quarta-feira, 30 de julho de 2014

DESPORTO || Treinar a Sede


Em Novembro do ano passado fui jogar com a minha equipa para o pavilhão da equipa que nos íamos defrontar mas, como chegámos cedo, acabámos por apanhar o treino que ainda estava a decorrer com miúdas (máximo 14/15 anos). O nome do clube não interessa. 
O treino foi intenso e duro e nós próprias tínhamos pena das miúdas que penavam. Umas já nem conseguiam correr. Mas faz parte. O que não faz parte foi, quando elas foram dispensadas e começaram a caminhar para os seus bebedouros e garrafas de água o treinador gritar "Não há água para ninguém! Isto é um deserto! Continuem a andar!"

Imediatamente saí de perto da minha equipa e perguntei ao adjunto há quanto tempo as miúdas não bebiam água. Claro que fui mal recebida e ainda me perguntaram o que tinha a ver com isso. Mas percebi que não beberam durante o treino inteiro.

Este assunto perturbou-me durante estes meses todos até, no passado fim de semana, estar na praia e reparar que estava a decorrer uma prova de Ultra-Maratona. Ou seja, uma prova de 40km na praia. Os atletas passavam por nós mortos e acabados e um deles viu que estava a retirar uma garrafa de água da geleira. Perguntou-me imediatamente se podia ficar com ela e nem pensei duas vezes em oferecer-lha. Perguntei até se queria levar outra mas recusou, agradeceu e disse "Isto é ouro". Cinco minutos depois tinha uma mulher da organização (que vinha de 4x4) perguntar-me porque raio eu tinha dado água ao atleta. Fiquei atónita. "Ele reclamou ter sede, era o mínimo", respondi. E ela diz-me que não podia dar água aos atletas por esta ser uma prova de auto-suficiência. "Os atletas só podem beber água nas estações próprias. Têm de conseguir aguentar e treinar a sede".

Vamos esclarecer-nos: não se treina para ter sede e se os vossos treinadores, professores, PT's não vos dão a oportunidade de beber água a meio de um treino intenso, estão a querer matar-vos. Não há sede que possa ser treinada e podiam estar meses a tentar resistir a conseguir beber água a meio de um treino que isso não iria mudar. Sede é um estado fisiológico que não têm como fugir. Se a vossa hormona dá sinal de que têm de beber água, não há treino nenhum na vida que faça com que ela deixe de sinalizar, porque é para isso que ela serve: ligar quando tens sede. Desligar quando bebeste água. Ponto final.

Além de que beber água é dos pontos mais importantes, senão o mais importante do vosso treino: a água reequilibra a vossa hidratação (perdem muita água com o suor), a água equilibra a vossa temperatura (termoregulação) e ainda repõe electrólitos (que previne as cãibras). Sem água vocês estão sujeitos a um passe gratuito para se sentirem muito, muito mal.

Portanto, não há auto-suficiência aqui porque vocês não podem regular isto. Especialmente durante um exercício. E irrita-me estes fundamentalistas ridículos que metem miúdas de 15 anos a deitar os bofos sem poderem beber água durante uma hora e meia de treino e provas de 40 km com postos de 15km em 15km que ameaçam a desclassificação do atleta de for apanhado a beber água que não a dos postos (absurdo). Às vezes pergunto-me onde as pessoas desencantam estas teorias perigosíssimas e porque é que as levam em diante sem falarem com profissionais. Porque é que preferem que o atleta caia para o lado e se sinta mal desnecessariamente quando podia ter bebido água e evitado tamanho caos? Não percebo.

Por favor, bebam água nos vossos treinos e não treinem sede nenhuma. A sede não se treina. E se virem o vosso treinador ou o treinador de outra pessoa fazer isto, por favor, chamem a atenção. Distribuam águas mesmo que vos proíbam. A mudança tem de começar em nós e enquanto formos passivos e virmos estas coisas aconteceram a nossa evolução desportiva vai ficar para sempre estagnada. Tão estagnada como estavam as pobres miúdas depois de um treino daqueles. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

I'm a freak!


Tenho andado meio passiva no Bobby, em especial porque ou não estou em casa ou não há nada de grande desenvolvimento para vos massar. Mas detesto ter o blog tão "vazio" de actualidade, por isso vi pela A esta TAG - Get Your Freak On e decidi divertir-me a responder a estas perguntas! Ficam comigo?

1 - Qual é a alcunha que apenas a tua família te chama?
A única alcunha que resistiu ao longo dos anos foi o "lontra". A minha mãe adora de morte lontras e quando nasci chamava-me lontrinha, a coisa pegou e, volta e meia, ainda se deslizam e chamam-me lontra.

2 - Um hábito estranho teu.
Ler os rótulos das embalagens todas. Não é por causa do meu curso, desde que sei ler que faço isso, pego nas coisas e leio os rótulos.

3 - Tens alguma fobia estranha?
Unhas. Nunca na vida pintei as unhas e só de ver alguém a pintá-las tudo em mim se arrepia, ganho suores frios. Acho que se me agarrassem a mão e começassem a pintar as unhas eu ia espernear até matar a outra pessoa. E tenho de as cortar sentada, ou dá-me quebra de tensão. A sensação de estar a cortar algo de mim deixa-me enjoada e não posso olhar quando estou a cortar as unhas, o que dá um cenário cómico para quem está de fora.

Faz-me impressão também ter as veias salientes. Sinto que vou explodir.

4 - Qual é a música que tu secretamente adoras ouvir quando estás sozinha?
Não há propriamente uma música que goste de ouvir sozinha, mas esta dá jeito porque a canto sempre aos berros. Como se houvesse outra forma de cantar isto, não?

5 - Qual é a coisa que secretamente mais te irrita que as pessoas façam (definido em inglês como pet peeve)?
Falta de modos à mesa. É aquilo que mais dá cabo de mim. Pessoas que comem de boca aberta, que fazem barulhos a comer (então esta eu passo-me). Pessoas que metem os talheres delas nos pratos dos outros e na travessa onde se servem em vez de usarem os talheres que estão lá para o serviço (custa assim tanto?). Quando bebem do meu copo ou da minha garrafa, acho o maior nojo. Pessoas que metem a faca na boca.

