domingo, 30 de outubro de 2016

FAMÍLIA || De italianos


Gosto de dizer na brincadeira que a minha família é uma família de italianos. Porque é. Somos daquele tipo de famílias que gosta de arranjar todos os pretextos e mais alguns para se reunir em almoços que duram até às seis da tarde. Reunimo-nos à mesa, falamos alto e discutimos trinta assuntos ao mesmo tempo uns com os outros, em conversas cruzadas na mesa mas que toda a gente está a par. Desenganem-se se pensam que o tio está só a ouvir a conversa sobre Direito. Ele também está a prestar atenção à discussão sobre o resultado do Sporting e sobre as histórias de viagem do avô.

Na minha família há sempre um prato a mais para alguém e ninguém pode passar fome. A comida é para um batalhão e todos querem fazer as receitas preferidas dos membros. Na minha família não se diz "já estou bem" porque antes disso já tens mais uma perna de frango, uma colherada de bacalhau com natas, uma dose de arroz no teu prato ou uma fatia de bolo sem dares por isso.

São bem tramados. Intensos. Dão o coração inteiro a quem recebem em casa, de braços abertos, sorriso gigante e genuíno. Mas não façam farinha com eles. Como disse, uma família de italianos que não admite que nenhum membro da família seja magoado, traído, enganado, seja em que pretexto for. Se aparecemos a chorar por um coração partido, sentam-nos à mesa com abraços e um arroz doce da avó, mas quem nos partiu o coração não vê mais a porta aberta, nunca mais. Se chegamos cabisbaixos porque o dia correu mal, temos abraços, palavras de ordem para relativizar e muitos filmes para dividir e fazer esquecer os problemas. Se ligamos em desespero porque fomos enganados, roubados, destratados ou humilhados, a casa cai inteira e a equipa vem, em avalanche. E ai de quem se meta no caminho deles, porque são doces mas não perdem o valor por isso nem admitem tal coisa!

Acima de tudo, é uma família muito enraizada com o culto de... família. Porque quando vivo uma vitória sei que tenho, pelo menos, uns oito números para ligar - e se não ligar e souberem por outro membro, está o caldo entornado! -, porque quando apresento pessoas incríveis à minha família, ninguém sai da casa sem ser bem tratado, porque quando fazemos anos há uma festa incrível com direito à escolha de cardápio e quando há boas notícias há gritos de felicidade, parabéns ditos em voz animada e muitos "já sabes da boa notícia?" "já, estava aqui mesmo ao lado".

A minha família é uma família de italianos. Intensa, mas muito unida. Desdobramo-nos em milhões para ajudarmo-nos uns aos outros ou para fazermos algum parente feliz. E eu sei que, quer o mundo desabe nas minhas costas quer os ventos soprem a meu favor, eu sei que, deles, terei sempre isto: apoio incondicional, um abraço, uma solução (talvez seja por isso que digo que sou solucionista, é de família), uma festa, um bolo, um prato preparado com carinho e amor. E eu gosto tanto.

Fotografia da minha autoria, por favor, não a utilizar sem autorização prévia

FILMES || Inferno


Desde 2013 que aguardava a adaptação cinematográfica de um dos meus livros preferidos, Inferno. Adorei toda a história e adorei que finalmente o Dan Brown fizesse a religião descansar um pouco e pegasse em algo verdadeiramente intrigante: a ciência em parelha com a História. O livro está soberbo, a história muito bem contada e com um final arrebatador. Tinha tudo para resultar num filme que o igualasse. 

E o filme, inesperadamente, desiludiu-me. Eu sei o que vão dizer; "colocaste muitas expectativas", "é normal por ser um dos teus livros favoritos" mas não. Eu não gostei da adaptação porque fugiu completamente ao livro. E eu não compreendo esta nova tendência cinematográfica de se afastar e alterar completamente a história do livro. Os livros são os melhores contadores de histórias - e quem pensa o contrário, permitam-me lamentar - e arruinar uma receita que já está feita é uma decisão tão pouco inteligente que pouco me resta senão sair do cinema com uma sensação de desgosto.

Nenhuma das personagens está bem caracterizada, à excepção do nosso amigo Langdon, são, em média, três horas de filme a falar de um vírus/praga e terminam o filme sem nunca revelar que praga era - apenas quem leu o livro vai saber - mudam completamente o final (isto, para mim, é o mais inconcebível porque arruinaram completamente o propósito do livro e a pertinência do mesmo) e ainda alteraram a relação entre personagens. Uma mixórdia sem sentido. Um filme que tinha tanto potencial para fazer com que o público saísse da sala a pensar foi transformado numa autêntica história vulgar de mistério histórico-cultural. Mais do mesmo. Quando não é.

Eu aceito que nem todos os detalhes culturais do livro tenham de estar num filme. Afinal, é uma adaptação. E aceito que tudo aconteça com mais brevidade e menos cadência de informação. Aceito até que tornem personagens maravilhosas em mosquinhas mortas. Mas não consigo aceitar alterações de história. 

Não foi o Inferno, para mim. Os cenários são maravilhosos e muito fiéis (graças a Deus), a fotografia é excepcional mas o conteúdo do filme, em si, não é o Inferno. Tenho pena.

ON JOB || Decisões


Eu sabia, há muito tempo, que esta era uma decisão que eu queria fazer. As propostas que recebia não me aliciavam, não me deixavam feliz nem com vontade de querer fazer a progressão da minha área profissional. Pelo menos não desta maneira e não nestas condições. Vi muitos colegas a abraçar contratos sem significado de vocação para eles, com o objectivo de apenas fazer check e preencher mais uma folha no currículo e, a cada dia que passava, eu sentia-me mais sufocada e empurrada para fazer o mesmo. Mas há grandes detalhes na minha classe profissional que me têm feito querer ser ponderada e que me fazem sentir que escolher um qualquer lugar para estagiar é uma enorme armadilha sem retorno. Eu não queria fazer por fazer. Eu quero fazer bem feito e quero saber que, se pudesse voltar atrás, faria de novo.
Por tudo isto e muitos mais detalhes, eu decidi passar a minha aventura da Ordem para 2017 e abraçar o mundo do trabalho. Claro, não foi fácil de dizer nem fácil de ouvir as perguntas "Tens a certeza?", "Mas... Já não gostas da tua área?" (foi a dúvida que mais me custou ouvir).

Eu adoro a minha área! e lá chegarei. Mas quero chegar em condições. E, neste momento, eu quero ganhar confiança profissional. Eu quero falar com mais pessoas, eu quero conhecer novas hierarquias, eu quero mais desafios. Eu não quero só preencher um currículo. Eu quero me preencher a nível de experiência profissional. E sei que este período vai ser muito importante no meu desenvolvimento. Mesmo que isso implique desviar-me um pouco do caminho que toda a gente quer seguir.

