sexta-feira, 30 de setembro de 2016


Setembro! Um recomeço para mim, para os meus objectivos, para a minha paz no interior do meu coração. Para ser preenchida com amor, momentos bonitos e gargalhadas que compensaram todas as lágrimas que, ainda assim, teimaram em visitar-me este mês. Os meus Favoritos são simples mas cheios de amor. Setembro pareceu ter durado quatro anos, não acham?

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

PASSAPORTE || Dicas e Factos sobre Cuba (parte II)

Foi a primeira vez que vi o sol nascer no mar e quis registar, na minha primeira manhã em Cuba. Isto chama-se cara de jet lag
Finalmente trago-vos os últimos factos e dicas sobre Cuba. Ainda tenho alguns lugares sobre os quais quero dar mais atenção em publicações futuras mas os meus principais conselhos encerram-se aqui. Sugiro-vos que, se tiverem mais alguma questão ou curiosidade adicional sobre Cuba e que acham que eu terei capacidades de responder, que deixem as vossas perguntas nos comentários desta publicação para que, em visitas posteriores, os leitores também as possam ver!


1. Um médico ganha, em média, 50 euros por mês.

2. Levem sapatos confortáveis quando estiverem a visitar as cidades. Eu compreendo que, num calor insuportável como é aquele clima, a vontade de usar uma sapatilha em vez de umas sandálias ou chinelos não seja muita, mas o conforto deve estar mesmo em primeiro lugar e vão andar bastante a pé. Garantam que levam calçado já preparado para quando o pé aumentar dois tamanhos pelo inchaço ao calor e de tanto caminharem, não arrisquem sandálias que podem fazer bolha. É preferível morrerem com os pés de calor dentro de umas sapatilhas que resistem a dias intensos do que comprometerem a vossa visita por terem o dedo do pé assado pelo chinelo.

3. A comida não é das melhores. Não no sentido de ser esquisitinha como sou, mas no sentido de eu ter um estômago muito resistente e, mesmo assim, ele não ter aguentado tamanha falta de qualidade e segurança alimentar. Mesmo nos resorts, a falta de qualidade no que toca à comida e à água é bastante clara (uma vez encheram-me o copo com água que não era engarrafada e o líquido cheirava intensamente a amoníaco, recusei-me imediatamente a beber. Por favor, peçam sempre água engarrafada). Se são fracos de estômago, levem os devidos medicamentos intestinais e dêem preferência aos grelhados, ao arroz sem molhos e joguem pelo seguro. Se são fortes de estômago, não cantem de galo, como eu fiz. Passei mesmo muito mal com a comida em Cuba. E mesmo que não vos aconteça nada, saibam que estão no paraíso dos hipertensos, porque eles não temperam nunca a comida. Nada. Nunca metem sal. A comida vem insonsa ou insípida. O saleiro de mesa vai ser o vosso novo melhor amigo.

4. Para esta viagem, eu e a minha companhia levámos canetas e t-shirts numa mochila, para distribuir às pessoas mais carenciadas que observássemos nas ruas e eu incentivo-vos a que façam o mesmo. As dificuldades no país são enormes e inegáveis, e sei que terão conhecimento disso, tal como eu já tinha. Mas saber é muito diferente de ver com os nossos próprios olhos privilegiados. Para mim, foi de deixar o coração apertado ver um homem idoso, muito, muito pobre, a não pedir nem dinheiro, nem comida, nem roupa mas sim uma simples caneta, porque sempre soube ler mas nunca lhe deram o privilégio de escrever. Para mim, enquanto blogger e prezando tanto as palavras e a escrita, o seu pedido tocou-me profundamente. Porque a liberdade de expressão e a escrita estão muito longe de serem um privilégio garantido neste país e saber que pude dar a um homem a sua primeira caneta para escrever é algo que me fez sentir mais humana do que muitas das conquistas que já fiz na vida. O mesmo para as crianças. Cada vez que lhes entregávamos uma caneta, os seus olhos brilhavam, como se estivéssemos a dar barras de ouro. Entregámos também muitas t-shirts mas, neste caso, decidimos dar apenas às crianças que encontrávamos com roupas esfarrapadas mas longe dos pais. Aquilo de que nos apercebemos era que, quando dávamos às crianças e aos pais, se voltássemos uma hora depois ao mesmo sítio, víamos os pais com as suas t-shirts vestidas e mais todas as outras que demos em mãos aos miúdos, a vendê-las. Isso enfureceu-nos profundamente e decidimos dar apenas aos miúdos quando estavam sozinhos. É uma incógnita se puderam ficar com elas de verdade e é bastante possível que, quando tenham regressado para juntos dos pais, estes últimos tenham feito precisamente a mesma coisa, mas pelo menos pudemos vê-los durante bastante tempo com uma t-shirt limpa e em condições vestida, para poderem brincar. E os seus sorrisos eram impagáveis. Senti que fiz a diferença.

5. Os horários dos museus e monumentos são curtos. Das nove da manhã às cinco da tarde, é este o tempo que terão para ver os museus, e meia hora antes de fechar as recepcionistas já estarão a tentar dissuadir-vos de comprarem um bilhete, portanto, às 16:30h saibam que a maior parte das coisas já não funciona. Tenham em conta o curto espaço de tempo que têm para as visitas na altura de planearem quais são os lugares prioritários.

6. Em Cuba não vemos mendigos nem pessoas a dormir nas ruas. Aliás, não vemos qualquer tipo de mendigo, e isto acontece porque o governo cubano garante que cada cidadão consegue receber uma habitação, comida e roupas. É também com muito orgulho que referem que não há desemprego no país. Ainda assim, existe muita pobreza em Cuba. Nenhum dos três parâmetros garante qualidade e o que acaba por acontecer é que essas mesmas pessoas acabam por ter de fazer obras ou arranjos nas habitações que lhes foram designadas, passam fome e têm de comprar roupa ao mercado negro porque a roupa que lhes fornecem é de péssimas condições. Além disso, a electricidade e a água não são asseguradas e, embora a água seja relativamente barata, a electricidade não é. Mesmo assim, foi com muito espanto que vi, enquanto seguíamos estrada fora, uma miúda descalça, com roupas fraquinhas, mas com um iPhone na mão. E casas muito empobrecidas, com móveis estragados, tinta a estalar, mas com um enorme ecrã plasma a ocupar 90% da sala. Há um grande desequilíbrio de prioridades, em muitos sítios.

7. Não há internet grátis em Cuba. Ou seja, wi-fi gratuito. Só há poucos anos é que a internet tomou conta de Cuba e, ainda assim, é um acesso muito caro. Isto significa que não vão encontrar wi-fi gratuito nos hotéis, restaurantes, bares ou museus, como é típico. A melhor forma de conseguirem ter acesso ao wi-fi é através da compra de um cartão, da operadora Nauta (escolham o cartão Nauta porque é fonte segura, não há risco de ser uma fraude). O cartão é pago à hora, ou seja, vocês só podem comprar uma hora de wi-fi, no mínimo. No cartão encontram um nome de utilizador e a vossa palavra passe, para que possam utilizar em qualquer ponto que tenha wi-fi, em Cuba. Ou seja, vocês, assim que iniciam a sessão, não são obrigados a utilizar toda a hora de internet que compraram, podem encerrar a sessão e ainda têm direito ao tempo que vos sobrou. O preço vai variar muito de lugar para lugar. Por exemplo, no meu hotel, uma hora de acesso custava 2 euros, mas num restaurante, pelo mesmo tempo, custava 6 euros. A internet é bastante rápida.


