segunda-feira, 28 de abril de 2014

CLICK CLICK: Mini Bloggers


Esta é a minha primeira participação no CLICK, CLICK, projecto vivo da Ju. Gostava de já ter participado nos outros mas, a não ser que tivesse conseguido publicar pelo telemóvel - que não consegui - tal não foi possível até hoje, com o tema, Mini Bloggers.

Evidentemente que já suspeitam que sou eu na fotografia e devo dizer que esta é uma das minhas favoritas. A expressão está um amor e, devo confessar, revela muito da criança que fui; Eu era muito curiosa, exploradora, teatral e, acima de tudo, muito expressiva. Vocês saberiam exactamente o que estava a sentir se olhassem para a minha cara e, quando queria contar o que tinha acontecido num desenho animado, interpretava as duas personagens com uma mudança na voz e na expressão facial incrível. Às vezes fico rendida a olhar para os vídeos que os meus faziam comigo a falar. 

A minha mãe mandava o cabeleireiro cortar o cabelo assim, um ícone da geração de 90, e chamava-lhe a "janelinha para o meu mundo", porque o cabelo não me impedia, de todo, de explorar e perguntar "porquê".
Mais divertido ainda, esta miúda de 4, 5 anos? revela uma Inês não muito típica de agora: A Inês adorava vestidos, saltos da mãe mas não gostava que lhe mexessem no cabelo, adorava Barbies e a zona favorita na cresce era aquela secção cheia de vestidos e acessórios de moda, onde passava lá a vida vestida e aperaltada na minha própria visão (muito foleira) de design e onde me pintava. Ainda assim, não gostava de rimel (há coisas que não dá para mudar). Era muito, muito feminina e ainda hoje a minha mãe não sabe que reviravolta foi esta da Princesinha dos Vestidos para a Só Uso Vestidos Se Me Pagares Bem.

Apesar da minha voz de pato Donald e das minhas típicas frases: "Não viste?", "Não sabes?", "O Pai Natal existe.", "Posso, posso, posso?", acho que posso admitir que era uma miúda bem fácil de lidar. A minha energia era infinita e cansativa só de ver o quanto corria e mexia e dançava, mas estava sentada à mesa até os meus pais deixarem-me sair, não mexia em nada na casa dos outros, não partia nada, não estragava os meus brinquedos, chorava quando os outros meninos me rasgavam as folhas dos meus livros e sabia estar sossegada no sofá a ver filmes da Disney uma e outra vez sem roubar tempo aos meus pais. Era uma paz de alma. A única coisa que pedia em troca era alguns minutos de atenção para os teatros que inventava e para as histórias que estava sempre a interpretar. Se me fizessem essa vontade, eu faria a deles.

Boa miúda!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Na Faculdade ouves de tudo...


... Inclusive estas pérolas.
Professor: A aula começa às 13:00h e são 13:18h. Posso perceber porque é que os dois cavalheiros se atrasaram?
Rapaz:........ A sopa estava muito quente.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

LOVE ALWAYS, INÊS || Aproveitar as férias

Foto da minha autoria. Por favor, não utilizar sem a minha permissão prévia. Obrigada!
A minha Faculdade aparentemente faz parte do grupo "Sou-Amiga-Dos-Meus-Estudantes-Até-Porque-Eles-Pagam-Uma-Fortuna-E-Doam-Parte-Do-Fígado-Para-Estar-Aqui-Portanto-Vou-Dar-2-Semanas-De-Férias-Da-Páscoa", o que significa que podemos respirar liberdade do mundo das aulas durante semanas são saborosas!

Não há coisa que mais goste de fazer que aproveitar as férias. Aproveitar a minha casa. Aproveitar o meu tempo. Consigo fazer um balanço do quanto eu cresci a partir das férias, especialmente nas responsabilidades académicas.
No nosso último dia de aulas, um colega meu confidenciou-me que esse fim-de-semana (prolongado porque nunca temos aulas à sexta) ele iria mimá-lo com muita preguiça, muito sofá e sem tocar uma molécula que seja nos cadernos. Eu, por outro lado, tinha outros planos: despachar tudo o que há para fazer nesse fim de semana, adiantar apontamentos para, nas duas semanas oficiais, poder estudar com tranquilidade mas também poder sair e divertir-me sem culpa. Assim o fiz.
Se contasse isto ao meu eu de 12º ano, provavelmente ele rir-se-ia de mim e diria "Sua nerd, a faculdade tornou-te assim? Desilusão", mas sim, a Faculdade tornou-me assim. 

