sábado, 31 de outubro de 2015

HALLOWEEN!

Chegou hoje um dos dias que mais adoro no ano: o Halloween! Apesar de não ser uma data fortíssima cá por Portugal já se vêem muitos eventos a decorrer e, especialmente quando a data é a um sábado, muitas festas temáticas estão disponíveis. Alguém vai a uma?

Por cá fazemos sempre a festa em casa. Temos uma grande ligação com o Halloween e arranjamos sempre algumas abóboras para desenhar caras (se nunca cortaram uma abóbora vão perceber a dificuldade) e meter velas lá dentro, temos música de Halloween a passar em casa todo o dia... Já temos os filmes todos que queremos ver agrupados, imensos doces e pipocas!

Apesar de adorar estes serões, o meu Halloween favorito foi passado na Escócia. Se alguma vez na vida tiverem oportunidade, mesmo que não sejam fãs de máscaras, vão a UK ou aos EUA na altura do Halloween e ficarão pasmos com o empenho da decoração das casas, das máscaras e das festas. Jamais me esquecerei do empenho em Edimburgo, na viagem de 2011.

Deixo-vos aqui a minha playlist do Spotify dedicada ao evento para ouvirem enquanto se arranjam para uma festa ou para ouvirem durante o dia pela chegada da data (porque não?)

Os favoritos vêm amanhã, hoje dedico-me a preparar a festinha e arranjar abóboras! Feliz Halloween!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Coisas que aprendi no meu curso


A primeira refeição de prato de um bebé divide-se entre a sopa e a papa e a escolha de uma em detrimento da outra deve-se, quase sempre, ao peso do bebé. Se for um bebé acima do percentil (peso-altura) normal, a sua primeira refeição de prato é a sopa, se o bebé estiver abaixo do percentil normal, a sua primeira refeição de prato é a papa. Isto acontece porque a papa tem mais densidade energética que a sopa, ou seja, pelo mesmo volume, a papa tem mais calorias do que a sopa, induzindo o aumento do peso do bebé.
Se for um bebé normo-ponderal (ou seja, está com o percentil normal) a escolha do primeiro prato recai na mãe, mas aconselha-se, neste caso, que dê primeiro a sopa para educar o paladar do bebé com mais calma. As papas são doces e os bebés habituam-se muito facilmente ao doce e depois rejeitam mais rapidamente a sopa.

Se perguntarem aos vossos pais qual foi a vossa primeira refeição de prato, quase de certeza que vão ver aí se eram bebés mais gordinhos, magrinhos ou normais, apesar de, na nossa geração, ter sido muito típico começar-se com a papa. Quase todos os pais lembram-se da primeira refeição e de como vocês eram na data.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015


Pensar em estágios, fazer projectos de investigação, trabalhar em artigos epidemiológicos, preparar apresentações, estudar para frequências e ir às aulas com cabeça é, por vezes, de fazer chegar a casa com o coração apertado e uma sensação de impotência. Será que estou a fazer tudo bem? Acima de tudo, será que estou a fazer tudo como desejo? Como quero e como gostaria que ficasse? Se há dias em que sinto a areia a escorrer-me pelos dedos e que qualquer coisa me faz desbobinar um discurso que há muito está a perturbar o meu equilíbrio, aproveito os meus momentos sozinha.

Com a chuva a bater na janela, a Laika sempre a menos de 5 metros de mim (desde sempre) a olhar-me com aqueles olhos de alma que nos admira mais que a vida e London Grammar ou Ben Howard a envolverem-me em cobertores quentinhos. Eu tiro esse tempo para cuidar de mim, de olhos fechados, sem ninguém a interromper-me. A cada vitória que dou, a cada passo firme que faço, as minhas pessoas de sempre congratulam-me sem surpresa, porque sabem que consigo. Mas num palco de confiança e de muita coragem há um backstage de confirmações, inseguranças, nãos e muita mentalização individual.

Não é fácil sentirmos o mundo sobre os ombros, mesmo quando ninguém vê o mundo sobre os nossos ombros. Mas é por isso que somos feitos de uma matéria que mais ninguém tem. A nossa força, a nossa capacidade, a nossa confiança, auto-conhecimento e empenho. É nosso e ninguém na vida o tira. Está no DNA.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

ISTO É TÃO INÊS || A ciência e a arte


Eu sou uma pessoa muito científica. O meu raciocínio é muito metódico, muito estruturado para os factos, para as provas, para identidades de credibilidade e para descobertas reais, justas, físicas. Mas se por um lado eu sou alguém que facilmente vêem a discutir algo ou a procurar algo nesse mundo também sou alguém muito ligada à música. À literatura. À arte. À História. À filosofia de simplesmente viver. E sinto que são dois lados que facilmente não combinam mas tornam-me naquilo que sou. Sinto-me mais equilibrada e harmoniosa por ser assim.

Porque nem toda a gente o é. Se dissermos que a arte, a música, o cinema, a História, a literatura, o amor são as melhores razões de se viver e a ciência a essência de estarmos vivos, não serão todos os que compreenderão. Se eu disser que a música é importante para ser viver muitos respondem-me "O que é a descoberta de Marie Curie em relação à radioactividade comparada com a música?" é tudo. Nenhum se sobrepõe ao outro. De que adianta sabermos como viver melhor se não temos razões para viver felizes? De que adianta descobrirmos outros universos se não queremos descobrir o que sentimos por alguém? De que adianta prolongar a longevidade se não há nada por que manter a vida? A música é ciência. É matemática. E a literatura também e a arte igual. Retrata, exprime, descobre, explica. Tal como a ciência. Nua e crua.