8. É totalmente seguro andar por Cuba. Desde andar pelas cidades mais pequenas como Trinidad, Santa Clara, às cidades mais cosmopolitas como é o caso de Havana. Seja em Havana Velha (mais empobrecida) seja Havana Moderna, fizemos sempre os percursos a pé, com mochilas, telemóveis e máquinas e em nenhum momento senti-me ameaçada, seja de que forma for. Não senti que iriam roubar-me a qualquer momento, comia sem que ninguém pedisse o que estava a comer, não fui assediada mesmo estando de pernas e ombros destapados e só vinham falar connosco para perguntar de onde éramos e se estávamos a gostar de Cuba. Aliás, as praias dos resorts são públicas (ao contrário da maior parte dos destinos tropicais), o que significa que locais podem perfeitamente desfrutar do mesmo espaço que vocês e eu deixava os meus livros e as minhas coisas em cima da espreguiçadeira sem qualquer receio. Foi um lugar onde não me importei de ficar um pouco mais para trás em relação ao grupo, em que andei de telemóvel na mão sem dramas e onde tive prazer de andar pelas ruas e conhecer as pessoas. Muito diferente da República Dominicana. Para ser sincera, tive exactamente os mesmos cuidados que teria em qualquer cidade europeia.

9. Cuba é um destino que, se querem ver no seu estado genuíno e antigo, é para marcarem voo . O meu pai foi a Cuba há 10 anos e a descrição que ele fez deste país - e que muitas outras pessoas também fizeram, em anos mais recentes - já não vai ao encontro da minha. É muito típico dizerem-vos abertamente que os cubanos são pessoas simpáticas e genuínas, com o propósito de apenas vos entreter, que tocam na rua pelo prazer de tocar. Também é muito típico falarem-vos dos acessos precários, de que as estradas são más e os lugares não têm o luxo das condições.
A verdade é que já há boas estradas e boas instalações. Não em todos os lugares, mas sem dúvida que, nesse aspecto, a evolução de Cuba é excelente. Por outro lado, eu não encontrei essa genuinidade que tanta gente descreveu-me. Atenção! São um povo latino e, por virtude, serão sempre simpáticos convosco, serão calorosos e festivos. Mas achei que já não olham para o turista com olhos inocentes e sim com olhos oportunistas. Já não tocam nas ruas só para vos animar. Tocam com um chapéu estendido para as moedas. Sempre foi comum (e cortês), oferecer-se algo quando tirávamos fotos com um local. Não era algo obrigatório, mas um gesto educado. Agora eles querem ter a garantia de que são pagos antes de tirarem fotos convosco. Nos bares, tocam com muita alegria mas, no final, ali estão eles a vender algo, a pedir dinheiro, a cravar. Cravam muito! Descrição que ninguém, que anteriormente tinha visitado Cuba, tinha feito antes. Falaram-me das típicas caricaturas que eles faziam, nas ruas, às pessoas e que ofereciam (o meu pai e o meu tio têm uma) mas eu nunca vi. Disseram-me que iriam abordar-me na rua para saber de onde era, se estava a gostar, se voltaria. E, claro, isso aconteceu, mas não com a frequência que todos me prometeram. Diziam que não ia conseguir atravessar uma rua sem falar com o bairro inteiro, e esteve longe da verdade da minha experiência. O turista é cada vez mais vulgar e uma máquina de fazer dinheiro. É normal, claro. Mas, se ainda querem ver um pouco da natureza de um cubano e de Cuba (que eu encontrei, apesar de tudo, sem sombra de dúvida que ainda há "Cubanos Originais") têm de marcar viagem. Porque eu sou das que tem a certeza de que a queda do Embargo vai acentuar ainda mais esta mudança. Talvez a mudança venha a ser incrível e vos apresente uma Cuba ainda mais moderna e ainda mais turística. Mas, com sinceridade? Cuba é mágica por ser parada no tempo. E já só há uns grãos de areia deste tempo. Corram.


Fotografias da minha autoria, por favor, não as utilizar sem autorização prévia

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

BOM GARFO || 100 Montaditos

 LISBOA

Já perdi a conta das vezes que desejava entrar num 100 Montaditos e ser feliz a comer. Para minha infelicidade, foi quando saí da faculdade que abriu um mesmo em frente e hoje, finalmente, pude experimentar um dos lugares mais amados pela malta jovem.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

MÚSICA || O meu amor por José González


Sou uma amante de cordas e isso é evidente em milhões de coisas; o instrumento que quis aprender a tocar, os tons que são atingidos pelas cordas e que me acalmam em momentos de ansiedade, a minha enorme paixão por piano (sim, é um instrumento de cordas) e por guitarra. A guitarra tem a sua popularidade com todo o mérito possível. Mas quando se torna possível juntar acordes de guitarra fenomenais com uma voz masculina a limiar o grupo vocal do Ben Howard... 

É assim que me sinto quando oiço José González. Foi uma descoberta recente mas tão boa, tão agradável. Daquelas descobertas que nós agradecermos terem-se cruzado na nossa vida. José González é harmonioso, com uma voz quente, com um som muito genuíno e puro que nos envolve e abraça. Num ritmo muito próprio mas também ele vibrante e que desperta em mim as mais sinceras emoções.

José González ouve-se com uma caneca de English Breakfast Tea bem quente numa manhã luminosa, ouve-se a ler um livro, ouve-se a conduzir por uma paisagem ilimitada, ouve-se com o mar de inverno, ouve-se com a respiração ao compasso da guitarra. Ouve-se a dedilhar os dedos ao ar e a deixar a nossa voz escapar suavemente nos refrões. Ouve-se de cabeça para baixo e pernas encostadas à parede. Ouve-se de coração aberto.

Ficam aqui as minhas músicas preferidas




sábado, 17 de setembro de 2016

PASSAPORTE || Como, Itália


Além de ter ido a Veneza, foi durante a minha viagem em Milão que visitei, também, um lugar maravilhoso que, na altura, era mais desconhecido do que é hoje: Como.
Como é uma província muito rústica e que é famosa pelo seu Lago de Como, ou Lago di Como. O lago é a atracção principal do lugar, sendo o terceiro maior lago de Itália e um dos mais profundos da Europa.

Todo o ambiente de Como é absolutamente extraordinário. Existe um passeio maravilhoso, onde vamos acompanhando a margem do lago e observamos o belo horizonte que proporciona, com as montanhas em recorte e as casas amontoadas entre os arvoredos. As ruas de Como são estreitinhas e sempre a subir.