Tenho, portanto, aproveitado as férias com um sabor de novas aventuras. Adoro estar na minha casa, onde tem feito tanto Sol, e ver o Vale do Silêncio ganhar cores de primavera, campos verdes, árvores repletas de flores. Tenho aproveitado para correr muito também, para finalmente realizar os desafios que os meus amigos tinham deixado ao longo dos meses no meu Nike+ mas nunca tinha tido tempo para os realizar e bater. Tenho-me encontrado com as pessoas que não vejo tantas vezes e com aqueles que fazem parte do meu dia e não posso largar. Comida da mãe em barda, comida da avó em excesso, ter bolo de chocolate num estalar de dedos, estar nos meus cafés favoritos num segundo.

Tenho aproveitado também estas duas semanas para chatear o meu avô para reduzir o sal. Acreditem, se conseguir fazer o meu avô reduzir o sal, eu estou pronta para ser nutricionista. Não há mente mais casmurra. Já a minha avó que é super fã de vida saudável e desporto (sim, meninas, ela também corre... Leram bem: corre), tem-me ajudado num novo plano de alimentação: esconder o sal, deitar fora o sal refinado, apostar nos grelhados e extinguir de casa os molhos e as natas. Estamos a fazê-lo pela sua tensão (muito muito alta), avô! Não seja rezingão!

As férias são também foco para visitar novos lugares. Há uns anos, todas as férias da Páscoa eram passadas em Aveiro, onde tenho muita família. Sempre lá gostei de estar e conheço a cidade na palma da mão (e Ílhavo também). De há uns anos para cá temos feito outras viagens. Já passei a Páscoa na República Dominicana, em Sevilha, em Salamanca e, este ano, decidimos ser portuguesinhos e passá-lo explorando o Alentejo. Foi tão bom como nos outros anos que viajei. Tratamos muito mal o que o país tem para nos oferecer e eu adoro os pormenores tão portugueses, tão tugas que temos escondidos nos recantos do país. 
Para terminar, chegar o meio das férias com um Benfica campeão (e muito merecido) é a cereja (bem vermelha) em cima do bolo!

Resta-me continuar a desejar-vos boas férias, se ainda as têm ou bom trabalho, se os desafios académicos recomeçaram! 

sábado, 19 de abril de 2014

DESPORTO || Dicas para Quem Quer Começar a Correr


1. Presta atenção ao sons
Em corrida, o teu melhor aliado para conseguires perceber se a tua corrida está a evoluir na forma correcta é através dos sons. Numa boa corrida não se deve ouvir o som das tuas passadas. Se quando corres ouves todas as pancadas do teu pé no pavimento, não só vais cansar-te três vezes mais depressa como estás a dar cabo dos teus ossos. O som da tua respiração também é indicativo.

2. Os ténis fazem 90% do trabalho
Ter uns bons ténis de corrida é quase essencial. Dão conforto ao teu pé, modelam o andar e ajudam impulsando-te a cada passada. Correr com ténis novos é certo e sabido que é arriscado, pelo que os teus ténis velhos de sempre mas com que te sentes bem, são as melhores decisões. Acima de tudo, devem ser ténis que te coloquem no maior conforto possível

3. Puxa por ti
Estabelece metas e desafios. Determina o quanto é que o teu corpo vai correr. Sim, tu é que decides, não ele. Desafia-te a ser mais rápida, desafia-te a seres mais moderada. O importante é puxares por ti em cada passada e sentires orgulho. Hoje estás a mais um metro do que ontem. E estás a fazer muito mais do que aqueles que ficaram sentados no sofá a gordichar. És uma vencedora!

4. Música
A música é também um aliado para te impulsionar a correr mais. Aqui as baladas são proibidas. All of Me, The Reason, FORA! Escolhe músicas que te deixem feliz e, acima de tudo, que tenham muito ritmo! Hoje em dia já há playlists preparadas com música para jogging, até mesmo no Spotify encontras, o que te poupa muito trabalho. Mas se quiseres levar o teu fiel leitor de música, já sabes: só música dançável e que te faça correr muito, muito!