Eu tenho uma família de letras. Ninguém de família próxima está em saúde ou ciências. São todos letrados, mas com muita curiosidade para áreas diversas e acho que isso foi essencial. Porque abriu-me a mente e deixou-me apaixonar por coisas que a muita gente passa ao lado. Eu quero descobrir e inventar um mundo melhor mas quero também apreciar esse mundo com uma expressão que nenhuma fórmula no mundo conseguirá inventar: criatividade, identidade, vocação. Inspiração. E acho que estes dois lados de mim, tão opostos e trocados fazem de mim um ser humano não só mais completo mas também mais sensível. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

EVENTOS || Urban Trail Sintra

Fotografia da minha autoria, por favor, não a utilizar sem autorização prévia

Juntem desporto com paisagens e cultura e saibam que a Inês vai fazer de tudo para participar. Depois de, em 2012, ter participado no Urban Trail Lisboa, apaixonei-me por esta fórmula mágica desportiva: alguns km, uma prova nocturna e a passagem por sítios emblemáticos da cidade. Em Lisboa não houve entrada em nenhum monumento mas saltei vinte mil vezes quando soube que, na de Sintra, entrávamos na Quinta da Regaleira à noite. Sabem quantas vezes a Quinta da Regaleira já fez abertura nocturna? Zero. Sabem quem é que aproveitou a oportunidade na hora? Eu. Uma oportunista cultural, digamos.
Eu escolhi a caminhada por duas razões: a primeira é porque achei que uma prova de 10km trail em Sintra é dura e não é para maratonistas de ponte ocasionais que fazem 10km a brincar (porque nas pontes é muito mais a brincar do que em trail) e eu não teria preparação para a mesma. E segundo porque em Lisboa quis apreciar imensas coisas que, em corrida, seriam impossíveis e quis usufruir muito mais desta experiência do que apenas fazer bons tempos, compreendem? 

A prova é sensacional. Muita gente diz que esta prova também deveria ser realizada de dia por causa das paisagens e compreendo, mas não anulem a qualidade desta prova de noite. Passear nas Serras de noite (que não é muito convidativo quando és um gato pingado com mais 5 amigos), nos caminhos de Sintra de noite, nos edifícios de noite... Confere um ambiente fantasmagórico, misterioso e bonito que não consegues em nenhuma outra altura. Olhares para o lado e veres o centro de Sintra inteiro no horizonte todo iluminado... Olhares para o outro lado e veres aquelas torres aleatórias pela Serra com candelabros acesos. Isto é mais magia do que a magia pura. Ir pelos caminhos de terra batida com nada mais do que o som do vento a bater nas folhas e a luz do luar a acompanhar (e uma lanterna de mão, caso queiras). Eu gostei do espírito que eles quiserem passar. E a Quinta da Regaleira à noite... Eu não tenho palavras. Os caminhos iluminados ao longo do percurso por pequenas lanternas, as torres a lusco-fusco, as estátuas com um brilho novo e as grutas com um ar ainda mais assustador. Eu vibrei lá dentro, de tal forma que o tempo passou a correr para mim.

Andar pelas ruas desertas, pelos inúmeros Jardins tão desenhados por épocas passadas... É muito mais que uma prova e fiquei feliz por ter escolhido a caminhada. Pude apreciar tudo com muito mais calma. E como os corredores tinham lanternas de cabeça, volta e meia via-se no horizonte um caminho cheio de pirilampos saltitantes a desenhar a Serra. Absolutamente envolvente.

Falando nas provas em si. A caminhada, tal como eu já previa, é de fácil concretização, mesmo para quem não treina regularmente. Tem algumas subidas que nos deixam cheios de calor (estamos em Sintra, que admiração) mas não é nada de outro mundo. São 5km muito rápidos porque têm muitas distracções. Apesar de ser de noite vão ter muitos sítios iluminados estrategicamente, especialmente se passarem por edifícios, o que significa que vão ter muita coisa para ver e apreciar, o que faz com que o tempo passe muito mais depressa do que se só tiverem estrada e um percurso a completar. O staff é fantástico e apoia-vos imenso durante todo o percurso (tanto corrida como caminhada) e fazem um excelente reforço positivo! A corrida é muito dura (tal como eu já previa) e exige alguma preparação e treino em trails. Não recomendo para uma estreia de 10km, vão arrepender-se, mas é uma prova fantástica (passam por muitos mais sítios). Em relação a pontos gerais, há bom abastecimento de água, todos os inscritos têm direito a uma t-shirt reflectora (para nossa segurança) e lanternas de mão. O percurso é sempre muito bem assinalado e há sempre staff em locais mais perigosos (escadas íngremes, onde as pessoas com o escuro e distracção podem cair) e polícia também para garantir a segurança durante a travessia na Serra. Está mais que recomendado, tanto a de Lisboa (excelente passar por bairros típicos de Lisboa e ouvir casas de fado ou passar em ruas que talvez sozinhos não nos íamos arriscar mas que são tão bonitas à noite) como a de Sintra (com todos estes pormenores bonitos para ver).

Se houver uma Urban Trail Nocturna na vossa cidade, vão! Não é só os vossos músculos que ficam a ganhar!

sábado, 24 de outubro de 2015

Inês allez, allez!


Hoje vou estar por aqui e com reforço positivo na meta! Tenho uma secreta paixão por Urban Night Trails, depois explico-vos porquê e conto-vos como correu este e se vale a pena. Mais alguém vai (ou gostava de ir)?

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

PASSAPORTE || Dicas para a 1ª viagem de avião


Um anónimo pediu-me para que fizesse um post com dicas para quem vai viajar pela primeira vez de avião. Confesso que comecei aos pouquinhos a falar de tudo o que me lembro e quando dei por mim tinha um testamento de dicas para o 1º voo e planeamento de voo. Espero que seja útil!

Não descriminar as companhias aéreas low-cost: Há que saber separar qualidade de voo e segurança de voo. Em todo o lado e em qualquer companhia que escolham (aérea, transportes térreos...) vão haver diferenças de qualidade de serviço de uma para a outra. Às vezes até dentro da mesma companhia, há voos mais agradáveis que outros. Há atendimentos mais simpáticos, mais personalizados, voos mais fáceis de suportar, regras de bagagem mais atractivas e tudo isso se inclui na qualidade de voo. Já a segurança? Tem de estar garantida em qualquer voo, de qualquer companhia aérea. Sempre. E, claro, isso inclui-se nas companhias aéreas low-cost, pelo que não faz sentido nem é um raciocínio correcto avaliarem ou questionarem a segurança de uma companhia aérea só por fazer preços mais baratos ou em conta. Se vão ter viagens mais confortáveis e com alguns luxos em outras companhias? Sim. Se há maior probabilidade de o avião cair, a asa explodir ou o assento sair do lugar em comparação com uma companhia aérea convencional? Não.

.Levar um lanche em companhias low-cost: Existem razões para pagarem tão pouco pelo bilhete. O serviço de bagagens é muito limitado e taxativo, os lugares quase nunca são marcados, não há filmes nem pequenos luxos de voo e um deles é o serviço de alimentação e bebidas gratuito nas outras companhias aéreas. Quanto muito deixam-vos escolher entre o chá, café e água. Fim. Tudo o resto vai de encontro a preços exorbitantes onde a qualidade jamais irá compensar o custo. Se vão numa companhia low-cost, levem um lanchinho. Embrulhem uma sandes e coloquem-na na mochila e peçam algo depois à assistente para beber e acompanhar o vosso lanche. De preferência tragam de casa, sai ultra mais barato.

