domingo, 29 de maio de 2016

Coisas que aprendi no meu curso


O terrorismo alimentar é uma das práticas mais comuns de terrorismo e de grande preferência. A comida hoje em dia é globalizada e exportada para imensos pontos geográficos do planeta para superpopulações, permitindo o acesso fácil a um número gigantesco de alvos. É também por isso que a segurança alimentar é um dos pontos de segurança mais apertados de sempre. Alguns exemplos deste tipo de terrorismo são a contaminação de saladas de diferentes restaurantes com Salmonella  (1984), a contaminação deliberada da comida consumida por colegas de laboratório com Shigella (1996), um dono de um restaurante de comida rápida que colocou propositadamente veneno de rato em refeições de um restaurante da concorrência (2002) ou até mesmo sardinhas de conserva portuguesas que foram contaminadas com cianeto por um individuo para fazer chantagem às principais cadeias de supermercados sul-africanas (2003).

sábado, 28 de maio de 2016

FILMES || The Guardian


Eu sei que aqui na Blogosfera, as pessoas que me acompanham há mais tempo associam-me desportivamente ao basquetebol mas o meu primeiro desporto e o que mais me acompanhou durante a vida foi a natação. Eu pratiquei durante 14 anos natação e era (sou) louca pela água. Sentia-me melhor dentro de água  do que fora dela e a verdade é que só abandonei as piscinas de vez porque, na altura, o basquetebol exigiu mais empenho da minha parte. E mesmo assim, o meu amor pela água e pelo mar nunca desapareceu do meu coração. Achei que, por isso mesmo, não fazia sentido não falar-vos aqui, no Bobby Pins, de um dos meus filmes favoritos. Porque sou uma miúda de água, do mar, porque Sta Cruz ensinou-me a ter um respeito pelo oceano desmedido e porque o meu coração ainda me salta da boca cada vez que corto uma onda com o triplo do meu tamanho. Sei que é antigo, mas tinha de vos falar do The Guardian.

A história fala de um programa de treino de elite para nadadores salvadores da guarda costeira. Aqueles corajosos que no meio das tempestades mais violentas descem de helicópteros para salvar tripulações pesqueiras, que estão lá quando os furacões devoram tudo. Ben Randall, uma lenda no seu trabalho, decide dedicar-se a preparar estes nadadores salvadores depois de sofrer um terrível trauma e recebe nas suas mãos uma turma inesquecível onde encontramos, entre tantos outros personagens marcantes, Jake Fischer, campeão de natação, insuportável e que justifica a sua entrada no programa de treino com o desejo de salvar vidas, desejo esse que Ben não lhe reconhece durante os treinos. 

Podem contar com um filme intenso e de arrebatar o coração. É um filme de verdadeiros super heróis, que a Marvel jamais conseguirá igualar e são estes os filmes que mais me prendem. De heróis reais, heróis que têm mais defeitos que virtudes mas que, no timing perfeito, qual descida de helicóptero, se demonstram maiores que eles próprios e com um espírito de sacrifício e coragem que nos arrebata, tal e qual a força de uma onda no Alaska. A banda sonora é maravilhosa e o filme está careca de repetir em canais abertos (será um milagre se nunca o tiverem visto na vida). Ainda assim, eu nunca deixo de o ver, interrompo tudo para rever as personagens, apaixonar-me por elas e chorar por elas. 

Um filme sobre super-heróis que eu recomendo, com muito amor. Aproveitem este fim de semana para o (re)ver!

INSTAGRAM || lisboa.come e porto.come

Para mim são, sem sombra de dúvida, os dois melhores perfis de sugestões de restauração. O lisboa.come e o porto.come partilham fotografias de espaços visitados em Lisboa e Porto, respectivamente, como forma de garantir um catálogo cheio de sugestões e convites para refeições, em cada página. E sinto que se destaca das muitas outras centenas de perfis pela organização, pela identificação no mapa do espaço (para mim essencial para organizar a minha listinha de espaços que desejo visitar), pelos dias temáticos (por vezes fazem dias em que só partilham cafés e restaurantes relacionados com um determinado detalhe, por exemplo, gelados, vegetariano, marisco, rooftops, etc.) e pela própria personalidade das contas. Não se limitam a partilhar as fotografias de outros utilizadores, potencializam-nas com frases que nos arrancam sorrisos, com informação útil, com escolha a dedo das fotografias que publicam para que o tema, no geral, resulte numa miscelânea de cores convidativa.

