, se têm este interesse por saber mais sobre personalidades históricas de uma forma humana, sem holofotes, se têm alguma curiosidade sobre física e ciência - nesta temporada, em particular - eu recomendo muito que assistam. Um elenco de luxo, boas caracterizações, uma banda sonora de fazer arrepiar, com o tema de abertura de Hans Zimmer... Eu não vejo séries e devorei esta até ao fim. Se isto não vos convence, demito-me. Brilhante.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

LIVROS || 20 Anos de Magia


Quando penso em Harry Potter e em todo este universo especial, recordo-me sempre de duas pessoas incríveis: a minha tia e o Ricardo. Apesar de hoje celebrarem-se duas décadas desde o lançamento do primeiro livro de Harry Potter, a sua edição traduzida para português só foi lançada alguns anos depois, mais especificamente, dois dias antes do meu aniversário, em 1999. Eu não sabia ler, mas a minha tia - uma adulta que eu nunca tinha visto a ler outra coisa que não livros de adultos - estava rendida a um livro com uma capa de bonecos e o Ricardo - o meu amigo "crescido" - que eu nunca o via a ler, estava absorto nos capítulos. Tinha de saber o que era.

Só no Verão do meu segundo ano de escola é que, finalmente, pude ler o tão badalado Harry Potter e a Pedra Filosofal. Já tinha lido alguns livros "sem bonecos" e demonstrado que tinha capacidade para ler um livro daquela desenvoltura e, embora estivesse a existir uma enorme polémica sobre se os livros seriam apropriados para crianças ou não - havia ali uma certa questão em torno do terror, uma vez que os outros livros já tinham sido publicados e eram cada vez mais pesados -, a minha tia garantiu à minha mãe que o primeiro era levezinho e que eu podia ler à vontade. Lá iniciei o meu primeiro capítulo e... detestei.

Sabia que era um livro sobre magia mas, ao ler o primeiro capítulo, senti uma completa desilusão. A narrativa era sobre um casal mundano, sem qualquer tipo de piada, chatos e com uma rotina nada mágica ou extraordinária. Isto, para uma criança de sete anos, foi uma enorme facada. Onde estava todo aquele deslumbramento que fazia uma adulta e um rapaz que não lia absorverem-se na história? Fiz aquilo que nunca faço: desisti de um livro.

Nesse mesmo ano, foi lançada a adaptação para cinema. O Ricardo estava um sino e a minha tia desolada porque não teve tempo de o ir ver ao cinema. Uma noite, chegou a casa com o VHS - sim! Nada de DVD! - alugado e fez pipocas queimadas - como sempre - para assistirmos juntas ao universo que estava a conquistar tantas e tantas pessoas. E fiquei apaixonada. Nessa noite, voltei a tirar o meu livro da estante e esforcei-me para superar aquele casal aborrecido. Desde então, a minha vida nunca mais foi a mesma.

Parece exagero e muitas vezes perguntam qual é a fixação das pessoas em relação a estes universos de culto como Harry Potter, Star Wars, Senhor dos Anéis ou até bandas como os Beatles. Para quê tanta adoração? É simples. Porque existiram na nossa geração. Harry Potter existiu na minha geração. E envolvem não só toda uma série de factores que conduziram ao sucesso (a história bem contada, o enredo fascinante...) como também marcam uma série de memórias e acontecimentos da nossa vida que só se proporcionaram graças a estes fenómenos; Harry Potter fez com que eu e a minha tia nos sentássemos na sala a comer pipocas queimadas e a ver os filmes (dobrados em português nos primeiros porque era tão nova que ainda nem conseguia ler as legendas) e criou um laço que, ainda hoje, é apertado. Ainda hoje falo sobre a história com a minha tia, vemos juntas os filmes, comentamos os livros - ela leu sempre primeiro e depois oferecia-me os livros, sem nunca dar spoiler -. Harry Potter introduziu um amigo meu para o mundo da literatura, ao qual não havia antes tocado e ensinou-me que nunca devemos desistir de nenhum livro, porque podemos estar a perder a história mais encantadora de todas. Harry Potter fez com que eu e o Ricardo brincássemos ao xadrez dos feiticeiros na sala, fez com que fôssemos juntos à Fnac para comprar os livros, cada vez que saiam - a edição inglesa vinha sempre muito tempo antes da portuguesa, portanto, ele comprava e depois ajudava-me a ler os capítulos em inglês -. 