Subi numa espécie de teleférico muito engraçado até um miradouro que nos permitia ver toda a paisagem de Como e a vista tornava-se ainda mais bonita a cada segundo. É no miradouro que podemos ver também os Alpes, já que Como situa-se muito perto da fronteira montanhosa entre Itália e Suiça. Tecnicamente, sim, poderão ver a Suiça do cimo do miradouro, mas a verdade é que o que encanta mesmo é o recorte dos Alpes.



Na área do miradouro encontram imensos pontos de paragem (porque há quem faça a subida a pé) e cafés com grandes janelas maravilhosas para apreciarem a paisagem enquanto fazem uma pausa. Nós aproveitámos um desses lugares giríssimos para almoçar e beber um chocolate quente. Mas aviso-vos já que são muito caros. Para uma viagem mais low-budget recomendo-vos que venham munidos de sanduíches.


Como fui na altura do inverno, não havia grandes actividades para se fazer no lago, como passeios de barco e semelhantes mas, se algum dia regressar, faria sem hesitar. O Lago de Como é um postal campestre lindíssimo e um tesouro que está cada vez mais badalado. Finalmente descobriram a pérola de Como e foi um dos lugares que mais me encantou, naquela viagem. Perfeito para uma boa caminhada, para fotografias dignas de postais, para uma aventura de subidas e descidas montanhosas e para nos sentirmos pequeninos no meio de tanta imensidão. Se vão para Milão ou proximidades, não se esqueçam de Como. É bem pertinho e o dia e preço do bilhete vão valer a pena.

Fotografias da minha autoria, por favor, não utilizar sem autorização prévia

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

LIVROS || Qualquer Coisa de Bom

A capa é um amor
Se há algo que detesto é ver livros por ler na minha prateleira. Qualquer Coisa de Bom foi um livro que recebi na flor da minha adolescência e, apesar de só o ter lido agora, muitas foram as minhas tentativas ao longo de todos estes anos para que fôssemos felizes. O problema era que, ao fim de 3 páginas, eu perdia a vontade e, inevitavelmente, trocava-o por outro. Até que me deixei de desculpas e esforcei-me para passar para a quarta página.

Este foi um livro agridoce. O potencial do livro agradou-me imenso; Qualquer Coisa de Bom conta a história de Ludovica (mais conhecida por Lula), uma jovem pobre, porteira e que, inesperadamente, recebe uma herança milionária por parte de uma moradora do condomínio que simpatizava com ela, deixando nada para o seu marido e filhos. Estranho, certo? E é a partir desta herança que Lula descobre mais sobre a mulher que se deu tão bem consigo e sobre o passado de Lula. 
Paralelamente a esta história - a principal - o livro conta ainda quatro histórias de amor: a de Giuliana com Artemio, Alessandra com Franco, Giulietta com Alessandro e Lula com Guido. As quatro histórias de amor são todas bastante diferentes, com finais muito distintos e, apesar de todas elas se ligarem entre si como uma rede, entre personagens, nenhuma das quatro histórias acontece na mesma época. Esta, para mim, foi a parte que mais gostei do livro, especialmente da mensagem: nada acontece por acaso. E cada pessoa que se cruza no nosso caminho, deixe ela um final feliz ou não, tem uma razão de ser para estar ali, connosco. Uma lição para deixar, uma marca para mudar o nosso caminho.

Aquilo que tornou, para mim, o livro agridoce foi... Ser muito aborrecido. Não consigo encontrar uma descrição melhor para este livro e, confesso, fiquei muito irritada. A autora tinha em mãos estas histórias de amor que podia ter desenvolvido muito mais mas a verdade é que há falta de conteúdo das relações, de momentos da história... Enquanto que há uma série de folhas a encher o livro com diálogos inúteis, descrições desnecessárias e muito aborrecidas. Eu vou dar-vos um exemplo sem grande spoiler - juro -: um destes casais casa. E a autora decidiu revelar isso de uma forma bonita. No entanto, o resto inteiro do capítulo é a contar como é que os vizinhos souberam, comentaram e bisbilhotaram sobre essa novidade. Tudo bem, se tivesse, de facto, alguma substância para a continuação da história no livro. Mas não! Simplesmente decidiu incluir a conversa dos vizinhos e nunca mais falou do casamento. Pronto, casaram. Mas têm uma descrição completa do que a vizinha achava. 

Foi a primeira vez que li um livro de Sveva Casati Modignani e não sei se todos os restantes livros dela seguem esta linha mas, sinceramente, não foi um bom cartão de visita para a autora. É uma autora bem famosa pelos seus romances - até estava bastante curiosa - mas saí muito desiludida. Achei a autora pouco inteligente para fazer um livro que tinha tantas analogias interessantes e diálogos para serem explorados e que ela decidiu ocupar o livro com trivialidades e capítulos absolutamente sem substância nenhuma. Eu tive muita dificuldade em ler este livro porque perdia a concentração, dava-me sono e, quando a história ficava interessante, a autora matava-a com um início de capítulo exaustivo. Durante a leitura deste livro li mais 3 livros diferentes. 

O capítulo final está muito amoroso e muito bonito. Para mim, preencheu a minha alma num momento em que precisava. Mas só um capítulo final bonito não chega para fazer um bom livro, na minha opinião. Esperava mais.

Autora: Sveva Casati Modignani
Número de páginas: 343

ISTO É TÃO INÊS || Um dia de cada vez

Um dia de cada vez. Porque há dias em que as noites foram bem dormidas e outras em que os sonhos foram uma angústia. Porque há dias em que tudo o que preciso é de passear e outros em que tudo o que preciso é de uma caneca de chá bem quente e de um livro que me ajude a desligar. Porque não sou de ferro e há dias que rio tanto como choro. Porque me permito a rir quando posso e a chorar quando não respiro. Porque estou a aprender a andar sem ter perdido o meu gozo por voar. Mas que, por vezes, andar custa muito.
Porque sou uma miúda de ferro mas não sou apática. Porque sinto o mundo e a solidão a pesar-me nos ombros num dia e, no outro, as minhas pessoas despertam-me para o facto de não estar só. Porque há dias em que só quero ouvir, outros em que só quero ser escutada. Dias em que consigo rodopiar pela varanda com a Laika e outros em que só quero que se aninhe no meu colo, para nunca me deixar. Porque há dias em que acordo com certezas e outros em que acordo com muitas dúvidas.
Respiro, foco e vivo com intensidade. Sem dúvidas do que valho e do que sou. Sem dúvidas do que quero. Mas com tantas incertezas sobre o que sinto. Canalizo e divido, divido nos meus pensamentos e nas minhas pessoas, que me ajudam a suportar. E, quando hesito em ir dormir, por medo dos meus sonhos, lembro-me que nem nesses sonhos estou só.
Lembro e relembro. E, se há dias em que me vou abaixo, em outros levanto-me, de joelhos esfolados. Respiro fundo e continuo a caminhada. E é assim que se faz. Aos tropeções, com muito medo, mas também com muita coragem para seguir em frente.
Aos poucos vou largando o arnês em muita coisa que me prende. E isso assusta-me, entristece-me, desespera-me. Mas, na mesma medida, agarro-me a muitas outras coisas mais sólidas. E é nelas que arranjo uma força que em mim vou descobrindo, há medida que me supero, sem nunca me considerar invencível. Vou-me derrontando com muitas coisas e ultrapassando-as com a confiança que teci em mim.
Tenho muito orgulho no caminho que estou a percorrer e não está a ser fácil. Há dias duros, céus, tão duros... Chegam a ser insuportáveis. Mas está tudo bem. E vai estar tudo bem. Tenho medo de muitas coisas, mas nunca me paralisei por elas. E respiro e tenho fé. Não tenho fé em mais nada senão em mim. Não deposito esperanças em mais nada senão naquilo que eu sei que sou capaz. E assim reaprendo a ser feliz. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