São duas contas excelentes para nos ajudar a escolher um sítio à última da hora ou para nos inspirar perto da hora de almoço de um dia de trabalho. Graças a elas, a minha lista infinita de Lisboa aumenta cada vez mais e o desejo de ir ao Porto vai crescendo a cada foto nova de uma mesa bem composta. Segui-las é essencial.



sexta-feira, 27 de maio de 2016

BOM GARFO || Taberna 22

 TORRES VEDRAS

Há sítios que eu sei que nunca vou sair de lá desiludida, prove o que provar. O Taberna 22 é um deles. Com a coragem de se situar junto a um Titã dos jantares em Torres Vedras (porque todos os caminhos de grandes jantares vão dar a'O Gordo) tem-se aguentado de uma forma sublime e com um conceito sofisticado mas descontraído, na mesma medida. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

DAILY || Enjoy your ME time


Há uns tempos falava com uma amiga que me confessava a sua incapacidade de fazer o que quer que seja sozinha; Não gostava de sair à rua sem companhia, não gostava de ir a um café sem encontro marcado com alguém e nem pensar em ir ao cinema com um bilhete só para si!!! O seu medo de solidão era tanto que detestava ficar sozinha. E esta sua incapacidade (de estar sozinha e de compreender o que é a solidão) deixou-me estupefacta.

A verdade é esta: saber gostar da minha própria companhia sempre foi algo que eu soube fazer de maneira exímia. Desde miúda que eu gosto de estar sozinha. E isto facilmente é interpretado como ser anti-social, como não gostar de pessoas, como ser alguém introvertido, quando não podia ser mais errado. Eu sou tímida numa fase inicial de apresentação, mas eu adoro pessoas. E é por gostar do meu próprio tempo de qualidade que consigo aproveitar de forma plena a companhia dos outros no meu espaço e não usá-las como um recurso para fugir da ilusão de solidão.

É importante que compreendamos que estarmos sozinhos não é sinónimo de solidão, até porque as metáforas não mentem e podemos, mesmo, sentir-nos sós no meio de uma multidão. Mas mais importante do que percebermos isto, é aplicá-lo. Para mim, o meu tempo de qualidade sozinha é tão essencial quanto ver as pessoas que adoro com todo o meu coração. Não é que um seja melhor que o outro; Estar sozinha não é melhor que estar com amigos mas certamente que estar com amigos também não é melhor do que estar sozinha. Ambos são vitais para o meu equilíbrio e plenitude.

E é por isto mesmo que não me privo do meu tempo de qualidade, de gozar a minha própria companhia. Adoro ter a casa só para mim, por vezes. Adoro passear apenas com os meus pensamentos. Não me impeço de ir ao cinema ou um concerto sozinha só porque mais ninguém quer ver ou ouvir o mesmo. Delicio-me com idas ao café onde monopolizo o meu tempo da forma que quero. Ou passear em lojas com base nos meus únicos julgamentos de moda. E muito menos me arrependo de já ter feito uma viagem sozinha, porque foi uma das maiores provas de crescimento que realizei.

É importante para mim por vezes ter tempo ou silêncio para conviver com os meus pensamentos, para regar com amor as coisas que gosto de ver, ler, fazer e mais ninguém partilha o gosto, para respirar de um dia cheio, para crescer com os erros que rebobino na cabeça, para arejar a cabeça dos problemas dos outros e porque por vezes não há a mínima paciência para conversas. Por vezes, estar só comigo mesma é tão bom e é muito nestes intervalos de oportunidade que nos apercebemos por que é que as pessoas tanto gostam de estar connosco. Quando estamos em paz connosco próprios e gostamos da nossa companhia, certamente os outros vão conseguir gostar da nossa. E nós da deles. Sem pretensões. A solidão não é nem nunca será estar só. É ter o nosso corpo vazio de consciência.