Há aeroportos mais condescendentes que outros: Isto vem, de novo, de encontro com possíveis situações e regras de bagagens de mão. Há aeroportos que deixam passar muita coisa e outros que à mínima coisa vão implicar. Por exemplo, pela EasyJet tens direito a uma bagagem de mão e se fores senhora a uma mala de dia-a-dia. Em Portugal imensos turistas levavam a sua bagagem de mão, mala de senhora e saco de souvenirs. Sem stress. Mas quando voltei para Lisboa, vinda de Milão, mal viram o meu saco de souvenir (exactamente do mesmo tamanho) disseram que ou arrumava aquilo ao estilo Mary Poppins ou era 50 euros para o porão. Conclusão: lá porque num aeroporto são todos tranquilos, não se deixem ficar à sombra da bananeira. Cumpram tudo como se fosse a regra mais exigente do mundo. Se não refilarem, porreiro. Se forem dos duros, não estão a fazer nada de mal. Não se encostem.

Levem pastilhas: Esta eu já referi num outro post de viagens e sei que causou uma polémica enorme porque há quem passe bem e depois outros que não e depois deu uma salganhada em três actos. Mas vejamos desta forma. São apenas pastilhas e sabe-se que o truque resulta na maioria das pessoas. Uma pastilha gorila custa 5-10 cêntimos. Não estamos a falar de aparelhos milionários para os ouvidos, estamos a falar de drageias. Se nunca viajaram de avião, levem. Prevenir vale muito mais do que remediar, certo? Têm algo a perder? Não. É uma excelente dica? Podem crer que é. Salva vidas(=viagens) muitas vezes. Com a subida de altitude os ouvidos vão dar-vos a sensação de entupir e a pressão pode fazer com que chegue a doer. Mascar uma pastilha ou duas no momento de descolagem (aquele movimento de maxilar) faz com que vocês consigam fazer descompressão e não doa. Se vai resultar com vocês ou não, se vai ser preciso ou não é indiferente. Se nunca viajaram, levem e tirem as conclusões no fim. Já assisti a muitas descolagens com passageiros a fazer caras de sofrimento e a mexer nos ouvidos e não me pareceu agradável. Não quero essa experiência para mim e acredito que vocês também não!

Aceitem que há turbulência e que isso é normal: Não há viagem de avião em que eu não veja, quando há turbulência, pessoas a fazer um drama, agarradas às cadeiras como se o avião fosse cair, a respirar como se de uma catástrofe se tratasse! É a primeira viagem e se houver turbulência será uma sensação nova e diferente, mas é normal. Não encarem logo como um perigo eminente e uma falha de segurança. Acontece. Estamos a voar e milhares de pés, pressões elevadas e em condições atmosféricas que nem sempre são as melhores, é normal que a viagem não consiga ter um voo altamente estável. Se o avião começar a agitar um pouco, se as luzes de apertar o cinto de repente acenderem, se vos disserem que estão a passar por uma turbulência, acalmem-se. Relaxem. É como um carro a passar uma lomba ou um buraco. Faz parte. Se vos enjoar ou deixar-vos ansiosos, fechem os olhos, agarrem a mão de alguém e respirem com calma. Sem dramas gente!

Não tirem o cinto, mesmo quando a luz está apagada (!!!): Durante a descolagem estão uns 10 minutos com a luz do cinto acesa, ou seja, não o podem tirar. E quando a luz apaga, é ouvir a sinfonia de clicks de pessoas a tirar o cinto. Não o faças. Folga um pouco o cinto se quiseres mas não o tires porque, apesar de estares no ar, nunca sabes quando poderás apanhar uma turbulência mais intensa ou um imprevisto que implique medidas rápidas do piloto e agitação de banco. E lá vai a tua cabeça contra o banco da frente e os teus dentinhos, ou pior, projecções. Parece extremista, mas os acidentes acontecem por coisas tão parvinhas quanto estas. O meu padrinho é comandante, o meu pai farto está de viajar. Nunca na vida os vi vacilar com o cinto. Apenas para saírem do assento. E mesmo quando o avião tiver aterrado e só estiver a estacionar, não tires o cinto. Podem haver travagens bruscas. Relaxa com o cinto.

Não levem acessórios em excesso no corpo: Ou se possível não levem nenhum. Vão ter de tirar quase tudo para passarem na revista e alguns apitam e é uma salganhada. Empatam tudo para voltarem a pôr os acessórios de volta. Deixem os colares, brincos, pulseiras, anéis e relógios para o turismo e vão mais "despidas" para o avião.

Levem calçado que se remove facilmente e calças que não sejam muito justas: Há aeroportos que vos vão pedir para tirarem os sapatos e passarem no detector de metais descalços. Convém então que levem um calçado que facilmente possam tirar a qualquer momento e calçar com a mesma facilidade, sem empatarem tempo. As fivelas, atacadores são um pouco dispensáveis nestas alturas. Dêem preferência a fechos ou a sapatos sem fecho sequer. Outra vantagem disto é durante a viagem. Vão sentir as pernas pesadas da pressão sanguínea afectada pela pressão atmosférica (daí o meu conselho para não levarem calças justas, vão sentir as pernas inchadas e apertadas). Descalçarem-se durante a viagem é um grande alívio e um grande conforto. E vão querer um calçado que facilmente podem tirar num mini-espaço e calçá-lo no momento a seguir, no meio do alvoroço da aterragem.

Esperem até toda a gente sair do avião para se moverem: uma viagem de avião é como o metro em hora de ponta vezes dez. As pessoas enlouquecem e querem ser as primeiras em tudo, a tirar a bagagem, os filhos, os casacos, as coisas, as 15 almas que deixaram debaixo do acento. Querem ser as primeiras a sair do avião, a fazer tudo, estão fartas de estar há horas sentadas, têm urgência em sair dali. E num pequeno corredor, as pessoas amontoam-se após a aterragem, ficam coladas umas às outras, algumas até aprisionadas nos próprios assentos porque a saída está impedida. Conselho? O avião aterrou? Óptimo, deixa-te ficar sentadinha. Deixa as pessoas tirarem tudo, atropelarem-se, empurrarem-se. Deixa-as ir. Quando começar a esvaziar, levanta-te com calma e começa a prosseguir. Não vais estar a perder nada e poupas irritações. Uma viagem é supostamente algo divertido, certo?