FILMES || O meu TOP 10

Aproveitando que estou a escrever esta publicação e em jeito de justificação para os prováveis entusiastas do cinema que venham a ler esta publicação, eu admito: não sou a maior louca dos filmes (nem séries). A verdade é que adooooro ir ao cinema, mesmo. Adoro toda a experiência de cinema, as pipocas, sair de alma renovada ou pesada por um filme... Mas sou péssima a nível de cinematografia. Não tenho aquele espírito alternativo-cinema-francês. Não tenho aquela Lista de Clássicos fabulosa que toda a gente adora falar com compridas metáforas. Eu sou literalmente aquele ser intragável que lê o título de um filme, dá uma oportunidade e diz "Que giro!". E pronto. Sou muito mais dedicada à música e à literatura, é uma realidade. Ainda assim, há filmes que eu adoro, que mexeram comigo e que vejo vezes e vezes sem conta. Que consigo sempre retirar uma nova mensagem ou relembrar uma antiga. Aqui estão os meus dez filmes preferidos:

NOTA: Alguns dos filmes aqui referidos já têm uma publicação inteiramente dedicada aos mesmos, ao longo do percurso do Bobby Pins. Para que as descrições não se tornem repetitivas, eu decidi encurtar o seu tempo de antena nesta publicação mas, se clicarem na imagem, podem aceder à publicação já feita aqui pelo blogue.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

YEEEEY!


Em Outubro vou realizar um sonho que tinha há bastante tempo. Vou fazer uma viagem de aniversário!!! Estou tão feliz. Palpites para o destino?

sábado, 10 de setembro de 2016

PASSAPORTE || 10 Coisas que aprendi a viajar


Viajar é uma das coisas que mais me preenche e enriquece. Algumas das aprendizagens mais importantes que fiz, ao longo da vida, foram assim, num outro destino, numa realidade em contraste com a minha, numa aventura. Escolhi alguns dos destinos por onde já pisei e as lições que retirei de lá. Viajam comigo?

1. Os sonhos tornam-se realidade
Em 2005 fui à Disneyland pela primeira e única vez, até à data. Foi uma das maiores surpresas da minha vida. Os meus pais sentaram-me à mesa, perguntaram-me se tinha testes por volta da altura do Carnaval e ta-daaaa, vamos a Paris, vamos à Disneyland!!! Eu não dormia e contava os dias para lá chegar. Porém, três dias antes de viajarmos, fiquei muito doente. Estava acabada e nem os olhos conseguia abrir. Fiquei desesperada, em lágrimas porque, se assim permanecesse, não ia poder viajar, os meus pais jamais o permitiriam. Ficou combinado que, se na manhã do embarque, não estivesse totalmente bem, a viagem seria cancelada. Lembro-me perfeitamente de, na véspera, fazer todas as figas para ficar boa. No dia a seguir acordei impecável!!! Lágrimas de emoção!! Ainda fui com alguns medicamentos na mochila, mas pude concretizar aquele sonho imenso de ir à Disneyland, ver este mundo que, ainda hoje, adoro e abraçar o Mickey. Ir à Disneyland fez-me perceber que nenhum sonho é demasiado grande para nós.

2. É possível sentires-te em casa, num lugar completamente distinto do teu
Aprendi isto em Londres. É uma metrópole completamente distinta de onde vivo ou de Lisboa. Lembro-me de subir as escadas do metro e sentir o cheiro a amendoins caramelizados, de o Sol brilhar muito (um céu muito pouco Londrino) e de os raios de luz reflectirem nos arranha céus. Londres é apressada, multicultural, escura e fria. E eu senti-me em casa como nunca antes me tinha sentido, em nenhum outro lugar. Andava pelas ruas como se fossem minhas, dominava os espaços, conversava com as pessoas. Por muito que gostemos do nosso lar, por muito que nos sintamos em casa na nossa casa, há um lugar no mundo feito para nós, à nossa medida. E mesmo que não voltemos a esse lugar, mesmo que não fiquemos para sempre, vamos sempre recordá-lo com uma familiaridade que não existe noutro lugar. Um pouco como quando conhecemos pessoas que levam um pedacinho do nosso coração, como se as conhecêssemos desde sempre, mesmo que não fiquem para sempre.

3. Aprendi a gostar de estar sozinha
Eu não aprendi unicamente isto a viajar, mas consagrei toda a minha aprendizagem quando fui a Paris sozinha. A cidade do amor só para mim. Aprendi que a nossa companhia pode ser aquilo que mais precisamos, às vezes, e que não há limites para as coisas que conseguimos fazer quando somos colocados à prova. Perdi-me em bairros que não fazia a mínima ideia que existiam, vi-me no meio de um conflito entre adeptos de duas equipas de futebol (com petardos incluídos) e tive de tentar sair dali o mais depressa possível, vi todos os museus que desejava, no tempo que desejava, sem me preocupar se alguém estava aborrecido, só eu e a música do meu mp3, passeei tanto quanto quis, comi onde quis e fiz as compras que desejei. É libertador quando aprendemos a cuidar de nós e a passar tempo de qualidade connosco. E ao saber que me vi em situações chatinhas, em que me vi perdida ou no meio de uma capital que finge que não sabe inglês, aprendi que sei desenvencilhar-me sozinha. E isso foi muito importante para o meu auto-conhecimento e para ter a certeza de que me basto.

4. É um privilégio viver onde vivo, ter o que tenho, poder fazer o que posso
Foram duas lições preciosas que retirei da República Dominicana e de Cuba. Lugares com uma enorme pobreza, com grandes restrições políticas e financeiras, que fazem do seu nada um tudo e que ainda nos cumprimentam com um sorriso maior que o nosso. Aprendi que os meus problemas não são gigantes, que não existo sozinha neste mundo e que jamais este planeta vai ter tempo e pachorra para estar contra mim. É um privilégio viver num país que não está constantemente em conflito armado, viver num lugar onde posso escrever onde me apetecer sem o risco de sofrer consequências irreversíveis, de ter um tecto sólido, uma casa em condições e uma cama de luxo, só porque é uma cama.
Aprendi a valorizar o calçado que tenho e por ter um armário com roupa. Aprendi que estas pessoas não vivem só em reportagens na televisão. Elas vivem todos os dias na miséria, mas com felicidade e animação. Eu aprendi a valorizar e a ser ainda mais grata.