Fotografia da minha autoria, por favor, não a utilizar sem autorização prévia

domingo, 22 de maio de 2016

FACULDADE || Bênção de Finalistas 2016


Dia 21 de Maio de 2016 ficará marcado pelo dia em que acordei com olheiras pesadas nos olhos da longa madrugada a colar Fitas e pela última vez que vesti o meu traje completo. Vesti-me num processo autónomo e rápido, mas a visita ao espelho não me poupou à realidade; Esta foi a última vez em que vestir este traje fez todo o sentido. Daqui para a frente a minha velha capa poderá fazer-me companhia em momentos que assim se justifiquem mas o casaco que já começa a encurtar nas mangas, os collants que nunca se rasgaram desde 2013 e os sapatos que já têm um buraco na sola do lado esquerdo ficam para trás.

Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida académica e não importa que digam que em Lisboa não tem tanta magia; Vai sempre ter para quem está lá, no meio, a celebrar. Foi o dia em que levei a minha família inteira para um lugar que foi meu e só meu durante quatro anos. Onde fiz o caminho que fiz todos os dias, feliz, desmotivada, nervosa, a ler apontamentos de última hora, ensonada. Onde apresentei-lhes a instituição que me viu crescer mais do que nunca, onde fiz a minha primeira frequência (Bioquímica Geral) e a minha última frequência (Dietoterapia III), onde fiz amizades que levarei comigo para toda a vida, onde conheci colegas que terei muitas saudades por saber que não as verei mais depois da Licenciatura, onde conheci o meu namorado, onde chorei com a minha primeira negativa e dei pulos de alegria com notas incríveis. Foi o dia em que a minha tia estudante de Coimbra conheceu as tradições de Lisboa, onde torceu o nariz para muitas e deu a mão à palmatória pela originalidade de outras tantas.

Foi um dia de calor, não só do clima, mas dos abraços que pude receber. O dia em que vi toda a minha família transbordar de orgulho enquanto eu transbordava em lágrimas. Um dia confuso, onde quase divinamente os telefones perderam a rede, numa mensagem bem clara: esquece os telefonemas, vocês encontram-se. Esqueçam as mensagens, abracem quem está ao vosso lado.

Este sábado nós não éramos cursos nem comissões. Éramos só uma Universidade. Que se uniu entre todas as cores das fitas que brilhavam ao sol no meio do recinto e que cantavam a uma só voz o cântigo de Universidade que ensinamos aos caloiros no momento em que entram naqueles portões. Talvez não fôssemos os mais barulhentos mas, ali no meio, eu senti-me num autêntico Carnaval universitário.
Foi o dia mais real. Onde soube que era (finalmente) Finalista e que não havia volta a dar. Aos poucos a minha Universidade empurra-me para dentro de água e este foi mais um momento de despedidas agridoce. A vontade de partir para novos desafios e o desejo de ficar num sítio onde nos reconhecemos tão bem. Onde já sabemos quem nós somos, mesmo que não saibamos para onde queremos ir a seguir.

Foi o dia de não ver ninguém e ver toda a gente. Em que eu quis que a minha Pasta se agitasse mais do que a de todos os outros. Em que as minhas Fitinhas, tão minhas e tão para mim, se agitaram nos céus com uma energia equiparável à minha. Onde o Verde e Amarelo (É BELO!) ocupou o meu coração. Onde corri pelo corredor do A trezentas vezes para receber quem lá fora esperava de propósito por mim. Onde a minha amiga aniversariante perdeu a manhã do seu aniversário inteiro só para me ver feliz a finalizar um sonho meu. Onde o meu Afilhado, no começo da aventura, veio congratular-me e ver como se fecha o ciclo. Onde a minha Ervilha se "equipou" a rigor e veio a correr para ver a vitória mais importante do meu campeonato. Onde o meu namorado, que detesta calor e confusões, se embrulhou no meio da multidão desde o começo da missa, para me aplaudir, mesmo que nem uma única vez me tenha conseguido encontrar no emaranhado de Finalistas de preto com as suas pastas coloridas. Onde pude cantar uma última vez o grito académico junto das minhas Presidentes favoritas. 

Foi emocionante para mim ver tanta gente querer ver-me. Ver-me ali, ver-me feliz, ver-me concluir mais uma etapa. E mais importante que isso, estas pessoas que ontem me aplaudiram enquanto eu estive debaixo dos holofotes, foram também as que me deram força e coragem nos momentos negros de bastidores. E foi uma honra cantar o grito académico junto de outros tantos milhares de pessoas.