Cadernetas de cromos, VHS e, depois, DVD, brincadeiras no recreio, pessoas a ler nos corredores da escola, em grupos. Tudo isto marcou o meu crescimento. Ver os meus primos da Austrália a trazer as edições inglesas nas férias para termos acesso aos livros antes de eles chegarem a Portugal e lermos todos às cotoveladas na toalha, um sempre a refilar com o outro "NÃO VIRES A PÁGINA, ainda não cheguei ao fim". Ouvirmos boatos, na escola primária, de que o Harry ia ficar com a Ginny e não com a Hermione, e ficarmos boquiabertos de choque. Um dos meus colegas apostar gomas em como era um boato falso. Tudo isto faz parte das minhas memórias. E, claro e inegável, o meu gosto por ler, que surgiu durante aquela luta no primeiro capítulo da Pedra Filosofal. Antes, lia para atingir o objectivo de "ler como um crescido". Agora, lia pelo prazer de conhecer uma história e isso foi muito importante para a formação dos meus próprios interesses. Portanto, sim, a minha vida nunca mais foi a mesma. Foi mais rica, mais interessante, mais intelectual, curiosa e, obviamente, mais mágica.

Para mim, Harry Potter nunca vai ser apenas aquilo que é: um fenómeno. É a minha infância. A minha introdução na literatura. As minhas memórias felizes. O meu passatempo. Eu cresci com O Rapaz Que Sobreviveu e vou sempre olhar para ele com um sorriso e um carinho fraterno. Afinal de contas, ele esteve lá. Sempre.

sábado, 24 de junho de 2017

DESPORTO || Descida do Almourol


Adoro canoagem. É uma actividade física que, se pudesse, gostava de poder praticar regularmente. E por serem oportunidades tão únicas, eu aproveito-as sempre; já desci duas vezes o Zêzere e, também por duas vezes, fui para água salgada, no mar das caraíbas. Desta vez, a descida foi a do Almourol.


A partida faz-se de Constância, ainda no rio Zêzere, e o percurso é relativamente curto e sem dificuldade. Passamos pela foz do Zêzere, onde fazemos a transição para o rio Tejo, sempre com a corrente a favor - o mesmo nem sempre se pode dizer do vento-. Termina nas margens da ilha onde se ergue o castelo de Almourol, cuja sua construção remonta ao séc. II a.C., onde fazemos uma visita e podemos apreciar a paisagem, vista das torres.
O percurso é, como sempre, de extrema beleza. Há qualquer coisa de arrebatador em estar no meio do Tejo, de uma enorme largura, e apreciarmos o encantos que a margem tem para nos oferecer; as árvores cerradas num verde deslumbrante, o som da Natureza e do pagaio a chapinhar na água, as pequenas praias que aparecem na mesma velocidade com que desaparecem, a calmaria de nada de relevante acontecer a não ser o curso do rio. É quase terapêutico, de tal forma relaxante que nos faz esquecer todo o esforço de braços e a postura das costas. Dá vontade de deitar na canoa a deixarmo-nos ir até onde o rio nos levar.


De todas as actividades e aventuras extraordinárias que já tive o privilégio de fazer, nenhuma me ligou tanto à Natureza como a canoagem. Não vos sei explicar porquê, mas é realmente emocionante e incrível, para mim. Não foi a minha descida preferida - gostei mais da descida do Zêzere por ser mais longa (muito mais longa, é um ponto a considerar se se vão estrear na canoagem, talvez a descida do Almourol seja mais adequada a uma primeira vez - ou se trazem convosco crianças). A descida do Zêzere também é mais desafiante; mistura os momentos mais calmos com alguns rápidos opcionais que eu sou louca o suficiente para adorar e viver essa adrenalina, um lado da canoagem que aprecio também. Mas não achei a descida menos incrível por isso. A união entre a actividade física, a aventura e a vertente cultural é muito inteligente e pertinente. Senti-me uma verdadeira Pocahontas ao circundar o castelo na minha canoa. Recomendo a todos os meus leitores aventureiros!

sexta-feira, 23 de junho de 2017



Finalmente vou assistir a um concerto de Ludovico Einaudi! Há cinco anos que desejo este momento, mas nunca se proporcionava. Agora, os ventos sopraram a favor! Quando me vi de bilhete na mão nem quis acreditar. É um privilégio saber que estou a uns meses de assistir ao vivo um dos artistas e compositores que eu mais admiro e acompanho. Que emoção e felicidade!!!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

DAILY || À varanda


É um dos meus maiores prazeres do Verão; esperar que o dia chegue aquela hora dourada, em a temperatura entra em harmonia com a brisa típica da estação, e sair descalça, de livro na mão, em direcção à cama de rede, na varanda. Há qualquer coisa de simples e mágico neste meu ritual, que me faz sentir melhor, mais próxima das rotinas que me fazem feliz e trazem paz.