6 - Um hábito/tique teu em momentos de nervosismo.
Mexer as pernas. Estar parada numa determinada posição e "abanar" a perna. Não sei se me faço entender., não é agitá-la de um lado para o outro, é mantê-la ritmada e a bater com o calcanhar no chão. De qualquer forma é isso, falo pouco e ando muito. Sou capaz de cavar valas.

7 - Em que lado da cama dormes?
Direito.

8 - Qual foi o teu primeiro animal de pelúcia e qual era o seu nome?
O meu primeiro animal de pelúcia foi uma ovelha branquinha pequenina, quando era bebé. Não tem nome.

9 - Qual é a bebida que pedes SEMPRE no Starbucks?
Já experimentei imensas, mas nada supera o meu chocolate quente com caramelo!

10 - Qual é o truque de beleza que ensinas sempre, mas nunca pões em prática?
Eu sou a pessoa com menos truques de beleza na vida, uma vez que não ponho nada em mim. 

11 - Para que lado te viras no chuveiro?
Sempre de costas para o chuveiro, a cortina do meu lado esquerdo.

12 - O teu corpo tem alguma "capacidade" estranha?
O meu polegar esquerdo consegue dobrar-se mais do que o normal e ir um bocado para dentro porque quebrei um dos tendões. O meu mindinho esquerdo não se endireita, é sempre curvo. Tudo culpa do basquetebol.

13 - Qual é a tua comida reconfortante favorita, que faz mal mas tu comes de qualquer forma?
Batatas fritas do pacote. Quando tudo está mal na vida, as batatas dão-me um consolo, mas é horrível, fazem tão mal meninas, a sério. Mas olhem... Eu acabo um pacote inteiro de uma vez se não mo tiram das mãos.

14 - Qual a frase ou exclamação que dizes sempre?
Tenho muitas! "Socorro!", "Não estás a perceber!!", "Ai o quê?".

15 - Hora de dormir: o que é que tu estás REALMENTE a vestir?
Calções azuis e uma t-shirt da Mr. Wonderful

segunda-feira, 21 de julho de 2014

MÚSICA || Yuna

Adoro tropeçar em música. Adoro estar atenta a todos os sons de todos os lugares e de descobrir um ritmo, uma voz, um instrumento que faz o tempo perder a pilha e os ponteiros pararem de mexer. Adoro descobrir música que faz o meu coração entrar em arritmia, os pêlos dos braços arrepiar.

Foi assim que descobri Yuna, num café em Lisboa pseudo moderno mas que me conquistou pelo sossego que precisava para interiorizar Fisiologia I. Primeiro a melodia, depois a sua voz. Entrei naquele momento em que decorei o máximo de palavras que figuravam a letra da sua canção e atabalhoadamente procurei por ela para ouvir a música no meu telemóvel, que me conquistou ainda mais. Depois seguiu-se o medo de não gostar do resto do álbum, mas a cada faixa eu me apaixonava mais.

Agora é uma das minhas vocalistas de eleição. Pela candura na voz sem esconder o female power que qualquer voz poderosa consegue ter. Uma Norah Jones mais clean, com um sotaque mais perceptível e mais doce. O toque de Jazz escondido entre os sinos e toques brilhantes que fazem as músicas parecerem bandas sonoras de contos de fadas. E o seu estilo é absolutamente incrível e personal. Um estilo que jamais poderia adoptar e parecer tão fantástica como ela. Yuna é uma das minhas vocalistas femininas de eleição. Por tudo e pela simplicidade. Aqui ficam algumas músicas, espero que gostem:






Também tem um cover dos Nirvana. De qual gostaram mais?


Há algo que, sempre que eu penso, sinto o meu coração a percorrer uma maratona pelas minhas veias: estágio.
É algo que ainda está um pouco longe. Já esteve mais longe, é certo, e talvez seja por isso que começo a sentir estes arrepios frios. A sensação de que não sei fazer nada. A sensação de que não vou conseguir comunicar com a pessoa ou sequer vou conseguir resolver o seu problema.

Sinto que me vou sentar e não vou saber o que fazer, ainda que esteja estes anos todos a aprender. Eu sei, eu sei que isto é normal. A minha mãe passou pelo mesmo, o medo de não conseguir dar uma aula aos seus alunos, o que ia dizer por onde ia começar a ensinar? Mas esta sensação de que não estamos preparados é tão sufocante! Eu aprendi imensa coisa mas sinto que precisaria de 20 anos de Faculdade para ir para um estágio sem medo!

A minha prima, nutricionista, já mo disse: só começas a aprender quando começas a trabalhar. Por muito que aprendas na Faculdade, só quando estiveres com a pessoa, a trabalhar nas tuas coisas, é que aprendes. Toda a gente começa um estágio mais cego que eu sei lá o quê. Não tenhas medo.

Mas sufoco de medo. Medo de me sentar, com alguém ao lado a supervisionar e a minha utente pedir conselhos sobre o que comer quando tem X e eu não fazer ideia do que lhe responder. Não me lembrar de nada. Tenho sonhado com isto, com a minha incapacidade de responder ao que quer que seja, as pessoas a olhar para mim, à espera, e eu não conseguir soltar um Dó sequer. Acordo completamente suada. Nada é mais frustrante do que esta neblina no meu futuro. Na minha carreira (que ainda nem existe).

domingo, 20 de julho de 2014

MÚSICA || Descolagens inesquecíveis


Tem-me acontecido, sempre que viajo de avião, antes da descolagem, estar a ouvir mp3 e o momento ser tão marcante que a música fica para sempre registada e guardada como o momento que levantei os pés do chão. E assim nunca mais apago a música porque é a música da minha despedida à cidade que visitei. 
Começou sem eu pensar em tal coisa mas uma vez, já em Portugal, ouvi uma música e automaticamente associei à minha despedida ao país onde estava na altura. E a partir daí amealhei todas as músicas que marcaram esse momento. E adoro.