Está quase a chegar o momento mais decisivo e importante, mas desta Bênção eu guardo grandes e enormes provas de amor e amizade. De companheirismo, de presença e de orgulho. As minhas Fitas não se agitam só por mim; A minha capa negra não salta das mãos só pelos ombros que a carregaram. Fazem-no por todas as pessoas que fizeram de mim a Finalista que sou hoje. E que ontem estiveram lá e deixaram-me ser a pessoa mais grata do planeta. Obrigada, se os meus obrigadas não tiverem sido suficientes.

Fotografia da minha autoria, por favor, não a utilizar sem autorização prévia

terça-feira, 17 de maio de 2016

CITAÇÕES || Com amor, Mãe


«(...) As histórias que adoravas que te lessem te deixaram ensinamentos importantes para a vida: o Capuchinho Vermelho fez-te ver que a estrada é longa, deserta e repleta de obstáculos; a Bela Adormecida ensinou-te que quem dorme demais não vive a vida; a Cinderela levou-te a não desistires dos teus sonhos, pois eles não caberiam em mais ninguém, como um sapatinho de cristal; a Branca de Neve fez-te acreditar que, se tens amigos, jamais estarás sozinha e, finalmente, a Bela demonstrou que enfrentarás feras na vida, mas que isso não te deve impedir de realizares o teu final feliz! (...)»

Por favor, não utilizar a fotografia sem autorização prévia

segunda-feira, 16 de maio de 2016

FILMES || O Livro da Selva


Em jeito de confissão, digo-vos que a minha infância não foi marcada pelo filme que fez nascer a música mais preguiçosa de sempre "Necessárioooo, somente o necessáriooooo". Não tenho sequer a cassete e creio que só cheguei a ver O Livro da Selva 2. Ainda assim tinha inúmeros livros da Disney e a história é-me familiar, embora não a tenha na memória nem no coração como as restantes. Não sei falas de cor, nem músicas nem sequer a história pormenorizada.

Ainda assim o trailer cativou-me e a Festa do Cinema (com bilhetes a dois euros e meio) foi o gatilho perfeito para ver um filme que até tem tudo para eu gostar: passa-se na Selva (eu tenho uma paixão por selvas e florestas tropicais) e tem animais. Fui decidida a ver esta adaptação da Disney que, também confesso, estava com um medo de morte que fosse roçar o estilo da adaptação d'A Alice no País das Maravilhas (que na minha opinião foi um fiasco).

Não consigo precisar-vos se todos os detalhes desta adaptação coincidem com a história original da nossa infância pelos motivos que já vos expliquei, mas o contexto geral - que é o que eu sei - está garantido. E, para mim, foi uma adaptação extraordinária que facilmente ultrapassa a original (e é muito raro eu concluir tal coisa semelhante); A fotografia está di-vi-nal, os gráficos são absurdamente bons ao ponto de quase acharmos que efectivamente o miúdo esteve a falar com ursos e a lutar com tigres bengala e o fluir da história está magnífico. Adoro os pontos factuais que eles foram subtilmente introduzindo ao longo do filme, inclusive questões morais, éticas e ambientais poderosíssimas, tudo com a subtileza já muito típica da Disney.

Como sempre, e apesar de muita gente ainda não se ter apercebido disso: não é um filme para crianças. A maior parte das piadas garantiram gargalhadas dos pais e não dos miúdos, há imagens muito fortes e algumas acho que demasiadas para um filme de crianças (muitos dos miúdos agarraram-se em pânico aos pais e uma das miúdas saiu a chorar). Não há violência gratuita, mas trabalharam muito o suspense e as cenas de duelo e adrenalina, coisa que não combina muito bem quando são pais e querem levar o filhote de cinco anos a passar uma tarde leve. Estes miúdos vão todos hoje sonhar com um tigre debaixo da cama.

Recomendo imenso e, acima de tudo, é mais um daqueles filmes que recomendo que vejam no cinema. A fotografia, repito, é maravilhosa e vale a pena o ecrã grande e todo o ambiente sonoro para vos envolver. Se são fãs de paisagens tropicais e exóticas, não podem perder esta oportunidade, especialmente com bilhetes mais acessíveis (até quarta!). Foi uma forma de me manter inteiramente a par da história e não estou nada arrependida desta alternativa. O Mowgli não foi o meu favorito na infância mas conquistou o meu coração de 21 aninhos.

E, já agora, muitos parabéns pela escolha do miúdo. Tem a pinta toda.