A luz do Sol que bate, sem forças impiedosas, nas páginas do livro que leio devagar; o calor que ainda queima suavemente a pele destapada e a perna direita que fica sempre descaída o suficiente para o pé flutuar no chão, onde estico o dedo o suficiente só para dar à cama um ligeiro efeito de baloiço. Os cabelos, quando não estão apanhados, dançam pacificamente com a brisa, sem incomodarem o momento que se proporciona. Alguns brilham com a luz do Sol que os abraça.

Só se ouve o som dos pássaros, das primeiras corujas, dos cães a correr - finalmente felizes e activos por estar menos abafado -, das folhas a baloiçar com a brisa, num ritmo lento e em cadência, como quem se balança envergonhado ao som de um acústico de guitarra. É tudo tão verde e intenso, mesmo que a luz dourada tente competir pela mesma beleza. Ao longe, as planícies repousam pachorrentas e emolduram o quadro verdejante que os meus olhos alcançam quando os desvio de um novo capítulo. 

É tudo tão sereno e no devido lugar. Está tudo no sítio certo e ninguém incomoda. O tempo desfaz-se e as horas passam sem darmos conta. Só vamos embora quando o Sol for também. O chão da varanda ainda irradia calor e aquece sempre a ponta do pé. O som das páginas a virar funde-se bem em toda a melodia que toca lá fora; e a frequência cardíaca desacelera, as pálpebras semicerram e os pensamentos pesados esfumaçam-se. Está tudo no sítio certo e o tempo pertence-me.

São momentos destes que me fazem sentir em casa. Por fora e por dentro.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

EVENTOS || Santos 2017


Eu sempre gostei de Lisboa em clima de festa pelos Santos Populares. Fascinou-me desde que os festejei, há três anos, numa completa aventura nocturna que, ainda hoje, recordo com gargalhadas. Desde 2014 que fiquei na expectativa de regressar e, se mo tivessem dito que só iria voltar a celebrá-los três anos depois, eu não acreditava. Chegava sempre a esta altura do ano com o desejo de voltar a dançar pelos bairros e, inesperadamente, algo colocava-se no meu caminho. Mas não este ano.

Lisboa perde os seus traços urbanos, nos Santos Populares. Aglutina vizinhos que já não se conhecem; faz as pessoas com menos de 60 anos espreitarem à janela; perde os arranha céus e ganha manjericos e bandeiras coloridas; os recantos escuros e assustadores ganham a luz de pequenas lanterninhas improvisadas. O cheiro a cidade funde-se com a sardinha e o grelhador que, durante a noite toda, não pára. A dinâmica dos carros é substituída pelo aglomerado de pessoas que circula, durante toda a noite, pelos recantos de uma cidade que se converte numa aldeia gigante.

O que me encanta nos Santos Populares é esta sensação de proximidade; da cidade que é tão grande e fica tão pequenina, das pessoas que se cruzam connosco e não são estranhos; são os amigos, os colegas, os que conhecemos de vista. Mas todos nos conhecemos. É a senhora das sardinhas e das bifanas que trata toda a gente por "querida" e por "amor". É as músicas mais absurdas que só podem ser suportadas de uma única forma: cantando-as a plenos pulmões.

Eu sempre gostei dos bairrinhos da capital. Não tenho um lugar preferido em Lisboa, mas adoro explorar estes lugares mais resguardados. As escadinhas que todos odeiam, eu não me importo de subir. Os becos escondidos que todos temem, ganham uma luz bonita durante o dia (ou com as luzes dos Santos). As cores dos lençóis estendidos e das fachadas das casas. Os miradouros secretos que têm sempre um casal de apaixonados ou turistas perdidos, que nem imaginam o tesouro que encontraram. Os bairros de Lisboa são muito diferentes da cidade de Lisboa. São muito orgânicos e genuínos. Diz a pessoa de fora, claro. É a minha sensação. É disso que eu gosto, nos Santos. É na terrinha. No bairro. Onde as crianças festejam com os avós e com os primos que já beberam uma cerveja a mais. Onde ninguém se consegue encontrar, mas todos nos cruzamos. Dinamiza, aproxima.