Decidi e partilhei. E tive o apoio de todos os que gostam de mim. Recebi conselhos, recebi dicas, muitos avisos ("é difícil, prepara-te") mas não quis nunca voltar atrás. E comecei a caminhar na direcção que escolhi. E consegui ser aceite na minha primeira entrevista de emprego!

Estou muito feliz e estou pronta para este novo desafio. Estou feliz por poder começar a construir algo inteiramente meu e que pode abrir-me portas para os meus outros sonhos que estão em lista de espera. Além disso, tenho um pequeno desejo pessoal há muitos anos: ser eu a pagar a minha jóia e um possível futuro Mestrado. Eu sempre tive esse desejo e hoje sei que estou a começar a construí-lo, mesmo que pudesse fazê-lo já amanhã, de uma forma muito mais facilitada e desapaixonada, com a ajuda dos meus pais. 

Eu sou muito sonhadora mas também sou muito focada sobre como alcançar esses sonhos. Eu não perco gana das coisas que amo e a Nutrição faz parte da minha vida - e vai fazer ainda mais -. Não é uma despedida, é um grande até já. Porque quando voltar serei mais crescida, mais experiente e mais independente. E quando me perguntaram "Tens a certeza?", pela primeira vez na minha vida, eu disse com muita confiança "Tenho". Tenho a certeza. Eu não desisto dos meus sonhos nem das minhas realizações pessoais e esta é uma que me deixa muito mais orgulhosa de mim do que qualquer outra coisa poderia fazer, neste momento. Eu estou a fazer isto por mim.

sábado, 29 de outubro de 2016

PASSAPORTE || Museo del Prado, Madrid


Mais um museu que tanta curiosidade tinha em visitar. O museu do Prado é um labirinto. Significa isto que não importa quantas plantas do museu tenham na mão, vocês vão perder-se. É quase poético, não é? Perdermo-nos no meio de tanta arte e História.

O Prado, na minha opinião, é menos contemporâneo que o Rainha Sofia. Quero dizer que é mais fácil encontrar pinturas e esculturas mais clássicas no Prado do que no Rainha Sofia. E é isso mesmo que vamos encontrando em cada sala; centenas de pinturas e obras em harmonia com esculturas seleccionadas a dedo por fundirem tão bem no ambiente de cada galeria.

Botticelli, (o meu querido) Goya, El Greco, Velázquez e Caravaggio são alguns dos artistas que vão encontrar neste museu mas, claro, não só. Um outro detalhe muito interessante que eu gostei de encontrar no museu é a presença de obras executadas por alunos de grandes pintores como Leonardo da Vinci, por exemplo. Encontram por lá uma Mona Lisa mais colorida que faz as delícias dos miúdos que andam para a esquerda e para a direita, espantados pela dama que os acompanha no olhar matreiro.

Durante a minha visita, encontrei algumas salas vedadas ao público com um aviso indicando que iriam reabrir a determinada hora e que estavam inacessíveis por estarem a decorrer aulas no interior dessas salas. E eu não fiquei nada incomodada por só poder lá voltar dali a uma hora, muito pelo contrário! Fiquei absolutamente fascinada pelo facto de tal ser possível, da oportunidade incrível que estes alunos têm de aprender frente-a-frente aos mestres. Aliás, todo o Prado tem um ambiente muito académico, uma vez que se cruzam diversas vezes com estudantes, com pessoas a fazer esboços das obras e com alunos a ter essas mesmas aulas no interior de galerias, em privado.


Todo o museu tem um ambiente a meia luz, em que as janelas e a clarabóia permitem a entrada de uma luz clara e brilhante que contrasta um pouco com as sombras carregadas de alguns recantos do museu. Dá-nos o conforto ideal para que possam desfrutar do museu. Ao contrário do da Rainha Sofia, os vigilantes são, em larga escala, menos perseguidores e chatinhos, havendo apenas algumas salas onde as fotografias não são permitidas.

À semelhança do Rainha Sofia, o museu é gratuito para estudantes com menos de 25 anos (com os devidos comprovativos) e para crianças. E é, também, bastante extenso, pelo que vos recomendo que tirem a manhã ou a tarde para o verem sem pressas.

Fotografias da minha autoria, por favor, não as utilizar sem autorização prévia

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

SÉRIES || Black Mirror


Em algum momento da nossa vida já nos perguntámos sobre o quão diferente seria o nosso quotidiano se determinada invenção tecnológica existisse. E, inevitavelmente, discutimos - nem que seja na nossa cabeça - toda a ligação moral e ética de determinadas invenções. Pois eis que, em 2011, a Netflix apresentou-nos uma série que reflecte precisamente isso: Black Mirror.

É uma série que, para mim, ganha por alguns pontos principais, sendo que o primeiro deles é que não tem trezentos episódios por temporada. Até agora tem 3 temporadas, sendo que só a terceira é que tem seis episódios, as outras duas só têm três episódios cada e eu acho isso excelente porque, já sabem, eu não sou grande aficionada em séries. O outro ponto bónus é que cada episódio tem uma história exclusiva, por outras palavras, a série não tem uma história linear e contínua, com personagens contínuos ou principais. Em cada episódio conhecemos uma nova realidade, novos personagens e novas histórias, embora existam algumas particularidades que são semelhantes de episódio para episódio. Só para que tudo se mantenha harmonioso.

E do que se trata, exactamente? Da sociedade e da tecnologia, basicamente. Apresenta-nos uma realidade cheia de invenções avançadas que podem ser muito possíveis e é isso que me intriga muito na série; é que, apesar de existirem algumas ideias ou invenções mais complicadas, é tudo muito possível de as gerações futuras viverem. Porque atendem a questões que hoje fazemos e a desejos que hoje procuramos serem atendidos. São invenções, gadgets e quotidianos que eu julgo que não são tão fantasiosos como noutros filmes e séries. Vou dar um exemplo suave: a possibilidade de acedermos a todas as nossas memórias com detalhe, como se estivéssemos a ver um filme.

Aliada a esta invenção e evolução de gadgets, está abraçada a nossa sociedade, que já conhecemos como é hoje. As pessoas, os sentimentos, as ambições, reacções... Black Mirror é basicamente um espelho do futuro; vemos como é que a sociedade reage perante a existência destas tecnologias e como se comporta. Como interagem entre si através da existência destas invenções e como é que isso pode unir ou separar pessoas e torná-las mais humanas ou o preciso oposto: monstros desumanos.

A série não é brutalmente escandalosa mas eu acho-a ligeiramente pesada. No sentido de mexer com muitos assuntos difíceis e fazer-nos pensar e desacelerar ao fim de um episódio. Pessoalmente, não consigo assistir a tudo seguido - porque acho que é demasiado e porque há determinadas temáticas da série que mexem comigo. Simplesmente não consigo ficar indiferente às histórias - mas isso também cabe à sensibilidade de cada um. Tenham isso em conta quando decidirem assistir.