Poster

terça-feira, 10 de maio de 2016

FACULDADE || A Última Praxe


"A Praxe nunca acaba!" é uma das frases mais ditas a todos os caloiros e trajados. Uma das frases mais ditas por mim. Que não é por já termos o traje no corpo e a capa nos ombros que a Praxe termina. Mas a verdade é que termina. Há um adeus físico de verdade e ontem foi o meu. Ainda não me despedi do meu traje e da minha capa de aventuras porque ainda tenho mais um dia para o fazer com toda a pompa e circunstância, mas a Praxe, ontem, abraçou-me num adeus.

Foi uma noite interminável de surpresas e emoções. De receber Fitas absolutamente incríveis e que eu sei que foram feitas com o coração na boca e as lágrimas nos olhos. De matar saudades de quem ainda está na Universidade e ainda não se apercebeu de como o tempo vai voar (porque nunca acreditamos que seja tão rápido, estamos sempre em negação). De contar novidades e saborear tudo num ambiente onde me reconheço muito bem. Ontem fui Madrinha, tornei-me Avó (e que honra é ser Avó antes de terminar a Licenciatura), baptizei e tracei a capa do meu último Afilhado e pude assistir a uma Afilhada minha a traçar a capa da minha Neta (e que orgulho é poder ter visto). Ontem Enterrei os meus últimos Caloiros do lado do meu namorado, que baptizava a capa dos seus. Ontem despedimo-nos mais uma vez de um grande trajado que connosco já não está ao cantarmos a sua música de curso preferida, enquanto começou a chover ao mesmo tempo. Ontem recebi os abraços mais apertados, as palavras mais bonitas e o agradecimento da Presidente de Praxe mais inesquecível. 

Lembro-me de cada detalhe do meu primeiro dia de praxe. Do que vesti, de como era, de como me senti e do nome do primeiro trajado da minha Praxe que me recebeu, em Farmácia. E por muito que tivesse o coração alvoraçado e expectativas elevadas, nunca, jamais me passaria pela cabeça imaginar tudo o que ia viver pela Praxe. As pessoas que conheci e que jamais teria conhecido noutra circunstância. O meu Padrinho, que ainda hoje continua a dedicar-se de alma e coração para me ver bem e feliz. Os amigos que fiz para toda a vida e os Afilhados que hoje contam comigo para lhes dar na cabeça nos momentos necessários e enche-los de abraços nos momentos de orgulho. Jamais passaria pela cabeça receber tantos elogios pela forma como praxo, ter tantas pessoas a pedir-me conselhos e a receber tantos agradecimentos por parte das Presidentes, um ano atrás do outro. É impagável e emocionante quando sabemos que deixámos uma marca em algo que a priori já nos tinha marcado. E por muito que, ano após ano, tenha ganho novos títulos de nome, tenha ganho mais privilégios para praxar e mais matrículas em cima dos ombros, nunca, mas nunca esqueci a miúda de cabelo pelos ombros, risco de lado, ténis rotos vermelhos e t-shirt branca que um dia esteve do outro lado. Aliás, foi nela em que pensei, em todos os dias incontáveis de praxe que tive. 

A minha Licenciatura foi e está a ser, para meu grande alívio, um percurso muito bonito e feliz, mas eu não tenho dúvidas que alguns dos momentos em que fui mais feliz tinha a cara toda pintada ou estava de capa aos ombros. E no final de tudo (palavra de Finalista) é só isto que vais recordar no término da viagem: quais foram os momentos em que foste mais feliz? Quais foram as memórias que tiveram mais impacto?

As despedidas não são feitas sem agradecimentos. E apesar de ter uma família gigante mas incrível, de ter um Padrinho invejável, Afilhados maravilhosos e Presidentes inesquecíveis, eu sei a quem quero agradecer (e muito): a ti, Vanessa. Obrigada por não teres desistido de me conhecer quando te perguntei se fazias algum desporto ou quando fiquei aliviada por encontrar alguém menor de idade como eu (os teus 21 eram muito bem conservados, juro!). Um obrigada que nunca vai caber em lado nenhum. Porque, para grande curiosidade, nas minhas memórias felizes de faculdade, tu estás em todas elas. E porque começámos juntas a treinar as músicas de curso e terminei a minha jornada ao teu lado, num cantinho desse mesmo jardim, a ler a tua Fita do teu lado e a dividir lágrimas contigo. A praxe diz-me muito mas sem ti ao meu lado para dividir esta sobremesa incrível, não teria tido nem metade da piada. 