Não tires a tralha toda da mala de mão até a descolagem estar completa: A não ser que sejam headfones ou um livro, não tires tuuudo o que queres usar durante a viagem (comida, jogos, etc) antes da descolagem. Primeiro, porque está uma confusão de pessoas a tentarem arrumar as coisas e não vai dar jeito nenhum. Segundo, porque tens uma carrada de assistentes de bordo a confirmar se tens o cinto posto e a mesa levantada e não vais ter sítio para pôr tudo. Senta-te com poucas coisas e aproveita a descolagem. Quando o sinal do cinto apagar, vai então buscar o que queres e usa a mesa (e volta a pôr o cinto).

Não bebam bebidas com gás: Estamos a falar de pressões atmosféricas e de altitudes diferentes das que o nosso organismo está habituado. Evitem, por muito que queiram, bebidas com gás. O organismo reage mal e vão acabar com uma barriga muito inchada e possíveis mazelas gastro-intestinais que não desejam numa viagem (muito menos de for romântica). 

Levem dispositivos de música com boa potência de som: Algo com volume astronómico. A turbina do avião será um barulho constante durante a viagem toda e vão ouvir mal, a vossa voz vai soar mal e parece que estão dentro de uma redoma. Se não têm algo com uma boa potência de som, chances are, não vão ouvir o mínimo som de música no vosso aparelho.

Oiçam SEMPRE as regras de segurança: É a primeira viagem e vão aprendê-las. Mas na segunda é para as ouvir com a mesma atenção que da primeira. Nos acidentes nunca temos a cabeça fria, portanto, quanto mais entranhada uma ideia estiver na memória, mais fácil é de te lembrares de a executar num momento de pânico.

Calma com a febre das janelas: Sim, nós sabemos que queres ir à janela. As fotos lindas que vão bombar no Instagram... Mas nem sempre o bilhete calha numa janela e, se calhar a um familiar e amigo teu, acalmem-se com as trocas de assento e diversos. Já não é a primeira vez que estou no corredor empatada porque uns caramelos estão a discutir no meio da passagem qual o seu lugar e quem vai e quando trocam. Sentem-se onde têm de ficar e façam as trocas depois da descolagem. Há vistas para todos (mesmo se estiveres no segundo banco).

Por amor de toda a glória de Deus... Não batas palmas no fim da aterragem: É foleiro, é brutalmente pindérico e nenhum comandante na História das companhias considera isso um sinal de apreciação, muito pelo contrário. A aterragem foi boa e segura? Perfeito. Não precisas de bater palminhas, o piloto sabe que foi boa.

Quero só aproveitar o facto de este ter sido um pedido satisfeito para referir que eu tenho tomado registo dos pedidos de posts que me fazem. Há alguns que já foram há algum tempo (review sobre o Iphone 6 plus e room tour, por exemplo) mas ainda não os fiz porque ainda não sei bem como os quero fazer e como quero que fique, e quero que os meus posts sejam bem pensados. Mas por outro lado, há imensos pedidos que vocês me fazem (especialmente da Faculdade e praxe) de posts que eu já escrevi e que facilmente confirmavam isso com uma simples e rápida pesquisa de separadores. Eu adoro e suplico que me dêem pedidos e sugestões de posts - adoro mesmo e aceito, façam-no, please! - mas não peçam coisas que já tenho montes de posts feitos sobre. Os minutos que perdem a escrever-me a pedir são os minutos que bastam para os encontrar. E sempre que me têm pedido algo que já escrevi, deixo-vos a resposta nos comentários com link desse post, é só acederem. Outro pedido: se me querem enviar algum e-mail (como tem acontecido), simplesmente enviem-no, está ali o contacto ao dispor para usarem e abusarem, não se acanhem, não precisam de perguntar se podem enviar um e-mail! Obrigada pela vossa atenção e espero que o post seja útil. Bons voos!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

FACULDADE || Contexto


Existe um caldeirão (aposto que 90% dos Universitários leu "cadeirão" mas nããããooo amigos, deixo-vos isso para o vosso programa académico) cheio de sentimentos opostos, complexos e intensos quando se é finalista. Há de tudo em cada colherada; A felicidade de chegarmos a uma nova etapa académica, a nostalgia de todos os anos passados. A vontade de querer ficar nesta rotina mais uns tempos e o alívio de essa mesma rotina estar quase a acabar, por outro lado. O medo do que vem aí e um desejo enorme de o enfrentar.

Mas eu sinto que toda esta mistela de sentimentos acontece porque só queremos sentir isto assim neste contexto. Porque queremos viver tudo mais um bocadinho... mas neste contexto. Porque queremos terminar vitoriosos e sorridentes... mas neste contexto.
Eu sei que sairia muito infeliz e derrotada se ficasse cá mais um ano. Pode acontecer, claro, a vida prega partidas... Mas não iria sentir-me muito feliz com isso, mesmo que no dia-a-dia diga que não gostava que acabasse já, que ainda é cedo... Eu gosto do que estou a viver porque estou a vivê-lo no meu tempo. Com estas pessoas. Com estas rotinas, estas horas, estas expectativas, estes professores, estes programas de avaliação e estes programas de cadeiras. Eu gosto disto porque estou no meu timing certo de praxe, porque em 2016 supostamente termina. É este o contexto, é esta a minha história, o meu capítulo. Manter-me aqui seria apenas tentar prolongar um sabor que já não seria o mesmo. A vontade já não será a mesma, as pessoas também não e tudo muda. Não é da Universidade que sentimos saudades, embora o edifício, as esplanadas e as salas sejam muito incríveis. É dos momentos que aquelas pessoas na Universidade nos proporcionaram. 

Eu nunca vou compreender alguém que quis ficar na Faculdade porque não se queria Licenciar já. É querer manter uma festa que já acabou há muito e já só há copos vazios de plástico no chão e restos de balões rebentados por apanhar. Quando a minha festa acabar vou chorar baba e ranho, vou ter saudades, vou desejar que houvesse outra igual (mesmo sabendo que não vai haver). Mas vou embora. O meu tempo de festa foi este. Agora é altura de abraçar os que ainda estão a aquecer a pista e partir para novas festas que, também elas, vão deixar saudades. Cabeça erguida e um sorriso cheio de memórias. Só assim funciona em pleno.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

PASSAPORTE || Disneyland


Quem me conhece sabe que tenho uma paixão assolapada por Disney. Não importa a idade, eu sei que vou ter 80 anos e delirar com os filmes da Disney e gostava tanto, mas tanto de voltar à Disneyland... Penso nisso sempre que vejo um anúncio sobre as suas novas atracções (que já são muitas que estou a perder). Acho que fui lá com a idade certa. Não era demasiado nova, tinha 10 anos e acho que antes disso é um desperdício, é violento e é infrutífero e absurdo. Não vamos criar memórias fortes porque somos demasiado novos, metade das atracções não podemos participar porque ou não temos idade ou não temos altura e é demasiada coisa a acontecer, demasiadas coisas, demasiado para andar, daí considerar violento, o que devia ter o efeito contrário.