É uma série que dá para discutir com amigos, sabem? Daquelas séries em que podemos sentar à mesa e, a partir da série, somos transportados para outras temáticas e onde inevitavelmente toda a gente tem uma opinião. Não sei mais o que escrever para vos convencer a dar-lhe uma oportunidade. Apenas que a recomendo!

Poster

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

PASSAPORTE || Dicas na hora de fazer a mala


A pedido de alguns anónimos, eu finalmente fiz esta publicação ver a luz do dia. Mas não vou ensinar-vos como fazer uma mala de viagem por uma simples razão: há mil formas de se fazer uma mala e há mil propósitos de viagem, que implicam certos cuidados consoante a ocasião e as limitações de viagem. Por exemplo, uma mala de porão é diferente de uma mala de cabine, uma mala para uma viagem às caraíbas é diferente de uma mala para Paris. Não só na roupa que escolhem, mas também na arrumação. Por isso eu decidi escolher algumas dicas gerais que eu penso que, de uma forma ou de outra, vocês conseguem encaixar bem no vosso contexto de viagem. Combinado?

Levem a mais apenas roupa interior e meias. Uma coisa que eu gosto de fazer é contar os meus dias de viagem; imaginem que são 4 dias, já com a viagem de ida e volta incluída. Supostamente eu precisaria de 4 pares de meias e 4 pares de roupa interior. Mas eu incluo sempre mais duas ou três porque pode acontecer alguma coisa, a roupa rasgar, etc. De resto, eu não duplico nada, pelo contrário.

Se vão despachar malas para o porão, levem na mala de cabine ou de mão uma muda de roupa completa. As malas perdem-se. É um facto e não acontece só aos outros. Os aeroportos, no que toca a cuidar de malas, são desastrosos e a última coisa que vocês querem saber é que a única roupa que vos resta é a que têm no vosso corpo porque só puseram na mala de cabine o computador e mais trezentas coisas que, naquele momento, não têm utilidade alguma.

Não coloquem todas as vossas coisas na mesma mala. Eu já expliquei esta, mas vou repetir-me. A não ser que viajem sozinhos, façam as malas com os vossos companheiros de viagem em conjunto. Abram todas e misturem as vossas coisas pelas malas, garantido que toda a gente tem, por cada mala, roupa interior, parte de cima, calças, sapatos e produtos de higiene. Uma vez mais, as bagagens perdem-se e uma só muda de roupa guardada na cabine e a que têm no corpo não chega. O facto de saberem que têm alguns dos vossos pertences na mala de alguns dos vossos companheiros é meio caminho andado para ficarem sossegados por uns dias, até as malas aparecerem.

Saibam arrumar as coisas numa mala. Se vão ter de passar na segurança, há coisas que garantidamente vão ter de tirar para fora da mala; tudo o que for tecnologia (computadores, telemóveis, tablets, mp3) e, quase sempre, os produtos de higiene que levam na mala de cabine. Portanto, se já sabem que isso vai ter de sair, não arrumem essas coisas nos confins da mala. Esses são os últimos itens que têm de colocar na mala porque vão ser os primeiros a sair e os que vão sair mais vezes no aeroporto. Por isso, poupem-se ao trabalho de terem de abrir a mala completamente e remexerem na roupa toda para tirarem as coisas porque é uma verdadeira perda de tempo para vocês e para as pessoas que estão na fila, à vossa espera.

Leiam os protocolos de viagem da vossa companhia aérea. Não assumam absolutamente nada. "Vou levar este shampoo porque acho que este tamanho dá", "Vou levar outra mala porque não devem reclamar". Leiam. Confirmem. Não perdem nada e evitam chatices para uma coisa que, supostamente, é uma ocasião feliz.

Se são "acumula tralhas de mala", reflictam muito bem cada item que colocam na mala. Vou ser muito sincera: eu não sou acumula e ninguém da minha família é. Somos completamente práticos e desde novinha que não "viajo na maionese" a meter a casa às costas mas o meu conselho é mesmo este: pensem. Para que vão levar 3 saias e 3 pares de calças se só lá vão estar 4 dias? Para quê três sapatos diferentes quando podem fazer a viagem toda com um só par de ténis? Para quê secador? Já foram ver se o hotel ou apartamento disponibiliza secadores? Podem evitar estar a levar ainda mais peso. Precisam assim tanto de levar computador para uma viagem em que vão estar praticamente o dia todo a andar e, no final do dia, a última coisa que vão querer fazer é teclar? Precisam assim tanto de uma bolsa gigante cheia de maquilhagem de sombras astronómicas quando, no dia-a-dia, nem sequer usam metade? É estas reflexões que precisam de fazer. Há camisolas que podem usar na viagem de ida e a meio da viagem, duas calças servem perfeitamente o propósito, um casaco normal consegue combinar com os dias todos. A não ser que vão a uma Fashion Week, desacelerem e comecem a ver a carrada de tralhas desnecessárias que estão a por na mala. Não arrumem nada na mala sem terem reflectido antes. 

Não metam as coisas directamente na mala. Separem em cima da cama. Eu sou sincera: já não faço isso há muito tempo, mas é porque já viajo há bastante tempo e com a mesma mala. Já estou um pouco formatada para saber onde as coisas se arrumam e cabem, mas durante muito tempo eu não arrumava nada sem antes meter em cima da cama tudo o que precisava. Isto ajuda em duas coisas: a fazer o tetris que é arrumar a mala e fazer com que tudo caiba e perceber se meti ali algo que não é necessário.

Deixem espaço na mala. Erro de principiantes: enchem a mala até ao pescoço e depois não têm lugar para arrumar as compras que fazem no destino. A mala tem de ter espaço suficiente para, pelo menos, mais 2 camisolas farfalhudas de lã, caso contrário, vocês não vão saber onde arrumar tudo o que compraram. Quando forem fazer a mala, pensem: aqui cabem canecas? Ímanes? Mais roupa? Um livro ou caderno?

Usem as caixas das lentes como embalagens para colocar cremes. Pessoal que tem lentes, vai perceber: cada vez que compram uma embalagem de líquido vem uma nova caixa para guardar lentes de contacto. Cheguei a um ponto que tinha umas dez suplentes. Eu uso-as para colocar os cremes que quero. "Ah, mas é muito pequenino", então coloquem o produto nos vários poços. Podem até aproveitar que as tampas costumam ser de cores diferentes para diferenciarem o produto que colocaram, no caso de serem muito parecidos.

Levem a roupa que ocupa mais espaço no corpo. Os sobretudos são um pesadelo para se guardar nas malas. Aliás, eu levo sempre um sobretudo que combine com tudo. Mas há camisolas complicadas e cachecóis enormes que ocupam muito espaço na mala. O meu conselho é mesmo este: levem isso vestido para a viagem. Além de estarem a poupar espaço na mala, não se esqueçam que no avião faz muito frio e que nem sempre o cobertor que eles disponibilizam chega para vos manter quentinhos.