Vou deixar-vos apenas duas para dar exemplo. A minha despedida de Veneza (que teve piada porque descolei de noite com "bright lights") e a minha despedida de Edimburgo.

Quero voltar a ser caloira. Devolvia o meu traje inteiro, se pudesse, só para voltar a ser caloira.
Porque a sensação de orgulho pelo meu curso e instituição vale mais que todos os trajes que pudesse vestir.
Porque ser caloiro é muito mais do que um miúdo a olhar para o chão com uma t-shirt velha. E quem não compreende isso não percebe o respeito que deve aos caloiros deste país. De qualquer curso. E qualquer instituição. Sem preconceitos.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

FACULDADE || 2 anos


Há quase 2 escolhi a Lusófona e não passei por todo o nervosismo de resultados porque automaticamente decidi qual era a minha casa. Assim que lá entrei, na esplanada em pleno Julho onde estavam sentados rapazes bem mais velhos que eu e onde eu pensei que era como uma miúda de 5 anos a matricular-se para o 12º ano. Mas tudo foi fantástico. Esperei pela senha de candidatura sentada numa mesa de uma esplanada que nem imaginava que ia ser o lugar onde ia comer que nem uma lorde (um lorde mesmo e não a cantora), onde ia ter aqueles cafézinhos fabulosos e onde ia rever umas páginas a 10 minutos antes da frequência e dizer "porra que não sei nada!". 

Nem cinco minutos depois o grupo de rapazes estava comigo a fazer tempo na espera e a fazer piadas sobre a Faculdade, sobre o Relvas e onde no meio do grupo estava um professor a tomar um café com os seus estudantes já de férias. Eu pensei "Que louco, que diferente. Eu quero isto."

Há dois anos que acordo de madrugada para viver um sonho difícil, mas possível, que adoro. Há dois anos meti um penico na cabeça desprovida de preconceito, desprovida de medo da praxe porque eu aceito fazer o que quero fazer e a liberdade não me tiram, mas se é para me divertir então que seja a mais divertida deste grupo. Há dois anos viram-me pela primeira vez e disseram que parecia uma menina na missa a cantar. No Enterro eu lembrava-me como ninguém de todas as letras das músicas. Há dois anos que compro cadernos e canetas e oiço, oiço, oiço, escrevo, escrevo, escrevo e depois pergunto "qual foi a última frase?" e depois olho para o power point. Há dois anos que pergunto onde é a sala da frequência e visto a bata branca para entrar nos departamentos onde há cheiro a éter e muitos químicos para explodir. Há dois anos que saio dos laboratórios na companhia dos gatos pretos que os de veterinária vão cuidando que ficam lá estendidos à varanda, à minha espera, e me acompanham até à porta da Faculdade.

Há dois anos que tenho a textura da capa nas mãos, a colher na gravata, o curso na alma e os meus Padrinhos no coração. Há um ano que digo para os caloiros não me olharem nos olhos mas gritarem pelo curso como se a voz não bastasse. Há que gritar com a alma. 
Há dois anos que resmungo sobre cadeiras chatas e fico com os olhos a brilhar com outras. Que não falto a nenhuma aula e fico embevecida com as palavras do professor e as que faço gazeta para beber um refresco no Xiri e rever matéria para o teste prático do dia seguinte. 

Há dois anos que estou na Faculdade e sinto que passou a voar. Ainda ontem eu estava a ter uma aula de Biologia e Geologia no Secundário, com campainhas irritantes e já em Outubro estarei no meu penúltimo ano de Licenciatura. Ainda ontem estávamos todos a perguntar o que íamos fazer agora e para que curso íamos e hoje já sei que vou ter grandes companheiraços como Finalistas e onde vou ter de escrever uma fita que é curta para todos estes anos que nos abraçam e nos definem. Palavras não chegam.

Há dois anos que escolhi o Amarelo e o Verde. Que fui a palestras, que conheci a Bastonária, que conheci a Ordem, que conheci Nutricionistas. Há dois anos que vivo esta vida em que nada é ligeiro, nada é suave e tudo é intenso, sofrido, gratificante e que vem da minha persistência. É muito e já estou a meio da maratona, sem sequer me dar conta. Há dois anos que conheci amigas e amigos que guardo com um carinho desmedido, que partilham o mesmo sonho que eu, os mesmos trabalhos, os mesmos segredos e as mesmas gargalhadas e esplanadas.

Estou abismada com o tempo. E isso fez-se sentir na pele quando hoje me inscrevi para o 3º ano. Eu já posso dizer que vou para o 3º ano de Faculdade mas ainda nem sequer curei a ressaca do 1º. Acho que nunca a irei curar, sinceramente. Não há tempo e há tanto para viver. Há tantos testes para passar, tantas cadeiras para fazer, tantos professores para resmungar, tantas noites por viver, tantas canetas por gastar, tantos cadernos por acabar, tantas directas por sofrer, tanta praxe por fazer, tanto grito de curso por gritar, tanto despique por ganhar, tantas canções por cantar, tantos Afilhados por acarinhar, tantos emblemas por receber, tanto traje por vestir, tanta capa por traçar, tanta SAL por curtir, tantas lágrimas por cair, tantos trabalhos por fazer, tantas pessoas por conhecer. Ainda há tanto por viver.


P.S.: Quero aqui dizer-vos também que fiz 2 anos de Faculdade com cadeiras feitas sem consumo de álcool, drogas e... Café! Sim, é possível fazer directas sem café. Julgo ser a estudante mais limpa de Lisboa.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pós-praia


Não há nada que eu mais goste do que o banho depois da praia. Aquela visão finalmente nítida da tua cara e do teu cabelo depois de horas ao Sol, tirar o elástico dos cabelos que ficam mais loiros. Sentir aquela água maravilhosa e aquela sensação que as banheiras dão de que estamos sempre com a pele mais morena do que na realidade é, o que sobe aos pontos na nossa auto-estima. Lavar o sal, a areia e o cansaço do Sol, aqueles minutos só nossos debaixo da água que nos lavam a alma também.
Sair da banheira sem frio e passar After-Sun que nos deixa a pele com aquele cheirinho maravilhoso a dias de Sol, a amigos, areia e mar, promessas de beijos e abraços por dar. A sensação de frescura e reparação depois de um dia desgastantíssimo a lontrar na praia. 