Lembro-me de quase tudo quando fui lá com os meus 10 anos. Lembro-me de andar umas quatro vezes na atracção dos piratas (que depois inspirou o filme dos Piratas das Caraíbas e não o contrário. Sabiam esta? Ou seja, eu adorei a atracção dos piratas antes de fazerem um filme que ia adorar!!!), de os meus pais terem escolhido dias da semana para ir à Disneyland porque não haviam filas (a única fila que tive foi para ter um autógrafo e foto com o Mickey, de resto estava sempre tudo vazio), de delirar com a Mansão Assombrada (outro filme que adooooro ver nesta época), de gostar das masmorras do castelo porque têm o dragão da Bela Adormecida numa gruta e que deita fumo pelo nariz...

Adorava lá voltar porque eu acho que a Disneyland é como o Principizinho: devemos vivência-los com diferentes idades. Eu sei que, se lá voltasse hoje, a minha interpretação, a minha excitação, as minhas memórias iam ser completamente diferentes de há 11 anos. Não quer dizer que viessem a ser melhores ou piores, ou que fosse viver mais ou menos. É só diferente e ia gostar tanto de uma experiência como da outra.

Especialmente quando o número de atracções aumenta tanto e ficou tanto por ver, apesar de ter ficado 3 dias inteiros na Disneyland em 2005, em pleno resort, com tudo o que tive direito. Entrava lá de manhã e jantava nos restaurantes todos temáticos do resort. No Rei Artur, um deles tinha uma selva (cheia de palmeiras e floresta dentro do restaurante e o corredor da casa de banho tinha uma parede com uma cascata de água que separava o hall das casas de banho da zona de refeições. Gostava de ir lá e passear de novo pelas ruas, comprar lembranças novas, visitar as diversões dos filmes mais recentes e acabar o que estava por ver. 

Não é um desejo de primeira linha a nível turístico. Tenho inúmeras cidades e parques temáticos que quero ver e estrear. Mas a Disney é sempre a Disney e qualquer momento é bom para visitar o seu parque, qualquer oportunidade é perfeita para ver a enorme avenida até ao castelo e qualquer época é excelente para corrermos para arranjar um bom sítio para ver as paradas lindas, elegantes e coloridas que passam a horas definidas. Convidem-me que eu já tenho as malas feitas. Paris ou Califórnia, não sou esquisita.

sábado, 17 de outubro de 2015

ISTO É TÃO INÊS || Olá 21!


Não sei sequer o que ainda dizer... Sabem quando têm um momento tão bom, intenso e preenchido que faz com que vocês ainda não sintam que acabou? Sinto-me assim. Talvez o texto saísse melhor daqui a uma semana, mas eu quero cumprimentar-me e balancear o meu primeiro dia com 21 anos hoje. Neste momento. Mesmo que ainda esteja "hipnotizada" por todos os momentos maravilhosos.

Foi como sempre sonhei. Eu vou dar aqui um toque de realidade; De há uns anos para cá os meus aniversários (o dia em si) não corriam bem. Havia sempre qualquer coisa no dia ou algum momento que me fazia chorar ou ficar triste/desiludida com algo. E então desde uns aninhos tenho sentido ou expectado este dia com um gosto agridoce: queria que chegassem os meus anos (porque eu gosto de fazer anos, não tenho qualquer problema em admiti-lo) mas sabia ou tinha medo que a previsão de que algo ia correr mal estivesse certa. Ainda assim sempre fui uma miúda optimista (ansiosa, mas optimista) e sempre consegui retirar, em toooodos os aniversários momentos maravilhosos. Mas é de um alívio e gratificação tremendos, sem explicação, quando posso dizer que este aniversário esteve perfeito. Eu não pedia mais que isto. Não houve absolutamente nada que me deixasse triste, desiludida, preocupada. Quebrei uma "maldição". Foi como sempre sonhei. 

Senti-me bonita neste dia, mesmo que estivesse igualzinha aos outros todos, senti-me bonita e especial. Recebi as mensagens mais ternurentas e as chamadas mais dedicadas. Arranjei-me, tive direito a escolher onde iríamos almoçar, onde iríamos passear. Tudo aquilo que eu gostava de fazer era feito. Isto é muito inédito para mim porque eu coloco sempre os outros à frente; Eu preocupo-me sempre com o que os outros podem gostar, preferir, querer. Eu garanto que o desejo de alguém é primeiramente satisfeito. Eu sou assim. E o meu aniversário é o único dia em que eu me permito meter à frente, sem arrogâncias, mas à frente. E saber que consegui cumprir tudo o que gostava de fazer no meu aniversário sem perturbar o espaço e desejo de outros foi uma missão que me deixou de sorriso rasgado.

Tive a surpresa mais querida do Diogo. O plano todo que ele engendrou para eu receber os seus presentes, primeiro uma surpresa, depois outra, a sua dedicação em todos os pormenores (até no embrulho ele pensou em tudo!!!), as suas palavras incríveis e o seu empenho por fazer o meu dia ser ainda mais perfeito foi impagável, em todos os sentidos e detalhes. Ainda hoje não sei como lhe agradecer todas as coisinhas que me fez, todas as coisas que me disse e todas as maravilhas que me ofereceu. Deste dia nem consigo guardar muitas fotos decentes porque 90% delas sou eu a chorar de emoção e surpresa!