5. Podemos apaixonar-nos pelos lugares mais inesperados
Quando fui para a República Checa estava muito entusiasmada, mas jamais imaginei que poderia apaixonar-me daquela forma por Praga. Pela harmonia entre a cidade velha e a nova, pela arquitectura, pela herança histórica, pelos jardins que, ao fim da tarde, se enchiam de pessoas, pela peça de teatro que assisti na Ópera, pelos canais - sim, Praga também tem canais -... Descobri que, por vezes, estamos tão programados para só adorarmos certos lugares populares (como Londres, Paris ou Nova Iorque), que depois nem reparamos no quanto estas cidades rústicas, históricas e poderosas podem fazer por nós. Praga foi uma das melhores surpresas da minha vida e reafirmou a minha certeza de que o mundo não é composto só por quatro capitais globais. Ensinou-me a querer explorar mais recantos do mundo e a abrir horizontes. Mente aberta é essencial.

6. A opinião dos outros não é lei
A primeira vez que fui a Veneza foi através de um comboio vindo de Milão, onde estava hospedada. Partilhei com imensa gente, antes de embarcar para Milão, que ia tentar ao máximo ir a Veneza e recebi imensos comentários a dizer que Veneza era cliché, que cheirava mal - a esgoto - que tinha ratos, que não era nada de especial, que os postais traduziam imagens falsas da realidade... Acabei por ir sem a mínima expectativa, unicamente com o desejo de conhecer mais uma cidade, de ver o que esta podia oferecer-me. E Veneza é lindíssima. Veneza é um postal. E não cheirou uma única vez a esgoto (fui no Inverno, talvez a a época de visita seja, de facto, essencial) nem vi uma única vez um rato. Na segunda vez que lá estive, idem. Compreendi que as pessoas vão ter muitas opiniões sobre vários destinos e lugares mas que eles nem sempre reflectem essa mesma cidade ou país. Reafirmei o quanto é importante sermos nós próprios a tirarmos as nossas próprias conclusões e a satisfazermos a nossa curiosidade com os nossos próprios olhos e perspectivas, e não seguirmos como cordeiros a opinião dos outros. Porque se fosse na conversa deles e não quisesse visitar a cidade por ser cliché, eu teria perdido um dos melhores pores-do-Sol da minha vida, no Grand Canal, sentada numa gôndola.

7. Perto não significa igual
Concluí isto na Escócia e em Espanha. Quando fui a Londres, fui recebida com muita antipatia e frieza. Os ingleses são assim. Muito na sua, sem desejarem ser incomodados. Muito contidos e conservadores. Por sua vez, quando pisei a Escócia, fui recebida com uma simpatia quase latina, quase nossa. As pessoas sorriem para ti, querem saber ao máximo se estás a gostar da tua estadia, cada vez que eu abria o mapa em plena cidade, algum local aproximava-se de mim e perguntava "Do you need any help? Are you lost?", recebia muitos conselhos e dicas quando ia a restaurantes... E isso fez-me compreender muito bem que a proximidade de destinos não quer dizer nada. O mesmo se aplica a Espanha, que toda a gente diz não ser uma "viagem a sério" porque Portugal é aqui mesmo ao lado. Espanha tem uma característica comportamental e cultural muito distinta da nossa, embora existam certas semelhanças e heranças em comum. Tal como Inglaterra e Escócia. A proximidade não quer dizer absolutamente nada.

8. Todas as viagens são viagens a sério e todas as viagens são válidas
Já fiz vários tipos de viagens, com diferentes propósitos e muitas vezes fui criticada por desejar ir a um destino tropical quando há "Tantos destinos na Europa com museus tão importantes de se conhecer". Certo, e uma viagem invalida a outra? Nunca. Aprendi isto: todas as viagens enriquecem-nos. Todas. De formas diferentes, claro, mas em todas não não voltamos os mesmos. Seja por um museu que transformou a nossa visão sobre a arte ou a música, seja pelo passeio que demos num parque, pelos animais que vimos num safari, pelas cascatas onde mergulhámos, pessoas que conhecemos e comunicámos, montanhas que subimos, grutas que visitámos, sabores que provámos. Ou mesmo pela praia onde nos estendemos o dia todo. Em todos os lugares retiramos algo e uma mensagem importante para a nossa vida. Há viagens que nos fazem descobrir coisas sobre determinado lugar e outras viagens que nos fazem descobrir coisas sobre nós próprios.

9. É fundamental escolher bem a companhia
Sozinha, com a família, com amigos ou namorados... Eu aprendi que a companhia que escolhemos para viajar transforma completamente a nossa viagem. Até mesmo a nossa própria companhia. É muito importante sabermos que as pessoas ao nosso lado conseguem compreender os nossos interesses turísticos e nós os delas. E sabermos atendê-los o melhor possível. Ter um parceiro de viagem que goste exactamente das mesmas coisas que nós é óptimo, mas nem sempre isso vai acontecer e é importante que haja alguma harmonia. Às vezes, uma má experiência de companhia pode resultar numa péssima visão do destino que escolheram. Ou o contrário, às vezes a companhia transforma o destino num lugar ainda mais bonito do que já é.

10. Regressar a casa é maravilhoso
Por mais viagens que tenha feito (gostava de ter muitas mais nas costas, mas faço o que posso), por mais que adore a sensação vibrante que é pisar um lugar pela primeira vez, por mais que custe não ficar em certos lugares para sempre, descobri o quão bom é regressar a casa. Nem sempre me refiro à estrutura, às minhas coisas, à minha cama. Às vezes refiro-me às minhas pessoas, que ficam do outro lado, à minha espera. Regressar aos seus abraços, aos seus beijos, à sua voz, às suas expressões. Viajar é maravilhoso, mas voltar para casa também é sensacional.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

BOM GARFO || UAU

 LISBOA

Não, o Verão ainda não terminou e ainda não é tempo para casacos e chocolates quentes. Esta é a ocasião ideal para aproveitarmos ao máximo os últimos cartuchos de calor numa esplanada bem simpática, com um pôr-do-Sol que já chega demasiado cedo, mas que continua cor-de-rosa. Esta é a minha sugestão para vós: uma tarde de gelados.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

LIVROS || Harry Potter and The Cursed Child (sem spoilers, prometo!)


Muita coisa eu imaginei que iria escrever neste blogue, mas nunca idealizei que, um dia, eu estaria a escrever uma review sobre um livro de Harry Potter. Para terem noção, eu li o último livro do Harry Potter em 2007, um ano antes de ter entrado na blogosfera!!! Nove anos depois, voltei a sentir toda a emoção de ter nas mãos um livro com o nome mais famoso e mágico do mundo, a sentir a curiosidade de saber o que estava nestas páginas, o momento de voltar a saber mais sobre esta saga maravilhosa que cresceu comigo. Foi muito emocionante, posso contar-vos.