Se estão a viajar no Verão ou vão para um destino com calor: não façam uma viagem de avião com calções. Eu sei, é tentador, especialmente quando é Verão. É um alívio para as pernas porque não sentimos as calças a apertar, é confortável especialmente em voos de longa duração, mas é um suplício. Porque faz frio no avião e, como já referi, o cobertor nem sempre chega. Vão ficar com as pernas e os pés gelados e uma constipação não é a entrada triunfal que desejam numa viagem. Levem leggings, que são de igual conforto, com elasticidade suficiente para se adaptarem ao inchaço das pernas, que se retiram com facilidade quando chegarem ao destino, não ocupam espaço e ainda vos mantém quentes.

Não façam rolinhos com as t-shirts se nunca treinaram antes. É muito fácil lançar dicas ao ar de como deixar a mala mais espaçosa e etc. O truque de enrolar as t-shirts em vez da dobra comum é o que mais se vê nas dicas de como fazer uma mala de viagem. Mas aqui fica a minha: treinem antes de escolherem as vossas t-shirts preferidas para meterem na mala. Porque não é assim tão simples e, se enrolarem mal, fica ainda pior do que se as tivessem deixado quietas, com a dobra comum. O truque principal para enrolar estas t-shirts é a pressão com que as enrolam. Não pode ser como se estivessem a fazer um rolo, têm de as enrolar e ir puxando, para que o rolo fique o mais magrinho e pequeno possível. Ao mesmo tempo, vocês têm de ter em atenção toda e qualquer micro-dobra na t-shirts à medida que enrolam, para que não fique com vincos. De antemão aviso: vai dar asneira se vão tentar pela primeira vez. Façam isso em t-shirts velhas, qualquer coisa. Ou optem apenas por fazer isso em pijamas, collants e leggins, onde não há problema e, de facto, poupam bastante espaço. Há truques que têm de ser treinados.

Levem sempre cadeado. Normalmente coloca-se sempre cadeado quando já sabemos que as malas vão ser despachadas para o porão. Já quando as vamos levar na cabine temos tendência a descurar um pouco este detalhe. Mas eu reservo sempre um cadeado comigo na minha mala ou mochila por uma simples razão: por vezes, em voos low-cost, as malas têm de ser despachadas à mesma por não haver espaço nas cabines. E o que acontece? Lá vão as vossas malinhas, sem cadeado, para um carrinho que depois vai para o porão que depois volta para um carrinho, que passa noutro carrinho e, no fim, numa passadeira com aeroporto aberto. No meio disto tudo, muitas mãozinhas. Eu não arrisco e, quando vejo a responsável lá ao fundo com os autocolantes, saco de imediato do cadeado. Aconselho-vos ao mesmo. Não precisam de o colocar logo mas reservem-no.

Façam checklists. Isto é a minha salvação. Para terem noção, eu até checklist para roupa do basquetebol em dias de jogo tinha. Porque há sempre qualquer coisa que fica esquecida, pormenores que nem nos passam pela cabeça com a excitação e a aceleração de fazer as malas. Para mim, a lista é essencial. Eu tenho as cheklists da agenda da Mr. Wonderful - que vou copiar quando terminar a agenda, porque são óptimas - mas encontram milhares delas no Pinterest ou mesmo no Google. E, à medida que vão colocando tudo na mala, vão fazendo check. Para mim, a parte onde ela é mais útil é no próprio dia de viagem. Porque há certas coisas que não consigo meter na mala com antecedência (tipo escova de dentes porque ainda tenho de escovar os dentes nesse dia, ou o carregador porque vou fazer o telemóvel carregar durante a noite, etc.) e, antes de fechar a mala, eu confirmo sempre a lista e reparo nas coisas que não estão trancadas. E é a melhor coisa para não se esquecerem de nada: uma checklist bem completa.

Espero que as dicas vos ajudem e boas viagens!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016


Este doc sobre o Carnaval de Torres foi premiado e eu não podia estar mais feliz, não só pelo galardão como também pela existência do mesmo! Acho que apanha muito bem a essência do Carnaval de Torres Vedras, todo o backstage e mesmo a própria história de um dos eventos que mais amamos por aqui. Vale a pena ver!

BOM GARFO || Choco & Mousse

 LISBOA

Em Entrecampos, bem pertinho do ISCTE, encontramos um pequeno café que foi perfeito para o nosso encontro de gulodice. A escolha? Choco & Mousse.
Não é a escolha mais bonita do mundo porque situa-se mesmo em frente aquele descampado assombroso de Entrecampos mas tem esplanada e o interior do espaço, embora pequeno, é puro amor. Fomos até lá conduzidas pela gula de comer os maravilhosos bolos que vimos em fotografias - porque sim, os olhos também comem - mas não é só pela beleza dos bolos que o Choco & Mousse é conhecido e é aqui que entra a parte mais nutri e que eu achei mais interessante em todo o conceito do espaço.

O que difere de uma qualquer outra pastelaria com bolos bonitos? Esta chega, com certeza, a mais pessoas, especialmente celíacas, intolerantes à lactose e veganas. Em toda a pastelaria, encontram uma enorme variedade de propostas sem glúten, lactose, ovo, etc. e todas elas estão marcadas no expositor, o que é absolutamente pertinente. Ainda assim, a minha veia de licenciada em nutrição fala mais alto e recomendo, pelo menos a celíacos e intolerantes, que questionem-se acerca de contaminações cruzadas. Garantam que são mesmo sem glúten e que não há possibilidade de o alimento ter ficado em contacto com os mesmos instrumentos com que fazem os produtos com glúten, por exemplo (porque sim, há pastelarias que se assumem com produtos sem glúten e lactose mas não se responsabilizam em caso de contaminação cruzada nem o recomendam a celíacos e intolerantes à lactose. Tenham cuidado e confirmem sempre!). Se alguém com uma destas condições já experimentou o Choco & Mousse ou se já se informou acerca deste pormenor, avisem nos comentários para os leitores e eu ficarmos a par!

Encontram pão sem glúten, chocolates quentes sem lactose e uma enorme variedade bolos com essas variantes também e veganos. Para a nossa mesa, a minha companhia trouxe um cheesecake de frutos do bosque, uma fatia de bolo de chocolate com creme de avelãs e eu trouxe um bolo de chocolate com creme de framboesas (que também estava marcado como glúten free) e um chá preto. Paguei cerca de 5 euros. Estando em Lisboa, acho o preço comum às pastelarias da cidade. De todos, o meu preferido foi o meu bolo porque o creme de framboesas era ligeiramente ácido, cortando o excesso de doce que vem do chocolate. E o chá foi o acompanhamento perfeito. Por todo este equilíbrio, eu achei o bolo muito guloso e pouco enjoativo. Mas a minha companhia achou o dela muito enjoativo pelo excesso de chocolate. O cheesecake estava no equilíbrio certo de proporções.