5. Aceita os teus altos e baixos
Nem sempre todos os dias vão ser de grandes vitórias. Há dias em que vais ficar radiante porque correste 4 km  sem te cansares por aí além, outros fazes 1 km e já estás desgraçada para ir para casa. Aceita que nem todos os dias conseguimos dar o nosso melhor, desde que não desistas. Se nunca desistires, nada de errado se passa contigo!

6. Aproveita este tempo de qualidade contigo própria
Correr é a melhor forma de estarmos connosco próprios, para reflectirmos sobre a nossa vida enquanto apreciamos a nossa vista em redor. É uma excelente forma de meditarmos e de encontrarmos aquela parte que de nós faltava.

7. O teu corpo fica a ganhar
Correr, ao contrário do que muita gente julga, não exercita só as pernas. Exercita também os braços, glúteos e a região abdominal. É, portanto, uma boa maneira de manter a forma, ou melhorá-la! Mas, acima de tudo, correr afecta o teu metabolismo de uma forma extraordinária! Terás um metabolismo mais rápido, trânsito intestinal impecável e sentir-te-às mais feliz pela libertação de hormonas. Só tens a ganhar!

8. Faz o teu próprio percurso
Escolhe tu onde queres passar, o que queres subir e descer. Estabelece a ti própria o local e a dificuldade do desafio.

9. Respiração
A tua respiração deve estar de acordo com o ritmo da tua passada. Isto significa que, supostamente, deves manter o ritmo da tua corrida para não haver oscilações na tua respiração (respirares muito rápido e depois muito devagar) porque é isso que provoca as chamadas Dores de Burro. Supostamente, a tua respiração devia enquadrar-se assim: num pé tu inspiras e no outro expiras, isto tudo durante a passada. Este hábito só se adquire passado algum tempo, por isso é normal que, no início não esteja de todo enquadrado. 
O mais importante é que percebas que não podes respirar mais devagar ou mais depressa que o teu ritmo de corrida. E NUNCA INSPIRAR PELA BOCA. A única altura em que podes usar a boca na respiração é para expirar (vai sair mais ar). Mas inspirar, proibido. Usa o teu nariz, é para isso que ele lá está!

10. Aproveita!
Além de te exercitares, estás a melhorar a condição física, a pensar na vida, a ouvir música fantástica e ainda a apreciar as vistas (interpretem esta como entenderem). Não é o que precisamos todos às vezes? O mais importante é que te divirtas e te sintas feliz em tudo o que fazes. O primeiro passo para começares a correr, na verdade, é sentires-te feliz quando corres. Parece quase uma piada dizer isto quando são infinitas as piadas na net das pessoas que não gostam de correr e que dizem não ter piada quando se corre. Mas elas estão sentadas no sofá a escrever isto enquanto tu estás a fazer o teu primeiro km. No final, o rabo fabuloso vai para ti e não para aquelas que tiveram 400 RT a dizer que correr é uma treta. Porque, todos sabemos que não é! Dá-lhe miúda!

Dica: Como tirar a dor de burro?
É muito comum quando se corre, é horrível, toda a gente a sofre - mesmo quem corre há anos, há sempre dias maus - e pouca gente sabe como a tirar. Simples: Junta as mãos, estica os braços e eleva-os acima do teu corpo enquanto inspiras profundamente. Deixa-te ficar uns segundos assim super esticada e depois expira devagar enquanto descais os braços e dobras-te para baixo. Deixa-te ficar de cabeça para baixo uns segundos também. Repete este exercício umas 3 vezes e verás a dor diminuída, ou desaparecida por completo. Isto regula os teus níveis de ácido láctico (o que provoca a dor) porque estás a meter mais oxigénio no corpo. Agora sim, tens tudo para seres uma atleta!

As dicas resultam comigo, razão pela qual estou a partilhá-las convosco, na esperança de que resultem com vocês também!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

APP || Dreamboard


Não seria bom se conseguíssemos rever os nossos sonhos? Especialmente aqueles que estavam mesmo bons mas que o despertador estragou? E quando achamos que nunca nos vamos esquecer desse sonho fabuloso e sentimos um vazio quando alguns detalhes já desapareceram?