E sair do banho e ter um almoço/jantar maravilhoso já pronto? Oh, tantas coisas que podia dizer sobre isso... Fica para outro post!

Para mim é quase um ritual de revitalização. Não sei se o yoga ou a meditação conseguem-me deixar com o mesmo espírito que um bom banho depois de um dia fantástico de praia. Há coisas boas (e bem simples) nesta vida!

terça-feira, 15 de julho de 2014

E vocês?


Há alguns anos atrás li um livro (e garanto-vos que não era de crianças) sobre uma rapariga que tinha no seu jardim uma árvore com maçãs mágicas. Quem desse uma dentada nas maçãs daquela macieira iria descobrir através de uma visão, desde a primeira mordidela, qual seria o momento mais feliz da sua vida.

Durante todo o desenrolar da história - que tinha muito mais desenvolvimento e mais coisas do que aquilo que estou a partilhar - havia a descrição de cenas em que a rapariga guardava o jardim a sete chaves, impedindo que intrusos entrassem e comessem daquelas maçãs. Isto porque, na sua perspectiva, as maçãs traziam mais prejuízo na vida dos outros do que benefícios. Uns iriam deixar de saborear a vida inteira à procura desse momento tão feliz e outros poderiam morrer de desgosto ao saber que esse momento já tinha acontecido.

A dona do jardim nunca mordeu as maçãs mas muitos outros personagens do livro morderam e foi interessante. Durante quase todo o livro divaguei sobre o que faria se me dessem uma dessas maçãs. Mordia e descobria ou ficaria na ignorância para sempre?

E vocês? Mordiam?

ISTO É TÃO INÊS || Sou jovem até quando eu quiser.


Estava a fazer uma corrida de final do dia com a minha avó quando começámos a falar de estar e ser jovem. Fui-lhe sincera (como sempre fui e sou com ela) e confessei-lhe que havia algo na idade avançada que me preocupava e deixava assustada. Mas que, quando olhava para ela, essa insegurança me abandonava. Ela deu uma gargalhada e depois disse algo de grande valor: "Há uma altura na nossa vida em que sentimos que estamos finalmente encaixados no mundo. É uma altura em que tudo parece estar certo, mesmo quando há dezenas de problemas e a paz mundial está no fundo do túnel. Mas... Tudo faz sentido. A tua idade faz sentido, a tua postura faz sentido o que estás a viver e pelo que vives faz sentido também. Há quem se sinta assim muito, muito novo, há quem se sinta assim aos 40 anos. E eu... Confesso: Eu sinto-me assim neste momento. Eu nunca fui tão jovem como sou agora. O que é o raio de uma ironia, não achas?"

Não continuámos muito mais esta conversa porque o fôlego apertava nos km mas fui todo o caminho a pensar nisso e não pude evitar pensar: Eu estou nesse momento. Acredito que estou porque nunca a minha vida fez tanto sentido. 
Sempre tive um ar muito mais jovem do que a idade que figura no meu cartão do cidadão e sempre tive muitos pensamentos que acredito que estavam deslocados para a minha tenra idade. E agora... Sinto que está certo. Que as três parte que fazem o que sou: a minha idade, a minha aparência e a minha mente estão conjugadas como três holofotes de cores diferentes projectados na parede que fazem uma só cor. Nunca antes tinha sentido isso. Nunca quis crescer. Nunca quis ser mais velha. Sempre fui um Peter Pan. Mas... Estou bem assim. Gosto desta idade. Gosto e estou a vive-la como um bolo delicioso que depressa pode acabar.

Posso conduzir e posso meter o volume na altura que mais quero, com óculos de sol e cordas vocais a dar o máximo. Posso ir ao McDrive e pedir um Happy Meal enquanto o homem olha para a minha carinha e pergunta-me como é que uma fedelha de 16 anos está a conduzir. Podia beber, se quisesse e posso ter capacidade argumentativa de explicar porque não bebo. E posso ser respeitada por isso porque tenho amigos com a mesma maturidade que eu e não adolescentes parvos. Posso dançar a noite toda até cair sem pensar que tenho filhos para acordar amanhã. Posso ir à praia, posso namoriscar, posso estudar. Posso estar na Faculdade e focar-me apenas em ter boas notas. Posso ter descontos por ter menos de 25 anos e posso ver os filmes que me apetecer de terror porque tenho a idade mais que ultrapassada. Posso correr 25 km e ainda tenho audácia para pegar no carro e ir aquela festa de final de tarde na praia. Posso dar o corpinho num jogo de 40 minutos e dar cabo de mim, amanhã estou bem. Posso beijar na rua, são só "jovens apaixonados". Posso estar envolvida em projectos ligados ao que quero fazer de carreira e estar na front-line de um concerto que me faz abanar a cabeça do início ao fim.

Posso viajar por conta própria e posso fazer castelos na areia com os mais pequenos. Posso comer Epá e posso gritar "EPÁ MAS TU VAIS ANDAR OU VAIS ACAMPAR NO MEIO DA ROTUNDA?!". Posso usar sapatos altos sem rezar às cruzes e posso usar ténis. Posso dançar na rua e vão achar que sou doida e mais uma adolescentezinha que anda a "chutar" e não sabe o que quer na vida. Eu não me importo. Eu posso viver.