Durante toda a leitura deste livro eu tive de me mentalizar constantemente de que isto é um guião. E é muito importante que se mentalizem disto porquê? Porque, neste livro, vocês vão perder um detalhe essencial e muito típico da Rowling: descrições.

Quem já leu Harry Potter, sabe; J. K. Rowling é uma autora muito descritiva e sensorial. Sempre teve a capacidade de nos transportar para todos os acontecimentos que nos contava, como se os estivéssemos a viver também e tem uma habilidade incrível para nos fazer perceber o que cada personagem está a sentir, até ao batimento cardíaco, como se estivéssemos a sentir também. Um guião é cru, é objectivo e houve alturas em que me senti desconsolada por ler determinado diálogo e não conseguir ter certezas do que ia na cabeça de determinado personagem, ou ler uma revelação sem ter imensos capítulos descritivos sobre toda essa novidade. Há transições bruscas, mudanças nos diálogos e cortes de actos que nos fazem quase gritar "Não! Desenvolvam esta parte, eu quero saber mais detalhes". O que me leva à opinião de que a Rowling não escreveu uma letra deste livro. Atenção! A história é dela, inteiramente. Há aqui citações e frases que não poderiam ter saído de mais ninguém, mas a estrutura do guião não foi ela que o escreveu. Não pode. Acredito que tenha disponibilizado um manuscrito com toda a história, com todos os detalhes e que os restantes autores converteram numa peça. Na minha opinião, claro. E o que eu não dava para ler esse manuscrito.

Outra coisa que me deixou muito desamparada, foi alguma ausência de carácter de alguns personagens. Digamos que houve certos diálogos, acontecimentos e acções que não encaixam nada bem naquilo que já conhecíamos durante sete livros. Há respostas que tal personagem jamais daria. E isto faz-me crer, ainda mais, que os autores que não J. K. Rowling tiveram muita liberdade na execução deste guião. Aquilo que me perturba é que J. K. Rowling tenha dado aval para que tais diálogos acontecessem. Ou pior, que tenha sido ela mesma a dizer que tais diálogos tinham de acontecer. Vão sentir que estão a ler uma fanfiction, mas com a certeza de que isto é mesmo da autora. E não vão conseguir ligar tão bem este livro à colecção restante. Sim, é Harry Potter, mas não é igual aos livros que nos encantaram durante anos. Para mim, é um primo direito.

Este livro é... Muito emotivo. É um livro que exige, sem dúvida, que conheçam a história de Harry Potter, mas oferece-vos muito! Tanto! A cada página, uma revelação que vos deixará boquiabertos, personagens que vos deixarão o coração nas mãos e as lágrimas nos olhos (algumas de sempre, outras novinhas em folha), e eu senti, muitas vezes, necessidade de parar a leitura e processar tudo. Para tentar compreender e acompanhar, de fazer recurso às memórias das minhas leituras anteriores para criar uma ligação mais concreta.

Eu imaginei muuuuuitas histórias possíveis neste livro. Mas não esperava nada assim. Superou todas as minhas expectativas e, apesar de eu desejar que isto fosse mesmo um livro e que aparecessem alguns personagens específicos, não fiquei desiludida, muito pelo contrário, foi melhor do que tudo o que imaginei que pudesse vir a aparecer. Se querem saber mais sobre o mundo Harry Potter, desde personagens, acontecimentos, revelações... Leiam, porque não se vão desiludir. Vão descobrir imensas coisas novas, imensos detalhes e vão derramar lágrimas por todo o lado, porque é Harry Potter e há personagens queridas, personagens de sempre, personagens não tão queridas, mortes, regressos... Um verdadeiro fã tem de ler este livro para saber o que aconteceu depois de "All was well".

Não procurem resumos nem spoilers nem saber mais. Vão assim, num toldo em branco, porque vocês merecem ficar com a cara espantada (juro-vos que fiquei escandalizada e chocada com muitas das revelações), com os olhos marejados de lágrimas, com um sorriso bonito nos lábios. O livro é caro, mas a edição é soberba, com uma capa cuidada e dura (gosto mais da capa interior, a preto e dourado, do que da exterior) - estas edições ficam sempre muito mais caras - e a leitura é extremamente fácil (li em inglês, mas acho que já há o livro em português - se não, está para breve -). Vale cada cêntimo. E que bom foi rever este Harry Potter já crescido e papá, que cresceu comigo. Começámos os dois pequeninos, ele num mundo de magia, eu a descobrir o dele, com dentes de leite. Hoje, já com idade para ter juízo, ainda me perco de amores. Espero, um dia, ter o privilégio de ver esta peça, que acredito que esteja extraordinária. Obrigada J. K. Rowling, por me fazeres acreditar em magia, de novo.

Quem já leu? E o que acharam deste livro tão polémico e que tem suscitado tantas reacções? Aviso que, se mandarem comentários com spoiler, eu irei ler e posso responder de volta nos vossos próprios blogues, mas não irei publicá-los, por respeito aos leitores que ainda não leram/terminaram o livro, combinado?

Número de Páginas: 330
Autores: J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

FILMES || A vida secreta dos nossos bichos

Levei o meu pequeno João a ver a vida secreta dos animais de estimação. Ele não os tem, mas adora a minha Laika e o meu Sashimi, portanto, estava ansiosíssimo para saber o que é que aquela parelha fazia na minha ausência.

Já toda a gente sabe a premissa do filme. Os nossos bichinhos favoritos têm de se entreter durante a nossa ausência e o personagem principal (ou cão principal), Max, vê-se numa enorme encruzilhada quando a sua dona coloca mais um cão em casa, o Duke. Ciumentos e territoriais, as suas divergências e planos maléficos um contra o outro resultam numa aventura por Nova Iorque  - posso só contar-vos o meu momento no cinema, mega diva, a cantar Taylor Swift no seu "Welcome to New York"? -.

Super recomendo-vos tanto a versão original como a dobrada. A dobragem está óptima e acho que, no português, conseguiram captar umas quantas nuances de linguagem que eu acredito que seja mais difícil de transmitir ao público em inglês (como as vozes de "tia de Cascais", por exemplo), mas a verdade é que a versão original só tem gigantes da comédia, é quase um crime não ver aquele coelhinho na voz do Kevin Hart! Linguagens à parte, achei que o filme estava soberbo e a história mega original. É um filme que consegue entreter os miúdos mas também captar a atenção dos adultos, naquelas piadas mais subtis, e nem damos pelo tempo passar.

O bichinho com quem mais me identifiquei, tenho de confessar, foi com a Gidget. Porque tem aquele ar doce, mega inocente e puro, mas se se metem com ela ou com os seus, leva-os a todos pelo caminho, sem se despentear! E adorei as rivalidades cão e gato e a personificação dos mesmos, são detalhes tão, tão bem captados. A única parte que achei meio... Creepy? Foi a cena das salsichas, achei um bocado sádica (mas estou a dizer isto a rir, lembrando-me da cena, quem já viu vai perceber).