Dreamboard é uma aplicação onde podem guardar lá um registo dos vossos sonhos. Tem pormenores como se gostaste ou não desse sonho, que sensações passaram por ti, onde viveste esse sonho, com quem o viveste, se és ou não a protagonista e escolhes também uma cor que associes a esse sonho, além do relato em que contas a história do teu sonho.
Há medida que vais guardando no teu Journal os teus sonhos, vais tendo um registo estatístico como, a percentagem de sonhos agradáveis ou não que tiveste, quem aparece mais vezes nos teus sonhos, a sensação que mais passa por ti quando sonhas, em que dias e meses sonhaste mais e ainda um mapa que mostra todas as cores que já passaram por ti nos sonhos, aumentando o volume se repetes muito determinada cor.

A aplicação permite-te ter uma conta privada (sem que mais nenhum utilizador possa aceder aos teus relatos sonhadores) e ainda tem a possibilidade de criares um código para que não haja mente curiosa nenhuma que, ao pegar no teu telemóvel, queira cuscar. É gratuita e confesso que agora sempre que acordo trato logo de escrever os meus sonhos, por mais simples que sejam. No final do mês divirto-me a ler o que escrevi e a emocionar-me, assustar-me ou surpreender-me com algumas habilidades do meu sub-consciente.

Já conheciam? Vão experimentar?

terça-feira, 15 de abril de 2014

MUNDO || 1:Face Watch


Vi pelo Instagram e lembrei-me de uma amiga minha que tinha-o no pulso, em memória à mãe que morreu na batalha contra o cancro. Estava curiosíssima para saber o que tinham estes relógios de especial e, depois de ela me ter explicado tudo, fiquei rendida.

1:Face Watch é muito mais que um relógio. É a tua parte activa pelos outros, ser solidária. 1:Face Watch é um projecto que conta com o patrocínio de diversas marcas e instituições onde, dependendo do relógio que escolhes, estás a ajudar uma causa. Existem várias causas à escolha, desde a luta contra à fome, ao tratamento do HIV, contra o cancro. São várias as áreas de foco em que podes ajudar e cada temática solidária está associada a uma cor (a cor do relógio). Tudo o que tens de fazer é comprá-lo e, ao fazê-lo, estarás de imediato a contribuir para a causa que escolheste! O relógio custa cerca de 40$ o que, à conversão vai rondar os 28, 29 euros.

Gosto destas ideias fabulosas e humanitárias porque, por vezes, não sei para onde me focar, não sei onde ajudar. Sinto-me muitas vezes impotente e, se sei que esta é uma das formas de ajudar, eu quero participar. Conversei com os meus pais e avós sobre uma possível prenda de Páscoa e, até porque eu sou uma viciadinha em relógios e até porque a causa é boa, aceitaram oferecer-mo.

Difícil, difícil vai ser agora escolher a causa em que quero intervir. Estando na área em que estou, inclinei-me para a luta contra a fome em África, mas a missão contra o cancro também me cativa. Logo verei qual me decido nesta prenda de Páscoa tão adorável!

BLOGOSFERA || "A dose certa diferencia um veneno de um remédio"


O Bobby Pins faz parte dos meus pontos de agenda diários mas raramente é o centro da minha agenda. Muito pelo contrário, normalmente é aquele que é cortado fora injustamente quando estou mais atarefada, como também se verifica isso em muitos outros bloggers que sigo. É a lei da vida, right? Mas depois leio certos posts e comentários que me deixam assustada. Mais assustada até do que se alguém de livre e espontânea vontade decidisse vir cá ao Bobby implicar comigo; O momento em que a pessoa está demasiado tempo na blogosfera.

É com cada post desesperado ou atacado ou ofendido que eu pergunto-me se, se a pessoa em vez de ter escrito esse post tivesse ligado a alguém para ir comer qualquer coisa ou beber um café, voltaria a escrever o que escreveu na volta a casa. O mesmo se passa para determinados comentários. Não é que eu queira ofender ninguém ou disparar indirectas estratégicas - não é o sentido deste post se é assim que o estão a interpretar - e talvez eu devesse ter ido também tomar um café antes de escrever este post para não aparecer aqui mas acho que tem de fazer o click e espero que o faça: as pessoas deixam-se cair demasiado na teia da blogosfera. Envolvem-se demais com as pessoas, criam laços tão íntimos que acaba por ser um gatilho contra elas próprias. E tanto para o bem como para o mal, porque há o reverso da moeda; Pessoas que odeiam tanto ou chocam tanto com outros bloggers que só estão bem em atacá-los.