Eu não estou a dizer que todas as outras idades e gerações são inválidas ou que vou deixar de poder fazer as coisas que escrevi lá em cima. Eu invejo a jovialidade da minha avó, a capacidade com que ela tem de fazer coisas, de cozinhar, de correr, de meter ordem no meu avô e de lhe dar um abre olhos quando ela, enquanto mulher, não foi educada para ser sua parceira, sua abre-olhos, mas sim sua criada. É uma garra que quero ter. Mas o que eu percebi que ela disse foi que somos jovens quando e quanto quisermos. Há uma altura em que a vida faz sentido, e sermos faz sentido. Em que somos as pessoas mais jovens do mundo. Porque ser jovem não significa ser novo mas sim autêntico. Saber viver e saber ser feliz. E podemos ser e sentirmo-nos jovens a qualquer momento. A minha avó escolheu ser jovem depois dos 50 anos. Eu decidi ser jovem (bem diferente do ser "jovem" que está inerente ao facto de sermos novos) aos 19. E depois de muito tempo a pensar, voltei a ser-lhe sincera: "Tenho medo que esta sensação de ser jovem acabe, um dia. Tenho medo que não perdure." E ela fez-me o sorriso mais jovem que já vi na minha vida e disse, de bochechas rosadas "Tu és jovem até quando quiseres. A única pessoa que pode impedir de seres jovem és tu!"

E então decidi-me; Eu vou viver as coisas sempre como se fosse a última fatia do meu bolo favorito. Os problemas existem e as vontades mudam e sabe bem crescermos e termos novos projectos na vida. Um dia eu vou preferir deitar os meus pequenos numa cama em vez de sair. E outras vezes eu vou pedir à minha mãe para tomar conta deles porque há uma boa festa, bem gira, para viver. Mas não me vou impedir de ser jovem e espontânea. E, agora, ainda que com todos os obstáculos, tudo faz sentido na minha vida. E estou a saborear esta fatia de bolo como se fosse a primeira vez que tocou no meu paladar. E vou viver tudo o que gosto com esta sensação de plenitude que nunca antes tinha sentido e que recomendo.

Eu serei jovem até quando eu quiser. E que venha alguém impedir-me do contrário!

domingo, 13 de julho de 2014

FACULDADE || 2º semestre de Ciências da Nutrição (Ano 2)


No âmbito do "desafio" da Carolina., venho falar-vos do meu segundo semestre do 2º ano em Ciências da Nutrição.

O meu semestre começou com uma mudança na avaliação, o que me deixou bastante apreensiva, não só na primeira semana mas durante toda a segunda parte do ano lectivo. Todas as avaliações seriam feitas agora de forma contínua (o que não acontecia até lá, alguns professores optavam por fazer apenas um exame na época de exames, sem recorrer a frequências) e a média na avaliação contínua era o método para determinar se passávamos ou não. No segundo semestre mudou, obrigando os professores a dar-nos a oportunidade de avaliação continua (ou seja, termos a oportunidade de fazer qualquer cadeira por frequências) mas com a condição de ter obrigatoriedade de 9,5 no mínimo em cada uma das frequências para que não tivéssemos de ir a exame. Ou seja, eu teria obrigatoriamente de ter positiva em qualquer frequência se quisesse passar à cadeira. Ter 20 na primeira frequência e 9,4 na outra significava entrada directa para um recurso. Mas se tivesse 9,5 e 9,5 a média era feita entre estas duas notas e era aprovada em fase continua. Facilitismos nas privadas, ouvi dizer.

Alimentação e Nutrição Humana II (ANHII), Métodos de Avaliação do Estado Nutricional (MAEN), Fisiologia II, Imunologia, Farmacologia e Informática foram as cadeiras (ou cadeirões) que figuraram este segundo semestre. ANHII, onde estudámos a nutrição dos bebés lindos e quicos, da adolescência, vida adulta e idade avançada. Nutrição durante um ciclo de vida, salientando os pontos mais importantes em cada fase da vida, porque há sempre detalhes que temos de ter em conta. Falámos também da gravidez, os must-know quando lidamos com uma grávida e o que é proibido pedir a uma grávida para fazer a nível nutricional.

MAEN foi a segunda cadeira mais específica do curso e trata-se de formas de diagnóstico de um paciente. Como diagnosticar alguém malnutrido, ou um distúrbio, uma possível doença através dos sinais exteriores (visão, forma de falar, cor da pele, cheiro, cabelo), como fazer medições de peso e perímetros, o que perguntar... Focou, mais uma vez, na forma como devemos trabalhar com o nosso paciente, que métodos usar quando estão acamados ou incapacitados e que inquéritos utilizar se estamos a falar com crianças ou pessoas de idade avançada. Muito útil.

Seguiram-se os cadeirões Fisiologia II, Farmacologia e Imunologia. Fisiologia II já tinha sobre os ombros um fantasma gigante do 1º semestre, em que tive uma excelente nota no primeiro teste e uma nota miserável no segundo. Se o mesmo se repetisse este semestre com o novo método de avaliação eu teria de ir a exame e ninguém quer ir a exame a este cadeirão. Suei por esta cadeira, especialmente na segunda frequência em que só tive 5 horas da noite de véspera para a estudar mais de 300 slides. Dei a minha alma ao Diabo por ela.
Farmacologia apostou na Farmácia e na medicação. Eu nunca gostei de farmácia ou de medicamentos, o que dificultou um bocado a forma como quis lidar com a cadeira. Felizmente tenho um Padrinho de Farmácia genial que fez com que olhar para Farmacologia fosse uma cadeira de meninos. Além disso focou-nos na química - na componente prática - o que me fez matar saudades da química de Secundário que tanto gostava.

Imunologia foi a minha luta. Sempre adorei o sistema imunitário e no Secundário tive boas notas nessa área, mas o tipo de teste deste professor era, no mínimo, satânica: o teste era todo escolhas múltiplas que descontavam e cinco delas estavam marcadas no teste como "Selectiva". Isso significava que se não respondesse a uma dessas 5 selectivas ou escolhesse a opção errada, a minha prova era anulada automaticamente e chumbava. Podia ter tudo certo mas, se errasse uma selectiva, chumbava. E isso fez-me entrar numa luta entre anticorpos e fagocitoses.

Informática foi a cadeira mais leve deste semestre onde descobrimos programas que nos podiam ser úteis na área da Nutrição como bases de dados e até mesmo programas específicos de Nutrição clínica nos quais me apaixonei e quero muito tê-los no meu escritório se vier algum dia a trabalhar nesta área.