A praxe nunca acaba. Despede-se de nós e deixa-nos seguir com a vida para outras aventuras. Mas fica sempre dentro de nós. Com uma capa pequenina (preta de preferência) traçada nos nossos corações.

Não utilizar a fotografia sem autorização prévia

quinta-feira, 5 de maio de 2016


As Fitas outrora vazias e sem graça estão a regressar com a letra das pessoas que mais amo e com as mensagens mais emocionantes, os dias em que vou usar o Traje já se contam pelo dedos, a minha velha capa, que me acompanha há três anos em tudo na vida, está a preparar as dolorosas despedidas e, onde quer que eu vá, todos os Licenciados mais próximos de mim querem preparar-me para o golpe fatal.
A Benção é já este mês e tudo começa a encurtar. Por muito que eu queira focar a 100% no meu emprego de estágio, este mês é puramente académico e, a cada dia que passa, o tempo de estudante encurta e as lágrimas aumentam.

Ser Finalista traz momentos inesquecíveis mas lágrimas de saudade dolorosas. Dava tudo para ser uma caloira de t-shirt suja outra vez.

Fotografia da minha autoria, por favor, não a utilizar sem autorização prévia

terça-feira, 3 de maio de 2016


Achei este vídeo incrível, com uma temática muito urgente - apesar de a maior parte das pessoas já a achar ultrapassada -. Eu não acho, de todo. Cada vez sinto mais que as pessoas se olham com inveja e num clima de competição. E numa conversa despoletada à hora de almoço, lembrei-me de novo deste vídeo e achei fantástico recomendá-lo para assistirem. Eu sou as palavras da Luisa! Opiniões?

domingo, 1 de maio de 2016

A Ela


A ti. Porque por muito que as princesas da Disney me tenham cativado, por muito que a Barbie tenha feito os meus olhos brilharem, por muito que possa estar grata por já me ter cruzado com tantas mulheres incríveis na vida, tu sempre foste o meu modelo. De tudo. E desde pequenina.

Era no teu colo que encontrava o consolo para todas as minhas lágrimas, fossem elas de fome mesmo em pequenina, fossem elas agoniantes de um entalar de dedo ou do coração. Porque sempre te achei gira, porque para mim não havia mulher mais gira do que tu, por muito que nunca tenhas reconhecido a tua incrível beleza. Eras tu que lias sempre uma história para eu adormecer, sempre a dos 101 Dálmatas.

Obrigada por todas as coisas que me ensinaste (algumas delas com muito esforço e paciência, que só uma mãe com entrega consegue fazer). Obrigada por me deixares ter herdado tantas expressões tuas, as sérias, a expressão do sorriso com os olhinhos à chinês, os olhos verdes, aquelas coisas que só nós dizemos e mais ninguém no mundo se lembra de as dizer e o amor profundo pelo mesmo desporto. Obrigada por me ensinares em miúda a imitar-te na forma como nos devemos comportar à mesa e na casa dos outros. Obrigada por não teres feito aquela falinha manhosa do "quais são as palavras mágicas?" e simplesmente me teres dito com firmeza nas palavras  - e ainda mais no olhar - "Inês, diz-se por favor e obrigado". Obrigada por não teres deixado o pai chamar-me Susana e por deixares ouvir horas e horas a cassete cor-de-rosa da Barbie e os cd's da Moli Beat.