E um último conselho? Vão precisamente assim, sem saber muito mais sobre a história do filme e surpreendam-se com o desenrolar. Porque está sensacional. Ou esperem pelo Natal, porque este filme de certezinha que vai estar (talvez para o ano) nas sessões a seguir à ceia, para a petizada. Obrigatório para quem tem amigos peludos em casa!

Poster

domingo, 4 de setembro de 2016

PASSAPORTE || Havana Moderna, Cuba


Se não soubesse que estava em Cuba e abrisse, de repente, os olhos em Havana Moderna, diria que estava numa cidade europeia. A diferença é quase chocante, quando saímos de Havana Velha e vamos dar a praças com edifícios colossais de estilo neoclássico, dignos de uma Austria, Paris ou até Londres. Em Havana Moderna, os edifícios têm uma manutenção mais cuidada, as ruas são mais movimentadas - especialmente com turistas e também pelas inúmeras esplanadas espalhadas por todos os lugares - e, pessoalmente, senti-me como se estivesse em Sevilha. A comparação não é muito absurda, uma vez que Havana teve uma enorme influência espanhola, que se reconhece muito facilmente nas fachadas das casas, nas janelas e varandas e o calor, as árvores aladas nas ruas e os cafés tão bem cuidados facilmente vos farão recordar do mesmo, se já tiverem visitado Sevilha.



É em Havana Moderna que serão mais abordados pelos comerciantes, que encontrarão as cubanas vestidas à época, música ao vivo na rua e a fileira de carros de época coloridos, onde se poderão deliciar (as mulheres com as cores queridas, os homens no puzzle de perceber se os motores são ainda originais ou não), tirar fotografias ou até pedir um passeio de descapotável. Há para todos os gostos e feitios e jamais se irão cansar de ver qual o carro novo e colorido que está atrás da esquina. Em Havana Moderna vão sentir que se perderam no tempo e que a cidade trocou-vos todas as voltas.


Imperativo que comam um gelado enquanto passeiam pelo Passeio del Prado. Para mim, fez-me recordar vivamente as famosas Ramblas de Barcelona, pelas enormes árvores que compõem a avenida e pelo chão plano em mármore. Aqui encontrarão imensos residentes sentados nos bancos a dormir, a andar de skate, a fazer patinagem, jogar futebol, ouvir música... E os contrastes sociais também se farão sentir; Num banco estará um homem sem sapatos, com uma roupa de fraca qualidade a descansar e, no banco seguinte, estará uma família com os filhos a ouvir músicas americanas no iPhone com colunas enquanto os filhos, com ténis coloridos e luminosos, saltam à corda. Durante o período de aulas e uma vez que não há recreio na maior parte das escolas, é para aqui que as crianças vão nos intervalos. Por todo o redor do parque encontram ainda inúmeros edifícios emblemáticos, como um antigo casino espanhol, a escola de ballet, edifícios neomouríscos, restaurantes, hotéis, entre outros.



No final dos dias de trabalho, é típico todas as praças encherem-se com música latina e as pessoas saírem para esses pontos de encontro para beberem um copo e dançarem, como uma discoteca ao ar livre.


Fotografias da minha autoria, por favor, não as utilizar sem autorização prévia

sábado, 3 de setembro de 2016

VÍDEOS || O Facebullying de Mauricio Meirelles

Sim, sim, sim, sim, já toda a gente sofreu, em algum momento, um "Facejaking". Um declaração amorosa ao amigo, a revelação da sua (falsa) orientação sexual, mudanças de fotos de perfil... Já não é novidade, certo? Mas... E se fosse o próprio utilizador a pedir a alguém que fizesse isso por ele?

Parece a coisa mais improvável e absurda do mundo, não é? O que vos vou apresentar hoje não é novidade, embora eu precise de escrever sobre a genialidade deste tipo de "humor". Mauricio Meirelles enche plateias de teatro inteiras a fazer Facebullying. A regra é: se vais assistir a um espectáculo dele, tens de permitir que ele possa chamar-te ao palco e mexer na tua conta de Facebook inteira, por ti. A "vítima" inicia a sessão, o computador é projectado para toda a plateia ver e o Mauricio faz trinta por uma linha; estados de Facebook, inicia conversas, comenta estados, muda fotografias, adiciona páginas... Tudo, claro, de uma forma muito cómica.

A piada é que tudo é improvisado. Ele não sabe quem irá subir ao palco nem como será a conta da pessoa. Todos os momentos de humor vão-se criando consoante o desenrolar das coisas, a reacção das pessoas... E, portanto, nenhum Facebullying é igual ao outro!!! Com já centenas de vídeos, a originalidade é algo que o próprio tem lutado muito para se fazer sentir e manter, mas os vídeos sensação continuam a aparecer. Com novas plataformas além do Facebook, este espectáculo é um dos que me arranca mais gargalhadas no Youtube. Vou deixar-vos aqui os meus dois vídeos preferidos. Aposto que se vão render!




Já conheciam?

PASSAPORTE || Dicas e Factos sobre Cuba (parte I)


1. O lema latino No pasa nada é verdadeiramente aplicado em Cuba, especialmente no que toca a burocracias. Tudo é feito com muita lentidão e tranquilidade, especialmente - e mais frustrante ainda - nos aeroportos. Lembram-se, numa publicação sobre viajar de avião, de vos ter aconselhado a não terem pressa de sair logo do avião assim que aterram? Pois, em Cuba, tenham. Assim que entram no aeroporto, uma fileira de cabines bloqueia a passagem, onde todos os passageiros, um a um, são colocados na cabine para que um segurança confirme o visto, tire uma foto e verifique se o vosso rosto corresponde à fotografia do passaporte. Em voos de 400 pessoas, e com 10 cabines disponíveis, conseguem imaginar o pandemónio. Além disso, não o farão de forma rápida, vão fazer tudo na maior das tranquilidades e, se preciso, fecham uma cabine com 50 pessoas na fila de espera, sem justificação. Sim, vocês querem ser os primeiros da fila! Um outro conselho, é que entrem na cabine já com o vosso rosto o mais próximo possível da vossa foto de passaporte. Isto quer dizer que se têm o cabelo apanhado, chapéus ou se estão a usar óculos e na fotografia não, tirem logo tudo e apresentem-se já sem nada, para que o processo não demore mais. E assim como é nos aeroportos, é na altura de check-in, check-out e qualquer burocracia. Estão no caribe. Tranquilo.