Este 2º semestre foi de uma intensa luta, muitos apontamentos e muitas horas acordada. Senti que estou cada vez mais organizada e isso reflectiu-se nos meus apontamentos e no meu estudo. Comecei a fazer as coisas mais cedo e a ser mais expedita, tanto nas aulas como nos apontamentos dos cadernos e isso foi uma grande ajuda para conseguir terminar trabalhos no prazo delineado, ter os apontamentos todos prontos e feitos para todas as frequências, ter mais tempo para assimilar e estudar e não para escrever e controlar a ansiedade. Fui uma miúda muito mais calma do que no 1º semestre mas com muito mais trabalho e com o peso da avaliação nos ombros. Fui mais focada e determinada e penso que isso se deveu ao novo método de avaliação: não podes falhar e tens de ser impecável. Ganhei um pouco mais de ambição e de concentração e encaro isso de forma positiva pois nem toda a gente conseguiu ver este método como algo positivo na sua vida académica.

Terminei todas as cadeiras na avaliação contínua (por frequências) excepto Imunologia, na qual só passei no recurso de 1ª fase, o que me deixou muito orgulhosa. É muito raro, pelo menos no meu curso, ter o 2º ano completo e o 1º também e isso dá-me forças para continuar os meus estudos, querer fazer mais cadeiras e permanecer com estes anos feitos sem espinhas. Por muito trabalho que dê e muitas lágrimas, muitas horas sem dormir e algumas desilusões quando queremos tudo feito à primeira e despachar depressa tudo, nada sabe melhor do que dizer "Eu vou a caminho do meu penúltimo ano de Licenciatura e não tenho nenhuma cadeira para trás. Tenho 24 de 24 cadeiras concluídas".


Já agora, pergunta para os caloiros futuros, alguém está a pensar seguir Ciências da Nutrição? Não necessariamente na minha Universidade porque toda a gente a odeia mas alguém está a pensar nesta hipótese? Ir para o Porto? Ou Egas? Ou Atlântica? Estou curiosa...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

EVENTOS || Optimus Alive 2014

Mais um OA que pude "festivalar". Só comprei o bilhete para dia 10, como disse aqui e como muitas outras pessoas fizeram.
Para este festival vim mentalizada de que não iria com um grupo grande. Eu adoro sair com grupos grandes, juntar todos os amigos e tudo isso mas, quando se trata de um festival com tantas bandas que queria ver, optei por dar prioridade à música e por isso fui com a pessoa mais igual a mim (no que toda à programação e à vontade de estar na linha da frente): a Vanessa. 

Mas desenganem-se se fiquei lá mil horas acampada na fila da frente! Disparate! Fomos almoçar juntas e seguimos tranquilamente para o recinto, sem filas de espera (o que me agradou, em 2011 já tinha reparado nisso) e ainda deu tempo de darmos uma volta generosa por todos os spots, ver o pessoal e conversar. Um pouco antes do concerto do Ben Howard achámos que era a altura certa para começar a serpentear por pessoas e fazer bloqueios defensivos.

Em grupos grande teríamos o problema de nunca ficar tão à frente como ficámos e de haver sempre asneira: ou alguém que tinha de ir 15 mil vezes à casa de banho porque não sabe beber, ou uma discussão, ou cansaço... Não resulta. Ainda assim, entre o concerto do Ben Howard e The Lumineers deu-nos uma sede incontrolável, a tal ponto que tivemos de ceder os nossos lugares porque a água estava em primeiro lugar. Comprámos e achámos que não íamos voltar a ter a oportunidade de estar tão bem localizadas mas arriscámos e acabámos EXACTAMENTE no mesmo lugar!


quarta-feira, 9 de julho de 2014


É já amanhã! Temos andado a combinar onde vamos almoçar para depois seguirmos para o recinto e andamos todos a discutir nos transportes.

Já não vou ao Optimus Alive desde 2011 e voltei de lá bastante satisfeita! Espero não me desiludir agora, 3 anos depois!

Quem vai lá estar? (eu começo a desconfiar que isto é um meet de bloggers onde os artistas acharam "giro" ir lá dar uns toques de música, só para dar ambiente)

sábado, 5 de julho de 2014

MUNDO || Am I Good Enough?


Há algo que nós, mulheres, por mais ou menos femininas que sejamos, vamos ter sempre: um complexo. É um facto matemático que nós temos sempre um complexo, muitas vezes intensificado pela vizinha do lado. Ou a galinha. O que queiram então chamar.
E quem diz que não tem complexos nenhuns mente descaradamente.
Há uns complexos mais complexos que outros. Depende da situação. Mas há sempre um que nos persegue os pensamentos, algo que não nos deixa, abraça desde miúdas e fica connosco como um monstro apaixonado: serei boa o suficiente?

E raramente nos referimos ao boa que os homens adoram referir. Bastarei? Tenho tudo o que é preciso?
É a pergunta mais ridícula e penso que só fica em segundo lugar porque existe ainda o "Será que estou gorda?" mas que atire a primeira pedra qual não foi a mulher que o pensou. Oh, tantas e tantas vezes pensamos isso. É inevitável. 

A minha teoria é que nos conhecemos há demasiado tempo. Eu, por exemplo, conheço-me há quase 20 anos e já estou cansada das minhas neuras e birras pessoais. É uma chatice, dá-me vontade de dizer "amiga, acalma-te lá com a mariquice das ansiedades!" E conheço-me há tanto tempo que me pergunto se é, de facto, com a minha pessoa com que ele quer ficar. 
Pior que isso só quando estou a voltar da rua de calções e t-shirt encharcada, o meu cabelo num conflito armado com o elástico que, supostamente, servia para o prender, com a cara mais vermelha que uma pessoa com um choque anafilático por causa de uns amendoins e com um respirar de cão depois de uma corrida que me deixou no tapete e vejo a rapariga mais gira, com a roupa mais gira e (para me meter um grande nojo) com o cabelo impecavelmente apanhado, tão apanhado que dá nervos e vontade de o despentear. Mulheres.