Mãe, ensinaste-me muito mais do que a fazer a cama, a não deixar migalhas de nada no sofá ou no chão e a vestir casacos sem enrodilhar as mangas da camisola por dentro. Foste o meu melhor exemplo e figura em tudo. Sempre foste, para mim, uma mulher distinta, de uma beleza diferente e inesquecível, com uns olhos meigos mas muito seguros de si e com uma presença de espírito que enchia uma sala inteira. Sempre soubeste ser a melhor parceira do pai mas que conseguia atrair toda a gente para a sua conversa, se quisesse. A que ouvia toda a gente. A anfitriã mais admirada. Ensinaste-me a gostar de mim e de todos os bocadinhos de mim porque me amaste e amas de uma forma marcante, que só uma mãe consegue amar. Ensinaste-me a não desistir das coisas só porque ficam difíceis e não me deixar ficar quando alguém era injusto ou tratava-me mal. Ensinaste-me que nem todos os desafios são "canja de galinha" e que só quem quer muito, muito, muito, muito uma coisa pode ter. Obrigada por me comprares caderninhos no 2º ano para eu escrever as minhas primeiras histórias e contos (ainda me lembro do quanto eu estava ansiosa no 1º ano para aprender a ler e escrever para poder escrever as minhas histórias, que só viviam, nessa altura, na minha cabeça). Onde estaria o Bobby Pins se não mos tivesses comprado? Quem sabe?
Ensinaste-me que não devemos ter comportamentos que reprovamos. Que se alguém não nos trata como merecemos não nos devemos deixar ficar mas jamais devemos pagar da mesma moeda. Porque não é uma moeda de valor. Porque nós somos preciosos por sermos nós e que devemos responder com altura e com dignidade. Ensinaste-me a não ter medo de experimentar coisas, fosse isso um corte de cabelo, um desporto novo ou um tipo de leitura diferente.

Mãe, foste e és a minha melhor amiga. Por muito que digam que mãe não é amiga. Se a mãe não pode ser amiga, quem pode? Mãe, és a minha melhor amiga. Por tudo o que já vivemos juntas. Porque conheces-me quando eu nem sequer sabia o que era a própria existência. Porque me viste nas birras mais vergonhosas e porque me educaste para eu ser agora a pessoa bem formada que sou. Porque estiveste sempre lá e fazias trinta por uma linha para ir a todas as peças de teatro, a todos os bailados, a todos os treinos, a todos os recitais. Nunca faltaste e sempre tiveste um sorriso familiar, que se reflecte no meu rosto, no final. Porque os teus abraços não mudaram com o passar do tempo e neles encontro o refugio que tanto preciso. Porque foste sempre tu que estiveste lá nos primeiros sinais da minha ansiedade e nos meus ataques de pânico. Porque sempre soubeste o que fazer. Porque sempre me abriste os olhos com firmeza nos bastidores do mundo mas defendeste-me em palco, sempre.

Oh Mãe... Vês-me crescer todos os dias e já passámos por tanto lado a lado. Viste-me crescer, perder a franja, voltar a ganhá-la, viste-me apetecer mais as cores pretas na roupa do que as coloridas, viste-me ganhar amor pelas roupas coloridas outra vez, viste-me crescer e ganhar objectivos cada vez mais complicados, cada vez mais complexos, viste-me a construir a minha própria personalidade, que tanta influência tem tua mas que nunca interferiste para eu a ganhar. Ao teu lado já ri até a barriga me doer, já chorei com tamanha tristeza que até tu choraste de me ver tão triste (imagino o quanto custe para uma mãe ver a sua filha sentir-se destroçada), estava do teu lado quando recebeste a notícia mais dolorosa da tua vida e do teu lado já experimentei tantas coisas incríveis e momentos felizes. És uma mulher com felicidade e doçura no coração e isso foi uma das melhores lições que passaste para mim. A ver as coisas com um sentido positivo. A tirar de tudo na vida uma conclusão feliz. A ver o mundo com gratidão e paz de espírito. A olhar para as coincidências da vida com um sorriso. A não me deixar ir abaixo porque eu sou uma miúda incrível (eu sei Mãe, eu é que às vezes me esqueço).

 Já dividimos tantas coisas juntas; Crescemos juntas (de uma forma diferente, é certo, mas crescemos juntas), ganhámos gostos diferentes, viagens, memórias incríveis, conversas que só contigo conseguiria dividir à meia noite, quando não conseguia dormir por sentir o coração apertado (obrigada por me ouvires e por dares os conselhos certos, mesmo aqueles que custam ouvir mas que têm de ser ditos), gargalhadas tão boas, passeios tão maravilhosos, momentos tristes e acima de tudo, momentos tão felizes.
Mãe, da mesma forma que prometeste estar sempre do meu lado para tudo o que houver e sempre me apoiares em todos os momentos da vida, eu prometo-te que tudo na vida vou dividir contigo. E que nos momentos de dúvida, em que olho para mim mesma e penso se consigo, vou sentir a tua mão nas minhas costas a dar o empurrão que preciso. Prometo nunca me esquecer de ti. Prometo que serás sempre a minha melhor amiga. Obrigada, pelo tanto que eu sou hoje por te admirar.

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