Um dos meus maiores medos era que só os olhos conseguissem comer. Eu tenho um certo preconceito com bolos bonitos por isso mesmo: serem só bonitos e o sabor deixar a desejar. E não fui com grandes expectativas de ser feliz a comer um bolo mas acontece que sim, fui muito feliz a comer o bolo. Não são secos, a massa é muito fofa e os cremes são aveludados, pelo que a experiência de texturas e sabores é muito positiva nas nossas três escolhas. 

Gostei bastante do nosso lanchinho por lá, as empregadas são completamente simpáticas e disponíveis e, se se verificar que é acessível a celíacos e intolerantes, então é um dos espaços que mais têm de ser preservados. Porque conheço pessoas com estas duas condições e sei o quão terrível é ver os outros serem felizes a comer bolo e eles não poderem ou apanharem sustos. Um sítio que tenha bolo e pão para todas as pessoas - todas mesmo -, para mim, é merecedor de todas as visitas possíveis. Eu cá já estou a salivar por mais um bolo de chocolate com framboesa! Quando é a próxima visita?

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Lisboa
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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Coisas que aprendi no meu curso


O HACCP, programa que faz a análise de perigos e pontos críticos de controlo na segurança dos alimentos de quase todo o universo alimentar foi desenvolvido por pesquisadores da NASA porque, no fundo, foram eles os primeiros que tiveram de perguntar "e se a comida estraga?"

domingo, 23 de outubro de 2016

FRIENDS || 22 Obrigadas!


Os que me conhecem certamente sabem que eu não sei ser uma anfitriã de festa e mesa. Que eu não consigo lidar com uma mesa gigante cheia de pessoas que aguardam por mim para estabelecer elos de ligação, que não consigo lidar com a confusão e a barulheira de ter muita gente a falar ao mesmo tempo e de eu não conseguir comer porque tenho de saltar de lugar em lugar para ter a certeza de que os meus convidados sentem-se bem recebidos. E quem me conhece sabe também que eu detesto quando faço um convite e respondem "quem vai?". Porque, para mim, só faz sentido aceitarmos um convite pelo amigo que convida, independentemente das presenças adicionais.

Por tudo isto e por todas as exigências do momento, eu não queria fazer nenhuma festa - à semelhança do ano passado -. Mas, claro, os meus amigos jamais deixariam esta data passar sem um encontro feliz e prometeram que seria pequeno e significativo. Prometeram que eu não ficaria exausta no final da noite de saltar de lugar para lugar. E que estariam lá porque eu estava. E, como bons amigos que são, cumpriram a promessa.

Grandes corridas pela rua para abraçar quem já não via há tanto tempo, os atropelamentos para contarmos todas as novidades que estavam na nossa lista mental, a actualização de todos os sucessos e tropeções, os sorrisos constantes, os desconhecidos que viraram conhecidos e a coisa que mais me dá prazer: uma convidada ou convidado meu conseguirem estar a contar uma história e toda a mesa reagir e ouvir. Não há coisa que me faça sentir mais feliz do que me sentir em harmonia com pessoas que estimo com todo o meu coração. Os presentes pensados com muito carinho foram só um bonus. A felicidade por eles estarem ali comigo valeu muito mais.

Os meus amigos são muito especiais. Não digo isto porque está ali no dicionário dos melhores amigos. Digo porque cada um deles é extremamente único. Uns mais sensatos, outros mais intensos, uns mais ouvintes, outros mais certeiros na palavra. Todos com uma personalidade muito própria e uma identidade inimitável. E eu sou muito grata por ter cada um deles na minha vida e por, muitos deles, serem amigos entre si com todo o seu coração. E ontem, eu apaguei as velas do meu bolo com um enorme sorriso por me sentir acarinhada por todos eles. São todos diferentes, todos próprios, mas uma coisa todos eles deixam bem claro comigo: eu nunca estarei só. Eles estão sempre comigo.

22 obrigadas por me terem feito tão feliz na vossa companhia. E não me refiro apenas a este jantar memorável. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

PASSAPORTE || El Retiro


Foi a primeira vez que viajei em Outubro - para mim, o mês mais outonal - e pude, portanto, observar a transição mais bonita do ano numa outra cidade. E que sítio melhor para ver essa beleza incrível do que o Parque Del Retiro?

El Retiro (ou Parque Del Bom Retiro) era uma das "atracções turísticas" que mais queria conhecer, em Madrid. De tal forma que o visitei duas vezes e a primeira delas foi logo no dia em que cheguei. Num tempo que já não faz um calor abrasador mas ainda não faz frio suficiente para chamarmos os sobretudos, apanhei um dia de Sol brilhante quando entrei no Parque e um calor agradável que nos fazia sentir bem de camisa. O Parque, por si só, é de uma beleza invejável, daqueles que nos faz desejar que existisse igual em Lisboa.



As entradas para o Parque são enormes e lindíssimas e os jardins, em qualquer lugar, estão muito bem tratados. Estátuas, fontes, canteiros das mais diversas cores, bancos e parques infantis estão multiplicados naquele enorme espaço verde onde vemos pessoas a correr, a andar de bicicleta, a passear os cães, a fazer piqueniques, a namorar no relvado ou a conversar com uma amiga à beira do lago.

El Retiro também é muito famoso pelo seu enorme lago com barquinhos disponíveis para passeios e aquela gigantesca estrutura a combinar com a margem do lago mas isso é só uma pequena migalha do quão imenso o parque consegue ser. Tenho a certeza de que, mesmo que vivesse em Madrid, iria perder-me. Por entre caminhos de terra batida labirínticos mas sempre alados por bonitas árvores e candeeiros cruzavam-se autenticas avenidas de alcatrão, recintos para jogar ténis ou futebol e ainda o famosíssimo Palácio de Cristal, que me faz lembrar uma combinação entre gaiola e estufa e que fica, também, em frente a um outro enorme lago repleto de patos e cisnes negros.


Este é um parque para passearmos com prazer e onde eu apreciei o outono no seu nível mais incrível; por todo o lado, os caminhos eram invadidos com folhas e castanhas perdidas, as árvores estavam num tom alaranjado lindíssimo e a boa disposição dos locais era evidente. Comigo cruzaram-se crianças e famílias, estudantes universitários, músicos que tocavam nas sombras das árvores, uma sessão fotográfica para uma marca de roupa bem conhecida por todos nós e o Sol nunca deixou de brilhar. Perdi-me sem nunca me preocupar com o caminho de regresso.

Foi o meu lugar preferido de Madrid.