Não é raiva dela, até porque (para me meter ainda mais nojo) ela viu-me a passar e, mesmo não me conhecendo, disse "boa tarde". Ou seja, além de gira era bem educada. Ou talvez tivesse compaixão com pessoas cujos pulmões estavam a sair pela garganta. E a raiva não é dela. É de não termos nascido assim. Oh, Deus, porque não nasci assim? Porque é que não posso ficar fabulosa depois de correr? Porque é que tenho de corar como um bicho venenoso que muda de cor para fazer de repelente, porque é que temos de ter pernas assim ou altura assado? Porque é que não podemos ter todas o dom de ser modelos lindas e maravilhosas? Porque é que não podemos nascer ricas também, com conta bancária infinita?

E pensam vocês (homens, as mulheres compreenderão esta dor que nos bate no peito) que só diz respeito à aparência. Mas não. Porque ela cozinha e é prendada, enquanto nós somos capaz de meter a massa a pegar fogo, ou porque ela já fez X e nós nem conseguimos fazer Y. Não é ela, nunca é ela, somos nós. Nós não odiamos a vizinha do lado, odiamos que haja esta desigualdade de fabulosidade entre as mulheres.

Chegamos a casa com a pergunta inevitável. Serei boa o suficiente? Com mau feitio, cabelo gerrilheiro e conflituoso, bochechas vermelhuscas, pernas NADA parecidas com uma modelo VS e uma t-shirt velha? Seremos boas o suficiente a pegar fogo à cozinha? Ou sendo esquisitinhas a comer? Ou comendo tudo o que há? Ou não sabendo como fazer X e Y?

Somos. Somos boas sim. Em todos os sentidos que me apetece referir. Somos todas maravilhosas e bonitas e não estou a brincar em nenhuma letra que aqui coloco. Somos.

Somos lindas sim. Com cabelo revolto ou bem apanhado. Com bochechas que coram - essas mal criadas - ou as que não coram, at all. Somos AWESOME de t-shirt encharcada ou top sequinho. Com ou sem a barriguinha, com mais ou menos rabo. 

São espectaculares as que fazem 15 bolos sem se despentearem e as que (perdoem-me a expressão) cagam a cozinha toda, móveis e ainda a casa de banho porque uma divisão só não chega para fazer um pudim. As que precisam de mais tempo para serem convencidas a entrar numa aventura ou as que se atiram de cabeça. As que comem tudo e são bom garfo e as que olham para todos os alimentos que não gordices com um ar desconfiado.

Somos lindas porque aturamos as nossas birras e neuras há anos e ainda cá estamos, lidando com estes complexos todos os dias e fazendo progressos a cada dia que passa, tornando-nos mais fantásticas e giras e engraçadas a cada momento que passa. Não há raparigas melhores ou piores. Ela nunca será melhor que eu e eu nunca serei melhor que ela. Não existem melhores, existem escolhas, as pessoas que escolhem estar connosco, mesmo com todos os defeitos que possamos ter. Ter defeitos não significa ser imperfeita. Nunca significará.

A única escolha que não pudemos, ainda, fazer na vida é nascer no corpo e na mente que quereremos. Mas nem que me pagassem eu iria para outro corpo. Eu fico com as minhas neuras, birras, com os meus conflitos de calças e com as minhas crises académicas. Eu não me troco. E gosto de mim, mesmo que às vezes tenha um nojo do pior daqueles cabelos bem apanhados. Ela é fabulosa no cabelo mas eu sou fabulosa a aguentar 20 km de corrida sem uma única dor de burro. Fica com o teu troféu, eu levo o meu para casa. Eu posso ser uma tragédia grega a física e um pouco a matemática, mas faço equações químicas de olhos fechados e a traduzir os Coldplay. Eu posso não saber como fazer um bolo de chocolate mas sei como o comer de forma profissional com alguém que goste ao meu lado, enquanto vejo um filme ridículo. Oh, se sei! 

E quem nos escolhe, quem fica do nosso lado, quem atura as nossas birras e neuras, merece tudo de nós. E merece também que nós pensemos que somos o suficiente. Somos o suficiente para nós e é a partir daí que podemos ser suficientes para os outros. E quem cuida de mim despenteada, de t-shirt imunda, pernas chatas, mau feitio e perguntas parvas faz-me sentir ainda mais fabulosa do que, por natureza, eu sou por ser mulher.

Bem haja a ele, que preferiu um conflito armado capilar. E bem haja aos vossos, que vos amam com os vossos complexos. Devíamos começar a fazer o mesmo.

MÚSICA || Música de A-Z


Soube do desafio através da Ella mas a ideia é da Violet e consistia em fazer uma lista de A-Z de músicas que gostemos. Há quem coloque mais do que uma música na mesma letra ou varie para não calhar nenhum artista igual, eu optei por ir ao meu mp3 em cada letra e seleccionar aleatoriamente uma música de cada. A que calhou é a que está aqui, independentemente de serem as minhas favoritas ou de poder ter arranjado umas melhores, foram estas que calharam e fazem parte da minha playlist diária. Em todas as músicas há um link directo para a ouvirem no youtube. Espero que gostem, que descubram, quem sabe, uma música nova e depois digam-me qual gostaram mais!