É claro que é bom conhecer pessoas na blogosfera e criarmos boas ligações com elas, partilhar, conhecer dar e receber! Eu seria a primeira a levantar o braço se perguntassem quem concordava com isto. Mas, meus caros, sejamos regrados, haja dose. E não deixemos o coração voar por aí, porque, por disparate atrás de disparate, verão facadas onde não existem, amores que não acontecem, ódios não recíprocos e intrigas e conflitos que não fazem o menor sentido. 
É tanto tempo aqui de volta que se esquecem que há um mundo lá fora e esse sim, vale a pena amar muito, lutar muito, esfolarmo-nos, defendermo-nos, levar a peito. Esse sim vale a pena entrar vestido e sair roto.

Agora, numa blogosfera, levar a peito tudo o que é feito por x pessoa? Vão tomar um café, apanhar ar, conhecer pessoas e dar uns beijos. Tudo na vida deve ter uma dose quanto baste, já Paracelsus o dizia nos seus tempos mais anciãos! Equilibrem as vossas importâncias, caso contrário, são as vossas importâncias que vos desequilibram.

domingo, 13 de abril de 2014

MUNDO || Inspirar e ser Inspirado


A principal pergunta que qualquer pessoa faz a uma outra criativa é "onde vais buscar essas ideias? quanto tempo estiveste a pensar nisso?". De facto, por vezes aparecem certas obras-primas que nos deixam a matutar 1) Como surgiu tal ideia inspiradora; 2) Porque não pensámos nisso antes.

Para mim, nada é mais gratificante do que sentir que fomos a inspiração para os outros. Sabermos que a nossa voz, as nossas ideias e pensamentos chegam aos outros de uma forma quase osmótica, simples, sem esforços.
Hoje quero-vos falar do que me inspira. Aquilo que me faz escrever, ouvir outras músicas ou ter novas ideias. A Inspiração é um jogo inteligente: pode estar lá, mas nem toda a gente vai ver. Está nos detalhes, nos gestos do milissegundo. Não é óbvia, mas a forma como se entranha em nós, tão subtil, é tão forte como o desejo.

Inspiração são as pessoas que vejo todos os dias. As que conheço e não conheço. O que me contam, as suas histórias, um momento que observo. Um desconhecido na paragem ou que partilha o assento comigo. São as notícias que oiço, os artigos que leio, os vídeos que vejo. A música que passa no rádio enquanto ia alternando de estação e me faz parar de carregar nos botões, ligar o SoundHound e descobrir que música é aquela que me fez quase parar no trânsito. 
Inspiração é o cd novo que compro, a música que me dão a ouvir porque "vou gostar". O treino intensivo que tenho, os bons jogos em que venço e as derrotas que me marcam. A inspiração está na primeira colher de uma nova sobremesa, nos sabores que se disseminam pelo meu paladar e me fazem fechar os olhos. Está na pressão de um beijo, dos lábios que se tocam, sôfregos de encanto. Está nas palavras carinhosas de quem mais nos embala o coração, nos gestos bondosos, nos gestos verdadeiramente impressionantes. Está na 1ª vez que experimentas algo novo. Está no alto das nuvens, transportada num avião, ou na lama que se acumula nos tornozelos de uma corrida pela terra batida. 

A inspiração está nas gotas de chuva batendo na janela, mais parecendo lágrimas do tempo, está no céu azul místico do final do dia, está no Sol de chapa na testa às oito da noite numa praia deserta. Está depois de um mergulho, antes de descobrires um estilo novo de roupa.

A inspiração está nas pessoas, nos seus olhos, nos seus tiques, nos seus gostos. Nos animais que te amam mais que tudo. No carro que não queria parar na passadeira e te pregou um susto, no tornozelo que te ia falhando no exercício e ias ter um bom 31 para viver. Está nos sotaques e nas línguas, nos provérbios que ainda não conheces, nas fotos que ainda não tiraste e nas culturas por onde ainda não passaste.