2. Não existe publicidade. Os típicos cartazes publicitários, posters, etc, não existem em nenhum ponto do país, nem mesmo na capital. Ao invés disso, encontram inúmeras frases de ordem sobre a revolução e sobre os heróis da revolução, quer em posters, cartazes, pintados nas paredes das casas ou até mesmo nos carros. Em Cuba não há forma de esquecer a revolução nem quem foram as principais cabeças que a marcaram; estão por todo o lado, com as mais diversas frases e citações. Até mesmo escrito nas pontes e nas sinaléticas. O que nos leva a um outro ponto: não há grandes sinalizações além dos limites de velocidade de estrada, identificação de cidades ou dos km até ao Capitólio. Não existe muita sinalética para direcções. Já as casas, têm pintadas nas paredes as mensagens que querem passar no bairro, como "Não estacionar" pintado ao pé da porta principal ou "Educa o teu filho" nos muros de um jardim de infância. Os nomes das lojas também são desenhados a pincel nas paredes.

3. Existem duas moedas principais em Cuba, os chamados CUP e CUC. CUP é o peso cubano utilizado pelos residentes, no qual vocês praticamente não irão mexer, se lá forem, porque nem mesmo em câmbio vos entregam estas notas. Aliás, são raros os locais que as aceitarão, se tentarem pagar com elas. Os preços em CUP são altamente inflacionados, chegando a ser ridículo a diferença de preços entre CUP e CUC. CUC é o peso cubano convertível, que é o que vos será entregue nos câmbios. Basicamente um 1 CUC corresponde a 1 Euro, mais coisa menos coisa, pelo que não é difícil fazerem comparação de preços entre as duas moedas. Ainda assim, podem levar os Euros à vontade. A não ser em hotéis e institutos, a maioria das vossas compras pode ser paga em Euros, sem qualquer problema.

4. Sim, existe Coca-Cola em Cuba. O mito aqui acaba.



5. Os transportes são um tópico muito complicado neste país. Os carros são muito poucos e bastante velhos e os transportes públicos e privados, além de funcionarem mal, albergam por autocarro mais de 100 pessoas seguidas, se preciso, em sardinha em lata. Todos os autocarros de Cuba são hora de ponta no metro de Lisboa - pior! - e é assustador e horrível. Uma solução muito típica no país é o pedido de boleia, que é absolutamente natural por lá. Se fizerem viagens de carro ou seguirem pelas estradas cubanas, não estranhem ver dez pessoas seguidas pela margem da estrada de polegar levantado ou com um cartaz a dizer o destino. É uma prática mesmo muito comum.

6. A maioria das fotos nos museus e espaços turísticos são proibidas ou cobradas. E quando proíbem, são austeros. Nem a máquina fotográfica ou telemóvel devem estar avistados, mesmo que não tirem qualquer foto! São inúmeros os lugares com este tipo de proibições e, quando não proíbem, quase sempre cobram as fotografias no interior, excepto nos claustros, fachadas ou miradouros. Na minha opinião e sendo um completo absurdo (não na questão da proibição, mas na questão da cobrança, por ser um simples capricho económico), não aceitei pagar nenhuma vez em nenhum museu para tirar fotografias. Recusei-me completamente e, por isso, todos os detalhes e pormenores dos museus e monumentos que visitei, preservo-os na memória. Aproveitei apenas para fotografar as fachadas e os claustros e não estou, de todo, arrependida. Havia sítios que nos cobravam quase 5 euros para tirar fotografias de telemóvel. Fica ao vosso critério.

7. O desporto rei é o Basebol, apesar de, logo de seguida, vir o Futebol. É muito curioso; pelas cidades, o que mais se observa são campos de basebol, ao contrário dos clássicos campos de futebol com balizas sem rede e os estádios são também dedicados ao desporto do taco, embora hajam tendências entre gerações: os filhos estão mais inclinados para o basebol, os pais para o futebol, e os avós, de novo, para o basebol.

8. A Baía de Cochinos é a baía mais profunda de Cuba, e para onde quase todas as excursões de mergulho se dirigem. É lá que se realizam os baptismos de mergulho entre turistas e onde podem ver um pouco da biodiversidade marinha do país.

9. O período militar ainda é obrigatório em rapazes a partir dos 18 anos, devendo fazer-se cumprir por 2 anos. No entanto, podem prescindir fazer esse período se estiverem na Universidade. Isto funciona como um gatilho de motivação para que os jovens cubanos prossigam os estudos.

10. O ensino em Cuba é gratuito, desde o ensino primário até à Universidade. Nenhum aluno tem de pagar o que quer que seja para estudar. No entanto, este "privilégio" tem algumas limitações: todos os recursos que os estudantes recebem para estudar desde um livro até aos cadernos, canetas e lápis, têm de ser devolvidos no final do período lectivo, sempre. Nada fica com o estudante e, por vezes, há escolas em estados lastimáveis em prédios degradados, prontos a ruir a qualquer momento.

Fotografias da minha autoria, por favor, não as utilizar sem autorização prévia

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

LIVROS || A Year of Adventures


Cada vez fico mais sedenta de viagens. De ir mais, de ver mais, de visitar mais. A verdade é que, uma vez que começamos, nunca mais queremos parar e, a cada destino novo, desejamos ser mais exploradores, arriscar mais, experimentar destinos diferentes de tudo o que sonhámos. E eu ando assim, numa pesquisa frenética de novos lugares para visitar, de cantinhos pouco convencionais, do que fazer em determinado lugar, quando é a melhor altura para ir...
E se estão nesta vibração intensa por viagens, como eu, vão querer muito este livro, A Year of Adventures. Na verdade, este livro é um guia fantástico; divide os meses de um ano inteiro em capítulos de quatro semanas e indica-nos os melhores destinos a visitar em cada semana do mês. Mas não se limita a isso! Refere-nos o destino e uma actividade principal para fazermos por lá (uma aventura, digamos).

O livro justifica cada um dos destinos conforme o clima da altura do ano em que vos aconselha ou devido a uma época específica. Maioritariamente, as actividades são ao ar livre, como caminhadas, mergulho, passear de bicicleta, subir colinas, fazer safaris ou visitar determinados parques naturais ou grutas. Não vão encontrar neste livro os convencionais museus e monumentos mas sim ideias que, a priori, não pensariam fazer naquele país ou lugar. Ou seja, a proposta é: vivam uma aventura. O livro também informa-vos de tudo o que precisam de fazer para viver essa aventura, desde informações para lá chegarem, a sites de marcação ou compra de bilhetes, ou sites de sugestão para fazerem mais pesquisas. É, de facto, um verdadeiro guia.

Há sugestões em todas as regiões do mundo (não havia nenhuma sugestão em Portugal, infelizmente) e o livro que tenho em mãos está na língua inglesa (desconheço se há exemplares traduzidos). Não sei onde vos aconselhar a compra do mesmo porque foi um presente, mas se têm queda para viagens e experimentar coisas novas (e querer ver paisagens brutais), procurem o livro. Vale totalmente a pena, nem que seja para suspirar com as fotografias (é um livro muito fotográfico).



Número de Páginas: 218
Editora: Lonely Planet
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016


É com sinceridade que eu acho que estes Favoritos de Agosto estão mais diferentes e mais completos do que todos os outros meses anteriores. Pode até ser uma ilusão minha e permanecer completamente igual, mas eu sinto mesmo que fiz uns Favoritos mega completos. Espero que vocês concordem também, há muitas sugestões por aqui!