Fotografias da minha autoria, por favor, não as utilizar sem autorização prévia

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

FILMES || Favores em Cadeia


Eugene Simonet é professor de Estudos Sociais numa turma de 7º ano e propõe aos seus alunos um desafio: que todos façam uma actividade que consiga mudar o mundo para algo melhor. O que Simonet não esperava era que Trevor, um dos seus estudantes com 11 anos, levasse a ideia à letra e tivesse uma ideia brilhante e adorável: ajudar uma pessoa totalmente desconhecida, fazendo algo por ela que seria incapaz de fazer sozinha e em troca, como agradecimento, essa pessoa teria de fazer o mesmo por três pessoas diferentes. E assim por diante. 

Dependência, solidariedade, coragem, amor e um bocadiiiiiiiinho de comédia não vão faltar no Favores em Cadeia. É um filme que nos toca, que nos revolta, que nos emociona e que nos impele a querer fazer algo de bom. Vamos acompanhando a história por dois veículos e ficamos surpreendidos com os verdadeiros actos de humanismo, de uma forma que nos leva a desejar ardentemente que fosse real.

O final surpreendeu-me e despertou em mim sensações muito fortes. Não imaginava que fosse acabar assim. Favores em Cadeira aperta-nos o coração e faz-nos desejar ser pessoas melhores. Por nós próprios e pelo mundo. Será difícil?

Poster

terça-feira, 18 de outubro de 2016

PASSAPORTE || Museu Rainha Sofia, Madrid


Só apanhei um dia de aguaceiros enquanto estive por Madrid, e foi logo na tarde do primeiro dia. Decidimos que íamos aproveitar esta chuvada para riscar já um dos lugares que mais queríamos visitar na capital: o Museu Rainha Sofia.
Tenho de vos confessar que fiquei com um pequeno fascínio pelo edifício por fora; não entrei pela porta principal mas sim pela secundária, onde estão aglomerados os edifícios que têm a biblioteca e os estúdios, com grandes janelas que permitem olharmos para o interior e fiquei fascinada com todo o ambiente à minha volta: o ar moderno dos edifícios, a luz amarelada que vinha das salas e o céu nublado sobre nós tinha um clima muito outunal e tranquilo que eu sei que não esquecerei.

Sobre o museu em si, é um tesouro para os olhos com os mais variados artistas desde o já famosíssimo Picasso com o seu Guernica, passando pelo meu amado Miró (eu amo de coração Miró, é um dos meus artistas preferidos), por Dalí e indo ao encontro com arte mais contemporânea. É um lugar para os amantes de arte serem felizes, para nos sentarmos no chão a olhar para as obras e dizermos aquilo que cada uma nos faz sentir. É o lugar ideal para ver várias épocas de Picasso, vários audiovisuais e muitas esculturas actuais.


O Rainha Sofia conquistou também o meu coração por todo o seu espaço e ambiente me lembrar uma Universidade antiga, colegial. Ao longo de todos os pisos do museu vamos encontrando um jardim interior que é emoldurado por enormes janelões que deixam a luz entrar pelos corredores de uma forma muito harmoniosa e que nos envolve no espaço. O facto de estar um tempo muito outunal ajudou também a trazer mais ambiente ao jardim, com as suas árvores numa mistura de cores esverdeadas e alaranjadas, com a fonte de pedra e com os bancos de jardim molhados a competir em beleza com algumas esculturas expostas no jardim. Foi uma zona do museu que me fez sentir muito feliz por poder presenciar. É de uma incrível beleza natural e arquitectónica.




Apesar de tudo, foi dos museus em que, no interior das salas de exposição, me senti mais desconfortável. O Museu Rainha Sofia é talvez dos museus mais restritivos e "chatinhos" que já conheci (e olhem que já visitei bastantes, para grande gratidão minha); eu era constantemente perseguida por ter uma mochila - ora queriam que a colocasse à frente, ora queriam que a colocasse atrás -, porque não se podiam tirar fotografias e depois já se podiam, porque não nos podíamos aproximar muito (embora não existissem linhas de limite)... Eu sou apologista de que os museus têm de fazer o máximo possível por trazer conforto aos seus visitantes. Porque o acto de nos cultivarmos com arte é cada vez mais escasso a cada geração que passa e o facto de os museus continuarem com a sua formalidade (em alguns pontos, desnecessária) torna-o pouco convidativo e este museu fez-me sentir isso. Há formalidades a mais, indicações de parede a menos e vigilantes que se contradizem e nos perseguem pelas salas para verem o que estamos a fazer. Não há nada que me aborreça mais do que estar a olhar para um quadro (durante o tempo que achar necessário) e ver que a vigilante está propositadamente na sala para me vigiar e a seguir todos os meus passos... É inacreditavelmente primitivo para um museu daquele calibre.

Ainda assim, é um museu grandioso e que merece a sua visita (nem que seja para ver os gigantes). É bem extenso e com muito para ver por isso, preparem-se para perder uma manhã ou tarde a observar tudo com calma e concentração. É gratuito todos os dias das 19-21h e a qualquer hora para estudantes com menos de 25 anos (levem comprovativo da vossa escola/Universidade e C.C.) e crianças.

Fotografias da minha autoria, por favor, não as utilizar sem autorização prévia

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

ISTO É TÃO INÊS || Olá 22!


Entrei na famosíssima música da Taylor Swift numa madrugada em Madrid. Foi a primeira vez que fiz aniversário em contexto de viagem e foi tudo o que poderia sonhar; o dia era meu e fazíamos o que mais desejasse, sem recusas!
Não houve Bolo de Chocolate Delicioso, como sempre houve no dia 16 de Outubro, mas houve um donut maravilhoso de doce de leite do Dunkin Coffee e mensagens que atravessaram km desde Portugal até ao meu coração, ao meu sorriso e às minhas lágrimas.

Houve direito a roupa bonita e a batom nos lábios. Entrei nos 22 sentindo-me linda e feliz e isso, para mim, valeu por todos os tesouros no mundo. Festejei a minha manhã de aniversário num museu que tinha tanta curiosidade de ver e celebrei mais um ano de vida não só junto de pessoas que preenchem o meu coração como também junto de Picasso, Goya, Van Gogh, Caravaggio, Monet e Degas. E quem me conhece em cada perfil e expressão sabe que isso não me poderia deixar mais feliz. É um privilégio ter começado a minha vida com 22 a ver artistas que puxam tanto pelo meu coração. 

Madrid presentou-me com o Sol brilhante e amarelado do outono, com paella - porque se era o meu aniversário, então tinha de ser com o meu prato preferido de nuestros hermanos - com um estranho que se virou para mim e disse "És a mulher mais bonita que vi hoje", com muita música nas ruas, com muitos abraços, com muita gente a cantar-me o refrão da 22, com muitas notificações no telemóvel sempre que passava por um lugar com wi-fi e com muitos pulos e danças.