Eu não quis uma festa, eu fiz questão não fazer nenhuma festa. Eu não sou uma pessoa de grandes festas e jantaradas, é muita confusão para mim. E ser anfitriã deixa-me ainda mais ansiosa. Ter um aniversário já me deixa com as sensações à flor da pele e ter muita coisa para tratar não me alicia. Não queria fazer listas de convidados, não queria ter de pensar em 300 alternativas, não queria álcool em excesso nem jantar mal porque estava de um lado para o outro a saltitar em mesas para integrar pessoas ou perguntar se estava tudo bem e fazer ambiente. Eu sou péssima a fazer isso e os meus amigos mais chegados sabem-no. Eu gosto de coisas tranquilas, eu gosto de ter efectivamente tempo para receber os meus amigos. Eu prefiro agora na próxima semana encontrar-me com quem não pude ver no meu aniversário e tirar as horas que forem preciso para dar atenção a esse pequeno grupo de pessoas, a cada uma, como merecem. Eu prefiro conseguir de verdade fazer uma conversa e ouvir as novidades sem ter milhões de coisas em que pensar. É a minha forma de ser e, por isso mesmo, quando me perguntaram o que queria fazer nos meus anos eu simplesmente respondi "Eu quero a minha família". Porque estiveram lá e estão agora. Porque nunca, nunca, me deixaram na mão. Porque estão cá para fazer a festa e bater palmas e estão cá para me limpar lágrimas no rosto, dar a mão a momentos de coragem e animar-me com os meus pratos de comida favoritos. Era com eles que eu sempre soube, há meses atrás, que queria festejar o meu dia, em família. Não é em vão que me dizem que sou uma miúda muito, muito familiar. E assim foi. Pude escolher tudo o que queria na minha ementa de aniversário (escolhi cada refeição a dedo! Mas o bolo será sempre o de Chocolate Delicioso - que estou agora mesmo a comer! -), pude receber os meus familiares e o meu namorado numa mesa bonita, aturar o João e o Diogo enquanto me faziam partidas e tropelias, abraçar a minha mãe a qualquer momento e dizer à minha avó que o arroz estava maravilhoso. É aquilo que mais me preenche: a mesa cheia com pessoas que me conhecem em primeira linha. Que conseguem de mim os mais abertos sorrisos e uma paz interior indescritível.

Dos 20 eu guardo muitas coisas incríveis. Determinei ainda mais quem quero ser, o que quero fazer e trabalhei por mim, pela minha auto-estima e sucesso. Ganhei um pouco mais de confiança em mim, e esta batalha é a que melhor guardo. Sinto que estou cada vez mais perto da mulher que ambiciono ser. Apreciei com maior gratidão todos os actos de bondade que vivi. Eliminei pessoas e momentos tóxicos da minha vida, o que garantiu uma paz interior ainda maior e contribuiu para melhorar a minha ansiedade. Vivi momentos incríveis e de grande, grande amor, venci difíceis etapas académicas e saboreei tudo como se fosse a minha última fatia de bolo. Fechei o meu último dia com 20 anos na mais pura das felicidades para entrar nos 21 ainda mais feliz do que pensava ser possível.

Resta-me agradecer, mais uma vez, aliás, todas as vezes que forem possíveis. Agradeço desde já a todos vocês, meus leitores, que deixaram mensagens para mim. Eu li cada uma delas com o coração cheio. Obrigada por tirarem um tempinho para dizerem coisas tão bonitas, obrigada por me terem feito sentir tão especial. Obrigada aos meus amigos que me fazem sentir uma super mulher, uma super amiga, nestas alturas (e em muitas outras). Obrigada Diogo, por me teres feito sentir a mulher mais bonita, mais feliz, mais realizada deste mundo. Obrigada família por fazerem este dia valer por muitas mais horas do que as 24 que tenho ao dispor. Obrigada mãe. Porque o dia começou, há 21 anos, do teu lado.

Há muito tempo que sentia que merecia um dia assim, feliz. E eu fui, muito, muito, muito feliz. E espero continuar a sê-lo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015


Hoje é o meu dia!... Proooonto, e da Alimentação também. Parabéns para mim!!!

sábado, 10 de outubro de 2015

FACULDADE || A Última Recepção


Mesmo desconhecendo o que o futuro do meu semestre, do meu estágio ou até da minha Licenciatura me reserva, estas foram as minhas últimas semanas de recepção ao caloiro da minha Licenciatura. Fiz por ir a todos os dias e gozá-los como se fossem os últimos, porque eram. E senti-me eternamente nostálgica durante todos os minutos.

Tivemos muito menos caloiros do que nos anos anteriores (os media e os pais não ajudam) mas gozei cada segundo com este grupo, que foi impecável, divertido, esforçado e empenhado. Este ano quis curtir a valer uma das actividades académicas que mais adorei fazer. Por isso praxei, disciplinei, diverti-me a dançar e saltitar entre eles enquanto cantavam as músicas do curso, ensinei-lhes todas as canções, expliquei-lhes tudo sobre o apadrinhamento, chinelei pelo campo fora com os meus sapatos de traje (que já estão largos e estragados do uso) e gritei o mais alto que pude todas as músicas. Acabei esta semana com a voz tão inexistente como no meu ano de caloira, coisa que até à data não se tinha igualado. Tracei a capa mesmo com um calor infernal, apareci às oito mesmo quando, ao sair de casa, ainda era noite cerrada. 

Não vos sei explicar como é estar nesta posição quando sabemos que é a última vez, mas senti o traje agora mais do que nunca e todos os momentos foram intensos para mim. Foram marcantes. Parece que tudo tem mais sabor e é melhor aproveitado e mesmo assim sinto que podia ter feito tantas coisas mais e não fiz pela falta de tempo e recursos. Não contava ser Madrinha. Eram muito poucos para taaaaantos trajados disponíveis e considerei que, no meio de tanta escolha possível eu não fosse opção e iria passar despercebida.

A Baixa-Chiado inundada com os nossos gritos de curso ensurdecedores. Uma das ruas mais movimentadas de Lisboa parou para nos ver descer, trajados e caloiros, todos a gritar os cânticos de curso. Nada mais se ouvia a não ser a nossa voz e as pessoas juntavam-se para nos ver passar. As capas negras à volta da fonte do Rossio a contrastar com o branco da calçada e o som da fonte atrás de mim. Os salpicos na nuca que aliviavam o calor que sentia nas costas pretas do Sol que fustigava-me o casaco. Olhar para a Vanessa emocionada por, após três anos, eu acabar da mesma forma que começámos: juntas. Lado a lado. Com um sorriso gigante nos lábios e os rostos mais limpos do que em 2012.

Só tivemos dois rapazes (corajosos) na nossa praxe e um deles correu para a minha capa de carta verde na mão. Acho que, para sempre, ele irá lembrar-se deste momento como eu ficar boquiaberta de espanto. No ano passado a experiência foi incrível e emocionante e senti que este ano não ficaria abalada se ninguém me escolhesse, pelas mesmas razões apresentadas em cima. Mas enganei-me. O peso da emoção foi precisamente igual ao do ano passado e, embora não tenha chorado (quando são momentos demasiado emotivos, com muita coisa a acontecer e muita gente a ver eu tento controlar-me) ele entregou-me a carta com um sorriso gigante nos lábios e os meus dedos tremiam a tentar abri-la com cuidado sem rasgar. Não conseguia controlar as mãos com o nervosismo. Toda eu tremia de emoção pela nova responsabilidade, tal como tremi quando os meus primeiros afilhados correram até mim. 