A Inspiração é um mundo, nem sempre visível. Exige um olhar clínico, cirurgião, capaz de encontrar no mais ínfimo detalhe, micróbio, poeira, algo digno de surgir novas ideias. Ser uma inspiração é sabermos que somos vistos ao detalhe e que encontram em nós um baú de Pandora onde de lá retiram as mais brilhantes ideias ou novos conceitos. 

A todas as pessoas e todas as coisas que me inspiram: obrigada. E se, alguma vez, fui a inspiração de alguém, jamais conseguirão determinar a quantidade de gratidão que sinto por assim ser.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

FOTOGRAFIA || Em papel


Já pouca gente revela fotografias, especialmente desde a explosão dos álbuns digitais, com designs todos catitas e onde posso guardar 500 fotografias sem qualquer trabalho, sem que se estraguem, eternas. Um disco rígido com a pasta bem colocada na data e no local e posso aceder sempre que quiser.

Apesar de, também eu ter milhares de fotografias digitalizadas, sempre que posso reúno numa pen umas dezenas de fotografias importantes e mando revelar. Gosto da fotografia no papel, sem dúvida. Tenho no meu quarto um placard de cortiça e agora um de metal, branco, onde posso colocar lá as fotos sem as danificar espetando um pin e gosto de as organizar nesse espaço. Gosto de misturar os meus melhores momentos de equipa com aquela paisagem maravilhosa que tirei em Edimburgo e de um momento de Praxe. Gosto de escolher os ímans mais giros para colocar as fotos. Na minha prateleira estão expostas imensas fotografias também, com molduras giras como só elas, escolhidas a dedo para a ocasião, que tornam o meu quarto tão mais pessoal, tão mais eu.

Onde quer que eu olhe, encontro as pessoas mais importantes da minha vida a olhar para mim, nos momentos mais felizes, mais marcantes, e descubro que vale a pena. Vale a pena viver para se ter momentos destes, vale a pena sair para conhecer pessoas assim, vale a pena embarcar em aventuras que nos levam a novas pessoas. Gosto das fotos de polaroid que vou guardando e prendendo nos cantos dos meus quadros. Vale a pena olhar para uma foto, segurando a moldura e passar o dedo nos rostos. Vale a pena ter uma caixa cheia de álbuns com datas e descrições e abrir essas caixas com amigos num sábado à tarde, enquanto vamos folheando e tentando recordar o momento eternizado na foto, enquanto tentamos perceber qual a piada privada escondida na descrição.

Cd's e fotografias são duas coisas das quais ainda não me privei de ter em material. Gosto muito de fotografia e gosto ainda mais de a ver espalhada no meu espaço. Não há melhor elemento de decoração que a lembrança dos amigos!

sábado, 5 de abril de 2014

MUNDO || Acontece-me tantas vezes isto...


Às vezes quando conheço uma pessoa ou me aproximo de alguém com caminhos diferentes do meu, idades diferentes ou com historiais de vida divergentes do meu, dou por mim a pensar no que estava a fazer na mesma altura. Por exemplo, olhar para uma data de faculdade dessa pessoa e pensar que, nessa mesma data e nessa mesma altura eu devia estar super embrenhada num teste de 11º ano. Ou que, quando essa pessoa estava a entrar num projecto qualquer eu estava a sair de outro. 

Faz-me pensar que achamos sempre que agora, no presente já lemos tudo o que havia para ler, já estudámos tudo o que tínhamos para estudar, já sentimos tudo o que havia para sentir e já conhecemos todas as pessoas que valiam a pena conhecer. Raramente achamos que ainda podemos ser surpreendidos, raramente achamos que vamos encontrar um amor igual, uma amizade igual ou achamos sempre que já estamos preparados para conhecer ou viver outros momentos.

Mas hoje, neste momento, eu estou a escrever este post e tu estás a lê-lo. E hoje, neste momento, alguém no mundo está a fazer uma coisa brutalmente diferente. Sem sequer tu imaginares a sua existência e ele a tua.

E, um dia, vão cruzar-se. E as datas, os momentos e as memórias vão cruzar-se, ainda que dissonantes. E vais pensar: "Eu nunca imaginei que caminhos tão diferentes viessem a cruzar-se. Em 2014 eu estava aqui. E agora, em 20-e-futuro estou contigo".

É interessante pensar nisso. Eu gosto.