Ainda vai haver mais uma comemoração deste dia que é tão especial para mim mas, do dia em si, eu quero muito agradecer. Agradecer a oportunidade incrível de poder ter festejado o meu aniversário em contexto de viagem - onde eu sou mais feliz e, portanto, conseguem imaginar a combinação incrível que é eu festejar os meus anos (que adoro), fazendo aquilo que me dá mais prazer na vida (viajar) - e por ter presenciado tantas coisas bonitas e incríveis nesse dia. Agradecer a todas as pessoas que tiraram um bocadinho do seu dia para me desejar os parabéns. Acho que isso foi das coisas que mais me emocionou; o facto de ter recebido muitos poucos "Parabéns" crus. Eu recebi verdadeiras mensagens de carinho, onde claramente as minhas pessoas tiraram tempo para dizerem o quanto gostavam de mim e o quanto eu merecia este dia, esta viagem, esta saída da rotina. Eu mereço isso tudo e fico ainda mais feliz por vos merecer. Agradecer à minha família porque são incansáveis. E agradecer a vocês, meus queridos leitores e colegas blogosféricos. Porque numa pequena pausa do lanche decidi abrir o Twitter e fiquei completamente surpresa com as mensagens carinhosas que lá encontrei. E que fizeram a minha companhia entrar em pânico porque, do nada, me viu chorar e não tinha percebido que era de emoção e felicidade. É assim que vocês são, arrancam-me lágrimas pelas coisas boas que só sabem escrever sobre mim. Vocês são incríveis e inspiradores.

O meu aniversário foi tudo de bom e esta publicação é uma migalhinha de todos os momentos incríveis que vivi nesse dia. Mas, tal como a minha aprendizagem, há coisas muito boas que ficam só no nosso coração. E esta foi a partilha que eu senti que queria deixar registada no Bobby Pins. Obrigada a todas as pessoas da minha vida, por fazerem parte dela. Senão os meus aniversários não teriam piada nenhuma. E obrigada Madrid. Terás tempo para brilhar por aqui, prometo.

domingo, 16 de outubro de 2016

FELIZ ANIVERSÁRIO, INÊS! || 21 Coisas que Só Aprendi aos 21

YEEEEEY! Dia 16 de Outubro. Caramba, ainda mal superei o aniversário maravilhoso que tive no ano passado e já estou cá para viver outro! Como passou rápido! Mas sempre com tempo para aprender.

Inicialmente eu tinha preparadas uma série de publicações especiais para esta data. Aliás, ainda as tenho todas guardadas com carinho nos meus rascunhos mas... Decidi que não as quero publicar. Para mim, nesta fase de vida e neste momento, só me fazia sentido fazer esta publicação especial no dia em que comemoro o meu aniversário e chega-me. Sinto que uma só chega. Este foi um ano com grandes lições e, por saber que algumas delas são muito profundas, eu convido-vos a olharem para esta publicação com um sentido positivo e um sorriso no rosto. Porque foi assim que eu encarei estas lições, independentemente de algumas custarem mais a aprender do que outras.

Acredito que, quando olharem para estas aprendizagens, pensem "Mas eu já aprendi isso aos 15, 17, 19 anos, como só aprendeste aos 21?". Eis mais uma coisa que eu aprendi este ano: saber é diferente de aprender. E eu sabia muuuuuuitas coisas que estavam aqui escritas (para ser sincera, quase todas) mas aprendê-las foi muito diferente. E é isso que quero partilhar com vocês. Coisas que já consolidei, mesmo que já o saiba há anos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

BOM GARFO || Something N'ice

 LISBOA

Na mesma rua do FRANKIE está um local amado por todos os amantes de gelado, o Something N'ice. Por todo o lado, eu ia vendo aquelas maravilhosas sanduíches de bolacha com gelado no interior e estava muito curiosa para os experimentar. Foi num dos dias mais quentes de Setembro que lhe dei uma oportunidade.

Tal como no LxBrownie, o nosso coração caiu quando vimos que não havia lugares para nos sentarmos a não ser um pequeno banco almofadado. É um sítio para pedirmos e sairmos para a rua, não para fazer a tarde no interior. Até faz um certo sentido porque a mensagem do gelado é prática e simples.

O processo passa por escolhermos qual a bolacha com que queremos fazer a sanduíche. Há de tudo; nutella, manteiga de amendoim, chocolate com pepitas de chocolate branco... Eu escolhi uma de leite condensado com smarties. Como a sanduíche é feita com duas bolachas, não é obrigatório que escolham as duas iguais, apesar de eu o ter feito. 
O passo seguinte é escolher a bola de gelado. Uma vez mais, há diversos sabores, desde os mais clássicos como morango, chocolate, manga... Aos mais originais como Oreo, bolacha maria, menta. Eu escolhi doce de leite.
No final, ainda podem escolher um topping líquido (caramelo, chocolate, morango...) e um sólido (smarties, ursinhos goma, marshmallows, pepitas de chocolate...). Eu optei apenas por umas bolinhas crocantes de chocolate e dispensei o topping porque achava que era demais. 

Todos gelados são entregues com um pequeno saquinho e uma colher. Para mim, isto foi essencial porque eu sou lenta a comer o que quer que seja e gelados não são excepção. Aliás, quando olhei para o saquinho pensei que o papel ia ensopar, rasgar e ia resultar numa grande porcaria, mas o saco é bastante resistente e aguenta bem gelado derretido. Carimbo de aprovação Inês.

O gelado sabe muito bem e a bolacha é óptima, mas não foi uma experiência de gelado extraordinária. Aliás, achei-a bastante cara (paguei quase 5 euros pela sanduíche e por uma garrafa de água). Verdade seja dita, é uma daquelas coisas para nós experimentarmos com gula e nunca mais lá voltarmos. Ou pelo menos eu sou assim. Agora que já experimentei como é comer uma sanduíche de gelado personalizada e com tudo o que mereço, duvido que vá ter o desejo louco de regressar. E a carteira agradece um bocado.

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Rua Dr. João Soares, 2A, 1700-089
Lisboa

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

TAG || Harry Potter (com spoilers) - leiam a introdução -


Vocês sabem que sou super fã de Harry Potter e, quando vi esta TAG, não resisti respondê-la. Inicialmente eu quis excluir o oitavo livro da saga (o Cursed Child) porque é um bocado deslocado dos outros livros mas, à medida que lia as perguntas, eu fui percebendo que isso não ia ser possível por duas razões; a primeira é que, quer queira, quer não, o Cursed Child é uma continuação de Harry Potter e fez com que a minha visão acerca de alguns personagens se alterasse. Mesmo assim, e por respeito aos leitores que ainda não leram o livro, eu decidi marcar essas perguntas com uma cor vermelha para que, quem quiser ler a minha TAG sem saber novidades antes de tempo, o possa fazer sem grandes dramas. O objectivo é que possamos debater um pouco as respostas. Eu gostaria imenso de saber se a vossa opinião vai ao encontro da minha ou não. Vamos passar então para a TAG?