Apadrinhar é a maior responsabilidade que levamos connosco na Faculdade. É saber que já não estamos sozinhos a guiar-nos mas a guiar outros também. É ser um pilar mesmo que eles nem imaginem que nós temos imensas inseguranças também. E sei que ser Finalista e Madrinha vai exigir muito de mim. Especialmente pelo novo membro que entrou e tem tantas cerimónias por participar, nas quais conta com a minha presença e entrega. E quero que ele conte com isso porque o merece, como todos os seus irmãos mereceram e como eu mereci da parte do meu Padrinho.

Ontem eu conheci o meu último Afilhado de Licenciatura e assim termino a minha família. Independentemente do que acontecer no futuro, eu quero terminar o meu ciclo de praxante este ano lectivo e, assim, conto com uma viagem extraordinária acompanhada de 5 miúdos maravilhosos que me fizeram rir, chorar baba e ranho e desdobrar-me em 15 para os ajudar. E são tão bons miúdos, tão dedicados e extremosos que merecem tudo de bom desta vida académica, que ainda agora está a começar para eles.

Ontem eu baptizei-o com a maior inveja do mundo: ele estava prestes a começar. E o meu maior desejo do mundo é que ele tenha um percurso tão extraordinário como eu estou a ter. 
Termino a minha última recepção ao caloiro com um sorriso gigante nos lábios e babada até Bragança por estes 5 filhotes. E Padrinho, espero que estejas orgulhosa da tua última Afilhada de Licenciatura.

Imagem

WEB || Life is what?


Eu tenho uma perdição por imagens que dizem tudo ou que me arrancam um sorriso dos lábios. E se, junto com mensagens felizes vêm imagens para lá de amorosas, eu derreto mais facilmente que um Magnum no deserto. 

E é de tudo isto que o Life is what se trata. Mensagens simples, apenas isso. Porque é preciso. Porque por vezes estamos tão ocupados a dramatizar as mil tarefas que temos para fazer ou a tornar uma pequena complicação numa gigante catástrofe que nos esquecemos das pequenas coisas e maravilhosas da vida. Adoro ver as suas mensagens aparecerem no meu feed e sei que, quando visito a página, saio de lá mais leve. Deixo-vos aqui as minhas favoritas:

terça-feira, 6 de outubro de 2015

VÍDEOS || A 100 dias do de 2016, assim foi o de 2015


Todos os anos, por volta desta altura ou do Natal lançam o vídeo com o resumo inteiro do Carnaval e embora eu nunca apareça nestes vídeos (porque é a última coisa em que penso, porque 1,64m no meio desta multidão não se vê e porque eu na altura em que eles estão a gravar ainda estou a pintar 15 matrafonas e a jogar cluedo com gente bêbeda) é das coisas que mais aguardo ver e que me preenchem. Para quem está de fora isto é muita brincadeira, ousadia, máscaras e parvoíce mas para mim é algo muito local, é da minha terra, é algo com que cresci.

Esta é uma altura em que estamos apenas lá para nos divertirmos, rir imenso, dançar músicas ridículas e comentar o monumento e os carros. Reparem que este evento tem milhares de pessoas todos os anos e é reportado todos os anos nas notícias e é raríssimo acontecerem tragédias, actos de violência ou abusos porque as pessoas não estão lá para arranjar confusão mas sim para se divertirem a serem o que quiserem nessa noite. Estranhos abordam-vos sem maldade apenas para vos dizerem que o vosso fato de carnaval está muito bem pensado, velhinhas com netos param-vos a meio para perguntarem como é que fizeram o tutu para ela fazer igual para a neta no próximo ano, as matrafonas seduzem-vos e dizem-vos adeus no mesmo momento e as pessoas querem tirar fotografias com os melhores mascarados. Todos sabem as músicas de cor e o evento vale muito mais do que uma noite de bebedeira fácil. 

Se ainda não foram ao Carnaval de Torres ou se só passaram por lá aos 5 anos para ver o corso, agendem. Façam isso por vocês, por mais tonto que seja o evento. Vocês vão guardar memórias incríveis. E, se possível, vão com Torreenses e façam o Percurso do Castelo com eles. Por mais que me digam que o de outras regiões é que é bom, eu jamais vou acreditar. Não são. Não têm a essência do Carnaval de Torres. Somos inigualáveis e o vídeo prova isso.

Para quem se pergunta porquê tantas demonstrações afectivas, não se esqueçam que este ano o tema do Carnaval de Torres foi o Amor, daí as máscaras e o foco no afecto. Pessoalmente guardo com muito carinho este Carnaval, mais que todos os outros que vivo desde que tenho 4 mesinhos. Por todas as razões e mais algumas.

FACULDADE || Inês, a investigadora!


Estou tão contente e expectante com o tema do meu Projecto de Investigação! Acho o tema muito actual e pouco explorado! Não quero avançar aqui ainda muitos detalhes sobre o que vou estudar e investigar mas sei que vai exigir de mim muito trabalho, organização e pesquisa. Tenho já muitas metas definidas para cumprir e os próprios professores e orientadores são apertados no controlo (como só assim faz sentido). 

Mas fico mesmo muito feliz porque é algo que me diz respeito e que sempre tive curiosidade em saber e que agora posso encontrar as minhas próprias respostas! É sobre uma área que eu sei que, se for rigorosa nas minhas pesquisas e execuções, pode ser útil para mim e para milhões de pessoas como eu. E estou ansiosa por conseguir fazer tudo e assustada com a ideia de poder não preencher as expectativas (académicas e as minhas próprias expectativas).

Quando entrei na faculdade tive o mesmo sonho que quase toda a gente que para lá entra: fazer a diferença no mundo, por mais mínima que seja. Descobrir um tema sobre o qual eu posso fazer uma enorme diferença em milhares de pessoas deixa-me emocionada e com coragem para as horas de trabalho que aí vêm. Acima de tudo, sei que escolhi este tema para cuidar de mim também. Estou pronta.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

APP || Piano Tiles 2


Pouco ou nada vos trago neste separador, jogos porque rapidamente me farto de todos e este vai ser um deles, mas para já gosto tanto que não resisto em partilhá-lo. Há mais de um ano conheci a primeira versão, cuja a regra é a mesma da nova versão: só tocar nos quadrados pretos e não tocar nos brancos. Só que a primeira versão era primordial, sem música e aborrecia-me, tal como me aborreço facilmente com este jogo se não tiver o som ligado. E porquê? Porque a nova versão traz música (clássica nomeadamente) e cada tecla preta que carregamos é a tecla de um piano.