A Are You What You Want To Be? - Foster The People
B Bloodflood - Alt-J
C Closer - Kings of Leon
D Doused - DIIV
E Everlong - Foo Fighters
F Fallen - Imagine Dragons
G Gold On The Ceiling - The Black Keys
H High and Dry - Radiohead
I Instant Crush - Daft Punk
J

L Landfill - Daughter
M Moses - Coldplay
N Nightcall - London Grammar
O Off To The Races - Lana Del Rey
P Punching In a Dream - The Naked and Famous
Q Quando a Chuva Passar - Ivete Sangalo
R Robbers - The 1975
S Square One - Coldplay
T Tiptoe - Imagine Dragons
U Unfold - The XX
V Violet Hill - Coldplay
X X & Y - Coldplay
Y Young Blood - The Naked and Famous
W Why'd You Only Call Me When You're High? - Arctic Monkeys
Z Zedd Medley - Mandy Jiroux and Chester See

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Falem comigo! :(


«Ontem acho que te vi Inês assim mais ou menos na zona da avenida, restauradores, não consigo precisar. E quando cheguei a casa até fui ao teu instagram, porque te sigo, ver se eras mesmo tu e na altura até fiquei "fogo porque não lhe falei e disse que vejo sempre o seu blog e que este e espectacular". É que e tão estranho ver uma pessoa que lemos o que escreve e até podemos conhecer um pouco da sua personalidade do que nos dá a conhecer mas não a conhecemos totalmente e pormenores tão normais como a voz e depois quando ouvimos é tão diferente do que imaginamos na nossa mente mas tão gira. Agora penso que se desde o teorema não te tivesses revelado tinhas passado por mim e nem sabia que eras tu, a blogger que tanto gosto de ler o que escreve. Beijinhos Inês :) e nunca deixes o teu blog lindo

A primeira coisa que fiz assim que acabei de ler este comentário fabuloso foi ver quem o tinha escrito para ver se era uma toupeira que nem sequer me tinha apercebido que tinha passado por uma blogger, mas estava anónimo e essa foi mais uma razão para o publicar aqui, porque agora estou com imensa pena que não me tenhas dito nada!
Eu nem sei se foi mesmo a mim que me viste mas, de facto estive nessa zona, portanto, é muito provável que seja eu e fiquei meio que encantada com este comentário. Muito obrigada!

Eu gosto tanto de vocês e fico tão contente que me acompanhem, uns mais activos que outros mas gosto tanto, tanto, tanto, era só a maior alegria para mim conhecer-vos, e digo-vos isto com todo o coração do mundo, mesmo com a minha voz horrível! Adorava saber quem me fez este comentário porque fiquei mesmo com curiosidade e agora ando a fazer flashback de todas as caras que posso ter visto quando passei por aí, por isso acusem-se, pleeease!

E peço-vos muito, se me virem alguma vez na vida não se encolham e falem comigo, nem que seja para dizer "Olha és tu!". Garanto-vos que vou adorar conhecer-vos a todos e prometo que o meu eu Grumpy Cat não irá revelar-se. Se alguma vez me virem, falem comigo! Combinado? 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

EVENTOS || O Tema do Carnaval de Torres Vedras 2015 é...


É oficial, já saiu o novo Tema de Carnaval. É isto que o nosso Carnaval tem de tão único. Não há aqui sambas nem exibicionismos de um falso Carnaval do Rio de Janeiro (já agora, sabiam que os carros alegóricos famosos do Rio de Janeiro no Carnaval foram inspirados nos de Torres Vedras e NÃO o contrário? Ou seja, o Carnaval do Rio inspirou-se em nós!) e ainda temos algo que é único: o Tema de Carnaval, onde os grupos carnavalescos se inspiram para fazer os fatos de Carnaval e desfilar no corso. Ganha o melhor grupo, claro. Mas também há muita gente sem ser dos grupos (como eu) que adere ao Tema e tenta inventar um fato (ou encontrá-lo) que se adeqúe ao pretendido.

E sem mais demoras, o tema é... Amor! Eu ainda nem o tinha visto e já andavam os meus amigos todos a dizer "A Rainha do Condado não pode estar apaixonada que é logo Torres inteira a querer marcar isso no seu evento do ano favorito... És mesmo Torreense!". Para ser sincera, não acho que vá ser um tema fácil e tinha uns mil temas melhores para dar, mas é Amor, que interessa? Está muito bom! Já se esperam as Matrafonas ainda mais viradas para o amor (se é que é possível) do que antes, as raparigas mascaradas de Afrodite e Deusa Grega, os cupidos com setinhas a atirar para as pessoas e os preservativos (sim, eu tenho a certeza de que vão fazer máscaras de preservativos, ou não conhecesse já este Carnas há duas décadas).

Muitas amigas minhas (especialmente as fãs de Lisboa na minha Faculdade que se renderam a este ambiente de festa) já começaram a pensar no fato, completamente entusiasmadas. Eu nunca revelo até aparecer com ele vestido, o que causa sempre grandes pulgas atrás da orelha. Podem achar que, para Fevereiro ainda temos tempo de sobra, mas a maior parte dos grupos que se inscreve têm de fazer os fatos, portanto, com estes meses todos e ainda para fazer os carros, é preciso antecedência. Eu vou só pensar nisso quando chegar finais de Janeiro. Mas de certeza que uma boa ideia vai ocorrer. Afinal, se a Rainha do Condado teve influência (lol) nesta escolha de Tema, terei de honrar tamanha faceta com um fato a transbordar genialidade!

É em 2015 que conto com vocês na Praça da Batata aos beijos com o vosso mais que tudo ou ainda não vos convenci que este é o melhor Carnaval do Mundo? Que chatos pá!

PRONTO A VESTIR || Lokai Bracelet


Tenho uma pequena paixão por pulseiras, apesar de ter sempre de escolher muito bem as que uso, especialmente por não puder usar pulseiras permanentes no pulso, por causa do basquetebol. Esta pulseira despertou a minha curiosidade, acima de tudo, pelo seu conceito.

A Lokai é uma pulseira normal com contas transparentes excepto duas que estão no meio da pulseira, em pontos opostos. Uma é preta a outra é branca, e representam os nossos pontos baixos e altos da vida, respectivamente. (Apesar de não acreditar) a conta preta tem no seu interior lama retirada do Mar Morto, o ponto mais baixo da Terra e representa os momentos em que estamos mais em baixo, perdidos e onde é importante termos esperança. A conta branca tem no seu interior água do Monte Evereste, o ponto mais alto da Terra e representa os momentos em que estamos mais gratos, em que conquistamos grandes feitos na nossa vida e onde é importante que permaneçamos humildes.

Além de a achar minimalista e bem gira, acho que este conceito é sensacional, especialmente nas alturas em que estamos mais desorientados e precisamos de algo que nos faça acordar. Gosto destas coisas, acho que têm algo de especial e espero em breve poder ter uma nas mãos!