Saí da parte curricular com uma turma muito competitiva e individualista. Culpem ou arranjem a teoria das turmas femininas mas eu não compro essa ideia e já o explico porquê mais tarde mas, a verdade, era esta: na minha turma sempre foi cada um por si, infelizmente.
Obviamente que havia imensas excepções à regra e eu considero-me uma delas, mas não a única. Situações como alguns colegas terem materiais de anos anteriores e não cederem (nem darem conhecimento de existir) à restante turma, raramente ser possível fazer qualquer tipo de alterações porque havia sempre oposição por birra, querer tirar notas fantásticas a todo o custo e, se necessário, pisar os outros para as atingir... Isto era uma realidade na minha turma, que eu tentei ao máximo suprimir nas minhas vivências enquanto aluna universitária - e deixem que vos diga que tive um enorme jogo de cintura para fugir disso -.
Quando iniciei o meu estágio estava preparada para isto; Éramos quase dez raparigas estagiárias, de várias Instituições diferentes, com formas de ensino e avaliação do mesmo curso diferentes mas todas com o mesmo background: turmas competitivas e individualistas. E todas chegámos ao primeiro dia ansiosas com a possibilidade de encontrarmos num estágio o mesmo carácter entre todas. E o que aconteceu foi soberbo: espírito de equipa.
Em todos estes meses de estágio que já carrego nos ombros, com segurança, posso garantir-vos que nunca me senti sozinha, desamparada ou sem ajuda. Não houve uma única vez que me tivessem recusado ajuda, imensas foram as vezes que se aproximaram de mim e perguntaram o que podiam fazer para aliviar as minhas tarefas, as actividades corriam extraordinariamente bem porque nos delegávamos umas às outras tarefas e postos que cada uma cumpria na perfeição para que resultasse. Tudo isto sempre com espírito positivo, criticas construtivas, cedências por parte de backgrounds académicos diferentes - mas tão enriquecedores! - e um ambiente descontraído, divertido e amigável.
É com uma enorme sensação de felicidade que levo comigo novas amizades deste estágio. Não criei laços de amizade com todas as raparigas - porque tive rotinas de trabalho mais frequentes com umas do que com outras e sempre tudo correu bem, mas laços de amizade mais intrínsecos foram mais selectivos - mas os que criei sei que perdurarão. Pela confiança inata que depositámos umas nas outras sem nos conhecermos e que resultou - por sorte ou engenho -, pelas imensas horas que tivemos de passar juntas e que invariavelmente resultaram em partilhas académicas e pessoais, em desabafos, momentos divertidos, de muito trabalho, mas nunca de desamparo. E é maravilhoso que depois de um percurso gigantesco de Faculdade - onde criei amizades brutais que levo comigo para a vida toda - ainda tenha esta maravilhosa surpresa de perceber que, sim, é possível criar amizades bonitas num ambiente de estágio ou de trabalho. Foi uma das experiências mais simpáticas que levo comigo.
No início deste texto disse que não comprava a teoria de turmas femininas gerarem mais estes climas competitivos ou conflituosos por isto mesmo: dez raparigas, que não se conheciam de lado nenhum, que estão a quatro meses de terminar a Licenciatura, que têm de começar a criar contactos e a mostrar o que valem, que têm um passado académico de turmas competitivas revelaram-se prestáveis e com espírito de companheirismo. No expoente máximo da competitividade que é um estágio, dez raparigas mostraram aquilo que eu há anos venho a tentar explicar aos meus colegas em vão: a carreira e o sucesso é a solo, mas somos muito mais potencializados para o nosso melhor quando trabalhamos em equipa.