O jogo faz-me lembrar um Guitar Hero muito rudimentar... Um Piano Hero, se quiserem. E tem músicas que já conheço de coração, então divirto-me a jogar e a tocar. É por níveis e cada nível apresenta-vos três músicas novas para tocarem e obterem pontuação. Divirto-me tanto com isto, não resisto!

Já conhecem? Jogam ou não suportam (é compreensível)?


domingo, 4 de outubro de 2015

MUNDO || Livre


Estava na entrada da minha adolescência quando a minha avó, que lá em cima olha por mim, contava-me a memória da primeira vez que votou (ou que pôde votar). Tanto ela como a minha mãe sentavam-se juntas no sofá e falavam sobre essa memória, tão viva na cabeça de cada uma, à sua maneira.

Eram tempos diferentes. As mulheres pela primeira vez podiam votar, dizia-me, mas ainda havia muito a cultura do homem. As mulheres não podiam trabalhar sem autorização dos homens, as mulheres não podiam viajar sem a autorização dos homens e só os homens votavam. Por isso, quando as mulheres foram livres de votar, sentiram-se numa estreia, viravam-se para os maridos e perguntavam como se fazia, perguntavam em que partido iriam eles votar. A minha avó já tinha a minha mãe (a mais nova dos três) e só então votou pela primeira vez. Não é uma estreia de miúda de 18 anos a votar pela primeira vez!!! Era mulher já feita, com filhos criados a perguntar como se faz.

Imaginem-se só votarem lá para os 30 e até lá viverem miseravelmente em conta dos resultados dos homens, dos outros. Não acham revoltante? Quando ela me perguntava isto eu ficava vermelha de revolta. Depois contou-me que, no dia de voto, a fila de mulheres era interminável. In-ter-mi-ná-vel. Dava curvas, as pessoas metiam-se na fila de manhã e só chegavam à urna à tarde. À TARDE! E quantas delas arredaram pé? Nenhuma! Aguardaram o tempo que foi preciso para exercerem pela primeira vez o seu direito. E eu acho isto emocionante e lindo, acho mesmo.

Chamam-lhe o Primeiro Dia de Igualdade e é dedicado a estas mulheres, sem dúvida. Num dia em que contam com um grande número de abstenção, eu penso o contrário, ou tenho de pensar! O meu conselho estava a abarrotar de pessoas e o de outros também. Só pode significar um acordar do país que finalmente dignifica este Primeiro Dia de Igualdade. Ficar sentado sem votar não é sinal de revolta, de desistência, impotência ou mensagem. É uma completa falta de respeito por todas as mulheres que lutaram, foram torturadas, vou repetir para ver se isto entra na cabeça de todos TORTURADAS(!) para um dia terem o direito a eleger o rumo do país. É uma falta de respeito por todas as vossas avós que se emocionaram por finalmente terem voz, palavra e poder de decisão. É um privilégio que deitam fora e vulgarizam como se a vida e os direitos e deveres da mesma fossem garantidos quando não o são. Não se trata de partidos nem dos seus programas nem de quem dá a cara por eles. Trata-se de algo que, no passado, levou suor e sangue para conquistar.

Este tipo de conquistas não se desperdiça. Nem pelo tempo, nem pelas caras dos partidos nem pelos filmes de Domingo à tarde. Façam, literalmente, qualquer coisa pela sociedade (de agora, do futuro e com alguma deferência pela do passado).

sábado, 3 de outubro de 2015

TAG || Fall Favorites


Nas minhas viagens pelo youtube encontrei uma TAG giríssima chamada Fall Favorites. Foi durante essas pesquisas que descobri que também existe uma Fall Tag. Ambas são diferentes e tanto numa como noutra existiam perguntas que não faziam sentido para mim responder, por isso decidi pegar nas duas e fazer a minha própria TAG à qual vocês estão mais que livres de fazer também (e porque eu adoro ler estas coisinhas!!!)

MUNDO || Ensino e conhecimento


Todos os anos fala-se da mesma coisa, do ensino português, da qualidade do ensino nórdico, do desinteresse geral por parte dos alunos em relação à escola e isso realmente faz-me confusão porque cada vez mais a geração mais nova (e muita gente da minha, não se deixem enganar) não tem a mínima noção disto, que eu espero que entre na cabeça de toda a gente:

O ensino, a oportunidade de conhecerem mais, é um privilégio.

É precisamente o que estou a escrever. O facto de vocês estarem agora apinhados de trabalhos de casa, trabalhos de faculdade, datas de frequências é um dos maiores privilégios da vossa vida. Porque mais de metade do mundo não o tem. Porque muita gente da nossa idade não pode fazer o mesmo, não pode ter o direito a ser ensinado, a trabalhar para uma possível carreira profissional. Eles nunca saberão tanto como nós e só o facto de podermos, todos os dias, sentar-nos e aprender mais devia ser algo a que devíamos estar gratos porque não é uma obrigação, não é um aborrecimento, é a maior sorte que têm na vida. Entrarem no curso que sonham na faculdade vale ouro e deviam lembrar-se disso toda a vez que se queixam de acordar cedíssimo para lá ir. Eu também me queixo mas rapidamente me arrependo quando o faço, sinto-me absolutamente ridícula quando o faço porque tenho a sorte incrível de poder ter um sítio onde aprender e ter o dinheiro para pagar. Ao contrário do que dizem, o ensino (infelizmente) não é para todos e devíamos lembrar-nos disso mais vezes. 

Eu penso imenso nisto quando vou para a Faculdade. Cada vez que passo aqueles portões gigantes, o túnel e entro numa sala para ter mais uma aula que garante um passo à frente para aquilo que quero fazer, por muito trabalho e ansiedade que exija de mim, é o maior privilégio que vou ter na vida. Existem por este mundo fora génios dos mais variados temas, cientistas que descobririam as curas das mais macabras doenças, músicos que estão por ler a minha alma, matemáticos e físicos que desvendariam o que agora parece impossível e nunca terão ao seu lado um lápis, um guia e um mentor para essa magia acontecer.

Pensem nisso.