Não é novidade que adoro livros. Não sou esquisita. Transito sem dificuldade entre os diversos estilos, não só de literatura, como também de escrita. Não torço o nariz a romances nem a ficção cientifica. Não prefiro mais diálogos que descrições. E os únicos escritores que tenho atravessados são o Eça de Queiroz, Fernando Pessoa e John Green (o último nem merece estar ao lado destes dois grandes). Com Pessoa e Green penso que será um divórcio irreconciliável mas ainda espero, um dia, reatar com Eça.
Mas não é sobre este tipo de preferências que vos quero escrever. Hoje trago-vos o meu TOP 5 de livros preferidos. São livros que, por alguma razão, marcaram-me. São muito especiais para mim e tenho o exemplar de todos. Empresto-os com uma lágrima no olho e uma ameaça de devolução. São aqueles que eu gostava que dessem uma oportunidade, um dia. Vou apresentá-los por ordem alfabética porque é muito difícil ordená-los por preferência.
A FÓRMULA DE DEUS | JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS
Já li quase todos os livros em que o famosíssimo Tomás Noronha é o protagonista, pelo menos os mais antigos, mas A Fórmula de Deus foi o que mais mexeu com todos os meus pensamentos e alicerces. A Fórmula de Deus fala sobre o nosso amigo Tomás que recebe um documento muito especial: um poema enigmático com a assinatura de um génio histórico que conseguiu provar cientificamente a existência de Deus e que guardou este segredo muito além da sua morte: Albert Einstein.
O mais incrível desta história é o facto de ser factual. Retirando a parte romance do livro e toda a acção, os documentos, dados científicos e teorias são, efectivamente, verdadeiros e Einstein prova cientificamente que Deus existe.
É um livro que desconstrói a Bíblia de uma forma incrível (e com respeito), no sentido em que ganhamos uma perspectiva completamente diferente do livro mais famoso do mundo. Não quero dar
spoilers mas quando finalmente compreendi a existência de Deus, precisei de muitos dias para reflectir sobre o que tinha lido. Ganhei uma noção e uma realidade muito maior acerca da crença em Deus e um conhecimento aprofundado sobre a Bíblia. É pesado, super repetitivo (mas justificável porque é muita informação nova para guardar) mas muito incrível. Inesquecível.
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AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE | JOSÉ SARAMAGO
O meu primeiro livro de Saramago e o que mais me marcou, de todos os que já li. Saramago é um castiço e quando conseguimos entrar no seu carrossel de sarcasmo e genialidade, a viagem fica muito mais deliciosa. É o livro mais fácil de ler do autor, na minha opinião, e é o que recomendo a toda a gente que o inicia (ou reinicia, depois do choque anafilático com O Memorial do Convento -
not easy guys, not easy...). Como já tenho uma
review no blog completa sobre este livro, não vou avançar muito e deixo-vos o link
AQUI. Mas, num resumo de uma frase, aguço-vos a curiosidade assim: e se a Morte, num determinado país, deixasse de querer matar e fizesse greve?
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INFERNO | DAN BROWN
Esqueçam o filme, é trágico. Este livro foi, na minha opinião, a obra prima de Dan Brown. A pertinência da história, o desfecho final, a complexidade dos personagens e o timing do tema que gira em torno do livro estão perfeitos.
É um livro muito agradável de ler, com bastante acção e com uma cadência de informação fabulosa. Os lugares onde a história é narrada são escolhidos a dedo e a relação entre personagens está muito bem conseguida. Passamos a leitura inteira a fazer conclusões erradas e a ser surpreendidos.
Para quem não conhece a história e ainda não viu o filme (não assistam, por favor), Inferno traz-nos de volta Langdon, que acorda num hospital em Florença sem compreender como foi lá parar. Informam-no de que foi alvejado na cabeça e que tem no bolso do casaco um objecto absolutamente assombroso. Entretanto, num lugar bem distante de Florença, um vídeo sobre uma praga que promete diminuir a população para metade, qual Peste Negra, está prestes a ir para o ar. E tudo o que vocês acharem de previsível neste resumo, não é.