Fiquei muito feliz por voltar a celebrar uma festividade que eu gosto tanto e que me conquistou logo na primeira vez. Espero que este encontro se repita em intervalos mais curtinhos porque sinto-me sempre bem ali. Contente e familiarizada. Nos Santos Populares, Lisboa torna-se a nossa amiga mais querida, que nos recebe na sua sala tradicional e iluminada com um sorriso no rosto, braços abertos e uma quadra gentil na ponta da língua.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

BOM GARFO || Confeitaria Ramos

 AVEIRO

Bem no meio da Avenida, a Confeitaria Ramos é uma viagem no tempo. Assim que abrimos a porta, entramos num ambiente com uma decoração bem característica, com chão brilhante, mesas com sofás retro, montras à moda antiga e um pequeno balcão para fazer o pagamento.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

FAMÍLIA || Olá, Belka!


Apesar do enorme vazio e dor que a partida da Laika nos deixou - que ainda perdura e que, sinceramente, sinto que ficará comigo, para sempre - sabíamos que queríamos continuar a ter patudos na nossa família. Eu sei que esta não é uma visão tão comum assim, especialmente quando perdemos os nossos melhores amigos; há várias formas de ir lidando com a dor e com a saudade e nem toda a gente suporta voltar a ter um companheiro porque o que partiu é insubstituível. E é. Nunca vão encontrar outro igual. Mas eu gosto de ver as coisas duma perspectiva mais alegre: eu tive condições para proporcionar à Laika a vida mais regalada e feliz possível e quero poder proporcionar isso a mais um patudo. Quero dar, uma vez mais, uma família a uma amiguinha.

Confesso que não sabia muito bem como iria lidar com todas as emoções, mas quis participar em todo o processo e, quando a ninhada nasceu, fomos visitá-los. Eram cachorrinhos tão pequeninos que pareciam porquinhos da Índia, minúsculos e frágeis, com uma mãe gigante e protectora a cuidar deles. Não sabia como escolher; a única vez que tinha participado num processo semelhante, tinha sido a Laika a escolher-me; poupou todo o meu trabalho. Como me iria decidir entre todas as fofuras que ali estavam?
O meu pai e a senhora do canil foram pegando em alguns para os vermos mais de perto. Eu dava festinhas em todos eles, mas eram tão bebés que nem reagiam; permaneciam quietos e aconchegados nas mãos, a dormir. Até que o meu pai pegou nela e a magia aconteceu; no meio de todos aqueles pequenos dorminhocos, ela, de olhos bem fechados, levantou a muito custo a cabeça, farejando na minha direcção, e esticou as duas minúsculas patas dianteiras para mim. O meu coração derreteu por completo e peguei-lhe imediatamente ao colo, onde ela se aconchegou no meu peito, pousou a cabeça no meu antebraço e, com a língua mais microscópica que eu já tinha visto, deu-me uma lambidela. Mais uma vez, o meu trabalho foi poupado; ela é que me tinha escolhido e eu não me importei nada.

É uma Rafeira Alentejana, chama-se Belka e o nome não podia ser outro, espacial também. A Laika foi a cadela pioneira, a corajosa que se atreveu a ir ao espaço, onde nunca antes um ser vivo se atrevia a ter ido. Mas não regressou e morreu em órbita. Foi mundialmente famosa e acarinhada. Mas um segundo par de cadelas fez, igualmente, História no universo dos programas espaciais: Belka e Strelka; duas cadelas russas que conseguiram o impensável: foram ao espaço mas, pela primeira vez na História, regressaram. Foram os primeiros seres vivos a ir ao espaço e a regressar à Terra sendo, portanto, também muito emblemáticas.



Um mês depois, voltámos a visitá-la para ver como estava agora, mais crescida. Fomos acompanhando as fotos e vídeos que os criadores publicavam com tanta assiduidade e estávamos desejosos de poder vê-la mais autónoma, de olhos abertos e, com certeza, mais reguila. O meu coração acelerou quando a senhora a estendeu para os meus braços; ali estava ela, ao meu colo outra vez, com o seu olhar melancólico, as suas sardas no nariz e a mancha na cabeça igual à da mãe. Do nada, deu um pulo, meteu as patas nos meus ombros e aninhou a cabeça no meu pescoço, como num abraço. A melhor emoção do mundo. Como se fôssemos amigas desde sempre, desde a vida toda, e estivéssemos a reencontrar-nos e a pôr o amor em dia. Estou radiante por voltar a sentir esta alegria de ter uma companheira de quatro patas.


quinta-feira, 8 de junho de 2017


Nos Favoritos de Abril, pedi a Maio que fosse gentil comigo. E depois de um mês tão intenso e marcado por momentos menos bons, Maio chegou com o Sol e foi, de facto, muito gentil comigo, recheando os meus dias com acontecimentos incríveis e que me arrancaram sorrisos do rosto. E que quero partilhar convosco, como faço todos os meses. YAY!