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

LIVROS || Seja o Que For o Amor


Nem acredito que vos estou a escrever sobre um livro de uma blogger super acarinhada pela Blogosfera: a Sofia Costa Lima, do actual a Sofia world! Apesar de não ser um lançamento recente, eu não consigo deixar de ter um certo orgulho por ver alguém conquistar estas metas, mesmo que não a conheça de verdade, não deixa de fazer parte da minha rotina de leituras blogosféricas mais preenchidas e guardamos isso sempre num cantinho bom do coração.

Seja o Que For o Amor reúne uma série de textos publicados no seu anterior blog, Escrevi-te um Blog - que eu lia ainda antes de a Sofia sequer saber que eu existia - combinados com alguns textos exclusivos para o livro que, de certa forma, complementam o seu raciocínio e a cadência da leitura. Poder-se-ia dizer que é um livro que contém uma história de amor mas não nos princípios mais convencionais de escrita; tem uma narrativa diferente, muito mais pessoal, detalhada e descritiva, sem grandes necessidades de intervenções de diálogo. 

Na contra-capa é definido como "uma carta de amor tamanho XXL" mas eu acho que este é um livro que vai mais ao encontro de um diário de uma Sofia muito apaixonada, como se o diário fosse a pessoa por quem nutriu todo aquele amor e a quem lhe dirigiu todas as palavras de uma forma recorrente e diária. É, portanto, um livro muito pessoal e intimista, no qual não entramos apenas na história de amor - se bem que eu não interpretaria como uma história de amor mas sim como uma declaração de amor, e acho que acaba por ter uma nuance diferente - mas também em traços e vivências muito especiais da Sofia. Conhecemo-la de uma forma muito mais carinhosa, como se fosse uma amiga. O livro é como se a Sofia se sentasse numa esplanada connosco e nós perguntássemos "Como te sentes?". E não nos resta mais senão acenar a cabeça e nos deliciarmos com a forma como ela tem a capacidade de escrever tudo aquilo que nos vai no coração. O seu amor não tem nome - no livro - e eu acho isso genial. Porque, claro, podem não ter vivido a 100% uma experiência como viveu a Sofia, mas eu tenho a certeza de que há alguma parte - nem que seja uma linha - em que vocês esquecem por completo a quem a Sofia se dirige e olham para a pessoa de quem gostam. Porque as palavras encaixam exactamente no que estavam a sentir ou sentem. E toda a gente já teve um amor como aquele a quem a Sofia se dirige. E o melhor de tudo é que todos iremos ler este livro imaginando um rosto diferente. O rosto da pessoa que amamos.

Uma outra consideração que não posso deixar passar sobre este livro é a divisão dos "capítulos" com letras de música. Em cada abertura de capítulo encontram um excerto especial de uma música e o seu respectivo artista e nome da canção. E eu achei genial tentar encontrar a familiaridade entre a letra e o capítulo em si, é um miminho aos leitores muito bonito. Como fã dos Coldplay que sou, não posso deixar de confessar que os meus olhos brilharam ao ver que o último capítulo tinha uma letra deles.

Sou sincera; neste momento, amor não é a minha temática preferida nem aquela pela qual estou mais inclinada para falar, ler, ver ou desejar. Ando um bocado mais focada em outros assuntos e tive medo de ler este livro porque achei que o meu "desligamento" para este tipo de sensações e sentimentos poderia, em certa forma, estragar a magia de um livro sobre amor. Mas não aconteceu, de todo, e fico muito feliz por ter sido uma leitura que me enriqueceu e aqueceu o coração. Seja o que for o amor, a Sofia descreveu-o bem. E está de parabéns por isso. Deixo-vos aqui a minha passagem do livro preferida:




E Sofia, tu inspiras-me (muito) também!

Autora: Sofia Costa Lima
Número de Páginas: 202
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

domingo, 2 de outubro de 2016

MUNDO || Palavras ou imagens?

Estava a ver o Por Falar de Amor - que já vi milhentas vezes mas que é muito giro, recomendo-vos - que ao longo de todo o filme relata este debate eterno sobre as palavras versus imagens. Um debate onde já entrei com diversas pessoas (algumas com mais bagagem que outras). Eu sempre gostei de ouvir a opinião delas sobre qual a mensagem mais eficaz. Com mais impacto. Com maior poder de transmissão.
Será que uma imagem vale mais que mil palavras ou será que uma citação reúne, em si, um poder tão incrível e absoluto que nenhuma imagem seria capaz de representar?

Sempre houve este conflito tão interessante e, confesso, os dois lados têm o seu devido valor e peso. Gosto muito quando posso reunir um conjunto de pessoas e lançar esta pergunta, de vê-las gladiar pela arte que mais lhes apraz: a arte de dizermos o que sentimos ou de pintarmos o que sentimos. De vê-las desencantar do baú os mais diversos argumentos para dignificar a magia que uma palavra tem, por nela residir talvez um milhão de sensações e, por um traço, uma fotografia, uma cor conseguirem gravar para a eternidade um momento inesquecível, uma individualidade. De ser prova da beleza do mundo. Chamem os vossos amigos, não importa quão ligados estejam eles à escrita ou à imagem e façam a pergunta. Não precisam de dizer a vossa opinião, se quiserem. Oiçam. E vão descobrir tantos traços profundos das vossas pessoas.

Claro, perguntam-me sempre, no final, qual prefiro. Uns não têm dúvida: é a escrita. Eu escrevo, eu leio, eu cito e isso é uma característica muito minha, um facto que ninguém tem dúvidas e que assumem ser a minha comunicação preferida. Talvez vocês, meus leitores, estejam nesse preciso momento a assumir isso. Outros acham que é a imagem, porque a fotografia é um traço de mim, porque eu gosto de imortalizar momentos, olhares, sorrisos, movimentos que seriam tão complexos de explicar com palavras. Poderei não ser boa em rabiscos de papel, mas é uma paixão minha registar um brilho no olhar, com uma simples foto. 

A minha resposta, e para onde eu serei sempre, sempre inclinada, é para uma conversa universal. Para a linguagem matemática mais compreendida no planeta. Cujo um simples símbolo, tempo, toque pode ser o gatilho certo para vos fazer saltar um batimento, para vos oferecer um sorriso, para vos arrancar uma lágrima. E desenganem-se se pensam que tem letra. É ilusão, meus caros. É a comunicação mais perfeita do mundo. Porque toda a gente a sabe fazer. Mesmo quem nunca a aprendeu. A minha resposta é a música.


Próximo destino da Inês de mala rosa? MADRID
Têm sugestões para mim sem ser os já óbvios como os museus e o palácio de cristal? Conto com a vossa ajuda!