Foi muito inteligente esta separação recente de Dan Brown com a religião e este casamento com a ciência. A combinação entre ciência e arte está muito bem conseguida e absolutamente interessante. A leitura permite-vos um enriquecimento cultural extraordinário e eu nunca esquecerei esta história porque a achei simplesmente genial. É tudo de bom num romance e esmaga O Código Da Vinci como se este fosse uma formiguinha.
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O DIÁRIO DE ANNE FRANK | ANNE FRANK
Durante muitos anos não compreendi qual a razão para tanta gente não achar os desabafos de Anne incríveis, como eu achava. Só depois é que percebi que a edição do Diário que eu li não foi a mesma que a maioria. Existem três edições de Diários de Anne Frank nas livrarias: a primeira, foi editada para ter simplesmente as entradas no Diário que se referiam à 2ª Guerra Mundial, deixando de parte o mais possível as entradas sobre a sua vida pessoal e a sua relação familiar. A segunda foi editada para conter apenas as entradas pessoais, mas foi um fiasco. A terceira, mais recente e definitiva, foi também a mais inteligente: não editaram e colocaram todas as entradas de Anne no Diário. É essa edição que tenho.
O meu livro está gasto de tanto o ter relido (além deste só há mais um que reli mais que uma vez, e é o que vos vou apresentar a seguir) e está cheio de cavaleiros marcados no canto da página. É o livro mais especial que tenho por me identificar tanto com os seus pensamentos. Não tanto sobre as suas relações com os outros, mas sobre a sua visão de si. Acho que Anne foi completamente pura a escrever e que os seus pensamentos mais profundos estão naquelas páginas e, em muitos momentos, ela lê os meus pensamentos e emoções e transcreve-os como ninguém. Posso contar-vos um segredo? Foi ela que me inspirou a ter o meu primeiro blogue de sempre. Ainda hoje, por vezes, abro o livro numa das páginas marcadas por cavaleiros e leio a citação que sublinhei, há muitos anos e aceno com a cabeça. Ainda há muito de ti em mim, querida Anne.
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O GUARDA DA PRAIA | MARIA TERESA MAIA GONZALEZ
Lembro-me perfeitamente do contexto com que a minha mãe me ofereceu este livro e, apesar de ser infanto-juvenil, recomendo-o a qualquer pessoa, de tão especial que é. É um livro muito puro, muito genuíno e humilde, com uma simplicidade e leveza que nos envolve.
A história fala sobre Concha (não acho que seja o seu nome verdadeiro, mas sim a alcunha que o seu amigo dá, uma vez que ela nunca apresenta, de verdade, o seu nome no livro) uma rapariga que foi para uma casa na praia para se inspirar e escrever o seu novo livro. É nesse lugar que conhece Dunas, uma rapaz reguila e apaixonado pelo mar e pela sua praia.
Aquilo que sempre me encantou nesta história (e frustrou-me também) é que deixa imensas pontas soltas ao sabor da nossa imaginação; detalhes que ocorrem na história mas que depois não vêem o seu significado explicado. A ausência de idades que, em muitos momentos, confundiu-me. Há alturas na leitura em que acho que ela é muito mais velha que ele mas que são os dois adolescentes, outras em que acho que ela já é bastante mulherzinha e ele é que é miúdo... É muito ao cariz da interpretação de cada leitor. Acredito que seja um trabalho muito pessoal de Maria Gonzalez.
Aquilo que eu mais gosto é desta simplicidade. Das descrições de cada aventura que os dois vivem juntos. Do laço que os dois constroem, sempre com grandes referências ao sol quente do verão e à frescura do mar.
A primeira vez que li este livro, estava no princípio da minha adolescência. Li-o no verão em que dei o meu primeiro beijo. Depois disso já o reli outras vezes e sinto sempre que O Guarda da Praia é um
Horcrux bonzinho que guardou a minha infância consigo para sempre. Ficou ali, presa. Eu abro e sinto-me menina quase mulher, a descobrir o que é ser o Sol de alguém de uma forma tão cheia de ternura. Conseguem ler num instante mas, tenham a idade que tiverem, acreditem que vão terminá-lo com uma sensação especial no coração.
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